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Meu caro Rogério1 Cambridge, Out. 1. 69 Recebi sua carta, precedida de outra de meu querido amigo Fiori, a propósito de sua intenção de estudar o esforço que venho fazendo no sentido de uma educação para a liberdade. Confesso que sua determinação de fazer um tal estudo faz crescer em mim a responsabilidade no cumprimento do que sempre, humildemente, considerei uma tarefa a realizar. E é com o espírito de tarefeiro que me disponho a oferecer-lhe todos os dados necessários a seu trabalho, tal qual venho fazendo com uma jovem italiana e um professor assistente de Boston University, ambos escrevendo, também, sobre o mesmo tema, ainda que sob ângulos distintos dos seus. Concordo com você em suas observações em torno da ”alienação imensa, profundíssima a que os sacerdotes são sujeitos durante os anos de sua formação [talvez fôsse melhor dizer de sua deformação] no seminário.” Já é tempo, realmente, de mudar. Se é verdade que os seminários, enquanto instituição, não podem ser vistos ou compreendidos fora da estrutura da sociedade em que estão, o que vale dizer que sua transformação implica na radical modificação da estrutura, é possível, porém, antes mesmo que esta se verifique, tentar que eles se façam uma das vozes de tal modificação.* ________________________________ 1 Documento doado ao IPF por Rogério Ignácio de Almeida Cunha, em 26/10/2005. Este texto, digitado pelo próprio doador, mantém, dentro do possível, o formato original do documento manuscrito por Freire. Em razão disso, todos os destaques em verde, grifos, palavras em maiúsculas, números de páginas, formas ortográficas (hoje modificadas), entre outras características, foram mantidas tais como as existentes no original. Rogério é Licencidado em Letras e em Filosofia. É também Doutor em Teologia pela Universidade de Münster. Atualmente, entre outras atividades, assessora a Pastoral Operária e é colaborador do CEBI - Centro de Estudos Bíblicos - no desenvolvimento da “Leitura Popular da Bíblia”. • Deixo de referir-me, pelo menos hoje, a como vejo a transformação do próprio seminário, em função das experiências de uma fase histórica eminentemente secularizada e à qual a estrutura hierárquica da Igreja, retrògradamente medieval, não pode responder. Estou convencido, com IVAN ILLICH, de que o Sacerdócio, como vem sendo assumido, tende a desaparecer, cedendo seu lugar a uma outra forma de expressão inserida nas novas condições históricas que vivemos. Daí que, já de agora, devam constituir-se em centros utópicos, tomando UTORIA no sentido em que a discuto num ensaio que acabo de escrever “CULTURAL ACTION AND CONSCIENTIZATION”. Isto é, como a indissolúvel unidade entre denúncia e anúncio. Denúncia das estruturas desumanizantes e anúncio, - que não podem ser feitos fora do engajamento - de estruturas em que os homens possam SER MAIS, possam amar, sorrir, cantar, criar, recriar. Somente assim poderão os seminários ser proféticos e falar autenticamente de esperança. Se é verdade que para os cristãos nos basta, como fundamento de nossa esperança, a convicção de que Deus não mente, verdade também é que esta convicção não pode justificar nossa inação; nossa neutralidade — que é conivência — em face de uma realidade em que os homens estão sendo proibidos de ser. Não há esperança na passividade, na acomodação, no ajustamento, mas na dialeticidade inquietação e paz, que caracteriza o ato crítico do permanente buscar. Por isto é que minha espera só é válida, se busco e luto com esperança. Uma teologia em que a esperança fôsse a espera sem busca seria profundamente alienante, porque estaria tendo no homem um demitido de sua práxis no mundo. No fundo, esta seria uma teologia que, assosciando esperança com passividade, estaria negando o homem como ser da transformação e, ainda, negando a própria salvação como busca na comunhão. O homem seria um puro espectador, um paciente “esperador” de sua salvação, não um “trabalhador” dela. A salvação deve ser trabalhada para que possa ser esperada. Somente na medida em que busco com esperança, tenho o direito de esperar. Esta esperança, de caráter fatalista, que nos leva à espera inativa e, por isto mesmo falsa, que nos leva à acomodação, ao “status quo”, envolve um equívoco fatal a dicotomia absurda entre mundanidade e transcendentalidade. Nada faço no mundo senão esperar pelo que há mais além dele, que é puro, justo e bom. Desta forma, compactuo com a injustiça, com o desamor, com a exploração dos homens no mundo e nego o próprio ato de amor com que Deus, Absoluto, se limita a Si mesmo [e sòmente Ele se poderia limitar a SI PRÓPRIO] ao ter nos homens, embora finitos, inconclusos, inacabados, seres da decisão, copartícipes de sua obra criadora. …nor is it farfetched to say that artistic production of man, or even ordinary work, is a kind of analogous participation in the creative activity of God Himself*. _____________________________ • Kreyche, Robert Y. – “God and Reality – an introduction to the philosophy of God”. Holt, Rinehart and Winsten – New York – Chicago – 1965, pág 97. _____________________________ Não posso aceitar nenhum imobilismo, que destroe o profundo sentido utópico e profético da mensagem cristã, mensagem que nos sela como seres viáticos, opostos que devemos ser à estabilidade, à parada, que Cristo denunciou quando, depois de um descanso com Seus apóstolos, num lugar gostoso e manso, um deles, mais ou menos LHE disse: Porque partir Mestre, se aqui estamos tão bem Convosco, em paz? E Ele: Havemos de partir, de marchar, de falar aos homens!. Fora desta unidade denúncia-anúncio, que são ação e reflexão constantes, não há esperança e me parece que perdemos o nosso endereço enquanto homens no mundo, com o mundo e com os homens. Talvez nunca, tanto quanto hoje, precisamos tanto de um rejuvenescimento teológico. Algo, porém, que aproveitando o balanço que a chamada Teologia Radical da MORTE de DEUS, provocou na teologia medievalizada, vá mais além dela. Faça o que parece que ela não foi ou não está sendo capaz de fazer. Às vezes, embora não seja teólogo mas um “enfeitiçado” pela teologia, que, em muitos aspectos, marca o que penso vir sendo minha pedagogia, tenho a impressão de que o TERCEIRO MUNDO*, por sua natureza utópica e profética de mundo emergindo pode converter-se numa fonte inspiradora deste ressurgir teológico. É que as metrópoles dominadoras estão proibidas, por sua natureza de sociedades para as quais o futuro é a manutenção de seu presente de metrópoles, de ser utópicas. Estão proibidas de ser esperançosas, estão ameaçadas pelo“establishments” que temem todo futuro que as negue. Sua tendência é condicionar filosofias