"Eu vou lhe dizer o que há de errado com ele. Ele está morto, é isso o que há de errado."
Para aqueles que acreditam que os gregos antigos pensaram em tudo primeiro, a prova foi encontrada em um livro de piadas do século 4 d.C. que contém um antepassado da piada do papagaio morto, apresentada em um esquete do grupo inglês de humor Monty Python.
O livro de 1.600 anos, intitulado "Philogelos: The Laugh Addict" (Philogelos: o viciado em risada), contém uma piada em que um homem reclama que o escravo que acabara de comprar está morto.
Lançado como e-book multimídia, que pode ser comprado on-line (
www.yudu.com/oldestjokebook; 5,95 libras), ele é estrelado pelo veterano comediante britânico Jim Bowen, 71, que interpreta as piadas para uma platéia do século 21.
"Pelos deuses", responde o vendedor do escravo, "quando ele estava comigo, ele nunca havia feito algo assim!"
Muitas das 265 anedotas do livro vão parecer familiares, sugerindo que sexo, pessoas burras, esposas resmungonas e flatulência provocam gargalhadas há séculos.
Frase
"Por que os livros são o último bastião do analógico? (...) Eles resistiram obstinadamente à digitalização. Acho que há uma razão muito boa para isso. O livro é tão altamente evoluído e tão apropriado para sua função que é muito difícil substituí-lo"
JEFF BEZOS
fundador da loja virtual Amazon, durante o lançamento do Kindle, em novembro de 2007. O aparelho esgotou cinco horas e meia depois de ter sido colocado à venda (apenas nos EUA). Atualmente, para comprá-lo, é preciso esperar cerca de três meses até a entrega. Uma nova versão do Kindle deve ser lançada no início de 2009
Mercado de e-books começa a crescer
AINDA RESTRITO >> Kindle só é vendido para os EUA; leitor eletrônico da Sony é difícil de encontrar nas lojas tradicionais
BRUNO ROMANI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA,
EM BERKELEY
No final de outubro, a apresentadora americana Oprah Winfrey classificou o Kindle, o leitor de livros eletrônicos da Amazon, como seu novo aparelho favorito.
Naquele instante, ficou claro que, apesar de não ser o primeiro leitor de livros eletrônicos a existir, o Kindle poderá ser o responsável pela popularização desse tipo de aparelho. Mas ele vai ter muito trabalho.
No primeiro aniversário do Kindle, o mercado de livros eletrônicos se encontra em fase de crescimento, porém seu tamanho ainda é muito pequeno em comparação com o mundo livreiro tradicional.
Mesmo assim, quem quer comprá-lo tem de encarar uma espera de cerca de três meses. Ao anunciar os ganhos no terceiro trimestre do ano, um executivo da Amazon disse que os livros eletrônicos do Kindle já representam mais de 10% nas vendas totais de publicações -eletrônicas e tradicionais.
No geral, porém, estima-se que as vendas de livros eletrônicos sejam equivalentes a apenas 1% das vendas de publicações quando o mercado impresso é considerado.
Para piorar as coisas, encontrar aparelhos leitores de livros eletrônicos não é fácil. O Kindle só é vendido on-line, na Amazon, para pessoas que moram em território americano. Além disso, leitores de outras marcas, como a Sony, dificilmente são encontrados nas lojas.
No único estabelecimento em que um Sony PRS-505 -antecessor do recém-lançado PRS-700- foi encontrado pela reportagem, o vendedor dizia: "É claro que eu vendo mais iPods do que leitores de livros".
De fato: enquanto a Apple deve atingir em 2009 a marca de 200 milhões de iPods vendidos, as vendas do Kindle, o mais popular de sua classe, são estimadas em 200 mil unidades.
Kindle e iPod
Apesar da grande diferença no número de unidades vendidas, o Kindle, juntamente com os outros leitores de livros eletrônicos, vai desenvolvendo uma relação de amor e ódio com as pessoas, que lembra a época do lançamento do iPod. Uns amam e enumeram os benefícios. Outros odeiam e apontam os defeitos. Blogs e fóruns na rede abrigam debates sobre os aparelhos.
Entre os benefícios apontados pelos usuários estão a capacidade de armazenar centenas de livros em apenas um aparelho, a tecnologia da tela, que evita o cansaço dos olhos, a leveza do produto e até mesmo a preservação do ambiente.
Já aqueles que se posicionam contra dizem que os preços dos livros e dos leitores são muito altos. Um título eletrônico custa em média US$ 12. O Kindle sai por US$ 359 -outros leitores têm custo que varia de US$ 300 a US$ 800.
Como a maioria dos leitores é vendida apenas on-line, algumas pessoas preferem não investir o dinheiro em um produto que não podem testar pessoalmente. Para os que não gostam do Kindle, o fato de o aparelho ler livros apenas comprados na Amazon também é fator que pesa contra ele.
JORNAL
A Plastic Logic planeja lançar, na primeira metade de 2009, um leitor de jornais eletrônico com E Ink; com pequena espessura, ele tem 21,6x28 cm
Audiolivros são aposta de editoras brasileiras
DA REPORTAGEM LOCAL
Na disputa pela atenção de consumidores que buscam novas formas de leitura, o mercado editorial brasileiro investe nos audiolivros.
A maioria das editoras disponibiliza títulos em formato de CD, mas já é possível encontrar iniciativas como a da Plugme
(www.plugme.com.br), editora que conta tanto com best-sellers em formato de CD quanto com títulos disponíveis para download em MP3, que podem ser colocados em smartphones, por exemplo.
A iniciativa é da Ediouro e conta com parceria com várias outras editoras. Os CDs custam entre R$ 24,90 e R$ 29,90. Já os arquivos para baixar ficam entre R$ 14,90 e R$ 19,90.
Um dos diferenciais da Plugme é que alguns títulos são narrados por personalidades.
O ator José Wilker lê "Quando Nietzsche Chorou", o escritor Nelson Motta empresta sua voz ao seu "Vale Tudo -Tim Maia" e a consultora de moda Glória Kalil narra seu livro "Alô Chics!".
SomA Saraiva
(www.editorasaraiva.com.br) investe em audiolivros há cerca de um ano e conta com séries como a "Superdicas" (para viver bem, se tornar um verdadeiro líder), que custam a partir de R$ 19.
"Quem gosta de agregar conhecimento se interessa por um produto para ouvir no carro, nesse trânsito maluco que a gente enfrenta", diz José Luiz Próspero, diretor-presidente da Saraiva.
A Nossa Cultura
(www.nossacultura.com.br) tem hoje 23 títulos no formato, o que, segundo a editora, corresponde a 10% do total de audiolivros nacionais do mercado.
(DA)
ON-LINE:
DOMÍNIO PÚBLICO, PROJETO GUTENBERG E GOOGLE REÚNEM LIVROS Em diversos endereços na internet, é possível ler livros na íntegra -alguns permitem que você faça o download e imprima o conteúdo. O Domínio Público
(www.dominiopublico.gov.br) traz obras de Machado de Assis e Fernando Pessoa. O Projeto Gutenberg
(www.gutenberg.org), que se intitula o primeiro produtor de livros eletrônicos, agrega títulos em diversas línguas. Já o Google Book Search
(books.google.com.br) funciona para pesquisa, mas também disponibiliza livros que não são protegidos por direitos autorais.