Grupos

Às vezes é isto que sinto em relação a este ano e tudo que vai acontecer daqui para a frente. Como se este ano fosse o primeiro do resto de nossas vidas.

Último ano da faculdade. A maioria dos alunos já atuam na área e quem não atua vai com mais fervor buscar seu espaço para treinar toda a bagagem teórica acumulada com a faculdade. E ainda, de lambuja, aprender as coisas que a faculdade não ensina.

Os trabalhos se acumulam e ainda com cara de importância aparecem o Projeto Experimental e a Tese de Conclusão de Curso. Este, para completar, tem que ser feito individualmente.

Logo de cara, desespero. Que grupo? Que tema? Que mídia? Eis as questões! Bem devagar, pouco a pouco, as dúvidas somem. Quase que em doses homeopáticas.

E então, surgem: idéias, afinidades, vontades, planos e a cabeça vira um verdadeiro turbilhão. As conversas se afinam e aí pinta uma conclusão. Alguma coisa parecida com um caminho. Ainda de terra, é bem verdade, mas algo em que dê para se guiar com a ajuda - sempre imprescindível - do coordenador.

Mesmo com as coisas fluindo, sempre há a sensação de que não vai dar tempo. Mas isso passa. Pelo menos, foi o que me garantiram.

Ipsis Literi

11:40 @ 17/02/2006

Por falar em amigos e amizade, achei por bem indicar e falar através da crônica escrita pelo Léo Jaime.

Eu sou seu amigo?

De Leo Jaime.

Recebo um email curioso, leio em meio a tantos outros e deixo pra responder depois. Preciso pensar. O tema surpreende. Um rapaz quer comprar uma moto e precisa citar, no cadastro da loja, referências pessoais, amigos, e pede que dê meu telefone para que ele me cite no negócio. O problema  é que, segundo ele, nós nos  "conhecemos" no orkut. As aspas vão por conta de que é possível até que alguém se conheça e inicie algum tipo de amizade no orkut ou por intermédio de algum outro mecanismo de Internet. Não era o caso.

Antes do referido bilhete - era mais um bilhete, do que uma carta, - o tal jovem nunca tinha tentado se corresponder comigo. Aquela era a primeira abordagem. Um pedido para citar-me como  referência em uma compra, ou seja, alguém para ser procurado caso o negócio fosse para o pau.  E o bilhete terminava com a patética indagação: será que eu não tenho amigos? Pois é. Uma vez que ele se permite fazer um pedido desses a alguém com quem nunca falou antes, é compreensível. E triste.

Como foi que ele escolheu o meu nome e mais: o porquê! Essa dúvida é que vale a reflexão. Ter um pedido aceito para ser admitido na minha lista de orkut, beleza, é um sinal de simpatia. Se me pedem para tirar uma foto ou comentam qualquer coisa na rua, em geral, a recepção é a mesma. Gosto de tomar café na padaria batendo papo com os cidadãos, e quase sempre não sou reconhecido. Ou não mencionam. Prefiro pensar que sou um cara comum que gosta de falar com os outros na rua. Mas recuo quando me oferecem negócios da china, e muito mais quando pedem coisas íntimas sem haver intimidade.

Talvez seja esta a questão: a dificuldade em estabelecer, nos novos padrões, o que seja intimidade. Trepar pode ser tão banal quanto teclar num Chat. E teclar num Chat pode ser tão íntimo quanto trepar. Tudo é muito relativo. Dá pra abrir o coração num blog e, a um só tempo, permanecer anônimo sob um nick. Quem  é de fato amigo?  Os que freqüentam? Evidente! Desde que não traiam! Os que participam da nossa  felicidade e dela se regozijam. Sim, os que estão interessados em nossa infelicidade, mesmo os que ajudam, podem estar apenas curtindo um pouco do sentimento de superioridade que nossos infortúnios produzem em si. Gente que fica feliz com nossas vitórias é que são os amigos, e os que são generosos. Os que oferecem coisas. Os que oferecem companhia, humor, tempo, idéias, ouvidos etc.

Há um charme propagado do cinismo. Chamam de atitude o que em outros tempos era ser mascarado. Ser frio pode ser confundido com ser cool. Amar  é e sempre foi uma coisa meio obsoleta e nem um pouco hype. Diz um belo poema que toda carta de amor é ridícula. E o amor tem um traço de cafona. Pois é, a amizade é o momento sublime do amor. Chamam de amizade de amor subtraído do sexo. De um amor que falta alguma coisa. Acho que não, que é perfeito, absolutamente transcendente a tudo, até ao desejo, e perfeitamente incondicional, como deve ser o amor.

Mesmo que a gente tenha alguém pra mencionar como referência em uma compra, ou nove mil e tantos adicionados com o título, não significa que a gente tenha de fato um amigo. Não há garantias. E, no entanto, não há nada que mereça mais uma festa do que o amigo. Por isso pareceu-me tão dolorosa  a pergunta. Pra quê comprar uma moto? O rapaz, se é que um conselho meu vale alguma coisa, deveria era sair de casa, imediatamente, e procurar um amigo. Já pensou: morrer e não ter um amigo no enterro?

