Grupos

Em 1958, o então deputado Carlos Lacerda fazia da tribuna da Câmara dos Deputados, uma proposta bizarra: que o Congresso Nacional fosse fechado manu militari e, na seqüência imediata, fosse feita a reforma política que o país precisava (e continua precisando), para só então ser reaberto. Chamava a isso de “golpe cirúrgico”. Alegava Lacerda que as reformas indispensáveis para impedir – ou pelo menos reduzir drasticamente – as falcatruas de sempre na política brasileira não seriam feitas jamais pela via democrática por uma razão muito simples: teriam que ser submetidas ao crivo dos beneficiários do que se pretendia remover. Só uma ação externa à instituição, dizia ele, teria eficácia para tanto. Seis anos depois, deu-se o golpe militar, mas a cirurgia mencionada por Lacerda, uma das lideranças civis mais importantes daquele movimento, não foi feita. O regime militar brasileiro, ao contrário do que ocorreu com seus vizinhos do Cone Sul, preocupou-se em exibir fachada democrática, mantendo o Congresso em funcionamento e, até mesmo, submetendo os generais-presidentes, escolhidos nos quartéis e por critérios hierárquicos, a uma pantomima apelidada de colégio eleitoral. Os políticos que aderiram à nova ordem fardada eram exatamente os que mais zelo exibia pelas práticas denunciadas por Lacerda - oligarcas e fisiológicos em sua maioria. Como o que estava em pauta eram os delírios da Guerra Fria, bastava exibir alinhamento incondicional ao anticomunismo para cair nas graças e bênçãos do regime. Fisiologismo e corrupção eram questões secundárias, invisíveis.

Triunfou, pois, a cultura do atraso, que, com a redemocratização, retomou a visibilidade dos tempos em que Lacerda imaginou ter encontrado um atalho para extirpá-la. Sua proposta, no entanto, ainda inspira tentações, não obstante sua inconsistência, evidenciada pela história, que sucessivas vezes demonstrou que ditadura não resolve nada. Se resolvesse, o regime de 64 teria dado jeito no país.

A rigor, nem seria preciso, pois a República brasileira, que registra mais tempo de autoritarismo que de democracia – e começou, inclusive, com um golpe militar –, já estaria saneada àquela altura.

Outra constatação, que vulnerabiliza a democracia entre nós: 49 anos depois do discurso de Lacerda, o quadro político brasileiro, na essência, é o mesmo, e se alguém hoje ocupasse a tribuna da Câmara – ou qualquer outra instância da cena pública - para propor o mesmo rito profilático seguramente encontraria imenso número de adeptos.

O recente aumento que o Congresso se auto-concedeu, esta semana, de quase cem por cento, gerou tal perplexidade na opinião pública que não é exagero dizer que há muito não circulava pelo país onda nostálgica tão intensa - nostálgica da ditadura.

Esse o grande desastre. Quem viveu aquela época sabe da importância institucional do Congresso, do que representa para a construção de um regime baseado na liberdade e no primado do direito.

Sabe, por exemplo, que a grande vantagem da democracia é permitir que as falcatruas que se cometem em sua vigência venham à tona e gerem ações e manifestações corretivas.

Hoje, mais que ontem, as instituições do Estado funcionam e enquadram malfeitores de colarinho branco. Mas as regras do jogo prosseguem sendo convidativas aos aventureiros de sempre.

Enquanto não forem mudadas, o esforço profilático será insuficiente. É como enxugar o chão com a torneira aberta. Daí a necessidade inadiável de uma reforma política: ou se faz ou a tentação autoritária continuará presente no inconsciente coletivo nacional.

Não há muita divergência a respeito do que mudar. O desafio prossegue sendo o “como mudar”. O impasse é o mesmo mencionado em 1958 por Lacerda: como fazer com que beneficiários de um sistema se disponham, por livre e espontânea vontade, a mudá-lo?

Tudo começa pelos partidos. Não se exerce nenhum cargo eletivo sem ser por meio deles. E, no entanto nenhum partido tem qualquer compromisso com seu próprio ideário, assim como seus filiados só têm compromisso consigo mesmos.

Basta ver a aliança que, em 2002, elegeu Lula e José Alencar. O PT de Lula, nos termos de seu programa, é socialista e estatista, enquanto o PL (“L” de Liberal) de José Alencar (que hoje já mudou de partido) sustenta ideário antípoda, execrando o socialismo e o estatismo. Como programa e ideário nada significam no quadro político brasileiro, ninguém achou nada estranho. Nem o PT, nem o PL, nem o eleitor. E Lula, parceiro dos liberais, elegeu-se criticando com a maior naturalidade o neoliberalismo de seu antecessor.

A bagunça que daí deriva é inevitável. O sujeito se elege por um partido e, no dia seguinte à eleição, pode trocar de legenda. Na hora de votar um projeto, não precisa seguir nem o programa, nem a palavra do líder. Não há fidelidade partidária, nem de qualquer outra espécie. A política brasileira é adúltera. Cada parlamentar é uma legenda, que decide seu voto a partir de seus interesses. As exceções de praxe confirmam a regra geral.

O saudoso jornalista Carlos Castello Branco, o Castelinho, contava uma história que vale por uma tese sociológica a respeito da política brasileira. Dizia que, em 1945, quando da criação do Partido Social Democrático, o velho PSD - de Tancredo Neves, Amaral Peixoto, José Maria Alckmin e tantas outras raposas -, foi encomendado a um grupo de intelectuais acadêmicos um programa para o partido.

Os intelectuais cientes do perfil do cliente – ligados à elite ruralista -, providenciaram algo correspondente: um programa conservador, defensor da tradição e da propriedade, guardião dos costumes morais e religiosos mais ortodoxos.

Ao lê-lo, Valadares reclamou: “Está muito conservador; bota uns comunismos nisso aí”. E a mercadoria foi devolvida para o referido acréscimo, sem que isso tenha alterado em nada o comportamento conservador daqueles personagens, que só admitiam “os comunismos” no papel e o combatiam na vida real. Quanto a isso, nada mudou.

Os programas partidários estão cheios de passagens politicamente corretas que ninguém lê e muito menos pratica. Nada na lei vincula parlamentares a partidos e partidos a programas. O resultado é o que temos visto e continuaremos a ver, enquanto a farra prosseguir.

1 hora, 44 minutos atrás

Por Philip Pullella

CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O Vaticano reagiu com fúria a uma reportagem publicada por uma revista italiana que buscou mostrar que o que alguns padres dizem aos católicos no confessionário nem sempre é o mesmo que a Igreja prega em público.

Para escrever a matéria de capa da edição desta semana da L'Espresso, o repórter Riccardo Bocca foi a 24 igrejas em cinco grandes cidades italianas e confessou pecados que não cometeu, ou então inventou dilemas éticos para os padres.

Em uma igreja em Nápoles, ele disse ao padre que se sentia culpado pela morte de seu pai. Falou que a família deu autorização para um médico desligar os aparelhos que mantinham seu pai vivo, depois de cinco anos paralisado sem poder sair da cama ou respirar sozinho.

Embora a Igreja oficialmente condene a eutanásia, o padre que ouviu a confissão disse ao repórter para não se preocupar demais porque Deus seria o juiz final.

Em outro confessionário, o jornalista se fez passar por uma pessoa com HIV e ouviu do padre que usar ou não camisinha, para não transmitir o vírus da Aids à mulher que amava, era "uma questão muito pessoal de consciência".

Oficialmente, a Igreja ensina que as melhores maneiras de impedir a transmissão da Aids são a abstinência e a monogamia, não o uso de camisinha.

O repórter disse que o artigo é um trabalho de reportagem investigativa, mas o Vaticano reagiu com força.

Um editorial no jornal do Vaticano, l'Osservatore Romano, disse que o trabalho profanou o sacramento da penitência em nome de um "ignóbil furo jornalístico".

"Vergonha, não há outra palavra para expressar nosso repúdio a algo repulsivo, indigno, desrespeitoso e extremamente ofensivo", disse o jornal do Vaticano.

Bocca disse que não foi sua intenção demonstrar desrespeito pela Igreja e seus sacramentos, mas "mostrar as dificuldades que esses sacerdotes encontram quando procuram cumprir seus deveres com consciência".

Sobre o homossexualismo, um padre lhe disse: "O homossexualismo é uma tendência que constitui uma expressão humana válida. Existem até padres homossexuais e freiras lésbicas."

A Igreja ensina que a homossexualidade não é pecado, mas os atos homossexuais, sim.

Com a exceção do aborto, que foi condenado por todos os 24 padres que ele consultou, o jornalista recebeu conselhos conflitantes sobre questões morais como o divórcio, a prostituição e as pesquisas com células-tronco.


 http://br.noticias.yahoo.com/s/reuters/070131/manchetes/manchetes_vaticano_confessionario_pol

 

Rússia: Número de abortos é superior aos nascimentos
 
O número de abortos legais na Rússia ultrapassa o número de nascimentos, num país com uma das mais liberais legislações sobre a interrupção voluntária da gravidez e que foi o primeiro a legalizar a prática, em 1924.
 
Estatísticas de 2005 indicam que o número de abortos em instituições médicas legais se situou entre os 1,7 e os 1,8 milhões.
No mesmo ano registaram-se entre 1,4 e 1,5 milhões novos nascimentos.
 
Segundo a Lei sobre a Protecção da Saúde dos Cidadãos de 22 de Julho de 1993, praticamente não existem barreiras à realização de abortos na Rússia.
 
O aborto pode realizar-se até às 12 semanas de gravidez a pedido da mãe, podendo esse prazo prolongar-se até às 22 semanas por «razões sociais», ou seja: «invalidez do marido, caso a mãe ou o pai se encontre na prisão, desemprego, divórcio durante a gravidez, falta de habitação».
 
A lei permite ainda a Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) a «mulheres com estatuto de refugiada, mães solteiras ou com mais de três filhos» ou «com meios de subsistência inferiores ao mínimo previsto por lei».
 
Esse prazo poderá ser dilatado em caso de «má formação do feto» e «violação».
 
«Tendo em conta a facilidade com que no país se compra uma declaração das autoridades, não é difícil imaginar que basta o desejo da mulher ou do marido para que ela faça um aborto», declarou à agência Lusa uma enfermeira de um clínica de ginecologia de Moscovo.
 
Os dados falam por si. Numa altura em que a Rússia passa por uma grave crise demográfica (a sua população diminui, anualmente, em cerca de um milhão de habitantes), as autoridades não conseguem travar o aumento do número de interrupções voluntárias da gravidez, distanciando-se cada vez mais do número de nascimentos.
 
A proporção entre número de abortos e de novos nascimentos era ainda maior nos últimos anos da União Soviética.
 
As estatísticas de 1988 indicam que o número de abortos era superior ao de nascimentos à razão de 166 abortos para cada 100 nascimentos.
 
Em 1992 a relação aumentou (225 abortos para 100 nascimentos).
 
Os especialistas atribuem tão grande número de abortos principalmente ao baixo nível de vida da população, mas chamam também a atenção para a falta de planeamento familiar, factores herdados da era comunista.
 
A Rússia foi o primeiro país do mundo a legalizar o aborto em 1924.
 
Por iniciativa do dirigente comunista Vladimir Lenine, essa medida foi tomada no âmbito da política de «emancipação da mulher».
 
O seu sucessor, José Estaline, proibiu a realização do aborto a pretexto da «protecção da saúde das mulheres soviéticas», proibição que durou até 1955.
 
Na realidade, a proibição da IVG visava aumentar o número de nascimentos a fim de compensar os milhões de soviéticos que foram vítimas da fome, guerra e campos de concentração, durante a II Guerra Mundial.
 
As autoridades soviéticas proibiram desde 1934 a publicação das estatísticas sobre o número de abortos mas as autoridades de saúde russas admitem que a União Soviética ocupava o primeiro lugar do mundo.
 
«Em 1986 foram oficialmente realizados 7.116.000 abortos na URSS, tendo esse número subido para 7.265.000 em 1988», disse à Lusa Irina Siluanova, docente da Universidade Médica Estatal da Rússia.
 
A mesma fonte explicou que o elevado número de abortos nesses anos ficou a dever-se ao facto de a pílula ter sido proibida e a má qualidade dos preservativos, quando existiam.
 
Diário Digital / Lusa
29-01-2007 10:42:00

Delfim Netto é marxista

10:09 @ 02/02/2007

Delfim Netto é marxista
Data: Wed, 31 Jan 2007 23:27:05 -0200
Quarta-feira, Janeiro 17, 2007
 
Somos todos marxistas
Edição de Artigos de Quarta-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Delfim Netto

MARC BLOCH, o grande historiador, disse a um amigo pouco antes de ser fuzilado pelos nazistas em junho de 1944: "Eu também sou marxista, mas não tenho nenhuma necessidade de dizê-lo; sou marxista como sou cartesiano". Este é o ponto. Hoje (62 anos depois de Bloch), somos todos "marxistas", exatamente como somos cartesianos, como somos humeanos, como somos espinosianos, como somos kantianos, como somos weberianos, como somos neoliberais, como somos keynesianos, como somos freudianos, como somos einsteinianos, como fingimos saber do que trata a física dos quanta e assim por diante...

Para qualquer animal inteligente, Marx continua necessário, ainda que não seja suficiente. Os dois gigantes que o habitavam, o teórico e o revolucionário, foram pouco a pouco tomando distância entre si. O pensamento do velho Karl é uma máquina diabólica: seqüestra o leitor que não encontra saída fácil. Precisa de muito esforço para livrar-se das suas engrenagens lógicas e não o faz sem levar marcas indeléveis.

De sua obra teórica ficaram sólidos resíduos, incorporados definitivamente à consciência da humanidade, mas que vão perdendo a sua identidade ao submergirem no que se supõe ser o estoque das "verdades" que conhecemos. O seu "socialismo científico", ao contrário, empalidecerá cada vez mais.

As tentativas de implementá-lo (justificadas ou não pelas condições materiais) terminaram, invariavelmente, em enormes desastres econômicos e sociais. O grande potencial da hipótese do materialismo histórico acabou aprisionando numa órbita em torno de Marx quase todos os construtores da sociologia (Weber, Durkheim e Pareto). Estes tentaram fugir à força de atração de Mefisto negociando com ele. E como se pode entender de outra forma a obra de Aron, de Mannhein, de Wright Mills ou de Schumpeter?

A obra de Marx só não conheceu ainda a mais completa absorção pela corrente do pensamento universal porque, falsificada, transformou-se numa espécie de religião oficial do império soviético. Em lugar de uma sociedade sem classes e livre, construíram um mundo fantástico de opressão e de obscurantismo, como só intelectuais são capazes de fazer.

A "Igreja" matriz faliu. Seus altos sacerdotes, que, no Brasil, faziam "charme" com a carteirinha escondida do Partidão, perderam o encanto: são agora pobres "social-democratas"! Portanto, ainda que alguns lamentem, hoje todos podemos ser marxistas "sem medo de ser feliz"...

Antônio Delfim Netto é um dos gurus econômicos informais da equipe de Lula. Artigo originalmente publicado na Folha de S. Paulo desta quarta-feira. Ao contrário de muita gente, garante que leu a obra do "Velho Karl" - como ele carinhosamente se refere a Marx.

Portugal: eurodeputados inteferem no referendo
Data: Wed, 31 Jan 2007 23:48:48 -0200
Aborto: Eurodeputados criticam atraso de Portugal
 
O atraso de Portugal no quadro da legislação europeia em relação à Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) constituiu a tónica dominante de vários eurodeputados que no domingo participaram, em Lisboa, numa sessão de esclarecimento sobre o aborto.
 
 
Cerca de 10 eurodeputados de vários países e quadrantes políticos criticaram Portugal pelo atraso no quadro da legislação comunitária em relação à despenalização do aborto, classificando de «vergonha», numa Europa a 27.
 
«Em 27 países da União Europeia, todos os outros tratam a mulher com uma dignidade e com uma decência que nós já precisamos de assumir», declarou a eurodeputada socialista Elisa Ferreira, à margem da sessão pública de esclarecimento «Eurodeput@das pelo SIM», no domingo em Lisboa.
 
Elisa Ferreira não poupou críticas à legislação portuguesa, referindo que «é uma vergonha que Portugal esteja, nesta matéria, apenas ao lado de apenas dois países da União Europeia, como a Polónia e a Irlanda, e que o conduz a um atraso no quadro europeu».
 
«Ninguém está aqui a discutir o aborto, estamos a discutir uma penalização da sociedade que leva as mulheres a tribunal, que as expõe a um julgamento, por causa de realizarem uma interrupção voluntária da gravidez», frisou Elisa Ferreira, lançando um apelo aos portugueses para que «não se deixem manipular».
 
A posição da eurodeputada em nada se opõe à defendida pelo eurodeputado do Bloco de Esquerda Miguel Portas que lembrou: «há oito anos as pessoas que defendiam o não e que ganharam disseram que a partir daí não haveria mais perseguição judicial a mulheres. Desde então, mais de 200 mulheres foram investigadas policialmente e viram a sua intimidade devassada, e uma boa parte em tribunal».
 
«Despenalizar é uma condição para que uma mulher sem recursos possa ser ajudada e para que essa sua decisão seja partilhada a um equipamento de saúde certificado para o efeito», defendeu.
 
Portugal tem que «acabar com a penalização, com a humilhação, com o vexame de mulheres sujeitas a julgamentos em tribunais como tem acontecido», salientou, por seu turno, a eurodeputada do PCP, Ilda Figueiredo.
 
«Nos outros países este problema já foi ultrapassado e resolvido há muito e com ganhos substanciais para a saúde pública e das mulheres», disse.
 
Destacando que em Portugal «há evidências» que devem ser assumidas, a eurodeputada do PSD, Ana Maria Gomes, acentuou: «se estamos numa pequeníssima minoria de países com uma legislação anacrónica sobre o aborto, que não resolve os problemas mas que cria os problemas e está fora dos quadros civilizacionais normais da UE, isso deve também dizer-nos alguma coisa e dá-nos a leitura que a União tem sobre a nossa lei».
 
Além dos eurodeputados portugueses de várias frentes políticas, a sessão pública de esclarecimento contou igualmente com perto de uma dezena de eurodeputados europeus, entre os quais dinamarqueses, franceses e espanhóis.
 
Diário Digital / Lusa
29-01-2007 11:12:35

BERNARDO CARVALHO

10:12 @ 02/02/2007

BERNARDO CARVALHO

Pensadores russos
Foi para dar conta da experiência da geração de 1840 que se cunhou o termo "intelligentsia"

NUMA DAS cenas finais de "Salvage" ("Salvamento"), terceira parte da trilogia "The Coast of Utopia" ("A Costa da Utopia"), do dramaturgo inglês Tom Stoppard, que estréia hoje em Nova York, o romancista Ivan Turguêniev encontra um médico num balneário da ilha de Wight freqüentado por exilados russos. O médico diz que só lê livros úteis, como "O Fim das Hemorróidas", do doutor Mackenzie. Turguêniev rebate: "Ler o doutor Mackenzie me faz lembrar das minhas [hemorróidas], ao passo que ler Pushkin me faz esquecer delas".
"A Costa da Utopia" gira em torno de um punhado de idealistas e revolucionários russos, a chamada geração de 1840, que incluía, além de Turguêniev, o anarquista Mikhail Bakúnin (1814-76; interpretado por Ethan Hawke na montagem americana), o crítico literário Vissarión Bielínski (1811-48; interpretado por Billy Crudup) e Alexander Herzen (1812-70), considerado por Isaiah Berlin no seu excelente "Pensadores Russos" (Companhia das Letras, 1988) "o mais interessante escritor político russo do século 19".
A trilogia de Stoppard trata do desencanto. A peça estreou em Londres, em 2002. Nos Estados Unidos, a primeira parte, "Voyage" (viagem), estreou em outubro passado e a segunda, "Shipwreck" (naufrágio) em dezembro -as duas seguem em cartaz, junto da terceira, até 13 de maio, no Lincoln Center.
Foi para dar conta da experiência dessa geração, um grupo de jovens brilhantes, na maioria filhos da elite russa influenciados pelo romantismo e pelo idealismo alemão e inconformados com a injustiça social, com o sistema de servidão feudal, com a autocracia czarista e com o atraso econômico, político e intelectual do país, que se cunhou o termo "intelligentsia".
"Voyage", primeira parte da trilogia de Stoppard, começa na propriedade da família Bakúnin, a cerca de 250 km de Moscou, em 1833. É lá, num cenário idílico apenas em aparência, enquanto a grande maioria da população vive na miséria mais absoluta, que o jovem Bakúnin, leitor de Kant, Schelling, Fichte e Hegel e futuro agitador anarquista, suas irmãs e seus convidados dis- correrão sobre o que a censura czarista não lhes permite publicar. É lá que o jovem e pobre Bielínski dirá pela primeira vez o que os outros terão de esperar o exílio para compreender: "Quando filósofos [...] começam a estabelecer regras para a beleza, o sangue nas ruas passa a ser inevitável".
"A Costa da Utopia" é a história de um grupo de jovens socialistas russos que, forçados ao exílio e encurralados entre a barbárie da autocracia czarista e o fracasso das revoluções de 1848 na Europa Ocidental, acabam se tornando personagens involuntários de uma tragédia da modernidade. Desiludidos com o Ocidente e com os idealismos em que se formaram, vendo suas vidas amorosas e familiares desmoronar, só lhes resta encontrar uma via própria de ação e reflexão, que eles tentam exercitar como podem em pequenos jornais revolucionários. Sua experiência fracassada servirá de inspiração para uma nova geração de revolucionários russos (a de 1860), bem menos sofisticados em termos humanistas e intelectuais, para dizer o mínimo, mas decididos a não perder oportunidades para pôr em prática a sua idéia de revolução, sem que isso lhes exija maiores reflexões sobre os meios a serem utilizados.
A tragédia de Alexander Herzen, protagonista da segunda e da terceira parte da trilogia, vem de sua luta obstinada pela liberdade, a despeito de todas as desilusões. E de sua inadequação às correntes do pensamento político do seu tempo que terminaram por se impor. Na contramão da tradição teleológica que vai culminar em Marx, passando por Hegel, Herzen se rebela contra a idéia de que a natureza e a história possam seguir um programa (mesmo que inconsciente) de progresso. Ele não idealiza as massas - e combate com veemência a hipocrisia dos que pretendem formar uma nova elite para comandá-las, "em nome delas".
"Se a história seguisse um programa estabelecido, perderia todo interesse, se tornaria desnecessária [...] os grandes homens seriam simplesmente heróis se pavoneando num palco", Isaiah Berlin cita Herzen. Os personagens da trilogia de Stoppard não são pavões num palco. Ao contrário, encarnam a humanidade trágica dos que estão decididos a lutar pela liberdade dos indivíduos até as últimas conseqüências, mesmo que essa seja uma causa perdida. E sabendo que tal integridade de pensamento e ação terminará por condená-los ao esquecimento, do lado dos perdedores.

DISCRIMINAÇÃO?

10:13 @ 02/02/2007

DISCRIMINAÇÃO?
Data: Thu, 1 Feb 2007 02:03:51 -0200
Não aceitar o casamento de “gays” é discriminação?
30/01/2007

Fonte: http://www.cancaonova.com/portal/canais/news2/news.php?id=24254

A “Folha on line” publicou hoje (30 de janeiro de 2007 - Reuters) que na Inglaterra a Lei pró-adoção gay incluirá casas católicas, apesar das reclamações da Igreja; o governo britânico não vai eximir entidades ligadas à religião de seguirem esta nova lei “anti-discriminação” que proíbe agências de adoção de vetarem casais gays para adoção de crianças.

As agências católicas na Inglaterra trabalham com cerca de 4000 crianças para adoção. O ministro Tony Blair justificou a medida dizendo que: "Todos concordam que o interesse da criança deve estar acima de tudo".

Não é verdade que “todos” concordam com esta medida, se assim fosse, a Igreja na Inglaterra não teria protestado contra a mesma como fez através do Cardeal O'Connor.

Não se pode fazer caridade sacrificando a verdade do Evangelho; a Igreja quer o bem das crianças, por isso quer para elas um pai e uma mãe. Sob o chamado “Ato da Igualdade”, discriminar alguém com base em sua orientação sexual no fornecimento de bens e serviços passa a ser crime na Inglaterra.

Que a sociedade inglesa e européia, que vêm calcando aos pés o Evangelho de Cristo, aceite mais esse erro, já é comum, mas querer que a Igreja passe por cima da Lei de Cristo é querer demais; isto nunca vai acontecer.

Ora, aceitar que um “casal” de homossexuais adote uma criança, a Igreja considera uma violência contra a própria criança, pois esta precisa da presença de um pai e de uma mãe, um homem e um mulher para um saudável desenvolvimento psicológico.

Uma prova disso, por exemplo, é o caso de uma mulher criada por homossexuais que agora pede aos governos para proteger matrimônio. Trata-se de Dawn Stefanowicz, canadense que foi criada em um “lar homossexual”, e agora se dedica a assistir a outras pessoas que atravessam pela mesma situação e a pedir aos governos do mundo que protejam o matrimônio entre homem e mulher.
Conforme informa “ForumLibertas.org”, Dawn Stefanowicz vive em Ontário, Canadá, com seu marido de toda a vida e seus dois filhos, aos que educou em casa. Atualmente prepara sua autobiografia e desenvolve um ministério especial no website (em inglês): ela ajuda a outras pessoas que como ela cresceram a cargo de um pai homossexual e foram expostos a este estilo de vida.

Stefanowicz explica no site "como em sua infância esteve exposta a trocas de casais gays, praias nudistas e a falta de afirmação em sua feminilidade, como lhe feriu o estilo de vida no qual cresceu, e oferece ajuda, conselho e informação para outras pessoas que cresceram feridas em um ambiente de “família” gay, um estilo de “família” que ela não deseja para ninguém e que acredita que as leis não deveriam apoiar". - (http://www.cleofas.com.br/virtual/texto.php?doc=ESCOLA&id=esc0082#3)

Ora, se é para proteger a criança, como disse o ministro Blair, se o “interesse da criança deve estar acima de tudo”, então, devemos dar-lhe um pai e uma mãe, e não dois pais ou duas mães.

O Cardeal Cormac Murphy-O'Connor, principal representante da hierarquia católica no país, havia pedido que as agências de adoção católicas fossem eximidas da lei, alegando que ela vai contra o que prega a Igreja, mas infelizmente para o Governo Inglês a voz da Igreja não é ouvida. O Cardeal se disse "profundamente desapontado" com a decisão.

O governo inglês ignorou a chamada “objeção de consciência”; que é direito natural e lei; ninguém pode ser obrigado a fazer algo que a sua consciência proíba. Isto é violar o que o ser humano tem de mais sagrado.

Na verdade, a grande discriminação está sendo feita contra a Igreja Católica que não poderá manter talvez as suas instituições que trabalham com crianças em adoção. Durante dois mil anos a Igreja sustentou no mundo um serviço de caridade aos homens inigualável a de qualquer outra instituição; mas agora, é impedida de fazer o bem, obedecendo a Verdade de Deus.

Fica aqui então uma pergunta: ser contra a prática (não a tendência) homossexual é discriminação contra os homossexuais? É claro que não.

Se assim fosse, toda vez que a Igreja ensinasse que não se pode violar a lei de Deus, então, ela estaria sempre discriminando alguém que se sente proibido de pecar.

A prática do homossexualismo, e seus desdobramentos, fere a lei de Deus que estabeleceu desde a origem do mundo que o casamento deve ser entre um homem e um mulher. “O homem deixa o seu pai e a sua mãe, se une à sua mulher, e sereis uma só carne” (Gn 2,24). Negar a diferença entre o homem e a mulher e a sua complementaridade é algo absurdo e irracional.

É preciso hoje mais do que nunca relembrar a palavra de Pedro diante das ameaças dos fariseus e doutores da lei: “Julgai-o vós mesmos se é justo diante de Deus, obedecermos a vós mais do que a Deus?” (Atos 4,19).

Durante dois mil anos a família foi constituída desta forma e a sociedade assim estabelecida. Por que, agora, depois de dois mil anos, viver esta verdade seria discriminação contra alguém?

Seguir o Evangelho e a lei de Deus não pode ser taxado de discriminação, senão todas as proibições dessa lei poderiam então ser consideradas da mesma forma discriminação; por exemplo, não aceitar o adultério seria discriminação contra os adúlteros; não aceitar a poligamia seria discriminação contra os polígamos; não aceitar a vida sexual antes do casamento seria discriminação contra os solteiros, e assim por diante.

Nesta linha perigosa, todo o Evangelho do Reino de Deus fica anulado e o Cristianismo desapareceria. Viver a lei de Deus não é discriminação contra ninguém, é salvação para as pessoas, é equilíbrio, é paz, é harmonia.

A Igreja ensina que a gênese psíquica da homossexualidade continua amplamente inexplicada, mas ela diz que: “Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves (Gn 19,1-29; Rm 1,24-27; 1Cor 6,9-10; 1Tm 1,10), a Tradição sempre declarou que “os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados”. São contrários à lei natural. Fecham o ato sexual ao dom da vida. Não procedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira. Em caso algum podem ser aprovados.” (Catecismo §2357)

Por outro lado a Igreja lembra que os homossexuais não podem ser discriminados.
“Um número não negligenciável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais inatas.

Não são eles que escolhem sua condição homossexual; para a maioria, pois a maioria, pois, esta constitui uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar a vontade de Deus na sua vida e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar por causa da sua condição.” (§2358)

Com todo amor a Igreja recomenda que eles vivam a castidade para serem verdadeiramente felizes: “As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadores da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.” (§2359)

A Igreja ama os seus filhos que trazem esta incógnita tendência homossexual, os acolhe no seu amor de Mãe, e assim os orienta.

Prof. Felipe Aquino

Devaneios e mágicas - CONTARDO CALLIGARIS
Data: Thu, 1 Feb 2007 08:30:05 -0300 (ART)
CONTARDO CALLIGARIS

Devaneios e mágicas

ANOS ATRÁS (e longe do Brasil), tentei ajudar um jovem cuja vida era devorada por um devaneio. Ele não se limitava a sonhar, de vez em quando, com o dia em que todas as mulheres o achariam bonito e o mundo inteiro conclamaria seus méritos: quando me consultou, já tinha preenchido dezenas de cadernos em que, por exemplo, detalhava planos de investimento para a imensa fortuna (que seria sua) e anotava os tópicos para os discursos de aceitação dos prêmios que lhe seriam conferidos (entre eles, o Nobel de Literatura).
O problema não era a hipertrofia do devaneio, mas a inércia que ele alimentava. O jovem não tomava iniciativa alguma que o aproximasse de seu sonho; apenas aperfeiçoava a descrição de seu futuro, esperando por um milagre que o realizasse. Ele encontraria, um dia, uma caixa com seis romances datilografados, os quais, publicados a intervalos bem orquestrados, venderiam milhões de exemplares pelo mundo afora.
Em outra versão, a caixa lhe seria entregue por um sábio japonês que morreria nos seus braços ou ainda por um extraterrestre.
A energia que ele dedicava a imaginar e planejar os leilões dos agentes literários, os lançamentos, os pedidos de adaptação cinematográfica etc. teria sido suficiente para escrever ao menos os primeiros dois ou três romances. Mas esse cálculo não vinha ao caso. Agir (colocar as mãos na massa e, quem sabe, fracassar) era fora de questão. Melhor viver no devaneio e na espera das mágicas.
Durante esta última semana, pensei repetidamente no meu jovem paciente. Pois me parece que todos nós (governo, políticos, comentadores e homens da rua) lidamos com o PAC (e com qualquer plano para o país) da mesma forma. Discutimos e elaboramos: há quem diga que o plano é perfeito, quem pense que é tímido, quem queira modificá-lo em benefício próprio ou de seus eleitores, quem ache que está totalmente errado. Tanto faz: elaboração e discussão são parecidas com os cadernos do jovem sonhador porque deixam de lado a questão "trivial" da realização. Como assim?
Para começar, sempre há uma inquietante desproporção entre os recursos alocados e os que chegam efetivamente à destinação. Ou seja, do valor de qualquer pacote, é preciso deduzir o custo da lentidão política, da corrupção, da incompetência técnica, da preguiça administrativa, da inércia burocrática e por aí vai.
Qual é, neste caso, o "custo Brasil"?
Acho simpático o otimismo de Dilma Rousseff, mas os famosos R$ 384 bilhões de dinheiro público não serão, como ela disse, administrados "na veia", ou seja, de maneira rápida e eficiente. A administração do remédio se dará provavelmente por via oral ou mesmo cutânea.
Podemos discutir para saber se estamos receitando a dose de antibiótico necessária para curar nossa pneumonia, mas, certamente, uma quantidade relevante de remédio ficará no frasco, uma parte maior será eliminada por uma digestão preguiçosa, outra parte não será assimilada, outra ainda será absorvida por anticorpos seculares e, enfim, alguns enfermeiros displicentes se esquecerão de administrar a pílula ou passar a pomada com um mínimo de regularidade.
Em outras palavras, promover ou discutir o PAC (ou qualquer plano) sem impor mudanças radicais de gestão (burocrática e administrativa - o que significa também fiscal e política) é, como no devanear de meu jovem paciente, um jeito de preencher cadernos com visões do futuro, guardando-se de agir. Nada de novo: Sérgio Buarque de Hollanda já explicou e estigmatizou a paixão nacional pela retórica.
Ora, as reformas administrativas pedem competência, grandes esforços e, provavelmente, medidas impopulares. É mais gratificante elaborar novos planos. E esperar a mágica: um extraterrestre ou um japonês misterioso resolverão o problema, quem sabe baixando drasticamente os juros ou desvalorizando a moeda. Alguém nos dará dinheiro barato, e investiremos brutalmente; alguém decidirá que o real vale quatro dólares, e venderemos qualquer coisa pelo mundo afora. Tudo isso sem que a gente tenha de se preocupar com a agilidade de nossa administração, com nossa produtividade ou com a competitividade, a qualidade e a unicidade de nossos produtos. Todas coisas chatas, que demandam um trabalho danado. Melhor ficar discutindo o PAC e esperando Godot.
Agora, se um presidente e um governo quisessem passar para a história...

