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Brasília - Gestores de saúde de vários estados e técnicos do Ministério da Saúde, coordenados pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), estão dispostos a criar um sistema nacional capaz de apoiar a implantação de reformas na gestão de hospitais públicos do país para melhorar os serviços prestados à população.

A idéia é adaptar à realidade brasileira uma estratégia utilizada com sucesso para fazer a reforma hospitalar francesa, que vem ocorrendo desde os anos 90.

A proposta foi o principal resultado do Seminário sobre Estratégias e Sistemas de Monitoramento e Apoio às Reformas Hospitalares, encerrado hoje (3) em Brasília. Durante o evento, foram apresentadas experiências de países europeus e latino-americanos para melhorar a gestão de seus hospitais públicos.

De acordo como coordenador do Programa de Gestão Hospitalar da ENSP, Pedro Barbosa, um grupo de técnicos foi formado hoje para elaborar o projeto de criação do que seria um Centro de Monitoramento e Apoio à Reformas Hospitalares no Brasil.

Como na França, o centro teria a função de disseminar técnicas e conhecimentos para a modernização de hospitais públicos, disponibilizando especialistas, consultores da área pública, que iriam aos hospitais ajudar a melhorar o funcionamento de seus setores críticos.

"Há especialistas que podem perfeitamente apoiar os hospitais que queiram se modernizar, indo lá e ajudando a organizar um centro cirúrgico, emergência, os serviços de ambulatório, de radioterapia, de tal modo que a gente vá provocando melhorias, inclusive pequenas, mas que causam muito impacto", explicou.

Segundo o pesquisador, a falta de financiamento é também um dos problemas dos hospitais, mas torna ainda mais urgente a necessidade de modernização da gestão.

"O modelo hospitalar público brasileiro é o mesmo de 40 anos. Nós estamos há décadas achando que os hospitais podem continuar iguais. Enquanto várias organizações, como as indústrias, foram se modernizando, nos hospitais fizemos pouca coisa. Ao longo desse período formamos médicos, mas não formamos profissionais de gestão", lamentou Barbosa.

Para ele, os problemas enfrentados pelos hospitais públicos são impostos pela falta autonomia na gestão, já que burocracia e centralização "engessam" orçamento, impedem a contratação de profissionais e tiram a flexibilidade necessária para a busca de soluções criativas e eficazes.

"Há uma baixa autonomia do hospital. Os dirigentes não têm poder para tomar decisões porque dependem do secretário de Saúde, do secretário de Administração, do ministério, de um orçamento engessado que mesmo quando é adequado não está disponível com fluxo regular", afirmou.

Entre as incoerências que ocorrem pela falta de autonomia, Barbosa citou casos em que sobram recursos para compra de equipamentos e falta dinheiro para comprar medicamentos, mas o administrador não pode direcionar as verbas para atender o que é necessário.

Para ele, o atual modelo de administração hospitalar pública é incompatível com as situações diárias de prestação de serviço "na ponta".

"Os hospitais são as organizações mais complexas de se administrar na sociedade, não só por lidar com a vida humana e necessariamente com a velocidade, mas também com tecnologias, equipamentos, medicamentos e profissionais cada vez mais diversos. É um conjunto de recursos que tem que ser adequadamente operacionalizados e agilizados."

Barbosa destacou mudanças positivas adotadas em alguns estados, como em São Paulo, onde há 10 anos os hospitais foi foram assumidos por organizações sociais ligadas a entidades filantrópicas e universidades, e no Rio de Janeiro, onde estão sendo criadas fundações estatais para administrar unidades hospitalares.

Para ele, as fundações públicas são instrumentos eficientes para dar autonomia e eficiência aos hospitais sem retirar do Estado sua responsabilidade pela prestação do serviço.

Segundo o pesquisador, todos países estão buscando novos modelos de gestão para tornar mais eficientes seus sistemas, a fim de multiplicar os recursos, como foi mostrado no encontro encerrado hoje. Na França, desde 1991, os hospitais públicos passaram a ser administrados por empresas estatais sociais de saúde, com autonomia e profissionalização para cumprir metas e resultados definidos. No Chile, a partir de 2004, foi introduzida a auto-gestão dos hospitais públicos.


A atuação do grupo de trabalho formado hoje para criação do Centro de Monitoramento e Apoio à Reformas Hospitalares vai começar pelo fortalecimento da cooperação com o órgão nacional de saúde da França e deve incluir uma viagem ao país europeu no segundo semestre deste ano.

Fonte : Agencia Brasil

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