Grupos

Fofoca eletrônica

15:55 @ 03/07/2007

Um suposto bate-papo via computador entre dois funcionários de um Fórum em Santana, zona norte de São Paulo, foi parar nas páginas do Diário Oficial do estado.

"Eu sou juiz de direito há 24 anos e nunca vi algo parecido", diz o juiz Antônio Jeová Santos.

Uma história de inveja e vingança nos bastidores da Justiça provocou polêmica esta semana. Um suposto bate-papo via computador entre dois funcionários de um Fórum em Santana, Zona Norte de São Paulo, foi parar nas páginas do Diário Oficial do estado.

Na conversa, André Luís Leôncio e uma amiga teriam falado mal dos chefes e colegas de trabalho, usando um popular programa de mensagens instantâneas. Mas era tudo uma farsa.

"Eu olhei o Diário Oficial, vi que era uma coisa absurda, que nunca tinha ocorrido", lembra André Luís Leôncio, funcionário do Fórum de Santana, em São Paulo.

Peritos e especialistas em informática comprovaram: o diálogo havia sido forjado.

"Foi uma pessoa apenas que se passou por duas dialogando", afirma o juiz Antônio Jeová.

O motivo: vingança. O autor da fraude não se conformava com a promoção de André a oficial-maior do Fórum.

"Impressionou a publicação pela gravidade, pelo fato de alguém ter ânimo de prejudicar outra e ser capaz de um ato tão vil quanto esse", observa o juiz Antônio Jeová Santos.

Esse caso não passava de armação, mas fica o alerta: muito cuidado com o que você escreve no trabalho. Alguém pode estar de olho!

"O sistema veio para controlar tudo", alerta o empresário Orácio Kuradomi.

Hoje em dia, é fácil ter acesso a tudo o que se escreve durante o expediente. O empresário criou um programa de computador que registra cada passo do funcionário.

"Se a pessoa ouviu uma música, você vai ouvir o que a pessoa ouviu. Se ela viu uma foto, você vai ver a foto", explica ele.

Mensagens e diálogos comprometedores podem ir parar direto na mesa do chefe. Veja as conversas registradas pelo programa de Orácio. Na transcrição, nós mantivemos a linguagem de internet e os erros de português.

Fulano: Vo pra sampa na galeria do rock

Fulano: tem um kara q vai bate cartão pra mim amanhã...

Fulano: aki é assim direto

Orácio diz que já flagrou até sexo virtual durante o expediente. Não chega a ser o caso de um diálogo entre um chefe e sua funcionária. Mas eles passam longos minutos combinando um encontro no motel.

João: estou com saudades, preciso sair contigo hoje de qualquer maneira, inventa algo aí

Maria: ah meu amor...

Maria: sou casada tenho medo

Maria: mas te adoru...

João: eu ti amooooooooooooooooooo

João: quero ficar com você

João: vamus nos encontrar agoraaaaa!!!

Maria: fficou doido?

João: doido por vc!!!!! Amor gostou da semana passada?

Maria: vc foi d+ fico ate arrepiada em lembrar

João: faz o seguinte, diz que vai visitar um cliente, pega seu carro, estarei esperando na rua do lado

Maria: seu doidinho...

Maria: já vou

Maria: beijinhos... Seu safado

João: te espero lá

João: beijão

Será que espionar conversas de funcionários não é invasão de privacidade? O tema ainda é controverso, mas muitos especialistas em direito do trabalho afirmam que a empresa pode, sim, vigiar os empregados.

"Eu diria que não é só um direito, mas uma obrigação do empregador. É preciso zelar para que os equipamentos da empresa sejam utilizados de maneira adequada", acredita o advogado trabalhista Luiz Carlos Robortella.

E atenção: falar mal do chefe no trabalho pode dar demissão. "Se o empregado utiliza de modo abusivo o equipamento fornecido pela empresa, ele poderá ser demitido por justa causa, mesmo que ele não tenha sido alertado de que ele seria fiscalizado quando no exercício dessa atividade", afirma o advogado.

