ITA lidera em produtividade científica
14:40 @ 18/01/2008
A USP é a universidade brasileira com maior produção científica, mas, quando são levados em conta critérios como o número de doutores ou de cursos de pós-graduação por trabalho publicado, é o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) a instituição mais produtiva.
Essas são conclusões de um estudo realizado pelo Instituto Lobo a partir da base de dados Thomson-ISI,
que permite a comparação da produtividade das instituições a partir do
número de trabalhos publicados em periódicos internacionais.
No
levantamento, foram consideradas apenas as instituições de ensino
superior que conseguiram publicar ao menos 50 trabalhos no período de
2001 a 2005.
Esse
corte mostra que o número de instituições privadas com produção
significativa é muito baixo. Das 86 universidades particulares do país
em 2005, apenas 23 (27% do total) conseguiram publicar ao menos 50
trabalhos no período.
"Dá uma média de dez trabalhos por ano. É um patamar baixíssimo para instituições que, pela lei, têm que realizar pesquisa", afirma Oscar Hipólito, autor do estudo em parceria com Roberto Lobo.
Nas
federais, o percentual de universidades com ao menos 50 trabalhos foi
de 77% e, nas estaduais, 42%. Após esse corte, sobraram 83 instituições
com produção significativa. Dessas, apenas 24 são privadas, e a
produção delas representou somente 5% do total de trabalhos publicados
no período.
Com o objetivo de avaliar
também a produtividade de cada instituição, os autores compararam o
total de trabalhos publicados com o de doutores em regime integral, de
cursos de pós-graduação reconhecidos pela Capes e de recursos recebidos
pelo CNPq.
No
ranking por doutores, o ITA apresentou a média de 5,4 trabalhos por
doutor em regime de dedicação exclusiva, superando Unicamp (5 por
doutor), USP (4,9), UFSCar (4,8) e Unifesp (4,7). A média das 83
instituições comparadas foi de 2,25 nesses cinco anos.
A comparação com o número de trabalhos por cursos reconhecidos pela Capes coloca de novo o ITA no topo do ranking.
Por
último, levou-se em conta também os recursos recebidos pelo CNPq. Nesse
caso, é preciso considerar que outras fontes importantes de
financiamento ficaram de fora, como as fundações de apoio estaduais, a
Capes ou a Finep.
Quem mais recebeu recursos dessa fonte única foi a USP (R$ 374 milhões em cinco anos), mas o maior investimento por trabalho
publicado está na PUC-SP (R$ 517 mil por trabalho publicado).
Para
tentar agregar esses três critérios (doutores, cursos e verba do CNPq)
num único indicador, os autores do levantamento elaboraram um índice de
produtividade em que, mais uma vez, o ITA aparece como a instituição
mais produtiva.
Critérios
A
produção medida por meio de trabalhos publicados em revistas
científicas indexadas --com critérios mais rigorosos de edição-- não é
a única forma de avaliar instituições.
Outros
levantamentos costumam utilizar também critérios como o número de
patentes obtidas por uma instituição ou o número de vezes que um artigo
é citado em outros trabalhos.
O número de trabalhos publicados por pesquisador, no entanto, é cada vez mais usado por órgãos de fomento.
Fonte: Folha Online
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