Rubén Dário

10:23 @ 02/02/2007

Rubén Dário
Data: Fri, 2 Feb 2007 13:42:21 +0300
Só conheci Rubén Dário essa semana, graças a internet.
 
http://www.cervantesvirtual.com/bib_autor/dario/
 
Dá uma pena ter que perder tempo com o Lula...

por Gerson Faria em 31 de janeiro de 2007

Resumo: Quando o ser humano entra em guerra declarada contra um bebê é porque algo de muito, mas muito perverso está em jogo. É a covardia e a maldade em seu estado mais tremendamente brutal.

© 2007 MidiaSemMascara.org

Deu na Folha em 8 de janeiro:
 
"O Órgão Especial do TJ (Tribunal de Justiça) de São Paulo reconheceu o direito de um feto de entrar com uma ação judicial para garantir o atendimento médico da mãe. Nem o TJ-SP nem o STJ (Superior Tribunal de Justiça) têm conhecimento de casos semelhantes".
 
As ações foram movidas pelo defensor Marcelo Carneiro Novaes em nome de detentas grávidas e de seus bebês, como meio de garantir o acompanhamento pré-natal adequado. Segundo o responsável pelas ações, o respaldo legal foi oferecido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente que, uma vez garantindo o direito da criança à vida, garantiria retroativamente o direito no ventre da mãe, o direito de nascer. Segundo o argumento, o direito se estende à criança no ventre da mãe.
 
E o que as feministas acharam do reconhecimento do TJ dando direito ao feto?
 
Bom, ficaram maciçamente caladas. Pelo menos no debate público. A única manifestação que me parece ter ocorrido foi publicada no site do Centro Latinoamericano em Sexualidade e Direitos Humanos, um dos milhares que contam com o apoio da Fundação Ford. Em 2006, o CLAM recebeu um singelo aporte de US

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.714.000 , somente dessa fundação.
 
Segundo o artigo, há um problema que merece atenção redobrada. Embora reconheçam que o pré-natal seja um direito da mulher e por isso louvável, ele seria algo como um 'sub-direito' sendo a 'cidadania' um direito maior. Afirma:
 
"O que não se pode, a título de defesa do direito da mulher ao pré-natal, que é uma ação de saúde indispensável para reduzir a mortalidade materna e neonatal, é extirpá-la do contexto da cidadania".
 
Ou seja, o 'contexto da cidadania' é o espaço onde as feministas existem, é o espaço de seu ganha pão. Sem ele, elas não têm muito o que fazer. Elas querem é mediar essa relação, ditando o que é um retrocesso e o que é um avanço. Ainda no artigo:
 
"Num contexto de disputa de agenda sobre direitos sexuais e direitos reprodutivos, a decisão da Justiça paulista me parece completamente equivocada, o que favorece setores fundamentalistas".
 
E em outro ponto:
 
"Não sou especialista na área jurídica, mas o que se pode prever é que este episódio pode fortalecer posições conservadoras que estão ganhando mais visibilidade devido à vinda do Papa ao Brasil, e obrigando a um recuo no debate sobre o aborto no Congresso Nacional".
 
A verdade às vezes demora um pouco, mas sempre aparece. Vemos que a preocupação descrita é política, deixando de lado as mulheres concretas e suas crianças. O terror é que isso favoreceria os setores fundamentalistas, esses monstros anti-aborto. E aí, os ganhos políticos da causa seriam prejudicados. E dá um conselho às colegas de ativismo:
 
"Creio que temos de estar atentas para que não se caia em comemorações sobre o surgimento de novos sujeitos de direitos no Brasil, que no fundo reforçam posições retrógradas da Igreja Católica e de Evangélicos Conservadores".
 
Interessante. Ela alerta as feministas para não comemorarem o surgimento de novos sujeitos de direitos no Brasil, pois isso reforçaria as posições da Igreja Católica e dos Evangélicos Conservadores. Em bom português, no Brasil há sujeitos que podem ter direitos e há os que não podem. E esses fetos, pelo jeito, não podem.
 
Mas, de uma vez por todas, aprendamos: intelectual ativista é assim. Em sua sapiência abismal, definem o certo, o errado e quem está de cada lado.
 
Quando o ser humano entra em guerra declarada contra um bebê é porque algo de muito, mas muito perverso está em jogo. É a covardia e a maldade em seu estado mais tremendamente brutal. Quando organizações políticas se formam tendo isso como objetivo, é sinal de satanismo coletivo travestido de defesa de direitos humanos.

2007-02-04 - 00:00:00

‘Sim’ cai nas intenções de voto

Indecisos levados pelo não
Manuel de Almeida, Lusa
Campanha eleitoral dos defensores do ‘não’ está a ser mais eficaz, mas não é a favorita
Campanha eleitoral dos defensores do ‘não’ está a ser mais eficaz, mas não é a favorita
 
A apenas uma semana do referendo sobre a despenalização do aborto, o ‘não’ está a conquistar cada vez mais adeptos e já recolhe 43,7 por cento das intenções de voto. Os últimos sete dias de campanha eleitoral serão, assim, decisivos, com o ‘não’ a escassos 7,6 pontos percentuais do ‘sim’, com 51,3 por cento.
 
De acordo com uma sondagem CM/Aximage, realizada entre 31 de Janeiro e 2 de Fevereiro, a campanha dos defensores do ‘não’ tem sido a mais eficaz, já que no espaço de duas semanas as intenções de voto no ‘não’ subiram 13,9 pontos percentuais, ao passar de 29,8 por cento para 43,7 por cento.

O ‘sim’, por outro lado, desce pela quarta vez consecutiva. Se em Dezembro não deixava margem para dúvidas, ao conquistar 64,1 por cento das intenções de voto, dois meses depois, o ‘sim’ caiu para os 51,3 por cento. Além de perder adeptos para o ‘não’ e para a abstenção, o ‘sim’ parece não estar a convencer os indecisos. Isto porque mesmo com uma redução de 9,6 pontos percentuais no número de indecisos (cinco por cento), o ‘sim’ não parou de cair nas intenções de voto.

Aliás, 47,6 por cento dos indecisos revelou que está com tendência para votar mais no ‘não’, contra 26,8 por cento que diz estar mais voltado para o ‘sim’. Mesmo assim, com a distribuição de indecisos, o ‘sim’ manter-se-ia de qualquer forma na liderança dos resultados com 53,3 por cento, enquanto o ‘não’ atingiria os 46,7 por cento.

Mas se os indecisos são cada vez menos, os abstencionistas não param de aumentar, apesar de defendores do ‘sim’ e do ‘não’ unirem esforços na luta contra a abstenção. Segundo a consulta popular, a abstenção já atinge os 47,7 por cento. Uma subida de 2,7 pontos percentuais em relação à sondagem de 19 de Janeiro. O eleitorado do CDS-PP é o que apresenta a maior percentagem de abstencionistas: 43,3 por cento. Curiosamente, o eleitorado do PS, partido que assumiu uma posição oficial a favor da despenalização e que participa activamente na campanha pelo ‘sim’, surge em segundo lugar, com 30,6 por cento.

Embora a maioria dos católicos praticantes, 57,4 por cento, tencione votar ‘não’ no referendo de 11 de Fevereiro, segundo a sondagem há um largo número que pretende votar ‘sim’: 35,6 por cento. Um número ultrapassado, no entanto, pelos católicos abstencionistas, que ascendem aos 41,9 por cento. Já os praticantes de outras religiões, irão votar na sua maioria, 67,3 por cento, a favor da despenalização do aborto.

MULHERES DIVIDIDAS

Nas intenções de voto, as mulheres dividem-se entre o ‘sim’ e o ‘não’, sendo aliás a percentagem de abstenção mais elevada nas mulheres (48,1 por cento) do que nos homens (47,2 por cento). Das mulheres inquiridas, 48,6 por cento afirmou que irá votar ‘sim’ no dia 11 de Fevereiro, enquanto 43,6 por cento vai votar ‘não’. Já para os mais jovens, não há qualquer dúvida: 64,1 por cento dos inquiridos com idades entre os 18 e os 29 anos respondeu que irá votar ‘sim’, contra apenas 35,9 que disse votar ‘não’.

'SIM' TEM MELHOR CAMPANHA

A campanha dos defensores do ‘sim’ à despenalização do aborto é considerada a melhor por 34,4 por cento dos inquiridos. Apesar de ser o ‘não’ a recolher cada vez mais apoiantes, apenas 24,6 por cento considerou que a campanha contra a interrupção voluntária da gravidez tem sido a melhor. Já 41 por cento não tem opinião.

Curiosamente, grande parte do eleitorado do CDS-PP (28 por cento), que na maioria irá votar ‘não’ no referendo, considerou que a melhor campanha tem sido a do ‘sim’. Um facto que pode dever-se a algumas acções contra o aborto, consideradas chocantes e abusivas, até por alguns defensores do ‘não’. Nenhuma das campanhas parece, no entanto, estar a ser eficaz no combate à abstenção, que tem sido uma das ameaças constantes deste referendo, já que se participar menos de metade dos eleitores o resultado perde a validade jurídica. Nesta sondagem atingiu o valor mais alto: 47,7 por cento.

REFERENDO SOBRE A DESPENALIZAÇÃO DO ABORTO

RESULTADOS RELATIVOS À SONDAGEM DE 2 DE FEVEREIRO

SIM: 51,3%

NÃO: 43,7%

Indecisos: 5%

Abstenção: 48,4%

AVALIAÇÃO DA CAMPANHA

Já estamos na campanha oficial para o referendo. Do que tem visto e ouvido falar qual é a que está a ser a melhor das duas campanhas?

A do SIM: 34,4%

A do NÃO: 41%

Sem opinião: 24,6%

ABSTENÇÃO

07 Dez 2006: 41,3%

20 Dez 2006: 43,2%

09 Jan 2007: 43,9%

19 Jan 2007: 45%

02 Fev 2007: 47,7%

FCHA TÉCNICA DA SONDAGEM

OBJECTIVO: Referendo sobre a Despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez.

UNIVERSO: Indivíduos inscritos nos cadernos eleitorais em Portugal em lares com telefone fixo.

AMOSTRA: Aleatória estratificada por região, sexo, idade, actividade, instrução e voto legislativo, polietápica e representativa do universo, com 601 entrevistas telefónicas (323 a mulheres).

PROPORCIONALIDADE: A proporcionalidade pelas variáveis de estratificação é obtida com reequilibragem amostral.

TÉCNICA: Entrevista telefónica C.A.T.I. (‘computer assisted telephone interview’).

TRABALHO DE CAMPO: Decorreu entre os dias 31 de Janeiro e 2 de Fevereiro de 2007.

TAXA DE RESPOSTA: 71,4%. Desvio padrão máximo de 0,020.

RESPONSABILIDADE DO ESTUDO: Aximage Comunicação e Imagem Lda., sob a direcção técnica de Jorge de Sá e João Queiroz.
 
Ana Patrícia Dias

Governo de Mianmar pretende eliminar o cristianismo do país
Data: Thu, 1 Feb 2007 03:40:33 +0000 (GMT)

 24/1/2007 - 14h53

Governo de Mianmar pretende eliminar o cristianismo do país

http://www.portasabertas.org.br/noticias/noticia.asp?ID=3284

 

MIANMAR (18º) - O vazamento de um documento secreto revelou planos do regime militar birmanês de eliminar o cristianismo do país.

O documento, intitulado “Programa para destruir a religião cristã em Burma” foi mostrado ao jornal britânico Telegraph no domingo por grupos de direitos humanos.

No documento estavam instruções detalhadas de como forçar os cristãos a sair do país, de acordo com o jornal. As instruções incluíam a prisão de qualquer pessoa flagrada evangelizando, aproveitando o fato de que o cristianismo é uma religião não violenta.

“A religião cristã é muito pacífica”, lia-se no documento, de acordo com o Telegraph. “Identifique e utilize seu ponto fraco”.

Burma, também conhecida como Mianmar, tem uma população cristã de cerca de 4%, segundo o “World Factbook”, uma publicação da CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) com informações sobre todos os países do mundo. A perseguição contra os cristãos no país acontece sob a forma de igrejas queimadas, conversões forçadas ao budismo (religião oficial do país) e a expulsão dos filhos de cristãos das escolas.

Ataques contra os cristãos fazem parte de uma ampla campanha do governo contra minorias étnicas, segundo grupos de direitos humanos. No leste do país, mais de 3 mil aldeias foram destruídas ou abandonadas nos últimos 10 anos, de acordo com o grupo de direitos humanos Witness. No ano passado, estima-se que 27 mil membros da tribo karen, predominantemente cristã, foram forçados a abandonar suas casas, no leste de Mianmar, segundo informou o jornal britânico.

O regime birmanês negou ter elaborado o documento, mas não tentou renunciar ao seu conteúdo publicamente, relatou o Telegraph.

Mianmar expulsou a maioria das missões cristãs do país em 1966 e o repressivo regime militar continua hoje em dia a controlar as atividades religiosas no país.


Tradução: Cristina Ignacio

Fonte: The Christian Post
 

Governo do PT abre caminho para o aborto no Brasil distribuindo “pílula do dia seguinte” com efeito abortivo

 
Edição de Quinta-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com/

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Por Jorge Serrão

O governo do PT, que espera ter maioria no Congresso, este ano, para aprovar o polêmico projeto que legaliza o aborto no Brasil, lança um balão de ensaio para que o aborto seja executado, na prática, pelas brasileiras ignorantes. Jogando no lixo todas as campanhas do sexo seguro, com camisinha, o Ministério da Saúde colocará à disposição das mulheres "irresponsáveis", neste Carnaval, a famosa Pílula do Dia Seguinte.

A manobra abortista desta estratégia é clara. A empresa produtora e distribuidora do medicamento, na Nova Zelândia, admitiu recentemente que este fármaco pode causar um aborto nas primeiras fases da gravidez. O medicamento é abortivo e não anticoncepcional. Distribuindo-o, o governo promove um grande aborto coletivo, sem que precise de um respaldo legal.

A informação sobre os perigos de tal pílula e seus efeitos abortivos está no site pro-vida LifeSiteNews.com. O laboratório Schering Ltd, que tem a seu cargo a produção da pílula do dia seguinte na Nova Zelândia, distribui um folheto informativo de advertência às mulheres. O texto chama a atenção de que um dos efeitos da pílula do dia seguinte é evitar que o óvulo fecundado se aninhe ou implante nas paredes do útero, produzindo-se, assim, um aborto.

Segundo o site especializado, citando o laboratório, a pílula neozelandeza, denominada Levonelle, pode funcionar de três formas: Deter ou atrasar a produção do óvulo por parte dos ovários. Evitar que o esperma fertilize um óvulo quando este já saiu dos ovários. E evitar que um óvulo fecundado se aninhe nas paredes do útero.

Embora a Schering Ltd admite que a pílula do dia seguinte pode gerar um aborto, fato tantas vezes negado por médicos, laboratórios, investigadores e autoridades sanitárias de distintas partes do mundo, a apresentação em que se vende a varejo o Levonelle não alerta às mulheres desta possibilidade.

O governo petista lança outra ameaça à segurança familiar. O jornal Estado de São Paulo de hoje anúncio da intenção do Ministério da Saúde de instalar máquinas para distribuição de camisinhas em escolas abriu um debate entre pais, educadores e políticos. Há temor de que isso estimule a iniciação sexual precoce dos adolescentes. Especialistas sugerem que as máquinas sejam acompanhadas de educação sexual.

Coisa russa

O número de abortos legais na Rússia ultrapassa o número de nascimentos, num país com uma das mais liberais legislações sobre a interrupção voluntária da gravidez e que foi o primeiro a legalizar a prática, em 1924.

Estatísticas de 2005 indicam que o número de abortos em instituições médicas legais se situou entre os 1,7 e os 1,8 milhões.

No mesmo ano registaram-se entre 1,4 e 1,5 milhões novos nascimentos.

Segundo a Lei sobre a Protecção da Saúde dos Cidadãos de 22 de Julho de 1993, praticamente não existem barreiras à realização de abortos na Rússia.

Na Rússia, o aborto pode realizar-se até às 12 semanas de gravidez a pedido da mãe, podendo esse prazo prolongar-se até às 22 semanas por “razões sociais”, ou seja: «invalidez do marido, caso a mãe ou o pai se encontre na prisão, desemprego, divórcio durante a gravidez, falta de habitação”.

É um projeto parecido que os petistas querem aprovar aqui no Brasil...

Aborto educacional

Tem tudo para acabar na Polícia e na Justiça uma atitude arbitrária da direção de uma unidade da Rede Objetivo de ensino que se recusa a aceitar a rematrícula de uma aluna da sexta série, só porque houve uma briga pessoal entre o diretor do colégio e mãe da aluna de 11 anos de idade.

O Ministério da Educação já investiga por que ocorreu o cancelamento de matrícula, de forma unilateral e inexplicável, pela direção do Colégio, na Grande São Paulo, cuja escola faz parte da rede comandada pelo empresário João Carlos Di Gênio.

O flagrante crime educacional chegou ao conhecimento do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), cuja equipe deverá cobrar do MEC uma ação oficial e imediata, para que a criança não seja prejudicada, pois suas aulas já começaram.

Omissão inaceitável

A escola corre o risco de ser processada com base no Estatuto da Criança e do Adolescente, por causar constrangimento ilegal à menina.

A mãe denuncia a inoperância do Conselho Tutelar em resolver o caso, porque a responsável pelo CT insiste em aguardar a resposta a um ofício encaminhado à escola para tomar alguma providência.

O Ministério Público igualmente se omitiu no caso, porque a Promotoria entende, equivocadamente, que só deve cuidar de assuntos relativos à rede "pública" – e não do interesse lesado de uma criança que estude em escola particular.

Bolso do deputado a perigo

A qualquer momento o juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública de Ribeirão Preto, Júlio César Spoladori Dominguez, pode julgar pedido de liminar do Ministério Público Estadual pedindo o bloqueio de bens de Antonio Palocci Filho, ex-ministro da fazenda e hoje tomando posse como deputado federal pelo PT.

A promotoria ingressou ontem com uma ação civil por improbidade administrativa contra Palocci e pediu o seqüestro de seus bens através de liminar.

A acusação aponta 12 supostas irregularidades durante sua gestão como prefeito de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, em 2002.

Má gestão

Para os promotores, a prefeitura de Ribeirão Preto chegou "a situação de extrema dificuldade financeira" por causa "dos desmandos praticados".

Os promotores denunciam que a marca da gestão Palocci em Ribeirão foi "a incúria, a irresponsabilidade administrativa e o absoluto descaso com o dinheiro público".

Os promotores sustentam que o ex-prefeito deixou R$ 10 milhões em caixa, com dívidas a curto prazo de R$ 40 milhões.

Novo inimigo do governo petista

O governo Lula, cujo lema agora é “ou vai, ou racha”, acaba de rachar com um poderoso parceiro, que se transforma no mais poderoso inimigo dos petistas.

O governo decidiu romper o contrato com o Bradesco e assumir o Banco Postal.

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, informa que o banco será assumido pelos Correios e o Bradesco será indenizado.

Em 2005, denúncias de corrupção nos Correios motivaram uma CPI. E agora, vão dar em quê?

Perderam, Bispos

O Ministério das Comunicações cancelou a autorização para a Ivanov Comunicação, ligada à Igreja Renascer, operar como retransmissora de TV.

O dono da Ivanov e os fundadores da Renascer, processados nos EUA, respondem por falsidade ideológica.

A Bispa Sônia e o Apóstolo Hernandez sofrem mais uma divina derrota...

Pobres assalariados

O Conselho Nacional de Justiça manteve, por 10 votos a 4, o teto salarial do Judiciário estadual em R$ 22.100.

O Conselho considerou que as gratificações fazem parte do salário.

Agora, os tribunais estaduais vão recorrer ao STF para ganhar um pouco mais.

Coitados dos nossos magistrados que ganham tão pouco...

Ao vencedor, as batatas podres

A disputa por cargos na cúpula da Câmara - que escolhe hoje seu presidente entre os deputados Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que tenta a reeleição, Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Gustavo Fruet (PSDB-PR) - levou 16 dos 20 partidos a formar três grandes blocos.

PT e PMDB, lideraram a formação de um inédito megabloco, reunindo 273 parlamentares -mais da metade da Casa.

O objetivo é tentar controlar seis dos 11 cargos na Mesa Diretora, além de 11 das 20 comissões.

Blocos oportunistas

O maior dos blocos formado por partidos da base governista - PMDB, PT, PP, PR, PTB, PSC, PTC e PTdoB -, que reúne 273 parlamentares, garante ao Planalto maioria absoluta na Casa.

O blocão apóia a candidatura de Arlindo Chinaglia (PT-SP), que pode até ser eleito em primeiro turno de votação.

Apesar da vantagem do petista, o cenário ainda é incerto e ele pode ter de disputar o segundo turno, provavelmente contra o também governista Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que é apoiado pelo menor bloco, integrado por PCdoB, PSB, PDT, PCdoB, PAN, PMN e PHS, somando 70 deputados.

O terceiro bloco reúne os maiores partidos de oposição, PSDB, PFL e PPS, e conta com 153 parlamentares, mas está dividido na eleição.

Os tucanos e o PPS apóiam Gustavo Fruet (PSDB-PR), enquanto os pefelistas estão com Aldo.

Quem tem tem medo

O temor da rejeição ao PT num eventual segundo turno da disputa à presidência da Câmara levou o candidato Arlindo Chinaglia (PT-SP), ontem, a jogar todas as fichas na tentativa de liquidar a fatura na primeira etapa das eleições de hoje.

Num movimento arriscado em nome de acordos políticos, os petistas abdicaram do direito de escolher dois dos sete cargos na mesa diretora.

No segundo turno, eles temem uma reação anti-petista, cujo efeito é imprevisível.

Jogadas dos quase perdedores

Para conseguir levar a disputa ao segundo turno, Aldo Rebelo aposta na dissidência dos partidos que apóiam Chinaglia.

Conquistou os votos do PDT e tenta manter a adesão do PFL, que tem uma bancada de 65 deputados.

Já o candidato da oposição, Gustavo Fruet, se lança para conquistar adesões individuais de parlamentares na retal final.

O tucano reclama que a formação de blocos nas candidaturas de Chinaglia e Aldo é um sinal de fragilidade na base governista.

Chavismo á vista

Reforçadas com o troca-troca partidário desde as eleições de outubro, as 11 siglas da base aliada têm 69% dos deputados que assumem hoje na Câmara.

Desta forma, o governo tem voto suficiente até para mudar a Constituição.

Qualquer semelhança com o que ocorre na Venezuela, cujo Congresso ontem deu plenos poderes a Hugo Chávez para implantar seu “socialismo” não é mera coincidência.

Benção do Comandante

Às vésperas de assumir seus super poderes políticos, Hugo Chávez fez uma visitinha, domingo, ao Comandante Fidel Castro, que comanda o Foro de São Paulo, e que é controlado e financiado pelos esquemas da nobreza econômica européia.

Na primeira aparição oficial em público de Fidel, apesar da maquiagem editorial, o ditador cubano demonstra que seu estado de saúde é frágil.

Mas a imagem indica, pelo menos, que ele e seu pupilo Chávez estão cada dia melhores de marketing.

Jogando nosso dinheiro fora

Os banqueiros internacionais e os nacionais fazem a festa e comemoram à vontade.

Nos quatro anos do primeiro mandato do presidente Lula, o país gastou R$ 590,6 bilhões em pagamento de juros da dívida.

O valor foi bem maior do que os R$ 330,9 bilhões obtidos com o superávit primário (receitas menos despesas antes da quitação de juros).

O total despendido com os encargos da dívida supera em quase R$ 90 bilhões os investimentos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para o segundo mandato de Lula, até 2010.

Para quem vai essa economia inútil?

O setor público brasileiro cumpriu a meta de superávit primário de 2006, com economia de R$ 90,1 bilhões para pagamento de juros da dívida interna.

A economia inútil vai para os grandes bancos, que engordam seus lucros recordes, mandando na política monetária e ditando as ordens no Banco Central.

O valor do superávit representa 4,32% do Produto Interno Bruto, pouco mais do que os 4,25% exigidos pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Estados e municípios tiveram superávit maior do que o esperado, 1,2% do PIB e isso compensou a menor economia feita pelo governo federal e suas empresas estatais, que atingiu 3,11% do PIB.

Manipulando números

Pela primeira vez, o governo central precisou recorrer aos mecanismos previstos pelo PPI (Projeto Piloto de Investimentos) para cumprir sua parte no ajuste fiscal.

No ano passado, o conjunto formado por Tesouro Nacional, Banco Central, Previdência e estatais federais deveria ter economizado R$ 65,1 bilhões para pagar juros da dívida pública.

Só que, com o aumento de gastos, o superávit foi de R$ 64,9 bilhões.

As correções salariais concedidas a servidores públicos e o reajuste do salário mínimo aumentaram os gastos além do previsto.

Alegria dos banqueiros internacionais

As aplicações estrangeiras em títulos públicos, que o governo petista isentou de pagamento de imposto de renda, chegaram a um saldo de R$ 28,8 bilhões em dezembro.

Houve um crescimento de 343% sobre dezembro de 2005, segundo o Tesouro Nacional.

O Tesouro confirmou a intenção de emitir novo título da dívida externa em reais, com prazo (ainda indefinido) de 20 ou 30 anos.

Semelhanças

Indagaram qual seria a diferença entre Político e Ladrão?

Um gaiato respondeu prontamente:

"Após longa pesquisa, cheguei a seguinte conclusão. A diferença é que, um eu escolho, o outro me escolhe".

Vida que segue...

Fiquem com Deus!

O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Inteligente, inovador, fortemente analítico e propositivo, utilizando as mais modernas tecnologias para transmissão instantânea e eletrônica de informação privilegiada e análise estratégica, junto com a difusão de novos conhecimentos voltados para a construção e consolidação de novos valores humanos.

Tribunal de Justiça Derruba Lei Pró-homossexual de São Gonçalo


 
Caros amigos e pastores
 
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em 29/01/2007 declarou inconstitucional a Lei Municipal de São Gonçalo nº 013/2006, que instituía penalidades aos estabelecimentos em razão da orientação sexual e ATACAVA DIRETAMENTE OS TEMPLOS EVANGÉLICOS  E ASSOCIAÇÕES, que atuam na restauração de pessoas que deixam o comportamento homossexual e passam a ter comportamento heterossexual, bem como não aceitam o casamento ou união de pessoas do mesmo sexo.
 
Esta ação judicial foi proposta pelo Deputado Estadual Édino Fonseca junto ao Tribunal de Justiça, pois a aprovação da lei pela Prefeita do Município afrontava a liberdade de crença, credo, culto das Igrejas evangélicas, bem como determinava a cassação do alvará e multas, as entidades que de alguma forma não aceitam a orientação sexual (homossexualismo) e a união homo-afetiva como condutas comportamentais de toda a sociedade, apesar de contrários aos valores cristãos.
 
Esta vitória junto ao Poder Judiciário tem enorme significado, pois foi uma votação unânime de 20 X 0 no Órgão Especial do Rio de Janeiro, sendo a primeira vez no Brasil que uma Lei pró-homossexual, que cria penalizações diversas em razão da orientação sexual é DERRUBADA.
 
A Lei nº 013/2006 é um cópia o PL 5003/2001 que recentemente foi aprovado pela Câmara Federal em Brasília, que tipifica como crime qualquer manifestação contrária a orientação sexual de pessoas do mesmo sexo e dá outras providências, com pena de 2 a 5 anos de prisão. 
 
Foram aproximadamente 6 meses de muitas lutas e pedradas da mídia, mas graças a Deus conseguimos que a justiça fosse restabelecida e o Município de São Gonçalo ficasse livre desta ameaça legislativa contra a liberdade de expressão, criando conflitos onde jamais existiu no seio dos evangélicos, onde o fundamento maior é o amor.
 
Algumas pessoas mal informadas ou tendenciosas diziam que a Lei nº 013/2006, de São Gonçalo estava revogada pela Prefeita, mas aqui esta a verdade, ela existia, produzia efeitos jurídicos e a qualquer momento poderia ser argüida pelo Poder público, entretanto foi DECLARADA INCONSTITUCIONAL pela Justiça, isto é, afrontava os direitos fundamentais da Constituição Federal de liberdade de crença, credo e culto, repita-se.
 
Apesar de ser a lei flagrantemente inconstitucional o Município de São Gonçalo apresentou robusta defesa e argumentações no sentido de ser correta e normal a lei....
 
Estamos atuando para derrubar a Lei Municipal de Niterói que reconheceu a união estável (casamento) entre pessoas do mesmo sexo com direito a pensão pública, sob o fundamento de que esta união constitui família.
 
Não se pode esmorecer diante das dificuldades apresentadas através das leis criadas que embaraçam a liberdade de expressar a fé cristã.
 
att
 
Zenóbio Fonseca
 
 
 
 
 

Processo No 2006.007.00066


  TJ/RJ - TER 30 JAN 2007 12:38:10 - Segunda Instância - TJ

  Tipo : REPRES. POR INCONSTITUCIONALIDADE
  Órgão Julgador : TRIBUNAL PLENO E ORGAO ESPECIAL
  Relator : DES. FABRICIO BANDEIRA FILHO
  Repdo : MUNICIPIO DE SAO GONCALO
  Repdo : CAMARA MUNICIPAL DO MUNICIPIO DE SAO GONCALO
  Repte : EDINO FIALHO FONSECA
  Legislação : LEI Nr 13 DO ANO 2006 DO MUNICIPIO DE SAO GONCALO -
  Origem : TRIBUNAL DE JUSTICA DO RIO DE JANEIRO
     
  Fase atual : ASSINATURA DO ACORDAO
  Número do Movimento : 23
  Data da Remessa : 31/01/2007
  Desembargador : DES. SERGIO CAVALIERI FILHO
     
  SESSAO DE JULGAMENTO  
     
  Data da sessao : 29/01/2007
  Decisao : "POR UNANIMIDADE DE VOTOS, REJEITOU-SE A PRELIMINAR E, NO MERITO, JULGOU-SE PROCEDENTE A REPRESENTACAO, DECLARANDO-SE A INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI MUNICIPAL 13/06, DE SAO GONCALO, NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR. RIO, 29/01/07."(A) DES. SERGIO CAVALIERI FILHO - PRESIDENTE.
  Classificacao : Outras
  Des. Presidente : DES. SERGIO CAVALIERI FILHO
  Des. Presentes : DES. LAERSON MAURO
DES. MARIANNA PEREIRA NUNES
DES. ROBERTO CORTES
DES. FABRICIO BANDEIRA FILHO
DES. HELENA BEKHOR
DES. MARCUS TULLIUS ALVES
DES. GAMALIEL Q. DE SOUZA
DES. MARIA HENRIQUETA LOBO
DES. NASCIMENTO POVOAS VAZ
DES. SERGIO DE SOUZA VERANI
DES. NILZA BITAR
DES. LEILA MARIANO
DES. PAULO GUSTAVO HORTA
DES. MIGUEL ANGELO BARROS
DES. PAULO CESAR SALOMAO
DES. LUIZ FERNANDO DE CARVALHO
DES. MILTON FERNANDES DE SOUZA
DES. NILDSON ARAUJO DA CRUZ
DES. FERNANDO CABRAL
  Existe Decla. de Voto : Nao
  Existe Voto Vencido : Nao

Visita do Papa: sitio oficial

21:10 @ 04/02/2007

Visita do Papa: sitio oficial
Data: Sat, 3 Feb 2007 11:04:57 -0200
Confiram:
 

Anencéfala completou 70 dias de vida
Data: Sun, 4 Feb 2007 10:44:37 -0200
ANENCEFALIA
 
“Ela já não é minha. Entreguei-a a Jesus”
 
O drama da mãe de Marcela, a menina sem cérebro do interior paulista. Seus dois meses de vida revelam como a medicina ainda sabe pouco sobre anencefalia
 
Cristiane Segatto, De Patrocínio Paulista
 
"Está na hora do colírio, bebezinha da mamãe." Era assim, exalando amor materno, que na semana passada a paulista Cacilda Galante Ferreira, de 36 anos, se aproximava do berço aquecido em que dormia a filha Marcela de Jesus. A menina é a protagonista de uma história rara. Raríssima. Ela nasceu sem o córtex cerebral. Em casos como esse, os médicos dizem que metade dos bebês morre durante a gravidez. A outra metade sobrevive algumas horas ou poucos dias depois do parto. Os 70 dias de Marcela, completados no dia 29 de janeiro, são surpreendentes. Ela nasceu com 2,5 quilos e 47 centímetros aos nove meses de gestação. Até a semana passada, tinha engordado 400 gramas e crescido 3 centímetros.
 
