Grupos

O Brasil está prestes a fazer um servicinho déspota moribundo, rejeitado até pelo inferno, Fidel Castro: a Polícia Federal anunciou que vai deportar os lutadores de boxe Erislandy Lara, de 24 anos, e Guillermo Rigondeaux, de 25, que abandonaram a delegação do Pan, fugindo da ditadura. A alegação oficial: falta de documentos. É mesmo? Cadê o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) para interceder a favor dos dois rapazes? Cadê a oposição? Mandá-los der volta para Cuba corresponde a enviar dois inocentes ao calabouço de uma ditadura feroz. É evidente que eles merecem o estatuto de refugiados políticos. E a razão é óbvia: deixar a ilha sem a autorização do morto-vivo é um crime político.

Nessas horas, devemos mesmo sentir vergonha do governo que temos — e também de quem o elegeu, por que não? O país que quer enviar dois atletas à cadeia é o mesmo que concedeu asilo político definitivo a um terrorista das Farc: Camilo Collazzos, também conhecido como Padre Olivério Medina. Compreendo. Este senhor chegou a participar de reunião com petistas numa chácara nos arredores de Brasília, ocasião em que, segundo um agente da Abin, teria acenado com US$ 5 milhões para a campanha de Lula. Todo mundo nega tudo, é claro. O fato é que o relatório do agente existiu e que o Senado investigou a acusação. Uma coisa se pode afirmar com certeza: hostil às Farc, o governo brasileiro não é. Tanto que se ofereceu como território neutro para um encontro entre os narcoguerrilheiros e o governo colombiano. Neutro? Entre a institucionalidade o narcobanditismo, o Planalto se declara eqüidistante?

Volto aos cubanos. Volto a Medina. Um dos maiores entusiastas da concessão de asilo a Medina era Suplicy — onde houver um oprimido, ele está lá. Só não sei se faz o mesmo com os oprimidos do comunismo. Enquanto Medina esteve preso no Brasil, foi visitado pelo petista.

O Brasil tem um Conselho Nacional para os Refugiados (Conare). Ele é composto por representantes do:
- Ministério da Justiça, que o preside;
- Ministério das Relações Exteriores, que exerce a Vice-Presidência;
- Ministério do Trabalho e do Emprego;
- Ministério da Saúde;
- Ministério da Educação e do Desporto;
- Departamento da Polícia Federal;
- Organização não-governamental, que se dedica a atividade de assistência e de proteção aos refugiados no País – Cáritas Arquidiocesana de São Paulo e Rio de Janeiro;
- Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados – ACNUR, com direito a voz, sem voto.

Ao Comitê Nacional para os Refugiados cabe:
I – analisar o pedido sobre o reconhecimento da condição de refugiado;
II – deliberar quanto à cessação "ex officio" ou mediante requerimento das autoridades competentes, da condição de refugiado;
III – declarar a perda da condição de refugiado;
IV – orientar e coordenar as ações necessárias à eficácia da proteção, assistência, integração local e apoio jurídico aos refugiados, com a participação dos Ministérios e instituições que compõem o CONARE;
V – aprovar instruções normativas que possibilitem a execução da Lei nº 9.747/97.

O Conare tem um e-mail, a saber: conare@mj.gov.br
A Coordenação Geral do Comitê fica no Ministério da Justiça, Anexo II, sala 502. Os telefones são estes:
(61) 3226-3566 e 3218-3659
Fax: (61) 3226-2781

Mande o seu protesto. Entre na página do Senado (www.senado.gov.br) , veja os e-mails dos senadores e tente interceder em favor dos cubanos. Retransmita essa mensagem por e-mail, MSN, Orkut etc.

