Grupos

Reavaliando a avaliação

14:53 @ 16/04/2008

Houve uma época em que dava aulas de webdesign e não aplicava provas, o que era cômodo para os cursos em que trabalhava, pois há o pensamento de que onde existe reprovação existe atestado de mau ensino.

Passado um tempo trabalhei numa instituição que aplicava provas (não gosto deste termo, pois causa estresse; uso um equivalente, já explico porque) no início “analógicas” e depois informatizadas. Foi quando tomei trauma de provas – uma aluna que assistiu duas aulas (sendo a segunda a própria “prova”) tirou nota sete numa múltipla escolha. Explica-se: existem técnicas para se sair bem nessas provas, assim como toda prova discursiva tem o álibi da subjetividade na interpretação. Os remédios para esse estado de coisas em múltipla escolha ainda estão em fase embrionária. Existem múltiplas escolhas onde só se pode marcar “sim”, “não” e “não sei”, sendo que marcar errado (chutar) subtrai o ponto em dobro. Outra “solução” é pontuar as respostas com valores diferentes (existência de mais de uma resposta certa); por fim existem as provas múltiplas (várias provas diferentes distribuídas aleatoriamente), provas filmadas, ou seja, o cardápio é variado.

 Adotei um método próprio: passei a fazer revisões diárias da matéria no lugar de provas. Meu ponto de vista se fundamenta no fato de que a “prova tradicional” tem como um dos objetivos fazer o aluno rever a matéria passada (a decoreba é um efeito colateral). Quem repassa a matéria está estudando (ninguém absorve um assunto de primeira, salvo se a memória afetiva for grande), portanto acho mais efetivo repassar a matéria várias vezes em forma de revisão do que apenas no dia da prova. E essa revisão é feita em grupo, um aluno responde e todos tentam fazer juntos; desta forma tenho noção de quem está absorvendo o conhecimento e dou chance de recordar matérias passadas. Sem estresses típicos de uma “prova”.

Claro que toda abordagem inovativa carece de respaldo social, uma vez que este é um método parcialmente quantitativo e qualitativo. Mas o objetivo principal é fixar o conhecimento, mais que distribuir graus ou juízos de valor. Até quando tenho de passar “prova formal” saio pela tangente: forneço um número razoável de questões e deixo os alunos escolherem 50% delas para responder. Essas questões estão distribuídas em graus de dificuldade (baixo, médio e alto). Se ainda assim não o aluno não se sair bem, passo um exercício para fazer em casa e ainda forneço tutoriais na internet para estudar. Mais chance do que isso só se eu fizer a prova do lado...

O que quero colocar aqui é que qualquer modelo avaliativo uma vez criado tende a ficar obsoleto (a prova de múltipla escolha era ótima até criarem mecanismos para desvirtuá-la) daí ser necessário criar novas abordagens de avaliação sobre as existentes ou novos parâmetros de avaliação (coisa que humildemente procuro fazer).

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