e teologias pessimistas, negadoras do homem como ser da transformação. Por isto é que, para pensar – e há os que pensam – fora deste esquema, nas metrópoles, é necessário, primeiro, “fazer-se” homem do TERCEIRO MUNDO*. Esta, me parece, devia ser a tarefa básica, ‘the primary concern” dos teólogos do Terceiro Mundo. “Banhar-se” de Terceiro Mundo, para que, utópicos, proféticos, esperançosos, possam ser homens do Mundo. Mas, ser homem do Terceiro Mundo é renunciar às estruturas de poder, aos “establishments” que, neste mundo, representam o mundo da dominação. É estar com os oprimidos, com os “condenados da terra”, numa postura de autêntico amor, que não é a da conciliação impossível entre quem oprime, esmaga, explora e mata e quem é oprimido, esmagado, explorado e prestes a ser morto. É tempo já de os cristãos distinguirem esta coisa tão óbvia: Amor, de suas formas patológicas: sadismo, de um lado; masoquismo, de outro, ou ambos simultaneamente. E contrário deste amor não é, como às vezes ou quase sempre se pensa, o ódio, mas o medo de amar e o medo de amar é o medo de ser livre. A maior, a única prova de amor verdadeiro que os oprimidos podem dar aos opressores seus é retirar-lhes, radicalmente, as condições objetivas que lhes dão o _____________________________________ * Quando falo em TERCEIRO MUNDO em emergência e registro sua natureza utópica, obviamente não me estou referindo a suas elites do Poder, mas a suas massas populares, oprimidas e a um cada vez maior número de intelectuais engajados na luta pela libertação. ____________________________________ poder de oprimir e não, acomodar-se mazoquistamente, à opressão. Sòmente assim os que oprimem podem humanizar-se. E esta tarefa amorosa, que é política, revolucionária, pertence aos oprimidos. Os opressores, enquanto classe que oprime, jamais libertam como jamais se libertam*. Só a debilidade dos oprimidos é suficientemente forte para fazê-lo. Uma corajosa teologia da Revolução tem de fazer esta distinção e tem de ir mais longe que Tomaz no reconhecimento ao direito de rebelião. Como uma teologia da violência deve desmascarar uma série de mitos, entre os quais o de que só o oprimido é violento, quando se defende, afinal, da violência do opressor. Para mim, violento é o ato com que um ou alguns homens proíbem outros ou outra classe de SER. Ai está o desamor. Pelo contrário, amoroso é o ato com que se busca anular esta proibição. A violência dos oprimidos, por isto mesmo, não é violência, mas resposta legítima, é afirmação do ser que já não teme a liberdade e que sabe que esta não é um presente mas uma conquista. ________________________________ * Desenvolvo estas teses amplamente num dos meus últimos livros PEDAGOGIA DO OPRIMIDO, que está sendo traduzido no momento para o Inglês e o Castelhano. __________________________ o ____________________________ Não poderia haver respondido à sua carta burocraticamente. Sim, talvez, parece, é possível. Não escrevo burocraticamente a ninguém. Daí que me tenha estendido tanto, antes de lhe apresentar algumas indicações que me parecem úteis com relação ao núcleo central de sua carta. a) Repito: pode contar comigo fraternalmente. Tantas vezes quantas lhe sejam necessárias, pode escrever-me e eu responderei. b) Fontes de referências: 1) “Educação como prática da Liberdade” Indispensável a leitura penetrante da introdução de Francisco Weffort. Além da edição brasileira, há uma chilena e uma síntese publicada em Paris – 69 – cuja fonte lamentavelmente não lhe posso dar pois jamais me mandaram siquer uma cópia. Sei, porém, que tal síntese foi editada por uma revista dirigida pelo professor de Roche. 2) ”Introducción a la Acción Cultural”. Segundo informação que tive, sairá este mês no Chile. Você poderia pedir que o Fiori lhe remetesse um exemplar. 3) “Pedagogy of the opressed” Está sendo feita a tradução para o inglês. Recebi, há dois dias, carta de um editor alemão, tratando da possibilidade de uma edição aí. Como, porém, em sua carta ele fala de “Bíblia do oprimido”, preferi escrever dizendo-lhe que é Pedagogia e não Bíblia do Oprimido e que, no caso de continuar o interesse, lhe escreveria dando-lhe um resumo do texto. Gosto de “jogar” muito claramente. As posições que defendo no livro, se bem que para mim sejam cristãs, são realmente, duramente revolucionárias. 4) “Cultural Action and Conscientization”. Este ensaio tem duas partes. A primeira com quatro pequenos capítulos, escrevi aqui. Mesmo que trate temática já discutida em outros trabalhos, faço algumas análises novas. A segunda parte é um ensaio pequeno que se encontra incluído na “Introducción a la Acción Cultural”. Estão sendo traduzidas estas partes que compõem o todo do ensaio. Vou tentar gravar a primeira parte e remeter-lhe. 5) Relatório em torno de minhas atividades em 68, no Chile, enviado à UNESCO, pelo fato de ter sido seu “expert” junto ao Instituto de Capacitación e Investigación en Reforma Agrária. Este relatório, de que não tenho cópia em castelhano, foi agora traduzido para o inglês. Remeterei cópia a você. 6) No número Marx-Avril de “Terre entière” - Paris, você encontrará uma análise crítica excelente de meu trabalho. 7) É importante a leitura do livro do prof. Brasileiro Cândido Mendes. Memento dos Vivos —um estudo sobre a esquerda católica brasileira. Tempo Brasileiro Rio - 1967. Sua análise sobre a conscientização é muito bem feita. 8) Prefácio da edição americana de Pedagogy of the opressed, escrito por um dos bons teólogos norte-americanos do Princeton theological Seminary, Dr. Richard Shull. Remeterei cópia a você. 9) Prefácio de Ernani Fiori à edição castelhana deste mesmo livro. Peça diretamente a ele no Chile, onde foi publicado em separata. Aqui não tenho. 10) Remeterei cópia de outro estudo feito, em inglês, por um jovem teólogo em Genebra. 11) “The Church and Conscientização”, Henrique Vaz S. J. Mandarei cópia. No momento, estou em Harvard University, no Center For Studies in Education and Development como visiting Professor, orientando um seminário sobre Adult Education as Cultural Action. Em fevereiro, depois da Conferência anual de Catholic InterAmerican Cooperation Program, em Washington, seguirei para Genebra, onde permanecerei por três anos no Staff de Educação do WORLD COUNCIL OF CHURCHES. Um fraternal abraço para você e para o Pe. Hugo Assmann (ass.) Paulo Freire. P.S. Somente hoje, 5, me foi possível terminar esta carta, devido a um compromisso que tive com a Universidade de Columbia, New York, onde falei sexta-feira passada sobre a Pedagogia do Oprimido. Em certo sentido foi bom porque assim já lhe posso estar remetendo um dos trabalhos prometidos. O estudo do prof. Sanders. (ass.) PF

