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Boa aula versus aula ruim

02:04 @ 27/05/2011

Existem varias maneiras de se abordar um problema, todas com prós e contras. Se formos perguntar a um docente e a um aluno o que é “uma boa aula” ouviremos definições quase que opostas, mas com elementos em comum: “a cara dos alunos diz se a aula foi boa ou ruim” diriam alguns professores ou “eu me diverti aprendendo” podem responder os alunos.

 

Eu acredito que vivemos no século do Entretenimento, com E maiúsculo: tudo hoje ou é ou passa pelo entretenimento. Esporte é entretenimento (isso deve explicar tantos eventos de esporte nas praias dos centros litorâneos), cultura é entretenimento (se não for não consegue patrocínio), política (os showmícios são prova inconteste disso) informação é entretenimento (os telejornais que fazem shownalismo são um bom exemplo), enfim... educação também virou uma forma de entretenimento. É fácil entender: numa época onde o acesso ao entretenimento é tão fácil (nos grandes centros é fácil ter acesso a espetáculos gratuitos ou de preço simbólico, além da internet, TV a cabo, DVD, jogos, cinema, teatro, eventos...) que as pessoas podem se dar ao luxo de escolher como e quando vão se entreter. Entretenimento – e não só ele - é um consumo tão fácil que tudo o mais entra na mesma categoria ou se nivela a ele: das nossas relações pessoais até as escolhas profissionais. Ao fazer um curso, comprar um livro, ler uma revista, folhear um jornal, ouvir uma rádio, assistir um programa na TV, temos o pressuposto de que qualquer atividade deve ser rápida e prazerosa como um sanduíche de fast-food. O cerne da questão reside aqui.

 

Se para o professor da geração anterior à internet a boa aula coletiva é aquela em que os conceitos são passados, exercitados e fixados por todos, para os alunos criados com a internet a “aula boa” deve ser individual como a tela de seu computador, e a informação só deve parar de ser transmitida quando a sensação de cansaço for semelhante a de ficar o dia inteiro assistindo ao YouTube. Ou assistindo vídeos do Humor Tadela.

 

Certa vez ouví uma definição ótima de "mau aluno": aquele que acha que possui conhecimento do assunto o suficiente, ou só deseja aprender "o que está na sua frente" sem profundidade. Também já ouví uma definição excelente do que deve ser a meta do professor: melhorar a pessoa que está à sua frente (Paula Wenke, diretora teatral). Lidar com esses extremos fazem parte da missão de quem lida com o público, ou com educação.

 

Mesmo sabendo que não existem fórmulas mágicas, apenas recomendações que devem ser dosadas conforme o contexto, particularmente acho que é importante tentar equilibrar as piadas e o social que faço durante as aulas com conteúdo, pois no meu entender, é o conteúdo que segura a aula, por melhor que seja minha habilidade em entreter as pessoas.

 

Outra coisa que tento fazer é criar estratégias de personalização/individualização do ensino dentro de aulas coletivas, seja nas tarefas de aula como nas tarefas de recuperação; por exemplo, aplico uma mesma base de exercício - com variações individualizadas de acordo com o grau de necessidade de cada um - a alunos diferentes. Isso me poupa a tarefa de criar exercícios ou recuperações novas sempre, embora isso seja necessário ao longo do tempo.

 

Por fim, revisão permanente do conteúdo – a cada turma tento incluir conteúdo novo de forma a atualizar ou aumentar o grau de dificuldade da matéria. A forma com que nos comunicamos entra nesse rol de expertises também. Acho que esse trinômio – entretenimento, personalização e conteúdo – é um pilar no qual a “boa aula” deve se pautar, sempre.

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