Grupos

Este é o Colégio Fayal

08:35 @ 09/03/2006

O Colégio Cenecista Pendro Antônio Fayal, está ligado a CNEC - Campanha Nacional de Escolas da Comunidade, está situado em Itajaí/SC.

 

Frente do Colégio Fayal

Praça de Alimentação do Colégio

 

Pátio interno do Colégio

 

Laboratório de informática do colégio

 

 

 

 

 

Proposta Pedagógica

09:02 @ 15/03/2006

Nova Escola edição 181 - abr/2005

Proposta pedagógica e planejamento: as bases do sucesso escolar

Para oferecer um ensino adequado às necessidades de seus alunos, a escola precisa saber o que quer, envolvendo a equipe e a comunidade na definição das metas

Lucita Briza 

O que faz uma escola ser bem-sucedida? Como uma escola estadual do interior de Santa Catarina conseguiu dobrar de um ano para o outro a jornada de todos os alunos de 2ª, 3ª e 4ª séries com sucesso? Qual a receita de uma escola particular criada há 40 anos na capital de São Paulo para permanecer atual a ponto de ser considerada um centro de referência? Embora atuando em regiões diferentes e seguindo modelos educacionais distintos, ambas atribuem os bons resultados à mesma razão: a proposta pedagógica, construída coletivamente e concretizada num bom planejamento.

A proposta pedagógica é a identidade da escola: estabelece as diretrizes básicas e a linha de ensino e de atuação na comunidade. Ela formaliza um compromisso assumido por professores, funcionários, representantes de pais e alunos e líderes comunitários em torno do mesmo projeto educacional. O planejamento é o plano de ação que, em um determinado período, vai levar a escola a atingir suas metas. Do planejamento, depois, sairão os planos de aula, adaptados ao cotidiano em classe.

Pequena Constituição

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 1996 diz que a proposta pedagógica é um documento de referência. Por meio dela, a comunidade escolar exerce sua autonomia financeira, administrativa e pedagógica.Também chamada de projeto pedagógico, projeto político-pedagógico ou projeto educativo, a proposta pedagógica pode ser comparada ao que o educador espanhol Manuel Álvarez chama de "uma pequena Constituição". Nem por isso ela deve ser encarada como um conjunto de normas rígidas. Elaborar esse documento é uma oportunidade para a escola escolher o currículo e organizar o espaço e o tempo de acordo com as necessidades de ensino. Além da LDB, a proposta pedagógica deve considerar as orientações contidas nas diretrizes curriculares elaboradas pelo Conselho Nacional da Educação e nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN).

Para Álvarez, o ideal é que o documento seja o resultado de reflexão coletiva. E como chegar ao consenso? "Proporcionando espaços para que cada uma das partes exponha seus objetivos e interesses com base nos princípios educativos com os quais todos concordam", diz o educador. Esse esforço conjunto harmoniza as diferenças entre os grupos que compõem a escola.

Um dos desafios para chegar a bom termo nessa elaboração, observa o educador francês Bernard Charlot, é manter a coerência entre a teoria e a prática. "De que vale um discurso pedagógico do tipo construtivista e práticas que o contradizem?", questiona Charlot.

Manter a proposta pedagógica e o planejamento escolar atualizados é a recomendação feita pela educadora Madalena Freire, de São Paulo. "Tanto a proposta como o planejamento são processuais e devem correr em paralelo com a construção do conhecimento", diz ela. Isso impede que os dois documentos se transformem em instrumentos engavetados, só revistos no fim do ano. Essa burocratização leva muitos professores a considerar ambos como desnecessários e inviáveis. "O planejamento serve como roteiro para os professores, permitindo aplicar no dia-a-dia a linha de pensamento e ação da proposta pedagógica", afirma Ilza Martins Sant'Anna, professora da Faculdade Porto-Alegrense de Educação, Ciências e Letras. O que não significa determinar uma forma única de planejar todas as disciplinas: a avaliação dos erros e acertos é que vai permitir a melhor escolha.

Para planejar, observa Madalena, é importante cada professor dominar o conteúdo de sua matéria - mas isso de nada valerá se ele não escutar os alunos e não valorizar o que já conhecem. O professor deve sempre se perguntar: o que meus alunos já sabem? O que ainda não conhecem? O que, como e quando ensinar? Onde ensinar? Com base nas respostas, ele propõe atividades que façam sentido para os estudantes daquela comunidade.

