Grupos

 

Rev. Ashbell Simonton Rédua

asredua@yahoo.com.br

 

 

Ultimamente tenho pregado em algumas igrejas em que o serviço de cânticos é realmente caótico. Há poucos meses atrás, preguei em uma igreja na qual o líder do louvor manipulava os cânticos e os instrumentos de uma forma bastante habilidosa, de forma a levar a Igreja a uma experiência extática. Durante o cântico, alguns membros ficavam levantando de seus assentos e gritando "Aleluia", "Oh, Senhor" e "Louvado seja o Senhor". Ao final do momento de cânticos, que durou 45 minutos, o líder do louvor e aqueles que mais estivera gritando estavam suados e exaustos. Pouco tempo depois que comecei a pregar, eles estavam dormindo.

 

Depois do culto, o pastor, pediu-me desculpas pela balburdia de ruídos do período de cânticos. Ele me explicou que alguns membros vinham à igreja para experimentar um excitamento "espiritual" durante o serviço de cânticos. Se fossem destituídos de tal experiência, não viriam à igreja. Sorrindo, o pastor acrescentou: "Eu os deixo liberar sua emoções reprimidas durante o serviço de cânticos, de maneira que possam estar calmos e relaxados durante o meu sermão." Muito provavelmente a estimulação física do serviço de cânticos os levava a cair em um sono "espiritual" durante o culto divino.

 

O desafio que muitos pastores enfrentam hoje é o de revitalizar a experiência de adoração de suas Igrejas, sem encorajar a balburdia de ruídos. É um desafio árduo, porque na maioria das Igrejas há duas orientações principais.

 

(1º) Há alguns membros que se opõe categoricamente a qualquer música contemporânea, algumas das quais podem contribuir positivamente para a experiência de adoração. Eles querem se restringir ao velho hinário.

 

(2º) Existem aqueles que crêem que o hinário está obsoleto. Querem cantar canções modernas, com um ritmo acentuado, que os faz sentir como se estivessem dançando.

 

Durante os últimos anos tem havido uma gradual alteração, de adorar a Deus através da proclamação da Sua Palavra para adorar a Deus através de sentimentos e experiências pessoais. Esta mudança de um estilo de adoração intelectual de adoração emocional reflete a evolução histórica da compreenção de Deus. No decorrer da história cristã houve uma alteração gradual da compreensão transcendental de "Deus além de nós", que prevaleceu durante o período medieval, para a concepção de imanente de "Deus por nós", que foi enfatizada durante a Reforma no século XVI, e para a percepção de "Deus em nós", popularizada do século XVII até os nossos dias.

 

A evolução histórica da adoração durante o curso da história cristã, passando de intelectual para emocional, ensina-nos a importância de mantermos uma compreensão correta de Deus e Sua revelação. Na Escritura, Deus revelou a Si próprio como sendo tanto transcendente quanto imanente, além de nós e dentro de nós. Estas duas dimensões da auto-revelação de Deus devem ser mantidas em seu equilíbrio apropriado, de forma a assegurar uma experiência religiosa e uma música na igreja que sejam saudáveis.

 

A forma como adoramos a Deus é o reflexo da nossa compreensão de Deus. O estilo de adoração carismática, emocional, reflete a alteração do conceito "Deus além de nós" para "Deus em nós". O resultado desta alteração é que Deus é rebaixado ao nível humano, de modo que as pessoas possam interagir mais prontamente com Ele.

 

A mudança para uma adoração emocional a Deus se deve em parte à influência carismática. O Movimento Pentecostal enfatizando a obra e os dons do Espírito Santo, e especialmente o profetizar em revelação espontânea e o falar em línguas, mudou-se o enfoque do conhecimento de Deus através de Sua Palavra, para o conhecimento de Deus através da experiência. Isto, por sua vez, mudou o enfoque do pensamento para o sentimento, de forma que, para muitos cristãos, sua experiência tornou-se a medida da verdade, tanto quanto a certeza da Palavra da Verdade.... A busca atual por uma experiência de adoração carismática, especialmente através da música, pode ser traçada até as primeiras músicas Pentecostais do século XIX, as quais, normalmente, ocupavam dois terços do culto de adoração. "O cantar intenso era, geralmente, acompanhado pelo dedilhado das guitarras, a batida rítmica de pandeiros e tambores, e o ressoar dos metais conforme os novos convertidos traziam seus instrumentos dos grupos de dança recém-abandonados para a casa de adoração. Coros repetitivos com melodias de origem secular, juntamente com coreografia, tudo isto era utilizado para produzir um excitamento emocional em lugar da compreensão intelectual das verdades bíblicas.

