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Minha experiência de aulas de informática com portadores de necessidades especiais (surdos) indicou que o ambiente educacional é tão importante quanto outros aspectos (material para/didático, conforto, suporte técnico e acadêmico). Vou listar alguns problemas comuns pelos quais passei (ou passo):

Ensinar softwares gráficos sem projeção acaba sendo uma prática que inviabiliza a aula ou desestimula os alunos por um motivo simples: imagine explicar um quadro (algo que deve ser visto) “verbalmente”. Só faria uma exceção em curso de Algoritmo Estruturado se ministrado com papel, lápis e borracha. Ainda assim vai ter gente reclamando que existem compiladores de algoritmo (softwares) para tornar o aprendizado se não melhor, mais atualizado, mais coerente com o estágio atual do conhecimento ou tecnologia.

Modelos educacionais estáticos: Os alunos cobram, entre outras coisas, uso de ferramentas atualizadas, conceitos atualizados e abordagens inovativas para fazer a diferença no mercado. Curiosamente as instituições de ensino não vêem o modelo de ensino como algo a ser trabalhado.

Explico: o ensino presencial tradicional em 2008 é essencialmente o mesmo de há pelo menos dois séculos atrás: grandes turmas heterogêneas, carga horária longa... apenas o quadro negro e giz foi trocado pelo quadro branco e caneta (o apagador continua onipresente). Muitas instituições acordaram para esse fato e oferecem alternativas ao ensino presencial (ensino à distância ou auto-instrucional em paralelo ao ensino presencial da matéria), que acaba tendo seu valor competitivo ao ir “além da matéria”, agilizando o processo de aprendizagem ou contextualizando o conhecimento.

Outra abordagem é atualizar o sistema de projeção; o E-board, o quadro branco virtual, onde a projeção é uma cópia da tela do projetor, sendo incluive “clicável” é um bom exemplo. Até os quadros que “dão a volta” na sala são uma boa abordagem.

Infra-estrutura física não-planejada: Esse quesito pode se dividir em:

- Ar condicionado barulhento;
- Salas com grande exposição ao sol com vidros sem insulfim, e janelas sem persianas;
- interruptores que não permitem regular a intensidade da iluminação da sala (nem escurecer a área de projeção em separado da área dos alunos).

- Mau posicionamento dos computadores/bancadas. Numa turma tradicional alunos ficarem de costas (ou em diagonal) em relação ao professor/quadro/projeção é 50% ruim- eles podem se virar nos momentos importantes.  Numa turma para deficientes auditivos isso é 100% ruim, pois mesmo com a ajuda de um intérprete muito da informação se perde. Uma forma de contornar esse drama é o uso de SMS, como o MSN Messenger; as mensagens de texto instantâneas em  computador neste caso podem ajudar, ao contrário de dispersar atenção em turmas tradicionais.

Um bom exemplo de como resolver esta última questão em ambientes informatizados é perceber que as redes sem fio (wireless) facilitam o posicionamento dos computadores voltados para o quadro (ou professor). Imagine que as bancadas começam na parede esquerda: a energia (tomadas) poderiam partir dali. Outra coisa importante é definir previamente uma área mínima para as salas de aula, a fim de que o layout da sala seja orientado ao ensino, e não para o número de alunos por metro quadrado.

Enfim, essas críticas são construtivas, mas a solução demanda que os diretores das instituições – ou profissionais de arquitetura – lembrem da máxima que fazer de qualquer maneira custa tanto quanto fazer da maneira correta. E investir no aperfeiçoamento do passado é tão importante quanto olhar para o futuro.

 

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