Esta também será a punição para o funcionário do Fórum que armou a farsa contra André. O funcionário que forjou o diálogo já foi identificado. É um escrevente que trabalha há mais de 15 anos no Fórum de Santana. Será demitido e processado por falsidade ideológica e crime contra a honra. As vítimas ainda planejam mover uma ação por danos morais contra ele.

"A minha vida mudou. Embora a gente saiba da nossa inocência, as pessoas acharam que era verdade. Fomos tachados de traidores, de irresponsáveis. Como é que jogam uma conversa no Diário Oficial do estado?", lamenta André Luís.

FOFOCA eletrônica. Disponível em <http://fantastico.globo.com/Jornalismo/Fantastico/0,,AA1577187-4005-695939-0-01072007,00.html>. Acesso em 03 de julho de 2007. Grifos meus.

Comentários de O Reino de Deus

Um dos pontos menos importantes nesse caso é se os ditos funcionários tiveram ou não o tal diálogo É pouco mportante mesmo para eles que consigam provar que não disseram as palavras que lhes foram atribuídas. A matéria, com a tradicional imbecilidade dos jornais da rede Globo e de outros jornais, deixa de dar o vislumbre da questão mais grave no caso: a vigilância sobre os cidadãos de bem. Quanto tempo o cidadão comum levará para se dar conta que é ele, não o bandido, o alvo das câmeras, das identificações, das vistorias?

Se as empresas tem a obrigação de vasculhar os computadores usados pelos seus empregados, terão então ditaduras como China e Arábia Saudita a obrigação de filtrar o acesso à internet dos seus súditos, proibindo-os de conhecer os vícios e os malefícios dos seus governos e terem contato com qualquer coisa que contrarie os dogmas e a moralidade doentia das suas religiões? Sabemos que são exatamente as ditaduras que se preocupam em vasculhar a vida dos seus cidadãos. Se antes havia a polícia secreta, hoje há o administrador de rede a levar a superiores e policiais tudo que desagradar seus humores e preconceitos.

Vejamos o "alerta", mesmo que procedente, de termos "muito cuidado" com o que escrevemos no trabalho e a "obrigação" dos empregadores de vasculharem um reles bate-papo de um funcionário, como se nossos próprios corpos não nos pertencessem. Cidadãos de bem do Brasil e do mundo, façamos algo contra o Inferno onde não se pode criticar A ou B, ver material de sexo, não seguir a religião oficial, usar roupa hippie ou falar sobre um trabalho ruim em um bate-papo sem sofrer danos pessoais.

Aguardem o meu próximo texto "Sua casa é segura?", no blog Contra os reis e as religiões.

Walter Nunes Braz Junior / O Reino de Deus - oreinodedeus@grupos.com.br

“Não somos mais Genis”

17:57 @ 05/07/2007

Gabriela Leite

27/6/2007

Escrever sobre o crime desses cinco rapazes é uma tarefa muito dolorida. Na verdade são dois crimes: um totalmente objetivo, que é bater numa mulher que está no ponto do ônibus às cinco da manhã, e por que estava esperando o ônibus tão cedo? Ora, porque todo mundo que se usa do SUS para suas consultas médicas tem sempre que madrugar para conseguir uma ficha de atendimento. Uma realidade do atendimento ao cidadão neste país, que com certeza esses rapazes criminosos não sabem porque jamais sequer imaginaram enfrentar uma fila do atendimento médico público: coisa de pobre.

O outro crime é subjetivo: "...a gente pensou que ela era uma prostituta..." Simples assim e trágico assim. Um crime hediondo que mostra o que somos no pensamento deles: Genis da vida que somente prestamos para apanhar e cuspir, e quando o zepelim chega lembramos que ela pode ser útil para salvar a cidade e depois voltar a ser espancada e cuspida. Apenas Genis, nada mais do que isso.

Só que não somos mais Genis. Por tudo isso, um dia assumimos enfrentar o estigma e o preconceito que carregamos, e olhamos nos olhos da sociedade e dissemos que existimos e que somos pessoas, mulheres, cidadãs desse país tão sofrido e tão desigual. Queremos lutar junto com a Sirley e com todas as pessoas sadias dessa sociedade contra tanta perversidade. Também vamos processar esses criminosos confessos por danos morais e mais uma vez repetiremos: somos mulheres trabalhadoras e exigimos respeito. E quando eles forem a julgamento para pagarem pelo crime contra a Sirley, queremos estar no tribunal junto com ela mostrando com os nossos rostos, que um dia foram invisíveis e hoje não são mais, a nossa indignação.

