Visões sobre Educação e Computadores - PARTE 4
10:14 @ 11/12/2008
Luiz de Campos, l.campos@futuroeducacao.org.br, participante dos RC, escreveu:
Caras(os).
Segue abaixo a crítica do Ernesto Rodrigues - ombudsman da TV Cultura - sobre a entrevista do prof. Setzer no Roda Viva.
Abraços,
Luiz.
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Instituto Futuro Educação
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Suicídio na TV
3, 2008 | 01:11:02
Roda Viva, 1º de dezembro
O Roda Viva com o engenheiro eletrônico e doutor em Matemática Waldemar Setzer deu uma pista importante para entendermos a razão pela qual o programa é o preferido entre as pessoas que detestam televisão. Dificilmente poderia existir entrevistado mais indicado para essa reflexão.
O professor Setzer, que detesta e não assiste televisão, aproveitou o espaço não para discutir, de forma plausível e enriquecedora, o papel social da TV e dos outros meios eletrônicos. Muito menos para propor alternativas saudáveis de interação de crianças e adultos com esses meios. Separar o lixo comercial dos conteúdos de qualidade? Também não. Discernir entretenimento sadio de apelação sensacionalista? Nem pensar.
Ao professor Setzer também não interessou reconhecer que a Internet, à parte a montanha de lixo que carrega, tornou-se acervo valioso, gigantesco e democrático de informação. Os argumentos de Setzer, uma espécie de versão satânica da tese de Marshal McLuham segundo a qual “o meio é a mensagem”, misturam pesquisas neurológicas com excêntricas subjetividades e confundem velocidade com pressa, diversidade com dispersão, felicidade infantil com rendimento escolar e lazer com doença.
O discurso controlador e profundamente paternalista de Setzer, em vez de antecipar tempos de felicidade para nossas crianças e adolescentes, aponta para um futuro que dá medo, algo a meio caminho entre as marchas da Revolução Cultural e os sombrios internatos de Roger Waters em “The Wall”. Isso porque a criança que ele quer ver longe da Internet e da televisão não parece ter a menor chance de se manifestar sobre o mundo autista e irreal que ele quer mobiliar para ela.
Até aí tudo bem. O professor Setzer, embora traído por uma colossal contradição logo na primeira frase – quando disse, feliz, que já poderia morrer, após ser entrevistado pelo Roda Viva – estava vendendo seu peixe. O que é de se lamentar é o fato de o programa, diante de tantas opções de entrevistados, ter cedido aquela prestigiada cadeira giratória para que a instituição da televisão e os profissionais que a fazem fossem desqualificados – quando não insultados - em uma conversa maniqueísta e pretensamente superior que só fez aprofundar o preconceito da intelectualidade e das classes A e B em relação ao veículo.
Muito provavelmente, a audiência foi boa. E deve ter sido porque a entrevista chamou atenção de muita gente pela natureza absurda das posições do professor Setzer. O saldo final, no entanto, não por culpa dos entrevistadores convidados, que se contiveram entre a perplexidade e a indignação, foi pobre e frustrante. Em vez da busca da qualidade, da excelência e do equilíbrio na relação entre jovens e adultos com os meios eletrônicos, o que se viu e ouviu foi uma tese que, resumida em uma frase do professor Setzer, considera esses meios “instrumentos fundamentais no processo de degradação completa da dignidade humana”.
Diante desse virtual tiro no pé que infelizmente será confundido com ousadia editorial, cabe perguntar: os responsáveis pelo convite ao entrevistado gostam de televisão ou, como o professor Setzer, só ligam o “aparelho” para assistir o Roda Viva?
Ombudsman TV Cultura
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Comentários
(20:24 @ 14/02/2009) Gabriel disse:
Concordo com Setzer. A TV e Internet são venenos para as crianças. Antigamente as crianças eram crianças e hoje são consumidores de porcarias, sexo e violencia que campeiam nesses principais meios de comunicação.