Brasília - A falta de recursos
tanto para custeio quanto para investimento nos hospitais universitários e de
ensino é recorrente em todo o Brasil. É o que afirma o diretor do Hospital
Universitário Clementino Fraga, da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ), também conhecido como Hospital do Fundão, Alexandre Pinto Cardoso.
"Todos os hospitais universitários estão neste momento subfinanciados, em
maior ou menor escala; num hospital como o nosso, que é de alta complexidade,
onde os custos certamente são dos mais elevados, uma vez que nós estamos sem
reajuste do Ministério da Saúde há quase quatro anos, os insumos são cada vez
menos suficientes para fazer aquilo tudo que nós fazemos", diz.
Com o objetivo de manter a qualidade dos serviços, "que sempre
caracterizou os hospitais do MEC [Ministério da Educação]", Cardoso
conta que os serviços de alta complexidade estão suspensos por falta dos
insumos necessários.
A expectativa do diretor é que a situação se normalize em breve, por conta do
que foi prometido pelas secretarias de Saúde tanto do estado quanto do
município e o Ministério da Educação, onde Cardoso teve uma reunião nessa
terça-feira (3).
"Primeiro, o apoio importante que conseguimos com a Secretaria de Estado
de Saúde, agora acabamos de nos reunir com a professora Ieda Diniz, no
Ministério da Educação, que também sinalizou com possibilidades importantes de
ajuda no nosso custeio, de modo que esses dois aspectos conjugados são bastante
animadores", afirma.
O MEC confirmou a reunião, porém disse, por meio da assessoria, que a demanda
de Cardoso ainda vai ser analisada e que não foi prometido nenhum repasse de
verba, inclusive porque esse é um pedido recorrente de diversos hospitais
universitários em todo o país.
De acordo com Alexandre Cardoso, o Hospital do Fundão entrou no Programa de
Reestruturação dos Hospitais Universitários e de Ensino, iniciado pelo governo
federal há três anos. No entanto, o diretor ressalta que as medidas adotadas na
época não trouxeram mudanças definitivas para melhorar as condições da unidade
no longo prazo.
"Embora as medidas sejam importantes, ela não são capazes de reestruturar
completamente; acredita-se que uma vez sendo feitas, essas medidas resolvem a
situação, não é bem assim, é preciso que a gente tenha permanentemente uma
atenção diferenciada em relação ao custeio, à reestruturação, à depreciação de
equipamentos, porque o hospital é um ser vivo", diz o diretor.
Ele acrescenta que um hospital universitário "não pode ser financiado como
se fosse um hospital qualquer", pois tem as atividades de ensino e sempre
abre novas frentes de pesquisa, além de manter os procedimentos de alta
complexidade, como transplantes.
Fonte : Agencia Brasil
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