Pela força das circunstâncias, os dedos da agricultora Cacilda tiveram de se acostumar à suavidade. Habituaram-se a levantar cuidadosamente o capacete de oxigênio colocado em volta da cabeça do bebê na Santa Casa de Patrocínio Paulista, cidadezinha de 12 mil habitantes a 413 quilômetros de São Paulo. O capacete facilita o trabalho dos pulmões. Sem ele, Marcela não teria durado tanto. Nos primeiros dias, ela conseguia ficar até uma hora fora do equipamento. Na semana passada, o máximo eram dez minutos.


Durante a gravidez, Cacilda pediu que Deus mudasse o diagnóstico.
Após o nascimento, não saía de perto da filha, preparada para a perda.
"Quero estar aqui quando Deus mandar os anjos buscá-la"
Durante a entrevista com Cacilda, Marcela agarrava com força o indicador de sua mão. Quando a mãe conseguia se desvencilhar, ajeitava a menina e aplicava-lhe o colírio lubrificante nos olhos. A cada gota, Marcela piscava. "Ela tem uma sensibilidade nos olhos!", diz Cacilda. Não é apenas nos olhos cegos que Marcela demonstrava sentir desconforto. Com a mãozinha, arrancou da boca a sonda que levava o leite até o estômago. Os médicos instalaram uma nova sonda. Desta vez, no nariz. Algumas outras reações: o incômodo por ficar muito tempo na mesma posição. O choro provocado pelas cólicas. O estremecimento, ao som do telefone.
 
Essas reações, a respiração, os batimentos cardíacos e o funcionamento dos órgãos internos só são possíveis por causa do tronco cerebral perfeito. Essa é a estrutura que liga a medula ao córtex cerebral. "O tronco cerebral é uma área nobre em termos de funcionalidade e está sendo capaz de manter as funções vitais de Marcela", disse Luiz Celso Vilanova, chefe do setor de Neurologia Infantil da Universidade Federal de São Paulo. "Mas o problema é letal em 100% dos casos." Anencéfalos que têm o tronco cerebral completo costumam sobreviver por mais tempo. Mais cedo ou mais tarde, porém, o corpo em crescimento começa a exigir maior vascularização, os pulmões precisam de mais movimento respiratório e o tronco cerebral não consegue suprir tantas demandas. A criança morre por falência múltipla dos órgãos. Marcela sofreu uma parada cardíaca em dezembro. Foi reanimada com massagem.
 
Ela não é o primeiro caso de sobrevivência prolongada no Brasil. Mas relatos científicos são escassos, quase inexistentes. "A medicina ainda tem de aprender muito sobre anencefalia", afirma o ginecologista Jorge Andalaft Neto, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), um dos principais defensores do direito a interrupção da gravidez em casos de anencefalia. "Quando vemos o bebê no útero, não sabemos quanto ele vai viver. Ele nasce, e vemos quanto tempo dura."
 
Com a evolução da ressonância magnética, os especialistas acreditam que no futuro será possível traçar parâmetros de sobrevivência. Cada anencéfalo poderá ser submetido ao exame para detectar a quantidade de cada tecido presente no tronco cerebral ou nas pequenas áreas do córtex, quando existentes. Ao cruzar essas informações com o tempo de sobrevivência observado em cada caso, será possível estimar quantos dias um novo feto poderá viver.

''Cuido da Marcela sem pensar que ela é anencéfala: falo com ela e procuro mantê-la sem sofrimento''

Marcia Beani, pediatra
"Nunca ouvi falar de um anencéfalo que tenha vivido dois meses ou mais. Eles costumam viver no máximo dois dias", disse a ÉPOCA Marcy C. Speer. Ela é diretora do Centro de Genética Humana da Duke University, na Carolina do Norte, e lidera pesquisas sobre fatores genéticos e ambientais que levam a defeitos de desenvolvimento como a anencefalia. O principal deles é a falta de ácido fólico - uma vitamina do complexo B - durante a gravidez (veja a ilustração à pág. 76). A suíça Monika Jaquier, mãe de uma menina anencéfala que sobreviveu por apenas 13 horas, coletou dados sobre o desfecho de 211 casos cujos pais optaram por manter a gestação. A pesquisa foi publicada no ano passado no British Journal of Obstetrics and Gynaecology. Apenas seis bebês viveram mais de seis dias. O recorde foi 28 dias.
 
O crânio de Marcela não chegou a se formar. Nem o assoalho ósseo que acomoda o globo ocular. Nasceu com os olhos projetados para fora do rosto e, no lugar da testa e da cabeça, com uma massa de tecido mole sem forma e sem função. O tronco cerebral se responsabilizou pelas reações automáticas: piscar, sugar, apertar objetos, reagir à dor. Mas um bebê sem cérebro não desenvolve emoções, sentimentos, pensamentos. Nem uma vida autônoma.
 
"Tenho esperança de levá-la para casa, mas ela já não é minha. Entreguei-a a Jesus", disse Cacilda. A agricultora soube que a filha era anencéfala por meio de uma ultra-sonografia realizada no quarto mês de gestação. O médico José Mauro Barcellos, que também é o prefeito da cidade, revelou o diagnóstico a Dionísio, marido de Cacilda, e pediu que ele desse a notícia. Dionísio reuniu a família para rezar o terço e só depois contou a Cacilda. Ela ficou triste. Mas também resignada. "Se Deus me escolheu, que seja feita a vontade dele", diz.
 
Cacilda decidiu levar a gravidez adiante. O ambiente católico da pequena Patrocínio Paulista colaborou para a decisão. O médico-prefeito nem chegou a mencionar que ela poderia interromper a gestação com autorização judicial. Mais de 3 mil autorizações já foram expedidas no Brasil em casos como esse. É um procedimento para amenizar o sofrimento da mulher que carrega no ventre uma vida sem futuro. Barcellos discorda."Sou cristão, e acho que a mãe deve levar a gravidez até o fim."
 
Marcela foi batizada na sala de parto. Cacilda recebeu visitas dos ativistas da organização Santa Gianna Beretta Molla, que fica na cidade vizinha de Franca. Santa Gianna é a santa antiaborto. A médica italiana que preferiu morrer no parto a abortar foi s canonizada pelo papa João Paulo II, em 2004. Os fiéis rezaram em torno do bebê e deixaram uma imagem da santa no quarto.
 
"Estamos falando de uma vida vegetativa. Mas a família cria vínculos com essa vida, e a Igreja explora essa relação", diz Andalaft, da Febrasgo. Os católicos da região acham que o caso de Marcela foi uma resposta de Deus ao aborto realizado em novembro por uma grávida de anencéfalo que recebeu autorização judicial em Franca. "Leigos católicos da nossa diocese iam entrar com medida judicial para impedir esse aborto, mas tudo aconteceu na calada da noite", afirma o bispo de Franca, dom Caetano Ferrari.
 
Cacilda é vista na região como mãe exemplar. A mulher que abortou é a pecadora. É provável que a Igreja e os grupos antiaborto transformem o caso em bandeira para tentar impedir a aprovação do projeto de lei que legaliza o aborto em caso de anencefalia, em tramitação na Câmara dos Deputados. Se ele for aprovado, as grávidas que passam pela experiência devastadora de gerar um filho sem cérebro terão assegurado o direito de interromper a gestação, sem depender da autorização de um juiz. Será a afirmação do Estado laico brasileiro. O Supremo Tribunal Federal também deverá julgar em breve uma ação com o mesmo objetivo. "Marcela é uma exceção, e a vida dela depende de cuidados médicos extraordinários", afirma a antropóloga Débora Diniz, diretora do Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero (Anis). "Não acredito que a decisão do STF vá se pautar por esse caso excepcional."
 
A pediatra Marcia Beani, que cuida de Marcela, torce para que as mulheres conquistem o direito de decidir. Marcela é o segundo caso de anencefalia que ela acompanha. O primeiro bebê viveu apenas dois dias. "Cuido da Marcela sem pensar que ela é anencéfala: falo com ela, procuro mantê-la aquecida, alimentada, sem sofrimento", disse. Recentemente, ela recebeu a visita do cirurgião Masayuki Okumura, professor aposentado da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Aos 79 anos, Okumura pegou um táxi e viajou 900 quilômetros para sugerir uma experiência a Marcia. Disse que era possível estimular células-tronco da medula de Marcela a produzir células do sistema nervoso central. Segundo ele, seria necessário fazer uma punção na medula para estimular a multiplicação das células. Em seguida, sugeria que o ácido gama-aminobutírico (um estimulante do sistema nervoso central conhecido como GABA) fosse dado a Marcela por via digestiva. Okumura afirmou que, ao circular no sangue e chegar à medula, a substância estimularia a produção de células do cérebro. "Pode ser arriscado porque ninguém fez isso ainda. Mas, se não tentarmos, não saberemos", disse. A médica de Marcela não se dispôs à aventura. A família de Marcela, religiosa, parecia aceitar o desfecho conhecido. A história do bebê anencéfalo americano conhecido como Baby K é emblemática. Nascido em 1992, foi entubado e mantido artificialmente em uma UTI por exigência da mãe até sofrer um ataque cardíaco.Viveu dois anos de uma vida sem vida.

 

O DRAMA DA ANENCEFALIA
O defeito ocorre em uma de cada mil gestações. É letal em 100% dos casos. Mas o tempo de sobrevivência é imprevisível
COMO OCORRE
O tubo neural dá origem ao cérebro e à medula. É formado por uma dobra do tecido embrionário cerca de 25 dias após a concepção

Quando o tubo neural se desenvolve normalmente, os feixes nervosos ficam protegidos dentro da coluna vertebral e dos ossos do crânio

Quando a parte superior do tubo neural não se fecha, ocorre a anencefalia

O feto cresce sem a calota craniana acima do nível dos olhos e sem o cérebro
Nessa fase, o embrião é menor que uma semente de maçã
Diagnóstico
O problema pode ser comprovado por ultra-sonografia na 12a semana de gestação.
Como evitar
A falta de ácido fólico (uma vitamina do complexo B) durante a gravidez é a principal causa do problema. Uma forma de prevenção são os comprimidos de ácido fólico (4 miligramas por dia) um mês antes da gravidez e no primeiro trimestre de gestação. A substância também é encontrada, em doses baixas, em verduras como espinafre e brócolis
Em que Marcela é diferente
A maioria dos anencéfalos morre durante a gestação ou nos primeiros dias após o parto. Marcela é um raríssimo caso de sobrevivência prolongada. Seu tronco cerebral - estrutura que controla batimentos cardíacos, respiração e reflexos - mostrou-se mais forte que o normal

 

Infográfico: Nilson Cardoso
Fotos: Marcelo Min/ÉPOCA

Envie um pedido de oração para a gruta de Lourdes
Data: Sun, 4 Feb 2007 12:04:10 -0200
No proximo dia 11 de fevereiro comemoramos as aparições da Virgem Maria em Lurdes, na França.
 
Envie por e-mail um pedido de oração para Nossa Senhora. Seu pedido será depositado na gruta de Lourdes, aos pés da imagem de Santissima Virgem: http://www.lourdes-france.org/index.php?id=573&contexte=es
 
 
Bom domingo a todos.

La ciencia ante la religión

21:39 @ 04/02/2007

28 de Enero de 2007 - 15:22:26 - Pío Moa

De la experiencia histórica del ateísmo podemos sacar en principio tres conclusiones:

a) El ateísmo práctico ha traído consigo, entre otras cosas, matanzas extraordinarias y la privación de la libertad para millones de personas.

b) Desde el punto de vista del propio ateísmo, estos resultados no son condenables. Al contrario, deben considerarse con el criterio de su utilidad: ¿ayudaron a erradicar la falsedad religiosa? Si fueron útiles a ese fin, deben estimarse como medios racionales, adecuados al objetivo, y prescindir de valoraciones supersticiosas y anticientíficas.

c) Ese punto de vista parece refrendado por la ciencia, para la cual las matanzas, el GULAG, las llamadas tiranías, no son sino comportamientos humanos observables empíricamente, igual exactamente que otras muchas conductas diferentes o en apariencia contrarias. La ciencia no predica que sea bueno o malo que el lobo mate a las ovejas, o que éstas pazcan tranquilamente en el prado. Simplemente constata esos hechos como manifestaciones de la vida, los cuantifica, los estudia en detalle. La misma imparcialidad aplica a la vida humana.

Sin embargo percibimos un pequeño fraude en el tercer punto. El ateísmo implica que la erradicación de la creencia religiosa, por uno u otro medio, es algo bueno, cosa que la ciencia no acredita en modo alguno, ni tiene siquiera medios ni propósitos de acreditar. La pretensión del ateísmo de basarse en la ciencia carece por ello de sentido. En general, la religión es más modesta: no aspira a fundarse en la ciencia, aunque tampoco se supone incompatible con ella.

La ciencia, por supuesto, debe ocuparse de la religión, pero su aproximación a ella no puede ser la del ateísmo (para la ciencia, el ateísmo sería solo otra forma del comportamiento humano). Creo que el ciencismo ateo parte de una crítica inadecuada al dogma religioso. Para tal aproximación, Las meninas no pasarían de ser una tela manchada con diversos productos químicos. He comparado esa crítica desorientada a la del intento de demostrar científicamente la "falsedad" de la literatura. Alguien ha replicado que nadie duda de que la literatura sea ficción, la leemos sabiéndolo, mientras que las creencias religiosas tienen la pretensión de reflejar la verdad. Cierto, pero creo que la analogía sigue siendo válida. Pese a ser declaradamente ficticios, los relatos literarios constituyen un mundo peculiar con fuerte influencia sobre nuestra conducta real. Es decir, contienen una realidad y nos sugieren una verdad, aunque no sea por una vía racional y lógica. De otro modo nadie perdería el tiempo leyéndolos. Con un espíritu "científico" dedicado a demostrar la inverosimilitud de esos relatos, no solo nos sería imposible disfrutar de ellos, simplemente nos privaríamos de entender algo del mundo literario o artístico, de tanta importancia real en la vida humana. Creo que el mismo error de enfoque se produce en la aproximación ciencista, atea, a la religión.

O historiador russo Iván Tolstói revela a saga do romance Doutor Jivago

Ignacio Ortega, da EFE

Rreprodução
Cartaz do filme

MOSCOU - A Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos pagou de seu próprio orçamento a primeira edição em russo do lendário romance Doutor Jivago, o que permitiu que seu autor, Boris Pasternak, fosse premiado com o Nobel de Literatura em 1958. Poucos dias depois ele renunciou ao prêmio, após ter sido ameaçado de deportação.

"Pasternak nunca teria recebido o Nobel se não fosse a CIA, que também lhe salvou a vida", assegurou à EFE o historiador e jornalista russo Iván Tolstói, autor de um livro cujo título poderia ser traduzido literalmente como O Romance Atirado ao Alvo.

Neste livro, fruto de "16 anos de investigação", Tosltói tenta lançar luzes sobre este polêmico episódio com ajuda de uma carta de um agente secreto norte-americano que relata detalhadamente as peripécias da CIA para editar o romance em plena Guerra Fria.

Indicação de Camus

Quando o escritor argelino residente na França Albert Camus (1913-1960), ganhador do Nobel de 1957, propôs o nome de Pasternak para o Nobel, o romance Doutor Jivago estava à espera de ser editado desde 1955 e ainda não havia sido publicado em russo, condição indispensável para a concessão do prêmio. Camus era um admirador de Pasternak.

A principal editora russa pretendia publicar o livro, mas a revolução popular na Hungria, em 1956, mudou seus planos devido às mudanças políticas que ocorreram dentro do regime soviético encabeçado por Nikita Khrushchov.

Assim, a CIA decidiu solucionar o problema: "Roubaram o manuscrito de um avião que havia aterrissado em Malta, o fotografaram e editaram o livro de forma clandestina na editora Mutón de La Haya", afirma o historiador. "Para evitar suspeitas, utilizaram o mesmo papel de imprensa que era usado na União Soviética e imprimiram o texto em diferentes lugares", conta Tolstoi.

Edição italiana

A famosa editora italiana Feltrinelli, a primeira que editou o romance em 1957, "deu carta de legalidade ao livro ao estampar seu selo no texto final, após o que o livro foi apresentado a tempo de ser apreciado pelo comitê do Nobel".

Após a publicação do romance no Ocidente em 1957, "Pasternak recebeu sérias advertências por parte das autoridades soviéticas".

"Se não tivesse sido premiado com o Nobel, Pasternak teria sido detido e enviado a um gulag na Sibéria (os gulags eram campos de trabalhos forçados para criminosos e presos políticos que existiram de 1918 até 1956). O prêmio o salvou da morte", afirma.

Tolstói considera que a União Soviética "nunca teria publicado o livro, já que este falava da Revolução Bolchevique de 1917, do bem e do mal. Este é ainda hoje um tema tabu que divide a sociedade russa entre brancos e vermelhos".

Símbolo cultural

Para o Ocidente, Pasternak "era um símbolo, um instrumento para cutucar a União Soviética. Enquanto a KGB (agência de espionagem soviética) utilizava veneno para eliminar elementos indesejáveis, a CIA recorreu a algo mais efetivo, a cultura".

"Era o último dos grandes escritores russos vivos. Os outros ou haviam morrido de velhice, como Mijail Bulgákov, ou haviam sido fuzilados ou enviados para a Sibéria", acrescenta.

Doutor Jivago narra as transformações porque passa um médico e sua família durante os últimos anos da Rússia czarista, a guerra civil, a revolução bolchevique e o nascimento da União Socialista Soviética (URSS).

Além do fundo político, a obra relata o dilema romântico de Jivago, um burguês intelectual que inicialmente apóia a revolução Russa, mas depois se decepciona com o socialismo e também se divide entre dois amores, o de sua esposa e o da bela e desventurada Lara.

Paradoxalmente, Pasternak, que é mais conhecido na Rússia como poeta e romancista, nunca recebeu o Nobel, já que foi obrigado a recusá-lo publicamente quatro dias após o anúncio, sob ameaça de deportação.

Intelectuais soviéticos

O escritor, considerado um dos maiores poetas russos do século 20, morreu aos 70 anos, em 1960, em meio a uma duríssima campanha de desprestígio movida por parte dos intelectuais soviéticos. Em um dos aspectos mais polêmicos do seu livro, Tolstói garante que Pasternak "tinha enviado o manuscrito a seus amigos no Ocidente, mas não sabia nada sobre a intervenção da CIA".

Mas, quando soube de sua publicação em russo e de sua candidatura ao prêmio Nobel, "ficou muito contente".

O filho de Pasternak, Yevgueni - que recebeu o prêmio em nome de seu pai em 1989, não compartilha muitas das teorias do livro de Tolstói. "Meu pai nunca esperou receber o Nobel. Só lhe trouxe sofrimentos", assegura, reagindo ao ver o nome de seu pai relacionado com a CIA.

O romance foi editado pela primeira vez na Rússia pela revista cultural Mir, em 1998, sete anos depois da queda da União Soviética, em 1991.

Sucesso no cinema

Adaptado por Robert Bolt e levado ao cinema pelo diretor britânico David Lean, em 1965, com Omar Shariff como Doutor Jivago, Julie Christie como Lara e Geraldine Chaplin como Tonya, o filme conquistou cinco troféus no Oscar: Melhor Roteiro Adaptado, Direção de Arte, Trilha Sonora Original e Figurino. Em sua trilha sonora, o Tema de Lara (Lara´s Theme), composto por Maurice Jarre, virou um clássico do gênero.

Tolstói, que trabalha como correspondente para a Rádio Libertad em Praga, espera publicar o livro em russo, inglês e espanhol "se for possível", no verão, na comemoração do aniversário de 50 anos da primeira edição do romance imortal.

Após reconhecer Genocídio Armênio, o escritor turco Orhan Pamuk teme reações violentas dos ultranacionalistas e se vê obrigado a se exilar nos EUA

Agências internacionais


ISTAMBUL - Temendo por sua segurança, o vencedor do prêmio Nobel de Literatura, Orhan Pamuk, deixou a Turquia na última quinta-feira e foi para os Estados Unidos. Após enfrentar os ultranacionalistas no tribunal, o escritor teria saido do país por conta de ameaças, segundo o jornal argentino Clarín.

A imprensa local assegura que o escritor, que recebeu críticas em Istambul por reconhecer o Genocídio Armênio, saiu do país temendo ter o mesmo fim de Hrant Dink, jornalista turco-armênio que tocou neste mesmo tema e foi assassinado por um fanático nacionalista.

O Genocídio Armênio, também conhecido como o Holocausto Armênio, refere-se à evacuação em massa e assassinatos de centenas de milhares de armênios durante domínio turco entre 1915 e 1917, no Império Otomano.

A República da Turquia hoje nega os a idéia do genocídio, atribuindo as mortes a confrontos étnicos internos, doenças e escassez de alimentos durante a Primeira Guerra Mundial. Em meio a esse clima, Pamuk cancelou algumas de suas viagens, à Alemanha, por exemplo. O escritor tomou um Avião das Linhas Aéreas da Turquia e foi aos EUA, abandonando seu país "por muito tempo", assegurou o diretor do Sabah, jornal turco de maior circulação.

O escritor foi levado ao tribunal por suas declarações, que ofendem a "identidade turca", em virtude do polêmico artigo 301 do novo código penal turco. Na Turquia é crime tipificado no código penal (art.301) afirmar que os turcos massacraram os armênios, assim como é proibido "insultar a identidade turca".

Segundo o jornal Sabah, os jornais sabiam da partida de Pamuk desde quarta-feira, mas não divulgaram para evitar protestos (dos ultranacionalistas) no aeroporto.

Pamuk não deu detalhes de quanto tempo pretende ficar fora de Istambul. Apenas se limitou a dizer à imprensa que tem alguns compromissos na Universidade de Columbia, onde leciona.

Daniel Craig e Eva Green participarão da estréia do filme em Pequim e Xangai

EFE


AP
Mulher chinesa diante de um pôster do fime Cassino Royale

PEQUIM - Após 45 anos de existência e 21 filmes, o agente secreto James Bond pela primeira vez foi aprovado pela censura e será visto nos cinemas chineses, numa das estréias mais promissoras do ano no país.

Os astros de "Cassino Royale", o britânico Daniel Craig (38 anos) e a francesa Eva Green (26), estarão presentes na estréia do filme na capital chinesa, nesta segunda-feira, e em Xangai, na terça-feira.

Além de Green e Craig, estarão presentes o diretor, Martin Campbell, e os produtores Michael G. Wilson e Barbara Broccoli.

"Cassino Royale" passou pela censura chinesa, que limita o número de filmes estrangeiros nos cinemas do país a 20 por ano.

"As autoridades viram o filme durante uma semana e não pediram nenhum corte", declarou neste sábado Li Chow, diretora geral da Columbia Pictures (filial de Sony) na China.

A nova aventura do agente 007 superou os US$ 565 milhões de bilheteria no mundo todo desde sua estréia, em 14 de novembro, superando o recorde na série Bond, que era de "Um novo dia para morrer" (2002), com Pierce Brosnan, que arrecadou US$ 432 milhões com seus vilões norte-coreanos.

"Dissemos aos censores que era um novo Bond, que estávamos lançando novamente a série e que desta vez estávamos brigando contra um inimigo comum, o terrorismo. Por isso, passar pela censura foi mais fácil", acrescentou Chow.

O filme bate um recorde em número de cópias de distribuição de um filme estrangeiro na China, com 470.

As previsões da distribuidora chinesa são de uma bilheteria de 100 milhões de iuanes (US$ 11,5 milhões d dólares). O recorde no país é de "Titanic", com 300 milhões de iuanes.

Cópias piratas de "Cassino Royale" em russo estão disponíveis na China desde dezembro.

Marcela: o fato que faz calar o argumento
(contrariando tudo o que dizem os abortistas, ela insiste em permanecer viva)

Quando o menino Jesus nasceu, “o rei Herodes ficou alarmado, e com ele Jerusalém inteira” (Mt 2,3). A pequena Marcela, de maneira semelhante, está causando grandes incômodos entre os defensores do aborto de anencéfalos.

Os abortistas insistem em dizer que um bebê com anencefalia nunca poderá viver mais que uma semana após o nascimento. Marcela, porém, já passou de dois meses de nascida, engordando em média cem gramas por semana. Em 30/01/2007, ela pesava 2,9 kg , com 50 cm de altura.

Os abortistas dizem e repetem que a mulher grávida de um anencéfalo carrega um “peso inútil” e que seria desumano exigir da mãe o sacrifício de não matar o bebê. Marcela, porém, longe de ser inútil, está fazendo a felicidade da família. Pelo simples fato de existir, ela é um presente para sua mãe.

Os abortistas, repetindo o que lamentavelmente disse o Conselho Federal de Medicina, afirmam que o anencéfalo é um “natimorto cerebral”, de modo que os órgãos poderiam ser extraídos dele, antes mesmo que a respiração cessasse (!). A exuberante atividade vital de Marcela, porém, faz cair por terra a idéia de que ela está “morta”. Impossível aceitar que a menina seja apenas um repositório de órgãos para transplante.

Os abortistas afirmam que o anencéfalo não pode sentir dor, nem ter consciência. No entanto, Marcela reage a todos os estímulos nervosos. Mamou no peito durante a primeira semana de nascida, e agora é alimentada por uma sonda. Sua mãe Cacilda e sua irmã Débora dão testemunho de ela chega a sorrir!

E Marcela veio nascer justamente na Diocese de Franca. Na mesma diocese em que, poucos dias antes, em 8 de novembro de 2006, uma mulher de 30 anos havia abortado sua filha anencéfala de sete meses, depois de obter autorização de um juiz! Na mesma diocese em que Dom Diógenes protestara veementemente contra a atitude desse juiz!

Entre as visitas que Marcela recebeu está a de uma mãe que abortou seu bebê anencéfalo. A respeito dela, a Sra. Cacilda comenta: “A gente vê que ela está sofrendo, que está arrependida. Ela ficou emocionada”.

Sem saber, Marcela já está salvando vidas. Em 12 de janeiro de 2007, uma jovem de 23 anos, moradora de Anápolis (GO), grávida de cinco meses de um bebê portador de anencefalia, emocionou-se assistindo ao vídeo da recém-nascida Marcela. Sentiu-se fortalecida em seu propósito de rejeitar qualquer idéia de aborto.

          Sra. Cacilda tem passado todo o tempo junto da filha, incluindo as festas litúrgicas do Natal do Senhor (25 de dezembro), de Maria Mãe de Deus (1° de janeiro) e o seu próprio aniversário. Em 30 de dezembro, ela completou 36 anos no hospital.

 O fato que faz calar o argumento

“Conta-se que Diógenes, diante de quem Zenão de Eléia desenvolvia seus argumentos contra a possibilidade do movimento, contentou-se, em vez de qualquer resposta, em levantar-se e andar...”.[1]

De maneira análoga, diante de todos os defensores da Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental 54 (ADPF 54), em juízo no Supremo Tribunal Federal, que pretende declarar lícito o aborto de bebês anencéfalos, a pequena Marcela, em vez de dar qualquer resposta, contenta-se em permanecer viva junto de sua mãe.

Anápolis, 05 de fevereiro de 2007.
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis



[1] MARITAIN, Jacques. Elementos de filosofia I: introdução geral à filosofia. 17. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1994. p. 88.


Assista a um vídeo de Marcela, filmado pelo Diácono Fábio Costa, que a batizou:
em alta resolução (29 Mb) ou em baixa resolução (2 Mb)
www.providaanapolis.org.br


-- 
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis
Telefax: 55+62+3321-0900
Caixa Postal 456
75024-970 Anápolis GO
http://www.providaanapolis.org.br
"Coração Imaculado de Maria, livrai-nos da maldição do aborto"

A CANONIZAÇÃO DE DARWIN

21:37 @ 06/02/2007


A CANONIZAÇÃO DE DARWIN
Data: Tue, 6 Feb 2007 21:32:18 -0200
"A santos que não conheço, não rezo nem ofereço" (adagio popular do interior paulista)

 
Museu de Zoologia da USP comemora o Dia de Darwin
Evento acontece no próximo final de semana, dias 10 e 11 de fevereiro

O Museu celebra o 198° aniversário de nascimento de Charles Darwin, o pai da Teoria Evolutiva e co-autor da teoria da Seleção Natural.

Esta data (12 de fevereiro), celebrada internacionalmente, é usada como oportunidade para divulgação científica em geral e da Teoria da Evolução em particular.

Com esse intuito, um grupo de pesquisadores da USP apresentará diferentes aspectos da Teoria Evolutiva para os visitantes do museu.

Além disso, a leitura da peça "After Darwin" com o grupo Arte Ciência no Palco, promoverá o debate sobre o criaciosnismo x evolucionismo, conflito vivenciado pelos personagens da peça: Charles Darwin e Robert Fitzroy.

Confira a programação:

Sábado, 10 de fevereiro

- Palestras
11h - A perspectiva evolutiva: uma visão de mundo, com Mario de Pinna (Museu de Zoologia da USP)

14h - Mudanças climáticas e a evolução dos mamíferos nos últimos 65 milhões de anos, com Mário de Vivo (Museu de Zoologia da USP)

15:30h - A evolução da arquitetura animal: novas formas em velhas fôrmas, Denise Sheepmaker (Ibusp)

Domingo, 11 de fevereiro

- Palestras

11h - Evolução do comportamento animal, com Carlos Roberto Brandão (Museu de Zoologia da USP)

14h - A evolução de Darwin: do manuscrito de 1844 ao Origem das Espécies. Com Nélio Bizzo (Feusp)

15:30h - Leitura da peça "After Darwin" de Timberlake Wertenbaker com o grupo Arte Ciência no Palco. Esta peça coloca em confronto Charles Darwin e Robert Fitzroy, capitão do navio Beagle, e os atores que os interpretam.

O debate entre evolucionismo e criacionismo transforma-se também numa luta pela sobrevivência das idéias e dos ideais de atores, divididos entre as dificuldades de viver de seu trabalho no palco e a possibilidade de salvar-se da extinção, abandonando o teatro.

No elenco: Carlos Palma e Oswaldo Mendes. Diretora da leitura: Rachel Araújo

- Oficinas para as crianças (sábado e domingo)

"As aves de Galápagos: a Seleção Natural de Darwin", com Cristina Miyaki, Lyria Mori e Maria Cristina Arias, professoras do Instituto de Biociências da USP.

"Alimente os animais...", com Márcia Fernandes Lourenço, diretora do Serviço de Atividades Educativas do MZUSP.

"De quem é o ovo?", com o Grupo de estudos em educação não-formal da USP e orientação de Márcia Fernandes Lourenço, diretora do Serviço de Atividades Educativas do MZUSP.

A organização do Dia de Darwin no Museu de Zoologia da USP é de Maria Isabel Landim (milandim@usp.br) e Cristiano Moreira (cmoreira@ib.usp.br).
            Jornal da Ciência/SBPC, n. 3198, 5 fev. 2007.

Europa
Segunda, 5 de fevereiro de 2007, 17h26 Atualizada às 17h44
Menino estupra irmã após aula de educação sexual
 
Um estudante de 13 anos, que estuprou sua irmã de 10, alegou que cometeu o crime após assistir a um vídeo na aula de educação sexual em sua escola. O menino foi absolvido por um juiz galês de North Wales, na Grã-Bretanha. O jovem, cuja identidade foi mantida em sigilo, estuprou a irmã duas vezes enquanto ela dormia.
 
"Este caso tem uma série de atenuantes incomuns. Trata-se de um garoto de 13 anos que imediatamente se declarou culpado das acusações", declarou o juiz Mark Hedley ao Daily News. Hedley disse ainda que o fato de ser o primogênito de pais separados também contribuiu para uma série de problemas comportamentais na personalidade do jovem.
 
"Seria errado falar de detalhes confidenciais do caso, mas certas coisas podem e devem ser ditas: a família do jovem era uma em que limites sexuais eram incertos e mal esclarecidos. Há sinais de que ele próprio sofreu abusos sexuais", completou.
 
O jovem será submetido à supervisão de orientadores pedagógicos e psicológicos durante três anos. Não foi informado quando aconteceram os estupros.
 
