Marido ciumento mata mulher na frente da
filha de três anos. A criança ficou em estado de choque. O casal
freqüentava a Igreja Pentecostal Deus é Amor.
Um crime violento,
cruel, ou melhor, brutal, que lembra filme de terror. O fiscal de loja,
Alexandre Cristiano Portela da Silva, 27 anos, matou a companheira, a
caixa de farmácia, Daniele Soares Ferreira, 24 anos. O assassinato
ocorreu terça-feira (6), por volta das 7h30, na casa do casal, na
quadra 205, em Santa Maria. Daniele foi a quarta mulher morta em menos
de um mês.
Alexandre foi preso em
flagrante, quando tomava banho na casa da mãe, na quadra 303 da mesma
cidade, para lavar o sangue do corpo.
O casal vivia junto há
cinco anos. Morena, olhos escuros, cabelos crespos e cumpridos, Daniele
era considerada uma mulher bonita. A beleza e a meiguice da jovem
causava uma certa dose de ciúme doentio em Cristiano. Durante algum
tempo, ele a manteve o sentimento reprimido, mas, nos últimos meses,
isso aflorou e ele passou a agredir a companheira com palavras. As
agressões, com certeza, minaram o relacionamento entre eles.
Daniele queria se
separar. Não suportava mais o companheiro. Ele, ao contrário,
procurava, a todo custo, encontrar um mínimo de razão para manter a
chama do amor acesa. No dia do crime, antes do café, o casal discutiu.
Daniele voltou a falar da separação e teria afirmado ter outro homem. O
assunto deixou o companheiro profundamente irritado.
Para não discutir na
frente da filha, Cristiano afirma ter pegado um iogurte na geladeira e
dado à filha para que ela ficasse no quarto e não visse a discussão.
Mas ela não ficou no quarto, acompanhou tudo.
Enciumado com a
possibilidade de perder a mulher, ele pegou uma faca na cozinha da casa
onde o casal morava de aluguel e golpeou Daniela, impiedosamente, 29
vezes, na frente da filha. A faca ficou cravada no peito da vítima. O
corpo, sobre uma enorme poça de sangue ficou na sala.
Após o assassinato,
Cristiano abandonou a casa. Carregava a filha, completamente assustada
com a morte da mãe, no braço direito e a camisa na mão esquerda. A
calça estava suja de sangue. Aparentava total descontrole. Foi para a
casa da mãe. Antes, porém, passou na casa de uma de uma conhecida, mas
a mulher não abriu o portão. Foram os próprios vizinhos que, chamaram a
Polícia Militar e revelaram o crime, depois de ouvir a criança dizer:
“Pai pegou a faca e furou mãe. Ela estava toda suja de sangue”.
No momento em que os PMs
chegaram à casa da mãe de Alexandre, ele tentou enganá-los. Correu para
o banheiro e se escondeu no box. No entanto, quando os policiais
retiraram a cortina o encontraram. Levado para a 33ª Delegacia de
Polícia (Santa Maria), o acusado foi autuado em flagrante por homicídio
qualificado (motivo fútil e sem chance de defesa para a vítima). Agora,
o rapaz, que jamais havia se envolvido em caso de polícia, poderá ser
condenado a uma pena de 30 anos de prisão e passar o resto da vida na
cadeia.
Parentes e vizinhos de
Daniela ficaram surpresos com a tragédia. Eles afirmaram que o
relacionamento do casal era tranqüilo e que sequer discutiam. Uma tia
da vítima, que pediu para não ter o nome divulgado, disse: “Recebemos a
notícia com espanto porque não sabíamos que havia desentendimento entre
eles”.
Em entrevista exclusiva
ao repórter Sílvio Linhares, da Rádio Atividade e do Jornal Na Polícia
e Nas Ruas, Alexandre confessou a morte da companheira. Veja um trecho
da entrevista.
Silvio – Você é um rapaz de boa índole. Porque um crime tão cruel?
Alexandre – Perdi a cabeça no momento em que ela disse que tinha outro
e não aceitou meus carinhos. Foi loucura total, disse chorando.
Sílvio - Quantas facadas você deu em sua mulher?
Alexandre – Não sei. Não contei. Tudo foi muito rápido. Apenas fechei
os olhos e enfiei a faca. Foi ciúme. Eu gostava muito dela.
Sílvio – Você está arrependido?
Alexandre – Sim. Estou muito arrependido, mas agora é tarde demais.
JORNAL NA POLICIA E NAS RUAS. Marido mata mulher com 29 facadas - 71ª Edição. Disponível em <http://jornalnapoliciaenasruas.uniblog.com.br/160952/marido-mata-mulher-com-29-facadas---71%AA-edicao.html>.
Acesso em 08 de outubro de 2007.