O SACERDÓCIO À LUZ DO CONCÍLIO Vaticano II Sacerdotalis Caelibatus (Paulo VI) e o Codex Iuris Canonici Duas Vozes – Eagora Primeira Voz Concílio Vaticano II Lumen Gentium (L.G.) – 21/Nov./1964 (Constituição Dogmática Sobre a Ireja) Gaudium et Spes (G.S.) – 07/Dez./1965 (Constituição Pastoral Sobre a Igreja no Mundo Contemporâneo) Presbyterorum Ordinis (Pr.Ord.) – 07/Dez/1965. (Decreto Sobre o Ministério e Vida dos Sacerdotes) Segunda Voz PauloVI - Sacerdotalis Caelibatus – 1967 Codex Iuris Canonici – 25/01/1983 (prom.J. Paulo II) (Terceira Voz) Eagora (Ecclesia hac hora) – 28/05/2010 Nota Introdutória Método Optámos por fazer uma exposição dos textos, coerentemente ligados pela temática comum, de acordo com uma metodologia predominantemente indutiva, de forma a que, da leitura suficientemente exaustiva e global dos mesmos, se induzisse uma Ideia, uma Doutrina. Deste modo, e para mais fácil leitura, se apresenta o Plano Discursivo que passamos a expor. Desenvolvimento – Plano Discursivo Primeira Voz – O Apelo da Criação e O Apelo da Restauração 1. Dignidade radical da Pessoa Humana, pelo Acto da Criação. 1.1. O Home Edénico 1.2. A Terra – A Nova Casa do Homem 2. Dignidade radical da Pessoa Humana, pelo Acto da Restauração 2.1. Pelo Batismo – A Igreja, a Nova Comunidade do Homem 2.1.1 A Igreja, Comunidade Sacerdotal 2.1.1.1 Os Leigos – Sacerdócio Comum 2.2. O Matrimónio, Restauração do Plano Criador de Deus 2.3. O Sacramento da Ordem, Sacramento da Hierarquização da Comunidade Eclesial 2.3.1. – O Episcopado – Colégio dos Bispos e Concílio Ecuménico 2.3.2. – O Presbiterado e o Episcopado – Corpo Sacerdotal SegundaVoz – Liberdade Radical pela Criação e Restauração, e Liberdade pela Lei 1. Os perigos da Perfeita Imperfeição a) Proposta b) O Celibato, de Recomendado a Imposto b1) A Encíclica de Paulo VI “Sacerdotalis Caelibatus” 1967 b2) O código de Direito Canónico (CIC) 1984 (Terceira Voz) – Eagora (Ecclesia Hac Hora) Primeira Voz – O Apelo da Criação e o Apelo da Restauração 1 Dignidade Radical da Pessoa Humana, Pelo Acto da Criação 1.1 O Homem Edénico Perante o Mundo, perante a História, começa o Concílio por encontrar a Verdade comum, alicerce do Diálogo Civilizacional e Religioso que se propõe fomentar com o mesmo Mundo, a História e a própria Igreja. “Crentes e não crentes estão geralmente de acordo neste ponto: tudo o que existe na terra deve ser ordenado para o homem, como para o seu centro e vértice.” (G.S. 12) Não será difícil aceitar, no plano das ideias, a centralidade da pessoa, na globalidade de todas as outras criaturas; isto mesmo já proclamava a Renascença: o Homem como Centro do Universo. No entanto, há que estar atento ao perigo de tal centralidade que, em vez de contribuir para a sua dignidade, se pode virar contra o próprio Homem. O Homem, tudo quanto olha à sua volta, é tentado a tomá-lo como objecto para si próprio. Chega mesmo a confundir o “Outro,” não como um “alter-ego,” mas como uma “res” para seu serviço. Ao longo dos séculos, até aos nossos dias, as diversas formas de escravatura, ditaduras, intolerância testemunham este desvio, quando a centralidade é tomada em absoluto pelo homem, quer enquanto indivíduo quer mesmo como grupo social, cultural, político, religioso. Esta centralidade não o pode levar à cegueira de não reconhecer o seu semelhante como um «alter-ego» mas antes, o deve levar a interrogar-se donde lhe vem tal centralidade, posição hierárquica e poder. A primeira evidência é o reconhecimento da sua fragilidade, dependência. Mas, por vezes, tal reconhecimento, em vez de o conduzir à humildade da sua verdade, orgulhosamente o revolta, exprimindo tal sentimento pelo espezinhamento do “Outro”, alimentando formas de «superioridade» como o absolutismo, ditadura ou outras mais subtis como a indiferença e o desprezo. Recordamos uma vez mais a Renascença e outros movimentos que mais tarde a tentaram promover, como a Revolução Francesa. Previdente à possibilidade desta situação de ser “singular” tendente à cegueira do absoluto, do quase imortal, o texto bíblico (gen. 2, 18) avisa: “não é conveniente que o homem esteja só; vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele”. A relatividade leva-nos à consideração do «Outro», ao seu acolhimento e previne-nos da vertigem do absoluto – nós que somos “im-perfeitos”. Esta pluralidade é acentuada na Bíblia, quando nos diz que o homem foi criado “à imagem de Deus, criou-os homem e mulher” (Gen. 1, 27) a singularidade dá lugar à pluralidade, comunidade: homem e mulher «(uir mulierque)». Pela própria cadência narrativa do texto conciliar, o Homem aparece como coroa da criação, mediatizador entre a criatura e o criador. Definitivamente, o absoluto egocentrismo do Homem, está sanado. “Na unidade do corpo e alma, o homem, pela sua própria condição corporal, é uma síntese do universo material, de tal modo que, por meio dele, atinge o seu ponto mais alto e ergue a voz para louvar livremente o Criador.” (G.S. I, 14) Esta atitude mediadora, entre o criado e o criador, marca, indelevelmente, a natural condição primária, a raiz de todo e qualquer ministério., O homem, por natureza, no plano da criação, é Sacerdote, tem o dom de sagrar (sacer), de sacralizar, meter no domínio do sagrado, de Deus, a criatura, a começar por si próprio. Como se diz em Génesis 1,25 “Deus, depois de ter criado todas as coisas, contemplando a sua Obra, viu que isto era Bom”; de seguida, disse: “façamos o Homem à nossa imagem, à nossa semelhança”. O Homem é criado para perpetuar aquela palavra de louvor e acção de graças que o próprio Deus, revendo-se na sua Obra, dissera: “tudo era muito bom”. 1.2. A Terra – a Casa do Novo Homem. Na sequência histórica da Criação, encontramos, depois de um longo iato de tempo que se segue ao convívio edénico, um Novo Homem, em tudo igual ao primeiro, da mesma família humana, a expressão acabada e perfeita do Logos inicial – o Verbo Incarnado. Não se dirige para o Éden, onde o homem já não se encontra, mas para a Terra, a Nova Casa do Homem. “Cristo, Novo Adão (…) manifesta perfeitamente o Homem ao próprio Homem e descobre-lhe a sublimidade da sua vocação inicial.” (G.S. I, 22) “Ele que é “Imagem de Deus invisível” (Col. 1, 15), é também o Homem Perfeito que restitui à descendência de Adão, a semelhança divina, deformada desde o primeiro pecado. Porque n’Ele, a natureza Humana foi assumida, não absorvida, e, por isso mesmo, esta natureza foi elevada, também em nós, a uma dignidade sem par” (G.S. I, 22). Agora, o Homem em Jesus Cristo, assume, com toda a propriedade, a sua natural condição de mediador, de consciência do mundo criado. A Natureza sacerdotal do Homem é restaurada, elevada para além dos limites da primitiva criação. Até Jesus Cristo, a humanidade no seu conjunto, e cada um dos seus membros, era o espelho do Criador, a sua imagem mais ou menos perfeita, como toda e qualquer obra é imagem do seu autor. Com Jesus Cristo, assumindo a Natureza humana, Ele que é a Verdadeira e Perfeita Imagem do Pai, não como ser Criado, mas como ser Gerado (da mesma Génese do Gerador) – “Gerado não Criado” – Deus. A condição de Criatura da humanidade, eleva-se ao estado do próprio Cristo (Gerado) – «Geratura». É neste mistério de Deus feito Homem e do Homem assumido à geração de Cristo, que se fundamenta, em rocha inabalável, o Homem Novo (e a Nova Terra) e sua consequente dignidade. Não apenas o Homem em sentido colectivo e geracional, mas cada um de per si, o Indivíduo o “ego”, agora libertado da esterilidade do egoísmo e fecundado pela relativização comunitária com o «Outro», “outro eu”. 