Sempre vivemos a violência: quando nossas famílias não nos aceitam, quando somos maltratadas pela polícia, quando somos consideradas a escória da sociedade e vivemos a violência física com mais assiduidade do que possa pensar a nossa vã filosofia. Em Ribeirão Preto, um rapaz, filho de usineiro, agarrou uma prostituta que estava na esquina, amarrou-a atrás em seu carro e arrancou, arrastando a moça por mais de dez quilômetros. Quando ele finalmente soltou a corda, nem pele mais existia no corpo de uma mulher de 22 anos, que morreu só porque era uma prostituta. Em Nova Friburgo, um policial parou em um posto de gasolina onde as prostitutas faziam ponto e começou a atirar: matou uma mulher grávida e deixou outra paraplégica. A sobrevivente denunciou e o policial foi a julgamento: foi absolvido porque o juiz entendeu que ela era prostituta. A promotora pública que exigia um novo julgamento foi transferida para Nova Iguaçu.

O crime bárbaro desse momento fez com que a sociedade abrisse os olhos para tanta perversidade. A solidariedade que estamos recebendo é imensa: e-mails, cartas de leitores nos jornais, repercussão na imprensa e o apoio formal da OAB-RJ. Como escrevi anteriormente, vamos entrar na Justiça com um processo contra eles e estamos ao lado da Sirley e de sua família para o que der e vier. Quem sabe um dia viveremos sem essa imensa dor.

LEITE, Gabriela. Não somos mais Genis. Disponível em <http://www.beijodarua.com.br/materia.asp?edicao=28&coluna=6&reportagem=771&num=1>. Acesso em 05 de julho de 2007.

Comentários de O Reino de Deus

Só um comentário: o caso só ganhou a publicidade que vemos porque Sirley não era uma prostituta. Se fosse, seria mais um caso de agressão rotineiro e ignorado pelos jornais, tal como os outros dois casos mencionados no texto. Sobre a discriminação contra as prostitutas, eu e a Imaculada também falamos em "A criminalização do sexo", disponível em http://www.grupos.com.br/blog/semsenhores/permalink/13920.html.

Walter Nunes Braz Junior / O Reino de Deus - oreinodedeus@grupos.com.br

O caso Pimenta Neves

17:36 @ 13/07/2007

Pimenta Neves é condenado mas não será preso

05 de maio de 2006 - 17:04
 
Réu confesso do assassinato da ex-namorada e também jornalista Sandra Gomide, Pimenta foi considerado culpado por homicídio duplamente qualificado, mas aguardará a recursos em liberdade

Fabiana Novello, Laura Diniz e José Maria Tomazela

IBIÚNA - O jornalista Antônio Marcos Pimenta Neves, de 69 anos, foi condenado a uma pena de 19 anos, 2 meses e 12 dias em regime fechado pelo assassinato da ex-namorada e também jornalista Sandra Gomide, em agosto de 2000, pelo Tribunal do Júri de Ibiúna, no interior paulista. Ele foi considerado culpado por homicídio duplamente qualificado - teve motivo torpe e usou recurso que impossibilitou a defesa da vítima. No entanto, Pimenta Neves, ex-diretor de Redação do Estado e réu confesso do crime, vai recorrer da decisão em liberdade.

O juiz entendeu que, por ter aguardado a maior parte do processo em liberdade, o réu poderá aguardar todos os recursos de sua defesa em liberdade.

O júri

O julgamento durou três dias. Na quinta-feira, dia 4, após as oito testemunhas arroladas no processo terem sido ouvidas, acusação e defesa tiveram duas horas cada para expor seus argumentos. À 1h15 de sexta-feira, 5, o juiz Diego Ferreira Mendes decidiu interromper a sessão logo após a defesa apresentar a sua tese. A sessão foi retomada às 11h10 com a réplica da acusação. Após a tréplica da defesa, o juiz Diego Ferreira Mendes leu, às 13h35, os sete quesitos que os jurados tiveram de responder.

