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Planejamento e substituição

19:39 @ 10/02/2011

Atualmente me deparei com um problema recorrente na instituição onde presto serviços, que é a substituição de docente num curso em andamento. Este fato raramente é indolor e pode inclusive se virar contra quem veio solucionar o problema se não for tratado com algum critério (se a instituição não tiver processos sistematizados e programas bem definidos ou se o docente não tiver um método bem definido, comunicado e mantido ao longo do tempo).

 

Vou postar aqui o cenário e as metodologias que adotei na solução do problema:

 

Cenário: um docente que teve de ser substituído, entre outros quesitos, por não estar tendo desempenho adequado no módulo em questão.

 

Diagnóstico: após me inteirar da situação (ver exemplos de aulas desenvolvidas; cruzar o que foi lançado como matéria dada com o depoimento dos alunos sobre o que foi ensinado) relacionei o que os alunos desejariam ter como reposição da matéria.

 

Solução adotada: A partir daí desenvolvi cronograma de aulas incluindo reposição de matéria. Como a carga horária do curso não podia ser estendida (nem deve, pois na prática isso não funciona) fui reduzindo a carga horária de alguns módulos para acomodar aulas de reposição. Esse acordo foi feito com a concordância dos alunos, mas não foi colocado por escrito, pois era um acordo informal.

 

A situação ficou assim: na 1ª e 2ª semana do mês a matéria oficialmente era "X", mas a primeira semana ficou sendo reposição da matéria "A". Quando uma reposição atravessava dois módulos (final de um e início de outro) os alunos eram avisados ao início das aulas em que módulo estavam, a fim de ficarem a par do cronograma real versus o aplicado na prática.

 

Ao final de cada módulo as avaliações eram lançadas seguindo o cronograma oficial; como pode acontecer de no cronograma uma matéria ter terminado e ainda não ter sido dada de fato (devido às revisões/reposições), as notas eram lançadas tendo como critério a frequência e eram informadas para os que ficaram reprovados por faltas (*).

 

No caso dos alunos argumentarem que “levaram falta num módulo fazendo outro” meu argumento é: faltas são faltas, independente do módulo e são contabilizadas pela instituição de ensino; o docente (eu) apenas lança as faltas/ausências/atrasos. Se as matérias dadas acompanhassem o cronograma oficial, haveriam faltas - e reprovações por falta - do mesmo modo.

 

O importante nesta metodologia é informar aos alunos periodicamente a situação na qual eles se encontram (resultado das avaliações por módulo; lista de reprovações por falta;  matéria reposta x módulo que estão em relação ao cronograma oficial) para que não haja o argumento da “desinformação” causada pelo esquecimento ou eventual má-fé.

 

Vendo a situação de longe, penso como essa situação pode ser evitada ou amenizada, preventivamente:

 

• A coordenação deve manter-se informada sobre o andamento das aulas, ao fazer visitas periódicas a turma.

 

O plano de aula deve estar detalhado por aula, e não apenas no “conteúdo programático” de modo geral. Mudou o docente, continua-se a matéria de onde se parou. Ou inicia-se matéria nova a partir dali.

 

Os exercícios de todas as aulas devem ser padronizados, com material didático que seja espelho desses exercícios; as aulas devem ocorrer independente do docente e do local onde o curso ocorre.

 

O docente substituído deveria ter uma segunda chance e passar por processo que o habilitasse na matéria em questão para o futuro, uma vez que (a) pode ser novo na função de docente (b) é mais barato qualificar a prata da casa e resolver problemas de fato do que demitir quem errou e viver eternamente apagando incêndios...

Esse processo de requalificação da prata da casa deveria ser capitaneado pela instituição de ensino:  o docente poderia (a) assistir aulas da matéria em questão com outros colegas com mais experiência, (b) fazer novos cursos de reciclagem no mercado (c) conversar com colegas em fóruns de discussão sobre como desenvolver exercícios e dinâmicas mais atraentes.

 

Não pensar/agir assim é perpetuar o problema, pois “o docente ideal” nunca irá existir, pois não vivemos num mundo ideal.

 

Enfim, achei interessante compartilhar essa metodologia, que, como todo planejamento e gerenciamento de crises “toma tempo” e “dá trabalho”, mas que foi aplicada com resultados positivos.

 

...

Notas:

(*) Na instituição de ensino em questão as faltas são tratadas assim: alunos que não vem às aulas recebem faltas (claro); os que chegam atrasados recebem presença a partir da hora que chegam;  os que saem antes do final da aula recebem falta pela aula inteira (até para separar os alunos que tem imprevistos para resolver dos que fazem da aula turismo). Esse critério é uma das coisas que deve ser explicada no primeiro dia de aula do curso ou do módulo, assim como o sistema de avaliação, que pode ser único (em todo o curso) ou diferente a cada módulo.

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