Parte2
Acampamento coiron -refúgio Dickson
Esse trecho é simples, algo em torno de 3h de caminhada, o único inconveniente fica por conta dos charcos, fique de olho nos troncos, serão uma ajuda para atravessar os pântanos. O refúgio é pago, mas oferece uma boa área gramada para acampamento. Com certeza a maior atração desse refúgio são as montanhas que ficam ao seu redor, belos picos graníticos ao fundo. Olhe bem, por que em poucos dias você estará do outro lado desses picos, no Vale del Francês. Por situar-se cercando a muitos glaciares e algumas passagens para o gelo continental, esse local possui um clima muito influenciado por eles, sendo frio e chuvoso. Em janeiro de 2001 quando estive por lá, ocorreu uma leve nevasca nos picos mais altos.
Parte3
Refúgio dickson - acampamento los perros
A princípio esta trilha tem um desnível acentuado, chegando-se ao alto desta colina, se pode ver o Glaciar Dickson e outras paisagens deslumbrantes. Deste ponto se adentra em um bosque de lengas, onde você saltará mais de 1000 árvores (informações mais recentes de que voltou de lá, dá conta que essas árvores foram cortadas, facilitando a caminhada, mas na minha opinião degradando a natureza.) sendo em alguns pontos algo penoso. Em duas horas encontramos uma bela cachoeira incrustada num pequeno cânion, uma hora e meia mais tarde, sempre subindo o vale, atravessa-se um ponte, mais um pouco e chega-se à moraina do glaciar, siga as marcas laranjas nas pedras, 300m depois encontra-se o acampamento Los Perros já dentro do bosque. O acampamento é um pouco frio, por estar perto do passo Garner, possui uma cabana e um refeitório, sempre cheio de pessoas em busca do calor da lareira improvisada. Aproveite a estadia para dar uma olhada no maravilhoso glaciar Los Perros e no passo John Garner, o próximo obstáculo do circuito.
Parte4
Acampamento Los Perros - acampamento Passo John Garner
Saia cedo para transpor o passo, e se o tempo estiver chuvoso, adie a subida, pois deve estar caindo bastante neve lá em cima. A subida em si não é nada muito exigente, somente a primeira hora é terrível, devido ao monumental charco! Por isso aconselho uma bota impermeável e polainas, ou tire a bota e suba de sandálias, se sente bastante frio com o pé metido na lama, mas pelo menos você não fica com a bota completamente molhada. A trilha começa dentro da área de acampamento, segue subindo o vale por dentro desse pântano, depois de uma ou duas horas se atinge a zona já sem mata e por seguinte seca... é hora de limpar o pé e botar a bota ( pra quem subiu de sandálias), a partir daí começa um tramo muito bonito, em meio à lindos picos e caminhando-se na neve. Ao final da colina, está vencido o passo John Garner, basta descer ao próximo acampamento.
Já ia me esquecendo!..no final do passo você terá uma das mais belas visões de sua vida: o Glaciar Gray em toda a sua magnitude! Fantástica visão; respire fundo! Voltando à trilha, agora é só descer, e descer muito até mais ou menos o nível do glaciar, ficando no acampamento escolhido. Nesse ponto cabe uma explicação, nos mapas do parque não fica claro quanto tempo leva do cume do passo até o “campamento paso”, por isso digo: são 1:30 até o antigo acampamento. (poucos lugares para montar barraca, muito inclinado) e mais 40m até o outro acampamento "paso" , no qual aconselho que fiquem.
Parte5
Acampamento paso - refúgio gray
Nesse dia a caminhada segue pela trilha em direção ao lago Gray, sempre dentro do bosque e beirando o glaciar. Atravessamos vários leitos de rio, muitos escavam barrancos bem altos. Havendo nestas escadas para ajudar na subida. Depois de mais ou menos 4h se chega ao refúgio Gray (é pago).
O local é agradável, bem na margem do lago Gray, muitas pessoas acampadas. Você vai notar que a freqüência de pessoas é diferente, aqui já não são só trekkers acampados, mas há de tudo: pessoas que estão apenas indo conhecer o glaciar e também várias excursões. No refúgio vende-se comida, lanches e um vinho tinto, mas claro que te mostram uma arma! Tudo um roubo monumental.
