Familia Murdock: Chegamos ao Fim do Mundo
16:55 @ 14/06/2006
Família Murdock – Estamos no Fim do Mundo
Ola amigos, como vão???
Chegamos, finalmente, ao fim do mundo.
Ushuaia é o ponto mais austral (ao sul) do mundo; por isso recebeu o apelido de El Fin Del Mundo. A cidade pertence à Argentina e é a capital do distrito de Tierra Del Fuego.
Tem pouco mais de 50 mil habitantes e fica em uma península, só se podendo chegar através de barco, ou avião. Claro, os que vem de carro ou ônibus, tem a opção de cruzar o estreito de Magalhães (que separa a península do resto do continente), via um Ferry Boat.
Historia
A cidade de Ushuaia foi fundada em 04 de outubro de 1884, ao noroeste do Canal de Beagle. Cercada pelos montes Martial e Olívia, tem um único e pequeno aeroporto inaugurado em 1999.
Seu porto é o segundo em movimento na Argentina e em movimento de containeres, além de ser o principal ponto de partida para navios de excursão e pesquisa à Antártida.
Durante a década de 70, a lei 19.640 de promoção industrial favorecia a instalação de empresas. Com isso, muitos argentinos migraram para Ushuaia atraídos pelas oportunidades de trabalho.
Entre as atividades econômicas, se destacam as relacionadas com recursos naturais, como pescados e turismo.
FICHA TÉCNICA
Ushuaia: Capital da provincia argentina de Tierra del Fuego.
Veja no Mapa: Mapa Ushuaia
População: 50.000 habitantes. (aprox)
Localizada a 3.063 km. de Buenos Aires.
Limita-se ao leste e ao sul com o mar argentino; encontra-se separada de varias ilhas chilenas pelo canal de Beagle.
O clima é sumamente frio, com invernos mais ainda.
Vegetação rasteira com numerosos pastos.
Saímos do nosso hostel, por volta das 03:00hs da manhã, em direção ao aeroporto doméstico. Pegamos um táxi comum. Quando chegamos no aeroporto, a fila estava imensa. Nosso vôo sairia as 05:00h e, confesso, fiquei receioso de perder o vôo, tamanha era a fila.
No aeroporto, muitos mochileiros, alguns procurando passagens de ultima hora. Coitados. Tiveram a desagradável noticia de que os vôos estavam lotados. Eu já falei que viajar na Argentina de avião é muito barato??? Bem, é. E por isso, é difícil conseguir passagens, às vezes. No nosso caso, queríamos comprar as passagens para a quarta, mas só conseguimos para a quinta. Graças ao nosso guia Lizandro; se não, nem sei como teria sido.
Ele reservou para nós pelas Aerolineas Argentinas. Custaram 300,00 pesos cada uma, de Buenos Aires para Ushuaia, somente ida.
Finalmente, fizemos o check-in. Nos dirigíamos ao salão de embarque quando somos abordados pelos federales (algo como a nossa polícia federal). Pediram nossos documentos, passaporte, etc, sem dar nenhuma explicação.
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Para Ushuaia |
Mostramos tudo e liberaram a gente. Até hoje, não sei o porque disso.
Finalmente decolamos. A essa altura já eram 06:00hs. A viagem estava transcorrendo normalmente, até que uma criança, dentro do avião, abre o berreiro. Aparentemente com dor de ouvido.
Só sei que essa dor de ouvido foi até o fim da viagem. Foram 04:30 de dor de ouvido. Eu já estava com meus ouvidos doendo. E Fofinha, não conseguia dormir; aliás, ninguém conseguia.
Como se não bastasse isso, na hora do lanche, a aeromoça derruba refrigerante em cima de mim. Toda desconcertada ele vem com um monte de guardanapo limpar o refrigerante no meu colo (é duro ser gostoso!!!). Mas da. Fofinha, rapidamente toma o monte de guardanapo das mãos da aeromoça e assume a responsabilidade.
Olhando pela janela, mistura-se o medo e a contemplação. Passamos horas voando por cima de um imenso tapete azul; realmente muito lindo.
