Maternidades se adequam para incentivar parto normal
11:11 @ 23/07/2008
Governo estimula mudanças estruturais nas unidades de saúde para
incentivar o parto normal humanizado, controlar riscos e reduzir a mortalidade
materna e neonatal
As
gestantes que optarem pelo parto normal terão garantida a exigência, em todas
as maternidades do país, de quarto (individual ou coletivo) específico para
esse procedimento, com banheiro anexo, para todas as etapas do nascimento do
bebê (antes, durante e após o parto). Além disso, mãe e filho
ficarão juntos nos alojamentos. Benefícios como esses serão aplicados na rede
pública e privada de saúde a partir de dezembro deste ano, quando entram em
vigor novas normas para os serviços de atendimento obstétrico e neonatal.
Ouça fala
do ministro da Saúde, José Gomes Temporão (02m49s)
Ouça
entrevista do diretor de Ações Estratégicas do Ministério da Saúde, Adson
França (08m57s)
Os
novos padrões de funcionamento das maternidades e serviços de saúde estão
previstos em resolução (nº 36) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa) e deverão resultar em mais conforto e privacidade para mães e filhos.
A norma estimula, por exemplo, a participação efetiva da mãe e de familiares em
todas as fases do nascimento do bebê, já que determina, por exemplo, a garantia
da presença de acompanhante de livre escolha da gestante durante o parto e a
internação.
Com
as medidas, o Ministério da Saúde espera obter mudanças estruturais nas
unidades de atenção obstétrica e neonatal, incentivar o parto normal
humanizado, controlar possíveis riscos às gestantes e aos bebês e, com isso,
reduzir a mortalidade materna e neonatal. “Essas ações se inserem dentro de um
grande esforço que envolve o governo, as entidades da área de saúde, as
entidades médicas, gestores e as universidades, ou seja, dentro de uma
gigantesca rede que trabalha pela redução da mortalidade materna”,
afirmou nesta terça-feira (22) o ministro da Saúde, José Gomes Temporão,
durante lançamento da resolução da Anvisa, em Brasília (DF).
De
acordo com as novas normas, as unidades de saúde serão orientadas a estimular a
evolução natural do trabalho de parto e a chamada “desmedicalização”, ou seja,
utilizar soluções para o alívio das dores da gestante sem, necessariamente,
utilizar medicamentos. Este conjunto de ações foi articulado entre diferentes
órgãos do governo no Pacto pela Vida, lançado em 2006, que tem como uma das
prioridades a redução da mortalidade materna e neonatal, conforme orienta a
Organização Mundial de Saúde (OMS).
MUDANÇA CULTURAL – As novas diretrizes para os serviços obstétricos e
neonatais foram construídas também com foco na mudança cultural de
profissionais e gestores de saúde. Esse processo, que se estendeu por
aproximadamente seis meses, teve a participação de sociedades e federações
médicas, dos conselhos nacionais de secretários estaduais (Conass) e municipais
(Conasems) de Saúde e da Rede pela Humanização do Parto e Nascimento (ReHuNa).
“São
medidas estratégicas que foram amplamente avaliadas com os secretários
estaduais e municipais de saúde, além de outros parceiros do governo, como as
universidades e entidades médicas”, destacou o diretor de Ações Estratégicas e
Programáticas do Ministério da Saúde, Adson França. “De acordo com o princípio
de descentralização do Sistema Único de Saúde, o governo federal dará amplo
apoio aos estados e municípios para a construção de uma nova política focada na
redução de mortes e constante melhoria da assistência a gestantes e bebês”,
informou França.
Por
ano, são registrados cerca de 3 milhões de nascidos vivos no país. Quase 2,1
milhões nascem nas unidades do Sistema Único de Saúde. Destes, 1,4 milhão
corresponde a partos normais e 670 mil, a cesarianas.
Em
2006, foram registrados, no país, 274 óbitos de mulheres em decorrência de
complicações relacionadas ao parto. Quanto à mortalidade infantil, a taxa nacional
registrada, no mesmo ano, foi de 22 casos por mil nascidos vivos.
MEDIDAS DE IMPACTO – Os principais fatores de mortalidade infantil são as
causas perinatais, ou seja, quando acontecem nas primeiras 22 semanas de
gestação e até sete dias após o parto. No caso das mães, a Organização
Pan-Americana da Saúde (Opas) estima que pelo menos 95% das mortes maternas
poderiam ser evitadas com conhecimento, tecnologia médica e medidas de impacto
social.
