Biblioteca Digital do Alentejo torna acessíveis obras raras
09:06 @ 15/12/2007
Obras raras ou nunca antes publicadas, como
os quatro tomos do manuscrito «Évora Illustrada», do padre Manuel
Fialho, que contam a história da cidade até inícios do século XVIII,
integram a Biblioteca Digital do Alentejo, hoje apresentada.
«É, talvez, a obra mais rara que temos, cedida pela Biblioteca Pública
de Évora, em que o padre Manuel Fialho conta a história de Évora desde
os primórdios e até ao início do século XVIII», explicou hoje à agência
Lusa Ana Rita Costa, coordenadora da Biblioteca Digital do Alentejo
(BDA).
A redacção da obra terá sido iniciada
pelo padre jesuíta em 1690 e, hoje, os quatro tomos manuscritos (dois
deles duplicados, com pequenas alterações introduzidas pelo autor) são
«muito utilizados» por investigadores, sobretudo das áreas da História
e da História de Arte.
«Dá pistas sobre construções e elementos patrimoniais que existiam na
altura, alguns dos quais já desapareceram, e descreve todos os
conventos e igrejas da cidade e tudo o que fazia parte do seu espólio.
A maior parte dessas coisas foi retirada e está agora em museus«, disse.
Esta obra, que passa a poder ser consultada livremente por todos os interessados, através da Internet, na página da BDA (www.bdalentejo.pt), é um dos 320 livros digitalizados que, nesta primeira fase do projecto, já se encontram disponíveis on-line.
A BDA, desenvolvida através do Centro de Divulgação da História e da
Sociedade do Alentejo (CEDISA) da Fundação Alentejo - Terra Mãe, foi
hoje apresentada e lançada publicamente em Évora.
O projecto, segundo os promotores, é o único fundo documental virtual
do Alentejo e a primeira biblioteca digital de expressão regional,
sendo pioneiro para a valorização, preservação e difusão do património
documental histórico-cultural da região.
Em especial, torna acessíveis obras raras e com interesse, de autores
alentejanos e/ou temáticas referentes à região, permitindo a
democratização e a promoção da igualdade no acesso ao conhecimento da
história e cultura alentejanas.
«A grande
vantagem deste projecto é, sobretudo, tornar acessíveis obras de
difícil acesso. Qualquer pessoa com um computador ligado à Internet
pode consultá-las», apontou Ana Rita Costa, destacando ainda que, desta
forma, os originais são preservados.
Inicialmente, a BDA inclui obras de âmbito literário, científico,
memorialístico e periodístico e, futuramente, deverá ser complementada
com uma base de dados cartográfica, iconográfica e musicológica sobre a
região.
«Todo o Alentejo está
representado, mas o distrito de Évora, por enquanto, talvez seja o que
tem mais obras, pois, um dos nossos grandes parceiros foi a Biblioteca
Pública de Évora, que nos cedeu metade dos livros e manuscritos que
digitalizámos«, afirmou.
Segundo a
coordenadora, a »maior parte« do fundo disponibilizado são obras de
literatura e monografias, nomeadamente sobre localidades alentejanas e
estudos económicos e agrícolas, graças a um protocolo estabelecido com
o Instituto Superior de Agronomia (ISA), em Lisboa.
«Nesta fase, lançamos 30 teses de alunos alentejanos do ISA, desde
meados do século XIX e até aos anos 30 do século XX, muitas ainda
manuscritas e que são obras únicas», realçou, referindo que, no caso de
alguns livros recentes sobre a região, em que se aplicam direitos de
autor, apenas fica disponível parte da obra.
Para a concretização da BDA, foram ainda feitas parcerias com
bibliotecas municipais e outros estabelecimentos de ensino, aguardando
agora a coordenadora que mais instituições adiram ao projecto, assim
como particulares que queiram ceder uma obra e respectivos direitos de
autor.
A par da BDA, que deverá crescer a um ritmo de 100 a 150 livros
digitalizados por ano, de acordo com as previsões da coordenadora, é
também disponibilizado o Catálogo Bibliográfico do Alentejo, que contém
dez mil registos (com a referência, mas sem o texto) de obras
publicadas relativas à região.
Fonte: Diário Digital - Portugal
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