Parte6
Refúgio Gray- refúgio Pehoe - acampamento Italiano
Ás primeiras horas da caminhada são de subida, se podem ver belas imagens do lago e do glaciar Gray a medida que nos afastamos. Depois de duas horas se chega a quebrada de los vientos, um cânion que vai dar lá em baixo no lago Pehoe. Na beira do lago fica o refúgio de mesmo nome, meio sem nada para ver, e ainda com ventos de furacão por quase todo o dia, horrível para acampar. Daí saem barcos para o outro lado do lago, mas nós seguimos caminho, ainda faltavam 3 horas para o vale francês. Após passarmos pelo Pehoe, começa uma leve subida, lá em cima se podem ver as lindas cores do lago, um magnífico verde esmeralda. Logo os Cuernos estarão a sua frente, são de tirar o fôlego! Caminha-se mais algumas horas e chega-se ao acampamento italiano, bem na entrada do valle del Frances. O acampamento fica logo após a ponte, bem nas margens do rio del Frances. Do acampamento se pode escutar o rugido de algumas avalanches no glaciar Frances. Se o tempo estiver bom, dá pra ver, bem acima do glaciar, o Paine grande, com seus 3050 m. No outro dia a pedida é uma caminhada até o fundo do vale Frances, são três horas subindo o vale, que te darão a oportunidade de admirar o glaciar Frances, os Cuernos e todas as outras montanhas da região, como cabeça de índio e aleta del tiburon. Não perca esta caminhada, é imperdível!
Parte7
Acampamento italiano - acampamento Los Cuernos - refúgio lãs Torres
Depois de caminhar tanto, falta apenas completar a circuito, são mais ou menos 5 h de caminhada, num sobe e desce suave . Em uma hora e meia se chega ao refúgio los cuernos, e com mais um estirão de 3 horas chegamos ao refúgio las torres. Não se espante, aí é a entrada o parque, você não estará mais isolado, carros, e muita gente acampada, infraestrutura, um hotel...aproveite para tomar um banho quente( no banheiro do acampamento) e comprar um delicioso pão, vendido no quiosque perto do hotel. Mas de novo, cuidado, os preços são impressionantemente absurdos, cuidado com a carteira, querem te roubar.
Parte8
Acampamento Torres - Subida das Torres
Após singrar toda a cordilheira Paine com carga pesada às costas, esse dia será de férias para seus ombros...são mais ou menos 3, 4 horas de subida, pelo vale de rio Acensio. O começo da trilha é o mais duro, com 50 minutos de subida bem íngreme, o desnível é acentuado. Vencido esse trecho, se adentra propriamente no vale, a trilha vai beirando a encosta da colina, sendo importante uma certa atenção, pois existem algumas passagens expostas, além de em alguns dias o vento estar muito forte.
Para se ter uma idéia, em janeiro de 98, passando por este local, fui jogado ao chão muitas vezes, ficando receoso de voar lá pra baixo. Então não tenha dúvida, se uma rajada lhe atingir, fique calmo, sente no chão e espere passar.
Após alguns minutos já se pode avistar a bela cabana do acampamento chileno lá no fundo o vale. Após a cabana do Chileno a trilha entra dentro de um bosque de lengas, são subidas e descidas, até chegar-se a base de uma moraina . São mais ou menos 30 min de “trepa trepa” nas pedras, sempre seguindo as marcações laranjas(características de todo o parque), pronto, você está na base das famosas torres del paine, aproveite a magnífica paisagem. Lá em cima em geral faz bastante frio, sendo comum uma chuva gelada (pequenos copos de neve), o vento é rasgante, várias pedras podem servir de abrigo para aquele lanchezinho.
C Dica para os viajantes: Dicas: saia cedo, a chance de ver as torres sem nuvens é maior. Se lá em cima estiver fechado ou meio encoberto, não tenha dúvida em aguardar algumas horas, lembre-se que estamos num lugar especial e você não sabe quando terá a chance de retornar.
Última dica, para ir até a laguna amarga é só esperar o micro ônibus do refúgio que passa pela estrada todas as manhãs, é só mostrar a nota de pagamento do camping e economizar 7km.
Circuito “W”
É um dos mais percorridos por todos que vão a Paine. Demanda de 03 a 05 dias, dependendo do seu ritmo e das condições climáticas.
O seu ponto de partida é na hostelaria Las Torres e a caminhada termina no camping Pehoé, desenhando entre um ponto e outro um “W”, onde no meio está o Valle del Francés.
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Torres del Paine: Circuito W |
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IA 1.
