USP prepara arquivo digital que revela postura anti-semita do Brasil no Holocausto
16:57 @ 11/01/2008
O Leer (Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação), vinculado à USP (Universidade de São Paulo), planeja lançar até julho um banco de dados na internet com documentos sobre o Holocausto do ponto de vista brasileiro.
Segundo os pesquisadores, os documentos revelam uma postura anti-semita do Brasil durante o período.
Os
dados foram coletados em fontes como o Arquivo do Itamaraty, a
Biblioteca Nacional, o Fundo Dops, além de dados retirados de
bibliotecas de Portugal, França, Itália, Alemanha, Estados Unidos e
Israel.
De acordo com a historiadora Maria
Luiza Tucci Carneiro, coordenadora do projeto, apenas no arquivo do
Itamaraty foram coletados mais de 10 mil documentos, que desde dezembro estão sendo
digitalizados.
Segundo
a pesquisadora, que iniciou a coleta desse material em 1984, a intenção
é permitir que os internautas conheçam melhor a posição brasileira
diante do Holocausto, durante o primeiro governo de Getúlio Vargas
(1930-45) e de Eurico Gaspar Dutra (1946-51).
Os
arquivos mostram que o governo Brasileiro negou vistos de entrada a
muitos judeus apátridas de diversas nacionalidades que tentavam fugir
da Europa.
A pesquisadora afirma também que
o Brasil preparou diversos dossiês com conteúdo anti-semita, alguns
deles inclusive de autoria de ministros. Eles pedem "medidas
repressivas" contra a entrada de judeus no país.
Há
também documentos emitidos por diplomatas brasileiros no exterior, que
detalham o cotidiano de cidades como Berlim e Hamburgo durante a
vigência do regime Nazista, nas décadas de 30 e 40.
Facilidade de acesso
"Estas
informações já estão em domínio público, mas as pessoas desconhecem a
posição do Brasil diante desse assunto. Queremos também ressaltar o
papel de vários diplomatas brasileiros que ajudaram a salvar judeus,
acionaram associações e conseguiram trazer muitos para o Brasil. A
idéia é fazer uma galeria dos 'justos", afirma Tucci.
Na
página também estarão disponíveis vídeos com depoimentos de
sobreviventes do holocausto e também dois novos documentários
produzidos pela TV USP. A idéia é também localizar, registrar e
entrevistar os sobreviventes dos campos de concentração e os refugiados
radicados no Brasil.
O site será colaborativo. Ou seja, os internautas que tiverem fotos de arquivo ou documentos pessoais sobre o assunto poderão enviá-las para o Leer. Os interessados podem entrar em contato pelo e-mail leer@usp.br.
O
portal ficará hospedado no site do Leer e deve estar disponível a
partir de julho deste ano. A proposta é que em um prazo de dois anos o
site esteja completo. Para o projeto, o instituto recebeu financiamento
inicial da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São
Paulo), mas está em busca de outros patrocinadores.
Fonte: Folha Online
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