Grupos

Ações efetivas (2)

15:08 @ 16/04/2008

Dando continuidade às “ações efetivas” (ou soluções novas para problemas antigos), me lembrei de um fato recorrente: o aluno – ou cliente (eufemismo para consumidor ou público pagante) – reclama de que deseja fazer prova de certificação técnica e o docente não segue à risca o material oficial. Este lado da questão tem sua razão: quem pretende se certificar que aprender o conteúdo da certificação (como numa prova para concurso).

O segundo colega – que não vai se certificar - reclama que professor em sala passa um exercício e quando vai estudar em casa pelo material didático “o assunto é explicado de modo completamente diferente”. Aqui a questão é: o material didático segue o programa que é oferecido pela instituição ou é um livro de terceiros? O professor tem material próprio, documentado e atualizado?

Já o terceiro colega da mesma turma acha legal a abordagem do professor, de naão seguir o material didático ao pé da letra, pois o material oficial “não é ilustrado”, os exercícios são “pouco estimulantes” e ele não tem saco pra ficar lendo livro (“se é para aprender via livro, leio em casa”, diz ele nos corredores). Aqui, a situação se explica facilmente: muitas pessoas desejam tirar dúvidas através de assuntos fora do programa "oficial", para contextualizar o conhecimento, de alguma forma.

Para todas essas situações criei uma solução que se baseia no bom-senso: ao ministrar um curso procuro passar pelo menos um exercício por aula baseado no material didático; passo exercícios próprios (que estão documentados) e tutoriais do próprio fabricante do software. E quando surge um assunto fora do programa – mas relacionado a ele – procuro acrescentá-lo a aula. Procuro fazer de tudo um pouco, agradar gregos e troianos, se é que isso é possível.

Outra coisa: já foi analisado cientificamente que o grau de atenção do ser humano cai após uma hora de exposição contínua a uma informação (por isso que o ensino primário é baseado em atividades lúdicas diversas, ao contrário da educação adulta). Por esse motivo eu faço pequenos intervalos a cada hora de aula, mudo os alunos de lugar a cada novo módulo do curso e só não faço mais porque os móveis são fixos (com o wireless isso já devia ser coisa do passado em cursos de informática, mas...).

Quando possível procuro fazer visitas em empresas do ramo para que os alunos saiam do curso sabendo alguma coisa a mais do que o software que possuem em casa e mesmo assim descobri que isso tudo ainda é pouco, pois até o esperado cafezinho no intervalo de aula é negligenciado em muitos locais de ensino...

Todas essas ações que registrei aqui são como gotas de chuva, que se não forem represadas, não poderão ser reutilizadas no futuro próximo: a chamada “memória educacional” – característica de organizações funcionais – somente é ferramenta pedagógica face a solução de problemas. E estes só são replicáveis através da direção, supervisão ou área técnica da instituição educativa. Ou seja, não é a ação isolada de um docente que vai mudar o status quo ou apagar incêndios (até porque o docente, mesmo tendo vários empregos e trabalhando em vários lugares não é onipresente).

Este blog por exemplo é uma atitude de guerrilha, pois tento formar massa crítica em diversos níveis (dos colegas docentes aos coordenadores e técnicos educacionais aos quais tenho algum tipo de acesso), para aí sim, plantar a semente da mudança. Mudança que por sinal virá de diversos lugares, mas isso é assunto para outro texto.

Comentários