2. Dignidade radical da Pessoa Humana, pelo Acto da Restauração 2.1. Pelo Batismo – o Novo Homem – a Nova Comunidade Humana, a Igreja O mistério da Criação e da Regeneração, embora sejam visíveis ou previsíveis à luz baça da Razão, quando esta busca a Verdade na inquietação e procura diária da sua auto-gnose: “Quem sou eu? O que é o Homem?”; no entanto, é pela Revelação Testamentária que obtemos a resposta. O Senhor Deus, através do Seu filho Jesus Cristo, fundou a sua Igreja “a qual é, em Cristo, como que sacramento ou sinal, e também instrumento da união íntima com Deus e da unidade de todo o género humano”. “Por isso, este Sagrado Concílio, congregado no Espírito Santo, deseja ardentemente, anunciando o Evangelho a toda a criatura (Mc. 16, 15), iluminar todos os homens com a claridade de Cristo que resplandece na face da Igreja”. (L.G. I, 1) Assim, aparece a Igreja inteira como “Povo congregado na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (L.G. I, 4) “ Este reino começa a aparecer claramente aos homens nas palavras, nas obras e na presença de Cristo” (L.G. I, 5) Mais adiante, o texto conciliar esclarece, à evidência da luz da fé: “o Filho de Deus, unindo a si a natureza humana e vencendo a morte com a sua própria Morte e Ressurreição, remiu o Homem, transformando-o numa Nova Criatura (Gal. 6, 15; 2Cor. 5, 17) e pela comunicação do espírito constituiu com os seus irmãos, chamados de entre todas as gentes, o Seu Corpo Místico. Neste Corpo, a vida de Cristo comunica-se aos crentes que, através dos sacramentos, se unem, de modo misterioso e real, a Cristo que sofreu e foi glorificado. Pelo Baptismo configuramo-nos com Cristo: “porque num mesmo espírito fomos baptizados todos nós, para sermos um só corpo” (1Cor. 12, 13) (L.G. I, 7). “Configuramo-nos”, isto é, passamos a ter uma figura que, no caso, deixa de ser a que tínhamos antes, isolados, e passa a ser a nossa com a Figura de Cristo, de tal modo, que adquirimos um novo nome, o de Cristãos: o de configurados com Cristo. O nosso Ser Natural (essência) pela nova ordem da nossa Existência passa a Ser Cristão (Sobrenatural). O Batismo é o sinal que assinala, marca directamente o indivíduo, para o inserir numa Comunidade. Antes de mais, na própria Família de sangue, onde nasceu para a Criação e onde deve renascer para a Regeneração. A família é pois, berço da Natura e o berço da Fé. Daqui, deve a Família partir para a vasta Comunidade Batismal e desta, para a Sociedade de Todos os Homens, como semente, fermento do Novo Reino, do Novo Povo. 2.1.1 A Igreja Comunidade Sacerdotal 2.1.1.1. Os Leigos – Sacerdócio Comum Como já sublinhámos, ao [homem e mulher] criados por Deus, estava-lhes inerente a mediatização sacerdotal, numa liturgia de Louvor e Acção de Graças a Deus, pela Criação. Pelo pecado, o Homem, expulso do seu estado primitivo (dele desconfigurado), sente agora o peso da sua liberdade usada no sentido oposto ao que era o plano inicial – Louvor e Acção de Graças. Nesta situação de perda, no embaraço do pecado, não encontra o caminho para o regresso, que teria de passar pela Expiação. Vagueando pela Terra, Deus vem ao seu encontro e dá-lhe a resposta da Esperança da vinda do Salvador, da Reconciliação, da Regeneração, para readquirir o seu estado de mediador entre todas as criaturas, e o Deus Criador. A História da Humanidade dá-nos testemunho da inquietação do Homem neste esforço de reatar de “religare”, através de todas as formas de culto que a mesma história regista e testemunha, mesmo quando essas formas cultuais assumem as expressões mais aberrantes na sua arracionalidade. Um Povo, apesar de tudo, O Povo Escolhido, mantém a sua fidelidade penitente ao Deus Único, prestando-lhe culto através de ritos que procuram exprimir os seus sentimentos mais profundos para com Javé. É este Povo, representante simbólico de todos os Povos, que recebe a Promessa de um Salvador e é do meio deste Povo que surge “«Cristo Senhor», Pontífice tomado de entre todos os Homens (Heb. 5, 1-5), fez do Novo Povo “um reino de sacerdotes para Deus e Seu Pai” (Apoc. I, 6; 5, 9-10). Pela Regeneração e pela união do Espírito Santo, os batizados são consagrados para serem edifício espiritual e Sacerdócio Santo, de modo que ofereçam, em toda a sua actuação cristã, sacrifícios espirituais e proclamem as grandezas d’Aquele que os chamou das trevas para a Sua Luz maravilhosa”. (1Pedro. 2, 4-10) (L.G. I, 10) De seguida, o texto procura esclarecer, ou ler a seu modo, o parágrafo anterior, dizendo: “o sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial, ou hierárquico são diferentes um do outro essencialmente e não apenas em grau, mas ordenam-se cada um para o outro”: (como dando a mão), … acrescenta: “na verdade ambos participam a seu modo peculiar, do sacerdócio único de Cristo” (L.G. I, 10) Não vamos amiudar a exegese deste texto que, no mínimo, terá uma redacção menos feliz; confrontemo-lo com a definição de «leigos» do mesmo documento: “Por «leigos» entende-se aqui todos os fiéis, com excepção daqueles que receberam uma ordem sacra ou abraçaram o estado religioso aprovado pela Igreja, isto é, os fiéis que – por haverem sido incorporados em Cristo pelo Batismo e constituídos em Povo de Deus, e por participarem a seu modo no múnos sacerdotal, profético e real de Cristo – realizam na Igreja e no mundo, na parte que lhes compete, a missão de todo o povo cristão.” (L.G. IV, 31) O Concílio não se cansa de, palavra a palavra, cinzelar o carácter sacerdotal daqueles que, pelo Batismo, são incorporados em Cristo. O Povo Santo de Deus Guarda Infalível da Fé e dos Costumes. “O Povo Santo de Deus participa também da função profética de Cristo, difundindo o seu testemunho vivo, sobretudo pela vida de fé e de caridade, oferecendo a Deus o sacrifício de louvor, fruto dos lábios que confessam o Seu nome (cfr. Hebr. 13, 15). A totalidade dos fiéis que receberam a unção do Espírito Santo (cfr. Jo. 2, 20 e 27), não pode enganar-se na fé; e esta sua propriedade peculiar manifesta-se por meio do sentir sobrenatural da fé do povo todo, quando este, «desde os Bispos até ao último dos leigos fiéis», manifesta consenso universal em matéria de fé e costumes. Com este sentido da fé, que se desperta e sustenta pela acção do Espírito de verdade, o Povo de Deus, sob a direcção do sagrado magistério que fielmente acata, já não recebe simples palavra de homens mas a verdadeira palavra de Deus (cfr. 1 Tess. 2, 13), adere indefectivelmente à fé uma vez confiada aos santos (cfr. Jud. 3), penetra-a mais profundamente com juízo acertado e aplica-a mais totalmente na vida.” (L.G. II, 12). Para sentirmos até onde o Batismo incorpora em Cristo todos os membros da Sua Igreja, observemos este outro texto sobre a Função docente dos Bispos e sua infalibilidade. Embora os Bispos, individualmente, não gozem da prerrogativa da infalibilidade, anunciam, porém, infalivelmente a doutrina de Cristo sempre que, embora dispersos pelo mundo mas unidos entre si e com o sucessor de Pedro, ensinam autenticamente matéria de fé ou costumes concordando em que uma doutrina deve ser tida por definida. O que se verifica ainda mais manifestamente quando, reunidos em Concílio Ecuménico, são doutores e juízes da fé e dos