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Josué de Castro, indicado ao Nobel da Paz, era conhecido como o sociólogo da fome

 

O pernambucano Josué de Castro é um nome praticamente desconhecido de algumas gerações, apesar de ter sido um dos intelectuais brasileiros de maior projeção do século XX. Seu pioneirismo no combate à fome rendeu a esse médico, professor, cientista político, sociólogo, geógrafo, parlamentar e representante do Brasil em organismos internacionais comparações com Pasteur, Einstein e Copérnico.

 

Traduzidos para 27 idiomas, os livros “Geografia da Fome” (1946) e “Geopolítica da Fome” (1951) transformaram Josué numa unanimidade.

 

O reconhecimento veio com os prêmios Franklin Roosevelt, da Academia de Ciência Política dos Estados Unidos, e o Internacional da Paz, do Comitê Internacional da Paz.

Era uma época em que Josué era considerado presença obrigatória nas reuniões das Nações Unidas e recebeu indicações ao Nobel da Paz.

 

Fome, meio ambiente e paz eram seus temas prediletos. Com o golpe militar, Josué foi cassado e seus livros, banidos das livrarias e das universidades. Esse erro histórico será reparado no em setembro, mês que marca seu nascimento e morte.

 

— Há uma nova geografia da fome, só que o colonialismo dos anos 40 foi substituído pelo

protecionismo agrícola dos países ricos — cutuca o médico e escritor Moacyr Scliar, ao lembrar que Josué era um “ícone para sua geração”.

 

Até hoje, Josué é considerado uma referência internacional.

 

— Meu pai foi um semeador de idéias, mas, como ele não foi ouvido quando era para ser ouvido, entramos no século XXI com os mesmos problemas — diz a socióloga Anna Maria de Castro, responsável pelo espólio intelectual do pai. Filha do meio do casal Josué com a ex-miss Pernambuco Glauce Pinto, Anna Maria guarda em casa as primeiras edições dos livros do pai. As lembranças estão espalhadas pela casa. Num canto da sala, um retrato de Josué pintado por Candido Portinari.

 

Apesar de apontado como cidadão do mundo e ter presidido a Organização para a Agricultura e a Alimentação (FAO), entre 1952 e 1956, Josué nunca desfrutou no Brasil de tamanha notoriedade, mesmo tendo influenciado de Getúlio Vargas a João Goulart. Com depressão, Josué de Castro morreu no exílio, em Paris, com 65 anos, num 24 de setembro.


Só voltou ao Brasil para ser sepultado no Cemitério São João Batista.

(Liana Melo)

(O Globo, 26/8)


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