Leo Jaime é cronista do Blônicas e escreve todas as quintas.

Inimigos podem ser amigos

12:34 @ 16/02/2006

    No trabalho, na rua, em casa ou até na faculdade...alguém já teve ou tem algum inimigo.
Dizem que essa palavra é muito forte, e eu também a considero assim.
Vamos ao significado da palavra, segundo o nosso querido Aurélião:

    Inimigo: 1.hostil, adverso, contrário. 2. De, ou pertencente a grupo, facção ou partido oposto; hostil. 3. Que prejudica, ou causa dano; nocivo. 4. Aquele que odeia ou destesta alguém ou algo. 5. Grupo, facção ou  partido hostil. 6. Membro ou unidade de grupo, facção ou partido dessa natureza. 7. Coisa prejudicial, nociva, destrutiva.

    Nossa que coisa horrorosa! Se fulano é do partido X e ciclano é do partido Y, eles não são necessariamente inimigos. Estão apenas disputando alguma coisa. Amigos podem disputar a mesma garota, irmãos podem disputar o amor dos pais, colegas de classe podem disputar a maior nota da sala, mas eles não são ou não devem ser inimigos.
    Amigo é uma palavra muito mais doce, é algo que vem do coração e nos completa. O que seria de cada um, sem um amigo? Diz um ditado, que nós contamos nos dedos de uma mão nossos amigos do peito, mas ser colega também é uma palavra muito mais simpática. Colegas conversam sobre diversos assuntos, se ajudam em muitas ocasiões e podem ser um contato para sua profissão no futuro. Quanto mais colegas você tiver, melhor!
    Quais são os reais fundamentos para uma pessoa não gostar de você? Ela te acha feia ou bonita demais... Ela te acha antipática ou queria ser igual a você... E porque as pessoas, muitas vezes, não conseguem mais ter diálogo? Porque elas não resolveram a última pendência, o fato que foi o ápice para o término de alguma coisa, seja um namoro (porque você também tem que ser amigo dessa pessoa), coleguismo ou amizade.
    Então você pensa: mas eu não suporto aquela pessoa! Até que eu queria, mas não dá! A voz dela me irrita, o jeito dela me dá nojo, tudo é horrível! No entanto, infelizmente, você é obrigado a suportar aquela pessoa, porque ela está no seu círculo de amizades, no seu círculo de trabalho, ou algo assim...o que fazer?
    Seja o mais sincero possível, mas antes disso conte até 10 para ter certeza que estará bem paciente! Depois que você falou tudo, se aliviou, você escuta a outra pessoa e pra finalizar, vocês se abraçam...hahaha, isso é brincadeira, não precisam se abraçar, ninguém é obrigado a gostar de ninguém, mas faça como uma vez eu ouvi dizerem:
    "Olha, eu não gosto quando você fala assim, não gosto do seu jeito assado, mas se eu sou obrigado a conviver com você, então vamos tentar fazer o possível para não ocorrerem desavenças, desencontros de informação ou mesmo, falta de comunicação, porque sem comunicação, ninguém vive!"
E viveram felizes para sempre.


                                                                                                                    Mariana Passos

O H omem - Relógio

00:56 @ 15/02/2006

           O homem relógio não escuta música. Sua vida é um cronômetro. Sempre assim foi. Marcada pelo tempo sempre à busca da precisão e ritmo.  Anos  a  fio levantou, madrugou e dormiu sem saber porquê. Intrometidos, por certo, poderiam acudir informando ao leitor que o homem do relógio queria ser alguém e para isso precisava de dinheiro. Para isso, evidente, nada melhor do que o trabalho.
           Os  passos  do  tempo  caminharam  e  o  homem  relógio  jamais  seguiu  uma direção que fosse contrária  à  maré.  Aderiu  a  todos  partidos  que  estivessem  ao  poder, quaisquer  modismos  que  lhe revertessem interesses e nada. Nunca acontecia nada.



          Assíduo  e  prestativo,  aprendia  muito,  para  depois  esquecer.  Aprender  e  esquecer.  Afinal,  qualquer conhecimento  precisa  ser  revertido  em  lucro  para  que  seja  válido.  Na cabeça  deste homem, a foi cultura reduzida à  insignificância  e, o  capital  elevado ao status de cultura.
         Devido à insistência,  acabou angariando fãs.  Pousou- acreditem!- até de vanguardista em sua alienação. A pele negra disfarçava as máscaras que cobriam a face e evitava que a farsa fosse descoberta. Como o Brasil é o país das mentiras,  ninguém  desejou  ver  a  verdade.
         Contudo,   um  dia  o tempo parou.   O   homem-relógio  olhava  ao  redor  e  nada via.   Pensou   que  havia enlouquecido, o que seria muito possível, trabalhava demais e o estresse o estaria  confundindo. Não,  não era o tempo. O mundo do homem relógio parou.  Atordoado, viu todos  anos  de  sua  vida  e  a obra era um livro em branco.  Chorou e tentou resmungar algumas palavras, mas não pode.  Nunca mais poderia.  Derrota.

Moral -  O pensamento da maioria não representa,  necessariamente,  a verdade.