Quando pousamos, já vimos montanhas cheias de neve; a primeira vez que vemos neve. É indescritível.
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Ta vendo aquela casinha azul? É o aeroporto!!! |
O aeroporto de Ushuaia é muito pequeno. Mas é proporcional a cidade,com certeza.
Quando chegamos, mais um contratempo. Todos, sem exceção, tem as suas bagagens revistadas pela polícia sanitária. Frutas “in natura”, e outros tipos de alimentos, plantas, etc, tem sua entrada proibida na cidade. Se encontrarem alguma coisa, vai para o lixo na mesma hora; mas não se preocupe, você não vai preso por isso. JJJ
Antes de viajarmos, tivemos o cuidado de pesquisar “onde ficar” nos lugares em que tínhamos as passagens confirmadas, a fazer as reservas com antecedência; o que foi a nossa sorte, em Ushuaia.
Chegamos na época de altíssima estação e a cidade estava completamente lotada. Como nós já tínhamos feito a reserva, para nós não foi problema; porém, não conseguimos hostels e ficamos em um apart hotel, o Patagônia Sur. http://www.patagoniasurweb.com.ar/ Muito bom,por sinal. Tarifa de 150 pesos por dia. Algo como 50 dólares.
C Dica para os viajantes: A secretária de turismo de Ushuaia, no seu site, disponibiliza uma lista de todos os hostels, hotéis e apart hotéis, licenciados, bem como uma breve descrição dos serviços e a tarifa. De uma checada em:
http://www.e-ushuaia.com/servicios/alojamiento.htm
Após deixarmos as coisas no apart, chamamos um remis e fomos bater perna pela cidade.
Logo nos primeiros metros, a idéia de um povoado indígena, com pouquíssima estrutura, e de lugar inóspito, caiu por terra.
Para o Fim do Mundo, Ushuaia é uma cidade muito desenvolvida. Bons restaurantes, boa gente, e hotéis imensos, localizados nas montanhas geladas.
No centro, na av San Martin, ficam as principais lojas e restaurantes. As coisas lá já não são tão baratas como Buenos Aires, nem poderiam, afinal, é muito difícil chegar às coisas. Mas não chega a ser um absurdo de caro. Artigos eletrônicos, não são os mais baratos, mas a cidade, por estar em uma zona franca, consegue-se comprar coisas baratas. A minha dica é seguir para o dutty free, na av. principal, próximo ao Banco de La Nacion Argentina.
Whiskie, vinhos e alguns eletrônicos, encontramos barato. Mas, barato mesmo era roupas de frio (polares) e de couro; como nosso clima não favorece, acabamos sem comprar nenhum. Mas são muito bonitos.
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Para onde devo ir??? |
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Em Ushuaia, tudo gira em torno deles |
Seguindo pela San Martin, fomos até o Museu Presídio de Ushuaia. Ponto turístico muito visitado na cidade.
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Daí, ficamos por ali, dando um role... Até chegarmos na baía de Ushuaia. Gente, que coisa linda. E os navios chegando, cada um mais imponente que o outro. O Queen Mary 2, havia saído de lá há alguns dias. Olha, deu vontade de entrar nos transatlânticos...
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Contemplando a Baia de Ushuaia |
O sol ainda estava alto, nós já tínhamos rodado o centro todo, e a fomo bateu violenta. Não havíamos almoçado ainda e, quando olhei no relógio, um susto: eram 20:30. E o sol, nem fazia menção de querer descer. Daí entendemos a fome. E almoço que não tinha mais em lugar algum? O jeito foi jantar: pizza. Alias, a pizza Argentina, eu não sei se foi o lugar que não acertamos, mas tanto em Buenos Aires, como em Ushuaia, a pizza era horrível. Muito oleosa.
Voltamos para no nosso hostel, dessa vez de ônibus. Por ser uma cidade pequena, é fácil pegar ônibus. Aliás, ônibus grande não tem. Só micro-ônibus. E são somente 03 linhas na cidade (daí você tira o tamanho).