costumes para toda a Igreja, devendo-se aderir com fé às suas definições. Mas esta infalibilidade com que o divino Redentor quis dotar a Sua igreja, na definição de doutrinas de fé ou costumes, estende-se tanto quanto se estende o depósito da divina Revelação, o qual se deve religiosamente guardar e fielmente expor. “(L.G. III, 25) Os Fiéis destinatários deste magistéro, como já vimos, são chamados a, de forma activa e atuante, a, pela sua adesão, manifestarem o Dom do Espírito que neles é garante da mesma Fé e Costumes. Fica claro que, é no Povo Santo de Deus, (resto de Javé) que, em última análise, em tempos Apocalípticos, restará a verdade da fé e dos costumes. Isto tem como consequência profética o dever imperioso da Hierarquia estar atenta ao profetismo do Povo Santo de Deus e a mesma atitude é requerida a este em relação ao magistério ministerial. Hierarquia e Fiéis Leigos necessitam-se na unidade da fé e costumes do povo de Deus. 2.2. O Matrimónio, Restauração do Plano Criador de Deus. Assim como o Batismo é, antes de mais, um sacramento que vem ao encontro da “singularidade”do indivíduo, assinalando-o enquanto imagem de Deus Uno e Único, o Matrimónio é um “sinal” que consagra a “pluralidade” comunitária da pessoa criada por Deus na sua “ambidade” de (homem e mulher). Esta natural condição genesíaca do Homem, que brota do mesmo mistério da Criação, tornada sacramento, assinala a Natura profunda do Homem, dando-lhe a distinção de ser a imagem (a revelação) mais visível da pluralidade trinitária de Deus na unidade amorosa do Casal,” Imagem do Amor de Cristo pela Igreja sua Esposa” (G.S. I, 48) e de Cristo com o Pai, na unidade do Espírito Santo. A união de Cristo e da Igreja torna-se o modelo da união entre o homem e a mulher, é o protótipo do Matrimónio que o próprio Deus criou. (G.S. I, 48 e 50) 2.3. O Sacramento da Ordem, Sacramento da Hierarquização da Comunidade Eclesial O Batismo, sacramento que nos torna membros da Igreja, Povo de Deus, tem como ministro – toda e qualquer pessoa, desde que execute o rito com o mesmo espírito da Igreja. “Ninguém dá o que não tem” mas o ministro não dá, administra o Bem que é da Igreja, que é Cristo. O ministro, no seu gesto, é canal, é instrumento, a eficácia está na Igreja, no Povo de Deus, em Cristo. É um sacramento onde, pelo ministro, se vê a aproximação entre a Obra da Criação e a Obra da Redenção, como dois momentos do Amor de Deus pelo Homem, e da necessidade que Deus tem (a Igreja, Cristo) da colaboração do Homem de boa vontade: tanto lhe basta, para acontecer o Batismo que é o alicerce de toda a construção sacramental (Igreja); todos os outros sacramentos pressupõem este. O Matrimónio, sacramento donde “procede a Família, que bem pode chamar-se igreja doméstica, onde nascem os novos cidadãos para a sociedade humana que, por graça do Espírito Santo, se tornam filhos de Deus, no Batismo, e perpetuam, através dos séculos, o Povo de Deus.” (L.G. II, 11) Será de sublinhar que este sacramento tem, como ministros, os Nubentes, eles que, pelo Batismo, estão unidos ao sacerdócio único de Cristo e, deste modo, beneficiários do sacramento da ordem. Se sem o Batismo, quer no plano teórico, quer no plano prático, não temos todos os outros sacramentos, sem o Matrimónio, que institui a primeira célula da sociedade, (pelo menos no plano prático) perderia sentido o sacramento da Ordem que se destina a organizar a sociedade, povo de Deus, Igreja, em ordem ao Bem Comum, a Santidade. Daí a Ordem (Sacramento) ser um Ministério, um serviço para a Igreja, para o Povo de Deus, donde, os “ordenados” serem chamados ministros, devidamente organizados, hierarquizados, com vista ao bem da Comunidade Eclesial (e até da própria comunidade humana em geral). Sem a Ordem, apenas dois sacramentos serão possíveis, o Batismo e o Matrimónio. Mas uma vez que só estes dois sejam possíveis, eles mesmos reclamam o sacramento da Ordem, como sacramento da visibilidade da vida eclesial e, consequentemente, os outros seriam igualmente exigidos para o bem da própria Igreja, da própria presença amorosa de Cristo. Batismo, Matrimónio, Ordem têm em comum, a Sacralização da Natura e, daí poderem chamar-se de “Sacramenta Naturae”ou, mais incisivamente, «Sacramenta ad Naturam Colendam». Refulge, no entanto, a união luminosa entre a Ordem e a Eucaristia: ou seja, se ao ministro incumbe organizar, administrar, o Bem da Igreja, antes de mais, tem que alimentar-se a si próprio e ao seu povo. A Ordem e a Eucaristia, sacramentos distintos entre si, mas intimamente complementares: um é a Caritas – serviço, o outro é a Caritas – pão. Serviço para todos, Pão para todos: donde, a Eucaristia ser o vértice da pirâmide sacramental, donde brotam todos os outros sacramentos. Neste contexto, o Sacerdócio de Cristo, presente em todos os cristãos, atinge o seu máximo esplendor no Sacerdócio Ordenado para o serviço, sempre disponível, do Povo de Deus. (L.G. I, 10; IV, 32) 2.3.1. O Episcopado – Colégio dos Bispos e Concílio Ecuménico O Ministro do sacramento da Ordem é o Bispo, sacerdote em plenitude, pela imposição das mãos, num simbolismo de passagem de uma virtude, de um poder, para o outro. Assim nos diz o Concílio: “pela consagração episcopal, é conferida a plenitude do sacramento da Ordem, e por isso ela se chama na Liturgia da Igreja e na linguagem dos Santos Padres, «sumo sacerdócio», «cume do ministério sagrado», juntamente com o múnos de santificar, a consagração episcopal confere ainda os de ensinar e de governar, ofícios aliás, que, por sua natureza, não podem exercer-se senão em comunhão jerárquica com a Cabeça e com os membros do Colégio. Na verdade, consta claramente da Tradição, qual aparece sobre tudo nos ritos litúrgicos e no uso da Igreja quer oriental quer ocidental, que, pela imposição das mãos e pelas palavras consecratórias, se confere a graça do Espírito Santo e se imprime o carácter sagrado, de tal modo que os Bispos, de maneira eminente e visível, fazem as vezes do próprio Cristo, Mestre, Pastor, e Pontífice, e agem em Seu nome”. (L.G. III, 21) Acrescentando ainda: “assim como os doze apóstolos com Pedro formavam o Colégio Apostólico, assim os Bispos com o sucessor de Pedro formam o Colégio dos Bispos. O poder supremo que este colégio possui sobre toda a Igreja, é exercido de modo solene no Concílio Ecuménico, em união com o Papa.” (L.G. III, 22; 25) 2.3.2. O presbiterado e o Episcopado – Corpo Sacerdotal Nesta linha de Serviço Ministerial, os Bispos confiaram legitimamente o cargo do seu ministério, em grau diverso, a pessoas diversas na Igreja. Assim, os Presbíteros, “ainda que não possuam a coroa do pontificado e dependam dos Bispos no exercício dos seus poderes, os Presbíteros estão-lhes unidos na dignidade Sacerdotal comum e, pelo sacramento da Ordem, ficam consagrados para pregar o Evangelho apascentar os fiéis e celebrar o culto divino, como verdadeiros sacerdotes do Novo Testamento, à imagem de Cristo.” (L.G. III, 28) Mais abaixo, continua a constituição dogmática: “os Presbíteros, chamados ao serviço do povo de Deus como prudentes cooperadores da Ordem Episcopal seus auxiliares e seus instrumentos constituem com o Bispo um único presbitério ou Corpo Sacerdotal embora diversificado pelas funções.” (L.G. III, 28) Fica clara a pirâmide hierárquica que, ao mesmo tempo que se une pelo Sacerdócio Comum a todo o Povo de Deus, fazendo parte desse mesmo Povo, dele se