Grupos

No sistema de ensino seriado as matérias são organizadas de acordo com a série ou etapa de aprendizado que o aluno se encontra. No ensino fundamental isto é necessário uma vez que o conhecimento é cumulativo, e não se pode passar adiante sem o aprendizado anterior.

 

Esse sistema de ensino pode ser chamado também de modular pois se organiza em células (módulos) de conhecimento que por sua vez englobam sub-módulos (português engloba ortografia e gramática, p.ex.).

 

Por outro lado esse sistema é flexível na medida em que considera a recuperação em um número reduzido de matérias, a fim de não sobrecarregar o aluno com conhecimento nem criar situações indesejadas, como interromper o ciclo de aprendizado geral.

 

No sistema de créditos pode-se fazer os módulos iniciais independentemente, de modo assíncrono sem comprometer o aprendizado, porém não os módulos finais, onde se aplica o conhecimento anterior. Esse sistema guarda semelhança com o sistema seriado apenas no que tange a existência de uma grade de módulos a serem cumpridos.

 

O sistema de créditos permite aprendizado com tempo flexível, por outro pode levar o aluno a concluir o curso num tempo muito maior do que o planejado ou desejável.

 

Uma alternativa a esses modelos poderia ser o sistema integrado, onde o conteúdo de vários módulos é abordado em todas as aulas, num sistema de aprendizado baseado no conteúdo global e não no módulo/célula de conhecimento. Chamo esse sistema de não-modular pois, embora haja uma grade de conhecimento e tempo a serem cumpridos, não há modularização ou individualização do saber ao longo deste tempo. Por exemplo, em vez de ensinar português separado de filosofia e história, no modelo integrado (ou não-modular) se utilizaria textos de história no aprendizado da língua portuguesa, sendo estes abordados sob a ótica da filosofia, semelhante ao ensino pré-primário (várias competências relacionadas numa única atividade).

 

Um grande problema no ensino técnico ligado a softwares é a demanda pela venda de grifes (marcas) associada à competência. Muitas vezes o nome de uma marca ou empresa é sinônimo de serviço (por exemplo, Word se tornou sinônimo de editor de textos) o que dificulta a venda de um curso ou módulo pela sua competência. Noutras situações a marca é o diferencial que o mercado de trabalho pede, associado ao conhecimento.

 

Sem querer entrar no mérito de casos inversos, ou de casos onde o curso possui denominação “popular” mesmo que incorreta, a dificuldade de se implementar cursos integrados é algo que transcende o modelo teórico de ensino, é uma questão social, econômica até. O modelo seriado ou de crédito tem uma razão de ser própria que o sistema não-modular precisa equacionar antes de se impor como modalidade de ensino equivalente.

 

Dentro de minha área de docência - ensino de ferramentas para webdesign - seria ideal não ter de ensinar os módulos em separado para ter de repassá-los ao final do curso (além de ensinar novos tópicos). O sistema não-modular seria ideal para fixar a matéria ao longo do curso, uma vez que todos os dias se praticaria a maior parte do conteúdo programático. Por ser uma modalidade baseada em desenvolvimento de “competências globais”, semelhante a um workshop/oficina especializada, há a possibilidade de o aluno concluir o curso antes do tempo planejado, adquirir conhecimento além do conteúdo programático, fixar mais a matéria ou focar o conhecimento em determinado assunto ou necessidade. A troca de informações com colegas acaba sendo maior neste modelo também, como pressupõe atividades coletivas.

 

Ou seja, a maioria dos problemas encontrados no ensino tradicional ou modular se resolvem em atividades não-modulares pois é um sistema híbrido.
Por outro lado, seria inviável ter um aluno que se matriculasse no meio dum curso não-modular, como ocorre no sistema tradicional (modular). Para cursos privados, isso chega a ser inviabilizante, uma vez que essa possibilidade compensa eventuais evasões no decorrer do curso.

 

No meu ponto de vista cursos não-modulares seriam adequados dentro de um novo paradigma, que chamo de microcursos – cursos para turmas reduzidas, com carga horária e conteúdo reduzido. Os microcursos têm como outras características um conteúdo atualizado a cada nova turma, e direcionado para o interesse do grupo ou participantes isolados, ao contrário do ensino tradicional. Nesse sentido os microcursos ou sistemas não-modulares estão inseridos no que se convencionou de chamar de construtivismo ou sociocontrutivismo, podendo ser ministrados em ambientes presenciais e fechados, ou a distância e abertos.

 

Um questionamento que se sempre se faz ao construtivismo é o fato dele não ser uma metodologia, não ter “receita de bolo” claras, apenas recomendações. Os microcursos e sistemas não-modulares podem não padecer deste problema, mas possuem resistência da indústria de ensino que se organizou em estruturas cujo faturamento está atrelado a longos períodos (trimestre, semestre ou ano) e grande número de alunos. Donde conclui-se, que embora o futuro do ensino “que fica” passe por sistemas não-modulares, este sistema ainda precisa evoluir através da iniciativa de instituições ou profissionais a fim de ser aplicável dentro de paradigmas existentes, ou dentro de novos paradigmas educacionais.