Comentários de O Reino de Deus
O meu enfoque nesse caso
não é o fato de que o casal freqüentava uma igreja evangélica, embora,
confesso, isso tenha me chamado a atenção. Quem tem o hábito de ler o
blog O Reino de Deus sabe que essa não é a nossa linha. Notícias sobre
pastores envolvidos com tráfico de drogas, padres pedófilos e outras do
gênero podem ser divulgadas sem que isso seja uma calúnia contra o
Cristianismo, já que existem esses tipos de casos. Tais notícias também
demonstram, como se houvessem argumentos para afirmar o contrário, que
os cristãos não são moralmente superiores ao resto da humanidade. No
entanto, falar de clérigos envolvidos em escândalos sexuais e coisas
desse nível soa como ataque pessoal, e também creio que o ataque
pessoal é um recurso de pessoas sem argumentos que perderam uma
discussão e que não conseguem aceitar ou refutar o que as desagrada.
O que pretendo destacar
é que o assassinato foi movido pelo ciúme, ciúme gratuito como está
descrito no texto. Se você acredita que o ciúme ou mesmo o adultério
comprovado não justificam o assassinato do cônjuge, você está apenas
pensando como um cidadão do século XXI de algum lugar saído da Idade
das Trevas. Mesmo a lei brasileira aceitava a "legítima defesa da
honra" para justificar um assassinato por ciúmes até não muito tempo
atrás. E a Bíblia, o guia moral inspirado por Deus, como trata a
questão do ciúme?
"Fala
aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando a mulher de alguém se
desviar, e transgredir contra ele, de maneira que algum homem se tenha
deitado com ela, e for oculto aos olhos de seu marido, e ela o tiver
ocultado, havendo-se ela contaminado, e contra ela não houver
testemunha, e no feito não for apanhada, e o espírito de ciúmes vier
sobre ele, e de sua mulher tiver ciúmes, por ela se haver contaminado,
ou sobre ele vier o espírito de ciúmes, e de sua mulher tiver ciúmes,
não se havendo ela contaminado, então aquele homem trará a sua mulher
perante o sacerdote, e juntamente trará a sua oferta por ela; uma
décima de efa de farinha de cevada, sobre a qual não deitará azeite,
nem sobre ela porá incenso, porquanto é oferta de alimentos por ciúmes,
oferta memorativa, que traz a iniqüidade em memória. E o sacerdote a
fará chegar, e a porá perante a face do Senhor. E o sacerdote tomará
água santa num vaso de barro; também tomará o sacerdote do pó que
houver no chão do tabernáculo, e o deitará na água. Então o sacerdote
apresentará a mulher perante o Senhor, e descobrirá a cabeça da mulher;
e a oferta memorativa, que é a oferta por ciúmes, porá sobre as suas
mãos, e a água amarga, que traz consigo a maldição, estará na mão do
sacerdote. E o sacerdote a fará jurar, e dirá àquela mulher: Se ninguém
contigo se deitou, e se não te apartaste de teu marido pela imundícia,
destas águas amargas, amaldiçoantes, serás livre. Mas, se te apartaste
de teu marido, e te contaminaste, e algum homem, fora de teu marido, se
deitou contigo, então o sacerdote fará jurar à mulher com o juramento
da maldição; e o sacerdote dirá à mulher: O Senhor te ponha por
maldição e por praga no meio do teu povo, fazendo-te o Senhor consumir
a tua coxa e inchar o teu ventre. E esta água amaldiçoante entre nas
tuas entranhas, para te fazer inchar o ventre, e te fazer consumir a
coxa. Então a mulher dirá: Amém, Amém. Depois o sacerdote escreverá
estas mesmas maldições num livro, e com a água amarga as apagará. E a
água amarga, amaldiçoante, dará a beber à mulher, e a água amaldiçoante
entrará nela para amargurar. E o sacerdote tomará a oferta por ciúmes
da mão da mulher, e moverá a oferta perante o Senhor; e a oferecerá
sobre o altar. Também o sacerdote tomará um punhado da oferta
memorativa, e sobre o altar a queimará; e depois dará a beber a água à
mulher. E, havendo-lhe dado a beber aquela água, será que, se ela se
tiver contaminado, e contra seu marido tiver transgredido, a água
amaldiçoante entrará nela para amargura, e o seu ventre se inchará, e
consumirá a sua coxa; e aquela mulher será por maldição no meio do seu
povo. E, se a mulher se não tiver contaminado, mas estiver limpa, então
será livre, e conceberá filhos. Esta é a lei dos ciúmes, quando a
mulher, em poder de seu marido, se desviar e for contaminada" (Nm 5. 12
- 29)
É bom lembrar que o adultério era punido com pena de morte.
Sobre violência contra a
mulher na Bíblia, indico o estudo biblico "A Bíblia e a violência
contra a mulher" no texto "Violência doméstica e por que é tão difícil
encontrar um homem sério", publicado no blog A Vez das Mulheres
(http://www.grupos.com.br/blog/a-vez-das-mulheres/permalink/13439.html).
Não fossem os progressos recentes da humanidade em termos de sanidade
mental, ainda que a ignorância, o machismo, a hipocrisia e a religião
ainda estejam vigorosos, ainda teríamos uma realidade ainda pior que a
atual em termos de dignidade para as mulheres, onde cárcere privado,
discriminação e assassinato sequer gerariam uma indignação expressiva.
Este é o reino de Deus!
Walter Nunes Braz Júnior / O Reino de Deus - oreinodedeus@grupos.com.br