Se for uma aula de literatura, por exemplo, lembre-se de que os alunos de uma escola da periferia não têm o mesmo contato com livros que os de uma escola de classe média. Você precisa valorizar o saber do grupo e, após cada atividade, refletir sobre sua prática. Em vez de atribuir aos alunos incapacidade de aprender, o ideal é que você analise as próprias inadequações ao ensinar.

Revisão periódica

Geralmente feito no início do ano ou do semestre para abranger todo o período, o planejamento pede acompanhamento constante, na opinião de Madalena. O trabalho deve ser reavaliado em reuniões quinzenais com a participação de toda equipe e sob a liderança do coordenador. Uma primeira avaliação geral pode ser feita no final do primeiro bimestre para corrigir desvios e lançar bases para o resto do período. Nesse momento, os professores checam se os conteúdos são fundamentais para o aprendizado; se há articulação entre os segmentos (Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio); se as reuniões pedagógicas estão sendo bem aproveitadas e se o planejamento favorece o envolvimento da família e da comunidade na escola. Veja, abaixo, as experiências de duas escolas bem-sucedidas.

 

"Achamos importante substituir uma proposta de gabinete por outra que tivesse mais a cara da escola"

Marilú Maldaner Ghiozi, diretora da Escola de Educação Básica Frei Nicodemos, em Lages (SC)

Escola Estadual de Educação Básica Frei Nicodemos

Quem somos?

Escola pública localizada em comunidade de baixa renda, que atende filhos de trabalhadores sem emprego fixo e de baixa escolaridade.

Onde queremos Chegar?

Promover a inclusão social com ensino de qualidade; combater a evasão e a repetência; e aumentar o tempo de permanência dos alunos na escola.

Como atingir os objetivos?

Chamar os pais para reuniões periódicas; intensificar o aprendizado de leitura e escrita e de resolução de problemas; criar novos espaços de ensino e aprendizagem; e incluir atividades extracurriculares.

O que fazer?

Reforma da escola para atender em período integral; atividades extras; horas de estudo orientado em Matemática e Língua Portuguesa; aulas de iniciação à pesquisa; e reuniões quinzenais de avaliação.

 

Escola Frei Nicodemos

 

"Uma das vantagens do planejamento coletivo é a maior integração do trabalho dos docentes; o difícil é fazer uma idéia obter a aprovação da maioria"

Professora
Eliane Sari Coelho

A Escola Estadual de Educação Básica Frei Nicodemos, em Lages (SC), foi aberta para receber filhos de trabalhadores que vivem num conjunto habitacional e em casas precárias que surgiram nos arredores. Mesmo com classes superlotadas, era preciso oferecer educação de qualidade para combater a repetência e a evasão.

Quando Marilú Maldaner Ghiozi assumiu a direção, em 2003, havia apenas uma proposta pedagógica montada sem a participação da comunidade. A primeira providência de Marilú foi convocar professores, funcionários, representantes de pais, de alunos e da comunidade para uma ampla discussão em pequenos grupos. Em uma semana de reuniões, o grupo formulou uma proposta de fácil compreensão, entregue a todos.

Inglês, Informática e Dança

A próxima tarefa era planejar o ano letivo com base no questionário respondido pelos pais. Eles queriam que a escola oferecesse ensino mais amplo - como língua estrangeira - já que não podiam pagar cursos extras. Por isso e pela baixa escolaridade da comunidade, a escola foi uma das escolhidas pelo governo para a implantação do projeto Escola Pública Integral (EPI). Decidiu-se em reuniões que a experiência começaria com classes de 2a, 3a e 4a séries.

Enquanto eram realizadas obras para adaptar o prédio, a equipe pedagógica participava das reuniões de planejamento, conta a professora da 4a série, Rosires Duarte Chaves. Todos os professores levaram sugestões de projetos e decidiram como integrar o currículo às atividades extras. De comum acordo com os pais, foram escolhidas para compor o período integral aulas de Inglês, Informática e Dança. A escola ganhou laboratório de Ciências, brinquedoteca e salas para estudo orientado em Matemática e Língua Portuguesa.

