Planos de saúde agora terão de pagar por mais 100 serviços
10:17 @ 04/03/2008
A partir de 2 de abril deste ano, a maioria dos brasileiros assistidos por planos e seguros de saúde passará a ter direito a cobertura de métodos anticoncepcionais que hoje não são pagos pelas empresas, como vasectomia, laqueadura e inserção de Dispositivo Intra-Uterino (DIU). Sessões de fonoaudiologia e atendimento de nutricionista também foram incluídos, mas com um número pequeno de consultas.
Alguns dos caros testes genéticos para a detecção de doenças raras e cirurgias menos invasivas, feitas por meio da introdução de uma pequena câmera - as videolaparoscopias, também terão de ser cobertas pelos convênios médicos, anunciou ontem a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), responsável pela regulação do setor. No total, cerca de cem procedimentos foram incluídos.
Entidades médicas e de defesa dos consumidores, por sua vez, consideram a ampliação de coberturas muito tímida - mais uma vez, a maior parte dos transplantes ficou fora do rol de procedimentos, por exemplo.
A Sociedade Brasileira de Genética Médica reclamou que os exames de DNA incluídos cobrem apenas 8 das mais de 1.000 doenças genéticas existentes. As demais, como a conhecida hemofilia, precisarão de pedido do geneticista, profissional raro no País - a Região Norte não tem nenhum. "É duro de entender o critério que eles usaram", disse o presidente da entidade, Salmo Raskin.
"Na discussão do rol de procedimentos há forças e tensões para todos os lados", justificou ontem o diretor-presidente da agência, Fausto Pereira dos Santos. De acordo com ele, o custo das inclusões não terá impacto na correção dos valores dos planos e seguros neste ano.
O índice de reajuste é definido pelo governo no mês de maio. O possível impacto só deverá ser repassado aos clientes em 2009.
A Associação Brasileira de Medicina de Grupo, que reúne as operadoras de planos de saúde, anunciou ontem que já estuda medidas judiciais contra a norma. Estudos internos apontam que as inclusões poderão significar um aumento de no mínimo 8% no valor dos planos, disse o presidente da entidade, Arlindo de Almeida.
Apesar de reconhecer que os novos procedimentos, especialmente os métodos anticoncepcionais, garantirão uma melhor assistência ao consumidor, Almeida afirma que o setor não concorda com o veto ao repasse dos custos já neste ano. "As empresas terão de esperar um ano, vamos verificar que medidas tomar."
Empresas também questionam, explica, a retroatividade da medida, pois entendem que deveria ser aplicada somente aos novos contratos, assinados a partir de abril.
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