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Grupo O reino de Deus

19:34 @ 15/06/2007

O religioso, de qualquer religião, ou está convicto de que a sua religião levará o mundo ao paraíso na Terra se lhe for dada a chance, ou tem uma consciência, provavelmente mínima e inevitável, dos erros da sua religião e crê que esses erros pertencem ao passado. Mas o não-religioso tem experiência de preconceito da parte dos religiosos, assim como percebe a influência da religião mais na direção do Inferno que na do Céu.

O grupo O reino de Deus foi criado para divulgar e receber notícias sobre a verdadeira face da religião:

  1. intolerância religiosa,
  2. abuso de poder,
  3. abuso de autoridade,
  4. restrição do acesso à internet e do uso de computadores,
  5. repressão ao sexo extraconjugal e à pornografia

e assuntos correlatos.

O que a brutalidade estatal tem a ver com a religião? Primeiro, a religião não existe por si só, mas como um instrumento para controlar o povo. Segundo, a religião ordena que o povo obedeça a autoridade secular (a não ser, é claro, quando não convém à religião institucionalizada). Na Bíblia, por exemplo, está escrito: "A Deus não amaldiçoarás, e o príncipe dentre o teu povo não maldirás" (Êx 22. 28).

A restrição do acesso à internet é uma política de controle do uso dos computadores para fins políticos e laborais, embora os administradores estejam certos em parte, especialmente os com melhor intenção. É tornar a internet algo virtual, no sentido pejorativo. E o que o controle de acessos tem a ver com a religião? Ele neutraliza os terríveis perigos das páginas atéias, dos jornais não comprometidos, das páginas de sexo e da própria informação em si.

Se virmos o sexo como algo sujo, nos limitaremos à reprodução, que em um regime de exploração significa reposição de mão-de-obra. Também nos dedicaremos mais ao trabalho, tanto por abominar o prazer quanto para canalizar a sexualidade sufocada. Toda a visão maculada que temos do sexo vem da religião. Qualquer pessoa com um conhecimento razoável da pornografia sabe que nem sempre ela é degradante e degenerada.

Se tiver alguma denúncia ou quiser mandar alguma notícia sobre agressão contra ateus ou membros de grupos religiosos minoritários (como de uma cidade católica contra evangélicos), comunidades ou páginas sobre sexo ou ateísmo removidas, repressão policial contra manifestações pacíficas e outros assunto do gênero, pode enviar para

oreinodedeus@grupos.com.br

Se quiser receber os textos do grupo via correio eletrônico, inscreva-se no grupo

http://www.grupos.com.br/group/oreinodedeus

Irão: pena de morte para pornografia

2007/06/14 | 00:39

Parlamento aprovou projecto-lei que visa atingir indústria cinematográfica

O parlamento iraniano aprovou um projecto-lei que poderá levar à pena de morte pessoas condenadas por trabalharem na indústria cinematográfica da pornografia, informa a CNN.

Com 148 votos a favor, cinco contra e quatro abstenções, os legisladores presentes no parlamento aprovaram um texto onde se prevê que "produtores e outros agentes importantes envolvidos em trabalhos de cariz pornográfico são considerados corruptores do mundo e poderão ser condenados à punição destinada a todos os corruptores do mundo".

Este termo, "corruptores do mundo", é retirado do Corão e é considerada como a maior ofensa criminal. Segundo Código Penal Islâmico a sanção será a pena de morte.

Entre os outros "agentes importantes" estão incluídos realizadores, operadores de câmara e actores que estejam envolvidos no filme pornográfico. Também ficou estipulado que os distribuidores desses vídeos, assim como quem os publicar na internet, terão uma punição que vai de um ano de prisão à pena de morte.

Para que o texto aprovado no parlamento seja transformado formalmente em lei terá de passar pelo Conselho dos Guardiães, que irá analisar este projecto.

IRÃO: pena de morte para pornografia [online]. Portugal Diário, [s. l.], 14 de junho de 2007, Internacional. Disponível em: <http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=820761&div_id=291>.

 

Comentário do Diário Ateísta (http://www.ateismo.net/diario/2007/06/o-iro-e-pornografia.php)

Sem me atrever a dizer que as outras são boas, o Islão não é uma religião recomendável, é um anacronismo entre a crueldade e a demência, o sistema de valores de primatas que sofreram mutações genéticas e perturbações mentais.

