ENSP vai coordenar projeto para melhorar funcionamento de hospitais públicos
15:15 @ 04/06/2008
Brasília - Gestores de saúde de vários estados e técnicos do Ministério da Saúde, coordenados pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), estão dispostos a criar um sistema nacional capaz de apoiar a implantação de reformas na gestão de hospitais públicos do país para melhorar os serviços prestados à população.
A idéia é adaptar à realidade brasileira uma estratégia utilizada com sucesso para fazer a reforma hospitalar francesa, que vem ocorrendo desde os anos 90.
A proposta foi o principal resultado do Seminário
sobre Estratégias e Sistemas de Monitoramento e Apoio às Reformas Hospitalares,
encerrado hoje (3)
De acordo como coordenador do Programa de Gestão
Hospitalar da ENSP, Pedro Barbosa, um grupo de técnicos foi formado hoje para
elaborar o projeto de criação do que seria um Centro de Monitoramento e Apoio à
Reformas Hospitalares no Brasil.
Como na França, o centro teria a função de disseminar técnicas e conhecimentos
para a modernização de hospitais públicos, disponibilizando especialistas,
consultores da área pública, que iriam aos hospitais ajudar a melhorar o
funcionamento de seus setores críticos.
"Há especialistas que podem perfeitamente apoiar os hospitais que queiram
se modernizar, indo lá e ajudando a organizar um centro cirúrgico, emergência,
os serviços de ambulatório, de radioterapia, de tal modo que a gente vá
provocando melhorias, inclusive pequenas, mas que causam muito impacto",
explicou.
Segundo o pesquisador, a falta de financiamento é
também um dos problemas dos hospitais, mas torna ainda mais urgente a
necessidade de modernização da gestão.
"O modelo hospitalar público brasileiro é o mesmo de 40 anos. Nós estamos
há décadas achando que os hospitais podem continuar iguais. Enquanto várias
organizações, como as indústrias, foram se modernizando, nos hospitais fizemos
pouca coisa. Ao longo desse período formamos médicos, mas não formamos
profissionais de gestão", lamentou Barbosa.
Para ele, os problemas enfrentados pelos hospitais públicos são impostos pela falta autonomia na gestão, já que burocracia e centralização "engessam" orçamento, impedem a contratação de profissionais e tiram a flexibilidade necessária para a busca de soluções criativas e eficazes.
"Há uma baixa autonomia do hospital. Os dirigentes não têm poder para tomar decisões porque dependem do secretário de Saúde, do secretário de Administração, do ministério, de um orçamento engessado que mesmo quando é adequado não está disponível com fluxo regular", afirmou.
Entre as incoerências que ocorrem pela falta de
autonomia, Barbosa citou casos em que sobram recursos para compra de
equipamentos e falta dinheiro para comprar medicamentos, mas o administrador
não pode direcionar as verbas para atender o que é necessário.
Para ele, o atual modelo de administração hospitalar pública é incompatível com
as situações diárias de prestação de serviço "na ponta".
"Os hospitais são as organizações mais
complexas de se administrar na sociedade, não só por lidar com a vida humana e
necessariamente com a velocidade, mas também com tecnologias, equipamentos,
medicamentos e profissionais cada vez mais diversos. É um conjunto de recursos
que tem que ser adequadamente operacionalizados e agilizados."
Barbosa destacou mudanças positivas adotadas em alguns estados, como
Para ele, as fundações públicas são instrumentos
eficientes para dar autonomia e eficiência aos hospitais sem retirar do Estado
sua responsabilidade pela prestação do serviço.
Segundo o pesquisador, todos países estão buscando novos modelos de gestão para
tornar mais eficientes seus sistemas, a fim de multiplicar os recursos, como
foi mostrado no encontro encerrado hoje. Na França, desde 1991, os hospitais
públicos passaram a ser administrados por empresas estatais sociais de saúde,
com autonomia e profissionalização para cumprir metas e resultados definidos.
No Chile, a partir de 2004, foi introduzida a auto-gestão dos hospitais
públicos.
A atuação do grupo de trabalho formado hoje para criação do Centro de
Monitoramento e Apoio à Reformas Hospitalares vai começar pelo fortalecimento
da cooperação com o órgão nacional de saúde da França e deve incluir uma viagem
ao país europeu no segundo semestre deste ano.
Fonte : Agencia Brasil
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