Grupos

Usar a web como ferramenta para/didática tem seus prós e contras, que pretendo discutir aqui, baseado em minha experiência de uma década nesta área.

 

Usar a web para exemplificar conteúdo de aula em ambiente informatizado ganha longe de abordagens mais "tradicionais" como o discurso apoiado no oral, anotações no quadro ou projeção de transparências. Um recurso equivalente, mas mal explorado, são as famosas apresentações em PowerPoint; estas apesar de permitirem incorporação de vídeo e áudio, normalmente são repetições das transparências impressas e projetadas (raramente um design atraente ou uma atividade dinâmica são incorporados à exposição). 

 

Um fator que normalmente pesa para a ineficácia das transparências ou slides é o tempo de confecção, normalmente curto como o tempo para preparação das aulas. Sem querer entrar no mérito, não há mais lugar no mundo para o "professor profissional" que dá aulas manhã até a noite, 6 dias por semana; o docente hoje tem de se reciclar via atividades profissionais ou de estudo da matéria, sob o risco de desaparecer como os dinossauros...

 

Mas voltando ao tema, a internet tem muito conteúdo multimídia (animações, áudio, vídeo, sites especializados) que ilustram virtualmente qualquer assunto. Nesta caso, deve-se estar atento às políticas da instituição de ensino: restrições de rede, falta de placa/caixa de som podem sabotar a aula que foi preparada com tanto cuidado em sua casa. Nesta caso, além de verificar se o conteúdo pode ser apresentado sem áudio, verifique se pode ser exibido com outras restrições da sala de aula (endereços restritos, falta de plug-ins para vídeos, etc).

 

Conteúdo "dependente-da-internet" neste caso deve ser baixado previamente e levado em CD,  para exibição local. Este cuidado por sua vez leva ao seguinte raciocínio:


- o conteúdo pode sair da internet a qualquer momento, portanto fazer cópia é mais inteligente que usar os favoritos do delici.us

- guardar o conteúdo em CD é salvaguarda relativa, qualquer mídia é sujeita a ação do tempo;

Assim sendo, ter um espaço (pago) na web para guardar esse conteúdo paradidático é tão necessário quanto seu capital intelectual. Ao pagar a mensalidade de hospedagem você está transferindo para terceiros o custo e responsabilidade manter seu conteúdo "vivo" ao longo do tempo.


Além disso, evita que esse conteúdo seja apagado à revelia (no caso de sites de hospedagem gratuita). Por fim, como o trabalho de docência se estende muito além do "dar aula" (discutirei esse assunto em outro texto), manter ambos - os bookmarks/favoritos e a cópia desse conteúdo -  atualizados na web acaba sendo um círculo virtuoso: verificar a informação ao longo do tempo acaba sendo uma reciclagem involuntária.

 

Não é uma atitude útil, do ponto de vista do tempo ou custo x benefício editar o material, a não ser que seja para incorporá-lo a um outro material existente; citar a fonte acaba sendo tão necessário quanto passar credibilidade, do ponto de vista da honestidade intelectual (o aluno tem o mesmo acesso a informação que você, professor).

 

Um exemplo prático do que estou descrevendo é usar a web como fonte de conteúdo para exercícios extras (trabalhos de casa ou presenciais); é uma alternativa que tem me poupado muito tempo - em vez de criar provas do zero, localizo sites de tutoriais onde os assuntos estão desenvolvidos e, a partir deles, formulo exercícios novos. Ganho ao ter sempre conteúdo atualizado sobre o tema, no tempo de preparação e no escopo: como o objetivo é reforçar o conhecimento (não avaliar apenas) o aluno pode estudar de outras fontes (eu repasso os sites de tutoriais para estudo na internet), mais ilustradas inclusive do que o material "oficial" da instituição de ensino.

 

Outro exemplo prático é que o ensino informatizado nos dias de hoje pressupõe interatividade, principalmente para as gerações mais novas nascidas e criadas com a web.

 

Usar a rede local, a internet, os dispositivos móveis (pen drive, CD/DVD) para trabalhos em grupo acaba sendo um fator socializante. Infelizmente minha experiência mostra que ensino informatizado de nível técnico significa experiência individual - as pessoas desejam construir todo o conhecimento e não parte dele como ocorre em outras atividades de grupo (faculdade, por exemplo). Já me aconteceu de usar o MSN Messenger numa turma de deficientes auditivos, com resultados satisfatórios, mas cada caso é um caso, ainda mais se tratando de turmas heterogêneas.

 

Por fim, o uso criativo da tecnologia resolve situações localizadas: num ambiente informatizado onde não há projeção, disponibilizar os slides como página da web cria uma projeção na tela do computador do aluno. Mas vale o bom-senso antes de qualquer atitude ou decisão. 

Se seus slides demoram a carregar em conexão discada (não há como prever em que contexto serão visualizados) melhor disponibilizar esses slides na rede local da sala de aula; se parte da turma achar que estudar via apostilas dispensa a aula presencial, melhor disponibilizar esse conteúdo como auxílio a recuperação, após a matéria ser dada. Não tem graça fazer da solução um problema antecipado.

 

Enfim, as questões envolvendo esse tema são extensas, quem quiser continuar o debate pode postar sua opinião aqui.

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