Guarda: teares do museu da tecelagem continuam a produzir cobertores de papa e mantas de trapos
19.01.2010
Admirar peças que foram usadas antigamente na tecelagem, acompanhar um artesão no manejo de teares e comprar cobertores ou mantas feitas no local, são possibilidades oferecidas por um museu instalado na Freguesia de Meios, na Guarda.
O espaço museológico, da Câmara Municipal, foi inaugurado em Julho de 2006 e está instalado numa antiga fábrica de tecelagem que cessou a laboração nos anos 80 do século passado.
Segundo Luís Costa, coordenador do museu, o imóvel foi inicialmente adquirido pelo Parque Natural da Serra da Estrela para oficina de aprendizagem, “mas o projecto não surtiu efeito e o edifício começou a degradar-se”.
Em 2002, foi adquirido pela autarquia que o recuperou e adaptou a museu de tecelagem, com exposição, venda de artesanato e de produção de cobertores de papa (acessório característico dos pastores serranos), carpetes, mantas, entre outros artigos.
O funcionamento de quatro teares de produção de cobertores de papa e de dois de mantas de trapos é assegurado por um tecelão da terra, contratado pela autarquia.
Luís Costa explicou que o museu “não se limita só a expor o espólio ligado à tecelagem”, como tesouras de tosquia, canelas, rocas, fusos, chocalhos, etc. Referiu que, no dia-a-dia, “o artesão está a trabalhar em teares com cento e tal anos” e quem visitar o local pode acompanhar a produção de cobertores ou de mantas pelo método manual, e adquirir os artigos.
“Este museu também tem a parte pedagógica de não deixar morrer a tradição”, permitindo que as gerações mais novas percebam “a importância da indústria têxtil nas nossas aldeias”, explicou.
Preservar a memória da tecelagem e da indústria têxtil, dando particular destaque à produção do cobertor de papa, que está em vias de desaparecer, é outro dos objectivos do equipamento.
O artesão António Almeida, 54 anos, neto dos antigos proprietários da fábrica que funcionou no edifício, continua a “dar vida” aos seis teares instalados no piso superior do museu da tecelagem. Tecelão desde os 17 anos, contou que cada cobertor de papa leva “uma hora” a fabricar e que em tempos idos “cada artesão fazia oito por dia”.
Actualmente, sem a agitação de outros tempos, continua a tecer nos teares centenários que maneja com esmero, para mostrar aos visitantes como se processa a tecelagem manual, garantindo que trabalho “não falta”. Disse que o projecto “é bom para a terra e para a Guarda” e contou que pelo museu, além dos turistas, passam alunos das escolas que “adoram ver isto”.
Também lá trabalha a costureira Maria do Carmo, 55 anos, que faz acabamentos em tapetes, chinelos de pano e um genuíno alfinete para o peito, em lã, denominado “pregadeira”. Contou que os visitantes “gostam muito” do que encontram na aldeia serrana: “Pessoas que nunca viram, adoram ver estas máquinas a trabalhar”.
Pelas contas da direcção do museu, desde a abertura, já foi visitado por mais de 5000 pessoas, muitas delas estrangeiras.