Conselho questiona seis cursos de medicina em Minas
14:55 @ 20/06/2008
Alunos de seis faculdades de medicina de Minas Gerais estão no meio de um fogo cruzado, com risco até de receber, ao fim do curso, diploma sem validade no mercado de trabalho. O motivo é a falta de entendimento sobre qual órgão deve realmente autorizar o funcionamento dos cursos. De um lado, está o Conselho Federal de Medicina (CFM), firme na posição de negar registro aos formandos de escolas não reconhecidas pelo Ministério da Educação (MEC). Do outro, estão as universidades questionadas, que continuam funcionando, sob a alegação de serem credenciadas pelo Conselho Estadual de Educação (CEE).
Esta semana, o CFM divulgou lista com nomes de seis cursos de instituições mineiras particulares criadas nos últimos 10 anos e que ainda funcionam sem autorização do MEC. São a Universidade Vale do Rio Verde (Unincor), de Belo Horizonte; a Faculdade de Medicina de Ipatinga, no Vale do Aço; a Faculdade de Medicina de Caratinga, no Vale do Rio Doce; a Universidade Presidente Antônio Carlos (Unipac), câmpus Juiz de Fora, na Zona da Mata, e Araguari, no Triângulo Mineiro; e o Centro Universitário de Patos de Minas, na Região do Alto Paranaíba.
Os estudantes dessas instituições, cujos cursos contam apenas com o aval do Conselho Estadual de Educação, estão sob a ameaça de receber diplomas sem registro do CFM, o que significa que eles não teriam autorização para atuar como médicos. "Se a faculdade não tem a chancela do MEC, que garante um controle de qualidade, não temos como conceder o registro. Isso é uma medida para resguardar a sociedade, pois estamos falando de um profissional que trabalha em situação limite e que lida diretamente com vidas. Para esses alunos, registrar o diploma só é possível com base em liminar da Justiça", disse o conselheiro do CFM em Minas, Geraldo Guedes.
DISTORÇÃO A polêmica sobre qual órgão deve autorizar e supervisionar os
cursos é decorrente de uma brecha na Constituição Mineira. Em
Essa distorção, que permitiu a criação de faculdades privadas no sistema
estadual de ensino, o que é contrário à LDB, é alvo de ação direta de
inconstitucionalidade (Adin), movida pelo Ministério Público Federal e que
tramita no Supremo Tribunal Federal.
A decisão do CFM de não conceder o registro aos formandos desses cursos é vista
pelo Conselho Estadual de Educação como uma forma de "reserva de
mercado". "Não cabe do Conselho Federal de Medicina interferências na
educação. Eles têm apenas que fiscalizar a atuação dos profissionais para
garantir a qualidade do trabalho. As instituições educacionais que estão sob a
nossa supervisão foram criadas por lei estadual ou municipal e não há nenhuma
irregularidade nisso. O que eles estão tentando é que apareçam menos candidatos
no mercado de trabalho", afirmou o conselheiro-presidente da Câmara de
Planos e Legislação do CEE, José Januzzi Reis.
ALUNOS
Ludmila Gomes, de 25, aluna do 9º período, defende a estrutura do curso.
"Uma vez autorizado pelo Conselho Estadual de Educação, não tem como ser
irregular. Além do mais, temos toda a infra-estrutura para uma boa formação.
Quando entrei na faculdade, sofri muito preconceito e vi que tinha que batalhar
mais que os alunos de outras escolas para ser tratada de igual para igual. Mas
mostramos serviço e hoje somos respeitados em congressos e nos estágios que
fazemos nos principais hospitais de BH", afirmou.
O gerente do câmpus Unincor em BH, Cássio Fonseca, também defende a qualidade
do curso, criado em 2003. "Apenas cumprimos o que está determinado na
Constituição Estadual. O nosso curso, apesar de ser autorizado somente pelo
CEE, tem reconhecimento do MEC. Prova disso é que vários alunos recebem apoio
de programas do governo federal, como o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies)",
argumentou.
Fonte : Uai.com.br
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