Uma religião que discrimina a mulher não é um caso de fé, é um problema de polícia. O clero que aceita casamentos de meia hora e condena à morte quem se prostitua não é um corpo religioso, é uma associação de malfeitores com requintes de hipocrisia e laivos de malvadez.

Se 148 imbecis, com apenas 5 votos contra e 4 abstenções, votam no parlamento, um decreto-lei que pode condenar à morte quem trabalha no cinema pornográfico, não se limitam a impor a moralidade, aplicam a barbárie do totalitarismo religioso.

Se não combatermos ideologicamente a imbecilidade mística que brota dos antros da fé, corremos o risco de oferecer o pescoço ao cutelo, o corpo à lapidação e a liberdade aos fanáticos de Deus. O mundo regressará à Idade Média com fogueiras em nome de Cristo e apedrejamentos para glória de Maomé.

Deus é grande, do tamanho da insânia dos homens e da maldade dos clérigos. Se não pudermos vencer a demência dos seus padres é a civilização que entra em agonia e as sociedades livres e tolerantes que estão condenadas.

Deus é a grande maldição da modernidade, o mito abjecto que odeia a felicidade e que dispõe de exércitos de sotainas capazes de nos tirarem, mais do que a vida, a liberdade que o mundo penosamente conquistou em luta contra as Igrejas.

Sofia Branco

04/08/2002

Mesquita de Lisboa, duas da tarde de uma sexta-feira, dia sagrado para os muçulmanos. Envergando uma túnica larga em tons de amarelo e preto que deixa por vezes ver a nudez interior, a fanateca [nome guineense dado à mulher que pratica a excisão] diz de imediato que não está disposta a revelar nem denunciar o ritual feminino que implica o corte do clítoris. Fala da "vergonha" que seria um filho seu ver a prática exposta num jornal e, com isso, perder o carácter secreto que lhe está ligado.

Exprimindo-se em fula [dialecto da tribo com o mesmo nome, uma das etnias muçulmanas mais expressivas da Guiné] e fugindo ao olhar da jornalista, a septuagenária sem nome lá vai dizendo que "é uma coisa dolorosa" e que se pode "salvar ou morrer".

Zangada e desconfiada, faz questão de deixar bem claro que só está ali a conversar porque o líder da comunidade guineense muçulmana em Portugal, que fez as apresentações e teve de assegurar a tradução do diálogo, lhe tinha pedido.

Há 15 anos em Lisboa, a fanateca assume ter feito excisões na Guiné, mas garante que em Portugal "ainda" ninguém lhe pediu e recusa-se a "pôr o segredo das mulheres a nu".

A dada altura chora, porque já se está a "falar há tempo demais" sobre o assunto. No final da conversa é-lhe colocada uma hipótese que a faz mudar radicalmente de atitude. "Se eu me apaixonasse por um guineense muçulmano e ele quisesse casar comigo, pedindo-me para ser excisada, e eu aceitasse o pedido, poderia fazê-lo em Portugal?", questiona a jornalista. Brilho nos olhos e resposta afirmativa. Não faltaria quem fizesse. Segue-se a advertência de que a intervenção implica sofrimento, porque é feita "sem anestesia", e o conselho de se fazer acompanhar por quatro mulheres, "para a segurarem". Fora isso, era só o futuro marido "dar a ordem" e, obviamente, pagar o preço da excisadora.

A conversa termina já a mesquita se esvaziou de gente. O líder da comunidade muçulmana da Guiné, Manso Baldé, que antes tinha confirmado ao PÚBLICO.PT que a mutilação genital feminina (MGF) era praticada em Portugal e que apresentou a septuagenária como sendo uma fanateca, despede-se perguntando à jornalista se percebeu que a anciã "não quis contar" tudo o que sabia. Ainda há tempo para mais uma troca de palavras com a fanateca. Segura as mãos da jornalista e insiste: "Então, sempre quer fazer?".

Duas filhas morreram depois da excisão

Nova tentativa. Quinta do Mocho num dia de sol. Tchambu recebe o PUBLICO.PT em sua casa. Guineense, muçulmana e excisada, não tem dúvidas em dizer que a MGF "só prejudica a mulher". Originária da tribo biafada, Tchambu não conseguiu evitar que a filha mais velha também fosse excisada, por pressão da avó, mas impediu que a mais nova tivesse o mesmo destino.

