Grupos

Informações Iniciais

07:01 @ 04/07/2008



Olá Conspiradores, bem vindos!

A Mariângela Coelho me pediu uma ajuda para colocarmos uma lista de troca de mensagens do núcleo RJ na internet, então aqui estamos nós! Já temos 14 assinantes.

A assinatura* no grupo permite receber e enviar mensagens pelo email cadastrado. Caso queiram participar com todos os recursos disponíveis ao grupo, é necessário se cadastrar também como membro* do Grupos.com.br, utilizando o mesmo email da assinatura. O cadastro pode ser feito em: http://www.grupos.com.br/

Aqui estão os principais endereços dos recursos relacionados com nosso grupo de troca de mensagens:

Perfil do grupo
página com a descrição geral do grupo
http://www.grupos.com.br/group/rcrj/

Arquivo de mensagens
onde podem ser pesquisadas todas as mensagens enviadas e enviar novas
http://www.grupos.com.br/group/rcrj/Messages.html

Disco virtual
espaço para partilhamento de arquivos pelos membros
http://www.grupos.com.br/group/rcrj/VirtualDisk.html

Mural de recados
espaço para publicação de "scraps" pelos membros
http://www.grupos.com.br/group/rcrj/Scrap.html

Saudações,
Luiz de Campos Jr.


* Sobre assinantes e membros:.

Os assinantes apenas enviam e recebe emails, enquanto os membros podem utilizar de todas as ferramentas existentes na lista.


Se você quiser se tornar membro (acesso aos demais recursos), deve ir a página do Grupos - http://www.grupos.com.br/ - e do lado esquerdo, na segunda caixa chamada novo usuário (imagem), digitar o email com que assina a lista.


A seguir, ao clicar no botão cadastre-se! terá início o cadastramento. Só a partir disso - depois de cadastrado - você terá um login e senha, então usará sempre
a primeira caixa chamada acesso (imagem) e terá acesso a todos os recursos.




Olá André, Suzana, Mariângela, Cláudia, Regina, Fábio, Mary, Lilian, Lucia, Margareth, Rosane, Eric, e todos os que ainda não conheço, sejam desde já bem-vindos à Moleque de idéias!

Eu e o Nilton estamos muito felizes com a possibilidade deste encontro com vocês, de recebê-los aqui na nossa escola. O Professor José Pacheco sempre diz que sozinhos, podemos muito pouco, mas que juntos, podemos mudar o mundo.

No ano passado ele esteve aqui na Moleque de idéias e na ocasião, distribuí para os presentes um texto dele que acho primoroso, e que agora compartilho com vocês.

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ENTRE MARGENS

Apresentei o alvará e logo ouvi o comentário: "De um homem é que nós estávamos a precisar!"

Assim, de imediato, não comprendi a razão da masculina preferência. Mas logo me foi explicado que seria bem-vindo um pedagogo musculado que pusesse na ordem umas pestes de uns alunos que por aquelas paragens perturbavam a placidez dos dias. Trinta repetentes crónicos, armazenados numa só turma, transformavam a vida das professoras agregadas num inferno. A que por lá tinha passado no ano anterior jurara para nunca mais... Tinha sido insultada e apedrejada. O material didático que, na melhor das intenções confeccionava, voava janela fora. E lá se foi, um dia, de atestado médico.

"Um colega é que nos estava mesmo a fazer falta. Do que estes trogloditas precisam é de um pulso firme! Infelizmente, no primário não podemos pô-los na rua, nem mandá-los para casa! Não é?"

"Ainda bem!" - respondi, na mais pura ingenuidade dos "verdes anos" de profissão. E foi como entrar com o pé esquerdo naquela escola. As colegas passaram a olhar-me de esguelha, como quem pensa: lá vem em este armado em bonzinho!

Para abreviar, dir-vos-ei apenas que tudo acabou bem. Só não houve castigos para os maus (como acontece nas telenovelas), porque, afinal... eram todos bons rapazes.

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Não é mesmo genial?
Beijos da Leila

http://historinhasdamoleque.blogspot.com
http://www.moleque.com.br
http://clubedeideias.moleque.com.br
http://www.youtube.com/clubedeideias




programação do núcleo do rs

22:15 @ 11/07/2008

Postei no disco virtual. Um grande abraço e até quarta-feira.

