Grupos

O poder monolítico das redes de TV

No mundo em que vivemos, a cada dia, o poder dos meios de comunicação tornar-se mais monolíticos e implacável. Um poder que se equipara e rivaliza com os poderes tradicionais do Estado (Executivo, Legislativo e Judiciário) – mas que, ao contrário desses, não tem a legitimidade democrática, não é exercido em nome e no interesse do povo. Ninguém jamais "votou" foi consultado sobre quais idéias seriam transmitidas através das grandes redes de TV. A "liberdade de escolha" restringe-se a coisas banais como "Big-Brother" ou "Você decide".

No entanto, quando o Governo Federal propôs um debate sobre esse assunto, as redes de TV se insurgiram, falando em nome da liberdade e contra qualquer tipo de controle sobre elas. Nosso assunto aqui não é discutir os prós e contras do controle da mídia, mas podemos usar esse caso para compreender um outro tipo de censura, muito mais perigosa, sobre a qual ninguém fala: a censura à livre expressão e comunicação de idéias.

Quando se falou em controlar as redes de TV, o objetivo não era sufocar a expressão de idéias, pelo contrário, era limitar um pouco o poder desse tipo de veículo que tem a característica de influenciar sem precisar expor idéias ao debate. A censura de que falamos é justamente o contrário, é a tentativa de calar a boca de quem abre o espaço ao debate, a tentativa de destruir organizações como a nossa, como a Casa da Cultura.

A Internet está mudando, para pior.

Até algum tempo atrás, a Internet era uma fonte alternativa de comunicação e troca de idéias. Um espaço para pessoas se expressarem e terem contato com idéias diferentes das velhas e surradas ladainhas, estanques, monolíticas e mitificadoras, bombardeadas pela televisão.

Infelizmente esse espaço que surgiu de forma democrática tem mudado, e está sendo paulatinamente dominado por grandes grupos comerciais, extremamente parecidos com as grandes redes de televisão. Grandes "Portais" são verdadeiros canais de difusão de imagens e notícias prontas, onde os "internautas" não passam de "espectadores". A ilusão de participação fica por conta de pesquisas de múltipla escolha, e de fóruns, mas as páginas principais são irretocavelmente prontas, como na televisão.

As fontes verdadeiramente alternativas de idéias, com efetiva participação dos visitantes, têm perdido espaço. Entre essas fontes alternativas está a Casa da Cultura: um espaço não comercial, sem nenhum tipo de propaganda ou interesse econômico. Um espaço dedicado exclusivamente à divulgação de literatura e arte de qualidade, e ao debate de idéias. Um espaço mantido com trabalho voluntário, recursos próprios e muito esforço.

Mas até aí, as coisas, apesar de ruins, estavam no limite da legalidade. Pois as pessoas pelo menos tinham a possibilidade de se associar a um site como o nosso, e receber comunicações periódicas.

Um novo método de cerceamento que pode calar a boca dos sites pequenos, DESTRUIR organizações como a nossa.

Agora porém surgiu um novo método de censura, cerceamento e coação, que pode calar a boca dos sites pequenos, DESTRUIR organizações como a nossa, e fazer da internet um espaço exclusivo para grandes corporações.

Abaixo está o relato completo dos fatos, de como a AOL, América on-Line, afirmou que havia uma suposta denúncia de que o Boletim Informativo Semanal da Casa da Cultura era Spam, e de como essa empresa se recusou a revelar quem era a tal "pessoa misteriosa", negou-se a apurar os fatos e averiguar se foi verdade que alguém que não é nosso assinante recebeu o Boletim.

A provedora de acesso da Casa da Cultura, uma empresa que respeitamos e consideramos idônea, com receio das ameaças da AOL de prejudicar seus servidores, orientou a Casa da Cultura simplesmente a NÃO MAIS ENVIAR SEU BOLETIM INFORMATIVO SEMANAL.

