Ministro da Saúde britânico visita favela
11:12 @ 14/02/2008
Acostumado a despachar nos palácios ingleses, o ministro da Saúde britânico, Alan Johnson, desde segunda-feira no Rio, passou a manhã de ontem conhecendo um projeto muito distante de sua realidade. O ministro foi levado pelo secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Complexo da Maré. A pobreza absoluta ao redor do prédio não impediu que Johnson se encantasse com o projeto, que prometeu adaptar para atender às áreas mais carentes de seu país.
As unidades, carros-chefe da gestão de saúde do governo Cabral, diminuíram significativamente a fila da emergência em hospitais das zonas Norte e Oeste. Por oferecerem tratamentos de pequena e média complexidade, as UPAs só transferem 0,4% de seus pacientes a outras instituições de saúde. Todo o resto é resolvido em seus quatro postos - em Irajá, Bangu, Santa Cruz e na própria Maré - que, desde sua inauguração, já atenderam mais de 220 mil pacientes.
- Confesso que não imaginava encontrar um local com tantos serviços - pondera Johnson. - Não há favelas na Inglaterra, mas temos áreas carentes. Seria interessante fazer uma troca de experiências na área de saúde.
Em abril, Côrtes e o governador Sérgio Cabral retribuem a visita ao ministro. Ambos vão a Londres conhecer como a gestão hospitalar pública da Inglaterra. Um mês antes, inauguram nova UPA, agora em Campo Grande. Será a primeira das mais de 15 previstas para este ano.
Enquanto Johnson conhecia detalhes do projeto, a dona-de-casa Maricélia Bezerra aguardava, na porta do posto, pelo resultado do exame de seu filho, que está com suspeita de dengue. A espera não a irritava:
- Antes da inauguração da unidade, ficava pelo menos duas horas na fila do Hospital Geral de Bonsucesso - lembra. - Agora, não espero por mais de meia hora. Nunca vi este posto sem médico. O governo faz bem quando mostra este projeto no exterior.
Surpresa com policiamento
Os equipamentos hospitalares da unidade não foram o único ponto a chamar atenção do inglês. A presença da polícia em cada esquina nos quarteirões mais próximos à UPA também motivou a curiosidade de Johnson.
- Perguntei se era comum haver tanto policial em volta do posto, mas o secretário me disse que o aparato de segurança era garantido pela própria população, que respeita o projeto e os funcionários da unidade - revela o ministro.
O patrulhamento ao redor da UPA contava até com caveirão do Batalhão de Choque. O comandante do 22º BPM (Maré), tenente-coronel Luigi Felipe Guimarães, não quis dizer quantos policiais foram deslocados para garantir a segurança na visita, mas negou que o policiamento na região fosse facilitado pelo respeito da comunidade ao projeto:
- A UPA faz parte de uma área conflagrada, como toda a Maré.
Fonte: Jornal do Brasil
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