Grupos

Saindo da berlinda

19:06 @ 14/04/2008

Certa vez numa reunião de docentes, foram colocados certas questões meio recorrentes e o ponto de vista de cada um dos presentes sobre estas. Uma questão recorrente era “o que fazer quando o(a) cliente (não era “aluno(a)” pois a instituição é comercial, e o ensino, um commoditie...) não sai satisfeito do curso (leia-se: com o conhecimento esperado)?”.

Foi colocado o fato de que nem todos têm aptidão natural para o qualquer área do conhecimento humano. Um designer dificilmente irá aprender programação num único curso livre, até porque qualquer conhecimento tem de ser exercitado. Eu mesmo seria um péssimo aluno de física quântica.


Eu coloquei que quando encontro alunos sem grandes aptidões para a área de conhecimento que ensino, crio facilidades para que ele acompanhe o curso. Após o curso ele irá se convencer se este ou aquele conhecimento faz parte de suas aptidões, mas pelo menos enquanto ele estiver em aula comigo, irá se sentir satisfeito...


Alguns colegas ficaram meio revoltados, não com minha posição, mas com a idéia de ter de criar as “facilidades” que eu crio (não sou pago(a) para ser baby-sitter, foram algumas pérolas que ouvi).


O próprio coordenador da reunião ficou meio sem resposta quando cobrou “satisfação de todos os clientes”, mas não deu solução para resolver o drama que se instala quando um aluno reduz o ritmo da aula aborrecendo os demais (coisa comum em turmas heterogêneas, cursos livres, aulas presenciais em grupo).


De minha parte, vejo que o problema não está nos alunos com ritmo diferenciado, mas sim no modelo educacional existente. Como citei em outro post, não dá mais para dar aula no século XXI no mesmo modelo de dez, vinte séculos atrás. Ou se cria facilidades para que as coisas fluam melhor dentro dum modelo antigo ou se criam alternativas dentro deste modelo (um modelo novo). Por exemplo, aulas de reforço para alunos que perderam aulas ou não estão conseguindo digerir o conteúdo no tempo previsto.


Mas para isto ocorrer, o cenário tem de ser adequado: todo o conteúdo programático oferecido tem de estar documentado no papel, e cada aula tem de ter seu conteúdo pré-definido. Conteúdo extra o professor fica encarregado de repassar aos alunos por conta própria.


E estas aulas de reforço podem se dar de diversas maneiras: ensino à distância, aulas monitoradas...  em último caso até as famosas aulas extras de reposição ao final do módulo (que particularmente não aprovo muito devido sua eficácia relativa – quem solicita normalmente não comparece). Particularmente acredito que o que chamo de MicroCursos irão preencher uma lacuna existente nos dias de hoje. Uma lacuna: necessidade de aprender assuntos específicos, em curto espaço de tempo. Outra lacuna: não ter de fazer um curso inteiro quando o interesse é de adquirir parte duma área do saber. Assim como o governo atual atingiu uma parcela da população historicamente esquecida com o microcrédito (gerando distribuição de renda), os MicroCursos irão atender uma parcela da população que deseja aprender rápido, conhecimento específico e a um custo compatível.


Não estou falando de aulas particulares eventuais, e sim de aulas regulares a um grande contingente que por motivos diversos não se encaixa no modelo educacional tradicional, por ter novas necessidades.


Esta, ao meu ver,  seria uma forma de sair da berlinda educacional. Particularmente estou oferecendo essa modalidade de ensino, que possui seus prós e contras, que discutirei noutro post.

Comentários

(20:42 @ 14/04/2008) Haniella disse:
VERDADE, GOSTEI DA SUA POSTURA PROFISSIONAL E HUMANA, CARO COLEGA. SIGA EM FRENTE. PARABÉNS