Descida na entrada Laguna Amarga, caminhada até o refugio e camping Las Torres, a partir daqui há duas opções, ou se arma acampamento e sobe-se até a base das torres, via vale do Acensio, com retorno no mesmo dia, ou sobe-se por essa mesma trilha o vale até o refugio chileno (fica mais ou menos no meio do caminho entre o refugio las torres e a base das torres) e, com todo o equipo, acampa-se ali e no outro dia se sobe até a base.
DIA 2 (ou 3 dependendo do itinerário escolhido).
Caminhada desde o refugio Las Torres até o acampamento italiano, bem na entrada do Valle francês, linda caminhada, cruzando rios, avistando lagos espetaculares, e sempre à sombra dos cuernos Del paine.
Pernoite no acampamento italiano.
Dia 3.
Subida do Valle Del francês e retorno ao acampamento italiano, que fica bem na sua entrada. Espetacular caminhada! Vistas de tirar o fôlego, tanto dos cuernos Del Paine, tanto de todas as montanhas que formam um anfiteatro no fundo do Valle, alem do aproprio glaciar, o francês que dá nome ao vale.
Pernoite no acampamento italiano.
DIA 4.
Caminhada até o refugio Gray, bem em baixo das paredes do glaciar de mesmo
nome - durante essa caminhada, duas horas depois da saída do acampamento italiano vc vai passar pelo refugio Pehoé, segue caminho, algo em torno de 4 horas mais de marcha até o Gray. Lindas vistas do glaciar! pode-se avistar ao longe toda a massa de gelo.
Dia 5.
Ou se descansa ai no refugio e acampamento Gray, curtindo o lago, vendo as pedras de gelo boiando... ou retorna-se para o refugio Pehoé, fim da jornada! Agora para voltar para Puerto Natales são duas opções: ou vai de lancha até o Pudeto, que está na beira da estrada e onde você pegará o ônibus (LANCHA CUSTANDO UMA VERDADEIRA FORTUNA!!!!!!!!) ou vai caminhando pelo Sendero de las carreteras(ou algo assim, só olhando o mapa) até o mesmo refugio pudeto...e retorna-se a Puerto Natales.
Em suma, eu reservaria de 6 a 7 dias para poder realmente fazer com calma e curtir sem pressa.
Circuito Torres del Paine
Saindo da portaria Laguna Amarga, o passeio pode ser feito em um dia. Ida e volta. É a melhor opção para quem não tem tempo disponível para ficar no parque, mas não quer sair sem fazer aquele treking.
Siga da Laguna Amarga até Hosteria Las Torres; de lá, cruza-se o Rio Ascencio e caminha por mais umas 04 horas (ritmo rápido), até a base das torres. Daí, é só voltar.
Leve um lanche e cantil. Durante a caminhada, você encontrará campings e refúgios, onde poderá pedir informações ou mesmo dar uma descansada e bater umas fotos.
Nossa Viagem
Inicialmente a idéia era fazer o circuito completo. 10 dias acampando. Mas isso se mostrou inviável, não podíamos dispor de tanto tempo e, mesmo querendo, nosso cronograma já estava atrasado devido aos problemas de transporte que tínhamos enfrentado até chegar em Puerto Natales; decidimos, então, fazer o W. Seriam 05 dias de um fantástico treking.
Paramos na portaria Laguna Amarga, onde todos temos que nos registrar, informar quantos dias iremos passar, qual o tipo de circuito que vamos fazer, etc. Além de pagar, é claro. E lá vão mais CP$ 10.000 cada um (chilenos pagam menos).
Os responsáveis pelos parque Nacionais Chilenos são os guarda parques (os nossos guardas florestais) e o órgão é o CONAF – Corporación Nacional Forestal del Chile. Os guardas são atenciosos. Dão algumas dicas rápidas e as normas do parque (não sair das trilhas, não entrar em cavernas, não alimentar o animais, só acampar em áreas determinadas, etc). Recebemos, também, um mapa de treking do parque. Este, essencial para se orientar dentro do mesmo, embora as trilhas sejam bem sinalizadas.
Depois disso, você vai encontrar um transporte até o ponto principal de início das trilhas. Custa CP$ 2.000 p/p mas te economiza ums 07kms de caminhada. Eu recomendo.
Pegamos a vã, descemos em um abrigo. A partir daí, escolhemos o tipo de trilha que vamos fazer, pois a mesma se divide.
Andamos um pouco e chegamos a hosteria Las Torres. Tem imensa área para camping e várias pessoas acampando.