Redação Terra

Cartilha escolar compara beijo a chocolate

Impresso elaborado pelos ministérios da Saúde e da Educação será distribuído para 400 mil estudantes de 13 a 19 anos

Material inclui espaço para os adolescentes relatarem suas melhores "ficadas", além de sugestões de músicas, filmes e leituras

LEILA SUWWAN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O governo federal elaborou e vai distribuir para estudantes de escolas públicas de 13 a 19 anos uma "agendinha" com dicas sobre beijo, sedução, masturbação e saúde. Polêmica, a cartilha inclui até uma lista a ser preenchida com as melhores "ficadas" -relacionamentos-relâmpago entre jovens.
Na parte sobre beijos, a cartilha orienta que "beijar muitos desconhecidos numa única noite não é tão bom assim", pelo risco de doenças. Mas compara o beijo ao chocolate, por "aguçar todos os sentidos" e "liberar endorfinas", com a vantagem de ainda "queimar calorias", ao contrário do doce.
O material faz parte do programa Saúde e Prevenção nas Escolas - Atitude para Curtir a Vida e aborda temas variados que vão dos efeitos colaterais do aumento de peso (espinha e preguiça) até homenagem ao cantor Cazuza, morto por Aids.
A cartilha foi elaborada pelos ministérios da Saúde e da Educação ao longo de 2006 e testada com alunos do Distrito Federal. A primeira tiragem teve 40 mil exemplares e o governo pretende encomendar 400 mil cópias adicionais.
Um item que pode instigar polêmica entre pais são as duas páginas dedicadas às "ficadas". Em uma delas, há espaço para o aluno preencher os detalhes das mais espetaculares de sua vida -com o esclarecimento de que a "ficada" compreende várias coisas: beijar, namorar, sair e transar.
Nas páginas sobre o uso da camisinha, o caderninho ensina a colocar o preservativo sob o título "O pirata de barba negra e de um olho só encontra o capuz emborrachado".
Entre os cinco motivos para usar camisinha há a "sedução", além da "proteção": "Colocar o preservativo pode ser uma excelente brincadeira a dois. Sexo não é só penetração. Seduza, beije, cheire, experimente!".
Há também os motivos "proteção" (da gravidez, da Aids, de doenças sexualmente transmissíveis e "do frio") e "segurança", para o dia seguinte ser "só boas lembranças".
No final da página, existe uma ponderação sobre resistir a pressões externas e aguardar preparado o "momento certo" de transar. "Ter uma camisinha não é sinal de sem-vergonhice ou de segundas intenções."
Na parte de masturbação masculina, há a desmistificação sobre criar cabelos ou calos ou ficar com esperma "ralo". Sobre a masturbação feminina, considerações higiênicas e dicas para uma exploração "tranqüila e relaxada".
"O foco é o jovem, não a eventual censura que possa vir de um pai", explica a diretora do Programa Nacional DST/Aids, Mariângela Simões.
"A realidade é essa, "ficar" hoje é parte da vida de muitos jovens e o caderno é para anotações pessoais", disse. A cartilha se chama "O caderno das coisas importantes - Confidencial".
Para Mariângela, é inválida a crítica de estimulação precoce da sexualidade, bandeira de setores que se opõem à política de saúde e promoção dos direitos reprodutivos do governo. "Se a gente fosse considerar que uma cartilha ou um caderno fosse influenciar tanto o comportamento sexual das pessoas, não teríamos mais Aids no país."
Segundo ela, é papel do Estado laico facilitar informações. As dicas de livros e filmes, que fogem do escopo técnico, foi, segundo ela, uma escolha subjetiva para explorar os temas. Estão lá "Filadélfia" e "A Gaiola das Loucas", entre outros.
No caso das indicações de "músicas que dão o seu recado" -Cazuza, Legião Urbana, O Rappa, Jota Quest etc.-, a seleção é subjetiva e busca uma mensagem de contestação e esperança, explica ela.
Entre os livros estão indicados guias de sexo e "O Jardineiro Fiel", de John le Carré.

Governo vai ampliar a distribuição de camisinha para jovens de escolas públicas

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O Ministério da Saúde anunciou ontem que pretende ampliar a distribuição de camisinhas para jovens nas escolas públicas após uma pesquisa constatar que 45% dos estudantes ouvidos tinham vida sexual ativa e que 30% não haviam usado preservativo na sua mais recente relação.
O governo rejeita que exista uma estimulação sexual precoce com a medida e avalia, com base em pesquisa da Unesco, que é necessária uma política pública sobre o tema que não seja omissa. Hoje, o programa de DST/Aids tem como meta anual a distribuição de 100 milhões de camisinhas para a faixa etária de 13 a 24 anos.
Ainda não há previsão de quando e como será feita a distribuição, mas pelo menos uma das formas será por meio de máquinas eletrônicas -já existe um concurso para o desenho do equipamento nas escolas técnicas federais. "Já existe uma decisão concreta de expansão", disse ontem o ministro da Saúde, Agenor Alvares.
Não há dados precisos sobre quantas escolas já distribuem preservativos. Segundo o Censo Escolar de 2005, das escolas de ensino básico que abordam DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) e Aids, 8,7% das escolas do ensino fundamental e 16,9% das de ensino médio oferecem preservativos.
A pesquisa que motivou a decisão do governo foi feita com escolas públicas que já implantaram o programa "Saúde e Prevenção nas Escolas". O estudo mostra que, nesse universo, 70% usaram preservativo na relação mais recente.
O principal motivo para não usar camisinha, declarado por cerca de 43% dos alunos, foi não ter um preservativo disponível "na hora H". A confiança no parceiro (23%) e a redução do prazer (21%) foram as outras justificativas. (LS)

05 de fevereiro de 2007 - 20:11
O Rio antigo, visto por expedições estrangeiras

Exposição na Picacoteca do Estado reúne as históricas visões de artistas que passaram pelo Brasil, durante expedições para a Austrália, nos séculos 18 e 19
Camila Molina

Reprodução
Aquarela de Conrad Martens, feita em 1833

SÃO PAULO - Até hoje o Rio de Janeiro continua lindo e por isso não é difícil imaginar como foram as primeiras impressões das terras tropicais por naturalistas, retratistas, enfim, artistas-viajantes europeus que tinham a capital carioca como parada obrigatória ou "bem-vinda pausa" durante as longas viagens em direção à Austrália, nos idos de séculos passados. Como escreveu o etnógrafo e pintor inglês Oswald Brierly em seus Diários de Viagens ao Rio de Janeiro - 1842-1867 (Andrea Jakobsson Estúdio Editorial), tudo aqui nessas terras acontecia "em uma escala grandiosa e magnificente".

Já tivemos oportunidades de ver relatos e obras de artistas viajantes que pelo Brasil passaram, mas agora chega a São Paulo um novo conjunto inédito desses trabalhos. Quando o diplomata brasileiro Pedro da Cunha e Menezes foi nomeado cônsul-adjunto em Sydney, em 2001, interessado na obra do artista Augustus Earle (que inclusive viveu no Rio por três anos) ele encontrou em bibliotecas australianas "um acervo muito mais rico e diversificado do que jamais imaginara": uma "bela brasiliana de mais de 200 obras" com desenhos, aquarelas e diários de, majoritariamente, artistas ingleses que fizeram escala na Baía de Guanabara durante as chamadas expedições pelos mares do sul entre 1768, a chegada do Endeavour liderado por James Cook, e 1867, quando aportou no Rio o Galatea, que trazia Oswald Brierly. "Ao admirar The Great Washing Tribe Carrioca at Rio di Janeiro, do dinamarquês Jacob Janssen, é quase possível escutar a algazarra das lavadeiras no chafariz da Carioca", diz Menezes.

Mostra e livro

Uma parte desse material poderá ser visto na mostra O Rio de Janeiro na Rota dos Mares do Sul, que será inaugurada nesta terça-feira na Pinacoteca do Estado, e na segunda edição do livro homônimo à exposição, editado por Andrea Joakobsson Estúdio, que será lançado na ocasião.

A mostra foi exibida entre novembro e janeiro no Centro Cultural dos Correios, no Rio, onde atraiu mais de 17 mil visitantes. Além das obras de acervos australianos como State Library of New South Wales, Coleção Kerry Stokes, em Perth, e State Library of Western Australia, reuniu também peças de coleções cariocas - estava concentrada, basicamente, na iconografia do Rio. Agora, em São Paulo, a exposição está diferente: o material da Austrália dialoga com 29 trabalhos da Coleção Brasiliana da Fundação Estudar, que tem curadoria de Carlos Martins e Valéria Piccoli.

"Selecionamos obras que tinham um perfil parecido com os trabalhos dos acervos australianos como aquarelas e desenhos e não a grande pintura", diz Valéria. Para não se concentrar apenas na iconografia carioca, estão entre as peças da Coleção Brasiliana as feitas pelo francês Sinety (um conjunto sobre uma longa travessia, passando por Gibraltar, Bahia e Rio), por Rugendas e apenas duas pinturas. A cenografia foi pensada para remeter a um gabinete de artistas viajantes, com astrolábio e cartas.

Como diz Valéria, pesquisadores brasileiros já tinham notícias sobre as obras pertencentes aos acervos australianos (feitas por ingleses - mais interessados na paisagem - e franceses - mais voltados para o olhar antropológico), mas nunca tiveram a oportunidade de levantar o material.

O Rio de Janeiro na Rota dos Mares do Sul. Pinacoteca. Praça da Luz, 2, tel. (11) 3229-9844, 10h/18h (fecha 2.ª). R$ 4 (sáb, grátis). Até 22/4

La 'Antología de poetas persas' del escritor y erudito sevillano Rafael Cansinos Assens, rescatada en una nueva edición por la Fundación Archivo Cansinos Assens (ARCA) revela la riqueza y la variedad de estilos de esta poesía clásica iraní, que se remonta más de mil años atrás y hasta el siglo XV.


Rafael Cansinos Assens, que concluyó esta antología de poetas persas o iranios en 1955 advirtió que la hacía no con un ánimo erudito, sino meramente literario y con la aspiración de, mediante su traducción, 'reproducir la belleza y la emoción de los textos originales'.

Los editores de la obra, que supera las cuatrocientas páginas y que cuenta con una introducción del propio Cansinos, han destacado que se publique en un momento histórico en que 'en Irán se impone con la espada y el fuego el rígido monoteísmo koránico', ya que esta antología muestra que 'Persia, ese pueblo fénix, varias veces renacido de sus cenizas, ha creado una literatura que refleja fielmente los múltiples avatares y vicisitudes, las alternancias de decadencia y esplendor, de su larga historia'.

La literatura persa se ha expresado sucesivamente en la antigua lengua zenda, considerada hermana del sánscrito, del armenio y de los idiomas más antiguos, en árabe, el pehlevi y, finalmente, en el persa moderno, además de sufrir el influjo de griegos y semitas, por efecto de las conquistas de Alendro y de Omar.

La antología de Cansinos comienza con un fragmento del Zend-Avesta, que como la Iliada de Homero o la Biblia, no es la obra de un solo escritor sino una creación colectiva, realizada, además de por muchos autores, a lo largo de varios siglos y de la que arranca toda la literatura persa.

En esta selección de clásicos, del siglo X destaca Cansinos a Rudegui, poeta de Samarcanda, y del siglo XI a los cantores líricos Farruji y Katranu-eh-Chebel, mientras que del siglo XII son seleccionados Enveri, Nizami y Janaki de Gancha, en colecciones de versos considerados de poesía religiosa, mística y épica.

Del sufismo destaca a Sadi, del siglo XII y al que considera un místico puro, al escéptico mar Jayyam, del mismo siglo, y al alegre Hafiz, situado ya en el siglo XIV.

Como muestra de ese desenfado de Hafiz, estos versos que dicen: 'Yo, Hafiz el poeta, no soy ningún beato; / i corazón os muestro en mi embriaguez. / Apenas paro en la sombría mezquita, y en la taberna encuentro mi placer.'

O estos otros: '¿Cómo será que tu fragante pelo / en rizos tan fantásticos se enrosca? / ¿Cómo será que el sueño, mientras duermes, / con embeleso tal besa tu boca? / Rosas no llevas en el cuerpo; ¿cómo / huele tu cuerpo a rosas?'

Para Cansinos, después de la poesía de Camí, en el siglo XV, ya no habrá en Persia poetas verdaderos, sino que surgirá una 'poesía de circunstancias' que influyó negativamente en el orientalismo mal entendido de la españa del Siglo XVIII y que en Irán tuvo también consecuencias poco alentadoras para la creación hasta mediado el siglo XX.

La poesía persa a lo largo de estos siglos trasluce, según los editores de esta antología, 'la misma alma noble, apasionada, mística, enamorada de la luz y la belleza' que nos e apagaron nunca en todo el Irán 'ni aún bajo la dominación del fanatismo árabe'.

Del sevillano Rafael Cansinos Assens, autor muy interesado por la cultura judía, también ha rescatado ARCA su antología talmúdica 'Bellezas del Talmud', además de otras obras dedicadas a la cultura islámica, como una biografía de Mahoma y su propia traducción del 'Korán'.

Um traço do nosso caráter?

09:37 @ 13/02/2007

Em um post o Cláudio fala numa ministra com nome de garota de programa.

Eu não concordo.

Eu diria que ela tem nome de travesti.

****************

Interessante também estre trecho:

"Pena de morte? Oh, não! Que horror! Que bárbaro!"

"Mas se matarem meu filho eu pago alguém para queimar o desgraçado!"

Brasileiro de classe média é fogo. Para a sociedade, a agenda Politicamente Correta. Para ele mesmo, pessoalmente, o bom e velho reacionarismo. Esse negócio de "paralaxe conceitual" me parece uma característica do brasileiro, um traço do nosso caráter, e eu acho que é uma coisa que não acontece (pelo menos, não com tanta frequencia) entre americanos, argentinos, italianos, russos, chineses, etc. O brasileiro fala da sociedade como se ele não fosse parte da sociedade. O carioca fala do Rio de Janeiro como se ele não tivesse nada a ver com o Rio de Janeiro (quando fala mal). O mesmo acontece com o candango quando o candango fala mal de Brasília - nós adoramos falar mal de Brasília, o Felipe já deve ter notado. O brasileiro de classe média esquece que é de classe média quando desanda a criticar nossa classe média. E deve haver milhares de brasileiros de elite falando mal da elite de quem são parte. E tem o branco rico do Cláudio Lembo, criticando os brancos ricos.

É claro que há muitos europeus e americanos com sinais de Paralaxe Conceitual, principalmente intelectuais, o Olavo vive citando alguns e o livro do Paul Johnson (os intelectuais) está cheio de exemplos. Mas será que nos outros países isso é um traço do caráter nacional? Como (dizem) a dramaticidade italiana, a politização francesa, ou o snobismo inglês?

Ensino piora em quase todos os níveis

Lisandra Paraguassú,
O Estado de S. Paulo
8/2/2007

 Resultados de avaliações da educação básica nacional mostram queda de rendimento e futuro pouco promissor
 
O cenário da educação brasileira que surgiu dos três levantamentos apresentados ontem pelo Ministério da Educação - Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e Censo da Educação Básica - não é dos mais promissores. Apesar de uma pequena melhora na avaliação dos alunos de 4ª série no Saeb, a seqüência de resultados é ruim. No Enem, o desempenho médio dos quase 3 milhões de estudantes é o pior desde 2002. No censo escolar, o número de alunos no ensino médio continua a cair, mesmo que apenas 45,3% dos jovens de 15 a 17 anos estejam matriculados nesse nível.
Os resultados apontam para uma escola que ainda ensina muito pouco e alunos que estão terminando o ensino médio com o conhecimento que deveriam ter na 8ª série do fundamental. Isso quando terminam. O censo escolar mostra que o ensino médio perdeu 124,5 mil alunos entre 2005 e 2006.
A boa notícia dos resultados apontada ontem pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, é uma pequena melhora, de 3 pontos, na média da 4ª série do ensino fundamental, no Saeb - que ainda assim, é bem menor do que a de dez anos atrás.

Kirchner agrediu a democracia

22:31 @ 13/02/2007

Kirchner agrediu a democracia
Data: Thu, 8 Feb 2007 09:17:35 -0200 (BRST)

Esse artigo do Sérgio é interessante, mas bom mesmo é a parte em negrito. (O sexto parágrafo).

Artigo - SERGIO BESSERMAN VIANNA

O Globo
8/2/2007

Os funcionários do Indec (Instituto Nacional de Estatística e Censos) da Argentina, equivalente ao nosso IBGE, publicaram esses dias carta aberta à população acusando o presidente Néstor Kirchner de manipular o cálculo da taxa de inflação, realizando a "primeira intervenção de fato sobre um indicador público na história do Indec".

O governo de Kirchner demitiu Graciela Bevacqua, a funcionária que respondia pelo Índice de Preços ao Consumidor dentro do Indec e interveio no órgão, impondo novas diretrizes. Submetido a críticas da imprensa pelo caráter antidemocrático do ato, o presidente argentino reafirmou a arbitrariedade: "Se terminó eso del Estado que aisla, que hace lo que quiere. Acá hay um projecto nacional que hay que levar adelante..."

A controvérsia técnica sobre metodologia de apuração do movimento dos preços ou sobre a atual inflação no país (muito alta, de qualquer forma) é irrelevante frente à imensa agressão à liberdade e à democracia na Argentina que este ato significa.

Em toda a América Latina líderes políticos com discursos e programas vazios de conteúdo aproveitam o bom momento da economia mundial para se fortalecer politicamente com medidas populistas e promovem seguidas agressões à liberdade de imprensa, à institucionalidade democrática e aos valores republicanos.

A vitória contra a pobreza, a desigualdade e a acumulação ecologicamente destrutiva na América Latina será obra da população consciente e organizada ou não ocorrerá. A falta de liberdade e a fragilização da democracia política só servem aos poderosos e às oligarquias.

É espantoso como líderes políticos com um discurso e práticas que ecoam vagamente idéias da esquerda que existia há mais de meio século obtêm com isso salvo-conduto para praticar o maior retrocesso na história da democracia latino-americana desde a época das ditaduras militares.

Curiosamente, ao agredirem órgãos de Estado cuja essência inclui alguma autonomia frente aos governos do momento, esses dirigentes ficam assemelhados aos ultradireitistas adeptos do Estado mínimo.

Vale lembrar que quando o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, tomou posse, comprometeu-se com uma plataforma progressista de oito reformas constitucionais de enorme importância, como a criação do Parlamento escocês, a eleição direta para o cargo de prefeito de Londres e a reforma da Casa dos Lordes.

O primeiro ponto desse programa de gestão era "Liberdade de informação e um Instituto Nacional de Estatística independente". O instituto britânico havia sido agredido através da negligência na gestão da senhora Margaret Thatcher.

A autonomia e a credibilidade do Instituto Oficial ( público) de Estatísticas é um excelente termômetro da democracia em qualquer sociedade contemporânea. O ato antidemocrático do presidente Kirchner mostra que a Argentina está com febre.

Que seja passageira.

SERGIO BESSERMAN VIANNA foi presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas e é presidente do Instituto Pereira Passos, do Rio.

Salvem as suas crianças de Lula
Data: Thu, 8 Feb 2007 05:16:13 -0800 (PST)

Ainda sobre a cartilha, um bom texto do Reinaldo Azevedo. 

http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/

Salvem as suas crianças de Lula. Ou não. Eu salvo as minhas

 

Meus caros,
Há muitas coisas importantes a tratar, como o entendimento que os Estados Unidos buscam com o Brasil — a escolha para a qual o Apedeuta está sendo empurrado: Chávez, uma quase cria sua, ou os EUA? Também é preciso censurar gravemente a decisão do TSE, que abriu as portas para os partidos de aluguel. Há ainda a lavagem cerebral no Itamaraty, que este escriba denuncia desde os tempos de Primeira Leitura. Tudo isso é relevante, sem dúvida. E tratarei desses assuntos ao longo desta quarta.
Mas nada, nada mesmo, deve se sobrepor ao peso que tem a, como chamarei?, revolução cultural petista. No texto que segue e na nota postada às 5h15, temos um retrato do que o petismo está fazendo ou pretende fazer com o país. Trata-e de algo de bem mais longo alcance, mais profundo, do que este misto exótico de bolchevismo rombudo com mercadismo sem imaginação.
É realmente uma pena que as oposições, no país, sejam tão curtas nos horizontes e frágeis nos propósitos. Nas boas democracias do mundo, o que vai abaixo derrubaria com um só golpe as cúpulas dos Ministérios da Educação e da Saúde. Em Banânia, o provável é que não aconteça nada. O governo Lula não rasga apenas contratos, a exemplo do que fez com o Banco Postal-Bradesco. Rasga também qualquer limite. Ao caso.
*
Quando o governo anunciou a disposição de instalar máquinas para distribuição de camisinhas, escrevi aqui — e muitos me censuraram afirmando que eu estava vendo coisas — que se tratava de incentivo ao sexo, não à prevenção. Por essa razão, observei, em vez de combater a gravidez precoce e a Aids, a iniciativa traz o risco potencial de provocar o aumento de ambas. A razão é tristemente simples: praticamente se convocam para o sexo jovens na faixa de 13, 14, 15 anos, que correm o risco de praticá-lo, a partir daí, com ou sem proteção. Não é preciso conhecer muito da psicologia, especialmente a masculina, numa fase de afirmação, para saber que se está lançando um desafio. Tenho 45 anos. Já aos 13, não havia rapaz da minha classe, eu inclusive, que não contasse aos amigos suas peripécias sexuais. Sempre com mulheres mais velhas, todas loucas por nós. Era tudo mentira. Eu também mentia. E, é claro, não havia uma máquina de camisinha no pátio.
Opus-me a essa história de distribuir camisinhas, antes de tudo, porque é contraproducente. Mas não só. A educação sexual cabe à família, não ao Estado. O máximo que este pode fazer é fornecer as informações técnicas, e não interferir de forma tão importante nas escolhas. Se não cabe à escola ensinar, por exemplo, religião, não cabe ao Estado atropelar os padrões familiares também no que concerne a esse particular — e todas as religiões têm prescrições a respeito. Sou um conservador? Um reacionário?
Ok, senhores progressistas, deixo então seus filhos, filhas, irmãos, irmãs, sobrinhos, sobrinhas, netos e netas expostos à cartilha que o governo federal pretende distribuir nas escolas (veja nota abaixo). Deixo suas crianças entregues à clarividência moral do PT e de Luiz Inácio Lula da Silva. Ele agora decidiu entrar na sua casa — da minha, seria posto pra fora a pontapés.
A cartilha sexual de Lula é destinada a jovens entre 13 (!!!) e 19 (!!!) anos, como se essa faixa etária existisse. Observem: estamos falando praticamente de uma criança e de um adulto, ambos expostos à mesma informação e, lamento dizer, estimulados a praticar sexo, inclusive entre si — o que pode até configurar crime. Tanto uns quanto outros lerão nas cartilhas entregues por Lula coisas assim:
- O beijo é como chocolate por "aguçar todos os sentidos" e "liberar endorfinas". E tem uma vantagem: "queima calorias", ao contrário do doce.
- Há espaço na cartilha para o estudante — de 13 a 19 anos, reitero — relatar suas "ficadas". E o governo federal ensina que ficar compreende "beijar, namorar, sair e transar".
- O pênis com a camisinha é chamado de "O pirata de barba negra e de um olho só [que] encontra o capuz emborrachado". A associação entre pênis e pirata merece um estudo...
- O uso dos verbos no imperativo não deixa a menor dúvida: "Colocar o preservativo pode ser uma excelente brincadeira a dois. Sexo não é só penetração. Seduza, beije, cheire, experimente!".
A cartilha de Lula é pornografia pura e simples. E eu não lastimo apenas o gosto estético de quem redigiu, mas também a saúde mental. Quem se dirige a crianças e adolescentes nessa linguagem tem problema. Precisa se tratar. Se algum adulto, na minha presença, referir-se a sexo, nesses termos, com as minhas filhas no ambiente, leva um tapão na orelha. Leva um pé no traseiro.

E a família?
E o que a representante do governo pensa de os pais eventualmente reprovarem a iniciativa oficial? Ela não reconhece o pátrio poder nesse caso e expropria esses idiotas de qualquer direito. Diz ela: " O foco é o jovem, não a eventual censura que possa vir de um pai. A realidade é essa, ficar, hoje, é parte da vida de muitos jovens, e o caderno é para anotações pessoais ". Essa pérola do pensamento soviético é de uma certa Mariângela Simões, diretora do Programa Nacional DST/Aids. As cartilhas são elaboradas, em conjunto, pelos ministérios da Educação e da Saúde.
É isso aí. Haveria o dia em que o PT chutaria a porta de sua casa para tomar as suas crianças. Lembram-se daquela brincadeira, segundo a qual comunista come criancinha? Pode não comer — a menos que o partido mande, é claro —, mas é certo que não hesita em corrompê-las. Há muito, muito tempo, eu não via nada tão estúpido.
Eu quero saber o que vão fazer os promotores da infância e da adolescência. Não hesitarei em acusar a sua prevaricação caso fiquem calados. A cartilha do governo Lula viola, de forma explícita, ao menos sete artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), conforme segue abaixo.
Art. 17. O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, idéias e crenças, dos espaços e objetos pessoais.
Art. 18. É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor.
Art. 58. No processo educacional respeitar-se-ão os valores culturais, artísticos e históricos próprios do contexto social da criança e do adolescente, garantindo-se a estes a liberdade da criação e o acesso às fontes de cultura.
Art. 70. É dever de todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação dos direitos da criança e do adolescente.
Art. 71. A criança e o adolescente têm direito a informação, cultura, lazer, esportes, diversões, espetáculos e produtos e serviços que respeitem sua condição peculiar de pessoa em desenvolvimento.
Art. 73. A inobservância das normas de prevenção importará em responsabilidade da pessoa física ou jurídica, nos termos desta Lei.

Ou será que o ECA serve apenas para proteger assassinos, mas nada pode contra a infância e adolescência violadas pelo Estado? Eu já sabia que o governo Lula era um perigo para o Brasil e para boa parte dos adultos brasileiros. Mas agora se tornou também uma ameaça às nossas crianças. Eu protejo as minhas. Os petralhas, se quiserem, que entreguem as suas ao PT.
PS: Escreva ao deputado e ao senador em que você votou. Exija dele uma posição pública, na tribuna da Câmara e do Senado, a respeito do assunto. Pergunte se é esse o padrão de educação que eles imaginam para os brasileiros.

PS2 – Ah, sim, tive de voltar para esta observação. Não sei quantas cartilhas foram impressas. Mas há sempre a chance de que eles fiquem com o dinheiro e não imprimam nada, a exemplo daquelas da Secom, lembram-se? O caso ainda se arrasta. Com esse caras, a corrupção, às vezes, é só o mal menor. Melhor a do dinheiro do que a do caráter dos nossos filhos.
Por Reinaldo Azevedo | 06:09

Agora votaremos nos democratas?...
Data: Thu, 8 Feb 2007 16:35:21 -0200

Depois de 22 anos, PFL troca nome para Partido Democrata


       Além do novo nome – Partido Democrata – o presidente do PFL, Jorge Bornhausen (SC) vai submeter aos demais integrantes do comando partidário a proposta de renovação dos diretórios regionais com o objetivo é ampliar as filiações.
       
       A proposta do novo nome – Partido Democrata – e a decisão de fazer a renovação dos quadros completam o processo de refundação do Partido conduzido por Bornhausen há dois anos. O encontro da Comissão Executiva será realizado a partir das 9h desta quinta-feira, 8, no 26 andar do Anexo I do Senado Federal.
       
       Segundo Bornhausen, o nome PFL é provisório até hoje no Estatuto partidário, embora a sigla tenha completado 22 anos. "Na verdade, nosso Partido sempre considerou a possibilidade de trocar de nome porque PFL era uma opção provisória, agora chegou a hora de renovar", disse.
       
       Quanto à escolha do nome Partido Democrata ele considera melhor e muito mais sonoro ser chamado de democrata, em comparação a pefelista. Acha ainda que os filiados terão facilidade de explicar a bandeira ao eleitor: "Temos uma onda de populismo na América do Sul e o contraponto ao populismo é a democracia, logo, o contraponto aos partidos que apoiam governos populistas será o Partido Democrata".


(http://www.pfl.org.br/news_view.asp?id={0497A241-4245-460C-BAD9-9D3771D2FC06}&box=noticias )
 
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PFL faz mudança radical e agora é Partido Democrata


       Além da mudança de nome para Partido Democrata, o presidente do PFL, Jorge Bornhausen (SC) anunciou hoje que estão suspensas as convenções estaduais, municipais e nacional da legenda. Será realizada convenção nacional extraordinária no dia 28 de março quando Bornhausen pretende aprovar um novo estatuto, uma nova carta de princípios e entregar o comando do novo Partido Democrata para a nova geração de políticos.
       
       "A Executiva aprovou nesta quinta-feira, por unanimidade, a mudança de nome do partido --que passará a se chamar Partido Democrata", anunciou Bornhausen, confirmando que a decisão deverá ser referendada na convenção extraordinária do dia 28 de março. "Nosso objetivo é atrair novos quadros para renovar o Partido", completou. Na convenção será eleita a nova Comissão Executiva e o Conselho Político, órgãos que comandarão o Partido Democrata.
       
       Na eleição municipal de 2008, Bornhausen acredita que o Partido Democrata apresentará candidatos em todos os municípios com mais de cem mil habitantes. "O PFL não se afastou de buscar o poder. Tivemos frustrações nos últimos anos, com a morte de Luiz Eduardo Magalhães, a saída de Roseana Sarney da disputa e depois do César Maia, que teve a candidatura metralhada pelo governo", afirmou. Foram essas circunstâncias, entre outras, segundo ele, que levaram o partido a se aliar ao PSDB nas eleições presidenciais passadas.
       
       O discurso do novo Partido Democrático será assertivo. "Vamos falar as verdades inconvenientes e expor as mentiras convenientes do governo Lula", afirmou Bornhausen. "Vamos assumir a bandeira do cidadão", explicou. A escolha da bandeira da defesa do cidadão objetiva a aproximação com a sociedade e a diferenciação do estilo populista representado pelo presidente Luiz Inácio da Silva e pelo PT.
       
       As primeiras armas dessa batalha já estão escolhidas: a defesa do fim da CPMF, a resolução definitiva das receitas constitucionalmente vinculadas no Orçamento, a apresentação de uma emenda constitucional propondo a revogação total do instituto das medidas provisórias, contundência na defesa de teses como a privatização, começando pela proposta de extinção da Infraero, e entrega dos aeroportos à administração da iniciativa privada. Com isso o Partido Democrata quer ganhar nitidez no quadro partidário.
       
       Leia abaixo a Resolução nº 383, de 8 de fevereiro de 2007, aprovada hoje pela Comissão Executiva Nacional do PFL
       
       A Comissão Executiva Nacional do Partido da Frente Liberal – PFL, no uso de suas atribuições estatutárias, RESOLVE:
       Art. 1° - Suspender a realização das Convenções Ordinárias Municipais em todo país, tornando sem efeito o teor da Resolução-CEN nº 378, na parte em que estabelece a data de sua realização.
       Art. 2º - Convocar Convenção Nacional Extraordinária, a realizar-se no dia 28 de março de 2007, destinada a deliberar sobre proposta de estatuto, programa e denominação partidária, sem prejuízo de outros temas de sua competência.
       Art. 3º - Esta Resolução entra em vigor nesta data.
       Senador JORGE BORNHAUSEN
       Presidente

(http://www.pfl.org.br/news_view.asp?id={2A901FAD-10B1-4F68-8464-97EFDD475D1D}&box=noticias )


 
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Efraim: Partido Democrata dará nova roupagem ao PFL


       À saída da reunião da executiva do PFL, nesta quinta-feira (08), onde ficou decidido a troca de nome da legenda para Partido Democrata (PD), o senador Efraim Morais (PFL-PB), 1º secretário do Senado, disse que a criação do PD tem por finalidade dar uma "nova roupagem" ao atual PFL para que, fortalecido e dotado de posições determinadas, o partido, como observou o senador, possa governar o país nos próximos anos.
       
       Na prática, essa "nova roupagem" citada por Efraim inclui a abertura do novo partido para a sociedade como um todo, de modo a levar as posições programáticas da legenda às universidades, entidades sindicais e à população em geral.
       
       Efraim Morais informou ainda que o PD irá mostrar que o país "melhorou" com as privatizações. Sobre a Infraero - estatal que administra os aeroportos -o senador foi claro: "É preciso discuti-la porque os aeroportos vivem em um caos". E lembrou que nos países desenvolvidos, os aeroportos são privatizados.
       
       Com Agência Senado

NOTÍCIAS DE BIOÉTICA

22:40 @ 13/02/2007

NOTÍCIAS DE BIOÉTICA
Data: Fri, 9 Feb 2007 07:03:20 -0200
Genethique.org bioethics Press Review
 
 
Estados Unidos: embriões humanos à venda
 
Tradução: Dr. Israel Gomy
 
United States: human embryos for sale O Abraham Center of Life, situado em San Antonio, Texas, é oficialmente a primeira clinica a vender embriões humanos. Um embrião fertilizado in vitro e pronto para implantar custa 2.500 dolares.
 