Nesse ônibus, não tivemos trauma. O motorista é o cobrador. Então, não tinha maquineta pedindo moeda, nem nada; melhor.
A noite, ficamos no apart. Como falei, não costumamos sair a noite. Mas a cidade é muito tranqüila.
No dia seguinte, foi o dia de conhecer o Trem Del Fim do Mundo.
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Entrada da Estação |
Este trem, originalmente era o responsável pelo transporte de prisioneiros da cidade, até o ponto onde eles faziam trabalhos forçados. Hoje, tem fins turísticos.
Fofinha com o maquinista Recepção regada ao legítimo tando argentino
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O trem sai da estação do fim do mundo, a uns 08kms do centro de Ushuaia. Não tem ônibus de linha; tem que pegar táxi ou remis (depois explico a diferença).
O trem passa por dentro do parque nacional Tierra Del Fuego, sendo a sua última parada, ainda dentro do parque. Devido a isso, somos obrigados a pagar, além do passeio no trem, P$ 35,00 (com direito à volta no trem), a entrada no parque; P$ 20,00 por pessoa.
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Locomotiva do Fim do Mundo. Igualzinha a de Bento Gonçalves... |
O passeio em si deixou muito a desejar. Apenas pelo seu contexto histórico, valeria a pena fazê-lo.
Na minha opinião, conheça a estação, que é muito bonita, bata umas fotos e siga para o parque de taxi; você aproveita muito mais e ainda economiza uns trocados.
Como pegamos o trem da tarde, não tínhamos como deixar para conhecer o parque nacional outro dia; afinal, já estava pago...
O Parque Nacional Tierra Del Fuego é um gigantesco parque fundado em 1.960 com 63.000 hectares no extremo austral da Cordilheira dos Andes, com muito gelo, neve, lagos, imensos morros e vegetação. Um conjunto perfeito que compõe paisagens maravilhosas com variadas atrações. As estradinhas no interior do parque são charmosas, e mudam os cenarios a cada metro. Fomos diretamente para Lapataia, onde termina a Ruta 3, KM 3.063, o verdadeiro "fin del mundo", último local que se pode chegar por terra no extremo sul do continente americano, pra frente somente águas geladas e a Antártida
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Mapa do parque: escolhendo a trilha |
O parque é cheio de trilhas devidamente demarcadas; todas tem seu grau de dificuldade e tempo de duração informado no mapa.
Como queria aproveitar ao máximo, pegamos a trilha La Constañera; grau de dificuldade: avançado e duração de 04horas.
Não tem como descrever o que vimos; Laguna Negra (Lagoa), Mirador Lapataia (Mirante da Bahia), Del Turbal, Castorera (Castores), Bahia Enseada e Laguna Roca (Lagoa).
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Fim da linha... dai para baixo, so de barco. |
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Pausa para recuperar o folego; nao devido ao cansaço... |
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Durante a triha, olha o que encontramos... |
É verdadeiramente bonito.
Para voltar, pegamos uma van de volta para o centro (20kms). Prepare o bolso, que é caro. Marcamos bobeira nesse ponto e deveríamos ter marcado com algum taxista... fica a lição.
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Ultimo ponto da trilha... Pegamos transporte de volta |
Bem, chegamos mortos de cansados, mas ainda deu para ir ao centro tomar um bom sorvete de calafate.
O calafate é uma frutinha, parecida com ameixa, que só dá nessa região; muito gostosa e apreciada pelos fuelguinos, ela da em arbustos; quando fazíamos a trilha, passamos por muitos “pés” de calafate.
Segundo a lenda, quem como calafate, volta para Ushuaia para comer de novo. Bem, se é por causa do fruto, eu não sei, mas que ainda iremos voltar a Ushuaia, isso com certeza.
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Olha o calafate aí |
Voltamos para “casa”; isso, já eram 22:00hs e o sol estava se pondo. No verão, temos 17:00hs aprox. de sol; e no inverno, 07:00hs (aprox).
Bem, vou dando uma pausa...
Tem muita coisa para falar e pouco tempo para escrever.
Abs
Rômulo Murdock
FORCA SEMPRE
In God we trust!