A História de um Xamã

15:04 @ 13/02/2006

Dias atrás eu tive um sonho. Estava deitado e ao meu redor um velho índio declamava cânticos em um idioma ininteligível. Às vezes, dava-me um líquido para beber, uma espécie de chá amargo, mas que doce era ao meu espírito.
Meu corpo levitava. Lentamente, comecei a entender o sentido das palavras do índio que estava ao meu redor. Com olhar fixo, ele disse que me contaria a história do mundo.
Eu não falava. “Imagine a poeira. As partículas vagam pelo ar entre os séculos e juntam-se formando mais e mais poeira. As pessoas limpam com a ilusão que ela não estará mais lá, mas sempre haverá a poeira”, disse.
“Uma vez, há muitos séculos, o vento fez vagar a poeira entre os mares, e aqui chegou, em nossa quente terra. O inacreditável aconteceu, como acontecera tantas outras vezes na história do mundo. Acredite, a poeira que atravessou os mares varreu tudo o que por aqui havia. A terra sangrava e ainda hoje sangra”.





Eu chorava. Implorava ao Xamã que se calasse. Terríveis imagens do passado e do presente. Suas palavras cegavam meus olhos. “Silêncio!”, ordenou “Não há mais volta agora”.
Sua mão pousou sobre minha testa. Eu estava febril . “Nada mudou. A sagrada profecia diz que a poeira continuará dizimando a si mesma, entre a terra e o concreto. O sangue escorrerá pelo concreto extinguindo tudo ao seu redor. Esta é a humanidade?”
O despertador tocou. Levantei e assustado fui lavar-me. Tomo meu café, mais um dia, entre tantos de minha vida. Pego o jornal e o coloco à mesa para uma breve leitura. Leio a notícia de mais mortes de moradores de rua no centro de São Paulo.
A imagem do índio nunca visto volta-me a memória, assim como suas palavras. Pela janela ergue-se uma paisagem cinza. Os carros passam e o meu coração dispara. Dor. Eu tão consciente de mim mesmo, ignorava minha miséria. Olhei o espelho e não vi minha própria imagem. Volto à janela e tudo está como a profecia xamã em meu sonho. Do pó ao pó, a caminho do zero. Fechei os olhos. Acordado, eu ainda sonhava.



Olá futuros jornalistas!

09:39 @ 10/02/2006


Tomei a liberdade de escrever o primeiro texto do nosso bloguinho, o blog que vai dar o que falar, tenho certeza! Afinal, não é em qualquer lugar que a gente encontra tantos estudantes de tão boa qualidade ☺
Em nosso primeiro ano de faculdade, tínhamos a nossa sala cheia, mais de 25 alunos. No entanto, a maioria se dispersou e mudou de faculdade, de curso ou mesmo abandonou o nosso tão amado Jornalismo.
Depois de muita fofoca em sala de aula, a casa das 8 mulheres, ou melhor, a sala das oito mulheres (Ca, Jack, Ju, Juzinha, Mari, Marília, Paty e Quel) ganhou mais alguns adeptos em 2005: Adriana, Marcelo e Rodrigo. Pessoas que realmente fizeram a diferença na vida de todas nós!
Muitos trabalhos, muitas idéias, muitas discussões, choro por causa de professores que nos magoaram, mas para compensar, a alegria que dominou o ambiente. A satisfação do primeiro emprego na área do Jornalismo, o crescimento profissional de cada uma foi e é fantástico de se acompanhar!
Último ano, o ano em que todos ficam desesperados, aflitos. Aflitos porque o TCC está chegando, aflitos porque não se sabe qual tema escolher. Aflitos porque temos que encontrar o emprego de nossas vidas! É agora ou nunca! Me dá até um negócio só de pensar em tudo isso...
Férias agitadas, dúvidas entre as colegas e conversa, muita conversa. E agora amiga, o que vamos fazer? Amigo me ajuda nisso aqui, você sabe como isso funciona? Vamos escrever para a professora e perguntar. Professora, é TCC e projeto ou é projeto e TCC? Qual dos dois tem que apresentar? Tem que ser o mesmo tema? Como faremos tudo isso em apenas 1 ano?
Dúvidas resolvidas, começamos a torcer pelos bons resultados do último ano. Juro que pensei: meu Deus, mais um ano! Mais Estudos Inter, mais trabalhos, mais desespero...socorrooooooo
As aulas começam, como é bom rever os amigos! Dessa vez tivemos uma surpresa bem maior do que a esperada: novos alunos! Novos alunos no último ano? Não acredito! E são eles: Bianca, Olavo, Rafael e Rodrigo. Os guris chegaram com a corda toda! Chegaram da manhã, de Goiânia e do Sul. Vieram com sotaque, francês, filosofia e muito conhecimento para acrescentar aos `velhos alunos`. E é isso aí!
Sejam todos muito bem vindos e que esse nosso ano seja encantador, inenarrável, fantástico e lógico...INESQUECÍVEL!

Um beijão a todos e vamos escrever porque esse espaço é nosso!

                                                                                                               
                                                                                                           Mariana Passos