Grupos

Teoria dos jogos

12:49 @ 05/03/2010

• Não atender aos pedidos do consumidor, com convicção, pode resolver o problema que gerou a queixa.
• Fazer o que o consumidor pede pode deixá-lo mais insatisfeito ainda.
• Fazer exigências para aceitar uma proposta de trabalho pode aumentar sua remuneração e seu prestígio profissional.

A teoria dos jogos, segundo MOON (2009, p.72), diz que, "para tomar a melhor decisão, o indivíduo (ou grupo) precisa levar em consideração as decisões dos outros".

Explicando o primeiro parágrafo, por esse prisma:

Se um(a) único(a) aluno(a) reinvindica mudanças no conteúdo programático do curso ou no planejamento das aulas e não é atendido, isso é positivo, pois o conteúdo e o planejmento devem ter objetivos bem definidos; esse posicionamento impede que os objetivos se percam e a mudança desagrade o restante dos alunos, gerando esvaziamento da turma, p.ex.
Em outras palavras, o(a) incomodado(a) que se mude.

Neste cenário, não atender o pedido do(a) aluno(a) evita que a mudança desagrade até o(a) solicitante, que pode ficar insatisfeito(a) com os resultados da mudança, pois é impossível realizar todos os desejos de uma pessoa.

Fechando o raciocínio, o docente que se recusa a fazer as mudanças solicitadas pode até ganhar prestígio, na medida que abandona uma turma fadada ao insucesso e assume uma outra turma, com sucesso.

Usei esse cenário para ilustrar a teoria dos jogos pois o tema deste blog é justamente pedagogia na área de ensino de informática; e as situações onde o(a) aluno(a) solicita mudanças no desenvolvimento das aulas são fatos reais.
Infelizmente as decisões tomadas pela instituição de ensino não foram as descritas aqui. Mas poderiam/deveriam ter sido.

A teoria dos jogos diz que qualquer decisão para ter sucesso deve envolver a reação das partes interessadas, subentendendo o que é melhor para o grupo e não para o indivíduo.
Não estou dizendo que se deve ignorar o indivíduo em função do grupo, até porque todo grupo é formado por indivíduos, mas por uma questão de coerência, se as aulas são coletivas, as decisões devem ser coletivas.

Na impossibilidade de se atender desejos individuais, soluções individualizadas devem ser planejadas; isto é, se as políticas da instituição considerarem isso. Presto serviço numa instituição que infelizmente não possui ações para ensino individualizado dentro de turmas coletivas (embora tenha ações de ensino à distância, ou seja somente de ensino individualizado).

Indo além do ensino, qualquer ação que envolva pessoas deveria partir do princípio da teoria dos jogos. O jogo da cerveja que citei em post anterior se baseia nessa "teoria sistêmica", e tem aplicações da organização de empresas até a política. Afinal, ninguém é uma ilha.


A moral desta história, como no jogo da cerveja, é que decisões corretas só frutificam num ambiente (ou sistema) favorável. Quando não se tem esse sistema, deve-se criar um subsistema adequado ao contexto.
No cenário aqui ilustrado, se a instituição de ensino não possui políticas de apoio ao ensino coletivo, deve-se criar um sistema que funcione "in loco" ou ter firmeza ao colocar como são as regras da casa. Em ambos os casos, comunicar com clareza ao longo do tempo as regras, os motivos e objetivos a serem alcançados é condição sine qua nom para o sucesso.
Bater o pé e não comunicar as razões ao grupo social abre espaço para que reclamações cresçam pela simples falta de entendimento do contexto.

Um exemplo: multar motoristas por excesso de velocdade sem colocar avisos claros na via monitorada por radares abre espaço para ações judiciais dos motoristas contra as próprias multas, por mais positiva que seja a ação de trânsito disciplinar (multas)...

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Referência:
MOON, peter, "Copenhague será um fracasso", n. 600, 16 nov., Revista época, Ed. Globo, São Paulo: 2009

Desconstruindo o medo da prova

14:50 @ 06/03/2010

Tenho uma conhecida que conseguia fazer o que acreditava ser impossível (ao menos quando entrei na área de ensino ou treinamento): fazer da prova uma atividade socializante. Ao final das suas provas os alunos riam das próprias respostas erradas. Explico: ela usava uma técnica de avaliação classificada segundo PGIE/UFRGS (2008) como libertadora, onde os próprios alunos avaliam seu desempenho, atribuindo notas a sí mesmos, ou o grupo atribuindo notas aos colegas.

Como não era tão inspirado como a minha colega, eventualmente fazia avaliações rápidas baseado em tarefas práticas, ou respostas "práticas": os alunos tinham de realizar ou explicar como se realiza uma tarefa.

Como essas estratégias precisam mudar ao longo do tempo, e nem sempre o contexto permite usar técnicas tão "demoráticas" (existem turmas "difíceis") desenvolvi algumas técnicas que me facilitavam aplicar avaliações tradicionais. Até porque em uma instituição onde trabalho não se pode "aplicar prova" e sim "avaliações". Então aqui seguem algumas provas em forma de avaliação:

Problema: Turma tensa ao responder muitas questões em prova tradicional*
Solução: ofereça um grande número de questões, distribuídas em níveis de dificuldade alte médio e baixo.
Destas os alunos podem escolher um número "pequeno" (de 50 questões escolhe-se 10).
Fica aquela sensação de conforto psicológico ("uau, escapei de fazer uma prova com 50 questões")...