Em reuniões periódicas, novas sugestões apareceram para melhorar ou alterar as anteriormente aprovadas. Assim, ficou decidido que as atividades extras seriam alternadas com as curriculares e que o professor de classe deveria assumir todas as matérias do currículo básico, só deixando as novas atividades por conta de especialistas. As reuniões trimestrais passaram a ser quinzenais.

No final do ano, a avaliação dos pais mostrou que as mudanças foram positivas. A média dos alunos em Matemática, leitura e escrita melhorou e houve muita procura pelas aulas de Inglês e Informática. "Conseguimos atender as crianças que estavam em defasagem idade-série", diz a professora Eliane Sari Coelho, uma das responsáveis pelas horas de estudo orientado. Para a diretora, a Frei Nicodemos está cumprindo sua proposta de inclusão social. "Garantimos os resultados porque todos vestiram a camisa do projeto."

 

 

"Nossa proposta pedagógica e nossa escola são uma só coisa; mas até ela ser formalizada demorou"

Sylvia Gouvêa, diretora da Escola Nova Lourenço Castanho, em São Paulo

Escola Nova Lourenço Castanho

Quem somos?

Escola particular, em bairro de classe média.

Onde queremos Chegar?

Formar alunos comprometidos com os problemas sociais para que sejam no futuro adultos atuantes; e buscar a excelência no ensino e novas experiências pedagógicas.

Como atingir os objetivos?

Trazer para a escola a contribuição de profissionais de diversas áreas (psicólogos, sociólogos, médicos etc.) para ajudar os professores a entender as necessidades dos alunos; avaliar regularmente as metodologias e as práticas docentes; e promover momentos de avaliação permanente.

O que fazer?

Trabalhar com projetos interdisciplinares e eixos temáticos, usando de preferência temas que são tratados pela mídia.

Escola Lourenço Castanho

"Planejar em equipe permite pensar mais sobre conteúdos, objetivos e procedimentos; as decisões são mais demoradas, mas o debate é proveitoso"

Professora
Lucila Vannucci Zwar

A Escola Nova Lourenço Castanho, fundada em 1964 sob a inspiração de escolas experimentais da época, fica num bairro paulistano de classe média. No início, a filosofia da escola não estava no papel. "Tudo era muito informal", conta a diretora Sylvia Gouvêa. As sócias acreditam que educar é preocupar-se com a personalidade do aluno e suas necessidades, buscando o ensino comprometido com aspectos sociais. A Lourenço Castanho trouxe profissionais de outras áreas para dar palestras com o objetivo de se manter atualizada e para ajudar a equipe a entender melhor o público.

 

Currículo integrado

As diretrizes do ensino são dadas pelo colegiado de cinco diretores pedagógicos. Eles acompanham o andamento em cada área e avaliam, junto com os professores, se o plano está cumprindo as metas gerais. A espinha dorsal do planejamento é atualizada com base nessas avaliações. Em História, por exemplo, os professores listam os conteúdos tendo como referência os PCN, o currículo estadual e os temas que estão em evidência na mídia. "Cada um apresenta sua lista ao grupo", explica a professora de História da 6a série Lucila Vannucci Zwar. No ano passado, as turmas da 6a estudaram Império Romano, escravidão e religiões, entre outros tópicos. Como a escola trabalha com eixos temáticos, decidiu-se que a escravidão seria estudada também no Brasil Colônia e na atualidade. A cada passo, a equipe avalia se aquilo que está sendo ensinado está de acordo com os objetivos previstos na proposta pedagógica.

O planejamento é constantemente revisto pela equipe. Os professores analisam o aproveitamento dos estudantes, o interesse por um conteúdo e se a aprendizagem provocou mudanças de comportamento (em relação a um preconceito, por exemplo). A cada semana os professores se reúnem, alternadamente, com todos os colegas da mesma série ou com os demais da sua disciplina. Tudo que ali acontece é registrado numa ata pelo coordenador pedagógico. A cada mês ou bimestre, há também uma reunião dos docentes da mesma área com o colegiado de diretores pedagógicos. Foi em uma dessas reuniões, lembra a diretora Sylvia, que se percebeu uma falha: em nenhuma série era dado um conteúdo específico sobre o estado de São Paulo, em que se situa a escola, o que logo foi corrigido.