Em vez de puxar um livro da prateleira, você pode "puxá-lo" pela internet. Diversos sites oferecem download de obras digitais sobre os mais variados assuntos -muitas delas, gratuitas.
No site www.virtualbooks.com.br, há livros digitais grátis em português, em inglês e em outras quatro línguas. "Vinte Mil Léguas Submarinas", de Júlio Verne, "Os Lusíadas", de Camões, e até um título, digamos, metalingüístico, "Construindo uma Biblioteca Digital", de Ednei Procópio, estão entre as opções.
Som, imagem, texto e vídeo de diversas nacionalidades podem ser baixados em www.dominiopublico.gov.br, site do Ministério da Educação e que comemora um ano de existência.
Periódicos científicos da América Latina, do Caribe, de Portugal e da Espanha estão em www.latindex.unam.mx, iniciativa da organização Latindex, presidida pela vencedora do Nobel da Paz Ana María Cetto.
Links para outras revistas eletrônicas acadêmicas ou relacionadas à pesquisa podem ser encontrados em www.unisanta.br/biblioteca/revistas.html, no qual os títulos são divididos pelas áreas de ciências biológicas, exatas e humanas. Outro site de referência para pesquisa é o da Biblioteca Virtual do Estudante de Língua Portuguesa (www.bibvirt.futuro.usp.br). Teses, vídeos informativos, sons e imagens integram o acervo, que também oferece download gratuito de livros, em versões para desktop e para micros de mão.
Ainda no âmbito acadêmico, www.bartleby.com, em inglês, traz as coleções "Clássicos de Harvard" e "Oxford Shakespeare", além de títulos didáticos sobre a língua inglesa. Em www.capes.gov.br, página da Coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal de Nível Superior, o canal Banco de teses permite buscar por dissertações defendidas a partir de 1987.
A biblioteca do Congresso norte-americano (www.loc.gov) também dispõe de versão on-line, pela qual o internauta pode assistir a exposições virtuais, além de acessar conteúdo multimídia. Outras 18 mil bibliotecas compõem o catálogo do www.libdex.com, no qual há dezenas de endereços virtuais para cada nacionalidade. Exclusivo para a criançada, mas com apenas dois livros em português, a International Children's Digital Library (www.icdlbooks.org) traz publicações digitais ilustradas.
A Microsoft também dispõe de títulos gratuitos. Em www.microsoft.com/reader, há um canal de livros grátis, além de uma extensa lista de obras liberadas mediante pagamento e de softwares para leitura, como o Reader.

Best-sellers
Informações e discussões sobre e-books estão no site da International Digital Publishing Forum (www.idpf.org), que debate parâmetros para bibliotecas digitais.
A página traz uma lista dos best-sellers da rede. Na semana passada, "The Colorado Kid", do escritor americano de suspense Stephen King, encabeçava o ranking.
King foi um dos primeiros a lançar um livro em etapas pela rede. A estréia de "Riding the Bullet", em 2000, teve 500 mil cópias vendidas em 48 horas, mas o ritmo caiu nos trechos subseqüentes.
Poesias, contos e romances compõem o acervo on-line de www.hotbook.com.br/publico.htm. Nele, autores como Machado de Assis -que tem seus manuscritos digitalizados em www.machadodeassis.org.br- se misturam a escritores menos conhecidos, que têm na internet uma aliada para popularizar as suas obras.
(MB)

Projetos originam enciclopédias

DA REPORTAGEM LOCAL

A mais famosa enciclopédia virtual, a Wikipedia (www.wikipedia.org), poderá ganhar versões impressa e em CD-ROM. Seu fundador, Jimmy Wales, disse que os novos formatos ampliarão a consulta à enciclopédia aos locais que não dispõem de conexão à internet, como regiões da África.
Iniciada em 2001, a publicação recentemente ultrapassou a soma de 2 milhões de artigos, escritos em 25 línguas e produzidos voluntariamente por internautas de todo o mundo -estima-se que mais de 350 mil pessoas tenham colaborado com o projeto.
A Wikipedia é o mais famoso rebento da Wikimedia Foundation (www.wikimedia.org), cuja missão é encontrar maneiras gratuitas de dis seminar o conhecimento. Outra vertente da fundação é o Wikibooks, de livros digitais gratuitos, cujo endereço em português é pt.wikibooks.org.