Os doadores de espermatozóides e óvulos são especialmente selecionados antes. Candidatos a esta nova forma de adoção podem então escolher seus embriões “a la carte” de acordo com a origem etnica, educação ou caracteristicas físicas dos pais biologicos.
 
Diferente da França onde a venda de gametas é proibida, nos Estados Unidos há varios bancos privados de esperma e agencias especializadas em vender óvulos. A adoção de embriões “excedentes”  também é permitida.
 
lexpress.fr 17/01/07

França: 1 aborto a cada 2,5 minutos
 
Tradução: Dr. Israel Gomy
 
France: 1 abortion every 2.5 minutes O IPF (Instituto de Politica Familiar), uma organização internacional não-governamental  e corpo consultor para  o Conselho Social e Economico da ONU, publicou estatísticas sobre o aborto.
 
Num relatório sobre a Familia apresentado no Parlamento Europeu em Maio de 2006, o IPF apontou que a França tem uma das cinco maiores taxas de aborto na União Europeia. “Podemos estimar que, na França, entre 207.000 e 210.664 abortos são realizados a cada ano, o que significa que um aborto é realizado a cada 2,5 minutos, representando 576 abortos por dia.”
 
Nos 25 membros da União Europeia, 1 gravidez em cada 6 (17,2%) termina em aborto. A cada dia, 2.880 bebes são portanto abortados, representando 120 abortos por hora.
 
O relatório conclui, “Isto torna o aborto, além do cancer, a causa primaria de morte na Europa, muito acima de outras causas ‘externas’  tais como suicidio, acidentes, drogas, alcool, AIDS, etc., assim como das mortes causadas por doença”.
 
Institut de Politique Familiale 17/01/07
 

“Quimeras” Homem-animal: HFEA consulta o público
 
Tradução: Dr. Israel Gomy
 
Human-animal “chimeras”: HFEA consults the public A Autoridade de Fertilização e Embriologia Humana (HFEA) decidiu consultar o publico britânico antes de recomendar a criação de embriões híbridos humano-animal. Estas “quimeras” seriam obtidas ao inserir o nucleo de celulas humanas em ovocitos enucleados de animais.
 
governo britânico propôs banir a criação de tais “quimeras”. Entretanto, cientistas que trabalham com celulas-tronco, a industria farmaceutica e 45 especialistas, incluindo 3 prêmios-Nobel, clamaram por sua imediata autorização. De acordo com eles, estas “quimeras” capacitariam avanços para tratar doenças degenerativas.
 
Le Monde (Jean-Yves Nau, Marc Roche) 13/01/07
 

Garota salva por seu próprio sangue de cordão umbilical
 
Tradução: Dr. Israel Gomy
 
O numero de janeiro do Jornal da Academia Americana de Pediatria* contém um artigo sobre como uma garota de 3 anos sofrendo de uma leucemia linfatica foi curada por um transplante de seu próprio cordão umbilical, depois de 
quimioterapia e radioterapia feito pela equipe do Dr David Morgan e Sharad N. Salvi.  A garota está agora com seis anos e sem sintomas da doença.
 
Este tratamento pioneiro retomou o debate na França e no resto do mundo sobre se bancos privados de cordão  deveriam ser implantados, questionando suas implicações socio-economicas.
Le Monde (Jean-Yves Nau) 18/01/07 -

SUA LIBERDADE ESTÁ SOB AMEAÇA!

REPASSEM!....

 
DIGA NÃO À DITADURA!
 
 

08/02/2007 - 15h54
Grupo do PT defende plebiscito e fim da reeleição e critica "refundação"
 
da Folha Online

Um grupo do PT --liderado pelo deputado Cândido Vaccarezza (SP) -- vai apresentar o documento "Um Novo Rumo Para o PT" no encontro do Diretório Nacional do partido -- que acontece neste fim de semana em Salvador (BA). O documento defende o direito do presidente da República convocar plebiscitos sem a autorização do Legislativo e critica a proposta de refundação do partido feita pelo ministro Tarso Genro (Relações Institucionais).

"Se o presidente da República pode editar medidas provisórias [...], por que não pode ele, sem este vício originário, convocar plebiscitos sem autorização legislativa para decidir questões de grande alcance nacional? [...] Somos também favoráveis à simplificação das formalidades para proposição de iniciativas populares legislativas. Queremos, também, introduzir no ordenamento jurídico o chamamento obrigatório de consultas, referendos e/ou plebiscitos em temas de impacto nacional", diz o documento.

Vaccarezza nega que a proposta de simplificar a convocação dos plebiscitos ou referendos por trás a intenção velada de defender um futuro terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Isso é ridículo. Quem entendeu isso não leu o documento", afirmou.

Segundo ele, o objetivo da medida é fortalecer a democracia e facilitar a participação da população. "Já é assim nos Estados Unidos e na Suíça", afirmou Vaccarezza. [É uma grossa mentira, pois o Presidente dos Estados Unidos não tem a prerrogativa de convocar plebiscitos].

O documento defende a reforma política para "corrigir distorções" do sistema vigente. "De imediato, porém, trata-se de fazer aprovar no Congresso Nacional [...] as questões aparentemente mais consensuais: fidelidade partidária, financiamento público, voto em lista -- fechada ou aberta. E julgamos fundamental que se avance em reformas estruturais do nosso modelo."

O grupo de Vaccarezza também usa o documento para propor o fim da reeleição para cargos majoritários -- mecanismo aprovado durante o governo de Fernando Henrique Cardoso e que permitiu a recondução de Luiz Inácio Lula da Silva no Planalto. "Completaria o conjunto das reformas o fim da reeleição para todos os cargos majoritários a partir das próximas eleições, já que o PT sempre combateu o continuísmo e as mazelas dele decorrentes."

Além de acabar com a reeleição, o documento do grupo de Vaccarezza quer impedir os filiados do PT de exercer mais de dois mandatos consecutivos para os cargos de vereador, ou deputado estadual, federal, ou senador. "Com estas características, a reforma política não só radicalizaria o regime democrático como igualmente propiciaria melhores condições para os embates eleitorais futuros, 2008 e 2010 de imediato."

Refundação

Várias correntes do PT vão apresentar seus documentos para serem discutidos na reunião do Diretório Nacional do PT. O grupo de Vaccarezza critica a proposta de discussão de refundação do partido durante o encontro. "É uma tese vazia e sem conteúdo. Cabe discutir, mas tem que ter conteúdo", afirmou o deputado.

O documento também alfineta a idéia de refundação, levantada por Tarso Genro. "A nosso ver, não há por que refundar, pois as bases constitutivas do nosso partido são sólidas e sua contribuição ao Brasil é bem maior que suas falhas."

O texto faz ainda críticas à direção eleita pelo PT em 2005. "A nova direção eleita não conseguiu dar respostas aos problemas políticos que se acumulavam; os métodos de direção não se alteraram; a crise de autoridade da direção se aprofundou; a elaboração política continuou estagnada [...]. A direção teve pouca influência na consagradora vitória do presidente Lula e na votação da legenda do PT [...]. Ao contrário, o núcleo dirigente nacional não conseguiu consolidar-se no processo eleitoral, e não foi capaz de ampliar a representatividade das decisões de campanha."

O documento afirma ainda que a atuação do Campo Majoritário se esgotou. "Somos da opinião que o Campo Majoritário -- assim denominado embora já não mais detenha a maioria do DN isoladamente-- esgotou seu papel dirigente. Sua composição e métodos de direção, talvez funcionais num determinado período, mostram-se inadequados diante do vulto e da complexidade dos desafios atuais."

Vaccarezza diz que o Campo Majoritário "cumpriu seu papel positivo". "Cabe agora construir um novo bloco majoritário."
 

08/02/2007 - 14h37
Para OAB, plebiscito deve servir à democracia, não ao autoritarismo
 
da Folha Online

O presidente da Comissão de Defesa da República e da Democracia do Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Fábio Konder Comparato, criticou nesta quinta-feira documento divulgado por um grupo de deputados federais do PT de São Paulo que defende poderes para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocar plebiscitos sem autorização legislativa.

"Os instrumentos de democracia direta e participativa são meios de controle da ação dos governantes pelo próprio povo; eles não podem se tornar formas de legitimação populista para instauração de governos autoritários", disse.

Para Comparato, a proposta dos deputados petistas "mostra a urgência de serem aprovados os projetos de lei apresentados pela OAB ao Congresso Nacional, autorizando a convocação de plebiscitos pelo próprio povo ou por comissões qualificadas do Poder Legislativo".

O membro da OAB disse que os projetos já apresentados ao Congresso pela OAB sobre plebiscito, referendo e lei de iniciativa popular, incentivam a democracia direta e participativa, diferentemente da proposta do grupo de deputados petistas paulistas, que tende ao autoritarismo.

Segundo a entidade, um dos trechos do documento do grupo de parlamentares petistas, divulgado há dias, afirma: "Se o presidente da República pode editar medidas provisórias cada vez mais sob o crivo de críticas por seu vezo autoritário, por que não pode ele, sem este vício originário, convocar plebiscitos sem autorização legislativa para decidir questões de grande alcance nacional?".

Para OAB, plebiscito pode virar arma de populistas
 
Ordem dos Advogados do Brasil reage a deputados do PT que querem dar ao presidente prerrogativa de convocar consulta sem autorização do Congresso
Ricardo Brandt
 
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) afirmou ontem que a proposta feita por um grupo de parlamentares petistas de que o presidente da República possa convocar plebiscitos e referendos sem a autorização do Congresso 'tem um viés autoritário'.

'Os instrumentos de democracia direta e participativa são meios de controle da ação dos governantes pelo próprio povo; eles não podem se tornar formas de legitimação populista para instauração de governos autoritários', afirmou o presidente da Comissão de Defesa da República e da Democracia da OAB, Fábio Konder Comparato, em nota.

A proposta consta de um documento de 30 páginas, denominado Um Novo Rumo para o PT, que será apresentado pelo grupo no 3º Congresso do partido. Entre seus signatários estão o deputados federais Cândido Vaccarezza, José Mentor, Devanir Ribeiro e Carlos Zarattini - todos de São Paulo.

Num dos 90 itens do documento está escrito: 'Se o presidente da República pode editar medidas provisórias - cada vez mais sob o crivo das críticas por seu vezo autoritário -, por que não pode ele, sem este vício originário, convocar plebiscitos sem autorização legislativa para decidir questões de grande alcance nacional?'

Os autores do texto garantem que a proposta visa a 'ampliar a democracia no País' e cita exemplos de países de primeiro mundo que usam o plebiscito e o referendo com maior freqüência. No Brasil republicano há registro de apenas dois plebiscitos (em 1963 e 1993).

De acordo com Comparato, a OAB apresentou ao Congresso dois projetos de lei sobre plebiscito e referendo que 'incentivam a democracia direta e participativa, diferentemente da proposta do grupo de deputados petistas paulistas, que tende ao autoritarismo'.

'Os projetos n° 4.718/04 e 0001/06 atribuem a iniciativa de convocação de plebiscito e referendo ao próprio povo ou a uma minoria qualificada de cada Casa do Congresso Nacional', explica.

Pela legislação atual, nas questões de relevância nacional, o plebiscito e o referendo são convocados por meio de decreto legislativo, por proposta de no mínimo um terço dos membros da Câmara ou do Senado (artigo 3º, da lei 9.709/98 - que regulamentou o artigo 14 da Constituição Federal).

Comparato diz que a proposta dos petistas 'mostra a urgência de serem aprovados os projetos de lei apresentados pela OAB ao Congresso'.

Além da OAB, especialistas em direito constitucional também atacaram o caráter autoritário da proposta e disseram que ela desqualifica o Congresso. 'Através dos plebiscitos é que se fazem os césares', atacou o jurista Célio Borja, ex-ministro da Justiça. 'O plebiscito sem aprovação do Congresso restringe a democracia, porque coloca nas mãos do chefe do Executivo esse poder.'

Carlos Ari Sundfeld classifica a proposta como um retrocesso democrático. 'O Brasil tem uma democracia em construção. Por isso precisa privilegiar o Parlamento e não fazer o contrário, dando plenos poderes ao presidente', afirmou.

Para Belizário dos Santos Júnior, seria o começo de um governo ainda mais autoritário. 'O presidente já tem um poder quase imperial com as medidas provisórias. Essa proposta soa muito chavista. É um absurdo os próprios deputados dizerem que não têm competência.'
 
 
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A nova Venezuela e o velho Socialismo
Data: Sun, 11 Feb 2007 12:47:12 -0300
A Nova Venezuela e o Velho Socialismo
 

Artigo publicado no dia 02 de fevereiro pela Agência Estado de S. Paulo

Por Thiago de Aragão e Marcelo Suano

No final do ano passado, quando Hugo Chávez proclamou que concebia um novo modelo de esquerdismo, à sensação que transmitia ao mundo era de que suas declarações tinham objetivos especificamente eleitoreiros. Visava inflamar as massas com uma retórica igualitária, algo como “projeto minha gente” para “descamisados”, defesa dos “excluídos”, ou “projeto fome zero” para aquelas pessoas “que não têm três refeições por dia”, que “só quem passou por isso pode saber”.
Parte dos analistas assistia ao crescimento de Manuel Rosales e achava que a idéia chavista iria produzir efeito contrário, pois o povo venezuelano não aceitaria mais medidas antidemocráticas para poder efetivar uma proposta socialista, ainda mais com uma política externa claramente expansionista que utiliza os recursos advindos da alta do petróleo, sem produzir efeitos diretos na melhora de sua condição.

Esses analistas chegaram a apostar no fracasso do presidente porque Rosales bateu seguidamente nessa tecla e pensou-se que seu discurso de oposição estava produzindo efeitos.
Passadas as eleições, percebeu-se o erro de terem superdimensionado à capacidade analítica do povo. O presidente Chávez venceu mais uma vez e, na cerimônia de posse, enunciou um discurso que assustou à comunidade latino-americana, pois veio acompanhado de medidas que podem interferir no subsistema regional.

Discursou que o socialismo é o caminho e, para provar que seu raciocínio é sensato, confirmou que o cancelamento da concessão à RCTV era uma medida democrática, pois a Rede não agia em função dos interesses do povo e isso não é suprimir a liberdade de imprensa, pelo contrário (!).
Para coroar, começou o processo de nacionalização das empresas de energia elétrica e de telecomunicações, sabendo-se que é o início de uma lista que virá. Libertariamente, nacionalizou porque, no novo socialismo, é feio falar estatizar. Só esqueceu de avisar que no seu país apenas o Estado pode se apropriar das empresas estrangeiras.

Podemos interpretar que, de acordo com o Camarada Hugo, a idéia de um novo socialismo tem duas pretensões: criar uma nova Venezuela e refundar à esquerda com um socialismo contemporâneo. Chávez, militar de carreira, agora quer ser intelectual e sociólogo de carteira, como uma espécie de Giddens do início do século XXI, concebendo uma “terceira via”.

Como tem dinheiro de sobra, pois o petróleo não cansa de subir, resolveu que deve fazer doações pelo continente. Foi ao Equador e instalou um escritório do seu Banco de Desenvolvimento, começando com 25 milhões de dólares para ser usado em projetos sociais.

Continuou comprando Bônus do tesouro argentino e comunicou ao presidente Kirchner que não precisa se preocupar com as nacionalizações, porque as fez contra as empresas gringas. As latinas receberão outro tratamento.

Kirchner, que não é tolo, aceitou a diferenciação, pois, no limite, em condições normais de pressão e temperatura, aceitaria muito bem brincar de Chávez com cara de europeu. E aceitou como se fosse possível conceber uma escala que apresenta a seqüência: Estado Latino, Estado Gringo, Empresa Privada Latina e, no outro extremo, pois é a inimiga a ser combatida, a Empresa Privada Gringa.

Não deve assustar que o Estado Gringo seja mais bem tratado que a empresa privada nacional, pois seu problema é a propriedade privada dos meios de produção, embora seu socialismo seja bolivariano e não marxista. Gostaríamos que nos explicassem onde está a diferença!

Manteve seu contato com o companheiro Morales e está mandando soldados à Bolívia. O Congresso boliviano retrucou, mas foi ele mesmo que, num momento de sonolência dos senadores, aprovou o acordo militar Bolívia-Venezuela, com o voto de senadores suplementes. Agora, anunciou que dará todo apoio ao presidente Daniel Ortega, tanto que fará uma doação (isso mesmo, doará, não fará empréstimo) de 350 milhões de dólares para construir uma rodovia ligando o Atlântico ao Pacífico. Para completar, na reunião de cúpula do Mercosul defendeu a intervenção do Estado na economia.

Não podemos acusar Chávez de não amar a América Latina. Aparentemente, o presidente venezuelano aprendeu tudo de caráter intervencionista, populista e estatizante, que nosso passado tem a oferecer. Seu conhecimento da América Latina não é pouco, porém é falho. Mas, a crítica deve ser direcionada aqueles que estão ao seu redor, assistindo a um espetáculo onde até o menos informado sente o cheiro do fracasso. Contudo, se as maiores lideranças continentais estão com o nariz entupido, porque devemos esperar que o povo não ceda às palavras “sábias” de Chávez?

Ele está certo pela forma que percorre o caminho escolhido. Mas errou na estrada que escolheu, pois ela o levará à contramão do desenvolvimento, uma vez que está matando a capacidade criativa e o empreendedorismo de sua sociedade.

Ademais está jogando um jogo terrivelmente arriscado, comprando amigos em todos os lugares. Com uma economia fechada, que depende de uma única fonte de recursos, será bem catrastófico quando a fonte secar e os envolvidos no continente não tiverem como sair da teia de aranha que foi armada.

O mundo não é mais polarizado entre certo e errado, azul ou vermelho. Chávez definitivamente não é o oposto do “neo-liberalismo ianque” assim como o fórum social não é, nem de longe, a oposição ao fórum econômico. Mas esse maniqueísmo é necessário como recurso retórico para mobilizar massas na luta contra um inimigo comum. O mais curioso é que a energia que ele destina ao anúncio de novas rotas para o futuro tem gerado preguiça nos líderes latino-americanos.

Parece que não temos mais artesãos criativos que possam construir novas realidades para o nosso futuro, mas apenas alguns alunos que insistem em se consultar livros defasados numa biblioteca arcaica. Nada contra livros antigos, mas para ter capacidade de compreendê-los é necessário conhecer muito de hermenêutica e, definitivamente, esse não é o nosso caso.

Até o processo de nacionalização poderia ter sido feito de inúmeras maneiras. Dentre elas, porque não, uma cooperação com os investidores que sabem operar as máquinas que eles fizeram.

Poderíamos usar como metáfora a imagem de que o “Socialismo para o século XXI” nada mais é do que usar uma charrete para passear nas atuais rodovias. Certamente não poluirão, mas atrapalharão muito o trânsito. Assim é o socialismo que o Camarada (desculpem-nos) Companheiro Chávez busca para a Venezuela e, consequentemente, para a região.

Ele e seus colegas deveriam perceber que não temos ainda a escolha de jogar um jogo diferente daquele que o mundo está jogando, o sistema está mais interdependente. Se não quisermos brincar, seremos excluídos e só pode dar-se a esse luxo quem tiver condições de criar um microcosmo e se isolar. Atualmente, temos três bons exemplos que provam como isso é eficaz: Afeganistão; Iraque e Coréia do Norte. São três países ricos, pacíficos, estáveis e verdadeiros faróis para a humanidade.

Se antigamente tínhamos a poderosa União Soviética para salvar aqueles que embarcaram em sua aventura de falir, hoje, a Venezuela não pode ocupar esse lugar, pois não tem cacife para suportar um tranco maior. Por isso, na realidade, está agindo como aquele irmãozinho que acha que pode bater no irmão mais velho porque, agarrado em sua cintura fica chutando na sua canela e pensa que o irmão não responde por incapacidade.
 
Na realidade não o faz porque sabe que um tranco desmontaria a criança que não tem capacidade de perceber a verdadeira dimensão da realidade. Mesmo que queira, não é a Venezuela que poderá assumir o papel de fonte modeladora de um novo tempo, que está sendo filmado em máquina super 8 e em preto e branco.

Chávez não está construindo uma realidade para a Venezuela. Ao contrário, está construindo uma realidade para si mesmo. Tanto é verdade que o Movimento Quinta República (MVR), partido que liderou a coligação que o apoiou durante a campanha, aumentou de poder e “anexou” partidos menores que tiveram votações expressivas. Talvez esteja se inspirando no modelo cubano de partido único e centralizador, isso explica que tenha criado o Partido Socialista Unido, o qual é regido, praticamente, pela antiga direção do MVR.

Sua política de assistencialismo e clientelismo deverá aumentar consideravelmente no novo mandato e no seu plano está centralizar, gradativamente, a economia sob o guarda-chuva estatal. Poderá, assim, atingir durante certo tempo as classes mais baixas, aumentando o apoio popular. Também podemos aguardar uma maior militarização das instituições governamentais, pois o Movimento Revolucionário Bolivariano 200 (grupo composto principalmente por militares, do qual Chávez fazia parte, e tentou o golpe de estado em 1992) está hoje mais presente do que nunca na cúpula do governo. Os seus principais assessores e amigos são deste círculo e pressionam o presidente por cargos de alto escalão.

Essas alterações, certamente, não visam facilitar o caminho para o socialismo venezuelano, mas para o chavismo. Dessa forma, o socialismo vendido pelo Camarada (desculpem-nos, novamente) Companheiro Chávez é um processo muito mais conceitual do que estrutural. O que tem de estrutural é para manter o “criador” no cargo que ocupa e o conceito acaba fundindo-se à personalidade da figura Hugo. Da mesma forma que na década de 50 muitos líderes não eram socialistas, mas o socialismo se expressava no nome deles, Chávez também não será “novo socialista”, mas para os venezuelanos, “socialismo para o século XXI” será Hugo Chávez.

É possível que este pequeno mecanismo cause uma onda de percepções errôneas sobre o governo bolivariano. Mas, aqueles que estudaram história, conseguirão ver que sua pregação é apenas um nome novo para uma roupa velha.
 
Se pudessemos traduzir o nome do estilo que vingou na década de 50 para o espanhol, traduziríamos stalinismo, por “acerismo”, afinal stalin significa aço. Hoje com certeza ainda não é possível usar essa tradução, mas não devemos nos assustar se daqui a alguns anos o acerismo tiver como sinônimo a palavra “chavismo”.
 

TOTALITARISMO NA VENEZUELA

23:09 @ 13/02/2007

TOTALITARISMO NA VENEZUELA
Data: Mon, 12 Feb 2007 01:00:31 -0300
http://www.oecumene.radiovaticana.org/bra/Articolo.asp?c=116973

ARCEBISPO LANÇA DURA ADVERTÊNCIA CONTRA O TOTALITARISMO NA VENEZUELA

Caracas, 08 fev (RV) – Num duro editorial, o arcebispo emérito de Los Teques, Dom Ramón Ovídio Pérez Morales, uma das figuras mais respeitadas da Igreja na Venezuela, denuncia o rumo tomado pelo atual governo, "uma marcha em direção do totalitarismo".

Dom Pérez Morales recorda a definição de totalitarismo feita por João Paulo II: "Destrói a liberdade fundamental do homem e viola seus direitos. Manipulando a opinião pública com o martelar incessante da propaganda, facilmente leva a ceder ao recurso à violência e às armas, e acaba aniquilando o sentido de responsabilidade do ser humano."

"Isso foi o que aconteceu na Europa" _ argumenta o prelado venezuelano. "Ficou fácil para os líderes, conduzir as "massas" ao conflito bélico. Criaram mitos, estabeleceram a perseguição religiosa e a discriminação política, o controle legal e policial das liberdades, bem como o condicionamento psicológico através do monopólico da comunicação. A energia moral ficou debilitada."

"O suposto apoio popular e vitórias eleitorais para justificar atuações _ adverte o arcebispo no editorial _ deve ser objeto de discernimento. Hitler, por exemplo, pôde se ufanar disso. E a legalidade foi colocada a serviço da "nova ordem". Por isso. "legal" não equivale a "legítimo" e/ou "moral". Além do mais, essas esmagadoras maiorias eleitorais são uma característica dos sistemas totalitários já estabelecidos."

O arcebispo recorda que João Paulo II identificou a raiz do totalitarismo "na negação da dignidade transcendente da pessoa humana, imagem visível de Deus invisível e, precisamente por isso, sujeito natural de direitos que ninguém pode violar: nem o indivíduo, nem o grupo, nem a classe social, nem a nação ou o Estado".

Finalmente, Dom Ovídio Pérez Morales adverte: "Toda concepção totalitária se choca, inevitavelmente, com o Cristianismo, que coloca o absoluto e adorável em Deus. E como Messias somente Jesus Cristo. E se choca contra toda concepção genuína de humanidade, que tem como centro e referência fundamental a pessoa, e não o Estado, a "revolução", o "partido" ou o "chefe". (MZ)

PORTUGAL OPTA PELA CULTURA DA MORTE
Data: Mon, 12 Feb 2007 01:47:06 -0300
PORTUGAL OPTA PELA CULTURA DA MORTE
 
Em um referendo realizado neste domingo, dia 11 de fevereiro de 2007, três milhões e oitocentos mil votantes de um total de quase 9 milhões de eleitores inscritos optaram por uma diferença de 59% contra 41% dos votos pela legalização do aborto em Portugal durante as dez primeiras semanas de gravidez.
 
O referendo contou com um comparecimento de apenas 43% dos eleitores inscritos, que por ser menor do que 50%, faz com que o resultado não tenha força de lei. O número expressivo que votou pelo aborto, porém, dará aos parlamentares portugueses, em sua ampla maioria pertencentes a partidos de esquerda, o apoio político para apresentarem imediatamente um projeto de lei que irá legalizar sem restrições a prática até as dez semanas de gestação.

 
Portugal vira uma página na questão do aborto
 
«Os portugueses desejam um virar de página na questão do aborto», afirmou o primeiro-ministro ao comentar ontem à noite os resultados do referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez

Em menos de uma década, a sociedade portuguesa mudou de opinião sobre o controverso tema do aborto.
Se no referendo de 1998 os opositores da despenalização da interrupção voluntária da gravidez obtiveram a vitória, com 51,2% dos votos contra 48,7% do Sim, na consulta popular de ontem a situação inverteu-se e os defensores do Não sofreram desta vez uma derrota, pela expressiva diferença de 18,5 pontos percentuais (59.25% contra 40,75%)
Dos 18 distritos do Continente, apenas sete se pronunciaram maioritariamente pelo Não (Aveiro, Braga, Bragança, Guarda, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu), posição assumida também pela Madeira e Açores.
Em três distritos houve mesmo uma mudança de sentido de voto comparando os dois referendos. Se há nove anos Castelo Branco, Leiria e Porto tinham feito a opção pelo Não, ontem contribuíram para a vitória do Sim.
O mau tempo de ontem acabou por não ter sobre a abstenção os efeitos que se receavam, mas mesmo assim voltou a ser ultrapassada a barreira dos 50% (ver caixa), percentagem acima da qual o resultado do referendo deixa de ter carácter vinculativo.
No entanto, o primeiro-ministro já veio assegurar que será respeitada a vontade popular expressa na votação de ontem, «consolidando um novo consenso social capaz de combater eficazmente o aborto clandestino em Portugal».
«A lei que temos agora de aprovar deve, desde logo, respeitar a decisão do referendo», garantiu José Sócrates.

 
DISTRITOS ONDE VENCEU A VIDA, EM % DE VOTOS
 
AÇORES 69.20
MADEIRA 65.44
VILA REAL 61.97
VISEU 61.49
BRAGANÇA 61.04
VIANA DO CASTELO 59.59
BRAGA 58.80
AVEIRO 55.38 
GUARDA 53.15

 
DISTRITOS ONDE VENCEU O ABORTO, EM % DE VOTOS A FAVOR DA VIDA
 
PORTO 47.74 
LEIRIA 42.16
CASTELO BRANCO 40.42
COIMBRA 37.03
SANTARÉM 35.50
LISBOA 29.19
FARO 26.66
PORTALEGRE 25.55
ÉVORA 21.61
SETÚBAL 18.01 
BEJA 16.06 
 

Sub-secretária de Saúde de Salvador está presa

RIO - A sub-secretária de Saúde de Salvador, Aglaé Souza, e uma consultora da Secretaria, Tânia Pedrosa, foram presas nesta sexta-feira. De acordo com o jornalista Ricardo Noblat, que divulgou a informação em seu Blog, ambas são acusadas de mandar matar no último dia 7 de janeiro Neylton Souto da Silveira, 48 anos, responsável pela área de contratos e de licitações da secretaria.

Tânia é filiada ao PT de São Paulo. Foi convidada para ser consultora em Salvador quando João Henrique, prefeito da cidade eleito pelo PDT, dividiu os cargos do seu governo entre os partidos que concordaram em apoiá-lo. A secretaria de Saúde coube entáo a Luiz Eugênio Portela,do PT.

João Henrique ainda não comentou a prisão de de Aglaé e de Tânia. Ao lado do governador Jacques Wagner e de Lula, participou do jantar de aniversário de fundação do PT.

Neylton foi assassinado quando chegou para trabalhar, atendendo a um chamado de Tânia, segundo apurou o delegado Artur Galla, Diretor do Departamento de Crimes contra o Patrimônio da Polícia Civil.

A reconstituição do crime será feita no sábado, sem cobertura da imprensa. Os três seguranças acusados de ter matado Neylton Souza estão presos desde quinta-feira.

Os três seguranças trabalhavam desde o ano passado no prédio em que aconteceu o crime. Jair Barbosa da Conceição, de 40 anos, Josemar dos Santos, de 27, e Anderson Clayton das Neves, de 30, que não foram apresentados, teriam recebido R$ 20 mil para matar o sub-coordenador de contabilidade da secretaria de saúde da capital.

Os três são funcionários da empresa de segurança Protecta, que presta serviços à prefeitura de Salvador, e confessaram o crime. Segundo a polícia, nenhum deles tem antecedentes criminais. O delegado de crimes contra o patrimônio, Arthur Gallas, confirmou que o crime foi premeditado, mas não divulgou mais nenhum detalhe. O inquérito segue em sigilo, por ordem da justiça.

O crime ocorreu no prédio da secretaria, no bairro do Comércio, em 7 de janeiro, um domingo. Segundo o laudo da perícia, a vítima foi espancada até a morte. Neylton Souto da Silveira, de 48 anos, era responsável pelo Fundo Municipal de Saúde e pelo pagamento dos 300 hospitais e clínicas particulares que recebem dinheiro do Sistema Único de Saúde. Todos esses contratos estão sendo analisados numa auditoria, que começou há 22 dias.

Da Agência Globo

http://www.pernambuco.com/ultimas/nota.asp?materia=2007210144111&assunto=26&onde=1

Centenário, frevo é declarado patrimônio nacional


Arrastão antecipado celebra decisão anunciada por Gilberto Gil

Adriana Del Ré, enviada especial


Paulo Pinto/AE
O artista Antonio Nóbrega, o escritor Ariano Suassuna e o ministro Gilberto Gil
RECIFE - O frevo agora faz parte do patrimônio imaterial nacional. A decisão, que marca o centenário do ritmo pernambucano, comemorado nesta sexta-feira, foi anunciada pelo ministro da Cultura, Gilberto Gil, e pelo presidente do Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan), Luiz Fernando de Almeida, em Recife (PE).

O conselho consultivo do Iphan se reuniu a portas fechadas na sacristia da Igreja de São Pedro dos Clérigos, durante três horas e meia. Quatorze dos 22 membros do conselho aprovaram o registro do frevo no patrimônio imaterial brasileiro. O quórum mínimo para a aprovação é de 12 votos favoráveis. Os conselheiros aprovaram também o tombamento como patrimônio histórico da casa de vidro projetada e construída em São Paulo pela arquiteta Lina Bo Bardi.

O Iphan considera como patrimônio cultural imaterial “as práticas e formas de ver e pensar o mundo, as cerimônias, danças, músicas, lendas e contos, histórias, brincadeiras junto de objetos, instrumentos e lugares associados a eles”.

Segundo o presidente do Iphan, na prática este registro compreende duas vertentes - o valor simbólico e o aspecto econômico. “Dá mais visibilidade às políticas públicas. Com a Lei Rouanet se for um patrimônio nacional é mais rápido para se obter recursos”, disse Almeida que anunciou o projeto da criação do Museu do Frevo, que deve ser inaugurado em dois anos.

Para o ministro Gilberto Gil, a aprovação do registro mostrou uma sintonia entre o Iphan e o Ministério da Cultura. “O frevo é exigente, sofisticado e cultivado em corpo e espírito. É um gênero que canta e conta com muita exatidão a história de Olinda, Recife e Pernambuco.”

Depois da cerimônia no Pátio da Igreja, o artista Antonio Nóbrega convocou o público a acompanhar seu arrastão com a música Frevo, composição feita por oito compositores (incluindo ele), numa ação inédita no que diz respeito a esse tipo de música. "Um frevo básico tem 32 compassos, então cada um compôs quatro compassos e foi passando para o outro autor."