Isso portanto significava, CALAR UM PERIÓDICO INFORMATIVO, fruto de muito trabalho e apreciado por muitos assinantes, com base em um suposta denúncia anônima, não esclarecida nem apurada.

Não pudemos sequer mostrar que nosso sofisticado sistema de controle de assinaturas (que nos custou muito tempo, dinheiro e dedicação de muitos voluntários para desenvolver) - enfim, o sistema GARANTE que nossas assinaturas sejam processadas sem nenhum risco de que alguém se torne assinante por engano. A Locaweb, agindo com inteligência, considerou nossas alegações, mas disse que ainda assim não poderia fazer nada, pois a AOL se recusava a averiguar os fatos, e o risco de retaliação continuava a existir.

Spam é crime. Portanto acusar indevidamente alguém de SPAM é também crime: calúnia. Portanto esse é um caso de POLÍCIA, e já entramos em contato com nosso advogado para tomar as providências.

Porém independentemente disso, para evitar maiores problemas com a Locaweb, fomos obrigados a CANCELAR A INSCRIÇÃO DE TODOS ASSINANTES COM ENDEREÇO @AOL, feitas anteriormente à data de início das denúncias.

Nós lutaremos por nosso espaço, com todas as armas que temos. Mas o mais importante não é nosso caso em particular. O importante é aonde tudo isso vai parar. Pois se uma denúncia anônima, não apurada, pode calar a boca de uma organização qualquer, sem que essa tenha chance de defesa, então estamos no mesmo rumo de Guantanamo... a ditadura total.

O importante é percebermos que esse caso é a ponta do iceberg. Mais e mais os grandes grupos vão tomar conta da Internet, e mais e mais ela vai ser unidirecional e monolítica, algo como a televisão, onde o "telespectador" apenas tem a ilusão de que participa, mas não participa de fato. Mais e mais os sites pequenos e alternativos vão ser tolhidos, amputados e cerceados. E um dos mais ignóbeis instrumentos desse processo será o uso da palavra Spam. Essa palavra vai pairar como uma espada sobre os sites pequenos.

O mais irônico é que, contra os verdadeiros Spams (que vendem Viagra, CDs Piratas) ninguém parece se preocupar. Esses não tem cara nem nome. Eu já tentei me "descadastrar" de algumas dessas listas, e o link não conduz a página nenhuma. Eles não procedem de alguma organização identificável, parecem surgir do hiperespaço.

Grandes empresas fazem Spam. Mas ninguém ousa lhes ameaçar. Eu recebi outro dia um vírus que transformam a MSN na página de abertura de meu Browser. Spam da Microsoft. Eu tenho uma cópia do arquivo que faz isso. Está aqui para provar para quem quiser ver. Mas será que alguém vai cortar os servidores da Microsoft?

Agora contra um site pequeno e sem fins lucrativos, o critério é bem diferente. Tira-se do ar primeiro, e não se averigua nem depois. Não há possibilidade de defesa. Bastará uma "suposta" denúncia anônima, sem nome nem endereço, para lhe calarem a boca.

Em nosso caso, não podemos afirmar se foi mera incompetência de alguém, ou se existe algum outro motivo por trás. Mas o fato é que nós defendemos idéias que desagradam a muita gente. Se essa suposta "denúncia", não foi feita ou inventada, simplesmente com objetivo de nos calar, não podemos afirmar no presente. Mas, o que É ATERRADOR, é que tal truque poderá ser sim usado no futuro, para calar qualquer voz na internet que incomode alguém baixo o suficiente para usá-lo.

Assim, pedimos:

-- Liberdade e Integridade na Internet

-- Punição ao verdadeiro SPAM

-- Repúdio a qualquer forma de denúncia anônima e não verificada!

-- Contra qualquer forma de cerceamento da atividade dos sites pequenos!

Contamos com o apoio e solidariedade de todos os interessados em preservar a INTEGRIDADE NA INTERNET.