Especialistas
Com estréia prevista para este mês, a enciclopédia Squidoo, em versão de teste em www.squidoo.com, promete reunir artigos de especialistas de várias áreas, a fim de fornecer conteúdos mais aprofundados e de estimular a discussão de temas entre os internautas por meio de fóruns.
A tradicional Britannica (www.britannica.com) pode ser consultada via internet, enquanto o site do Itaú Cultural (www.itaucultural.org.br) tem enciclopédias de arte visual, de poesia e de teatro.
(MB)

Guerra digital tem estantes como arena

DA REPORTAGEM LOCAL

Google, Microsoft e Yahoo! decidiram se enfrentar entre as estantes. Os três portais desenvolvem projetos de digitalização de livros, com o objetivo de incorporar as obras ao leque de resultados de suas buscas.
O programa mais avançado até o momento é o Google Print (www.print.google.com), pelo qual o internauta pode pesquisar por livros ou por assunto e visualizar capa, índice e trechos de publicações relacionadas.
Em cada resultado, são apresentados links de lojas on-line e de bibliotecas locais nas quais o livro em questão pode ser encontrado -é possível até buscar por edições usadas.
No último dia 3, cerca de 10 mil livros inteiramente digitalizados foram incorporados ao catálogo do Google, alimentado pelo acervo das bibliotecas das universidades de Michigan, de Harvard e de Stanford e da biblioteca pública de Nova York.
Mas, ao contrário do que se poderia supor, não é possível lê-los pela internet. O serviço permite apenas fazer buscas por trechos do livro nos quais determinada palavra aparece e informar o número de vezes em que esta se faz presente na obra. Com isso, o Google tenta apaziguar o ânimo das editoras que o acusam de pirataria.
Outr a iniciativa da empresa nesse sentido é o Publisher Program (print.google.com/publisher), um canal para que os autores enviem suas obras ao Google por espontânea vontade.

Grandes planos
Cuidados com proteção autoral também foram tomados pela Microsoft, que iniciou sua empreitada pela digitalização literária por obras de domínio público.
A grande fonte alimentadora do acervo será a British Library, a principal biblioteca britânica. Cerca de 25 milhões de suas páginas de papel ganharão versão digital para compor o MSN Book Search, a ser lançado em 2006. O investimento da empresa deve chegar a US$ 200 milhões.
Com planos ainda mais abrangentes, o Yahoo! pretende incluir em seu acervo não só livros mas também arquivos de vídeo e de áudio. Em parceria recentemente anunciada com a Open Content Alliance, organização composta pelo Yahoo!, Adobe, Hewlett-Packard, Internet Archive, O'Reilly Media e pelas universidades da Califórnia e de Toronto, o projeto será abastecido por contribuições voluntárias dos autores e não pretende abranger obras com proteção autoral, a não ser que haja uma autorização expressa dos detentores dos direitos.

Livraria
A Amazon (www.amazon.com), uma das primeiras e maiores livrarias on-line do mundo, anunciou dois serviços relacionados à digitalização de livros, prometidos para 2006.
Pelo Amazon Pages, os internautas terão a opção de adquirir apenas trechos das publicações, pagando alguns centavos de dólar por página comprada -o preço ainda não foi definido e poderá variar conforme a obra. Já pelo Amazon Upgrade, quem comprar um livro físico poderá, mediante pagamento de uma taxa, ter acesso permanente a uma versão on-line do mesmo.
Há alguns anos, a livraria permite que o intern auta dê uma olhadela nas páginas digitais do livro antes de decidir comprá-lo. Segundo o criador da Amazon, Jeff Bezos, o canal, chamado Search Inside the Book, fez com que os livros que são folheados virtualmente apresentassem 8% de aumento nas vendas.
(MB)

 

Folha de São Paulo, quarta-feira, 16 de novembro de 2005