Segundo Tchambu, enquanto nas outras tribos o fenómeno tende a desaparecer, no caso dos fulas - a etnia do seu companheiro actual - trata-se de um ritual "indispensável e obrigatório". "Eles fazem o que viram os antepassados fazer", afirma. Tchambu já teve discussões com o marido sobre a MGF. Apesar de duas das suas filhas terem morrido na sequência do fanado - nome do ritual guineense que marca a passagem da infância à idade adulta e que inclui a circuncisão, no caso dos rapazes, e a vulgarmente chamada excisão, no caso das raparigas -, o marido continua a dizer que o ritual "é um dever para um muçulmano" e considera que as filhas "morreram em combate".

Tchambu dispõe-se a ajudar o PUBLICO.PT a encontrar outra fanateca. Recorre à irmã, que é "muito religiosa". Bobadela, no mesmo dia de sol. A irmã, mais velha, diz, num português difícil de compreender, que conhece "senhoras que fazem" e que em Portugal "manga [muitas em crioulo] meninas" já foram excisadas. Com uma neta recém-nascida, ela própria admite que levará a criança para a Guiné "para fazer lá". Dois encontros marcados com a fanateca, dois encontros adiados. "A senhora manda dizer que se quiser fazer tudo bem, mas se for para denunciar não vai falar".

"As mulheres que não são excisadas não prestam"

Sendo que na Guiné o ritual se mantém, a questão da conservação da prática no seio da comunidade residente em Portugal, na sua grande maioria concentrada em Lisboa, é inevitável. O PUBLICO.PT conversou com vários guineenses, muçulmanos e não muçulmanos, e a resposta foi quase sempre afirmativa, incluindo invariavelmente o "já ouvi falar de casos".

Três líderes da comunidade muçulmana guineense em Portugal, dois fulas e um mandinga, não hesitaram em confirmar a manutenção da prática. Durante um encontro com o PUBLICO.PT, também na mesquita de Lisboa, os três membros da Associação de Muçulmanos Naturais da Guiné garantiram que a comunidade residente em Portugal "ainda faz o fanado", masculino e feminino. Com uma diferença: enquanto os rapazes são circuncidados nos hospitais, entre os nove e dez anos de idade, as meninas são excisadas em casa, recorrendo-se a uma anciã e normalmente ainda bebés, "com dois ou três anos, porque é mais fácil nessa altura".

Admitindo que a festa associada ao ritual vai-se perdendo e que a tradição está "actualmente reduzida à excisão", os três responsáveis falaram da excisão feminina com a naturalidade com que se fala de outra tradição qualquer, reconhecendo, no entanto, que se trata de "uma cerimónia muito delicada" e que pode, quando mal feita, conduzir à morte.

Muitas das vezes, quando algo corre mal no procedimento, costuma culpar-se a menina, porque já era impura, ou os pais da menina, porque não a educaram na pureza, ou atribui-se o fracasso a uma qualquer intervenção divina.

Admitindo o carácter "secreto" da prática, os líderes muçulmanos adiantaram desde logo que as excisadoras "têm medo de ser identificadas, agora que há muitas organizações por aí que combatem" a MGF.

"Os usos e costumes não devem ser abandonados. Há uma tendência [na Europa] para monopolizar a civilização e cultura dos outros. Não deviam pôr em causa [os nossos valores], nem dizer 'A nossa civilização é mais bonita do que a vossa'", criticou Alage Mamadu Dumbiá, um dos membros da associação. "Não é crime, não pode ser crime, porque é a nossa tradição. É um símbolo da nossa identidade, uma forma de continuarmos a saber quem somos, fora do nosso país", defendeu.

"Para nós, as mulheres que não são excisadas não prestam", explicaram os responsáveis. Na Guiné, utilizam-se até duas denominações diferentes para os excisados e não excisados. Aos primeiros, chama-se "lambé", que quer dizer "a pessoa que já sabe", aos outros chama-se "blufe".

