Grupos

Um aluno meu, procurando se recolocar no mercado de trabalho, optou por sair do emprego onde estava para se dedicar a sua requalificação (leia-se: atualização via estudo) por um certo período.


Outro aluno, já resolveu investir todo o seu salário - tirando as contas essenciais - em um curso que pudesse mantê-lo no atual emprego.
Esses cenários mostram que o mercado de trabalho está muito competitivo por força do excesso de pessoas que migram todos os dias do interior para os grandes centros. Esse mesmo fluxo migratório impulsiona o progresso mas também o crime, mazelas sociais como a proliferação de favelas, declínio dos serviços públicos, por força de uma equação simples: assim como a natureza não pode prover alimento para a população mundial sem a intervenção duma agricultura mecanizada, a sociedade não tem como prover trabalho com remuneração digna à quantidade de pessoas que se espremem todos os dias nos centros urbanos.

 

Os cursos, stricto ou latu sensu, por força dos tempos atuais têm demanda por um novo papel: informar sobre a atividade e contextualizar esse conhecimento de modo específico, personalizado, diferenciado. Por exemplo, na área de tecnologia, não basta mais ensinar a práxis deste ou aquele modo de fazer; nem mostrar "as melhores práticas do mercado" dentro do seu uso "mais comum". Agora o papel do ensino técnico é


- ensinar a tecnologia dentro do que é necessário saber, mas com foco no dia-a-dia (necessidade) do aluno.
- mostrar como essa tecnologia funciona no contexto desta necessidade.
- ensinar o que está surgindo de novo diretamente ligado a esta área de conhecimento, para que o próprio aluno decida para onde deve ir após este aprendizado

 

O ponto de vista que defendo é o foco do ensino não estar mais no conhecimento comoditizado, e sim no saber personalizado. O paradigma do ensino até recentemente foi o saber "genérico" para "turmas genéricas", o que cria uma multidão silenciosa insatisfeita ao longo do tempo, por conta de um modelo de ensino henry-fordista. Quando o conhecimento "empacotado" se torna obsoleto, atualiza-se o conteúdo programático e reinicia-se o processo.
Proponho uma nova abordagem, baseado na experiência (bem-sucedida) de colegas como Edson Belém que abandonou  os cursos mais tradiconais e estão empreendendo por conta própria um modelo de educação que ainda não virou commoditie, até por que pressupõe uma nova organização do ensino; mais ou menos como um escritório sem paredes:


- cursos sem conteúdo programático "fechado" (apenas tema definido); a cada nova turma devem ser feitas alterações no conteúdo. Isso significa que um mesmo aluno pode fazer o mesmo curso mais de uma vez, já que o conteúdo ao longo do tempo não será mais o mesmo (!).


- programa definido, mas direcionado às necessidades dos alunos (o que pressupõe análise prévia destas ou adequação no decorrer do curso). Desta forma acaba-se o paradigma do aprendizado sem contextualização na realidade (área de interesse ou aplicação) daquele aluno.


- Cursos de curta ou curtíssima duração; sob medida ou com número de alunos reduzidos. Desta forma pode-se ganhar em qualidade do que é ensinado e na rotatividade dos alunos atendidos (como citei no primeiro tópico, o mesmo aluno pode fazer o mesmo curso duas vezes ao ano e sempre sair com conhecimento novo)

 

Do lado do professor, tarefa árida se impõe, como estar sempre um passo à frente do que está sendo ensinado, tanto para garantir sua posição como profissional da educação como para fidelizar novos alunos.
De outro lado, isso implica em não estar afinado com os interesses (tradicionais) da instituição onde presta um serviço "padronizado". Cabe aqui este profissional de educação procurar ambientes onde possa desenvolver uma nova proposta pedagógica ou ele mesmo criar seu espaço para esse fim.


Como pode ver, caro leitor, se a docência tradicional é uma conveniência, opção ou oportunidade, este novo modelo passa a ser uma forma de empreendedorismo: novos modelos mentais passam por novas formas de atuação no mercado, que mudam constantemente pelas questões que citei no início deste texto. Como me disse certa vez o profissional de web Beto Byron numa palestra, "não corra atrás de nada; corra na frente".

 

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