Numa cidade, do Oriente, vivia uma jovem cujo nome era Fátima, filha de um fiandeiro. Um dia seu pai lhe disse:
- Filha, faremos uma viagem, pois tenho negócios a resolver. Venha comigo e talvez você encontre um jovem atraente, com quem venha a se casar.
Iniciaram assim a sua viagem, indo de ilha em ilha, o pai cuidando dos negócios e Fátima sonhando com o homem que poderia ser futuro marido. Um dia armou-se uma tempestade e o barco naufragou. Fátima foi arrastada a uma praia e seu pai morreu e ela ficou desamparada.
Enquanto vagava pela praia foi encontrada por uma família de tecelão. Embora muito pobres, levaram-na para sua humilde casa e ensinaram-lhe seu oficio.
Dois anos se passaram e Fátima voltou a ser feliz. Porém um dia enquanto passeava na Praia, um bando de mercadores de escravos desembarcou e levou-a, junto com outros escravos. Apesar dela lamentar muito, os mercadores não lhe deram nenhuma atenção ou compaixão e venderam-na como escrava.
Pela Segunda vez o mundo de Fátima ruíra.
Quis a sorte que no mercado houvessem poucos compradores. Um deles era um homem que procurava escravos para trabalhar em sua serraria, onde fabricava mastros para navios. Ao perceber o ar triste e desolado de Fátima, decidiu comprá-la, pensando que poderia ser uma ótima criada para sua esposa.
Ao chegar em casa soube que o seu carregamento de mastro fora capturado por piratas e ele estava completamente sem dinheiro. Não podendo enfrentar suas despesas, ele, sua mulher e Fátima arcaram com a pesada tarefa de fabricar mastros. Fátima, grata ao seu patrão por tê-la resgatada, trabalhou tanto e tão bem que ele lhe deu a liberdade.
Um dia ele lhe disse: - Fátima, quero que vá como minha representante, com um carregamento de mastro, procure vendê-los com bom lucro. E ela partiu, mas quanto estava próxima a costa chinesa um tufão a fez naufragar, indo parar na praia de uma ilha desconhecida. Novamente chorou amargamente, porque sentia que nada da vida acontecia como ela esperava. Sempre que parecia que andava bem, alguma coisa acontecia e destruía a suas esperanças. E ela gritou a beira da praia: - Por que será que sempre que tento fazer alguma coisa não dá certo? Por que devo passar por tantas desgraças?
Na China ninguém estava interessado nos problemas anteriores de Fátima, mas existia uma lenda que um dia apareceria uma estrangeira capaz de fazer uma tenda ao Imperador. Naquela época ninguém sabia fazer tendas na China. E todos aguardavam com ansiedade o cumprimento da profecia. Para ter certeza que a estrangeira quando chegasse não passaria despercebida, uma vez por ano os imperadores mandavam mensageiros a todas as cidades e aldeias pedindo que todas estrangeiras fossem levadas à corte. E assim Fátima foi levada ao Imperador que lhe perguntou: - A Senhora sabe fazer tendas? Fátima respondeu: - Acho que sim, Majestade.
Fátima então pediu cordas, mas não havia cordas na China, lembrando do seus tempos de fiandeira, colheu linho e fez cordas.
Fátima pediu um tecido resistente, mas na China não havia o tipo de tecido que precisava, e lembrando-se de suas experiência de tecelão fez o tecido que precisava.
Fátima então pediu estacas para a tenda, mas também não existiam no país, e lembrando-se do tempo que fabricou mastros fabricou estacas firmes.
Quando tinha tudo o que precisava lembrou-se de todos os tipos de tendas que virá nos países que andou e uma tenda foi construída.
O Imperador quando viu a tenda ficou maravilhado e se prontificou a satisfazer qualquer desejo de Fátima. E ela pediu que deixasse ela morar na China, e lá ela casou com um príncipe, e , rodeada pelos seus filhos viveu muito feliz até o fim de seus dias.
Através destas aventuras, Fátima compreendeu que o que em cada ocasião lhe parecerá uma experiência desagradável acabou sendo parte essencial de sua felicidade.