Orientação
e participação da mulher e de familiares nos cuidados com o recém-nascido, além
do estímulo ao chamado “contato pele a pele” da mãe com o recém-nascido e ao
aleitamento materno ainda no ambiente do parto são medidas simples, mas que
podem impactar positivamente na saúde da criança.
Elas
também estão previstas na nova resolução da Anvisa, que determina a presença –
quando necessária – de outros profissionais de saúde durante o parto, além do
médico e da equipe de enfermagem, por exemplo. A norma também prevê a garantia
de educação permanente para os trabalhadores, priorizando o controle, a
prevenção e a eliminação de riscos sanitários nos serviços de saúde.
“Temos
esse desafio de vincular o pré-natal aos serviços de referência”, afirmou
Temporão. “Essas são questões que vêm fortalecer toda a estratégica do governo
Lula e do Ministério da Saúde para que possamos também apresentar a mesma
redução no caso da mortalidade materna, que ainda é um problema importante a
ser cuidado”, avaliou o ministro, ao relembrar a confirmação de queda nos
óbitos infantis, de acordo com a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde
(PNDS), divulgada no início deste mês.
AVANÇOS
– Na gestão do ministro José Gomes Temporão, o Ministério da Saúde avançou na
investigação dos óbitos maternos. Com a Portaria 1.119, do último dia 6 de
junho, os municípios terão que investigar todos os óbitos de mulheres em idade
fértil (
De
acordo com a portaria, os serviços ou profissionais de saúde têm 48 horas para
informar o óbito. Para as secretarias estaduais de Saúde, o tempo de registro e
envio das informações ao ministério é de 30 dias e o prazo para a conclusão das
investigações, no âmbito do município, é de 120 dias.
Atualmente,
o país conta com 27 Comitês de Mortalidade Materna instalados nos estados e no
Distrito Federal, além de 191 Comitês Regionais, 893 Comitês Municipais e 265
Comitês Hospitalares. Além do registro do óbito, os comitês identificam o
contexto em que ele ocorreu e permite a elaboração de ações respaldadas
A
meta do Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade Materna e Neonatal,
estabelecida em 2004, é reduzir em 5% ao ano a mortalidade materna. O desafio
foi estabelecido pela Organização Mundial de Saúde como uma das “metas do
milênio”. Com os avanços esperados no sistema de vigilância de óbitos, a partir
da Portaria 1.119, o Brasil terá mais condições de atingir as metas definidas
pela OMS.
AÇÕES –
Os benefícios às gestantes e aos bebês a partir de novos padrões de
procedimentos para os serviços obstétricos e neonatais estão afinados ao Programa Nacional de Incentivo ao Parto Normal e de
Redução das Cesáreas Desnecessárias, lançado em junho de 2008 pelo
ministro Temporão. Na ocasião, ele destacou que o país vive uma “epidemia de
cesarianas”.
Levantamento
encomendado pelo Ministério da Saúde demonstra que as cesarianas representam
43% do total de partos realizados no Brasil (3 milhões), tanto no setor público
como no privado. Analisando apenas as mulheres que utilizam planos de saúde,
esse percentual é ainda maior e chega a 80%. No SUS, as cesáreas representam
31% do total de partos, segundo registros de 2007.
A
alta prevalência das cesáreas leva a uma série de prejuízos para o bebê, a mãe
e a gestão dos serviços de saúde. Estudos demonstram que crianças nascidas
entre 36 e 38 semanas, antes do período normal de gestação (40 semanas), têm
120 vezes mais chances de desenvolver problemas respiratórios agudos e, em
conseqüência, acabam precisando de internação em unidades de cuidados
intermediários ou mesmo UTI Neonatal. Além disso, no parto cirúrgico, há uma
separação abrupta e precoce entre a gestante e o bebê num momento primordial
para o estabelecimento do vínculo entre mãe e filho.
O
parto normal é o mais seguro tanto para a mãe quanto para o bebê. De acordo com
recomendação da Organização Mundial da Saúde, as cirurgias deveriam
corresponder a, no máximo, 15% dos partos. É nesse horizonte que o Brasil
trabalha para o alcance das metas definidas pela OMS para todo o mundo.
CRIANÇAS
– A atenção à saúde das crianças, com o objetivo de reduzir a desnutrição e a
mortalidade infantil (até um ano de idade), é uma das principais políticas do
Sistema Único de Saúde. De acordo com a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde
(PNDS) – financiada pelo ministério e divulgada no início deste mês – entre
1996 e 2006, o enfrentamento desses problemas, a partir da implementação de
ações específicas, resultou na queda de 44% da taxa de mortalidade infantil no
Brasil (de 39 para 22 óbitos para cada mil nascidos vivos). Atualmente (2008),
essa taxa é de 21,2 por mil nascidos vivos.