 

Em Daniel 3, por duas vezes, há uma longa lista dos diferentes instrumentos musicais usados para produzir "todo tipo de música" (Daniel 3:7,10). Esta música eclética foi tocada para induzir as pessoas à adoração da imagem de ouro. Poderia ser que, assim como na Babilônia antiga, Satanás esteja hoje usando "todo tipo de música" para levar o mundo a uma falsa adoração no tempo do fim, da "besta e de sua imagem" (Apocalipse 14:9)? Poderia ser que um golpe de mestre Satânico escreveria canções gospel que contivessem elementos de todos os gostos de música: música folclórica, jazz, rock, discoteca, country-western, rap, calypso, etc? Poderia ser que muitos cristãos cheguem a amar a estes tipos de canções gospel, porque elas se parecem em muito com a música da Babilônia?

 

Esta não seria a primeira vez na Bíblia que a música aparece conectada à falsa adoração. No pé do Monte Sinai a música e a dança estiveram envolvidas na adoração do bezerro de ouro (Êxodo 32:19). Na planície de Moabe, próximo à Terra Prometida, os israelitas foram "atraídos pela música e dança" para uma terrível apostasia (Números 25:1-2) Eles foram induzidos pela música a participarem na adoração pagã - algo que eles poderiam ter resistido sob outras circunstâncias.

 

Aqueles que raciocinam de que não há nada de errado com a adoração carismática na igreja, podem estar se condicionando a aceitarem a falsa adoração promovida por Babilônia. Satanás tem suas próprias canções para promover a falsa adoração no tempo do fim. Será que, pela adoção da música da Babilônia, alguns perderão a chance de cantar o Novo Cântico de Moisés e do Cordeiro? Que esta pergunta possa ressoar em nossa consciência e nos desafiar a adorar a Deus de acordo com as Suas determinações.

 

Que o Senhor tenha misericórida de nós e nos abençoe!

 

BATISMO...ESPÍRITO SANTO

08:57 @ 30/04/2008

Rev. Ashbell Simonton Rédua

asredua@yahoo.com.br

 

 

Há não somente entre os crentes simples da minha denominação, mas também entre pastores e até em alguns de nossos abalizados mestres, um receio perigoso a respeito da doutrina do Espírito Santo, principalmente em alguns dos seus aspectos de maior relevo, de maior importância.

 

Estudando o tema relacionado do Batismo (...+) o Espírito Santo, chequei a uma conclusão:

 

1º) Que existe muita confusão no seio da Igreja sobre o assunto; gerado pela falta de conhecimento;

 

2º)  Há uma tendência ao Pentecostalismo quando se fala sobre o assunto;

 

3º) Há uma das três formas aparecidas nas Igrejas, como se fosse uma só, tais como: Batismo no Espírito Santo; Batismo do Espírito Santo e Batismo com o Espírito Santo.

 

Quando se fala, por exemplo, em Batismo no Espírito Santo, muitos de nossos irmãos tremem, agitam-se, perturbam-se, pela simples razão de que os pentecostistas vivem a falar neste aspecto da doutrina bíblica. Ora, nós não devemos temer nada do que se acha na Bíblia. Entregar aos pentecostistas, simplesmente pelo medo, o importante assunto da Bíblia, como seja o Batismo no Espírito Santo, parece-me incongruente e muito prejudicial.