Armamos a nossa barraca e vamos descansar. A vista impressiona: montanhas altas, com neve no pico. O clima está frio, mas suportável.
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Base das montanhas onde acampamos |
Comemos, e damos um rolé para nos ambientar. Voltamos, e fomos dormir.
Acordamos dispostos e ansiosos para iniciar a primeira perna do W. Sairíamos do Las Torres, até a base das torres que dão nome al parque. Acamparíamos no camping Las Torres.
Com isso em mente, desmontamos tudo e começamos a caminhada. Meu amigo, estava tudo bem até que começamos a subir a montanha. No mapa e nas placas, marcava uma trilha de 04 horas. Acredito que essas 04 horas, seriam sem mochilas, sem peso.
Bem, eu estava com 14kg de peso na mochila (barraca, sacos de dormir, isolantes, roupas, etc). Marta estava com cerca de 09kg (alimentos, fogareiro, panela, etc).
Uma coisa é andar com esse peso em terreno plano; outra é você estar subindo uma montanha, com o vento muito forte vindo contra a sua direção. Nós literalmente, não saíamos do lugar. O vento, fortíssimo, não deixava. O jeito era sentar e esperar o vento passar.
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Na trilha. Olhem como é estreita |
Com o vento e a medida que subíamos, vinha o frio. Outra parada para retirar os casacos e afins. Mochila (um pouco) mais leve, corpo mais pesado. Cada passada era uma tortura. Tinha medo de Marta passar mal com o peso; graças a Deus, se comportou muito bem (fisicamente).
E lá vão 04 horas de caminhada. Estávamos mais perto do topo, mas agora, a neve do cume das montanhas vinha junto com o vento. O frio começou a apertar. E Marta chegou ao seu limite. No meio do nada, começou a chorar. Queria sair de lá, queria ir embora, não queria mais dar nem um passo. Estávamos na metade do caminho, não tinha nada que eu pudesse fazer a não ser convencê-la de que precisávamos continuar caminhando, pelo menos até o camping Chileno, para passar a noite; não dava mais para voltar. Tínhamos que seguir em frente.
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Recuperando o fôlego |
No meio da sua crise emocional, passam velhinhos da melhor idade, com mochilas pesadas também, sorrindo e nos cumprimentando. Aos que vinham no sentido contrário, perguntava a quanto tempo ainda de caminhada até o Chileno (o mais próximo, segundo o mapa). “02, 03 horas”, respondiam.
Marta estava irritadíssima. Não queria continuar, não podíamos voltar. Eu, só podia ficar calmo e esperar ela melhorar.
Com muito custo, convenci a continuar. Estava ficando tarde, não podíamos ficar naquele impasse. Ficar parado não resolveria nada. Nem carro passava por lá.
As trilhas, são estreitas e, não raro, nos encostávamos na parede da montanha, para outro viajante, que vinha na direção contraria, passar. Por isso, aviso que aos que sofrem de labirintite, vertigem, etc. não se arriscar nesse passeio.
Andamos mais umas horas; Marta ainda chora, mas estava mais calma. De longe vejo a fumaça e uma cabana, dessas de madeira que vemos muito em filmes. Era o tal refugio Chileno; graças a Deus.
No fim, tinhamos subido mais de 1.200m de altitude.
Chegamos. Dentro da cabana tinha calefação. Que bom. O frio é muito grande.
Ao entrar, somos atendidos por um chileno, muito mal educado e impaciente; ele informa que o camping é pago: CP$ 5.000 os dois. Pelo que entendi, dava direito a usar a cozinha; mas como o chileno falava muito rápido, tanto em inglês, quanto em espanhol, eu teria entendido errado.
Vamos armar a nossa barraca. Marta vem me ajudar. Ainda está muito abalada emocionalmente; eu fiquei mais tranqüilo, pois pelo menos, agora tínhamos onde ficar e, caso ela precisasse de algo mais urgente, tinha como pedir ajuda.
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Armando a nossa casa no campo |
Barraca armada, sacos abertos, mochilas guardadas, tiro as panelas e a ração e entro na cabana para utilizar a cozinha que, até então, pensava que estava incluída no valor da diária.
O tal chileno não estava; no seu lugar uma outra, mas tão mal educada quanto. Pedi para usar o fogão. Ela perguntou se estávamos hospedados dentro do abrigo ou fora, na área de camping. Respondi e ela falou que a cozinha estava disponível “somente para hóspedes” e que a cozinha para camping, era lá fora ou poderia alugar um fogão se quisesse (também lá fora).