O argumento de Abraão

Os responsáveis lembraram ainda que "há uma história" por trás da MGF. Conta-se que Abraão (ou Ibrahim, em árabe) casou com a bela mas estéril Sara. Foi ela própria que lhe sugeriu que tomasse outra mulher, que lhe desse descendentes. Abraão escolheu Agar, a escrava egípcia, que engravidou. Existem várias versões do fim da história, mas a que interessa para o caso conta que Sara, apercebendo-se do interesse crescente de Abraão por Agar, virou a sua ira contra a escrava, mutilando o seu órgão sexual. A este episódio relacionado com o profeta e patriarca das três religiões monoteístas, as fontes acrescentaram ainda que, durante os períodos de guerra, quando os homens saíam para combater, "era preciso tornar as mulheres mais frias, para que não procurassem sexo o tempo todo".

Reconhecendo a eventualidade de graves consequências para a saúde das mulheres, a MGF é vista por estes três homens como algo que "não é mau em si" e que "até tem aspectos positivos", nomeadamente o de obrigar à fidelidade ao marido, "evitando doenças, porque as mulheres se contêm para ter relações sexuais" e tendem a "conservar-se". Apesar disso, a prática "torna a mulher sempre higiénica". No entanto, realçam, a excisão feminina "não é uma obrigação".

Também o presidente da Associação Guineense de Solidariedade Social, Fernando Ká, disse já ter ouvido falar de "casos" de MGF no seio da comunidade guineense muçulmana residente em Portugal, mas não dispor de detalhes. Achando "possível" que a excisão feminina seja praticada em Portugal, Fernando Ká sublinha que não o será "em grande escala", mas apenas "por um número pouco significativo de pessoas". No entanto, confirmou, alguns pais levam as filhas para a Guiné para serem excisadas.

Por seu lado, Manso Baldé, o presidente da Associação de Muçulmanos Naturais da Guiné, sublinhou que essa opção é "muito dispendiosa" e garantiu que "é mais frequente" fazer-se em Portugal. Virgínia, uma enfermeira que há muito combate a MGF na Guiné, mais conhecida como "tia Bitcho", adiantou ainda que os guineenses muçulmanos a residir em Portugal que tenham posses "mandam buscar" uma fanateca no país de origem, pagando-lhe as despesas para vir a Lisboa.

Confirmando que "as mulheres guineenses muçulmanas a viver em Portugal são todas excisadas", Fernando Ká afirmou acreditar que "a geração mais nova já não está tão susceptível à prática". Esta ideia foi também partilhada pelos membros da Associação de Muçulmanos Naturais da Guiné, que afirmam que o ritual "tem tendência para diminuir". No entanto, ninguém quer ser "o dessacralizador do sagrado", confessaram.

BRANCO, Sofia. O holocausto silencioso das mulheres a quem continuam a extrair o clítoris [online]. Publico.Pt, [s. l.], 04 de agosto de 2002. Disponível em <http://dossiers.publico.pt/shownews.asp?id=167064&idCanal=967>

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Comentários de O Reino de Deus

Àqueles religiosos cujas religiões não têm esse hediondo costume, digo que não se orgulhem. Qual é a religião onde a mulher, quando não é agredida ou humilhada, é desprezada? Na Bíblia cristã, por exemplo, em quais textos o desejo sexual das mulheres é reconhecido?

Dt 22. 20 - 21: "Porém se isto for verdadeiro, isto é, que a virgindade não se achou na moça, então levarão a moça à porta da casa de seu pai, e os homens da sua cidade a apedrejarão, até que morra; pois fez loucura em Israel, prostituindo-se na casa de seu pai; assim tirarás o mal do meio de ti."

Pv 7. 10 - 23: "E eis que uma mulher lhe saiu ao encontro com enfeites de prostituta, e astúcia de coração. Estava alvoroçada e irriquieta; não paravam em sua casa os seus pés. Foi para fora, depois pelas ruas, e ia espreitando por todos os cantos; e chegou-se para ele e o beijou. Com face impudente lhe disse: Sacrifícios pacíficos tenho comigo; hoje paguei os meus votos. Por isto saí ao teu encontro a buscar diligentemente a tua face, e te achei. Já cobri a minha cama com cobertas de tapeçaria, com obras lavradas, com linho fino do Egito. Já perfumei o meu leito com mirra, aloés e canela. Vem, saciemo-nos de amores até à manhã; alegremo-nos com amores. Porque o marido não está em casa; foi fazer uma longa viagem; levou na sua mão um saquitel de dinheiro; voltará para casa só no dia marcado. Assim, o seduziu com palavras muito suaves e o persuadiu com as lisonjas dos seus lábios. E ele logo a segue, como o boi que vai para o matadouro, e como vai o insensato para o castigo das prisões; até que a flecha lhe atravesse o fígado; ou como a ave que se apressa para o laço, e não sabe que está armado contra a sua vida."