Nos depoimentos, Pimenta Neves foi descrito como assassino frio, que premeditou o crime, ou como profissional competente, mas abalado pela depressão. Pouco depois das 20 horas, começou o debate que antecede a decisão dos jurados.

O primeiro a ser ouvido foi o pai da vítima, o aposentado João Gomide, que encontrou Pimenta pela primeira vez desde que a filha foi morta. O jornalista evitou ficar de frente para o ex-sogro e trocou de lugar no depoimento: em vez de se sentar na cadeira da ponta da mesa da defesa, ficou entre os advogados. No fim do testemunho, voltou ao lugar anterior.

A acusação tentou provar que o crime foi premeditado e cometido friamente. O promotor Horta Filho considerou positivos os primeiros três depoimentos - além de Gomide, os donos do Haras Setti, Deomar e Marlei Setti, onde ocorreu o assassinato. "Confirmaram que ele atirou pelas costas, deu o segundo tiro quando ela estava caída e depois saiu calmamente."

Por sua vez, a defesa investiu na estratégia de mostrar um profissional reconhecido, porém abalado por crise emocional intensa. Ao ouvir o psiquiatra Marcos Pacheco de Toledo Ferraz, que o atendeu após o crime, Pimenta quase chorou: conteve-se, evitou o soluço e assoou o nariz. Não houve lágrimas.

Sem precisar fazer juramento, por ser irmã do réu, Isabel Pimenta Hernandes disse que o irmão tomava antidepressivos semanas antes do crime. Contou que recebeu um telefonema de Pimenta, em que ele chorava e falava ao mesmo tempo da filha - que havia descoberto ter câncer - e da ex-namorada. Na véspera do crime, recebeu uma ligação da vítima, contando que ele tinha surtos. "Pensei em fazer alguma coisa para ajudá-lo, mas não houve tempo."

O depoimento mais emocionado foi o de Marlei Setti. Sandra contou à dona do haras que tinha sido ameaçada de morte por Pimenta. "No começo não quis me envolver, então não contei o que sabia. Mas agora, depois de ele ficar tanto tempo livre, resolvi contar", explicou. "Eu disse, ´imagine´, aí ela falou que ele já a tinha agredido e mostrou uma marca no pescoço."

Deomar Setti disse que, antes de atirar na ex-namorada, Pimenta recusou um convite para ver o abate de um boi porque "não gostava de ver sangue". No dia do crime, o jornalista chegou por volta das 7 horas, antes do que de costume. "Ele me enrolou para esperar Sandra chegar e matá-la. Não tenho vergonha nem medo de dizer isso", frisou, fora do fórum.

Primeiro dia

Na quarta-feira, dia 3, Pimenta Neves ficou 10 minutos no banco dos réus, respondendo ao juiz Diego Ferreira Mendes. Disse que mora sozinho, não trabalha e é aposentado pelo INSS, mas não revelou a renda. Perguntado se queria falar sobre o assassinato da ex-namorada, a também jornalista Sandra Gomide, disse preferir ficar em silêncio. Nenhuma testemunha foi ouvida, mas a defesa pediu a leitura de depoimentos de amigos e colegas de trabalho de Pimenta.

Pimenta permaneceu o tempo todo cabisbaixo. Escondeu o rosto entre as mãos diversas vezes e fez movimentos de quem tenta aliviar uma dor de cabeça. Estavam lá uma filha, a irmã e duas sobrinhas. A filha chorou algumas vezes.

Por quatro anos, Pimenta tentou afastar o motivo torpe (vingança) da acusação e alega ter agido sob violenta emoção. Sandra foi morta com dois tiros, pelas costas, em agosto de 2000, no Haras Setti, em Ibiúna. O jornalista é acusado de homicídio duplamente qualificado - além do motivo torpe, usou recurso que impossibilitou a defesa da vítima (tiros pelas costas).

Recursos

Uma série de recursos foram ajuizados pela defesa do jornalista, representada pela advogada Ilana Muller, para tentar suspender o julgamento. A advogada insistia em pedir que fosse ouvida no processo a mulher do jornalista, Carole Pimenta Neves, que mora nos Estados Unidos.