 

 

Características de uma boa proposta pedagógica

Para que o documento de sua escola seja eficaz, ele deve:
 Ser resultado da discussão de toda a comunidade escolar.
 Conter princípios pedagógicos que correspondam ao contexto e à prática da sala de aula dos professores.
 Se adaptar sempre que houver mudanças no público, na realidade da comunidade e, com isso, nos objetivos do ensino.

Características de um bom planejamento

Para que o planejamento contemple aprendizagens para todos, ele deve:
 Operacionalizar os conteúdos fundamentais para a escola.
 Garantir a articulação entre todos os segmentos escolares (desde a Educação Infantil até o Ensino Médio) e entre as áreas de conhecimento.
 Prever tempo para formação docente e para reuniões pedagógicas.

 

Características de uma boa proposta pedagógica

Para que o documento de sua escola seja eficaz, ele deve:
Ser resultado da discussão de toda a comunidade escolar.
Conter princípios pedagógicos que correspondam ao contexto e à prática da sala de aula dos professores.
Se adaptar sempre que houver mudanças no público, na realidade da comunidade e, com isso, nos objetivos do ensino.

Características de um bom planejamento

Para que o planejamento contemple aprendizagens para todos, ele deve:
Operacionalizar os conteúdos fundamentais para a escola.
Garantir a articulação entre todos os segmentos escolares (desde a Educação Infantil até o Ensino Médio) e entre as áreas de conhecimento.
Prever tempo para formação docente e para reuniões pedagógicas.

Quer saber mais?

Bibliografia

O Projeto Educativo da Escola, Manuel Álvarez (org.), 180 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-7033444, 33 reais

Avaliação e Planejamento, Madalena Freire, Ed. Espaço Pedagógico, tel. (11) 5505-1135, 12 reais

Internet

No site http://www.novaescola.com.br/, você encontra outras reportagens que tratam da proposta pedagógica

Assine

BRIZA, Lucita. Proposta pedagógica e planejamento: as bases do sucesso escolar.  Disponível em: http:/www.novaescola.com.br/edicoes/0181/aberto/mt_65918.shtml. Acesso em: 20. fev. 2006.

 

 

CURRÍCULO

14:41 @ 22/03/2006

                                                 CURRÍCULO  

                                                     
                                           (O que a escola pretende ensinar.)

Basicamente, o currículo é uma lista de tudo aquilo que uma escola pretende ensinar. Pode também conter informações mais precisas sobre como e quando vai fazê-lo e também sobre os processos de avaliação das aprendizagens. Geralmente, resume-se a uma relação de matérias, cada uma com seus conteúdos, apresentados na seqüência na qual devem ser trabalhados com os alunos de cada série.

Os currículos evoluem ao longo do tempo e podem sofrer muitas alterações no espaço de algumas gerações. Matérias podem desaparecer, como o Latim. Outras podem ser criadas, como a famigerada Educação Moral e Cívica, nos anos da ditadura, ou a Educação Ambiental, mais recentemente. Novos conteúdos podem ser incorporados, seja por causa de evoluções da ciência acadêmica (como no caso do DNA em Biologia ou da teoria do Big-Bang em Ciências), seja por vontade de reformular os métodos de ensino (como no caso da fracassada experiência com a Matemática Moderna na escola fundamental ou do bem-sucedido uso da literatura infantil na aprendizagem da linguagem escrita).

O currículo pode ser uma referência sobre o modo de ser da escola, especialmente quando apresenta inovações em seus conteúdos. Atualmente, essas inovações podem ser divididas em duas grandes categorias:

1 - Enriquecimento da lista básica de conteúdos ofertados: artes, música, informática, entre outras novas áreas, e conteúdos multidisciplinares (como ecologia, educação sexual, ética, etc.) podem começar a ser incluídos na lista do que a escola pretende oferecer aos alunos.

2 - Simplificação de conteúdos ("núcleo básico" ou "tronco comum") e tentativa de criar um "currículo vivo". Essa mudança vem da percepção de que, mais do que trabalhar conteúdos específicos, o importante na educação fundamental é adquirir algumas habilidades e competências básicas, como dominar a linguagem escrita e a linguagem matemática, etc. Diferentes conteúdos e situações podem ser aproveitados para desenvolver essas competências básicas. Conversar com alunos de outra escola, via Internet, é um exemplo de uma situação que pode surgir durante o ano e servir como excelente ponto de partida para trabalhar a linguagem escrita (produção de textos, revisão gramatical e ortográfica) ou os conhecimentos geográficos (como é o lugar onde vive a pessoa com quem estamos nos correspondendo?).

