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Ações efetivas (1)

15:04 @ 16/04/2008

Essa é a pergunta que sempre me faço quando era convidado a reuniões de departamento para discutir problemas educacionais. O que estamos fazendo de efetivo para melhorar as coisas na sala de aula?

Hoje eu sou muito criterioso ao participar destas reuniões, que em sua maioria acabam sendo sessões de choramingos coletivos ou "treinamentos corporativos" elaborados por quem teve pouca ou nenhuma vida acadêmica na prática.

Para não dizerem que sou taxativo e radical, as reuniões mais produtivas que já participei foram em franquias, onde até os "treinamentos corporate" eram focados em problemas-comuns.

Tem um termo que conhecí recentemente, chamado "desconferência", que em resumo significa um seminário onde todos os convidados são palestrantes e vice-versa. Surgiu pela informalidade deste tipo de encontro, e se fosse convidado a participar de uma na área educacional, colocaria as minhas ações para resolver questões como:

- Falta ou carência de material didático "oficial":
tenho a base de minhas aulas em forma de apostila ilustrada, e sempre que passo matéria nova procuro acrescentar na apostila ou crio pequenos tutoriais (também ilustrados) sobre o(s) assunto(s).

- Intercâmbio de informações extra-curricular:
mantenho uma lista de email na internet, onde deposito dúvidas dos alunos respondidas; isso poupa de responder a mesma dúvida várias vezes.

- Redistribuir geograficamente os alunos na sala de tempos em tempos; desta forma pode-se dar mais atenção a quem precisa e - teoricamente - evita que os mesmos se sintam discriminados.

- Ser psicólogo o tempo todo; observar o modo de falar, se vestir e comportar de cada aluno e procurar agir de modo semelhante. Já dei aula arranhando 3 idiomas ao mesmo tempo, é algo tão esquizofrênico quanto cansativo mas dá resultados efetivos.

- Fazer das tripas coração para se comunicar o tempo inteiro com a instituição onde trabalha. Isso significa, entre outras, que se não puder ir no dia seguinte ou for fazer aula externa, falar pessoalmente ou deixar recado por escrito com as pessoas-chave (coordenador, faxineiro, suporte técnico, recepcionista). Não contar com o "pode deixar que eu dou o recado" ou "fique tranqüilo que está combinado". Verbalmente.

- Lembrar que você é professor em decorrência de ser um pesquisador ou profissional da área e não o contrário. Ensinar de manhã à noite 6 dias por semana é tão danoso como trabalhar e não estudar.
Hoje recuso assumir muitas turmas por esse motivo.

- Como tudo na vida, ter um plano B. Entrar na sala de aula preparado, mas ter mais de uma alternativa se as coisas não saírem como o planejado.

Todas essas soluções tem seus prós e contras, alguns dos quais inclusive discutí em outra postagem. Mas são ações que costumo praticar com sucesso, mesmo eliminando algumas e substituindo por outras ao longo do tempo.

Continuo o assunto no proximo post.

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