A intenção era provar com o depoimento de Carole que Pimenta Neves não é um homem violento e que só matou a ex-namorada movido por forte emoção, o que descaracterizaria a qualificação de crime por motivo torpe. Em primeira instância, os pedidos de oitiva foram negados.

A defesa do jornalista apelou da sentença de pronúncia ao Tribunal de Justiça de São Paulo. A segunda instância negou o recurso. Veio, assim, o pedido da defesa para que o Recurso Especial chegasse ao Superior Tribunal de Justiça e para que o Recurso Extraordinário fosse submetido ao Supremo Tribunal Federal.

O TJ não admitiu nenhum dos pedidos. Contra essa decisão, a defesa entrou com Agravo de Instrumento no Superior Tribunal e no Supremo. Como o agravo não suspende o andamento da ação, o processo principal foi encaminhado para o fórum de Ibiúna, que marcou a data do Júri.

Foi aí que a defesa do jornalista ingressou com Medida Cautelar no STJ. O ministro Quaglia Barbosa, no dia 15 de março, deferiu o pedido, e suspendeu o Júri até que tomasse nova decisão. No mesmo dia, Barbosa julgou um Agravo e não afastou da acusação o motivo torpe (por ciúme) para o assassinato de Sandra Gomide.

No mês de abril, O ministro Hélio Quaglia Barbosa, do Superior Tribunal de Justiça, revogou a liminar que suspendia o Júri do jornalista Antonio Marcos Pimenta Neves. O ministro acolheu um agravo apresentado pela acusação.

Depois, um pedido de Habeas Corpus no Supremo e um Agravo Regimental em Agravo de Instrumento no STJ, julgados na véspera da data do julgamento de Pimenta Neves, confirmaram o júri.

O caso

20 de agosto de 2000 - A jornalista Sandra Gomide, de 32 anos, é assassinada, por volta das 14 horas, no Haras Setti, em Ibiúna (SP), com um tiro nas costas e outro na cabeça.

22 de agosto de 2000 - Pimenta Neves é internado após tentativa de suicídio

24 de agosto de 2000 - Pimenta Neves é preso preventivamente e indiciado por homicídio doloso (teve a intenção de matar). No dia seguinte, ele confessa o crime e alega que foi motivado por uma traição.

4 de setembro de 2000 - Pimenta Neves é transferido da Clínica Parque Julieta, na zona sul, para uma cela do 77.º Distrito Policial, em Santa Cecília. A polícia montou um forte esquema de segurança para remover o jornalista da clínica psiquiátrica, onde passou dez dias, após tentativa de suicídio. Pelo menos 15 carros e 60 policiais civis participaram da operação.

23 de março de 2001 - O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), concede liminar em habeas-corpus determinando a libertação do jornalista. No dia seguinte, Pimenta Neves deixa a carceragem do 13.º DP.

27 de janeiro de 2006 - Julgamento do jornalista é marcado para 3 de maio

NOVELLO, Fabiana; DINIZ, Laura e TOMAZELA, José Maria. Pimenta Neves é condenado mas não será preso. Estadao.com.br, Ibiúna, 05 de maio de 2006. Disponível em <http://www.estadao.com.br/ultimas/cidades/noticias/2006/mai/05/238.htm>. Acesso em 13 de julho de 2007.

Comentários de O Reino de Deus

"Quinze dias antes do crime, a jornalista prestou queixa na Polícia de que o ex-namorado havia invadido sua casa e a ameaçava de morte, na oportunidade, Sandra encontrou Pimenta Neves sentado diante de seu computador, com um revólver, querendo ler seus e-mails." (DORNELLES, Tatiana Poltosi. Análise do caso pimenta neves frente ao estado democrático de direito brasileiro. Âmbito Jurídico, [s. l.], [s. d.]. Disponível em <http://www.ambitojuridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=1529>. Acesso em 13 de julho de 2007)

O texto Internet versus papel, de Luiz Antonio Magalhães (em http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/atualiza/artigos/iq250820002.htm) mostra como os jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo trataram o caso, assim como as represálias de Pimenta Neves contra amigos de Sandra Gomide.