Mariângela

Encontro RC-RJ

09:47 @ 14/07/2008

Prezadas(os) conspiradoras(es),


O primeiro encontro dos Românticos Conspiradores do Rio de Janeiro acontecerá esta semana em Niterói. Aqueles que tiverem interesse em participar, favor entrar em contato com Leila Miranda (veja informações a seguir).

Data: 16/07, quarta-feira

Horário: 14:00 às 17:00h

Local: Moleque de Idéias
Rua Noronha Torrezão, 60 - Santa Rosa - Niterói
www.molequedeideias.com.br - (021) 2710 0178
(veja o mapa abaixo)

Contato: Leila Miranda
leilamiranda@moleque.com.br

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Clique na imagem para ampliar:


   
    Boa tarde professor João, meio que num desabafo, sabe do que tenho medo? Do ritmo desvairado em que o mundo anda mergulhado, numa individualidade mesquinha, assustadora! Numa mediocridade de superficialidades vazias de luz, onde se mede valor pelo dinheiro, pela posição social, pela sombra de tantos enganos que a humanidade já cometeu, e ainda comete.

    Não desisto de conspirar, pois acredito, mesmo com raiva às vezes, por acreditar, naquele nobre desconhecido, chamado  AMOR. A vida é um jogo, mas meio tumultuado, nesse planeta de provas e expiações, e  vemos tanda coisa absurda que dá vontade de pegar uma vassoura e sair voando para outro planeta.

         Tudo ao nosso redor é energia, mas tanta pressão pode explodir nossa panela de vida! Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come! É mais ou menos assim. Somos como os beija-flores tentando apagar o incêndio da floresta! E se o incêndio for criminoso?  Como na maioria das vezes ele é provocado pelas mentes perversas do mundo! Será que com  AMOR podemos salvar todos, talvez só alguns, os comprometidos e determinados com a mudança para era de luz.

          Essa semana trocamos idéias lá na escola. Troco idéias há uns dois anos constantemente, com o professor José Pacheco, por e-mails que enviamos, sempre me incentiva nos meus trabalhos. Uma palavra me chamou atenção em especial no seu comentário sobre o texto que colocou lá no blog (ARTE) e como sou professora de artes plásticas, amo essa capacidade que recebi do cósmos de algo que se revela à consciência do criador, vindo à tona independentemente de sua vontade, quer seja naquele ou noutro momento, ainda que em meio a tarefas domésticas, tráfego urbano, afazeres do cotidiano de cada um. Criar pra mim é necessidade. Me deixem sem casa, sem comida, sem cama, sem descanço, sem livros até, mas sem criar não sobrevivo. A obra de arte situa-se no ponto de encontro entre o particular e o universal da experiência humana. Como as idéias ela deve fruir pelo mundo, compartilhada.

            Vamos viver conspirando nesse poema de beleza e simplicidade, pois apenas um ensino criador, pode permitir a integração entre a aprendizagem racional e estética dos alunos. O exercício da razão e do sonho é também maravilhar-se, divertir-se, brincar com o desconhecido arriscar hipóteses ousadas, trabalhar duro, esforçar-se e alegrar-se com descobertas!!!

             Caso deseje entrar  em contato dê uma olhadinha no meu orkut  (Porta Mágica - Magic Door), confecciono materiais de apoio pedagógico desde 1999 e vendo em escolas, clínicas, institutos, particulares e públicos, pesquiso a questão da aprendizagem há uns 11 anos , buscando meios de ensinar a ler e escrever de uma forma mais descontraida !
                      Um abraço fraterno , Suzana A. S. Cavalcanti

Ata reunião dia 16/07

11:57 @ 23/07/2008

Caros,

Colocamos aqui primeira versão da ata de nossa reunião do dia 16/07, que aconteceu em Niterói, na Moleque de Idéias. Solicitamos a todos que participaram da reunião e queiram complementar informações que, por favor, modifiquem livremente esta postagem.

Abraços,

Mateus e Nilton

ATA - VERSÃO 1
O início da reunião foi de apresentação de todos os presentes.