André Masini *

* OBS: Esse último problema aconteceu de forma tão rápida e inesperada, e foi emocionalmente tão desagradável, que não pude revisar e reler este texto da forma como normalmente faço. Portanto desculpo-me com o leitor por alguma redundância ou falta de estilo. Dentro de uns 20 dias vou ter mais condições de revisá-lo.

MASINI, André.  Repúdio à Censura na Internet. Casa da Cultura. Disponível em <http://www.casadacultura.org/apresentacao/Outros/Repudio_Censura_na_Internet.html>. Acesso em 10 de setembro de 2007.

Vejamos o anúncio de um produto inspirado pelo Diabo! Ou melhor, por Deus.

Seu cônjuge o está enganando?

Com quem os seus filhos bate-papo?

Sabe o que os seus empregados fazem?

REGISTRE TODA A ATIVIDADE DO SEU COMPUTADOR

SherlockSoft é um novo software que lhe permite monitorar e gravar tudo o que fazem com seu computador enquanto você não está:

Sites web visitados
É muito fácil de usar e instalar
Email enviados e recebidos
Permanece invisível
Seções de Chat
Ativa-se ao iniciar o Windows
Seções do ICQ, Messenger, etc.
Acesso ao relatório com senha
Capturas de tela
Apto para todos os Windows
Palavras e senhas digitadas
95/98/ME/XP/NT/2000
Programas executados
Mais informação

SHERLOCKSOFT. Disponível em <http://www.sherlocksoft.com/id_po/landing.asp?CCID=direc>. Acesso em 12 de setembro de 2007. Grifo no original.

-----

Seu cônjuge o está enganando?

Com quem os seus filhos bate-papo?

Sabe o que os seus empregados fazem?

REGISTRE TODA A ATIVIDADE DO SEU COMPUTADOR

Detalhe do software

SherlockSoft é um novo software que lhe permitirá monitorar e gravar todas as operações realizadas com seu computador.

Você poderá acessar a uma grande quantidade de informação que estará a seu dispor de uma maneira totalmente confidencial, quem usar o seu computador nunca vai ficar sabendo da existência do programa.

Sherlocksoft possui diversas ferramentas que lhe permitirão conseguir um registro exato dos sites Web visitados, e-mails enviados e recebidos, Seções de chat, mensagens, fotos instantânea, palavras e senhas digitadas, programas executados, capturas de telas entre outras coisas.

Sherlocksoft lhe dará a oportunidade de controlar com segurança as atividades no PC do seu cônjuge, seus filhos ou dos seus empregados.

Saberá se seus filhos estão vendo pornografia, se baixarem música, se jogarem em cassinos on-line, se o seu cônjuge visitar sites de busca de casais, se seus empregados são realmente eficientes no trabalho diário.

SITES WEB VISITADOS

SherlockSoft monitora permanentemente cada pagina Web que é visitada e gera um registro cronológico para sua posterior revisão. A diferencia do histórico de um navegador, SherlockSoft armazena a hora do início e da finalização da visita, a atividade do usuário em dito site, e não pode ser apagado. Funciona com todos os navegadores populares: Internet Explorer, Netscape, Opera e América OnLine. Além disso oferece a possibilidade de bloquear sites para usuários específicos, ferramenta importante para o cuidado dos seus filhos.

EMAILS ENVIADOS E RECEBIDOS

Com o Sherlocksoft os e-mails enviados e recebidos são automaticamente guardados no PC. Mesmo que os e-mails sejam apagados uma cópia secreta se mantém a salvo para ser fiscalizada. Ficando ao seu dispor informações consistentes e detalhadas do: assunto, remetente, destinatário, data e hora de saída ou entrada de todos os e-mails.

SEÇÕES DE CHAT, ICQ, MESSENGER

SherlockSoft registra toda a atividade das Seções de chat. Seja nas salas dentro das pagina Web ou nos programas de mensagens instantâneas tais como ICQ, Messenger e outros. Foi desenvolvido para gravar os textos de ambos os participantes da conversação e respeitando sua ordem cronológica para uma fácil compressão e leitura.