Outro conceito importante é o de "currículo oculto", que inclui diversos valores (por exemplo: religião, preconceitos de cor e de classe, regras de comportamento, etc.) que a escola pode ensinar, mesmo sem mencioná-los em seu currículo.

Em boa parte dos casos, é preciso reconhecer: a simples leitura do currículo não é suficiente para dar uma idéia de como funciona uma escola. Afinal de contas, existem grandes diferenças entre o currículo oficial e o que efetivamente se passa em sala de aula, que podemos chamar de "currículo real".

Por Luca Rischbieter   portal educacional                                                                                  

 

Algumas definições de Currículo:
"O currículo aparece, assim, como o conjunto de objetivos de aprendizagem selecionados que devem dar lugar à criação de experiências apropriadas que tenham efeitos cumulativos avaliáveis, de modo que se possa manter o sistema numa revisão constante, para que nele se operem as oportunas reacomodações"  (Sacristán, 2000:46) - Teorias Curriculares Tradicionais

"O currículo oculto é constituído por todos aqueles aspectos do ambiente escolar que, sem fazer parte do currículo oficial, explícito, contribuem, de forma implícita para aprendizagens sociais relevantes (...) o que se aprende no currículo oculto são fundamentalmente atitudes, comportamentos, valores e orientações..." (Silva, 2001:78) - Teorias Curriculares Críticas

"...o conhecimento não é exterior ao poder, o conhecimento não se opõe ao poder. O conhecimento não é aquilo que põe em xeque o poder: o conhecimento é parte inerente do poder (...), o mapa do poder é ampliado para incluir os processos de dominação centrados na raça, na etnia, no gênero e na sexualidade " (Silva, 2001:148-1149) -Teorias Curriculares Pós-críticas 

 

" ... uma abordagem global dos fenômenos educativos, uma maneira de pensar a educação que consiste em privilegiar a questão dos conteúdos e a forma como estes conteúdos se organizam nos cursos .
Um currículo escolar é primeiramente, no vocabulário pedagógico anglo-saxão, um percurso educacional, um conjunto contínuo de situações de aprendizagem (learning experiences) às quais um indivíduo vê-se exposto ao longo de um dado período, no contexto de uma instituição de educação formal.  (...)
O currículo, escreve por seu lado P. W. Misgrave (1972), constitui na verdade 'um dos meios essenciais pelos quais se acham estabelecidos os traços dominantes do sistema cultural de uma sociedade', no mínimo pelo papel que ele desempenha na gestão do estoque de conhecimentos de que dispõe a sociedade, sua conservação, sua transmissão, sua distribuição, sua legitimação, sua avaliação" (Forquin, 1993:22)    

Referências Bibliográficas

ALONSO, Luisa G. e outros. A Construção do Currículo na Escola: Uma Proposta de Desenvolvimento Curricular para o 1o. Ciclo Básico. Porto, Porto Editora,1994.

FORQUIN, Jean-Claude. Escola e Cultura. As bases sociais e epistemológicas do conhecimento escolar.Porto Alegre, ARTMED, 1993.

SACRISTÁN, J. Gimeno e Gómez, A. I. Perez. O currículo: os conteúdos do ensino ou uma análise prática? Compreeender e Transformar o Ensino. Porto Alegre, Armed, 2000:119-148.

 SILVA, Tomaz Tadeu da. Quem escondeu o currículo oculto. In  Documento de identidade: uma introdução às teorias do currículo. Belo Horizonte, Autêntica, 1999: 77-152.

desafio

16:34 @ 22/03/2006

   Prezado Edimar,

            Avaliando os diversos materiais recebidos até o presente momento, fica evidente que o processo que estamos iniciando passa basicamente por três pontos fundamentais:

            1 - O projeto pedagógico deve ser construído a partir da realidade da escola e da comunidade no qual ela encontra-se inserida;

            2 - Engajamento e comprometimento de todos os envolvidos direta ou indiretamente na sua construção;

            3 - Monitoramento e adequação constantes a partir da sua aplicação.