 

É necessário que nossos professores desenvolva estes três aspectos, para que possamos entender a Doutrina de forma coerente e dinâmica, como apresenta as Escrituras. Não podemos de forma alguma unir estas três expressões, para não corrermos em erro Hermenêutico, conhecido como Inferência Bíblica.

 

 Ser batizado no Espírito significa experimentar a plenitude do Espírito, (cf. 1.5; 2.4). Este batismo teria lugar somente a partir do dia de Pentecostes. Quanto aos que foram cheios do Espírito Santo antes do dia de Pentecostes (e.g. Lc 1.15,67), Lucas não emprega a expressão “batizados no Espírito Santo”. Este evento só ocorreria depois da ascensão de Cristo (1.2-5; Lc 24.49-51, Jo 16.7-14). O batismo no Espírito é para todos que professam sua fé em Cristo; que nasceram de novo, e, assim, receberam o Espírito Santo para neles habitar.

 

Ser Batizado com o Espírito Santo significa ser convertido. Não se exclui, obviamente, a exortação bíblica de que devemos buscar constantemente a plenitude do Espírito, ou seja o enchimento com o Espírito, que é a submissão progressiva à direção do Espírito. O pentecostalismo clássico defende a doutrina do batismo com o Espírito Santo como uma segunda, subseqüente e definitiva experiência. Quer dizer que a primeira experiência é a conversão, não suficiente, por isso exige-se uma segunda experiência, qual seja a experiência do batismo com o Espírito Santo. Essa experiência, afirmam, deve ser buscada intensamente através de oração, vigílias, jejuns e clamores. A evidência clássica de que alguém foi batizado seria então uma experiência de profunda comoção emocional, seguida do falar em línguas estranhas ininteligíveis (glossolalia).

 

Batismo do Espírito Santo significa mas uma ação do Espírito Santo de infusão e profusão. Essa infusão só tem como objetivo aflorar (despertar) os dons do Espírito Santo colocados em nós no Batismo com o Espírito Santo. Ignorar os dons espirituais é desconhecê-los. Desconhecê-los no sentido de não exercitá-los, ou mesmo no sentido de não ter qualquer informação sobre sua origem, intensidade e utilidade. Ignorar pode também significar falta de discernimento espiritual.

Concluindo afirmo que atribuir ao Espírito Santo coisas e fenômenos da própria mente emocionada ou desequilibrada não é bíblico. Atribuir ao Espírito Santo coisas que não edificam e nem promovem a paz, no caso "os fenômenos" das religiões de mistério, é falta de discernimento espiritual, o qual é necessário para não confundirmos nem sermos confundidos. Precisamos de discernimento para buscar com zelo os melhores dons. Precisamos de discernimento para não confundir barulho com louvor, entusiasmo com consagração constante, emocionalismo com o verdadeiro quebrantamento espiritual; precisamos de critério para, não confundir manifestações externas, não raro mecânicas e estereotipadas, com comunicação íntima, com fé firme, fé inabalável; precisamos ser pessoas lúcidas, pessoas sempre abundantes em fruto e na obra do Senhor. Não se pode dar crédito a todo e qualquer espírito. Nem toda a manifestação é realmente espiritual. Nem todo o que diz estar falando pelo Espírito, o está de fato. Por isso vos faço compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus afirma: anátema Jesus. E por outro lado, ninguém pode dizer: Senhor Jesus, senão pelo Espírito Santo (2 Co 12.3).

                Que Deus vós abençoe!

 

Rev. Ashbell Simonton Rédua

asredua@yahoo.com.br

 

 

           

            A Palavra de Deus insiste conosco quanto à necessidade que temos de orar,  já que a oração foi instituída e é ensinada por Deus por nossa causa, para o nosso bem, não por alguma carência no ser de Deus. Aliás, os preceitos de Deus não visam simplesmente satisfazê-Lo, mas, sim, propor caminhos para o homem, os quais ele, seguindo, será feliz e Deus será glorificado. Deus é glorificado através da obediência do Seu povo e somente assim  o homem pode encontrar o sentido da vida e da eternidade. “Deus só é corretamente servido quando Sua Lei for obedecida.”