Bem, deixei Marta dentro do abrigo e fui lá para fora cozinhar. Para minha sorte, começa a chover. Eu não sei descrever o que meu corpo sentia. Era muito frio. Bem, arranjei um cantinho, embaixo da pia da lavanderia, onde podia ficar agachado e cozinhar ao mesmo tempo.
A água que saída do cano, era gelada, quase congelada. Demorou um bocado para a água começar a ferver. Enquanto cozinho, tiro as luvas e coloco perto da chama, na esperança de me aquecer. Nisso, passa um vulto correndo por mim. Era um campista chileno, procurando lugar para cozinhar. Ele perguntou se podia cozinhar ali e é claro que eu disse que sim.
Começamos a conversar e tal, trocamos uma idéia e logo, o jantar estava pronto. Prato do dia: macarrão com carne enlatada.
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Amigos chilenos |
Vou no abrigo e chamo Marta para vir comer.
Com certeza vocês já ouviram que toda comida é boa quando estamos com fome. Bem, estávamos com muita fome, mas deixa eu te dizer: foi o pior macarrão que eu comi em minha vida; comemos por pura obrigação porque meu amigo, tava ruim, viu? Imagine aí.
Bem, após o jantar, Marta pede umas roupas para trocar e tal. Vou à barraca e entro no abrigo para entregar as roupas dela. Não sei porque, a tal chilena já estava nos olhando atravessado. Percebi que muitos campistas estavam jantando lá dentro. Cozinharam lá fora, e estavam comendo lá dentro, coisa que nós não fizemos, já que ela estava servindo o jantar.
Marta vai ao banheiro; troca de roupa. Enquanto isso, eu estou lá fora tentando lavar a louça. Sem condições. A água congela as minhas mãos. A sensação é de mil facas, alfinetes, penetrando e saindo na sua mão, repetidamente. É horrível. Ninguém, ninguém me deu a dica de levar luvas de borracha para lavar a louça. No “cru”, te garanto que não dá.
Guardo as panelas sujas mesmo e entro no abrigo. Agora é minha vez de me aquecer. Pois bem, estou sentado, tentando consolar Marta e eis que quem chega: a tal chilena que não sei o nome. E fala, em espanhol, que “iria precisar dos lugares; agora não, mas que iria precisar”.
Me fiz de doido, na esperança de Marta não ter ouvido ou entendido o que ela disse. Para minha falta de sorte, ela entendeu; e começou a chorar.
Aí, meu amigo, eu me esquentei. Levantei com toda a vontade que tinha para dar, no mínimo, uma rasteira na chilena.
Tinham vários campistas lá dentro, porque implicou conosco? Tomei ar e, quando estava indo para cima dela para dizer tudo, menos que ela era bonita (e não era mesmo), Marta me segura: “Deixe para lá”. Deixar pra lá!? Deixar pra lá!?
Quem me conhece sabe:sou o cara mais calmo do mundo, mas não pise nos meus calos, não fale mal de meus entes pelas costas e, principalmente, não ignore os meus direitos.
Como Marta já estava com o emocional abalado, resolvi não criar confusão. Mas também não saí. Fiquei esperando ela se atrever a vir me tirar, coisa que ela não fez. Se viesse o tempo ia fechar.
Este foi o nosso segundo susto nesta expedição.
Deu a hora de dormir. Fomos para a nossa barraca. Quando abrimos o saco, que era para -15ºC, a surpresa. O saco estava gelado!!! E não deu conta. Tirei a bota, tirei a meia para colocar uma mais grossa. Nesse ínterim, a meia que eu estava usando, que deixei coisa de 30s no ambiente, praticamente congelou. O frio estava muito grande. Não conseguimos dormir direito; aliás, não conseguimos dormir. Lá para as tantas, começou a cair uma chuva de granizo. Granizo bem fininho, mas caiu.
A temperatura era entre -4Cº a -8ºC daí para menos. Estava muito frio.
Amanheceu. Levantamos. Ora do café. Marta nem queria tomar café, estava com pressa para desmontar tudo e voltar para casa. Bem, muitos dos campistas já tinham se levantado e seguido viagem. Eu, vou entrando no abrigo para escovar meus dentes e usar o banheiro. Quem está na porta? (Dou 01 dólar para quem responder): Claro, a chilena. Que me diz que o banheiro estava cerrado. Dou uma leve empurrada nela, tipo, sai da frente, ela vai para a frente da porta e diz: closed.