CAPTURAS DE TELAS

SherlockSoft armazena e captura a tela do seu PC de acordo com o intervalo de tempo que você determina. É possível conseguir uma freqüência de uma captura por segundo. Além disso, possui um SlideShow que vai lhe permitir ver a seqüência das imagens capturadas de um jeito simples e dinâmico. Oferecendo-lhe a possibilidade de conseguir um resumo visual de todas as conversações, mensagens instantâneas, e-mails digitados e lidos, os sites visitados, programas abertos, e tudo que foi realizado com o seu computador, da maneira mais cômoda e rápida possível.

PALAVRAS E SENHAS DIGITADAS

SherlockSoft lhe permitirá gravar todas as palavras digitadas em qualquer aplicação você poderá saber o que, quando e onde se digitou cada palavra. SherlockSoft não só captura os caracteres alfanuméricos mas também os caracteres "ocultos" e as combinações de teclas (ex: as senhas digitadas). As palavras digitadas são organizadas cronologicamente e por aplicação lhe permitindo diferenciar o que foi digitado num processador de texto, numa planilha de cálculo, num navegador ou num e-mail.

PROGRAMAS EXECUTADOS

Sherlocksoft permite gravar cada programa ou aplicação, cada janela do programa que foi aberta no computador que você monitora. De cada programa, você poderá conseguir a seguinte informação: horário de abertura, período de execução, e tempo de utilização efetiva do mesmo. Detectando-se, por meio disso, se o programa esteve verdadeiramente em uso ou se simplesmente foi aberto e deixado como tela para enganá-lo.

Sherlocksoft permite saber a simples vista todas as aplicações que foram usadas no dia. Se alguém descarrega um programa que começa a afetar o desempenho do seu computador, você perceberá imediatamente.

É MUITO FÁCIL DE INSTALAR E USAR

Sherlocksoft foi desenhado por profissionais especialistas que conseguiram um produto de vanguarda que pode ser usado por qualquer pessoa que tenha os conhecimentos básicos de como lidar com o PC.

Se você está lendo isso, então poderá lidar sem problemas com o Sherlocksoft.

A instalação do programa é simples, totalmente guiada e sem riscos.

PERMANECE INVISÍVEL

Entendemos que a confidencialidade é um fator chave para o sucesso de programas como Sherlocksoft. É por isso que o programa se mantém invisível para qualquer um que você decide que não está autorizado saber que o software está instalado no seu computador.

ATIVA-SE AO INICIAR O WINDOWS

Assim que iniciar o Windows Sherlocksoft se ativa, antecipando-se dessa maneira, à abertura de qualquer programa, seguindo todos os movimentos que se realizem desde o primeiro momento. Garantimos que se não foi captado pelo Sherlocksoft, então não foi realizado.

ACESSO AOS RELATÓRIOS COM SENHA

Uma das mais importantes medidas de segurança do Sherlocksoft é a solicitação de uma senha para ingressar nas gravações realizadas de seções anteriores. Isso garante que quem consiga ter acesso a esta informação seja um usuário realmente autorizado por você.

APTO PARA TODOS OS WINDOWS 95/98/ME/XP/NT/2000

Para maior informação entre em contado conosco

SHERLOCKSOFT. Disponível em <http://www.sherlocksoft.com/id_po/detalle.asp>. Acesso em 12 de setembro de 2007. Grifo no original.

Não é difícil vislumbrar o cenário de um uso difundido de algo como o SherlockSoft. Esposos e esposas tiranos vasculharão cartas eletrônicas e bate-papos de seus cônjuges. Pais cristãos e muçulmanos poderão vistoriar o contato de seus filhos adolescentes com os terríveis infiéis e o infame mundo além dos arraiais de suas religiões. Patrões antipáticos tirarão do nada mais um motivo para azucrinarem seus funcionários, que é o que eles acessaram na internet quando as lacunas do expediente permitiram.