distingue “essencialmente”, na palavra do concílio, para, pelo sacramento da Ordem, se constituir em poder hierárquico, ainda que de serviço para toda a Igreja. O sublinhar a “diferença” é importante, em termos do funcionamento da Sociedade que se quer Perfeita mas, na Igreja, é a “«Comunio», a união comum pelo sacerdócio batismal, que pode e deve conferir à Igreja Hierarquizada, a grandeza da sua função, de proporcionar a todo o Povo de Deus, que luta com o mesmo empenho para o Bem Comum, a unidade em Cristo, de todos os seus membros. Daí que será uma traição, qualquer distanciamento ou menos apreço efectivo, ou afectivo, de todos os membros entre si, e de um modo muito particular, entre os detentores do Sacerdócio Ordenado e do Sacerdócio Comum: terão de escutar-se! Para que haja um só Rebanho e um só Pastor Jesus Cristo. A mesma raiz – Jesus Cristo, o mesmo Fruto – o Reino de Deus. Segunda Voz – Liberdade Radical pela Criação e Restauração e Liberdade pela Lei 1. Os perigos da Perfeita Imperfeição a) Proposta: “os sacerdotes pela sagrada ordenação e pela missão que receberam das mãos do Bispo, são promovidos a servir a Cristo, Mestre, Sacerdote e Rei, de cujo ministério participam e pelo qual a Igreja neste mundo, se constitui continuamente em Povo de Deus, Corpo de Cristo e Templo do Espírito Santo.” (Pr. Ord. 1) Tal missão tão sublime, acarreta consigo, uma conduta, por parte do Sacerdote, quer a nível humano, quer como crente, que não entolde o ilustre serviço a Cristo, Mestre, Sacerdote e Rei. “De entre as virtudes que são mais necessárias ao ministério dos Sacerdotes, merece especial referência aquela atitude de espírito com que estão sempre dispostos a procurar, não a própria vontade mas, a vontade d’Aquele que os enviou. (…) O verdadeiro ministro de Cristo trabalha na humildade.” (Pr. Ord. 15) A humildade, segundo o concílio e todo o bom senso, será a virtude base de todas as outras. Ela será mesmo o esplendor da Verdade, tanto a nível natural como sobrenatural. Filha natural da humildade, (humilis < humus), a obediência “consagra a vontade própria, ao serviço de Deus e dos irmãos;” continua o mesmo texto: “Por esta humildade e obediência responsável e voluntária, os sacerdotes assemelham-se a Cristo, (…) que se despojou de si mesmo, tomando a forma de servo.” (Pr. Ord. 15) Nesta linha de “proposta” aparece a “continência perfeita e perpétua (…) sempre tida em mui grande apreço pela Igreja através dos séculos e mesmo nos nossos dias.” (Pr. Ord. 16) Recomenda-se pois, o celibato e sublinha-se “toda a sua conveniência na vida sacerdotal.” (Pr. Ord. 16) Esta recomendação insere-se no apelo feito a todos os crentes, no âmbito dos conselhos evangélicos e da santidade que é exigida em todos os estados de vida. “Por conseguinte, todos os fiéis santificar-se-ão dia a dia, sempre mais, nas diversas condições da sua vida, nas suas ocupações e circunstâncias.” (L.G. 41) Todos, de um modo peculiar os casados, são chamados a viver a seu modo, os conselhos evangélicos afectiva e efectivamente – Castidade, Pobreza, Obediência e todos os demais apelos – «tantum quantum, pro Ecclesia:» Afectivamente, todos são chamados a seguir tais conselhos, enquanto os estimam e apregoam; Efectivamente, enquanto, nas mais diversas situações, pelo menos temporariamente, os devem experimentar, até para que mais os possam apreciar e levem os outros, segundo sua condição, a acolhê-los no seu coração. Nesta linha, diz Häring, em «Graça e Exigência dos Sacramentos», 1964 (pag.316) “Os esposos Cristãos, apenas poderão compreender exactamente e realizar a sua vocação particular, a missão da graça do sacramento do Matrimónio, no Sim cheio de fé para com o sacerdócio especial da Igreja e na veneração diante da vocação Virginal. Os dois sacramentos que dão origem a um estado, a ordenação sacerdotal e o sacramento do matrimónio, estão ordenados um para o outro, como duas funções fundamentais para a edificação do Corpo de Cristo da Igreja. Eles têm de se completar mutuamente. O sacerdote aprende do amor intuitivo dos esposos, do espírito de sacrifico dos pais, como ele, – embora de um modo totalmente diferente – pode “ser todo para todos”. A pessoa casada aprende do sacerdote, não só a mensagem da verdade divina, mas compreende-se segundo o exemplo especial do sacerdote, também como «pastor de almas», como anunciador da Boa Nova daquele amor, do qual é permitido ao amor abnegado dos esposos e dos pais, ser uma representação. A família Cristã é, em união íntima com todo o povo sacerdotal de Deus, um lugar sagrado do louvor de Deus. De modo análogo, também a virgindade cristã e o matrimónio cristão, estão relacionados um com o outro: Não só a vocação das virgens e dos célibes, por amor do Reino dos Céus, mas também o amor conjugal, tem a sua fonte da graça e a sua norma intrínseca, no amor virginal entre Cristo e a Igreja. Se as pessoas casadas receberam o seu estado, de Deus como chamada e graça, então, procurarão agradar-se umas às outras, não à maneira do homem velho, mas antes «à maneira de Cristo» (cfr. Rom. 15, 5) nisto podem os que são casados ser semelhantes aos célibes (cfr. ICor. 7, 29) embora, a seu modo, e certamente sem prejuízo do amor conjugal. Com todo o coração, isto é, com um amor comum, procuram «o que é do Senhor, como hajam de agradar ao Senhor».” Os que por vocação especial vivem estes conselhos como um estado de vida, apelam a todos os fiéis que façam esta experiência e têm necessidade de que o seu apelo seja ouvido, pois, só assim, se sentirão acompanhados pela Igreja, na sua doação atemporal. Tal apelo e proposta evangélica é mobilizadora para toda a Igreja. A resposta Livre e de acordo com o estado e circunstâncias de cada fiel, será um estímulo a que toda a Igreja dos Batizados se sinta efectiva e afectivamente, Igreja dos Consagrados. A proposta mobiliza, a imposição quebra toda a iniciativa e, mesmo quando a consegue despoletar, facilmente a rotiniza e lhe corta toda a frescura, tornando-se um contra-testemunho do tal Reino de Deus. b) O Celibato, de recomendado a imposto Reconhece o Concílio que, a continência perfeita e perpétua, o celibato, “Na verdade, não é exigida pela própria natureza do sacerdócio (…) Ao recomendar o celibato eclesiástico, este Sagrado Concílio não pertende de modo nenhum modificar a disciplina contrária que legitimamente vigora nas Igrejas Orientais.” (Pr. Ord. 16) Depois desta nota reverencial, para com os sacerdotes das Igrejas Orientais, reafirma a conveniência do mesmo, para a Igreja Ocidental, para logo reconhecer: “o celibato, que a princípio era apenas recomendado aos sacerdotes, foi mais tarde imposto por lei”. (Pr. Ord. 16) E apesar destes pressupostos, quer no que diz respeito às Igrejas Orientais, quer no que diz respeito à prática primitiva, o texto opta por confirmar a imposição da lei: “este sagrado concílio aprova e confirma de novo esta legislação no que diz respeito aos que se destinam ao presbiterado” (Pr. Ord. 16) b1.) A Encíclica de Paulo VI Sacerdotalis Caelibatus (1967) Começa a encíclica por declarar que “O celibato sacerdotal, que a Igreja guarda como jóia refulgente da sua coroa, conserva toda a sua glória e valor mesmo nos nossos dias, apesar da profunda transformação das mentalidades e das estruturas.” (S.C. 1) Esta é a tese formulada, e de vários modos repetida ao longo do texto, sem que seja aduzido qualquer argumento que a venha