 

            No Novo Testamento, Jesus Cristo enfatizou a necessidade dos seus discípulos orarem, sendo Ele mesmo um modelo de oração para todos nós. Todavia, deve ser ressaltado que Jesus não exercitava a oração apenas para ser um exemplo para nós, antes “a oração foi, em algum sentido misterioso, uma parte necessária de Sua vida ministerial.”

 

            No texto de Mateus 6.5-15, Jesus combate algumas práticas erradas de oração e apresenta princípios que devem nortear a oração cristã. Como a Bíblia – a Palavra de Deus – é o nosso manual de oração, precisamos aprender com ela como devemos orar, através dos ensinamentos de Cristo. A Oração do Senhor se constitui num modelo de oração para toda a Igreja em todos os tempos; através de seu estudo, podemos, mediante a iluminação do Espírito Santo, aprender uma série de princípios e orientações que devem nos guiar na escola da oração. Estudaremos a Oração Dominical, sob a perspectiva de três temas principais.  Devemos considerar também que Deus deseja que oremos com intensidade e integridade, não permitindo que as distrações de nossa mente nos afastem deste propósito santo.

 

            Na Oração do Senhor – “que é a oração representativa de todas” –,  encontramos um “roteiro”, no qual o Senhor Jesus “nos propôs tudo quanto dEle é lícito buscar, tudo quanto conduz ao nosso benefício, tudo quanto é necessário suplicar”. Acontece que, na prática, este privilégio só pode ser exercitado após termos aprendido, de forma vivencial, que tudo que é-nos necessário está em Deus.

 

1) Dirigida ao Pai (Mt 6.6,9): A Palavra de Deus nos ensina que a nossa oração deve ser dirigida ao Pai. Em nossas orações devemos aprender logo de início que estamos falando com o nosso Pai; o nosso Deus é Pai, de quem podemos nos aproximar com confiante amor, certos de que Ele está atento ao nosso clamor. "O Pai está sempre à disposição de seus filhos e nunca está preocupado demais que não possa ouvir o que eles têm a dizer. Esta é a base da oração cristã."

 

            2) Sincera (Mt 6.5-6): Os judeus tinham as suas horas certas de oração. Muitos cumpriam estes horários com coração sincero; contudo, outros se dirigiam à Sinagoga ou ao Templo, procurando estar justamente nestes horários nas praças, ou ruas de grande movimento, onde passavam pessoas em todas as direções, a fim de que quando desse a hora de oração, eles pudessem parar onde estavam e começassem a recitar as suas preces em voz alta, como se não tivesse dado tempo de chegar à Sinagoga. Vendiam a imagem de grande piedade e consagração, sendo respeitados por todos aqueles que não conseguiam interpretar corretamente as suas motivações.

            Jesus faz referência a estes homens que queriam ser considerados como consagrados e santos, mas que na realidade eram “hipócritas” (ator, intérprete), que gostavam de ser vistos, admirados e reverenciados. A palavra usada por Jesus em Mt 6.5 para “praça” é [Plate/ia  (“plateia”) = “estrada larga”, “rua”, “caminho”  (Vd. Lc 14.21; At 5.15).

 

            Jesus não estava condenando a oração pública, nem a oração individual feita em lugar público. Jesus recriminava, as orações privadas (mais íntimas), feitas em lugares públicos, as quais tinham motivações não dignas, pois objetivavam ter uma platéia para que pudesse ouvi-las e aplaudir aqueles “consagrados homens”. Portanto, a questão aqui não é propriamente o lugar, mas sim a sinceridade do coração do suplicante.

 

3) Objetiva (Mt 6.6-8): Jesus também nos ensina a não usarmos em nossas orações de ”vãs repetições” A expressão usada por Cristo, significando “falar sem sentido”, “balbuciar”, “repetir palavras ou sons inarticulados”, “falar sem pensar”,  “falar futilmente”, “gaguejar”, “dizer sempre a mesma coisa”, “tagarelar”, “uma repetição supérflua e exagerada”, “repetir uma fórmula muitas vezes”, etc.