Vejamos também no anúncio o velho mote do combate à pornografia. A terrível pornografia! As asquerosas imagens do sexo não só prazeroso como fora do casamento; as horríveis imagens de homens e mulheres nus; um mundo sem graça para a nossa sociedade onde cada homem e mulher encontram satisfação sexual no sagrado matrimônio; a ignóbil imagem de uma sexualidade que devemos combater em nós mesmos como uma doença. Eu falo mais sobre isso em "A criminalização do sexo", no blog Contra os reis e as religiões (http://www.grupos.com.br/blog/semsenhores/permalink/13920.html).

Empregados puxa-sacos não farão um uso dos computadores da empresa que desagrada a seus chefes. Mulheres submissas não conversarão com homens em bate-papos. Religiosos com aversão ao sexo não acessarão pornografia. Pessoas despolitizadas não acessarão páginas de jornais e partidos de esquerda ou de movimentos sociais e políticos. Todos eles não terão o que temer com algo como o SherlockSoft, tendo o doce sossego dos alienados.

Walter Nunes Braz Junior / O Reino de Deus - oreinodedeus@grupos.com.br

12/09/2007

da Ansa, em Gaza

As cantoras Madonna e Britney Spears "são imorais, disseminam a corrupção e portanto merecem morrer", afirmou hoje o porta-voz dos Comitês de Resistência Popular, Mohammed Abed-Al (Abu Abir).

A afirmação confirma as declarações publicadas no recém-publicado "Schmoozing With Terrorists" (papeando com terroristas, em tradução literal), livro escrito pelo jornalista Aaron Klein.

Nos últimos meses, os Comitês de Resistência Popular foram protagonistas de diversos ataques armados, entre eles o seqüestro do soldado israelense Ghilad Shalit em junho de 2006.

Ontem, o grupo reivindicou a autoria do ataque a uma base israelense que deixou 70 militares feridos. No livro, Klein especula sobre uma eventual queda dos Estados Unidos diante da Al-Qaeda e pergunta aos milicianos palestinos qual seria o destino de artistas como Madonna e Britney Spears.

Segundo afirmou Abu Abir à Ansa, "se um dia a América se encontrasse sob um califado muçulmano" essas cantoras seriam repetidamente recomendadas a repudiar o passado e adotar a moral islâmica.

Em caso de "perseverarem na difusão de sua corrupção, seria para mim uma honra matá-las".

ANSA. Grupo palestino defende morte de Madonna e Britney Spears. Disponível em <http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u327900.shtml>. Acesso em 18 de setembro de 2007.

Comentários de O Reino de Deus

O Islamismo é apenas a última religião a se recusar a sair da era do atraso, da violência e da ignorância. Mas isso não significa que as demais religiões sejam mais humanas, avançadas ou sensatas (algumas são). No caso cristão, não vemos a pena de morte no Novo Testamento. Significa que Deus era mais amoroso? Não. Então por quê? Porque a Bíblia é fruto de sua época, e no Império Romano, embora as províncias pudessem permanecer em suas religiões tradicionais, não poderiam executar algo como a pena de morte. Foi por isso que Jesus Cristo teve que ser julgado pelo Império Romano por suposto motim contra o Império. Se a liderança judaica pudesse cumprir a Lei de Moisés na íntegra, ela mesma já teria matado Jesus por apedrejamento (os evangelhos são obras fictícias, porém em partes como essa os canônicos são adaptados ao ambiente da estória). Se na época de Cristo Israel fosse algo como o reino de Davi ou de Salomão (segundo o que os livros dos reis dizem), o Novo Testamento teria tantos artigos com a pena de morte quanto a Lei de Moisés.