fundamentar. Aliás, compreende-se tal falta de análise e escassez de argumentos, uma vez que, à partida, tratava-se de satisfazer um compromisso, assumido com os Veneráveis Padres Conciliares que “Nos obriga a cumprir, afastando toda a hesitação, o que prometemos aos Veneráveis Padres do Concílio, aos quais tínhamos dito que era nosso propósito acrescentar novo esplendor e nova força ao Celibato Sacerdotal nas circunstâncias actuais.” (S.C. 2) À luz destas palavras, a encíclica pretende aclarar, esplanar, dar vigor a um texto conciliar que, pelos vistos, sobre tema tão candente, não teria estado à altura de o tratar. Paulo VI quis fazer aquilo que o Concílio não fez, ou, de algum modo, ser mais claro que o próprio Concílio, pois o texto conciliar reduze-se ao nº16, cerca de uma página do decreto sobre o Ministério e Vida dos Sacerdotes. O que não deixa de parecer uma crítica ao próprio texto conciliar. Porque procedeu o Concílio nestes termos, que o Papa considera não completos? Quem souber a resposta, encontrará, certamente, de um lado, o Concílio, do outro, o Papa Paulo VI. E, teremos de ser justos, reconhecendo que Paulo VI não conseguiu “acrescentar novo esplendor e nova força” ao texto conciliar. Talvez mesmo tenha criado novas resistências no coração de todos quantos leram esta «amorosa encíclica». (Como nota, será de esclarecer que o «compromisso» de que fala o Papa, terá sido tomado através de uma carta de 10 de Outubro de 1965 ao Cardeal Tisserant, lida na 146ª Congregação Geral do Concílio, em 11 de Outubro de 1965. Mais ainda será de notar que, todos os documentos conciliares, incluindo “Presbyterorum Ordinis,” foram Promulgados por Paulo VI.) E o Papa, parecendo concluir algo a partir de «novos» dados, repete o que escrevera no nº1, apenas substituindo a palavra «jóia» pela de «lei»: “julgamos, por isso, que a lei do celibato, actualmernte em vigor, deve ainda hoje permanecer ligada ao ministério eclesiástico.” nº14 «Dolorosas Deserções» É este o título dado ao cap. 3º. Limitamo-nos a transcrever o nº 83, sem qualquer comentário que possa perturbar a nossa caridade. “Nesta altura o nosso coração volve-se com paterno amor, com ansiedade e grande dor, para aqueles infelizes, mas sempre muito amados e muito queridos irmãos Nossos no sacerdócio os quais, mantendo impresso na sua alma o carácter sagrado conferido na ordenação sacerdotal, foram ou são desgraçadamente infiéis às obrigações contraídas no tempo da sua consagração. O seu lamentável estado e as consequências privadas e públicas que dele decorrem, levam alguns a perguntar se não é precisamente o celibato o responsável, de algum modo, por tais dramas e pelos escândalos que daí advêm para o Povo de Deus. Na realidade a responsabilidade recai, não sobre o próprio celibato sagrado em si mesmo, mas sobre uma avaliação, a seu tempo, nem sempre suficiente e prudente, das qualidades do candidato ao sacerdócio, ou sobre a maneira como os ministros sagrados vivem a sua total consagração.” (nº83) b2.) O Código de Direito Canónico (CIC) – 1984 Capítulo IV Da perda do estado clerical “A sagrada ordenação, uma vez recebida validamente, nunca se anula. No entanto, o clérigo perde o estado clerical: (…)” (Can. 290) Depois do que lemos na encíclica, de Paulo VI, não podemos esperar algo de substancialmente diferente no CIC. Se não, vejamos. Em nota ao cap. IV, “De amissione status clericalis”, esclarecem os canonistas: “«Redução ao estado laical» era a expressão usada pela legislação precedente, tanto codicial como pós-codicial para designar o que mais exactamente este capítulo intitula de «perda do estado clerical» com efeito, o termo «reduzir» entranhava uma certa infravaloração do estado laical, que não era congruente com a igualdade radical de todos os fiéis, proclamada pelo concílio Vaticano II, mesmo sendo diversos os modos de participação e diferentes as condições jurídicas em que se encontrem os fiéis.” Pelos vistos, a expressão «redução ao estado laical», soava a castigo, a despromoção; «o laicado» passaria a ser o castigo infligido aos clérigos. Por isso, o código fala agora de – “perda do estado clerical” – e da consequente perda de «direitos próprios desse estado» (Can. 292): “e fica proibido de exercer o poder da ordem, salvo o prescrito no Can 976” – ”qualquer sacerdote, ainda que careça da faculdade de ouvir confissões, absolve válida e licitamente quaisquer penitentes que se encontrem em perigo de morte, ainda que esteja presente um sacerdote aprovado.” Apenas algumas notas de comentário: 1. O clérigo perde o estado clerical. Can.292 Perdendo o estado clerical, onde situá-lo na Comunidade dos Crentes? Leigo!? Mas, porque ordenado, não pode ser. Não é clérigo, não é leigo, não é religioso…! Que resposta? 2 O clérigo perde os direitos próprios desse estado. Can.292 Perde tudo aquilo que, a permanência em tal estado, lhe confere, inclusive o nome de clérigo ou outros que, por tradição, convivem com este: abade, prior, padre, vigário etc. Mas o próprio texto de todo o capítulo IV, quando quer nomear este «indivíduo de natureza racional» continua a chamar-lhe, incoerentemente, «clérigo». O legislador nem disso se deu conta…? 3 A verdade vem ao de cima, na redacção do Can.976. Aqui, o dito, «clérigo», é nomeado de «sacerdote», o único nome que, etimologicamente, resiste a todas as concepções e preconceitos do tempo. O «sacerdote» está impedido de praticar, perante a eclesia, os actos que ele, pela natureza radical, tanto criacional como geracional, tem o direito e o dever de praticar, segundo a lei da Graça do Sacerdócio. Mas por «graça» da dispensa (sic), (ver CIC nota 5 pag 231), ele não pode exercer. Eis o dilema existencial do Sacerdote: – ter a obrigação de manifestar o que é, – mas de tal, ser proibido (por uma lei administrativa): – eis a ditadura de que começámos por alertar no início desta exposição. Será uma lei justa? (Terceira voz) – Eagora (Ecclesia Hac Hora) É fácil, e até cómodo, para o Legislador, partir do pressuposto que o seu acto é útil e bom para os destinatários, sem sequer observar as consequências concretas que produziu nos mesmos; assim, dorme de consciência tranquila! E o Destinatário? Conforma-se com o velho ditado, «pode errar quem manda, mas nunca quem obedece»? Também é uma forma de dormir tranquilo…! Mas poderá chamar-se a esta atitude, obediência? Não será antes desinteresse, egoísmo, falta de responsabilidade cívico-eclesial? Não será uma desobediência aos princípios da racionalidade, da corresponsabilidade, da liberdade? Queremos uma Igreja Perfeita para ir ao encontro da imperfeição dos Homens, que vá ao encontro dos seus próprios membros imperfeitos? Queremos a Igreja presente nesta Hora? Onde esteve nestes 50 anos Conciliares? Milhares dos seus Amigos, enamorados de um primeiro Amor, lâmpadas na mão, (alguns de almotelias de esperança quase vazias), atravessam a noite, esperando um olhar amoroso Daquela que um dia os fascinou e fascina e que nem os amores do tempo presente faz esquecer. Esperam. E se é uma espera no amor, também o é na dor. Agora (hac Hora) identificados com Cristo pelo Matrimónio, sinal do “Amor de Cristo por Sua Igreja, a Esperança aumenta, está a chegar… Mas a dor está presente: A almotelia do Amor quase seca do desamor. Há lugar à mesa? Ou ao menos na Sala? Centro Sócio-Pastoral da Diocese de Viseu - 28 de Maio de 2010. O palestrante: António da Costa Moreira

