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Temporão diz que governo leva um ano para contratar médico

GESTÃO: “O Ministério da Saúde perdeu a capacidade de gestão interna. O controle ineficiente nos gabinetes reduz a qualidade de atendimento ao usuário. Hoje, 80% do pessoal que trabalha no prédio do ministério é terceirizado. Temos cerca de 10 mil processos tramitando pela burocracia, que normalmente trava tudo e, ultimamente, tornou-se ainda mais lenta por conta dos traumas causados pelas operações Vampiro, em 2004 (fraude na compra de hemoderivados e medicamentos) e Sanguessuga, em 2006 (compra superfaturada de ambulâncias). As emendas dos deputados também esbarram nessa burocracia. Isso tudo gera ruído. Para mudar essa burocracia, precisamos de pessoal. Abrimos um concurso público, o primeiro em 20 anos, para preencher 800 vagas. Vamos criar uma força-tarefa para zerar os 10 mil processos em andamento.”

PREVENÇÃO: “Para trocarmos a doença pela saúde, o caminho é a prevenção. Podemos afirmar que cerca de 87 milhões de brasileiros são acompanhados pelas equipes de saúde da família em 92% dos municípios. Está aí a base para o novo modelo. No planejamento familiar, já temos 5.200 e teremos até o fim do ano 10 mil farmácias vendendo pílulas anticoncepcionais a preços entre 50 e 80 centavos. Essa rede terá 20 mil farmácias em 2010, vendendo a preços populares remédios para hipertensão, diabetes, asma, osteoporose, doenças prostáticas. Estamos priorizando a vasectomia em nossas rotinas.”

SUS NAS ESCOLAS: “A venda de preservativos nas escolas públicas é o começo de uma parceria da Saúde com a Educação. Já acertamos com o ministro Fernando Haddad um trabalho para atender na rede escolar as famílias dos alunos, com a participação do professor. Primeiro nas áreas carentes. O SUS vai promover dois exames clínicos por ano no aluno, fornecer óculos, tratar de hipertensão, drogas, fumo, álcool, doenças sexualmente transmissíveis, importância do esporte e da ginástica. Temos que envolver mães e mídia. Até 2010, queremos cobrir 24 milhões de alunos.”

HOSPITAIS: “Precisamos dar um choque de gestão nos hospitais. Queremos transformar o hospital em fundação estatal, com autonomia para contratar, demitir, comprar, administrar. Do jeito que está, um hospital está levando um ano para contratar um médico. O Rio, onde a União tem nove hospitais, é hoje um modelo negativo de gestão de hospital público. Nossa proposta vem sendo atacada por alguns setores, que vêem nisso uma forma de privatização. Mas o governo estadual já conseguiu aprovar na Assembléia a mudança de gestão de seus hospitais. Hoje, não temos como exigir desempenho. Os médicos fingem que trabalham e nós fingimos oferecer serviço de saúde.”

Fonte: Jornal O Globo


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