Temporão diz que Rio precisa repensar sistema de saúde para evitar novas mortes por dengue
10:10 @ 08/05/2008
Brasília - O ministro da Saúde, José Gomes
Temporão, afirmou ontem (6) que o grande número de mortes por dengue no Rio de
Janeiro é resultado da desorganização do sistema de saúde do município, que tem
sido centrado no atendimento hospitalar.
Ao participar de uma audiência pública na
Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados sobre o surto
de dengue no país, o ministro comparou a situação carioca com a de Campo Grande
(MS) que, no ano passado, teve, segundo ele, uma epidemia pior que a do Rio de
Janeiro, mas registrou apenas duas mortes.
"Campo Grande só teve dois óbitos por
causa do Programa de Saúde da Família e da maneira como o atendimento se
organizou. Desde o início, quando a população ainda aguardava na fila para ser atendida,
já estava sendo hidratada. No Rio de Janeiro, perdemos tantas vidas, porque ele
ainda centra o eixo da sua política de atenção à saúde em grandes hospitais de
pronto socorro e inexiste uma política forte de qualidade de atenção
primária", afirmou Temporão.
Ao falar com os jornalistas o ministro
acrescentou: "O Rio de Janeiro tem que repensar a maneira de organizar o
seu sistema de saúde, para que possa dar respostas mais adequadas a mortes por
essa doença". De janeiro até agora, foram confirmadas na capital
fluminense 62 mortes por dengue.
Segundo Temporão, embora a situação da
dengue tenha melhorado no Rio, com a doença hoje em declínio, é preciso
trabalhar o ano todo, para evitar que novos surtos ocorram em 2009, inclusive
nas regiões Norte e Nordeste. "Vamos ter que trabalhar muito duro esse ano
para evitar que 2008 se repita num outro contexto, numa outra localidade",
afirmou.
Dados apresentados pelo ministro, durante
a audiência, apontam 14 estados com alto risco de dengue no ano que vem. As chamadas
áreas potenciais para a doença incluem todos os estados da região Norte, os do
Sudeste, exceto o Espírito Santo, e os do Nordeste, exceto Alagoas, Sergipe e
Paraíba.
Fonte : Agência Brasil
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