Estudo
divulgado este ano, pelo Ministério da Saúde, afirma que o país registrará, até
2012, uma taxa de mortalidade infantil de 14,4. Persistindo os atuais índices de
acesso aos serviços de saúde e a queda deste índice, em 2012, o Brasil cumprirá
o objetivo de reduzir em 75% os óbitos de crianças de até 5 anos. O ritmo de
queda na mortalidade infantil coloca o Brasil como o segundo país do mundo,
entre os 68 monitorados pela Organização Mundial de Saúde, a cumprir a meta do
milênio, que é a redução da mortalidade, três anos antes da previsão
estabelecida pela OMS.
Fonte:Ministério da Saúde
Maternidades
têm até dezembro para incentivar parto humanizado
Os serviços de atendimento obstétrico e neonatal têm até
dezembro para adotar medidas que incentivem o parto humanizado e a redução dos
índices de mortalidade materna e neonatal no país. As novas normas, que definem
alguns pontos que mudam a relação “serviço x mulher x bebê x acompanhante”,
constam da resolução RDC 36 (PDF)
e da Instrução Normativa 02 (PDF), da Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa).
“O
desafio de vincular o pré-natal ao ambiente do parto, além dos demais conteúdos
incluídos pela Anvisa nas novas regras fortalece a estratégia de política pública
e responde ao anseio da sociedade”, destacou o ministro da Saúde, José Gomes
Temporão, durante a solenidade da lançamento da RDC, nesta terça-feira, em
Brasília. “A redução da mortalidade materna e neonatal é questão prioritária
para o governo”, afirmou Temporão.
O
diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Raposo de Mello, lembrou que nem sempre os
direitos da mãe são observados na hora do parto. “As alterações propostas pela
Agência fazem parte de um processo de conquista da sociedade, para garantia dos
direitos das mães, dos bebês e dos familiares, que deve ser observado pelos
serviços de saúde”, disse o diretor-presidente. “Para que as iniciativas
alcancem os resultados esperados é fundamental a cooperação das esferas
estaduais e municipais”, complementou Mello.
A
RDC aborda aspectos de organização, recursos humanos, infra-estrutura física,
materiais e equipamentos obrigatórios. Já a Instrução Normativa define
critérios para a avaliação do desempenho e padrão de funcionamento global do
serviço, inclusive com o levantamento de dados epidemiológicos.
O
regulamento se aplica a toda a instituição de saúde no país, que exerça
atividade de atenção obstétrica e neonatal, seja ela pública, privada, civil ou
militar, funcionando como independente ou inserida em um hospital geral,
incluindo aquelas que executam ações de ensino e pesquisa.
Nem
todas as normas têm prazo para entrar
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PRINCIPAIS ALTERAÇÕES A VIGORAR
ATÉ DEZ/2008 |
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Adota a
presença de acompanhante de livre escolha da mulher no acolhimento, trabalho
de parto, parto e pós-parto imediato. |
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Proporciona
acesso a métodos não farmacológicos e não invasivos de alívio à dor e de
estímulo à evolução fisiológica do trabalho de parto. |
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Possibilita
que os períodos clínicos do parto sejam assistidos no mesmo ambiente. |
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Garante à
mulher condições de escolha das diversas posições no trabalho de parto, desde
que não existam impedimentos clínicos. |
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Estimula
o contato imediato, pele a pele, da mãe com o recém–nascido, favorecendo
vínculo e evitando perda de calor. |
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Estimula
o aleitamento materno ainda no ambiente do parto. |
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Adota o
Método Canguru, quando indicado. |
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PRINCIPAIS ALTERAÇÕES QUE DEVEM
VIGORAR QUANDO DA |
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Adota o
Quarto PPP (para partos normais). Este ambiente tem capacidade para um ou
dois leitos com banheiro anexo. |
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Prevê
área para movimentação ativa da mulher, desde que não existam impedimentos
clínicos. |
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Prevê
soluções para alívio não farmacológico da dor e de estímulo à evolução
fisiológica do trabalho de parto, tais como: barra fixa ou escada de Ling;
bola de Bobat ou cavalinho. |
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Garante a
adoção de alojamento conjunto desde o nascimento. |
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Garante a
privacidade da parturiente e seu acompanhante. |
Fonte: Anvisa


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