Mateus --> Trabalha na Moleque de Idéias e no Projeto de extensão universitária Raízes e Frutos: Uma vivência com os Caiçaras da Juantinga, Paraty, RJ. Uma das frentes do projeto é a construção de um projeto político pedagógico de uma escola junto com a comunidade do Pouso da Cajaíba (que atenderia a outras comunidade Caiçaras também). Falou de como tem sido construído este projeto e das dificuldades encontradas para elaborar um projeto político pedagógico devido à falta de experiência no assunto da maioria dos integrantes do projeto e da falta de cooperação por parte da prefeitura de Paraty.(se alguém se interessar mande um e-mail pessoal para Mateus, Tainá ou Paloma e podemos enviar o resumo executivo do projeto)

Mari --> Trabalha no Colégio de Aplicação, em Cabo Frio. Conseguiu organizar a escola onde as aulas ocorrem com a interação de diferentes professores, alunos de diferentes idades e obteve um resultado positivo no processo de aprendizagem. Falou um pouco da experiência do colégio nos dois primeiros anos com a pedagogia de projetos e das dificuldades encontradas quando aumentou o número de estudantes e no diálogo com os pais.

Fábio --> Professor de Biologia pelo estado, atua em Magé e Duque de Caxias. Teve experiência com aulas feitas em cima de temas, trabalhando com vários professores ao mesmo tempo. Propôs a criação de um conselho escolar e discutiu a qualidade da merenda oferecida na escola* e com a colaboração de um nutricionista provou que era possível fornecer uma alimentação de melhor qualidade sem estourar o orçamento destinado à merenda. Enfrentou problemas com a direção da escola que trabalhou e para conseguir a colaboração de outros professores.

Margareth --> Trabalha no serviço social do Colégio Pedro II de São Cristóvão. Atua como presidente do sindicato. Luta pela democratização da gestão do Colégio. Falou das dificuldades em se trabalhar em uma estrutura onde as decisões são tomadas de “cima para baixo” . Contou para todos como foi gratificante a experiência de contar com o professor José Pacheco em uma palestra no colégio.

Lilian --> Diretora do CEAT, colégio com 40 anos de existência. O colégio oferece a formação da educação infantil ao ensino médio. Ela falou sobre a estrutura do colégio que funciona semelhante a uma cooperativa, onde todos os funcionários são sócios. Se interessou pela formação de uma rede de educadores e levantou questões sobre o que seria esta rede e à que ela se proporia. Falou sobre como é difícil mesmo entre os professores, trabalharem com a pedagogia libertária e democrática.

Alexandre --> Professor de História do colégio Pedro II. Contou que procurou o professor José Pacheco num momento de luta política quando estava sendo organizada uma greve e que os resultados desta greve foram positivos, conseguiram tornar significativa uma proposta de aumento salarial que era muito baixa. Trouxe um arcabouço histórico sobre as teorias a respeito da pedagogia libertária e democrática. Contou-nos das dificuldades devido a uma gestão não democrática do colégio, como no caso da eleição de um diretor que está no cargo há 18 anos.

Alex --> Professor de História no Pedro II. Luta ao lado de Alexandre e Margareth pela autonomia e democracia na gestão do Pedro II. Falou sobre sua experiência em oficinas de criação audio-visual.

Nilton --> Sócio-Diretor da Moleque de Idéias. Descreveu conceitualmente o trabalho da Moleque de Idéias e seu trabalho com crianças em um ambiente de criação baseado em tecnologia digital. Ressaltou que a Moleque de Idéias vê as tecnologias digitais como forte potencializador da capacidade de criação e expressão , individuais e de  grupos. Houve rápida troca de idéias de como os ambientes educacionais tradicionalmente "aprisionam" este potencial em uma "disciplina": a "informática" e da falta de reflexão nas escolas dos impactos das tecnologias digitais na própria construção do conhecimento e nas prioridades curriculares. Relatou que a Moleque de Idéias está iniciando um trabalho com o Centro Educacional de Niterói-CEN, abrangendo alunos, professores, funcionários e pais.

Após a apresentação levantaram-se questões sobre como começaria o trabalho da rede de educadores.
Nilton propôs uma troca de experiências e práticas sobre como tornar o trabalho com a pedagogia libertária mais facilmente comunicável para pais e alunos, já que o modelo dito "tradicional" conta com todo um arcabouço de práticas há muito estabelecidas (provas, vestibulares, etc) e que são usados pelos pais como parâmetros universais de medição de eficiência.
Mariana sugeriu uma troca de experiências práticas dentro das diversas realidades dos integrantes do grupo.
Alexandre deu a idéia de um grupo de estudo que resgatasse as origens da pedagogia libertária. E a organização de um evento no ano que vem onde seria exposto os resultado deste grupo.
Fábio chamou a atenção para a possibilidade de a partir de um traalho consolidado, construir um meio de publicação como uma revista (vistual ou impressa) onde estariam artigos produzidos por integrantes do grupo.
 