 

A referência de Jesus é direta e intencional aos gentios: “E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios...” (Mt 6.7). Os pagãos criam que as repetições contribuíam para pressionar os seus deuses a conceder-lhes favores. Ao que parece, era esta crença que estimulou os profetas de baal a permanecerem durante horas orando ao seu deus sem serem respondidos (Vd. 1 Rs 18). Do mesmo modo, os efésios indignados com a pregação cristã, gritaram por quase duas horas: “Grande é a Diana dos efésios!” (At 19.34). De modo semelhante procedem os católicos romanos com suas repetições do “Pai Nosso” e “ave-maria”.

 

4) Reverente (Mt 6.9):  No verso 9, Jesus apresenta um forte contraste com a prática condenada, como que dizendo: “Vós, porém, como meus discípulos deveis orar assim....”. Jesus, ensina os seus discípulos a iniciar a oração com a meditação da glória de Deus. Aparentemente simples, na prática, nos parece uma dura e disciplinadora lição. Procuramos Deus nos limites de nossas forças, confessando de forma contundente a nossa limitação; no entanto, Jesus Cristo nos desafia a esquecer as nossas questões, os nossos problemas, e a conduzir os nossos olhos para a glória de Deus... “Antes de começarmos a pensar em nós mesmos e em nossas próprias necessidades, antes de nossa preocupação com o próximo, devemos começar nossas orações por esse grande interesse acerca do Senhor Deus, de Sua honra, de Sua glória”.

 

            Jesus quer nos educar de tal forma, que tenhamos em tudo, a começar pela oração. Ele nos mostra que por mais sérios e graves que sejam os nossos problemas e preocupações, Deus deve ter a primazia. “Somente quando se dá a Deus seu lugar próprio tudo o mais passa a ocupar o lugar que lhe corresponde”. Nesta oração, encontramos uma demonstração prática do ensino de Jesus: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas cousas vos serão acrescentadas” (Mt 6.33).

 

É impossível louvar a Deus sem que sejamos tomados de um reverente temor diante da Sua grandeza. “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; revelam prudência todos os que a praticam. O seu louvor permanece para sempre” (Sl 111.10).

 

5) Submissa (Mt 6.10): A oração não é uma tentativa de mudar a vontade de Deus, mas sim a manifestação sincera do nosso desejo de submeter-Lhe os nossos projetos, aspirações, sonhos e necessidades... “A oração, quando é autêntica, sempre é um intento de submeter nossos desejos à vontade de Deus. Esta submissão não é algo simplesmente aprendido pela razão, embora mesmo racionalmente temos argumentos para assim proceder, pelo fato de sabermos que Deus é sábio, bondoso e onisciente. “Somente o Espírito pode capacitar-nos a subordinar todos os nossos desejos à glória divina”. A submissão a Deus é um aprendizado da fé, através de nossa comunhão com Ele.

 

6) Confessante (Mt 6.12):  Ao orarmos reconhecendo a glória de Deus; a honra que devemos tributar à Sua pessoa, somos conduzidos naturalmente a olharmos para nós mesmos; e neste ato, temos uma nítida visão do nosso pecado. Esta foi a experiência de Isaías diante da majestosa visão de Deus (Vd. Is 6.1-5). “A visão do Rei divino humilhou Isaías até ao pó, porque o levou a ver sua própria insignificância”. “Nada há de melhor, para desenvolver esse santo temor, do que o reconhecimento da soberana majestade de Deus”.

    

A contemplação da majestade de Deus e o reconhecimento do nosso pecado nos levam a confessá-lo a Deus, rogando-Lhe perdão. E o fato é que todos nós somos pecadores.Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós” (1 Jo 1.9). O perdão de Deus é o princípio fundamental para o nosso relacionamento com Ele. Sem o Seu perdão, como poderemos orar? Por isso, precisamos iniciar com o perdão; todos nós carecemos da consciência do perdão de Deus.