Tentando acertar....

16:59 @ 21/02/2008

Colegas do MPC.

Estou testando e Blog e tenatando acertar. Não podemos deixar de usar este bom espaço de comunicação entre nós.

Olhem aí uma de minhas últimas propostas, sob a forma de carta a Palumbo:

Mário Palumbo,
(com cópia para os colegas assinantes do e-grupo, por ser de interesse coletivo)

Obrigado! Foste rápido na resposta. Sofia vai ficar feliz! Alás, Sofia é uma mulher feliz... Também... pudera(ah! ah! ah!)...
Acabo de chegar de 10 dias de viagem (por terra!) a Teófilo Otoni (MG) e fiquei estes dias todos quase sem computador. Pena que não encontrei o Zé Vicente e a turma boa de Belo Horizonte...
Pode até ser que tua resposta já tenha vindo e eu me tenha confundido ao deletar o supérfluo, o inútil e o prejudicial.
Reparaste nas novidades, sutis, mas indicadoras de uma nova Vida, de mais participação, de movimento dentro do MPC? Acho que a VIRADA está acontecendo mesmo....
1.. Viúvas se apresentando e eu incentivando-as a se organizarem (pois elas são capazes, e como! É só dar um empurraõzinho e deixá-las descobrirem suas enormes capacidades... O MPC talvez precise de uma Revolução das Mulheres, muito menos cartesianas e muito mais inteligência emocional e intuição que, com seus jogos de palavras e de silêncios, vão muito além do que seus maridos, cabeças quadradas!). Lembras da reunião "secreta" delas em S. Luís, que resultou na luminosa proposta da taxa anual de 120 reais por família do MPC?
2.. Volta da idéia do Catálogo Nacional do MPC (Inclusive vocês de S. Paulo, que, acho, deveriam encontrar alguém para organizar esse trabalho de recolha de dados, conforme coordenação de Joarez e Bismarck, que têm capacidade de sobra para isso e que aceitaram explicitamente a incumbência: Joarez em Recife e Bismarck lacônica, mas claramente, respondendo: SIM, à minha insinuação de ontem, na resposta à Ivana, de que te e vos enviei cópia.
3.. Félix esboçando sua Plataforma de governo para os próximos dois anos, com a Equipe de Recife.
4.. Gilberto comunicando o falecimento do colega Orth.
5.. Armando acontecendo no Encontro Nacional de presbíteros e apresentando a bela Mensagem do Presidente Félix. Além de, pegando a bola de Gilberto no ar, (rápido e sempre atento o Armando!) lançar a idéia de não deixarmos passar em branco a morte/vida de colegas que se despedem e nos precedem na casa do PAI.
6.. Gente querendo se inscrever no e-grupo e outros mandando novos e-mails para nosso e-grupo, agora com 360 e-mails confirmados.
7.. José Vicente nos pondo a par das notícias importantes da Igreja e do Mundo...
8.. Bismarck questionando Ir. Alberto, que apelida de ESPÍRITA, as ambiguidades de D. Milingo, etc. (Estou gostando das brigas sócio-teológicas do Bismarck, ex-seminarista, muito estudioso e braço direito de Joarez, em Curitiba)
9.. Mais de duas dezenas de colegas destrinchando os fatos e os significados explícitos e subentendidos do rico e promissor Encontro de Recife ou solicitando notícias: Tu e Margarida e Juliana, Félix, Guerreiro e Irene, Armando e Altiva, Almir, Gilberto Gonzaga, José Lino e Beatriz, Eduardo Hoornaert, Paulo Lúcio, Miroslaw, Célia Bach, Lauro Motta, José Vicente, José Caetano, Edenilda e Marcelino, Sofia, Vitorio Cestaro, Reginaldo Veloso, Pe. Mário Macieira, Bernardo e Marta Eyre, Cristiane Crespo, Jorge Ponciano, Bismarck Xerezetc... Êta interesse grande e movimentação boa!
10.. Daqui a pouco, Armando, Chico Salatiel e José Vicente organizando e implementando a Comissão Teológica. E convidando outros teólogos do MPC para se participar: Catão e Francisco de S. Paulo
11.. E Frei Marcelino e Antônio Evangelista organizando a Assessoria Jurídica, conforme indicação e aceitação explícita em Recife.
12.. Quanto ao saite do MPC, desta vez tem que sair. Se não erro, ficou a cargo da Turma de Brasília e eu sugeri o Jornalista e Mestre em Assessoria José Vicente para, com sua bem organizada rede de informações e amplo traquejo com Agências de Informação a nível mundial, municiar o nosso futuro saite com Informações atualizadas. Só assim poderemos ter maior visibilidade que tanto almejamos e de que tanto precisamos
13.. Não sei se o Félix e/ou o Gilberto Gonzaga já contactaram o amigo e jornalista Lauro Motta para aceitar ser, de novo, Ombudsman do JORNAL RUMOS
Para mim, formado à sombra da grande intuição de João XXII, fazendo Teologia em Milão de 1963 a 1967, tudo isto são Sopros do Espírito e Sinais de Tempos Novos para o MPC. Mas precisamos saber descobri-los (Heurística) e interpretá-los (Hermenêutica) como tão bem diz o nosso Eduardo Hoornaert numa magistral Entrevista dada a uma Professora de História da UFC.
"Por acaso", Frans Gistelinck encontrou-a na internet e imprimiu para a Sofia. Apesar de grande, vou mandá-la para o e-grupo. Vê se cabe também aí em ARTIGOS no www.oraetalbora.com.br. São 22 páginas, mas acho que vale a pena. Sofia adorou, eu li em menos de uma hora e gostei demais.
Naturalmente, se o Eduardo permitir. Mas ai dele se não permitir: vai apanhar.... Vou já falar com ele, aliás, ele vai receber cópia deste e-mail e vai-me responder e mandar essa Entrevista que deve ter no computador dele.
Certo, Eduardo? Sabes que eu dei umas boas gargalhadas ao ler ontem a tua entrevista? Além de refletir muito sobre a tua metanoia profunda para poderes entender o povo do Brasil... que me impressionou muito e me levou, naturalmente, a pensar na preguiça mental de tanto padre novo (e até alguns bispos) cheio de certezas romanas e perícia em ritos e rubricas, mas tão ignorante de povo e de religiosidade brasileira..., não sendo capaz de descobrir a verdadeira fome e sede religiosa deste povo tão ávido de água pura e pão sadio, mas numa linguagem acessível a ele e que diga alguma coisa à vida dele...
Aquela passagem em que falas do vosso netinho capitalizando o brilho da avó Tereza na festa das crianças, é impagável.
Muito bem colocadas as alusões que fazes a Michel de Certeau e suas teorias do Holofote e do Simbolismo, a Wittgenstein e seus jogos de palavras, bem como à corrosiva ironia de José Comblin, um padre independente que não deixa pedra sobre pedra, incomodando muito os Bispos e, imagino, também o Vaticano que não encontra jeito de silenciar esse pássaro livre, voando tão acima das estruturas arcaicas, injustas, alienantes e já inócuas da igreja que se chama católica e ainda pensa, fala e se veste como os príncipes constantinianos e medievais, vivendo no seu hiper-urano, imune às mazelas deste mundo maldito.

Um outro trabalho possível no MPC/Associação RUMOS, seria descobrir e valorizar tudo o que Padres casados têm produzido nos vários campos do saber, no Brasil. Quem se candidata a esta ingente tarefa?

Uma braço para vocês dois e para todos os colegas que vão receber cópia desta resposta/reflexão/proposta.
Mário, adoro ser provocado e responder às boas provocações: eu produzo melhor assim...

João Tavares

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----- Original Message -----
From: Mario Palumbo
To: João Tavares
Sent: Tuesday, February 19, 2008 6:29 AM
Subject: Re: Fw:


Querida Sofia,
por mim nós tinhamos respondido,na verade ñ sei o que aconteceu.
Em todo caso mil deculpas. Como deixar triste uma criatura tão amavel, criativa , vibrante, completa?
João, dá gloria a Deus e ñ fiques com ciume. Já brinquei com vc neste sentido.
Aliás já que vc usa o computador a tempo integral, porque ñ compra um para ela? Assim tb ela foge da censura(ria)
Nós fazemos assim. mas a Margarida é mais empresaria do que monacal... Me deixa a vontade, pois´ñ tem jeito de me mudar... Somos diferentes.
Levantei à 4 h. dormi às 23,30, Estou na reza e trabalho e estou prestes para ir ao Hospital para a meditação : Ela dorme la pra 2 ou 3h da madrugada até 7 h: somos diferentes, graças a Deus, mas nos amamos.
A Sofia já viu o Atalho que se encontra no site-link-Mario Palumbo?
Voltando para a Sofia (Sabedoria de Deus, sabedoria mais no sentido de gosto, sapere, apreciar, degustar, em Latim!), a vibração dela para entrar na experiencia da meditação, animou-me demais e o entusiasmo dela em aprovar o tema do próximo encontro, foi outro ponto de entusiasmo e já pnsei em oferecer a ela ao menos a orientação de pelo menos uma manhã de oração.
Aliás esta vez, será a vez das mulheres e ela é indispensavel, mas por enquanto é cedo e estamos vendo o lugar...J
João obrigado por ter alertado: é assim que se age.
Queridos, desculpem e um grande abraço.
mario
----- Original Message -----
From: João Tavares
To: Mario Palumbo e Margarida
Sent: Tuesday, February 19, 2008 12:52 AM
Subject: Fw:

BLOG DO MPC

16:06 @ 21/02/2008

Oi, Amigos do MPC,

Temos um blog à disposição, mas, por incompetência nossa, não o estamos usando. Vamos começar a usá-lo? Nos queixamos de nossa falta ou de nossa dificuldade na comunicação, temos os meios, e não os usamos.

Muita coisa há a fazer:

  1. Elaboração do Novo Catálogo, a partir do modelo do LISTAR, de 1998. Para isso precisamos nos organizar bem, a partei dos Estados ou, nos que são muito grandes, por cidades-pólo. Identificando em cada um ou em cada uma, um padre casado líder que assuma e organize a coleta de dados. Dados esses que, depois de organizados, seriam enviadpos ao Presidente Félix, oa Gilberto Go zaga, Diretor de Rumos, ao Joarezou Bismarck de Curitiba, ou a mim.
  2. Elaboração de uma ação organizada com as Viúvas do MPC, possivelmente sob Coordenação delas mesmas, conforme sugestão inicial de Assunção Raynaud, de Brasília; 
  3. Organização estadual para coleta de notícias para o