Walter Nunes Braz Júnior / O Reino de Deus - oreinodedeus@grupos.com.br

Quarta, 19 de setembro de 2007, 11h40 Atualizada às 14h27

Um casal bósnio está se divorciando, depois de descobrir que um traía o outro em chats na Internet. Detalhe: eles começaram o relacionamento virtual usando pseudônimos, e só descobriram a verdade quando combinaram um encontro real com os "novos parceiros".

Sana Klaric, 27 anos, e seu marido Adnan, 32, usavam os nomes de "Sweetie" e "Prince of Joy" em salas de bate-papo. Conheceram-se e iniciaram uma relação, confidenciando-se mutuamente os problemas que tinham em seu casamento. Os dois, de acordo com reportagem publicada no site Metro.co.uk, estavam convencidos de terem finalmente encontrado sua alma gêmea.

Então, resolveram marcar um encontro real para se conhecerem e descobriram a verdade. Agora, o par está em processo de divórcio, e um acusa o outro de ter sido infiel.

"De repente, eu estava apaixonada, era maravilhoso, parecia que ambos estávamos amarrados no mesmo tipo de casamento infeliz", contou Sana. "Depois, me senti tão traída", disse.

Adnan, continua sem poder acreditar no que aconteceu. "É difícil pensar que Sweetie, que escreveu coisas tão maravilhosas para mim, é na verdade a mesma mulher com quem me casei e que, por anos, não foi capaz de me dizer uma única palavra agradável".

Redação Terra

TERRA. Casal descobre ser amante um do outro na web e se divorcia. Disponível em <http://tecnologia.terra.com.br/interna/0,,OI1920421-EI4802,00.html>. Acesso em 19 de setembro de 2007.

Comentários de O Reino de Deus

Quando dizem que o casamento foi criado por Deus, os cristãos querem dizer também que ele é a relação entre homem e mulher mais próxima da perfeição. Mas no mundo real fora da igreja e da Bíblia, apenas poucos felizardos podem afirmar, sem acomodação, hipocrisia ou burrice, que dificilmente encontrariam alguém que poderia fazê-los tão felizes quanto seus cônjuges os fazem.

Como parte desse comentário, vou reproduzir o texto "Adultério", de Regina Navarro Lins, disponível na página Adultério (http://www.adulterio.hpg.ig.com.br/main2.html).

Walter Nunes Braz Júnior / O Reino de Deus - oreinodedeus@grupos.com.br

Adultério

O presente artigo é de autoria da psicóloga Regina Navarro Lins e foi reproduzido do site Cama na Rede com autorização da autora.

Homens e mulheres flertam, se apaixonam e namoram acreditando ter encontrado o ‘verdadeiro amor’, para com ele ficar a vida inteira. No entanto, poucos se contentam com um único parceiro sexual, mesmo enfrentando altos riscos. O adultério sempre foi punido com crueldade pelo mundo afora açoitamento público, decepação do nariz e das orelhas, morte por apedrejamento, fogo, afogamento, etc. Não é incrível que os seres humanos, ainda assim, se envolvam em aventuras extraconjugais? Mas a infidelidade acontece a toda hora, em todos os lugares, com as pessoas comuns e com as famosas. O príncipe Charles e Bill Clinton foram dos mais comentados no final do século passado, mas outros também ocuparam as páginas dos jornais. O ator Anthony Quinn, que faleceu há pouco, aos 80 anos, foi alvo de um escândalo há cinco anos, quando sua ex-secretária teve um filho seu. Mas o mais infiel de todos parece ter sido mesmo o escritor francês George Simenon. Ele estimou ter feito sexo com mais de 2500 mulheres no decorrer dos seus três casamentos.

E a infidelidade da mulher? Desde a infância foi ensinado a ela que deveria ter relações sexuais apenas com o marido. Isso fez com que se sentisse culpada ao perceber seu desejo sexual por alguém que não fosse ele. A dependência econômica também foi uma motivação importante da tendência monogâmica presente na nossa cultura. O marido jamais admitiria uma infidelidade e dessa forma a mulher não teria como sobreviver. Um flagrante de adultério, por exemplo, faz com que a mulher perca todos os seus direitos.