Problema: Tensão na véspera da prova
Solução: chame a prova de avaliação, trocar 6 por meia dúzia aqui tem efeito psicológico deveras positivo, pode testar.

Problema: avaliação que cai na rotina (seja por ter 2a chamada, cola, etc).
Solução: faça um tipo de avaliação diferente a cada final de módulo ou período: prova escrita, oral, prática, trabalho com consulta, trabalho em casa, etc. Mas avise antes, para que não haja o argumento da "surpresa".

Outra solução é mostrar que existem diversas formas de recuperação: prova escrita. múltipla escolha, trabalho feito em casa, prova com consulta... Isso tem efeito psicológico bom, por um lado; por outro lado pode fazer com que os alunos fiquem relaxados no mau sentido. Para resolver isso...

... Uma última tática é informar que a segunda chamada não poderá ser feita durante ou imediatamente após o final do período/módulo; em caso de cursos livres, isso significa que o certificado não poderá ser emitido logo após a conclusão do curso, o que pode trazer complicações para eventuais alunos relapsos em caso de curso pago pela empresa, família, etc.

Problema: Memória curta dos alunos
Solução: crie mecanismos para (re)lembrar as regras do jogo ao longo do tempo, principalmente para alunos faltosos. Use de cartazes, emails, ou telefonemas aos alunos feitos pela instituição de ensino, tudo isso é válido. Só não vale relaxar e deixar de avisar.

Enfim, existem outras maneiras de se fazer da prova um proesso tranquilo, quem quiser colaborar postando aqui comentários com suas estratégias, o espaço está aberto.

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Notas:
* escrita, múltipla escolha, oral

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Referências:
O processo de avaliação na educação à distância, PGIE/UFRGS
acessado a 18 maio de 2008

Disponível na Internet: http://www.pgie.ufrgs.br/webfolioead/biblioteca/artigo6/artigo6.html

Conversando com meu colega de trabalho mestre André, via internet, nos deparamos com uma questão recorrente na área de ensino: como lidar com rejeição a matérias teóricas.

Mestre André relatou algumas práticas como colocar no primeiro dia de aula que a matéria é teórica e importante para a profissão, e que não iria responder perguntas como "para quê estou aprendendo esse assunto?" ou "quando vou utilizar isso no meu trabalho?".

Curiosamente as perguntas "se respondem" e podem ser devolvidas com outras perguntas: "por quê você se inscreveu nesse curso?" ou "qual seu objetivo após concluir o curso?".

Ou seja, a maneira com que lidamos com o assunto é determinante para resolver as questões, mais até do que a solução encontrada/adotada.

Por exemplo, uma idéia que ilustra esse pensamento: respondo a esta indagação  dando um exemplo prático: normalmente cito um conhecido ou cliente que não se utilizou daquela informação teórica e dou o tamanho do prejuízo que a pessoa teve com a falta dessa informação.

Outra abordagem é mostrar a teoria apenas ao responder uma dúvida prática - isso demonstra conhecimento da matéria, além de passar confiança (além de tirar a dúvida).

Particularmente no primeiro dia de aula -em cada módulo -  procuro mostrar os objetivos da matéria (mostrando os exercícios a serem desenvolvidos/conteúdo a ser oferecido) e regras da aula (modo de avaliação) e normas da casa (percentual de faltas/atrasos/ausências permitidos, regras de recuperação da instituição de ensino e as minhas regras*).

Quando começo num módulo prático e chego num módulo teórico (cursos livres, de nível técnico, as pessoas querem aprender o uso das ferramentas e não necessariamente o bom uso delas) eu jogo uma idéia: no "primeiro dia de aula teórico" você percebe se o assunto lhe interessa ou não; se não interessar, pode trancar a matrícula e fazer o módulo depois, quando tiver necessidade com outro professor.

Neste momento é interessante citar que nem todos temos habilidades para tudo. Eu seria um péssimo aluno de física quântica, pois não tenho habilidades para essa matéria. Não ser bom em tudo não é "burrice" - se o colega do lado vai bem na matéria ele tem habilidades que você não tem. Assim sendo, coloco que quem quiser trancar a matéria pode visitar os colegas que prosseguiram, quando quiser.

Ou seja: esta é uma atitude simpática frente a um problema recorrente, mas implica em ter consciência de uma série de coisas: habilidade não é inteligência; a importância de explicar a situação de antemão prevendo problemas conhecidos; sugerir soluções não autoritárias, quando possível.



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* Neste caso, a instituição onde presto serviço tem suas regras sobre recuperação de alunos: devem ser feitas durante o módulo/curso ou aulas. Pessoalmente não tenho como fazer isso de modo efetivo: não trabalho em regime de dedicação integral na empresa, meu tempo de criar recuperações durante o curso é limitado pois tenho outras atividades.

Também não acho honesto "lançar nota positiva" num aluno que não evoluiu de fato, nem acho correto passar dever de casa para quem optou por aprendizado presencial. Por outro lado a instituição não disponibiliza carga horária em aula para recuperações.

Neste último aspecto tenho negociado com os aluno um método, a cada módulo: reservar espaço de aula (cerca de 1/4 da aula) para exercícios de fixação, que acabam sendo trabalhos de avaliação e recuperação ao mesmo tempo. Os resultados tem sido extremamente positivos: os alunos ficam felizes por não terem de fazer avaliação formal, e o espaço de fixação é efetivado, reduzindo o número de alunos reprovados.