      Ou seja, o projeto deve ser reflexo da realidade que nos norteia, buscando  a concretização de objetivos solidamente edificados.

      Portanto, vamos à luta, na certeza de que o desafio é grande, mas os resultados serão maiores ainda.

                           Prof. João e Profa. Glória - Articuladores

Colegas, aí estão alguns dados importantes da realidade do ensino médio nacional. O que me leva a pensar: "qual a identidade do ensino médio?".

 

Edimar Leite

 

FOLHA DE SÃO PAULO                                                      São Paulo, sexta-feira, 24 de março de 2006

                                    
EDUCAÇÃO


É o maior índice de abandono desde 1996, segundo dados do Censo; no ensino fundamental, taxa de evasão no país é de 8%

1,4 milhão de jovens largam o ensino médio

LUCIANA CONSTANTINO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Quinze em cada cem jovens matriculados no ensino médio abandonaram os estudos no Brasil em 2004. Isso significa que 1,402 milhão de alunos deixaram a escola num universo de 9,169 milhões de matrículas. É o maior índice de abandono desde 1996.
Também é praticamente o dobro do registrado no ensino fundamental, etapa em que oito a cada cem estudantes matriculados abandonaram a sala de aula.
É o que mostra o último Censo Escolar, divulgado neste mês pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), ligado ao Ministério da Educação.
Além dos casos de abandono, o Censo aponta que dez em cada cem estudantes do ensino médio foram reprovados em 2004. São pouco mais de 965 mil jovens. Esse também é o maior índice registrado desde 1996.
Os dados incluem as redes pública e particular, porém essa última detém só 12% das matrículas e os menores índices de reprovação (5,48%) e abandono (1,53%).

Atenção
Especialistas ouvidos pela Folha alertam que o abandono e a reprovação, aliados ao fato de o número de matrículas no ensino médio ter caído 1,5% entre 2004 e 2005, devem despertar a atenção das autoridades para detectar os motivos da falta de interesse dos adolescentes pelas salas de aula.
Para o diretor da Faculdade de Educação da UnB (Universidade de Brasília), Erasto Fortes, o ensino médio é a etapa com uma "identidade difícil de ser caracterizada". "Alguns dizem que é a etapa preparatória para o vestibular. Outros falam em ajudar para o mercado do trabalho. Mas o ensino médio faz parte da formação integral do jovem dentro da educação básica. E para isso o currículo ainda não está adaptado", afirma Fortes.
Ele cita ainda outros três fatores que devem ser analisados -a tendência de migração dos alunos do ensino médio regular para a Educação de Jovens e Adultos (antigo supletivo, que é concluído em prazo menor), a necessidade de políticas de apoio ao estudante, como merenda e transporte, e a falta de professores de algumas disciplinas, principalmente nas áreas de ciências.
"A falta de condições do ensino médio causa um desestímulo aos alunos", concorda a coordenadora de programas da ONG Ação Educativa, Vera Masagão. "Na primeira oportunidade, eles vão para o mercado de trabalho. O ensino médio cresceu muito rápido, sem um aumento significativo de recursos", diz.
A presidente da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), Juçara Dutra Vieira, também cita a "falta de perspectiva" oferecida pelo ensino médio aos jovens. "Em termos de inclusão e de mercado de trabalho, o ensino médio não tem dado muitas respostas", afirma.

Dados do IBGE
Essa percepção pode ser traduzida em números. O Brasil tinha em 2004, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 34,8 milhões de jovens entre 15 e 24 anos. Representavam 19,1% da população total.
Por outro lado, a PME (Pesquisa Mensal de Emprego), realizada em seis regiões metropolitanas em dezembro do ano passado, indicava que 23% dos brasileiros entre 16 e 24 anos não estudavam nem trabalhavam.
O presidente da Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas), Thiago Franco, dá pistas do que o jovem busca: "A escola não é um ambiente agradável. É preciso trazer para o currículo coisas ligadas ao cotidiano, discutir como a sociedade está. E o ambiente também deve ser mais democrático dentro da escola, com grêmio estudantil, clima de participação".


Colaborou FÁBIO TAKAHASHI, da Reportagem Local

 

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2403200606.htm