Uma compra, mil cópias
14:49 @ 18/09/2007
Na
última vez em que o prezado leitor fez uma compra online, registrou
endereço, número de cartão de crédito, CPF, quiçá data de nascimento e
documento de identidade. Na loja eletrônica onde foi realizada a
compra, ao menos uma vez por dia é feita uma cópia desses dados, que é
armazenada em discos rígidos ou em fitas e devidamente guardada. É o
backup.
Nas contas de Jeff Jonas, da IBM, no fim de um ano os
dados daquela única compra terão sido copiados milhares de vezes. Fitas
de backup costumam ser bem guardadas. Mas, um dia, cai uma do caminhão.
Quanto mais cópias são feitas de seus dados, maior a probabilidade de
que um hacker – ou um acidente – faça com que eles vazem.
Não é
só o backup que produz cópias. Se a loja online acaso tem um catálogo
de papel, o que não é raro, ela pode decidir distribuí-lo por correio
para seus principais clientes. Então é preciso produzir uma cópia
parcial dos dados – nela não entram dados bancários, mas entram nome e
endereço – e lá surgiu um novo banco de dados com seus dados que,
diariamente, semanalmente, ganhará suas próprias cópias de segurança.
Há
outros motivos para empresas copiarem parcialmente aquela entrada no
banco de dados onde consta a única compra do prezado leitor. Para
análise estatística, por exemplo, que indique o que mais compram todos
os clientes que encomendaram o último Harry Potter. E lá está um terceiro banco de dados – e, com ele, mais uma penca de backups.
Programas
de auditoria produzem cópias de bancos de dados. Se a loja online é de
porte graúdo, por certo tem muitos servidores funcionando
concomitantemente – e muitas cópias dos dados dos clientes para
agilizar o acesso deles ao próprio histórico. Muitos servidores, muitas
cópias e a ilusão de que o site é muito, muito rápido para quem
vasculha a janela da loja, do outro lado do browser.
A essa
altura, a idéia está clara. Ao fim de um ano, não é impossível que uma
única compra numa loja virtual gere algo como um milhão de cópias
distintas das mesmas informações pessoais. E, como já foi dito, quanto
maior o número de cópias, maiores as possibilidades de que tudo seja
feito público.
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