Saindo do pátio, blocos, orquestras, passistas e curiosos atenderam o chamado e atravessaram algumas das principais avenidas da cidade sem deixar o frevo cair. A esse grupo, outras pessoas foram se juntando no caminho e virou uma grande festa.

As duas horas de trajeto foram tranquilas, sem registros de ocorrências. Os foliões foram conduzidos até o palco do Marco Zero e recebidos com fogos de artifício. Lá, nomes importantes da MPB fizeram sua homenagem ao frevo, entre eles, Gil, Maria Rita, Nóbrega, Ney Matogrosso, Lenine. Antes da maratona de shows começar, cerca de 60 mil pessoas, segundo a organização, já se aglomeravam na frente do palco.

Olinda

As comemorações do centenário do frevo começaram no raiar do dia em Recife e Olinda quando os moradores foram despertados ao som de pistons, tambores, trombones e sax, instrumentos responsáveis pelo molho musical do ritmo pernambucano.

Em Olinda, cerca de 350 músicos, 18 passistas e 30 bonequeiros (como são chamados aqueles que carregam os bonecos gigantes) começaram a se concentrar no Alto da Sé, por volta das 5 horas e, duas horas depois, saíram em cortejo pelas ladeiras do Sítio Histórico da cidade. “Vamos tocar frevo de rua, frevo-canção e frevo de bloco”, contou o maestro Clovis da Silva, presidente da Associação dos Maestros de Olinda, que corria de um lado para o outro orientando seus músicos.

“A pobreza tem cor e raça.” O adágio revela uma concepção sobre o Brasil, difundida pela Secretaria da Igualdade Racial (Seppir) e pelo cortejo de ONGs defensoras das leis raciais. O Brasil não seria uma sociedade de classes atravessada por profundas desigualdades de renda, mas uma sociedade estamental dividida rigidamente por fronteiras “raciais”. Até há pouco, a demonstração “científica” dessa concepção dependia de perversas interpretações seletivas de informações disseminadas pelo IBGE. A dificuldade foi solucionada pela pesquisa Retratos da Desigualdade, publicada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que ganhou uma segunda edição em 2006.

A manipulação de estatísticas com fins ideológicos é uma velha arte. O IBGE quase sempre conseguiu passar incólume pela tentação de torturar os números até fazê-los confessar aquilo que interessa ao poder de turno. O Ipea aceitou converter-se em câmara de tortura: a pesquisa, conduzida por irmãos de fé da ministra Matilde Ribeiro, da Seppir, suplicia informações do banco de dados do IBGE até “provar” os seus próprios pressupostos.

O ponto de partida é um choque de alta voltagem: a fusão das categorias censitárias “pretos” e “pardos” na categoria ideológica “negros”. Para o IBGE, “pardos” são 42% dos brasileiros, um número que surge da soma de todos os que não se declaram “brancos” (51%), “pretos” (6%), “amarelos” ou “indígenas” (1%). Na vida real, os “pardos” são os quase-brancos, quase-índios, quase-pretos da geléia geral brasileira. Os fanáticos das raças, embaraçados pela “impureza”, simplesmente decidiram eliminá-los das estatísticas, sob o argumento arbitrário de que são “afrodescendentes”. Na Amazônia, por exemplo, eles refletem mais um substrato indígena e podem não ter ascendência africana significativa.

Mas a pesquisa quer chegar a um fim definido a priori e não se detém diante de obstáculos éticos, como o princípio da autodeclaração, ou científicos, como a genética. A supressão dos “pardos” produz magicamente um Brasil dividido ao meio em “brancos” e “negros” (48%), o modelo ideal para os engenheiros de leis raciais. Todos os gráficos e tabelas apresentados trazem a observação de que “a população negra é composta de pretos e pardos”. Essa nota “técnica” é o pilar estrutural da pesquisa. Sem ele as conclusões desmoronariam por inteiro, pois os indicadores do IBGE insistem em mostrar que, em média, a pobreza atinge mais amplamente os “pardos” do que os “pretos”. Os primeiros têm menor rendimento médio e menos anos de estudo, um forte indício de que as desigualdades sociais no País não decorrem do preconceito racial.

Depois do choque elétrico, é tempo de uma sessão de afogamento: a opção preferencial pelas médias gerais. O procedimento, típico das abordagens metodológicas de crianças que começam a descobrir o universo das estatísticas, não decorre de incompetência técnica, mas da paixão ideológica. Ele funciona para extrair as “confissões” paralelas de que os pobres são pobres por serem “negros” e de que a pobreza não “gruda” em pessoas de pele menos escura.

No Brasil, o 1% mais rico da população, constituído essencialmente por “brancos”, detém renda quase igual à dos 50% mais pobres. Essa disparidade extrema puxa para cima todas as médias referentes aos “brancos”, escondendo as massas de pobres com pele clara que habitam as periferias das metrópoles, o sertão nordestino e as várzeas amazônicas. É o cenário estatístico dos sonhos, num país onde o governo federal já patrocina cursos de alfabetização em favelas exclusivos para “negros”.

Finalmente, utiliza-se a palmatória para dissuadir a vítima de falar sobre as desigualdades regionais. Cerca de 75% dos “brancos” vivem no Sudeste e no Sul, as regiões mais ricas do País, enquanto 53% dos “negros” vivem no Nordeste e no Norte, as regiões mais pobres. De modo geral, segundo dados do IBGE, os “negros” do Sudeste e do Sul apresentam indicadores sociais melhores que os dos “brancos” do Nordeste e do Norte. Esses cruzamentos de informações brilham pela ausência na pesquisa dos fanáticos das raças. Mas quem não é fanático sabe o que eles revelam: a “questão regional” é muito mais relevante que a “questão racial” para explicar as desigualdades sociais no Brasil.

Mesmo assim, felizmente, não ocorre a ninguém sugerir cotas para nordestinos nas universidades ou no mercado de trabalho. Um estudo estatístico honesto sobre a desigualdade de renda no Nordeste, apresentado em maio de 2006 ao Encontro Regional de Economia da Anpec/BNB, prova que as diferenças de rendimento no interior de grupos de “raça” são muito mais significativas do que as desigualdades entre esses grupos na determinação da desigualdade total. Os autores, Marcelo Siqueira e Márcia Siqueira, provavelmente serão logo denunciados como intelectuais a serviço da “elite branca”.

Os Retratos da Desigualdade do Ipea são qualificados, no texto de apresentação, como “poderoso instrumento na luta” pela igualdade de raça. Eis, para variar, uma afirmação incontestável: a pesquisa é um discurso puramente ideológico, vestido nos trajes sedutores oferecidos pela estatística e veiculado por órgão de Estado como se fosse investigação sociológica. A sua meta não é iludir as pessoas familiarizadas com estatísticas, mas subsidiar a propaganda política oficial. Afinal, como se sabe, a repetição incansável de uma mentira é capaz de convertê-la, provisoriamente, em verdade absoluta.

No Brasil, a pobreza não tem cor - ou, melhor, tem todas as cores. Essa evidência, que traz implicações políticas óbvias, não interessa aos promotores das leis raciais e deve ser calada no momento em que o Congresso se prepara para votar o Estatuto Racial. Assim se faz “política social” sem custo financeiro, mas com elevados dividendos eleitorais.

Demétrio Magnoli é sociólogo e doutor em Geografia Humana pela USP E-mail: magnoli@ajato.com.br

Fonte: OESP em 08-02-2007.

La impresionante biblioteca que posee Alberto Manguel, de más de 30.000 volúmenes, es el punto de partida de su nuevo libro, 'La biblioteca de noche', una obra en la que el escritor argentino demuestra la pasión que siente por esos espacios donde 'el tiempo se detiene' y 'el universo parece encontrar sentido'.

Manguel, uno de los mayores especialistas mundiales en la historia de la lectura, presentó hoy esta nueva obra que refleja la relación tan especial que el autor mantiene con sus libros y las reflexiones que le han suscitado a lo largo de su vida.

Y refleja también el placer que Manguel (Buenos Aires, 1948) siente al coleccionar libros, hasta el punto de que nunca se desprende de ninguno por muy malo que le parezca. O de casi ninguno, porque, según confesó hoy, sólo se ha deshecho de un libro en su vida: se trata de la novela 'American Psycho', de Bret Easton Ellis, que le pareció 'profundamente malsana' porque se regodea en la tortura y en el sufrimiento.

Acuciado por la falta de espacio para albergar sus libros, Manguel encontró por fin en Francia, en el pequeño pueblo donde vive al sur del Loira, el lugar adecuado para instalar su biblioteca. Se trata de un antiguo establo reconstruido, en el que ha ido ordenando todas las obras que posee según las lenguas en las que están escritas y por temas. La leyenda de Don Juan, Fausto, el Islam, San Agustín y la Biblia son algunos de ellos.

Ese lugar 'gratamente disparatado' que es su biblioteca, en la que el escritor se deja llevar por su 'lógica laberíntica', dice mucho de cómo es Alberto Manguel porque 'toda biblioteca es autobiográfica'.

Quien entre en ella verá que Manguel, cuyo libro 'Una historia de la lectura' está traducida a 36 idiomas, tiene muchas obras de Platón y pocas de Aristóteles, más novelas policíacas que de aventuras, más poesía en inglés y en español que en otras lenguas; en los anaqueles de su biblioteca hay escasa presencia de manuales dedicados a la teoría literaria y los poemarios de Blas de Otero y Miguel Hernández están claramente manoseados.

'Nuestros libros darán testimonio a favor o en contra de cada uno de nosotros, reflejan quiénes somos y quiénes hemos sido, nuestros libros contienen la cuota de página que nos ha concedido el Libro de la Vida. Por los libros que llamamos nuestros seremos juzgados', escribe Manguel en 'La biblioteca de noche', publicado por Alianza Editorial, sello en el que también han aparecido obras suyas como 'Leer imágenes' o 'Diario de lecturas', galardonada con el Premio Grinzane Cavour de ensayo 2006.

Manguel recordaba hoy 'la importancia especial' que han tenido las bibliotecas a lo largo de la Historia, si bien en la sociedad actual 'estos espacios simbólicos, que han sido el centro de concentración del poder intelectual', han sido desplazados por otros de carácter financiero, como puedan ser los bancos.

En una sociedad que 'exige respuestas rápidas' y donde lo que vale es la inmediatez, tener 'la paciencia' que requiere la lectura de un libro no es fácil. La biblioteca 'es un lugar donde el tiempo parece detenerse' y que permite la reflexión. Cuando se lee un libro, decía Manguel, 'unas preguntas llevan a otras' y las respuestas no siempre están claras.

En su nueva obra, Manguel, ciudadano canadiense, trata de demostrar que, quizá 'con un optimismo desbordante', las bibliotecas sirven para 'conferir al mundo una apariencia de sentido y de orden', y en sus más de 400 páginas medita sobre la relación de estos espacios con el poder, con el azar, con la mente, con el olvido o con la imaginación, entre otros asuntos.

'La biblioteca es un resumen del universo', aseguró Manguel, quien no cree que las nuevas tecnologías traigan consigo la desaparición del libro en su formato tradicional. 'Sentarse a leer un libro es un proceso interactivo que la pantalla del ordenador no permite'.

Al escritor le gusta leer a todas horas, en cualquier sitio, y siempre con un lápiz en la mano para poder anotar lo que le sugiere la lectura.

Los diccionarios que hay en su casa 'están llenos de tachaduras', porque en muchas ocasiones no le gustan las definiciones que se dan de las palabras, como tampoco le agradan esas ediciones que se lo ponen todo fácil al lector con múltiples anotaciones al margen.

'No importa no saber las cosas. Somos seres inteligentes y podemos buscar aquello que no sabemos', señaló el autor de 'La biblioteca de noche', un título que esconde la preferencia de Manguel por la lectura nocturna.

'Durante el día, en la biblioteca reina el orden, pero de noche, el ambiente cambia. Los sonidos son más ahogados, los pensamientos se hacen oír con mayor fuerza'; se lee 'de forma más caótica, más cerca del nivel de los sueños', afirmó Manguel.

Países ricos, países pobres

15:55 @ 14/02/2007

NUEVA EDICIÓN DEL "ÍNDICE DE LIBERTAD ECONÓMICA"

Países ricos, países pobres

Por Walter E. Williams

Si anda buscando un mapa de la pobreza en el mundo, eche un vistazo al "2007 Index of Economic Freedom", publicado por la Heritage Foundation y el Wall Street Journal. Los investigadores han evaluado el grado de libertad económica de los distintos países (este año hay datos de 157) mediante el estudio de diez factores fundamentales, entre los que se cuentan los derechos de propiedad, la estabilidad monetaria, las restricciones a la actividad comercial y los niveles de corrupción gubernamental.
Como siempre desde que, hace 13 años, se comenzara a elaborar el Índice de Libertad Económica, Hong Kong y Singapur encabezan la lista de países más libres en términos económicos, con un 89 y un 86% de libertad, según los baremos del estudio. A continuación figuran Australia (83), Estados Unidos (82), Nueva Zelanda (82), el Reino Unido (82), Irlanda (81), Luxemburgo (79), Suiza (79) y Canadá (79).
 
En el otro extremo de la lista se encuentran los países menos libres: Corea del Norte ocupa el l57º lugar de los 157 posibles, con un índice de libertad del 3%; Cuba ocupa el 156º, con un 30%; luego vienen Libia (34), Zimbabue (36), Birmania (40), Turkmenistán (42), el Congo (43), Irán (43), Angola (43) y Guinea-Bissau (45).
 
Los autores del Índice han elaborado un mapa en el que se divide a los países en "libres" (free), "principalmente libres" (mostly free), "moderadamente libres" (moderately free), "principalmente no libres" (mostly unfree) y "reprimidos" (repressed). ¿Sabe en qué categorías quedan encuadrados los más pobres de entre las naciones? Si ha respondido que en la de mostly unfree y en la de repressed, enhorabuena: se ha llevado el gato al agua.
 
Hay quien sostiene que algunos países son ricos porque disponen de abundantes recursos naturales. ¡Qué disparate! África y América del Sur son, probablemente, los continentes más ricos en recursos naturales, pero albergan algunos de los pueblos más pobres del mundo. Por el contrario, países como Inglaterra, Japón o Hong Kong son pobres en recursos naturales, pero sus pueblos se encuentran entre los más ricos del planeta. Hong Kong tiene que importar hasta la comida y el agua.
 
Hay quien acude a la historia colonial para justificar la pobreza. Otro disparate. Los Estados Unidos de América fueron una colonia. También lo fueron Canadá, Australia, Nueva Zelanda o Hong Kong. No obstante, todos ellos se cuentan entre los países más ricos del mundo.
 
La razón de que unos países sean más ricos que otros reside, sobre todo, en el grado de libertad económica de que disfrutan los habitantes de unos y otros, así como en los distintos niveles de injerencia estatal que han de soportar en materia económica.
 
No cometa el error de equiparar libertad económica con democracia. Después de todo, la India es políticamente una democracia, pero en el terreno económico es "fundamentalmente no libre": de hecho, ocupa el 104º lugar en el índice de la Heritage y el WSJ. Hay países que no cuentan con un largo historial democrático, como Chile, que ocupa el 11º lugar en el Índice, o Taiwán (26º), que son mucho más ricos que otros con una trayectoria democrática más dilatada. ¿A qué se debe? Pues a que sus sistemas económicos son "libres" o "principalmente libres", y esto no es consecuencia del establecimiento de un sistema político democrático.
 
La moraleja está clara como el agua: la libertad económica promueve la riqueza; el intervencionismo estatal, la corrupción y la precariedad en materia de protección a los derechos de propiedad garantizan la pobreza. El crecimiento económico y el bienestar de un país dependen fundamentalmente de su infraestructura institucional. Lo más importante de todo es proteger debidamente los derechos de propiedad, garantizar el cumplimiento de los contratos y respetar y hacer respetar la legalidad.
 
Si queremos ayudar al prójimo, nada mejor que convencerle para que erija la infraestructura institucional necesaria para la creación de riqueza. La ayuda externa, los préstamos del Fondo Monetario Internacional y otras donaciones por el estilo no sirven como sustitutos: lo único que hacen es posibilitar la supervivencia de unas élites cuyas políticas de autopreservación mantienen a los países que sojuzgan en la pobreza. Excepción hecha de la que, con fines humanitarios, se envía de urgencia luego de una catástrofe, puede que la ayuda externa sea lo peor que pueda hacer Occidente por los países pobres.
 

Do site do Claúdio Humberto

16:04 @ 14/02/2007

 

 
14/02/2007 | 0:00
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Evo, afano e chantagem

O presidente boliviano Evo Morales, que passou a mão em investimentos e bens do Brasil, chega hoje a Brasília para recolher R$ 20 milhões doados a seu governo. Achou pouco e até fez chantagem, ameaçando cancelar a viagem. O presidente Lula disse a dois senadores que já está “de saco cheio”, mas “não sou eu quem vai derrubar o índio”. No Itamaraty, diplomatas da área só se referem a Morales como “aquele filho da p(*)”.

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14/02/2007 | 0:00
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Pressa

Lula tem tanta pressa em dar R$ 20 milhões do nosso suado dinheirinho ao cocaleiro Evo Morales que até editou medida provisória liberando a grana.

Max contra Marx

09:51 @ 15/02/2007


Clássico de Max Weber que defende a religião como premissa para o surgimento do capitalismo, "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", que faz cem anos, se sustenta hoje como análise da relação entre cultura e modernidade

Folha de São Paulo - Caderno Mais, 27.03.2005 

Neste ano se comemora o centésimo aniversário do mais famoso tratado sociológico já escrito, "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", de Max Weber [1864-1920]. Foi um livro que deixou Karl Marx de ponta-cabeça.

A religião, segundo Weber, não era uma ideologia produzida por interesses econômicos (o ópio das massas, como havia colocado Marx); era sobretudo o que havia possibilitado o mundo capitalista moderno.

Na década atual, quando as culturas parecem estar se chocando e a religião freqüentemente é responsabilizada pelos fracassos da modernização e da democracia no mundo muçulmano, o livro e as idéias de Weber merecem um novo olhar.

O argumento de Weber se concentrou no protestantismo ascético. Ele disse que a doutrina calvinista da predestinação levava os crentes a tentar demonstrar sua situação de eleitos, o que faziam dedicando-se ao comércio e ao acúmulo material.

Dessa maneira, o protestantismo criou uma ética do trabalho -isto é, a valorização do próprio trabalho, mais que seus resultados- e demoliu a antiga doutrina aristotélico-católica de que uma pessoa só deveria obter riqueza suficiente para viver bem. Além disso, o protestantismo advertiu seus fiéis para comportar-se moralmente fora dos limites da família, o que foi vital para criar um sistema de confiança social.

A tese de Max Weber causou polêmica desde o momento de sua publicação. Vários estudiosos afirmaram que estava empiricamente errada sobre o desempenho econômico superior dos protestantes em relação ao dos católicos; que as sociedades católicas tinham começado a desenvolver o capitalismo moderno muito antes da Reforma; e que foi a Contra-Reforma, mais que o catolicismo, que provocou o retrocesso econômico. O economista alemão Werner Sombart afirmou ter descoberto o equivalente funcional da ética protestante no judaísmo; Robert Bellah o descobriu no budismo tokugawa do Japão.

É seguro dizer que a maioria dos economistas contemporâneos não leva a sério a hipótese de Weber ou qualquer outra teoria culturalista do crescimento econômico. Muitos afirmam que a cultura é uma categoria residual em que os cientistas sociais preguiçosos se refugiam quando não conseguem desenvolver uma teoria mais rigorosa.

Realmente, há motivos para ser cauteloso quanto a usar a cultura para explicar evoluções econômicas e políticas. Os próprios textos de Weber sobre as outras grandes religiões do mundo e seu impacto na modernização servem como advertência.

Seu livro "A Religião da China -Confucionismo e Taoísmo" (1916) dá uma visão muito pálida das perspectivas de desenvolvimento econômico na China confucionista, cuja cultura, ele comenta, constitui um obstáculo apenas ligeiramente menor do que a japonesa para o surgimento do capitalismo moderno.

O que manteve a China e o Japão atrasados, hoje compreendemos, não foi a cultura, mas as instituições sufocantes, uma política ruim e diretrizes erradas. Quando isso foi solucionado, ambas as sociedades avançaram. A cultura é apenas um de muitos fatores que determinam o sucesso de uma sociedade.

Isso é algo que devemos lembrar quando escutamos alegações de que a religião do islã explica o terrorismo, a falta de democracia ou outros fenômenos no Oriente Médio.

Europa quer saber quem está online

Victoria Shannon
em Paris


Os governos europeus estão preparando uma legislação para forçar as empresas a manterem dados detalhados sobre o uso da Internet e do telefone pelas pessoas, algo muito além do que os países serão obrigados a fazer, segundo uma diretriz da União Européia (UE).

Na Alemanha, uma proposta do Ministério da Justiça basicamente proibirá o uso de informação falsa para a criação de conta de e-mail, tornando ilegal a prática padrão na Internet de criação de contas com pseudônimos.

Uma lei esboçada na Holanda igualmente irá além do que exige a UE, neste caso obrigando as companhias telefônicas a guardarem os registros de exatamente onde alguém está durante toda uma conversa por telefone móvel.

Os provedores de Internet na Europa já divulgam de forma "rotineira" informações sobre os clientes - que eles normalmente mantêm à mão por cerca de três meses, para fins de cobrança - para policiais com ordens judiciais, disse um especialista em privacidade. Os dados detalham como a comunicação foi enviada e por quem, mas não divulga o seu conteúdo.

Mas as autoridades argumentaram na época dos atentados terroristas na Espanha e no Reino Unido, em 2004, que precisavam de um armazenamento maior, melhor e mais longo de dados por parte das empresas que cuidam das redes de comunicação da Europa. A Corte Nacional espanhola dará início nesta quinta-feira (15) ao julgamento dos 29 suspeitos dos atentados a bomba contra trens em Madri, em 11 de março de 2004, que mataram 191 pessoas e feriram mais de 1.800.

Os países da UE têm até 2009 para transformar a Diretriz de Retenção de Dados em lei, de forma que as propostas apresentadas até agora são interpretações iniciais. Mas algumas pessoas envolvidas na questão estão preocupadas com uma mudança no pêndulo da privacidade na Europa, que há muito era uma defensora dos direitos de privacidade dos indivíduos.

Segundo as propostas na Alemanha, os usuários teoricamente não poderiam criar contas de e-mail fictícias, por exemplo, para se disfarçarem em leilões online. Nem poderiam usar uma conta inventada para receber e-mail comercial indesejado. Apesar de não serem proibidos apelidos em e-mails, eles teriam que ser rastreáveis ao dono de fato da conta.

"Isto é uma coisa incrivelmente ruim em termos de privacidade, já que as pessoas cresceram com a idéia de que você pode ter uma conta anônima de e-mail", disse Peter Fleischer, o consultor europeu de privacidade da Google, em Paris. "Além disso, será difícil aplicar e não funcionará."

Fleischer, cuja empresa com sede na Califórnia oferece serviço gratuito de e-mail, disse que lei terá que exigir algum tipo de verificação de identidade, "como a necessidade de se registrar para obtenção de um endereço de e-mail usando sua carteira de identidade nacional".

Jörg Hladjk, um advogado especializado em privacidade da Hunton & Williams, uma firma de advocacia de Bruxelas, disse que também poderá se tornar ilegal pagar em dinheiro por contas de celular pré-pagos. As informações de cobrança de assinaturas regulares de telefonia celular já são verificadas.

"É irônico", disse Fleischer, "porque a Alemanha é um dos países na Europa onde as pessoas mais falam sobre privacidade. Em termos de conscientização de privacidade em geral, eu colocaria a Alemanha em um extremo".

Fleischer disse que não está claro se alguma lei européia se aplicará aos provedores de e-mail com sede nos Estados Unidos, como a Google, de forma que qualquer um que necessite de um endereço de e-mail não verificado - por motivos políticos, comerciais ou filosóficos - ainda poderia usar os endereços do Gmail, Yahoo ou Hotmail. "Será difícil saber que lei se aplica", disse Hladjk.

A Google só exige duas informações para abertura de uma conta no Gmail - nome e senha - e a empresa não tenta determinar se o nome é autêntico.

Na Holanda, a proposta de ampliação da lei para abranger todos os dados de localização dos aparelhos móveis "implica em vigilância de movimento de um grande número de cidadãos inocentes", disse a Agência Holandesa de Proteção de Dados. A agência concluiu em janeiro que a lei desrespeita as proteções da privacidade da Convenção Européia de Direitos Humanos. De forma semelhante, a Bitkom, a associação setorial alemã de tecnologia, disse que a lei dali viola a Constituição alemã.

As associações do setor de telecomunicações e Internet fizeram objeções quando a diretriz estava sendo debatida, mas na época suas preocupações eram quanto ao prazo da necessidade de manutenção dos dados e como as empresas seriam compensadas pelo custo de reunir e guardar a informação. A diretriz acabou deixando ambas as decisões nas mãos dos governos nacionais, estabelecendo um prazo de seis meses a dois anos.

"Há muitas pessoas na Alemanha que apóiam totalmente este esboço", disse Christian Spahr, um porta-voz de telecomunicações e lei da Bitkom. "Mas há outros que o criticam mais do que nós."

Tradução: George El Khouri Andolfato
 

Todas as “notícias”?

08:21 @ 16/02/2007

por Thomas Sowell em 16 de fevereiro de 2007

Resumo: O lema do The New York Times, “Todas as notícias apropriadas à impressão”, deveria ser mudado para refletir a realidade atual: “Fabricar notícias apropriadas a uma ideologia”.

© 2007 MidiaSemMascara.org

O último de inúmeros editoriais do The New York Times disfarçados de “notícias” sugere que a maioria das mulheres americanas, hoje, não tem marido. Parcialmente, isso está baseado em dados do censo – mas, na maior parte, em definições criativas.

O Times definiu “mulher” a fim de incluir pessoas do sexo feminino a partir dos 16 anos de idade e também viúvas que, claro, não poderiam ter se tornado viúvas antes de terem tido, em algum momento, um marido. Esposas cujos maridos estivessem no serviço militar ou na prisão, foram também incluídas no grupo de mulheres sem marido.

Com tais definições criativas, concluiu-se que 51 por cento das “mulheres” não viviam com um marido. Isso tornou-se a “maioria” e criou uma “notícia” sugerindo que essas mulheres não eram casadas. Na realidade, somente 25 por cento das mulheres nunca foram casadas, mesmo quando você conta as meninas de 16 anos.

Apesar dos dados citados pela estória do The New York Times dizerem respeito a mulheres que não estavam vivendo com um marido, havia citações sobre mulheres que tinham rejeitado o casamento.

Com que propósito? Para mostrar que o casamento é uma coisa do passado. Como diz uma manchete do San Francisco Chronicle: “Mulheres vêem menos necessidade de usar correntes com bolas de aço”.

Em outras palavras, casamento é como uma prisão, incluindo-se aí as ultrapassadas correntes amarradas aos tornozelos, tendo nas pontas pesadas bolas de aço, de forma que o prisioneiro não possa fugir.

Essa descrição do casamento e da família como uma carga não é peculiar ao The New York Times ou ao San Francisco Chronicle. Ela é comum entre a intelligentsia esquerdista.

Descrições negativas do casamento e da família são comuns não somente em nossos jornais mas também onde quer que a esquerda esteja concentrada, seja nas escolas e universidades ou na televisão e no cinema – um exemplo famoso é o programa de TV “Murphy Brown” (*), cuja crítica do vice-presidente Dan Quayle provocou um feroz contra-ataque da esquerda.

O The New York Times não foi o primeiro reduto esquerdista a brincar levianamente com estatísticas para pintar o casamento como uma relíquia do passado. Inúmeras fontes têm citado uma estatística que mostraria que metade de todos os casamentos termina em divórcio – uma outra conclusão baseada numa manipulação criativa de palavras e não em fatos concretos.

O fato de que pode haver num determinado ano, um número de divórcios igual à metade do número de casamentos ocorridos naquele ano, não significa que metade de todos os casamentos termina em divórcio.

É completamente equivocado comparar todos os divórcios em um ano particular – ocorridos em casamentos que começaram em anos, ou mesmo décadas anteriores – com o número de casamentos começados naquele ano.

Por que esses desesperados malabarismos esquerdistas com palavras e números para desacreditar o casamento?

Parcialmente, isso ocorre porque o casamento é um componente fundamental da ordem social a que a esquerda se opõe. Além disso, o casamento é visto como uma das restrições sociais à escolha livre individual.

Essas não são idéias novas, mesmo que elas pareçam mais persuasivas do que no passado pelo fato de a intelligentsia ser, hoje, maior e mais falante.

Ainda no século XVIII, Rousseau disse que o homem nasce livre mas está de todas as maneiras acorrentado. Ou seja, as restrições sociais, essenciais para uma sociedade civilizada, eram vistas como desnecessárias barreiras para a liberdade individual.

Nunca parece ocorrer àqueles que pensam dessa forma que se todos fossem livres de todas as restrições sociais, somente o mais forte e o mais cruel seria, de fato, livre e todos os outros estariam sujeitos aos seus ditames ou seriam exterminados.

Casamento e família são também barreiras ao desejo esquerdista de criar uma sociedade construída de acordo com suas próprias especificações. A primeira versão de Friedrich Engels do Manifesto Comunista proclamava o fim das famílias, mas Karl Marx pensou bem e achou que seria melhor cortar esse trecho.

De uma forma ou de outra, contudo, a esquerda tem tentado há mais de dois séculos destruir as famílias – incluindo a redefinição atual das palavras “casamento” e “família”, a fim de incluir qualquer tipo de ajuntamento de duas pessoas que queiram viver juntas, por qualquer motivo.

Se “casamento” pode significar qualquer coisa, então ele não significa nada.

O antigo e ainda vigente lema do The New York Times, “Todas as notícias apropriadas à impressão”, deveria ser mudado para refletir a realidade atual: “Fabricar notícias apropriadas a uma ideologia”.



Publicado por Townhall.com

Tradução de Antônio Emílio Angueth de Araújo.

[*] Programa da rede de televisão CBS que foi ao ar de 1988 a 1998. (N. do T.)

Nota Redação MSM: Sobre o assunto leia também: A família contra-ataca

UN CLÁSICO DE UN CLÁSICO

Por José María Marco

 

La nueva publicación de la biografía de Hillaire Belloc sobre María Antonieta coincide con la aparición de la revista Chesterton. No es mal presagio. Belloc (1870-1953), gran amigo de Chesterton, era católico, como éste (aunque desde siempre), y juntos libraron innumerables batallas políticas y sociales. Tan íntima fue su colaboración que George Bernard Shaw, adversario de ambos en más de una ocasión, llegó a hablar de Chesterbelloc.
Belloc era francés, pero adoptó la nacionalidad inglesa cuando empezó su (breve) carrera política. Lo suyo no era la acción, mucho menos la política. La suyo era escribir –y provocar–, y a eso se dedicó toda la vida, con una intensidad tal que acabó agotado. En 1909, fecha de publicación de su María Antonieta, había dado a la imprenta 28 libros. No bajó el ritmo hasta que cayó enfermo, en 1940.
 
Su madre, inglesa, había vuelto a su país al enviudar, en 1872. Belloc se educó en Inglaterra, pero de su primera nacionalidad le quedó un interés especial por Francia. Entre su copiosísima obra destacan varios trabajos de tema francés. Algunos fueron muy tempranos, como los dedicados a París en 1898 y 1900, la gran biografía del cardenal Richelieu (1929) y la serie de estudios sobre la revolución, entre los que destacan la monografía La Revolución Francesa (1911), una novela histórica (The Girondin) y, sobre todo, un puñado de biografías de algunos de los protagonistas de aquellas jornadas: Danton (1899), la excelente Robespierre (1901) y la que hoy nos ocupa.
 
Una de las principales preocupaciones de Belloc, si no la principal, y la que probablemente da sentido a toda su obra, es la religión. En coincidencia con Chesterton, Belloc veía en la pérdida de la fe (cristiana) en los países europeos el origen de una gigantesca catástrofe histórica que acabaría con la propia Europa. A este asunto dedicó buena parte de su esfuerzo entre 1920 y 1930, precisamente cuando los totalitarismos se adueñaron de este pedazo de Occidente y estuvieron a punto de acabar con él. Cosa que habrían conseguido de no ser por un país que Belloc conocía bien, por ser su esposa originaria de allí: Estados Unidos.
 
Belloc bautizó aquel movimiento con el término neopaganismo, que viene a ser no un avance, sino la restauración de una mentalidad precristiana. El neopaganismo se estaba instalando en la mentalidad europea y era incompatible con la tradición cristiana del continente. Si no se le ponía freno, se llevaría por delante la religión y la propia Europa. Con gran lucidez, Belloc supo prever que esa fuerza destructiva no dudaría en aliarse, llegado el caso, con otras tradicionalmente enemigas de la Cristiandad. Pensaba, más en particular, en el Islam.
 
