OMS lança campanha por cirurgias mais seguras
09:43 @ 27/06/2008
GENEBRA - A Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou hoje uma campanha para tornar as cirurgias mais seguras. Batizada de "As cirurgias seguras salvam vidas", a iniciativa é fruto de uma parceria da Escola de Saúde Pública de Harvard com mais de 200 sociedades médicas internacionais e ministérios da Saúde. A lista de normas para a comprovação da segurança da cirurgia foi elaborada sob coordenação do cirurgião Atul Gawande, professor da universidade americana.
O checklist identifica três etapas do processo operatório, cada uma delas relacionada a um grupo de tarefas normais da cirurgia: o momento anterior à administração da anestesia, o momento anterior à incisão e o momento anterior à saída do paciente do centro cirúrgico. Em cada uma destas etapas, um coordenador deve conferir se todos os itens da lista foram cumpridos antes de se passar à etapa seguinte. Entre os exemplos da primeira etapa estão checar o ponto exato da incisão e repassar as alergias conhecidas do paciente. Na terceira etapa, a lista prevê a contagem de instrumentos, gazes e agulhas.
A OMS estima que uma em cada 25 pessoas se submete a uma operação anualmente, totalizando 234 milhões de intervenções em todo o mundo.
- Os traumatismos e as disfunções evitáveis provocados pelas cirurgias estão suscitando uma preocupação crescente - disse a diretora geral da OMS, Margaret Chan. - Usar este checklist é a melhor maneira de reduzir os erros cirúrgicos e aumentar a segurança dos pacientes.
Complicações em todo o mundo
Estudos já demonstraram que, nos países industrializados, de 3% a 16% das cirurgias têm complicações graves e as taxas de invalidez permanente e óbito oscilam entre 0,4% e 0,8%. Nos países em desenvolvimento, as complicações ocorrem em 5% a 10% das operações. Na África subsaariana, só a anestesia geral é responsável pela morte de uma em cada 150 pessoas operadas. Infecções e outras complicações pós-operatórias também preocupam e, de acordo com a OMS, metade delas poderia ser evitada.
- A atenção cirúrgica constitui há mais de cem anos um elemento essencial dos sistemas de saúde em todo o mundo . Ainda que, na última década tenhamos conseguido melhoras decisivas, a qualidade e a segurança das cirurgias continuam sendo alarmantemente variável em todas as partes do mundo. A campanha tem por objetivo solucionar este problema, aumentando o nível de exigência - diz Atul Gawande.
Oito iniciativas piloto em diferentes partes do mundo, envolvendo cerca de mil pacientes, mostram que a utilização do checklist propiciou um aumento às normas de atenção cirúrgica em 36% a 68% das operações. Em alguns casos, chegou a perto de 100%. A conseqüência foi a redução considerável no número de complicações. A previsão é que em alguns meses saiam os resultados.
Fonte : G1
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