Com a pílula anticoncepcional e a emancipação feminina as coisas começaram a mudar. O número de mulheres infiéis tem se igualado ao dos homens e o adultério começa cada vez mais cedo para ambos os sexos. Pesquisa realizada na Inglaterra, dirigida às mulheres que trabalham fora, comprova que há pouca diferença entre os sexos no que diz respeito às relações extraconjugais. Dois terços das casadas ou com companheiro estável responderam ter cometido adultério. Na ocasião da entrevista, quase a metade das mulheres confessaram estar envolvidas num caso, e 72% garantiram que era melhor fazer sexo com o amante.

Entretanto, o adultério não é nada simples. O conflito entre o desejo e o medo de transgredir é doloroso. A fidelidade não é natural e sim uma exigência externa; numa relação amorosa estável as cobranças de exclusividade são constantes e aceitas desde o início. Com toda a vigilância que os casais se impõem, a fidelidade conjugal geralmente exige grande esforço quando a pessoa se sente viva sexualmente e não abdicou dessa forma de prazer.

Assim, as restrições que muitos têm o hábito de estabelecer por causa do outro ameaçam bem mais uma relação do que a ‘infidelidade’. Mesmo porque, reprimir os verdadeiros desejos não significa eliminá-los. Quando a fidelidade não é espontânea nem a renúncia gratuita, o preço se torna muito alto e o parceiro que teve excessiva consideração tende a se sentir credor de uma gratidão especial, a se considerar vítima, a se tornar intolerante, inviabilizando a própria relação.

Reich afirma que nunca se denunciará bastante a influência perniciosa dos preconceitos morais nessa área. E que todos deveriam saber que o desejo sexual por outras pessoas constitui parte natural da pulsão sexual. Provavelmente diminuiriam as torturas psicológicas e os crimes passionais, e desapareceriam também inúmeros fatores e causas das perturbações psíquicas que são apenas uma solução inadequada destes problemas.

Apesar dos conflitos, medos e culpas, da expectativa dos parentes e amigos, dos costumes sociais, e dos ensinamentos estimularem que se invista toda a energia sexual em uma única pessoa — marido ou esposa —, homens e mulheres são profundamente adúlteros. Será que não está na hora de deixar de negar o óbvio e começar a questionar se fidelidade tem mesmo a ver com sexualidade?

LINS, Regina Navarro. Adultério. Disponível em <http://www.adulterio.hpg.ig.com.br/regina1.html>. Acesso em 19 de setembro de 2007.

Domingo, Abril 09, 2006

"Com ou sem religião existem pessoas boas fazendo coisas boas e pessoas más fazendo coisas más. Mas para que pessoas boas façam coisas más é necessário serem religiosas" Steven Weinberg

No último post abordei a imagem de marca do cristianismo, a encenação e invenção de perseguições inexistentes contra os cristãos. Para os fundamentalistas cristãos americanos essas perseguições são consequências da abominável "cultura" que trivializou matérias tão inadmissíveis como as uniões de facto, a homossexualidade, o sexo, os contraceptivos e o aborto, a tolerância em relação a apóstatas e, especialmente, foi concretizada em abominações como a recente proposta de alteração das leis anti-discriminação nas escolas da Califórnia.

De facto, as associações fundamentalistas cristãs estão em pé de guerra e a mobilizar as suas hostes contra uma proposta de alteração da lei SB 1437 que acrescenta o género e a orientação sexual à versão anterior:

"Nenhum professor dará instrução nem nenhum supervisor escolar de distrito apoiará alguma actividade que se reflicta negativamente em pessoas devido à sua raça ou etnicidade, género, deficiência física, nacionalidade, orientação sexual ou religião".