Aqui, destaco duas questões. A primeira questão é a injustiça da justiça. Diz a Bíblia:

"Nem ainda no teu pensamento amaldiçoes ao rei, nem tampouco no mais interior da tua recâmara amaldiçoes ao rico; porque as aves dos céus levariam a voz, e os que têm asas dariam notícia do assunto." (Ec 10. 20).

Antônio Marcos Pimenta Neves era diretor de redação de O Estado de S. Paulo. Sabemos o que aconteceria a um popular que confessasse ter matado a ex-namorada.

A outra questão é a da violência contra a mulher. Se casos como o Pimenta Neves são notícias, ainda que abafadas, e podem ser julgados, não temos que agradecer à Igreja que reclama a patente da ética, da virtude, da humanidade e da sensatez. A minha amiga Imaculada fez um estudo bíblico "A Bíblia e a violência contra a mulher", no seu texto Violência doméstica e porque é tão difícil encontrar um homem sério (disponível em http://www.grupos.com.br/blog/a-vez-das-mulheres/permalink/13439.html).

Walter Nunes Braz Junior / O Reino de Deus - oreinodedeus@grupos.com.br

Edição de Artigos Quinta-feira do Alerta Total

http://alertatotal.blogspot.com/

Por Jorge Serrão

O blog Alerta Total esteve forçadamente fora do ar, das 20h de terça-feira até 16h de ontem. Fomos vítimas de uma censura eletrônica. Sim. Não foi culpa do Google. Nem dos robôs de prevenção contra spam do Blogger. Eles apenas agiram preventivamente. Receberam de algum fdp a caluniosa, injuriosa e difamatória denúncia de que nosso serviço jornalístico diário e inteiramente gratuito aos leitores seria um “promotor de spams” (mensagens indesejadas, enviadas por e-mail, a internautas).

Em resumo: Fomos vítimas, temporariamente, de alguns anti-democratas que agem como reacionários que agem de modo truculento apenas por não concordarem com o que escrevemos ou publicamos no Alerta Total. Tais inimigos da verdade objetiva, justamente por se acharem donos da verdade (subjetiva), adoram usar os mecanismos de censura, tirania, despotismos e medo (através de ameaças). Escondem-se no anonimato. São covardes. A eles, só posso dedicar a linda canção da atriz Cris Nicolotti – sucesso nas paradas da Internet: www.youtube.com/watch?v=dHpSCHxb780 Meu único receio é que esses inimigos da liberdade de imprensa e informação gostem da minha recomendação. Azar deles. Quem tem faz com o seu o que desejar.

A mensagem do sistema, que nos impediu de postar mensagens, dizia o seguinte: "Este blog foi bloqueado pelos robôs de prevenção contra spam do Blogger. Você não conseguirá publicar suas postagens, mas poderá salvá-las como rascunhos. Os robôs de prevenção contra spam do Blogger detectaram que seu blog possui características de um blog de spams. (O que é um blog de spams?) Uma vez que você está lendo esta seção, seu blog provavelmente não é um blog de spams. A detecção automática de spams é inerentemente confusa. Pedimos desculpas por este falso sinal positivo. Recebemos sua solicitação de desbloqueio em 18 de Julho de 2007. Em nome dos robôs, desculpamo-nos por bloquear seu blog, que não é de spams. Aguarde enquanto analisamos seu blog e verificamos se ele não é um blog de spams”.

Sorte nossa e dos leitores que os norte-americanos são mais sérios que nós quando recebem denúncias. Fazem a checagem. Se os fatos denunciados são falsos e não correspondem à realidade objetiva dos fatos, os mantenedores do Google pedem desculpas, e reparam o transtorno cometido pelo sistema – como ocorreu. Às 15h 59min, recebemos a seguinte mensagem do Google: ”Hello,Your blog has been reviewed, verified, and cleared for regular use so thatit will no longer appear as potential spam. If you sign out of Blogger andsign back in again, you should be able to post as normal. Thanks for yourpatience, and we apologize for any inconvenience this has caused. Sincerely,The Blogger Team”.