Todos concordaram sobre 3 pontos:

Montar o grupo de estudos sobre a história da pedagogia libertária.
Conhecer outras experiências, realizando o encontro do grupo em diferentes lugares.
Organizar o evento e o meio de publicação como forma de fortalecer as iniciativas e divulgar as idéias.

Alexandre sugeriu o Livro “A Pedagogia libertária” de Edmond Marc Lipiansky. O livro não é caro e entrando em contato com Alexandre pode ser adquirido possivelmente com algum desconto.

Nilton afirmou que, à medida que forem se tornando mais claras as necessidades de trabalho colaborativo do Núcleo-RJ, a Moleque de Idéias poderá disponibilizar ferramentas e estrutura computacional para atender a estas necessidades.

O próximo encontro será no final de agosto, as opções levantadas foram dia 23 ou dia 30**. Sugeriu-se o espaço da Claudia Costa, na Catavento-Terravento, em Pendotiba, Niterói (dependendo de confirmação de Cláudia).

*********
Contribuições da Leila (talvez devessem estar em outra postagem, mas vou deixar aqui por enquanto):
* Fábio, você conhece a experiência de Jamie Oliver, um chefe de cozinha inglês que se envolveu com a merenda escolar oferecida nas escolas públicas às crianças inglesas? Vi os vídeos e ouvi que esta será uma primeria geração a morrer antes de seus pais na Inglaterra, justamente por causa da merenda. É claro que deve haver muitos outros grupos que lidam bem com esta questão, mas a do inglês você pode conhecer em http://www.jamieoliver.com/schooldinners.
** pessoal, o Prof. José Pacheco estará no Rio em setembro, quem sabe pudéssemos já nos reunir com ele também, no mesmo dia? Talvez pudéssemos ir construindo uma pauta.

Sobre o evento, eu proponho que seja uma homenagem ao pedagogo catalão, Francisco Ferrer y Guardia, fuzilado em Barcelona, no ano de 1909 (100 anos, uma "data redonda"). A pedagogia de Ferrer foi importante para a formação de diversas escolas operárias, dentro e fora da Espanha, e pelo seu conteúdo "subversivo" foi apontada pelo governo como elemento fundamental para uma grande revolta popular. Por esse motivo Ferrer foi condenado e executado. Penso que o evento não deve ser apenas uma memória, ou lembrança de um martírio, mas a oportunidade para pontuarmos as trajetórias de outros pensadores e experiências que, como a Escola da Ponte, tornaram-se referênciai para a emancipação humana. Como eu havia ressaltado, seria uma genealogia das nossas referências teóricas, uma historicização do patrimônio que nos foi generosamente  legado pelos que nos precederam na luta. Obviamente que é uma proposta, uma minuta de intenções, que pode e deve ser melhorada, ou ainda modificada, pelo coletivo.

Saudações
Alexandre Samis

Contribuição do Alexandre

11:46 @ 24/07/2008

'Não existe classes regulares, nem horários, muito menos avaliações'

'Aqui em Salvador, estamos desenvolvendo uma proposta educacional libertária no bairro de Valéria, inspirada nos modelos autogestionários e fortemente preocupada com a questão ambiental. Lutamos pela criação de uma escola viva, ao ar livre, junto à natureza, mas perto dos livros, tendo como princípio a solidariedade, a liberdade e o livre-pensar. Uma escola sem currículos pré-definidos, sem avaliações, sem autoritarismo. Uma escola para quem queira estudar, sem pressa, sem horários e entenda que é preciso respeitar a natureza e o ser humano'. Quem diz isso é Eduardo Nunes, que atua no projeto 'Escola e Biblioteca Comunitária Professor José Oiticica'. A seguir, ele fala sobre essa iniciativa de inspiração libertária que funciona desde 2005, em Salvador (Bahia).

Agência de Notícias Anarquistas > Quando se deu a criação da Escola e Biblioteca Comunitária Professor José Oiticica? Faça um pequeno histórico dela...
 
