Grupos

Pretendo descrever aqui um método que desenvolví para criação expressa de aulas (neste caso, de webdesign, mas o conceito aplica-se a diversos gêneros de informação e áreas de conhecimento). Cheguei a esse modelo ouvindo as opiniões de alunos, por tirocínio e necessidade próprios.

 

Ponto de partida: o tema

Como uma novela, filme, ou romance, aulas se montam "de trás para frente", ou seja, é a partir de um fio condutor (que a partir daqui chamarei de tema) que pode-se montar aulas de informática em diversas categorias, dando significado ao conhecimento que se exercita ou desenvolve.

 

Por exemplo: no caso de aulas de webdesign, o objetivo é desenvolver um site, ou conjunto de páginas com conteúdo multimídia (texto, fotos, vídeo, animação, áudio, elementos de interatividade e troca de informação, etc). Assim sendo, definí temas que podem ser desenvolvidos em qualquer módulo: Loja de música online, turismo de ciclismo, cafeteria online, montadora de automóveis, etc. Esse tema pode partir de um modelo existente (os programas de computador geralmente oferecem um exemplo que explicam como eles funcionam) ou pode ser criado pelo professor (o que demanda mais tempo).

 

Desenvolvendo o conteúdo do tema:

 

Cada tema possui conteúdo próprio bem diversificado: texto para cada seção; fotos e desenhos vetoriais aplicáveis a qualquer seção; vídeo (eventualmente aúdio) relacionado ao tema e animações. Esse conteúdo pode ser pesquisado na própria internet ou pode ser expandido pelo professor que cria novas imagens a partir das imagens adquiridas.

 

No caso das fotos, desenhos, vídeo e animações, é interessante converter um mesmo material em mais de um formato (p.ex., vídeo digital em formato Windows e multiplataforma - WMV e MPEG) para que o tema possa ser aplicado em mais de um contexto/software.

 

É importante que todo o conteúdo seja no idioma dos alunos (no meu caso, português do Brasil), pois o aluno (a) que não sabe o idioma vai se sentir um alienígena manipulando informação que não sabe ler. Se o texto do tema estiver em outro idioma (inglês, p.ex.) e tiver pouco tempo, traduza-o aos poucos durante cada aula, ao montar as páginas de internet com os alunos; ao final do  módulo já terá traduzido boa parte do seu material.

 

Por fim, é fundamental que todos os temas escolhidos sejam como um presente especial para alguém especial: selecione os temas  pelo excelente design que encontrar, ou modifique o tema para tenha essa excelência. Oferecer algo especial (exercícios de aula excelentes) valoriza o professor, os alunos e a aula.

 

Aplicando o tema na aula:

 

Vamos pegar como exemplo o tema de Turismo de ciclismo. Esse tema pode ser desenvolvido como uma página de internet ou uma apresentação de slides.
Se for uma página de internet terá tanto texto quanto fotos, com alguma multimídia (áudio, animação e vídeo). As páginas poderão ser verticais (com rolagem) ou encaixadas na tela (sem rolagem).

 

Se for uma apresentação de slides, terá mais ilustrações que texto, texto resumido ou dividido em várias telas. Nenhuma tela terá rolagem.

 

Reutilizando o tema:

 

O tema - seja qual for - pode ser utilizado tanto para exercício de aula como para trabalhos de reforço, recuperação ou avaliação. Pode-se usar um mesmo tema como exercício de aula ou para desenvolver tarefas extras;
p. ex., no caso do tema "Turismo de ciclismo", em aulas de webdesign pode-se passar ao aluno a tarefa de fazer um hotsite (site de evento diretamente relacionado ao tema) com outros assuntos e imagens.
Se for uma apresentação de slides, pode-se definir novas telas da apresentação desenvolvida em aula ou uma segunda apresentação relacionada(treinamento para ciclistas de enduro).