Todavía no había desarrollado estas grandes ideas cuando escribió su biografía de María Antonieta. Pero es obvio que la preocupación por el destino de la Europa cristiana (no hay otra para él) está presente en cada una de sus páginas.
 
La desgraciada María Antonieta ha ejercido siempre una fascinación particular, que se ha visto reanimada en los últimos meses con el estreno de una película dedicada al famoso escándalo del collar de diamantes. La editorial Siruela ha publicado un estudio exhaustivo sobre este truculento asunto. Siempre ha estado en circulación, por otra parte, ese clásico del género biográfico que es la María Antonieta de Stefan Zweig (1932).
 
Zweig debe mucho a Belloc, como es natural, aunque tuvo acceso a documentos –los referidos a la relación amorosa de la reina con el aristócrata sueco Fersen– desconocidos para el escritor inglés. Por otra parte, Zweig es más sensible que Belloc a la intimidad de una mujer que, en su relato, supo elevarse en los últimos momentos hasta la dignidad del papel trágico que la historia le tenía reservado. Belloc no es tan delicado, pero también es un gran escritor, y de su María Antonieta nos interesa hoy, lejos del retrato sentimental de Zweig, la pintura más ruda, pero igualmente fascinante, de las gigantescas fuerzas políticas y culturales de que aquélla fue víctima.
 
Las paradojas, como en un texto de Chesterton, se suceden una tras otra. María Antonieta, según Belloc, acabó pagando con su vida la alianza entre Austria y Francia, que desnaturalizó la vocación nacional francesa y contra la que se hizo, en parte, la revolución: la reina nunca entendió a Francia, y Francia, país misógino donde los haya, al menos en ciertas cosas, se lo hizo pagar con creces.
 
También fue víctima de la Revolución Americana, que arruinó a la Monarquía francesa, propició la revolución en el Hexágono y crearía lo que acabaría siendo la única potencia occidental capaz de defender la idea misma de Europa. Y, además, fue víctima de ese primer totalitarismo que, en nombre de la libertad, la igualdad y la fraternidad, se empeñaría a partir de ahí en destruir aquello mismo que invocaba.
 
María Antonieta, tan antiguo régimen en tantas cosas, acaba siendo tan contemporánea nuestra, o más, que sus verdugos y los cómplices de éstos. Este personaje tan superficial, tan frágil, en más de un sentido tan insignificante y en otros tan antipático, acaba simbolizando aquello mismo contra lo que combatiría Belloc en sus obras futuras, el ya citado neopaganismo.
 
Esta biografía, superada en algunos asuntos, sigue siendo una obra llena de intuiciones geniales acerca de la Europa que entonces empezó a emerger, sobre la que Belloc reflexionó sin descanso. Nunca se resignó a su triunfo ni se hundió en la desesperación, como sí le ocurrió a Zweig. (Véase a este respecto el ensayo que escribió otro escritor católico, y francés, Georges Bernanos, cuando tuvo noticia del suicidio de Zweig en Brasil, donde él mismo se había refugiado). La obra entera de Belloc, también esta biografía, testimonia de su negativa, tan propiamente británica, a plegarse a lo que con tanta lucidez y tanta febrilidad estaba diagnosticando.
 
Para terminar, citaré un pasaje del libro:
Cuando una sociedad se está acercando a una convulsión como la que se aproximaba para Francia, el ritmo del cambio aumenta prodigiosamente con cada paso hacia la catástrofe. "¡Eso no puede ocurrir! ¡Tal cosa no puede ni soñarse!". Pero tales cosas llegan a suceder, y por último, todos se sienten impotentes espectadores de un proceso tan fuerte y rápido que no hay ciencia humana que lo pueda detener. La literatura política en tales momentos se dedica sólo a la crítica o a teorizar; ya no defiende su causa; menos aún puede dirigir. Así ocurre hoy en más de una nación de la Europa occidental; así ocurría a fines del reinado de Luis XV.
Como se ve, Hillaire Belloc alcanza cuando quiere la altura de un clásico. Es decir, la de quien está de permanente actualidad.
 
 
HILLAIRE BELLOC: MARÍA ANTONIETA. Ciudadela (Madrid), 2007, 510 páginas.
 
Pinche aquí para acceder a la página web de JOSÉ MARÍA MARCO.

"Este país não presta"

08:41 @ 22/02/2007

"Este país não presta"
 
por Contardo Calligaris
 
(In: CALIGARIS, Contardo. Hello Brasil! : Notas de um psicanalista europeu viajando ao Brasil. São Paulo, Escuta, 1992. pp. 13-5).
 
    No fim de 88, estou com a impressão de me insinuar no país a contrafluxo. Quanto mais vou decidindo me estabelecer no Brasil, mais me deparo com a estupefação dos amigos brasileiros. Acredito que não tenha nada ou pouco de ciúmes na calorosa tentativa de me dissuadir: parece mesmo que eles estão antevendo e querendo prevenir a necessaria repetição de uma decepção secular.
 
    Nesta discussão volta assiduamente uma frase: "Este país não presta". É uma frase comum até a banalidade; ela aparece na conversa ocasional com cada motorista de taxi, e inevitavelmente ressoa nas palavras das pessoas mesmas que deveriam ter e têm o maior interesse na minha presença no Brasil. Estranha-me ainda a facilidade com a qual, em situações não extremas, é enunciado -- como prova e demonstração -- um projeto de emigrar: aqui não presta, vamos embora para onde preste.
 
    E finalmente entendo por que esta frase me deixa a cada vez perplexo. Pouco importam, com efeito, as razões que cada um agrega para justificar que o país não presta: a enunciação mesma da frase configura um enigma. Pois como é possivel enunciá-la? De onde será que se pode dizer "Este país não presta"? A frase pareceria natural se fosse de um estrangeiro, mas como enunciação dos brasileiros mesmos, ela surpreende.
 
    Parece-me que um europeu poderia afirmar que um governo não presta, que a situação econômica não presta, ou mesmo que o povo não presta, mas dificilmente diria que o seu país não presta. Deve haver alguma razão que coloca os brasileiros, com respeito à propria identidade nacional, em uma curiosa exclusão interna, que permite articular a frase que me interpela. Esta razão não deve datar de hoje.
 
    A ditadura propunha um "Brasil, ame-o ou deixe-o", que também soa estranho aos meus ouvidos. Um fascismo europeu teria dito: "Ame-o ou te mato". Também ninguém, imagino, teria achado a resposta famosa: "O ultimo a sair apague as luzes", pois um europeu antes responderia pela reivindicação de uma filiação que não aceita a alternativa proposta. A historia do Partido Comunista Italiano, durante a primeira decada do fascismo, é exemplo disso: uma incessante reconstrução do quadro organizativo, regularmente descoberto e desmanchado, se justificava antes de mais nada para afirmar o direito, o dever e a necessidade de ficar.
 
    Algo em suma me parece testemunhar, nesta frase, um problema de -- se me é permitido um neologismo -- umtegração. Não digo de integração, pois não se trata de uma dificuldade em ocultar ou uniformar as diferenças originarias das diversas etnias. Também não se trata -- é evidente -- de uma falta qualquer de sentimento patriotico. Trata-se de uma dificuldade relativa ao UM, ao qual uma nação refere os seus filhos, relativa ao significante nacional na sua historia e na sua significação.
 
    Em outras palavras, se os brasileiros podiam falar do Brasil como se fossem estrangeiros, é que de alguma forma "Brasil", o UM das suas diferenças devia ser algo mais ou algo menos do que um traço identificatório fundando a filiação nacional. Pois um tal traço normalmente não se discute, assim como normalmente um sujeito não discute o seu sobrenome.
 
    Como diabo funciona um significante nacional que permite que quem se reclama dele enuncie "este país não presta"? Encontrei eco a esta expressão de uma exclusão interna em formas às vezes extremas de execração ou ludíbrio nas paginas dos jornais; lembro por exemplo de uma reportagem da revista Veja, que se impunha na capa, sobre a fuga dos brasileiros para o exterior, e de outra capa, de IstoÉ, inacreditavel, onde se via o Brasil derretendo e sumindo pelo ralo do esgoto.
 

Ce n'est pas un pays sérieux!
já dizia o general.
O que somos afinal?
Um país pererê? folclorico?
tropical? misturando morte
e carnaval?
 
-- Um povo de degredados?
-- Filhos de degredados
largados no litoral?
-- Um povo-macunaima
sem carater nacional?
 
(Affonso Romano de Sant'Anna) 

Profanaram templo catolico na Colombia
Data: Mon, 19 Feb 2007 15:47:15 -0300
Profanaram templo católico na Colômbia
 
 

 

BOGOTÁ, 16 Fev. 07 (ACI) .- Um grupo de homens armados, supostamente guerrilheiros, entrou esta semana em uma igreja católica na afastada região amazônica de Caquetá na Colômbia, onde profanaram a Eucaristia e, segundo os residentes, realizaram atos satânicos.
 
Segundo os habitantes de São Vicente de Caguán, os guerrilheiros entraram no modesto templo de madeira, quebraram as imagens sagradas e realizaram "rituais" durante os quais beberam abundante licor.
 
"Neste município não se conhecem antecedentes de ataques similares e eu nunca tinha visto uma coisa destas nos todos estes anos", disse uma fiel, Virgelina Marín, em declarações a Radio Cadena Nacional (RCN).
 
O Pároco do templo, o Pe. Gonzalo Montoya, assinalou que os homens armados jogaram as imagens de Cristo e dos Santos no chão, em seu lugar colocaram garrafas de rum e deixaram palavras escritas com areia sobre o altar.
 
"O mais grave foi que ultrajaram a Sagrada Eucaristia, o que nos faz pensar que se tratou de um ato satânico deliberado", disse o P. Montoya, ao assinalar que os dois cálices da igreja foram roubados.

A palavra das Farc

08:43 @ 22/02/2007

91 dias de nascida

08:43 @ 22/02/2007

91 dias de nascida
Data: Tue, 20 Feb 2007 17:01:54 -0300
20/02/2007 - 09h22
Menina anencéfala completa 91 dias, recorde no país
 
 
LUÍS FERNANDO MANZOLI
da Folha Ribeirão
JOSÉ BENEDITO DA SILVA
editor-assistente da Folha Ribeirão

Quando era um feto de quatro meses no útero da agricultora Cacilda Galante Ferreira, 36, Marcela de Jesus foi considerada "inviável" por ter anencefalia, uma má-formação que inibe o surgimento do cérebro no desenvolvimento do bebê.

Ontem, a menina completou 91 dias de vida e se tornou a criança com anencefalia com maior longevidade no Brasil, segundo a Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), que diz ter existido, há cinco anos, no interior de Goiás, um menino que viveu três meses.

Segundo a entidade, metade dos bebês com anencefalia morre no útero da mãe --o restante vive poucas horas ou minutos após o parto. "A sobrevivência prolongada surpreende, mas o prognóstico ainda é o mesmo de quando ela nasceu", disse a pediatra Marcia Beani, que cuida de Marcela desde o parto, em 20 de novembro, em Patrocínio Paulista (SP).

Desde então, Marcela já teve problemas graves, como uma parada cardíaca, convulsões e febres, mas não apresenta intercorrências clínicas há 59 dias. Atualmente, a menina é alimentada com leite por sonda e respira com ajuda de um capacete de oxigênio. Como tem uma pequena parte, frontal, do cérebro, reage a estímulos, mas é incapaz de ter outras atividades cerebrais.

O presidente da Comissão de Aborto Previsto em Lei da Frebasgo, Jorge Andalaft Neto, afirmou que o tempo de vida do bebê "já é um recorde nacional". Porém, o otimismo deve vir com cautela. "Na medida em que a criança cresce, o cerebelo e o tronco cerebral não serão suficientes para segurar o desenvolvimento", disse.

Colaborou JORGE SOUFEN JR, da Folha Ribeirão

Demétrio Magnoli - O consenso de Pequim
 
“Os programas nucleares da Coréia do Norte contribuíram para empobrecer aquele país. Eles não compram prestígio ou influência, apenas bastante isolamento.” O diagnóstico, de Christopher Hill, o negociador americano do acordo de desnuclearização da Coréia do Norte, só contém a parte da verdade que não interessa ao ditador Kim Jong-il. O seu regime jamais se preocupou com a tragédia que vitima os norte-coreanos e não busca prestígio ou influência, mas apenas a preservação do próprio poder. A bomba atômica comprou isso: o acordo da semana passada assegura amplos suprimentos internacionais de energia para o país e a normalização das relações diplomáticas com os EUA e a Coréia do Sul.

À mesa da grande barganha, em Pequim, se sentaram representantes dos EUA, da China, do Japão, da Rússia e das duas Coréias. Os formalistas saudaram o resultado como prova da eficiência do multilateralismo, interditado em outros lugares desde o 11 de setembro de 2001. Mas, de fato, o acordo repousa sobre a convergência de interesses geopolíticos vitais da China e dos EUA.

A nuclearização da Coréia do Norte tem o potencial de dissolver o delicado equilíbrio de poder no Extremo Oriente. O Japão convive com uma China nuclear pois a sua segurança é garantida pelo “guarda-chuva nuclear” americano, cuja representação simbólica está corporificada nas tropas dos EUA estacionadas em território japonês. A garantia não se aplica, contudo, à ameaça posta pelo regime irresponsável de Kim Jong-il, que tende a empurrar o Japão no rumo sem volta da construção de um arsenal nuclear dissuasivo. Essa eventualidade é intolerável para a China, que experimentou a dor e a humilhação da ocupação japonesa.

Pequim conhece bem seus interesses. A continuidade do seu projeto de desenvolvimento depende da estabilidade da ordem econômica mundial e da ordem geopolítica no Extremo Oriente. Os chineses precisam de um Japão desnuclearizado e, portanto, indiretamente, da presença de forças americanas no arquipélago japonês e no sul da Península Coreana. Eles têm todos os incentivos para impor limites à escalada da Coréia do Norte. Simultaneamente, pretendem preservar da destruição o regime de Kim Jong-il, que surgiu da costela do maoísmo.

Sob o despotismo sanguinário de Mao Tsé-tung, a China orientou-se por um programa de superpotência que tudo subordinava às prioridades da indústria bélica. Logo após a tomada do poder, Mao passou a pressionar a URSS a transferir fábricas e tecnologias de armas modernas e, diante das hesitações de Stalin, provocou a deflagração da Guerra da Coréia (1950-53). O “Grande Timoneiro” instou o temeroso Kim Il-sung, pai de Kim Jong-il, a invadir a Coréia do Sul e lhe prometeu que tropas chinesas participariam do eventual confronto com os americanos. A guerra coreana, na qual foram sacrificados 150 mil soldados chineses, quebrou as resistências soviéticas a armar a China.

Nem isso transformou a Coréia do Norte num protetorado chinês. Kim Il-sung equilibrou-se entre a URSS e a China, explorando o cisma no bloco comunista e, com o fim da guerra fria, seu filho conseguiu conservar alguma autonomia ante Pequim. A narrativa oficial da Guerra da Coréia fabricada pelo regime norte-coreano praticamente não menciona a participação decisiva da China e o memorial aos soldados chineses em Pyongyang é zona proibida para visitantes coreanos.

A China contemporânea, reinventada pelos líderes comunistas perseguidos na Revolução Cultural (1969-76), não renunciou totalmente à herança maoísta. Os crimes pavorosos de Mao jamais foram expostos à nação e a figura do tirano continua a ser reverenciada ritualmente em todo o país. Por outro lado, a economia de campo de concentração foi suprimida e o programa de superpotência conheceu uma significativa reinterpretação. Pequim persegue obstinadamente a condição de potência global, mas compreende que, no fim das contas, o poder militar só se pode amparar no desenvolvimento industrial e tecnológico do país. Esse é o fundamento da parceria estratégica que mantém com os EUA.

Do ponto de vista de Pequim, a Coréia do Norte representa, ao mesmo tempo, uma ameaça à estabilidade regional e um ativo de política externa. Aos chineses não interessa uma nova guerra na Península Coreana, com o inevitável corolário da nuclearização japonesa. Mas eles tampouco estão dispostos a sacrificar a ditadura de Kim Il-sung, pois isso significaria desistir de parte ponderável da sua própria influência no xadrez diplomático do Extremo Oriente.

O acordo costurado em Pequim atende plenamente aos interesses chineses, mas acirra as divergências que fraturam o círculo de George W. Bush. A secretária de Estado Condoleezza Rice, exprimindo a posição oficial, o interpretou como uma vitória diplomática que deve funcionar como “mensagem ao Irã”, enquanto o neoconservador John Bolton, ex-embaixador na ONU, o deplorou por supostamente representar um prêmio à ousadia nuclear norte-coreana. Os neoconservadores têm outra razão para criticar a barganha: eles enxergam a China como novo rival geopolítico global dos EUA e sabem que o apaziguamento provisório da Coréia do Norte obedece à lógica estratégica dos chineses.

O parafuso coreano completou uma volta inteira. Nos tempos de Bill Clinton se firmou um acordo similar ao atual, que foi rompido pela Coréia do Norte e violentamente condenado pelos neoconservadores. Treze anos depois, à sombra do fracasso no Iraque, o governo Bush aceita um acordo ainda mais vantajoso para a Coréia do Norte e avança um novo passo na via da marginalização dos neoconservadores. Nos termos realistas da barganha, os EUA ajudarão a sustentar a mais sombria ditadura do planeta, provendo-lhe uma gaiola dourada e alimentando-a com remessas regulares de petróleo. Daqui em diante, como fazer guerras em nome da difusão mundial da liberdade?

*Demétrio Magnoli é sociólogo e doutor em Geografia Humana pela USP, E-mail: magnoli@ajato.com.br

Fonte: OESP em 22-02-2007.

Na Russia há mais abortos que nascimentos (ver: http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=10&id_news=260380).

São Paulo, quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

DEMOGRAFIA

Rússia sofre encolhimento da população

DA REDAÇÃO

A Rússia perdeu 561.200 habitantes em 2006, segundo o Comitê Nacional de Estatísticas russo. O número representa uma queda de 0,39% na população do país, que tem 142,2 milhões de habitantes.
A principal razão foi que, no ano passado, morreram mais russos do que nasceram: 2.165.700 contra 1.476.200. A diferença foi parcialmente compensada pela entrada de 128.300 imigrantes. A expectativa de vida, que em 1988 era de 70 anos, decresceu para 65 anos.

Ateísmo y totalitarismo

12:38 @ 23/02/2007

17 de Febrero de 2007 - 17:42:39 - Pío Moa

Del hecho de que los regímenes ateos-ciencistas hayan sido totalitarios no se sigue por fuerza una correlación entre ambas cosas. El totalitarismo podría deberse a otro componente de esos regímenes, no al ateísmo. Sin embargo creo que existe una relación necesaria entre ambos. La ciencia es el conocimiento radical, que establece la necesidad de los hechos por encima de las opiniones. La episteme, opuesta a la doxa. El objetivo perseguido por Descartes con su método, el perseguido con los métodos mucho más refinados de la ciencia  actual. La ciencia del hombre, por su propia concepción, debe establecer la realidad necesaria de su objeto por encima de opiniones. Por su propia naturaleza, esa ciencia debe excluir no solo la hipótesis de la divinidad, sino otras como la libertad o incluso el bien y el mal. Quienes se consideran en posesión de la ciencia del hombre deben aplicar a este su ciencia sin atender a tales hipótesis ilusorias. Entendido esto, se entiende a su vez el comportamiento de los regímenes comunistas o nazi, el férreo lazo que une el ateísmo ciencista y los campos de concentración.

Tanto el nazismo como el marxismo se han apoyado –aunque no solo– en la ciencia de Darwin. No obstante, Darwin trató de explicar por qué el comportamiento ético que promueve la compasión, la ayuda al débil, etc., no contradice su teoría, sino que es  una manifestación evolutiva superior, aunque invierta el desarrollo natural anterior al hombre. Sospecho que no logró demostrarlo, y que su intento entra ampliamente en el terreno de la doxa, no de la episteme.

A "Caminho Suave" e o duro caminho da Educação brasileira
 
por Fernando Rossetti
 
Morreu, neste início de século e de milênio, a educadora Branca Alves de Lima, aos 90 anos, deixando órfãos aqueles que acreditam que a alfabetização com cartilhas não só funciona muito bem como é mais simples do que essa "moda" atual do construtivismo.
Branca concebeu, em meados do século passado, a cartilha "Caminho Suave", que vendeu cerca de 40 milhões de exemplares desde então. Mais de um terço dos brasileiros adultos de hoje foram alfabetizados por ela.
 
Pergunte a essas pessoas como aprenderam a ler e a escrever. Vão lembrar com prazer do "F de faca", do "G de gato", dos desenhos que acompanham cada letra do alfabeto.
 
A vida de Branca Alves de Lima é a síntese de um dos principais males -- se não do principal mal -- da Educação brasileira: o enorme desrespeito dos gestores e das políticas públicas educacionais em relação aos professores e professoras, aos estudantes e suas famílias.
 
Há pouco mais de três anos, Branca fechou sua editora, surgida no rastro do sucesso da "Caminho Suave". "Eles (o governo, o MEC e o Guia do Livro Didático, o Conselho Nacional de Educação, as secretarias de Educação etc.) estão projetando, quase decretando, que os alunos não usem mais cartilhas", disse numa entrevista, quando eu ainda era repórter de Educação da "Folha de S. Paulo".
 
Disse mais: "Ao final de diversos anos é que vai se chegar à conclusão se o construtivismo dá ou não resultados."
 
Como jornalista de Educação e como educador, devo dizer que o construtivismo introduziu avanços extremamente importantes na alfabetização de crianças e na Educação como um todo -- embora esteja se tornando um conceito "guarda-chuva", daqueles que podem se referir a tudo ou nada.
 
Mas não é isso que está em questão. O problema é como as inovações, as metodologias, enfim, as reformas educacionais são implantadas nos sistemas de ensino brasileiro.
 
Na entrevista de 1997, Branca contou seu percurso como professora. Na década de 30, quando começou a lecionar, no interior paulista, a prática ''em moda'' para alfabetização se chamava processo analítico.
 
''Depois de 21 anos chegaram à conclusão que não funcionava e deram liberdade didática aos professores.'' Foi quando criou sua cartilha. Na década de 70, os ventos mudaram.
 
Veja hoje o caso dos ciclos. Professores e professoras que há décadas têm na reprovação seu principal recurso de disciplina foram, de uma hora para outra, proibidos de usá-la.
 
Sou radicalmente contra a reprovação, mas o que foi colocado em seu lugar? Uma capacitação que, quando existe, é capenga e de curta duração; salários miseráveis que selecionam profissionais cada vez menos formados; uma infra-estrutura que envergonha e entristece quem preza a Educação.
 
Os dirigentes e gestores da Educação -- os políticos, os ministros, os secretários, os delegados e diretores -- precisam aprender que não se muda cultura por decreto. E Educação é cultura, é visão de mundo, é uma maneira de se inserir e de inserir outros na sociedade.
 
O duro caminho da Educação brasileira é o autoritarismo exacerbado e já secular daqueles que acham que, a partir de seus gabinetes, podem resolver os problemas da Educação brasileira. Democracia dá trabalho, mas sem ela não se vai conseguir melhorar de fato o ensino nem, muito menos, formar cidadãos.

FREI GALVÃO SERÁ CANONIZADO EM MAIO, EM SÃO PAULO

 

Fonte: http://www.arquidiocesedesaopaulo.org.br/noticias/2007/noticias_070223_canonizacao_frei_galvao.htm

 

Nesta manhã, do dia 23 de fevereiro, na Sala do Consistório do Palácio Apostólico, o Papa Bento XVI anunciou a canonização de cinco beatos dentre eles,  Frei Galvão, brasileiro, nascido em Guaratinguetá.

 

A canonização do beato Frei Galvão acontecerá no dia 11 de maio, durante a Missa que o Santo Padre celebrará no Campo de Marte, quando estiver visitando  a cidade de São Paulo.

 

A Arquidiocese de São Paulo se alegra e agradece ao Santo Padre a honra de poder celebrar momento tão significativo para a Igreja, quando teremos canonizado o primeiro Santo Brasileiro.

 

veja nota da CNBB

 

Biografia de Frei Galvão

 

Antônio de Sant´Ana Galvão, OFM, conhecido como Frei Galvão, (Guaratinguetá, 1739 — São Paulo, 23 de dezembro de 1822) foi um frade católico e primeiro beato nascido no Brasil.

 

O pai, Antônio Galvão de França, era um imigrante português e capitão-mor da cidade. Sua mãe, Isabel Leite de Barros, era filha de fazendeiros, bisneta do famoso bandeirante Fernão Dias Pais, o "caçador de esmeraldas".

 

Antônio viveu com seus irmãos numa casa grande e rica, pois seus pais gozavam de prestígio social e influência política. O pai, querendo dar uma formação humana e cultural segundo suas possibilidades econômicas, mandou o filho com a idade de treze anos para o Colégio de Belém, dos padres jesuítas, na Bahia, onde já se encontrava seu irmão José.

 

Lá fez grandes progressos nos estudos e na prática cristã, de 1752 a 1756. Queria tornar-se jesuíta, mas por causa da perseguição movida contra a Ordem pelo Marquês de Pombal, seu pai o aconselhou a entrar para os franciscanos, que tinham um convento em Taubaté, não muito longe de Guaratinguetá. Assim, renunciou a um futuro promissor e influente na sociedade de então, e aos 21 anos, entrou para o noviciado na Vila de Macacu, no Rio de Janeiro.

 

Distinguia-se pela piedade e virtudes. A 16 de Abril de 1761 fez seus votos solenes. Um ano após foi admitido à ordenação sacerdotal, pois julgaram seus estudos suficientes. Este privilégio mostra a confiança que nutriam pelo jovem clérigo.

 

Foi então mandado para o Convento de São Francisco em São Paulo a fim de aperfeiçoar os seus estudos de filosofia e teologia, e exercitar-se no apostolado. Data dessa época a sua "entrega a Maria", como seu "filho e escravo perpétuo", consagração mariana assinada com seu próprio sangue a 9 de novembro de 1766.

 

Terminados os estudos foi nomeado Pregador, Confessor dos Leigos e Porteiro do Convento, cargo este considerado de muita importância, pela comunicação com as pessoas e o grande apostolado resultante. Foi confessor estimado e procurado e, muitas vezes, quando era chamado ia sempre a pé mesmo nos lugares mais distantes. Em 1769-70 foi designado Confessor de um Recolhimento de piedosas mulheres, as "Recolhidas de Santa Teresa", em São Paulo.

 

Fundação do Recolhimento

 

Neste Recolhimento encontrou Irmã Helena Maria do Espírito Santo, religiosa de profunda oração e grande penitência que afirmava ter visões pelas quais Jesus lhe pedia para fundar um novo Recolhimento. Frei Galvão, ouvindo também o parecer de pessoas sábias e esclarecidas, considerou válidas essas visões. No dia 2 de fevereiro de 1774 foi oficialmente fundado o novo Recolhimento e Frei Galvão era o seu fundador.

 

Em 23 de fevereiro de 1775, um ano após a fundação, Madre Helena morreu repentinamente. Frei Galvão tornou-se o único sustentáculo das Recolhidas, missão que exerceu com humildade e grande prudência. Enquanto isso o novo Capitão-general de São Paulo, homem inflexível e duro, retirou a permissão e ordenou o fechamento do Recolhimento. Fazia isso para opor-se ao seu predecessor, que havia promovido a fundação. Frei Galvão aceitou com fé e também as recolhidas obedeceram, mas não deixaram a casa e resistiram até os extremos das forças físicas. Depois de um mês, graças a pressão do povo e do Bispo, o recolhimento foi aberto.

 

Devido ao grande número de vocações, o Servo de Deus se viu obrigado a aumentar o recolhimento. Durante catorze anos cuidou dessa nova construção (1774-1788) e outros catorze para a construção da igreja (1788-1802), inaugurada aos 15 de agosto de 1802. Frei Galvão foi arquiteto, mestre de obras e até mesmo pedreiro. A obra, hoje o Mosteiro da Luz, foi declarada "Patrimônio Cultural da Humanidade" pela UNESCO.

 

Pílulas de Frei Galvão

 

Em tempos em que não havia recursos e ciência médica como hoje, Frei Galvão era procurado para a cura. Numa dessas ocasiões, inspirado por Deus, escreveu num pedaço de papel uma frase em latim do Ofício de Nossa Senhora, que poderia se traduzida assim: "Depois do parto, Ó Virgem, permaneceste intacta: Mãe de Deus, intercede por nós!". Enrolou o papel em forma de pílula e deu a um jovem que estava quase morrendo por fortes cólicas renais.

 

Imediatamente cessaram as dores e ele expeliu um grande cálculo. Logo veio um senhor pedindo orações e um ´remédio´ para a mulher que estava sofrendo em trabalho de parto. Frei Galvão fez novamente uma pilulazinha, e a criança nasceu rapidamente. A partir daí teve que ensinar as irmãs do recolhimento a confeccionar as pílulas e dar às pessoas necessitadas, o que elas fazem até hoje.

 

É interessante ver na imensa relação de graças alcançadas por intermédio de Frei Galvão, no Mosteiro da Luz, que, embora cerca de 60 a 70% das graças sejam relacionadas a cura de câncer, um grande número de graças refere-se a problemas por cálculos renais, gravidez e parto, ou de casais que não conseguiam ter filhos e foram atendidos.

 

Em 1811, a pedido do bispo de São Paulo, Frei Galvão fundou o Recolhimento de Santa Clara em Sorocaba, SP, onde permaneceu por 11 meses para encaminhar a nova fundação e comunidade. Posteriormente, após a sua morte, outros mosteiros foram fundados por essas duas comunidades, seguindo assim, a orientação deixada pelo beato.

 

Beatificação

 

Faleceu em 23 de dezembro de 1822 e a pedido do povo e das irmãs foi sepultado na igreja do Recolhimento da Luz, que ele mesmo construíra. Seu túmulo sempre foi lugar de contínuas peregrinações.

 

Em 8 de abril de 1997, ele foi beatificado pelo Vaticano, tornando-se o primeiro beato brasileiro, Foi Beatificado pelo Papa João Paulo II.

 

O Papa Bento XVI reconheceu em 16 de Dezembro de 2006 o segundo milagre do frei franciscano Antônio de Sant´Anna Galvão (1739-1822). Com isso, ele será o primeiro brasileiro nato a ser declarado santo pelo Vaticano.

 

NOTA da CNBB

SOBRE A CANONIZAÇÃO

DO BEATO ANTÔNIO DE SANT’ANA GALVÃO (FREI GALVÃO)

 

 

A CNBB recebeu hoje a comunicação da Secretaria de Estado da Santa Sé que Sua Santidade, o Papa Bento XVI, deu seu consentimento para a canonização do Beato Frei Galvão, durante a Santa Missa que o Santo Padre celebrará no dia 11 de maio próximo, em São Paulo.

 

A CNBB, ao mesmo tempo que agradece ao Papa Bento XVI por esta decisão, convida todo o povo a alegrar-se pela canonização do primeiro santo nascido no Brasil.

Brasília – DF, 23 de fevereiro de 2007

HIZBULLAH

15:04 @ 24/02/2007


19/02/2007 - 23h17
TV americana denuncia suposta presença do Hisbolá no Brasil
 
 
Hezbollah emblem
 
Washington, 19 fev (EFE).- A rede de televisão "Telemundo", uma das principais em espanhol nos Estados Unidos, revelará numa reportagem a suposta presença do movimento xiita libanês Hisbolá (Partido de Deus) na região da fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai.

Em comunicado divulgado hoje, a rede promete exibir a reportagem entre esta terça-feira, 20, e quinta-feira, 22 de fevereiro, como parte da série "Hisbolá: ameaça terrorista na América Latina".

"Quando muitos pensam que os terroristas só vêm do Oriente Médio e Afeganistão, o 'Noticiador Telemundo' mostra que a ameaça está na própria América Latina e pode chegar ao território americano", informou a cadeia na nota.

As câmeras do "Noticiador Telemundo" seguem os passos do correspondente Pablo Gato, que expõe a suposta existência de uma "perigosa" região na tríplice fronteira, descrita como a "capital do contrabando da América Latina".

"Ali há uma grande comunidade árabe e também uma perigosa organização terrorista que muitos desconhecem", segundo a fonte.

"O comércio e o contrabando na tríplice fronteira movimentam de US$ 2 a 3 bilhões anuais. Uma parte desse dinheiro acaba nas mãos do Hisbolá e os Estados Unidos dizem que ele acaba destinado a atos terroristas", acrescentou.

A reportagem contém imagens e declarações de "um militante" do Hisbolá. Ele confessa que "está disposto a sacrificar sua vida carregado de bombas em seu corpo para atacar os EUA".

"Eu vou pôr uma bomba em meu corpo e explodir. Não vou sentir medo. Eu nasci para morrer, não para viver. Eu nasci para defender minha terra e minha religião muçulmana", afirma.