O Alerta Total agradece, de coração, às diversas manifestações de solidariedade dos leitores. Reproduzo a de um deles. Arlindo Montenegro enviou um protesto diretamente ao serviço de imprensa do Google, nos EUA: “ESTAMOS ATEMORIZADOS E FRUSTRADOS COM A RETIRADA DO AR DO BLOG ALERTA TOTAL. FRUSTRADOS PELA AUSÊNCIA DE UM DOS POUCOS JORNALISTAS SÉRIOS E DESTEMIDOS A QUE TINHAMOS ACESSO. ATEMORIZADOS PELA CONSTATAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE UMA CENSURA PODEROSA QUE IMPEDE A LIBERDADE TÃO DEFENDIDA PELO GOOGLE... LAMENTÁVEL! É URGENTE UM POSICIONAMENTO DESTE SITE, PARA AVALIARMOS O STATUS DE LIBERDADE DE IMPRENSA NO BRASIL. AGUARDAMOS”.

Não tenham dúvida. O espectro da censura ronda a Internet. O filósofo e jornalista Olavo de Carvalho, que mantém um Blog Talk Radio nos EUA, que hoje é o segundo mais ouvido do mundo, também quase foi vítima dos “patrulheiros ideológicos”. Um grupo chegou a mandar uma carta ao Google, acusando Olavo de praticar “homofobia”. Os demo-cratas (agentes do “demo” contra a liberdade de expressão alheia, mas que querem impor suas estranhas idéias) exigiam que Olavo fosse retirado do ar.

Da mesma forma que o Alerta Total, o “blog radio” de Olavo foi devidamente auditado pelo Google que nada encontrou – como não poderia encontrar – que desabonasse seu trabalho jornalístico pioneiro. Mas o sarcástico Olavo não deixou o episódio de graça aos seus detratores. Literalmente, de viva voz, deu o recado: “Vão tomar no Cu”. Não se espantem os leitores. Olavo não usa a expressão chula. age da mesma forma que a atriz Cris Nicolotti, que justifica a mensagem em sua música sucesso na Internet: “É bom deixar claro não falo do cu físico, mas do intelectual”.

O problema, Olavo e Cris, é que os patrulheiros ideológicos vão gostar do conselho que estamos dando... Aliás, quem gosta de dar são eles... “É com eles mesmos, Roberto Carlos e as baleias azuis”. O que eles não podem e nem têm direito é tentar fornicar com a nossa paciência e nem estuprar a liberdade de expressão. Se fizerem isto, vão acabar descobrindo que o buraco é muito mais embaixo. Os segmentos esclarecidos do povo brasileiro não aceitam o patrulhamento ideológico imposto pelos “fabricantes de inverdades históricas”.

Aliás, que a história lhes seja leve.

Jorge Serrão, jornalista radialista e publicitário, é Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. http://alertatotal.blogspot.com e http://podcast.br.inter.net/podcast/alertatotal

SERRÃO, Jorge. Uma Linda Canção para os Patrulheiros Ideológicos. Disponível em <http://alertatotal.blogspot.com/2007/07/uma-linda-cano-para-os-patrulheiros.html>. Acesso em 19 de julho de 2007.

Comentários de O Reino de Deus

Casos de blogs de jornalistas censurados, textos retirados da internet a mando da justiça e mesmo de assassinatos de pessoas que escreveram críticas aos governos de onde viviam são desconhecidos de quem procura na internet algo como "Rebelde - RBD" e "Diego - Alemão" (dois dos termos mais buscados no Yahoo! Brasil na relação de hoje - http://br.yahoo.com/). Para quem acessa páginas como a Alerta Total (http://alertatotal.blogspot.com/), sem comentários.

Eu também comentei no meu texto "Seu vizinho deixa água parada no quintal?" sobre como pessoas de mentes limitadas e espíritos pequenos, na defesa de suas visões de mundo preconceituosas e na sua ira contra o que não gostam de ver, ler e ouvir, são preciosas em governos totalitaristas, em especial os não declarados.

Walter Nunes Braz Junior / O Reino de Deus - oreinodedeus@grupos.com.br