 


Tema único, tarefas múltiplas e personalizadas

 

Algumas vezes o professor precisará avaliar vários alunos ao mesmo tempo, individualmente em aula ou à distância; em espaço curto de tempo ou ao longo do tempo; mas não pode passar o mesmo trabalho para todos sob pena de o aluno reutilizar o trabalho do colega (não que o professor não perceba isso, mas em algumas situações o aluno possui interesse em outras matérias do curso). Neste caso, personalizar a tarefa reduz as variáveis de trabalho do docente. Isso pode ser feito assim:

 

Os temas oferecidos para cada aluno(a) podem ser vários (novamente loja de música online, turismo de ciclismo, cafeteria online, montadora de automóveis, etc), mas a estrutura de layout (diagramação), nome das seções, títulos e subtítulos e nome dos arquivos (textos, imagens, etc) é a mesma. Muda apenas o conteúdo desses arquivos (relacionado a cada tema).
P.ex.: tanto no tema loja de música online ou site de turismo de ciclismo a tela é diagramada em duas colunas; existem as seções Início e Quem somos; na seção quem somos existem os títulos (e subtítulos) História, Diretoria e Equipe; em ambos os casos os arquivos de imagem da seção Quem somos se chamam historia.jpg, diretoria.jpg e equipe.jpg.



 

Do macro ao micro:

 

Se os temas são a "visão geral" da aula, as explicações são a "visão micro" do conhecimento. Pode-se pegar um pedaço do exercício de aula para desenvolver uma explicação (tutorial escrito, ilustrado, em vídeo ou áudio) sobre determinado assunto. P.ex., ainda no tema de Turismo de ciclismo dentro do curso de webdesign, pode-se explicar um assunto - como se constrói uma barra de navegação com o layout deste tema. Essa explicação pode ser repassada independente do restante do módulo.

 

Desenvolver explicações específicas "soltas" a partir de um tema permite reunir ao longo do tempo um conjunto de explicações para montar um material didático (apostila, blog, vídeoaula, wiki, etc). Como o tempo do docente é normalmente escasso, esta acaba sendo uma tarefa que se auto-alimenta.

 

Outra forma de desenvolver um módulo do "micro" para o "macro" seria desenvolver tarefas pequenas, que, reunidas, formam um conjunto uniforme. Por exemplo: as tarefas podem ser relacionadas ou serem relacionáveis.
Se você já tem diversas tarefas planejadas sem conexão entre sí, reuna-as num tema que seja polivalente: uma apresentação sobre fotos de fatos curiosos ou um site sobre notícias.
Pode-se ainda organizar as tarefas por semelhança: imagens com pessoas vestidas de maneira sui generis podem ser reunidas para fazer um site ou apresentação sobre moda.

 

Essa abordagem "micro" é ideal em trabalhos cooperativos: uma comunidade razoavelmente organizada pode se auto-alimentar com informações (como fazer) e material (conteúdos) que podem ser reaproveitados por cada membro para gerar novos cenários (novos cursos, módulos, aulas ou exercicios).

Uma foto pode dar origem a um passo-a-passo de como fazer máscaras com imagens no software X. Esse passo-a-passo pode ser parte de uma aula ou ser reunido com outros passo-a-passo relacionados (como fazer  máscaras complexas); este passo-a-passo pode dar origem a um tutorial sobre técnicas de mascaramento de fotos (ou mini-curso avançado sobre máscaras).


A foto citada pode ainda ter uma ilustração, que pode ser o ponto de partida para uma apresentação de slides com fotos e desenhos, iniciando um novo ciclo, mas em um curso diferente (Aprentação de slides)...

 

Enfim, essa metodologia independe de ferramentas de auxílio ao design educacional (como os CMS/gerenciadores de conteúdo ou sistemas/ambientes de ensino e aprendizagem) e podem ser aplicadas de forma a desenvolver conteúdo de aulas rapidamente.

Comentários