I Tm 4. 6: "Mas a que vive em deleites, vivendo está morta."

Quase todos os mandamentos bíblicos sobre a sexualidade são voltados para os homens. Por exemplo, Moisés não falou sobre cobiçar o marido da próxima (Êx 20. 17) e o Filho de Deus não falou sobre uma mulher olhar para um homem com intenção impura (Mt 5. 28).

A mutilação genital é apenas a manifestação sem hipocrisia da política de quase todas as religiões em relação às suas mulheres, para que elas se tornem assexuadas, o que os cristãos, especialmente as senhoras idosas, querem nos convencer que toda mulher é em condições normais.

Walter Nunes Braz Junior

A Mutilação Genital Feminina

15:54 @ 25/06/2007

A mutilação genital feminina (MGF), também chamada de excisão e, impropriamente, de circuncisão feminina, é a retirada do clitóris. O clitóris, para quem não sabe, é uma protuberância na união superior dos pequenos lábios, logo abaixo da união superior dos grandes lábios. Os grandes lábios e os pequenos lábios são, respectivamente, as duas pregas de pele e as duas pregas de tecido mucoso da vulva (órgãos genitais femininos externos). A excisão é praticada especialmente no norte da África, muçulmano, mas também é praticada entre grupos muçulmanos em Portugal e em tribos indígenas da Amazônia. Em alguns lugares, é feita no início da adolescência. Em outros, ainda na infância, às vezes aos 2 anos de idade.

O objetivo da excisão, mesmo quando não declarado, é a produção de mulheres que, com a sexualidade prejudicada, serão fiéis aos seus maridos. Isso porque o clitóris é o equivalente do pênis na mulher, sendo inclusive mais sensível que a glande (a "cabeça" do pênis). Ah, esqueça o que ouviu sobre o ponto G.

A excisão, além de cortar o mal do prazer sexual pela raiz, também traz problemas de saúde. Como ela é feita, não raro, sem anestesia e com objetos contaminados, costumam haver sequelas como dor ao urinar.

Há quem defenda a excisão com a justificativa do respeito a outras culturas. Isso é cinismo, ignorância, canalhice ou imbecilidade! Quem está falando em cultura? Quem é "neutro", ache qualquer coisa séria sobre a excisão que não mencione problemas de saúde, problemas sexuais e discriminações contra as mulheres que não a fazem. Não somos nós que desrespeitamos essas mulheres que sentirão dor a cada vez que urinarem por causa de uma mutilação. Os que, por exemplo, acreditam que o clitóris é um pênis em formação, ignorando que é raro um clitóris com 3 ou 4 centímetros, poderiam ser esclarecidos sem que isso significasse um desrespeito. E os indivíduos que acreditam que as mulheres não têm direito do prazer sexual não merecem ter essa visão respeitada.

Mas a excisão é apenas um caso mais agressivo da repressão sexual sofrida por centenas de milhões de mulheres. Assim como as meninas de onde a excisão é praticada geralmente não precisam ser forçadas a fazê-la, as mulheres de outros lugares do mundo também sofrem uma excisão mental. Apenas as cristãs e as muçulmanas são mais de um bilhão e meio. No Brasil, por exemplo, qual mulher nunca desqualificou uma outra por ela ser "galinha"? Qual mulher se incomoda com o fato de que se a "galinha" e a "mulher de respeito" fossem homens, a primeira seria o "garanhão" e a segunda o "boiola"? Qual mulher consegue admirar um belo homem antes de observar o seu carro ou lembrar-se de que ele não é o seu namorado? Quantas mulheres casadas se incomodam se passarem mais um mês sem gozarem? Qual mulher não vê o sexo como algo abominável, salvo quando pode usá-lo para conveniências ou como obrigação do casamento? Qual moça ou jovem solteira sabe pensar em ser feliz, inclusive com uma boa vida sexual, sem pensar em quando vai conseguir se casar?

O Reino de Deus - oreinodedeus@grupos.com.br