 

            Na Oração do “Pai Nosso”, a palavra empregada para “dívida” refere-se a uma dívida pendente que precisa ser paga e ao mesmo tempo assinala que não dispomos de recursos para fazê-lo. Calvino comenta o emprego do termo “dívida” para se referir aos nossos pecados, dizendo:

           

“Aos pecados, porém, Cristo designa de dívidas, porque lhes devemos a pena, nem poderíamos de qualquer modo satisfazê-la, a menos que fôssemos desobrigados por esta remissão, que é um perdão de Sua gratuita misericórdia, quando Ele próprio generosamente expunge estas dívidas, nenhum pagamento de nós recebendo; pelo contrário, de Sua própria misericórdia a Si satisfazendo em Cristo, Que a Si Mesmo Se entregou, uma vez em compensação (Rm 3.24).”

 

7) Suplicante (Mt 6.10-13): Uma das coisas que mais fazemos, quando oramos, é pedir, rogar, suplicar algo a Deus. De fato, orar é abrir o nosso coração a Jesus, expondo-Lhe nossas carências, angustias, temores, frustrações, projetos... Sabemos, contudo, que orar não é apenas pedir mas, também, interceder, agradecer, louvar, confessar, adorar. Todavia, a súplica é-nos ensinada na Palavra de Deus e, aqui, na oração do “Pai Nosso”, além de adoração e confissão, encontramos também súplica.

   

 Na súplica devemos ter sempre patente em nossos corações as promessas de Deus: Tudo quanto Deus prometeu deve ser o alvo de nossas petições; nem mais nem menos.

   

 No exercício da oração somos educados a moderar os nossos desejos, visto que os colocamos diante do Deus Santo. O sentido é o seguinte: Temos uma relação filial de confiança com o nosso Deus, expomo-Lhe  a consciência de nossas carências. Todavia, como bem sabemos, nos dirigimos ao Senhor da glória, a Quem fica bem o reverente temor e adoração. Deste modo, somos estimulados a santificar os nossos desejos, rogando a Deus que eduque a nossa mente, as nossas emoções e a nossa vontade; somente assim, poderemos orar: “seja feita a Tua vontade”.

Amém.

 

EVANGELISMO FAMILIAR

09:12 @ 30/04/2008

 

COMO GANHAR UM CÔNJUGE QUE NÃO CRÊ NO SENHOR

 

 

- Ser uma fonte de estímulo emocional e espiritual para o cônjuge que não crê, lutando para não julgar seu comportamento, mas oferecendo-lhe regularmente elogios e palavras de ânimo.

- Dar um exemplo sincero de fé e da graça de Deus, vivendo com honestidade sua crença evangélica diante de seu cônjuge...Reconhecendo suas debilidades e faltas, e sua necessidade de melhora.

 - Compartilhar com seu cônjuge sobre o perdão e contínuo reavivamento que encontra em Cristo.  Tudo o que têm aprendido na sua relação com Cristo faça melhor sua experiência matrimonial.

- Fazer esforços extras para identificar e enfatizar as coisas que você e seu cônjuge tem em comum.  Buscar os pontos em que concordam.

- Participar alegremente em todos os aspectos possíveis da vida de seu cônjuge sem comprometer seus princípios.

- Descobrir juntos novas atividades e amizades para substituir aquelas que foram deixadas atrás por causa de sua fé, dando-se conta que a força do vínculo de amor que os une é o mais importante para ganhar seu(ua) amado(a) para Cristo.

- Ao fazer amizades na igreja, convide homens para que sejam amigos de seu esposo, ou mulheres para que sejam amigas de sua esposa.

- Convidar seu cônjuge para participar nas atividades da Igreja, tais como: sociais, seminários de saúde, eventos familiares, retiros, acampamentos ou programas de manutenção.

- Animar seu cônjuge a participar em alguns aspectos da igreja ajudando com suas habilidades e experiência.

 

Que Deus vos abençoe!

 

Rev. Ashbell Simonton Rédua

asredua@yahoo.com.br

 

A principal palavra utilizada é nabi, que vem da raiz verbal naba, e significa “anunciador”, “declarador”, “porta-voz”, “denunciador”. A idéia essencial da palavra é a de “porta-voz” autorizado ou oficial. Outras palavras também importantes para profetas são roeh e hozeh, que significam “aquele que vê”, “vidente”.