No dia 1 de fevereiro, o porta-voz do Departamento de Estado americano, Sean McCormack, afirmou que seu país não tem informações sobre a expansão do Hisbolá na América Latina. Mas se preocupa com o time, que será investigado.

"É uma preocupação clara e algo que, é claro, nosso pessoal de operações antiterroristas acompanha de perto", afirmou McCormack.

A série será emitida às 18h30 (21h30 de Brasília) no leste dos EUA e uma hora mais cedo no centro do país. A "Telemundo" é de propriedade da "NBC".
 

Terça-feira, Fevereiro 20, 2007
 
Telemundo promete reportagem sobre presença do Hezbollah na fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai
 
Edição de Terça-feira de Carnaval do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com/

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Por Jorge Serrão

Às vésperas da visita oficial do cowboy George Bush e da pantera Condoleezza Rice (no próximo dia 8 de março), a rede de televisão Telemundo promete veicular uma reportagem revelando a presença de terroristas do movimento xiita libanês Hezbollah na região da fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai. A matéria do principal canal norte-americano em língua espanhola apenas confirma o teor de um relatório reservado divulgado meses atrás neste Alerta Total, advertindo sobre as ligações dos terroristas (não só árabes, mas do irlandês IRA do basco ETA) com organizações criminosas brasileiras (PCC e Comando Vermelho) e com o treinamento de “movimentos sociais” de cunho revolucionário, como o MST. Tudo sob orientação ideológica e operacional do Foro de São Paulo.

O governo Lula da Silva deverá negar tal informação, embora os serviços de inteligência das Forças Armadas e a própria Agência Brasileira de Inteligência (Abin) acompanhem de perto a livre circulação de terroristas na tríplice fronteira. A reportagem que será veiculada pelo “Noticiador Telemundo” tem o título "Hezbollah: ameaça terrorista na América Latina". O informativo da TV norte-americana adverte: "Quando muitos pensam que os terroristas saem apenas do Oriente Médio e do Afeganistão, o jornal Noticiador Telemundo mostra que a ameaça está na própria América Latina e pode chegar ao território americano".

A série será transmitida às 18h30 (21h30 de Brasília) no leste dos EUA e uma hora mais cedo no centro do país. A Telemundo é de propriedade da Rede NBC. A reportagem do correspondente Pablo Gato descreve a região da Tríplice Fronteira como a "capital do contrabando da América Latina". A reportagem adverte: “O comércio e o contrabando na tríplice fronteira movimentam de US$ 2 a US$ 3 bilhões anuais (entre R$ 4 e R$ 6 bilhões por ano). Uma parte desse dinheiro vai parar nas mãos do Hezbollah. Os Estados Unidos dizem que ele acaba destinado a atos terroristas”.

A reportagem contém imagens e declarações de "um militante" do Hezbollah, que confessa que "está disposto a sacrificar sua vida carregado de bombas em seu corpo para atacar os EUA". O radical antecipa: "Eu vou pôr uma bomba em meu corpo e explodir. Não vou sentir medo. Eu nasci para morrer, não para viver. Eu nasci para defender minha terra e minha religião muçulmana".

No dia 1.º de fevereiro, o porta-voz do Departamento de Estado americano, Sean McCormack, tentou despistar o assunto. McCormack afirmou que seu país não tem informações sobre a expansão do Hezbollah na América Latina. Mas diz que se preocupa com a questão, que será investigada.

Parceiros do terror

Dando seqüência à criminosa onda de invasões de terra iniciada no final de semana no Oeste de São Paulo, uma parte do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) - dirigida por José Rainha Jr. - e a CUT (Central Única dos Trabalhadores) fizeram ontem a 13ª invasão de fazendas em dois dias.

Segundo os organizadores, cerca de 2.000 pessoas participaram das ações.

Novas invasões estão programadas para ocorrer nesta semana.

No domingo, a parceria MST-CUT foi responsável por 12 invasões.

Nesta mais recente, o alvo dos sem-terra foi a fazenda Cachoeirinha, em Itapura (692 km a noroeste de SP).

Segundo a Polícia Militar, 60 membros do MST entraram no local por volta das 6h e começaram a montar barracos.

Mentira criminosa de sempre

Em nota, MST e CUT afirmaram que as ações têm objetivo de "denunciar a dura realidade da reforma agrária no País".

Rainha Jr já avisou que pedirá audiências com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o governador José Serra.

"Há uma paralisia no Incra, no Itesp. Vamos cobrar que a reforma seja prioridade".

Os proprietários das terras registraram boletins de ocorrência e devem pedir reintegração de posse amanhã, quando encerra o recesso dos fóruns.

CUT será processada

O presidente da UDR (União Democrática Ruralista), Luiz Antônio Nabhan Garcia, ameaça responsabilizar a CUT.

"Confirmando a participação da CUT, moveremos ações cível e penal. A CUT, diferentemente do MST, tem personalidade jurídica, deve ser responsabilizada por seus atos."

Para Nabhan, o MST "invade porque tem certeza da impunidade".

Quem financia o MST?

Dia 25 de janeiro, o jornal Estado de S. Paulo revelou o trabalho da ONG suíça E-Changer, parcialmente financiada pelo governo de Berna, junto ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

O montante do financiamento oficial para as atividades da E-Changer no Brasil teria atingido o equivalente a R$ 1 milhão, para o período 2005-2008.

A maior parte destes recursos se destina ao pagamento dos seus bem remunerados voluntários, que mostram como pode ser rentável a militância profissional.

Em uma reportagem do correspondente em Genebra, Jamil Chade, o jornal mostra que o Departamento de Cooperação e Desenvolvimento (DCC) do governo suíço financia várias ONGs que atuam em países estrangeiros.

Quanto ao MST, funcionários do DCC admitem estar a par de "alguns comportamentos irregulares do MST", mas se defendem afirmando que o governo suíço não apóia os "atos ilegais" do movimento.

Interferência indevida

A encarregada do Programa de Cooperação Bilateral e ONGs do DCC, Beata Godenzi, admitiu o financiamento à E-Changer, "que envia voluntários a organizações da sociedade civil brasileira, entre elas o MST".

A ONG afirma ter 50 voluntários atuando em seis países da América Latina (são citados o Brasil, Bolívia, Colômbia e Nicarágua) e África (Madagascar), "sendo o Brasil um dos pólos prioritários de sua atuação".

Embora não esteja explícito, a organização tem apoiado ativamente a "internacionalização" do MST, particularmente no eixo Brasil-Bolívia, como mostra o livro Máfia Verde 2: ambientalismo, novo colonialismo, de G.L. Lino, L. Carrasco, N. Costa e S. Palacios (Capax Dei, 2005).

Segundo ela, a ONG ajuda o movimento em questões de saúde, informática, reforço institucional e projetos agrícolas.

Grana recebida indiretamente

O MST não recebe o dinheiro diretamente, pois não tem sequer registro em cartório como uma sociedade ou pessoa jurídica legalizada.

Mas o movimento se beneficia da ajuda de bem remunerados voluntários no trabalho “revolucionário”.

Um dos beneficiados é o agrônomo Nathaniel Schmitt, atualmente sediado em Guaíba (RS), onde assessora o MST em projetos agrícolas.

Ele deverá receber 76,3 mil francos suíços (cerca de R$ 130 mil) até 2008.

Outro voluntário, baseado em São Paulo, receberia 35 mil francos suíços (R$ 60 mil) para se manter e conduzir programas no setor de saúde.

Uma voluntária não-identificada, enviada a Salvador (BA) para apoiar o MST em um projeto de "reforço institucional", envolvendo a mobilização de mulheres e a produção de materiais didáticos, receberá 40,3 mil francos suíços (R$ 69 mil) anuais.

Promoção por morte?

Acaba de ser promovida a inglesa Cressida Dicks, a oficial da New Scotland Yard que deu a ordem para que agentes matassem o brasileiro Jean Charles de Menezes no metrô de Londres.

A policial será responsável pela segurança da família real britânica.

Até agora, ninguém na Inglaterra foi punido pela estúpida morte de Jean.

Mais uma prova de que, para os ingleses, a gente só vale no que é explorado pelo capital transnacional que se reúne na City de Londres.

Outra morte

A polícia britânica investiga o assassinato do capixaba Acioli Pariz Júnior, de 29 anos.

O corpo dele, que vivia irregularmente no país, foi encontrado num quarto do hotel Westminster (sudoeste de Londres) na quarta-feira.

Laudo policial divulgado domingo informa que Pariz Júnior morreu após sofrer uma pancada na cabeça e duas perfurações por um objeto cortante no abdômen.

Um suspeito do crime foi detido ontem, segundo a Polícia Metropolitana de Londres.

O homem, de 55 anos, foi preso em Brighton, cidade litorânea do sul do Reino Unido. Seu nome e sua nacionalidade não foram divulgados.

Justiça lusitana

O casal de brasileiros acusado do homicídio de um menino de dois anos, que estava sob a guarda deles, conheceu ontem a sentença no Tribunal do Seixal, em Portugal.

Ela foi absolvida e ele foi condenado a 20 anos de cadeia pela morte do pequeno Yuri.

Isaac e Adriana Silva, ambos brasileiros de 31 anos, foram presos um mês após a morte de Yuri e ficaram em prisão preventiva.

Adriana saiu ontem em liberdade, depois de ser absolvida, enquanto o marido regressou à cadeia de Setúbal.

Isaac e Adriana Silva, ambos de 31 anos, chegaram a Portugal em 2000.

Ele fazia alguns trabalhos como electricista e ela tomava conta de crianças, assim como dos dois filhos, um de três meses e outro de quatro anos.

Se beber, não faça Justiça

O TRF (Tribunal Regional Federal) da 5ª Região, em Recife (PE), suspendeu por 15 dias a liminar da Justiça Federal no Ceará que proibiu, em todo o país, propagandas de cerveja entre as 6h e as 21h.

A decisão beneficia, pelo menos, a Ambev, uma das atingidas pela liminar.

O negócio agora é saber em que fonte jurídica os magistrados beberam para tomar tal decisão.

Vida que segue

Fiquem com Deus!

O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Inteligente, inovador, fortemente analítico e propositivo, utilizando as mais modernas tecnologias para transmissão instantânea e eletrônica de informação privilegiada e análise estratégica, junto com a difusão de novos conhecimentos voltados para a construção e consolidação de novos valores humanos.

Portugal e o futuro

Por José Luis Restán

 

Embrión humano
Los obispos portugueses se han reunido en asamblea para analizar los resultados del referéndum sobre el aborto, que a pesar de su fracaso legal (no alcanzó el preceptivo 50% de participación para ser vinculante) ha abierto la puerta a una ley que liberalizará el aborto en las diez primeras semanas de gestación. La Iglesia ha comprendido que su misión se desenvolverá, a partir de ahora, en un contexto cultural distinto.

Al leer la nota pastoral publicada por los obispos tras su asamblea en Fátima, me ha venido a la mente el título de un famoso libro escrito por el general Antonio de Spínola en 1974, Portugal e o futuro. Dicho libro detectaba los fermentos de un tiempo nuevo para la sociedad portuguesa, y de hecho se convirtió en la espoleta para la famosa "Revolución de los claveles". Ahora, los obispos han visto en el 11 de Febrero el comienzo de una nueva etapa, en la que la Iglesia desea entrar con realismo y sin nostalgias, consciente de la magnitud del desafío que plantea a su misión la mutación cultural revelada por los resultados del referéndum.

Si comparamos los resultados del primer referéndum sobre el aborto que se produjo en 1998 con los del pasado 11-F, vemos que el porcentaje de portugueses que apoyan explícitamente el proyecto de liberalización del aborto ha crecido diez puntos (del 16% al 26%). Los obispos comienzan su nota con el reconocimiento de que "el resultado favorable al sí es señal de una acentuada mutación cultural en el pueblo portugués, que debemos afrontar con realismo, pues indica el contexto en el que la Iglesia está llamada a ejercer su misión". Evidentemente estas cosas no suceden de la noche a la mañana, pero hay hechos y fechas que marcan jalones para la historia. El mérito de los obispos portugueses radica en no quedarse en la mera reacción a estos resultados, sino en contemplar la trayectoria del proceso que ha desembocado en ellos, una trayectoria en la que también ha influido "la fragilidad de la evangelización, especialmente en relación con los jóvenes".

La basílica de Fátima, en PortugalEn otro pasaje de la nota, los obispos dicen que todos los aspectos de la misión de la Iglesia deberán ser pensados, a partir de ahora, para actuar en un nuevo contexto social, y destacan que en esta nueva etapa serán necesarias creatividad y osadía, además de fidelidad a la verdad del Evangelio. Una clave esencial de la misión eclesial en este nuevo contexto, radica en la tarea de esclarecer las conciencias, en el marco de un gran debate de civilización. Los ecos del discurso del Papa en Ratisbona se hacen evidentes cuando los obispos hablan de la necesidad de sanar la razón, y ofrecen para ello la verdad revelada, transmitida por la Iglesia en el marco de una tradición viva.

Junto a esa clarificación de las conciencias, verdadero eje de la preocupación episcopal, se anima el compromiso de reforzar las estructuras de apoyo eficaz a las mujeres embarazadas que atraviesan dificultades, pues la decisión de abortar se toma, en la mayor parte de los casos, en situaciones de gran soledad y sufrimiento. La Iglesia asume que esta acción será una de sus prioridades para el futuro.

En este sentido es significativo el reconocimiento de la amplia y cualificada movilización por la vida, que se ha desarrollado en Portugal a raíz del referéndum. Los obispos desean que dicha movilización permanezca activa y encuentre una estructura estable, para que continúe su participación en el debate de civilización que debe permanecer abierto sea cual sea la legislación futura. Esta acotación es importante, dado que algunos exponentes del movimiento pro-vida no han ocultado su queja por la excesiva tibieza que, a su juicio, han mantenido algunos obispos durante la campaña. Lo cierto es que la Asamblea de Fátima no deja lugar a duda o reticencia alguna: "la lucha por la vida es una de las más nobles tareas civilizadoras, y no será el nuevo contexto legal el que frenará su prosecución; la Iglesia continuará fiel a su misión de anunciar el Evangelio de la vida en plenitud, y denunciar todos los atentados contra ella".

Seguramente hay que dejar atrás viejos esquemas ligados a un Portugal que ya no es. Me alegro de que los obispos no pierdan tiempo en lamentaciones, e inviten a sus comunidades a adentrarse sin miedo en esta nueva época. Hay mucho que construir, y el tiempo apremia.

La Doctrina Putin

16:11 @ 24/02/2007

Por Charles Krauthammer

Vladimir Putin.
El presidente –por no decir el padrino– de Rusia ha pronunciado un discurso en Múnich que ha fijado un nuevo patrón de antiamericanismo. No sólo ha acusado a EEUU de "sobreutilizar la fuerza", "despreciar los principios básicos del Derecho Internacional" y "sobrepasar sus fronteras nacionales (...) con las medidas económicas, educativas y políticas que impone a otras naciones", también ha denunciado que la proliferación de armas de destrucción masiva, que EEUU y sus aliados han estado combatiendo pese a la resistencia rusa, se debe a la "dominación" americana, que "alienta irremediablemente" a otros países a adquirirlas.
Tiene gracia, que critique el uso de la fuerza quien ha convertido Chechenia en una escombrera incandescente; que invoque el Derecho Internacional quien no ha consentido que Scotland Yard interrogue a los matones empapados en polonio de los que ésta sospecha asesinaron a Alexander Litvinenko (otro más de los opositores de Putin que muere antes de tiempo y en circunstancias no aclaradas); que hable de acoso a otros países quien ha llegado a cortar el suministro energético a Ucrania, Georgia y Bielorrusia para que cedan a su extorsión política y económica.
 
Menos gracia tiene, sin embargo, el significado del discurso de Múnich. Rusia vuelve por sus fueros. Ahora que le llueve el dinero procedente del gas y el petróleo, que ha consolidado su autoridad dictatorial en casa y hecho capitular a las compañías (nacionales y extranjeras) a las que había secuestrado activos, Putin profiere su más enérgica declaración en el sentido de que la Rusia postsoviética se dispone a reafirmar su posición en el escenario mundial.
 
Puede que su apariencia inocua explique que el pasaje más importante del discurso muniqués haya pasado prácticamente inadvertido. "Frecuentemente escucho llamamientos, procedentes de nuestros socios, entre los que se cuentan los europeos, para que Rusia desempeñe un papel cada vez más activo en los asuntos mundiales", dijo Putin. Y añadió: "Lo cierto es que no necesitamos que se nos incite a ello".
 
El ministro soviético de Asuntos Exteriores Andrei Gromiko se jactó una vez de que no había conflicto alguno que pudiera solucionarse sin tener en cuenta la postura y los intereses de la URSS. Esta descripción gromikiana de la influencia soviética constituye la mejor definición jamás formulada del término "superpotencia".
 
Sabemos cuánto añora Putin –para quien la desaparición de la URSS supuso la mayor catástrofe política del siglo XX– aquellos días en que Rusia era una superpotencia. En Múnich ni siquiera disfrazó su nostalgia por los tiempos de la Guerra Fría, de ahí que afirmara que en aquella época la "seguridad global" estaba garantizada por "el potencial estratégico de dos superpotencias".
 
En la ilustración, Putin sobre la tristemente célebre Lubianka, sede central del KGB.Putin lamenta con amargura que hoy sólo haya una superpotencia, un gigante que domina este "mundo unipolar". Sabe que Moscú no tiene los medios económicos, militares y demográficos necesarios para desafiar a América tal como lo hizo la URSS, de ahí que hable, modestamente, de una coalición de países agraviados, que podría encabezar Rusia, para contrarrestar el poder americano, y de ahí su cada vez más activa política exterior, que pasa por la firma de acuerdos militares con China, por la cooperación nuclear con Irán, por el suministro de armas a Siria y a Venezuela, por el apoyo diplomático y armamentístico al régimen genocida de Sudán, por el establecimiendo de relaciones cordiales con países que podrían sumarse a una alianza antihegemónica (léase antiamericana)...
 
¿Significa esto que ha vuelto la Guerra Fría? Lo cierto es que el ex agente del KGB que gobierna Rusia suelta de vez en cuando anacronismos marxistas, como ése del "capital extranjero" (en referencia a las compañías petroleras occidentales), y que ha llegado a insinuar que podría acabar con uno de los grandes logros de los últimos tiempos de la Guerra Fría, el acuerdo Zero Option, de 1987, con el objeto de poner en pie un sistema de misiles de alcance medio de tipo soviético.
 
Aun así, la agresividad de Putin no significa que hayamos vuelto a los tiempos de la Guerra Fría. Se trata de un tipo demasiado inteligente como para dejarse embaucar por algo tan absurdo como la economía socialista o la política marxista. Está encantado de no tener ataduras ideológicas, filosóficas o económicas. No hay enfrentamiento existencial alguno con Estados Unidos.
 
Putin se conforma con menos. Es, simplemente, un hampón que roba para sí y para sus secuaces –en su mayoría, ex agentes del KGB como él– los recursos económicos y políticos de su país. Y aunque esgrime los intereses nacionales rusos como excusa para adoptar una práctica diplomática que desafía a la potencia dominante, lo cierto es que hace lo que hace guiado exclusivamente por su propio interés.
 
Putin quiere hacerse con la influencia de que disfrutó la URSS de Gromiko –o siquiera con parte del reconocimiento internacional que se debe a Moscú–, pero sin pagar peaje ideológico alguno. No quiere aplastarnos, sino comernos la merienda. Se trata del retorno de la política del siglo XIX en su versión más basta y cruda. Putin no quiere tenernos como enemigos, pero en Múnich le dijo al mundo que Rusia ha pasado de ser socia a adversaria de América.
 
 
© Washington Post Writers Group

A perda da Amazônia

07:48 @ 26/02/2007

A perda da Amazônia
Helio Jaguaribe*

Num país como o Brasil, marcado por amplas e lamentáveis incúrias de parte do poder público, nada é comparável ao absoluto abandono a que está sujeita a Amazônia. O que está ocorrendo nessa área, que representa 59% do território, é simplesmente inacreditável.

Por meio de uma multiplicidade de processos, a Amazônia está sendo submetida a acelerada desnacionalização, em que se conjugam ameaçadores projetos por parte de grandes potências para sua formal internacionalização com insensatas concessões de áreas gigantescas - correspondentes, no conjunto, a cerca de 13% do território nacional - a uma ínfima população de algo como 200 mil índios.

Acrescente-se a isso inúmeras penetrações, freqüentemente sob a aparência de pesquisas científicas e a atuação de mais de cem ONGs. Recente reportagem publicada em caderno especial do Jornal do Brasil apresenta os mais alarmantes dados.

A Amazônia brasileira, representando 85% da Amazônia total, constitui a maior floresta tropical e a maior bacia hidrográfica do mundo, com um quinto da água doce do planeta, sendo, concomitantemente, a maior reserva mundial de biodiversidade e uma das maiores concentrações de minerais valiosos, com um potencial diamantífero na reserva Roosevelt 15 vezes superior ao da maior mina da África, reservas gigantescas de ferro e outros minerais na região de Carajás, no Pará, de bauxita no rio Trombeta, também no Pará, e de cassiterita, urânio e nióbio, em Roraima.

O dendê, nativo da Amazônia e nela facilmente cultivável, constitui uma das maiores reservas potenciais de biodiesel. Em apenas 7 milhões de hectares, numa região com 5 milhões de km², é possível produzir 8 milhões de barris de biodiesel por dia, correspondentes à totalidade da produção de petróleo da Arábia Saudita.

É absolutamente evidente que o Brasil está perdendo o controle da Amazônia. É urgentíssima uma apropriada intervenção federal

Os principais aspectos em jogo dizem respeito a formas eficazes de vigilância da região e de sua exploração racional e colonização. O Grupo de Trabalho da Amazônia, coordenado pela Abin, já dispõe de um importante acervo de dados, contidos em relatórios a que as autoridades superiores, entretanto, não vêm dando a menor atenção. É indispensável tomar o devido conhecimento dos relatórios.

Sem prejuízo das medidas neles sugeridas e de levantamentos complementares, é indiscutível a necessidade de uma ampla revisão da política de gigantescas concessões territoriais a ínfimas populações indígenas, no âmbito das quais, principalmente sob pretextos religiosos, se infiltram penetrações estrangeiras.

Enquanto a Igreja Católica atua como ingênua protetora dos indígenas, facilitando, indiretamente, indesejáveis penetrações estrangeiras, igrejas protestantes, nas quais pastores improvisados são, concomitantemente, empresários por conta própria ou a serviço de grandes companhias, atuam diretamente com finalidades mercantis e propósitos alienantes.

O objetivo que se tem em vista é o de criar condições para a formação de "nações indígenas" e proclamar, subseqüentemente, sua independência - com o apoio americano. Em última análise (excluída a eliminação dos índios adotada no século 19 pelos EUA), há duas aproximações possíveis da questão indígena: a do general Rondon, de princípios do século 20, e a atual, dos indigenistas.

Rondon, ele mesmo com antecedentes indígenas, partia do pressuposto de que o índio era legítimo proprietário das terras que habitasse. A um país civilizado como o Brasil, o que competia era persuadir, pacificamente, o índio a se incorporar a nossa cidadania, para tanto lhe prestando toda a assistência conveniente, dando-lhe educação, saúde e facilidades para um trabalho condigno.

Os indigenistas, diversamente, querem instituir um "jardim zoológico" de indígenas, sob o falacioso pretexto de preservar sua cultura. Algo equivalente ao intento de criar uma área de preservação de culturas paleolíticas ou mesolíticas no âmbito de um país moderno. O resultado final, além de facilitar a penetração estrangeira, é converter a condição indígena em lucrativa profissão, com contas em Nova York e telefone celular.

Há urgente necessidade, portanto, de rever essas concessões, submetendo-as a uma eficiente fiscalização federal, reduzindo-as a proporções incomparavelmente mais restritas e instituindo uma satisfatória faixa de propriedade federal, devidamente fiscalizada, na fronteira de terras indígenas com outros países.

Artigo originalmente publicado no jornal Folha de S.Paulo em 09/02/07

*Sociólogo e Integrante da Academia Brasileira de Letras

http://www.desempregozero.org.br/artigos/amazonia.php

Mas quando eu vi as comunidades relacionadas, eu perdi a coragem.

Daí, eu resolvi criar uma comunidade relacionada com a Guerra Civil Espanhola, Los Enigmas de La Guerra Civil. Até lá.

FALANDO GREGO

11:17 @ 28/02/2007

Assunto:
[Oito Colunas] FALANDO GREGO
Anexos:
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São Paulo, domingo, 25 de fevereiro de 2007

Para ler Platão no original

Sai no Brasil 1º dicionário de grego clássico-português, coordenado por pesquisadoras da Unesp

ERNANE GUIMARÃES NETO
DA REDAÇÃO

Com o lançamento do "Dicionário Grego-Português", uma demanda trivial do estudante brasileiro está sendo suprida -mas em partes. Planejada em cinco fascículos a serem lançados semestralmente, a obra (Ateliê Editorial, 264 págs., R$ 70 o primeiro fascículo) só deve estar totalmente disponível no segundo semestre de 2008.
O dicionário foi organizado por Maria Celeste Dezotti, Maria Helena Neves e Daisi Malhadas, professoras da Universidade Estadual Paulista, em Araraquara (SP), com a contribuição de pesquisadores de outras instituições, como a USP e a Universidade Federal do Rio de Janeiro. Com preocupações didáticas, este volume (com as letras de alfa a delta) organiza em tabelas as possibilidades de uso dos principais verbetes. Malhadas, professora aposentada da Unesp e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos, falou à Folha sobre a empreitada.

 

FOLHA - Por que lançar um dicionário de grego?
DAISI MALHADAS
- Há muito tempo há demanda por um dicionário, mas não tínhamos condições. Tivemos de estudar tudo de latim e grego em dicionários e gramáticas franceses. Esse projeto é antigo, mas a equipe começou mesmo a trabalhar em 1989, e devagar, na medida do possível.

FOLHA - O que esse trabalho tem de inédito no Brasil?
MALHADAS
- Tudo. Não tínhamos dicionário. Há o "Isidro" ["Dicionário Grego-Português", org. Isidro Pereira, ed. Apostolado da Imprensa, Portugal], mas não é tão completo.

FOLHA - E por que em fascículos?
MALHADAS
- Tivemos como modelo para os fascículos o dicionário feito na Espanha por Francisco Adrados. É claro que ele tinha uma equipe muito maior. Publicar em fascículos de certa maneira ajudou os pesquisadores, porque o dicionário pode entrar no cômputo das pesquisas. É um comprovante de produção.

FOLHA - Foi difícil convencer a equipe a fazer essa apresentação mais didática?
MALHADAS
- Desde o início houve o consenso em fazer um dicionário para o pesquisador, sim, mas apresentado da maneira mais clara possível. Tivemos a preocupação de distinguir as informações, dar um visual mais legível. Também há preocupação com o conteúdo didático -pergunto muitas vezes ao redator que apresenta o texto: "Isso está claro para um aluno?".

FOLHA - Qual foi a influência de dicionários canônicos, como o francês "Bailly" e o inglês "Liddell and Scott"?
MALHADAS
- As versões reduzidas foram base de consulta para chegarmos aos autores -depois fomos à fonte dos textos [originais do grego clássico e do Novo Testamento]. A partir dos exemplos de texto, aumentamos o número de verbetes em relação às versões abreviadas.

FOLHA - O "Dicionário" irá ajudar a popularizar o estudo do grego ou se trata de um nicho estável?
MALHADAS
- Desde que comecei a estudar grego ouço falar da morte do grego. Nas universidades, é como o teatro -está sempre morrendo. Sempre haverá quem tenha vontade de estudar uma língua como o grego e sua literatura mais a fundo.

FOLHA - O conhecimento do grego é imprescindível para estudar filosofia ou literatura?
MALHADAS
- Perguntam-me para que estudar o grego desde que comecei a estudá-lo. Eu procurava justificativas -como ser uma das origens da língua portuguesa, da filosofia, uma literatura da qual se originam gêneros atuais...
Atualmente digo que o grego não é produto de supermercado. Não vou procurar uma fórmula, para que serve. O grego tem a beleza da arte, é importante em si.



 

ECA: cumprir antes de modificar

11:19 @ 28/02/2007

ECA: cumprir antes de modificar

NEWTON LIMA NETO e AGNALDO SOARES LIMA


O exemplo de São Carlos, que reduziu os homicídios praticados por adolescentes, mostra que o ECA deve ser aplicado, e não modificado


COMO SERIA dizer que um remédio não é bom para uma doença ou, ainda, que é necessário dar uma dose maior para que ele produza o seu efeito antes mesmo que ele tenha sido administrado ao doente? Essa é a imagem que deveria vir às nossas cabeças quando se fala em mudança do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) ou em redução da idade penal.
Nem bem colocamos em prática os princípios contidos nessa lei, de 1990, nem experimentamos executar suas proposições pensadas e discutidas por quem atua na área e somos interpelados por aqueles que apenas a conhecem pelo "ouvi dizer" e, sob clima de comoção, querem propor mudanças ou estabelecer critérios mais duros na sua aplicação.
Solidarizar-se com a tragédia e a barbárie vivida pelo pequeno João Hélio e sua família é o mínimo que se espera de um cidadão consciente. Indignação é, por certo, atitude ainda mais adequada. O que fazer, porém, diante de fatos como esse exige de nós uma reflexão séria e a busca de uma solução consistente. Para continuar na comparação acima, não é a receita que cura o paciente, mas a administração regular do medicamento.
O adolescente é impulsivo, imprevisível, ousado. Isso nós já conhecemos e sabemos que faz parte das suas qualidades e também está presente nos seus erros. Por não acreditar no impossível, ele é capaz de fazer malabarismos impensáveis sobre uma bicicleta, um skate ou um par de patins.
Bem orientado, é capaz de canalizar tais atributos para grandes realizações. O que vemos muitas vezes, porém, são oportunidades negadas e uma contínua exclusão. Excluído da família, da escola, do lazer, da profissionalização, do trabalho e, não raro, até da sociedade pelo seu modo irreverente de se vestir e de andar.
Negamos as oportunidades, os deixamos à mercê do consumismo e da mídia que banaliza a violência e os valores morais e, quando caminham em direção ao delito, mais uma vez o que nos ocorre é a violação do direito.
O ECA contempla a situação do jovem que errou e, pedagogicamente, propõe um itinerário que o ajude a se reorientar de forma positiva. Serviços comunitários, liberdade assistida e semiliberdade são oportunidades que devem levá-lo a refletir sobre sua conduta antes que tome gosto pelos enganos do mundo da criminalidade.
Salvo raras exceções, programas de medidas socioeducativas inexistem ou têm péssima qualidade. Não investimos na prevenção e queremos relegar a responsabilidade à internação.
Chame-se por qualquer nome (Degase, Febem, Caje etc.) esses centros que se regem pelas mesmas leis dos cárceres e presídios para adultos. Não será o tempo que os jovens permanecem neles que irá tirá-los do mundo da criminalidade. Serão as oportunidades oferecidas e o que fizermos para que eles não precisem chegar lá.
São Carlos, no interior do Estado de São Paulo, vem apostando nessa fórmula. Em 2001, criou o NAI (Núcleo de Atendimento Integrado) e tirou do papel o art. 88, inciso V, do ECA. Começou a trabalhar na integração entre Estado e município, Judiciário, segurança pública, Ministério Público, assistência social, saúde, educação, ONGs e família. Uma ação ágil na intervenção junto ao adolescente autor de ato infracional, que se inicia a partir de pequenos desvios, que tem como centro da sua atenção a pessoa do adolescente, e não o delito praticado, tem trazido bons resultados.
A cidade, que em 1998 teve 15 homicídios praticados por adolescentes, viu cair este índice para no máximo dois por ano entre 2001 e 2005 e nenhum em 2006. O índice de reincidência de São Carlos fica em torno de 4%, contra uma média de 30% quando apenas há procedimentos convencionais de internação. Além disso, teve reduzido em 90% o número de internos na Febem quando comparado a municípios de igual porte.
A experiência, que busca sempre novos parceiros para melhorar ainda mais, é exemplo concreto de que o ECA precisa ser aplicado, e não modificado. Para multiplicá-la pelo país, basta vontade política de governantes, pois recursos financeiros não faltam -o interno da Febem, por exemplo, custa quatro a cinco vezes mais que um jovem atendido pelo NAI.
Além do mais, nenhum país resolveu o problema pelo endurecimento das leis. Reduzir a idade penal é ilusório, inócuo e contraproducente. Investir em educação, oportunidades e atenção é mais barato, eficiente e humano.

NEWTON LIMA NETO , 53, engenheiro químico, doutor em engenharia, é prefeito reeleito de São Carlos. Foi reitor da Universidade Federal de São Carlos de 1992 a 1996.
AGNALDO SOARES LIMA , 46, padre salesiano, é presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de São Carlos. Foi diretor do NAI/São Carlos desde sua implantação até 2004.