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Atrasar não adianta

01:50 @ 27/05/2011

O aluno chega atrasado, e nada acontece por conta disso. No dia seguinte chega mais atrasado ainda. No terceiro dia mais atrasado que no dia anterior e assim por diante. No final do curso, reclama que não aprendeu muita coisa...

 

O colega deste aluno vê o colega chegar tarde e resolve imitar pelo mesmo motivo. “Nada acontece mesmo...” Um belo dia chega na hora e vê a sala esvaziada. “O que está acontecendo?” ele pensa; “O conteúdo da aula está ruim, os colegas estão debandando, vou faltar a próxima aula para ver o que acontece” aumentando a bola de neve.

 

O terceiro aluno começa a ter “compromissos inadiáveis” todo final de aula, pois, para ele, não faz sentido ficar até o final de uma aula longa numa turma que se esvazia, mesmo tendo tarefas a cumprir e conteúdo a apreender.

 

Pra culminar, o professor resolve chegar atrasado, pois cansou de chegar na hora e encontrar a sala esvaziada. Os alunos que chegam ou comparecem começam a ficar com a pulga atrás da orelha e solicitam a mudança de docente, pois analisam não o conteúdo mas o esvaziamento da sala de aula.

 

Como diz uma das leis de murphy, as coisas deixadas por sí só vão do ruim ao pior.

Na verdade o professor frente a situações de desordem do alunado(*) tem de ter estratégias para contornar o problema - o esvaziamento da sala através dos atrasos, ausências e faltas - e por ordem na sala de aula.

 

Definir as regras do jogo no primeiro dia de aula – e relembrá-las ao longo do tempo – é uma primeira ação:

- definir percentual de faltas mínimas permitidas por módulo;
- faltas não justificadas abonadas somente com realização de trabalhos ou avaliações;
- ausências antes do final da aula são convertidas em falta na aula inteira;
- presenças são contabilizadas da hora de chegada até a hora de saída.
- nunca "voltar a matéria": o atrasado prossegue a partir do ponto que chegou, em respeito aos que chegaram na hora. Se puder ver um resumo da matéria no intervalo, perfeito.

 

Além dessas ações, comunicar a situação dos alunos ao final dos módulos é uma segunda ação efetiva para que o aluno fique a par de seu próprio comportamento e desempenho, fazendo auto-gestão de seu estudo.

 

Estas diretrizes solucionam problemas na origem, através do monitoramento do problema e da imposição de limites a comportamentos inadequados.

 

Não há receita de bolo: Cada professor adota soluções de acordo com seu ponto de vista, temperamento ou estratégia frente ao problema. Tenho um colega docente que trata a questão de forma diversa da minha, sem ser fiscal de alunos: os alunos chegam e saem a hora que desejam, e ele avalia as competências adquiridas ao final do curso, seja quais forem...

 

Outros colegas docentes, quando os alunos atingem certo patamar de ausências/faltas pedem para a instituição de ensino ligar para os responsáveis pagantes do curso (o problema é quando o aluno é maior de idade, a instituição não liga...).

 

Enfim, o tema é antigo como a sala de aula, mas é um problema de gestão educacional e como tal, contornável quando se possui um método.

...

Nota:

* Normalmente essa desordem é fruto de políticas equivocadas do docente frente ao problema ou de políticas frouxas da instituição de ensino, como o uso de celular em sala de aula.


Num cenário desorganizado o docente pede que o aluno não use o celular e este se nega, gerando atitudes severas por parte do docente ou instituição de ensino.


Num cenário adequado o docente pode dar o exemplo de que o celular não deve ser usado em aula ou o poder público pode determinar uma lei que proíba o uso do aparelho em instituição de ensino.

O docente pode definir que o uso do celular deve ser em caso de emergência ou a instituição de ensino pode recomendar pessoalmente e por escrito o não uso do celular em aula.

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