Eduardo Nunes < A biblioteca funciona desde 2005. A escola funciona desde 1971 quando chegou Antonio Fernandes Mendes e sua família no bairro de Valéria. Antonio, fugiu do Ceará na época da ditadura militar no Brasil para não ser preso, devido as suas atividades políticas, clandestinas, foi para o sul do Brasil (Paraná), em seguida, foi para o Rio e fez contato com o movimento anarquista no Rio de Janeiro. Do Rio viajou para Salvador com o nome de um anarquista da Bahia para contatos (Ricardo Líper). Chegando aqui se instalou no bairro de Valéria. Antonio pertence ao clã de Antonio Conselheiro, ecologista e anarquista, foi recuperando a área onde residia com espécies nativas.  Desse trabalho, em 1978, ele e um grupo de estudantes anarquistas começaram a implantar uma horta, resultando na criação da Escola Horta Natureza, realizando cursos de agricultura orgânica, agrofloresta e ecologia. A horta abastecia vários restaurantes naturais de Salvador. Ao lado disso, ele realizava uma intensa militância nos meios sindicais e estudantis, foi um dos fundadores do jornal O Inimigo do Rei. A horta como ficou conhecida, recebia e recebe crianças, jovens e adultos, realiza cursos, reuniões, boletins, grupos de teatro no bairro, exibição de filmes. Antonio além do profundo conhecimento da natureza conhece os segredos da medicina natural, da fitoterapia.
 
ANA > Então essa escola também tem uma base ecologista, certo?
 
Eduardo < Ela é essencialmente ecologista social. Há uma preocupação muito grande em mostrar para as pessoas que freqüentam a escola de que devemos preservar as coisas boas do lugar, a natureza, os rios, as montanhas, as árvores, pois, sem elas não vivemos. Evitar a poluição e a depredação do nosso patrimônio ambiental e cultural. A escola ecológica luta pela justiça social e a preservação ambiental. Questionamos o modelo industrial capitalista e a forma de organização social e política atual. Propomos um modelo de sustentabilidade ao lado da descentralização política, gestão por bairros.
 
ANA > E José Oiticica é uma homenagem ao anarquista Oiticica?
 
Eduardo < É sim, a importância do anarquista José Oiticica em diversos campos do conhecimento e sua atuação política com as idéias anarquistas motivou o grupo a denominar a biblioteca com o seu nome.
 
ANA > Onde ela funciona?
 
Eduardo < No bairro de Valéria, subúrbio de Salvador, Bahia.
 
ANA > E como é a logística da escola, o espaço...
 
Eduardo < Temos uma área verde com muitas espécies nativas (Oiti, Ipê, Araticum, Paineira), bambu, árvores frutíferas (Jaca, Abacate, Cacau, Manga, Sapoti, Pitanga, Acerola, Mamão), plantas medicinais (Água de Levante, Tapete de Oxalá, Língua de Vaca, Gengibre, Babosa) plantas consideradas sagradas pelo candomblé, entre outras. Temos o espaço da biblioteca com livros infantis, literatura para jovens e adultos, livros escolares da 1ª a 8ª séries, módulos de pré-vestibulares, livros especializados em anarquismo, história, agricultura orgânica, jornais anarquistas.
 
ANA > E quem participa deste projeto?
 
Eduardo < Participam moradores do bairro, crianças, jovens, adultos, alunos de escolas públicas, de universidades, professores. Está aberta a todos que queiram colaborar, trocar experiências.
 
ANA > Todos são alunos e professores ao mesmo tempo, aprendendo e desaprendendo juntos?
 
Eduardo < Todos nós estamos sempre aprendendo, dos mais jovens aos mais velhos, fazemos errado, fazemos certo, esquecemos os nomes das plantas e das propriedades medicinais, aprendemos a fazer mudas, plantamos, cultivamos, tomamos banho de tanque. Esse tanque é o grande atrativo dos jovens do bairro, como não têm áreas de lazer, o tanque serve para aprender a nadar, diversão, refrescar. Porém, antes de tomarem banho devem praticar alguma coisa, ou ler algo na biblioteca.
 
ANA > A escola funciona todos os dias? Há classes regulares, matérias... Fale um pouco da dinâmica dela, essas coisas...
 