Para os teocratas esta proibição da mui cristã discriminação de mulheres e homossexuais é uma perseguição, uma opressão da Igreja reiteradamente carpida em prime time e nas primeiras páginas dos jornais:

"Nós estamos enfrentando, como nunca no passado, esta hostilidade contra o povo de Deus" bramiu o "perseguido" pastor Herbert Lusk, que recebeu mais de 1 milhão de dólares de financiamento federal ao abrigo dos programas baseados na fé de Bush. Este "mártir" cristão continuou advertindo:

"Não brinquem com a igreja porque a igreja já enterrou muitos críticos [suponho que todos menos os cristãos recordam alguns desses críticos, vítimas do zelo inquisitorial dos cristãos] e todos os críticos que ainda não enterrámos estamos a tratar dos preparativos do seu funeral".

Na realidade esta pretensão imbecil dos teocratas seria risível se não fosse preocupante. No país que dizem ser hostil em relação ao "povo de Deus", os ateístas são o único grupo que é socialmente aceite discriminar nos Estados Unidos. Numa sondagem conduzida pela Universidade do Minnesota verificou-se que os ateístas são a minoria em que os americanos menos confiam, com níveis de confiança inferiores aos que mereceram muçulmanos ou mesmo os odiados homossexuais.

Na realidade o estudo dos sociólogos do Minnesota era desnecessário, basta pensar que em muitos Estados americanos um motivo perfeitamente válido para decidir a custódia de crianças é a falta de religiosidade, sendo igualmente comuns os casos em que os juizes obrigam pais ateístas a dar educação religiosa aos filhos!

Como um dos membros do Supremo Tribunal mais citado como exemplo pelos teocratas, o juiz Joseph Story, perorava em meados do século XIX, para os cristãos americanos é obrigação do Congresso combater o ateísmo. A liberdade religiosa que afirmam estar em perigo e dizem defender, não se estende à liberdade de não professar uma religião. Aliás, sempre que algum crente se diz defensor da liberdade de religião em qualquer parte do mundo refere-se sempre à liberdade para a "sua" religião; nunca alguém viu um crente defender o direito ao ateísmo, o inimigo execrado e perseguido por todas as religiões!

Podemos apenas imaginar a guerra movida pelo exército cristão e as hordas ululantes em orgias de fé que se mobilizariam se alguma vez um único pai cristão fosse privado da custódia de um filho com base na sua fé!

Ou se, como no Texas, cuja Constituição (Artigo I, Secção 4) permite claramente a discriminação de ateístas em cargos públicos, "ninguém será excluído de uma posição pública com base nos seus sentimentos religiosos, desde que reconheça a existência de um Ser Supremo", o cristianismo fosse causa legítima de despedimento ou impedimento na contratação.

SILVA, Palmira F. Da. Os mártires cristãos nos Estados Unidos. Diário Ateísta. Disponível em < http://www.ateismo.net/diario/2006/04/os-mrtires-cristos-nos-estados-unidos.php>. Acesso em 28 de setembro de 2007.

Comentários de O Reino de Deus

Alguns atalhos não funcionam. Tente estes:

Sobre a lei SB 1437: http://www.ccnews.org/index.php?mod=Story&action=show&id=2212&countryid=0&stateid=0.

Sobre Joseph Story: http://newbillingsoutpost.com/news//index.php?option=com_content&task=view&id=16137&Itemid=5

A discriminação contra ateus é um dos motivos que me levou a criar O Reino de Deus. É reconhecido mesmo por cristãos que o Cristianismo foi base ou escudo de discriminações e atrocidades ao longo de sua história, mas poucos percebem que a discriminação e a intolerância contra o discordante não são apenas coisa do passado. Eu mesmo já recebi um folheto com uma descrição impressionantemente odiosa dos não cristãos. Escreverei a respeito em breve.

Gostaria de parabenizar neste espaço a autora e o Diário Ateísta pelo texto.

Walter Nunes Braz Júnior / O Reino de Deus - oreinodedeus@grupos.com.br