Eduardo < Funciona todos os dias, está sempre aberta, não existe classes regulares, nem horários, muito menos avaliações. Como é um local de visitação pública, basta chamar alguém, sendo recebido com todo carinho possível. Chegando lá, a pessoa pode se engajar em alguma atividade que esteja sendo desenvolvida no momento, pode também propor alguma coisa, ou ir pesquisar os livros da biblioteca. Em geral, há sempre coisas para se fazer, cercas, adubo, plantio, catar plásticos, fazer mandalas produtivas medicinais, coletar frutos. É uma escola viva, cada um vai aprendendo o que se tem em cada momento, sempre relacionamos, as questões sociais, a exploração do trabalhador, o desemprego, as drogas. Na escola discute-se sobre tudo. Recebemos alunos das escolas públicas do bairro, acompanhados de suas professoras e do amigo da escola, 40 a 50 alunos, vão em um turno, falamos dos problemas ambientais, de saúde, de política, e realizamos coisas práticas, aprendem a conhecer uma árvore, a importância para alimentação, para a saúde. As crianças e jovens do bairro participam da escola e da biblioteca, estão sempre presentes para tomar banho no tanque ou comer frutas.
 
ANA > O Estado reconhece a escola? Como é essa coisa da burocracia estatal, ou vocês não estão nem aí com a legalidade da escola?
 
Eduardo < Alunos das escolas públicas freqüentam, professores e técnicos de instituições públicas também freqüentam. Já realizamos apresentações públicas organizadas pela biblioteca da universidade federal e a prefeitura da cidade. Participamos de reuniões com órgãos públicos para discutir ações de preservação ambiental. No momento estamos numa luta para a preservação da bacia do rio Coruripe junto com associações de moradores. Temos um Instituto que está em via de registro público para realização de projetos. Entendemos que o Estado gasta dinheiro com sua própria burocracia, remunera seus funcionários e privilegia quase sempre os interesses dos grupos econômicos, mas se pudermos encaminhar propostas para que eles apóiem nossos trabalhos, não vejo nenhum problema nisso, apenas, creio que é sempre difícil conseguir algo dessa instituição, assim como dos empresários locais. Às vezes o pequeno comerciante apóia nosso trabalho, enquanto o grande empresário não está nem aí. A Toshiba tem uma empresa ao lado de nossa escola, eles poderiam oferecer alguns computadores para a escola, mas atualmente estão brigando com os moradores porque compraram uma área onde já existia um pequeno campo de futebol que os moradores utilizam, eles construíram uma cerca, alguém derrubou, o conflito está instaurado, eles colocaram vigilantes. Está em negociação o uso do campo e de uma fonte de água (bica) que a população sempre utilizou, agora pertence a Toshiba. Aí eu pergunto e o protocolo de Kyoto, o que eles falam sobre isso? Atrás da Toshiba existe um bairro pobre, o que eles fazem por eles. É muito complicada essa relação. Os conflitos entre Estado, sociedade e as empresas é histórico. Precisamos mostrar nossa força.
 
ANA > O projeto é gratuito?
 
Eduardo < É gratuito, não cobramos nada para quem queira participar através de trocas e parcerias. No entanto, já realizamos cursos para adultos que têm empregos e condições de pagar. Para os jovens e crianças e adultos do bairro não cobramos nada, e se conseguirmos algum recurso através de companheiros ou por projetos institucionais, às vezes remuneramos as pessoas do local para desenvolver algumas atividades. O bairro possui uma população bastante pobre e, em geral, quem freqüenta, são pessoas que não têm empregos e seus filhos. Muitos deles, quando chegam estão com fome e as árvores e seus frutos amenizam a situação naquele momento.
 
ANA > Tiram dinheiro do próprio bolso para manter esse espaço anti-autoritário?
 
Eduardo < O dinheiro é tirado do bolso dos companheiros que apóiam o trabalho. Criamos o Instituto Socioambiental de Valéria, são mais de 20 integrantes, aqueles que podem colaboram com alguma quantia para a manutenção do espaço, compra de móveis e ferramentas, reformas etc. Tentamos a colaboração de doações de empresas instaladas no local.
 
ANA > Quando você fala em empresas, imagino que sejam esses pequenos comércios de bairros tão comuns pelo Brasil afora, não?
 
Eduardo < Exatamente, são pequenos mercados o de D. Daise, por exemplo, quase todo mês o mercadinho dela é assaltado, em dezembro foi assaltado 4 vezes, mas sempre está solidária com o instituto doando algum tipo de alimento, o depósito de ferro-velho (conseguimos como doação um arquivo de ferro), de uma madeireira pedaços de madeira para estantes, tabuletas, da padaria conseguimos a cinza da madeira que assa o pão. A cinza é muito importante para a agricultura.
 
ANA > Até agora qual tem sido o grande desafio deste projeto?
 
Eduardo < Melhorar as instalações da biblioteca e criar uma relação mais integrada com outros grupos e envolver mais pessoas do bairro. Já fizemos e mantemos boas relações com associações de moradores de bairros vizinhos e uma série de campanhas para a preservação do Parque São Bartolomeu.
 
ANA > E a satisfação dessa caminhada libertária...
 
Eduardo < É sempre nova, grande parte do grupo atuou nos movimentos sociais da década de 70, outros mais novos participam dessa jornada com muito entusiasmo. Há dificuldades, mas seguimos sonhando com o mundo mais justo e ambientalmente equilibrado.
 
ANA > E como podemos ajudá-los mesmo de longe?
 
Eduardo < Divulgando ou enviando doações para a nossa conta. Banco do Brasil. Igor Rodrigues Sant´Anna, Agência : 1599-7, Conta Corrente : 8.803-X.
 
ANA > Quer acrescentar algo para finalizar?
 
Eduardo < Vejo nossas ações muito ligadas ao local, a rua, o bairro, a cidade onde vivemos. A estratégia é procurar trocar experiências solidárias, comunitárias, propor novas formas de ação, novas práticas, sem autoritarismo, lutando por uma sociedade aqui e agora diferente dessa que vivenciamos, consumista, predadora e desumana. A liberdade se conquista com liberdade.
 
Contato:
Biblioteca Comunitária Prof. José Oiticica
Estrada da Valéria, 103-Valéria, Salvador - Ba
BR-324 km 11
CEP: 41300-600
institutovaleria@ig.com.br
 
agência de notícias anarquistas-ana

 

no canto da janela
nova linha do horizonte:
o fio da aranha.

 

Tânia Diniz

Tese do Alex Côrtes

14:03 @ 28/07/2008

Olá novamente para tod@s,

Venho disponibilizar minha dissertação de Mestrado em Educação defendida na UFF, na qual discuto, a partir de pressupostos teóricos foucautianos, as relações de poder e as tecnologias políticas em funcionamento dentro da Escola Municipal Professora Yone Nogueira, situada em Arraial do Cabo - RJ, particularmente do poder disciplinar e seus mecanismos de controle do tempo, do espaço e dos corpos. Tal escola tornou-se objeto de estudo não só por ser onde estudei e onde atuei como professor de História, mas também por ter uma arquitetura sui generis, herança do modelo panóptico construído para ser a realização da utopia de um controle perfeito. Dentro desta arquitetura de poder circular onde todos os corpos têm seus espaços reservados como forma de mantê-los sob controle permanente, muitos professores, estudantes e funcionários acabam se perdendo ou mesmo se sentindo mal. Além disso, os agentes disciplinadores estão permanentemente em ação e através da vigilância hierárquica, do exame e da sanção normalizadora os corpos vão sendo desenvolvidos ao máximo em seu potencial produtivo ao passo que vão sendo reduzidos em seu potencial de rebeldia. A escola fabrica sujeitos através de intensos e permanentes processos de sujeição. Michel de Certeau é de grande valia para a compreensão das muitas formas astuciosas que são inventadas cotidianamente pelos membros da comunidade escolar que não são meros consumidores passivos, mas transformam nas práticas cotidianas aquele espaço, inventando novas relações, intensificando a vida. Ao buscarem realizar experiências de liberdade que tornam a vida obra de arte e reforçarem os laços de amizade horizontalizada alguns usuários da escola acabam por desenvolverem uma estética da existência, fruto de um trabalho coletivo e não hierarquizado de uns com/nos outros. Mesmo dentro de instituições disciplinares planejadas para serem perfeitas em seu funcionamento é possível criar “zonas autônomas temporárias”, verdadeiras “heterotopias” onde experiências reais de liberdade podem ser vividas. Este trabalho relata toda essa realidade, e aponta o teatro libertário e experimental como alargador das brechas no poder disciplinar e potencializador de processos singulares de subjetivação. Claro que tal trabalho não trata apenas de uma experiência individual, mas, a partir de uma determinada realidade, busco discutir, numa perspectiva libertária, questões que perpassam a grande maioria das instituições educativas. Claro que o índice permite um passeio por temas específicos, ok?! O link para a mesma é: http://www.bdtd.ndc.uff.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=1980

Beijos & abraços carinhosamente libertários!

Alex Côrtes