Leia o texto de I Crônicas 29:29, e veja um exemplo do uso destas três formas.

 

Mas o que é um profeta? Para o Antigo Testamento, era o instrumento pelo qual Deus falava diretamente.”

A principal palavra é prophetes, que possui a seguinte composição: pro (antes, em favor de) + phemi (falar). É aquele que fala por outrem, intérprete.

 

“Apesar da idéia de predição do futuro fazer parte inerente do ofício profético, incluindo acontecimentos nacionais, comunais e individuais, o ofício profético envolvia as atividades de exortação, ensino, pastoreio, e liderança espiritual em geral.”

 

Sobre o dom espiritual de profecia, observe algumas considerações. A profecia pode acontecer na vida de alguém através da pregação da Palavra de Deus (I Co 14:24,25), ou ainda por intermédio de uma exortação consoladora (At 15:32).

 

Em Romanos 12:6 e I Coríntios 12:10, vemos a menção a este dom. Em Efésios 2:20 lemos que os profetas fazem parte do fundamento pelo qual a igreja está construída. No entanto, a profecia ainda permanece válida como dom espiritual? Alguns teólogos carismáticos entendem que sim. Que a igreja ainda exerce a profecia hoje, quando recebem revelações diretas da parte de Deus, seja em sonhos ou manifestação claramente distinguível. Já os teólogos tradicionais dividem-se em duas principais posições. Uns entendem que a profecia ainda é exercida, mas não da forma carismática. Através da pregação expositiva da Bíblia. Outros teólogos ensinam que este dom já se esgotou por completo, pois não consideram a pregação como um ato profético (I Co 13:8-10; Jd 3).

 

“Portanto, o pregador cristão não é um profeta. Ele não recebe qualquer revelação original; sua tarefa é expor a revelação que já foi definitivamente dada. E muito embora pregue no poder do Espírito Santo, ele não é ‘inspirado’ pelo Espírito no sentido em que os profetas o foram. (...) a profecia é mencionada como dom espiritual (Rm 12:6; I Co 12:10,29; Ef 4:11), mas este dom não é mais concedido a pessoas na igreja. Agora que a Palavra de Deus escrita está à disposição de todos nós, a Palavra de Deus não vem mais aos homens hoje. Ela já veio para todos os homens; agora os homens é que precisam ir até ela.”

 

        Que Deus vós abençoe!

 

Rev. Ashbell Simonton Rédua

asredua@yahoo.com.br

 

 

Tenho ouvido e lido muito a frase "Está amarrado em nome de Jesus!". E me pergunto: "De onde saiu esta idéia?".

 

Tal idéia deve vir de Mateus 12.29 e Marcos 3.27. Os dois textos tratam do mesmo evento. Lucas 11.17-23 também narra o episódio, mas omite a declaração de Mateus e Marcos: "amarrar o valente". Convenhamos: a base é muito precária para estabelecer uma doutrina e uma prática tão revolucionárias.

 

Jesus havia feito uma série de curas, conforme Marcos. A que mais impressiona Mateus é a do endemoninhado cego e mudo. Era o cúmulo da desgraça: não ver e não falar, além de ter demônios. Jesus o curou. Sem ter o que dizer, os fariseus o acusaram de agir por Belzebu, divindade cananéia, cujo nome significa "Baal, o príncipe". Esta definição do nome Belzebu fica bem clara em Marcos 3.22. Para os fariseus, Jesus não estava agindo nem mesmo por um demônio conhecido, mas por divindades estrangeiras.

 

A resposta de Jesus, como sempre, é admirável. Se ele estivesse mancomunado com Satanás ou Belzebu (uma "divindade" pagã, para ele, é demoníaca) seria um caso de guerra civil. Satanás estaria contra Satanás. Seria uma casa dividida e uma casa dividida não subsiste. Mas ele veio pelo Espírito de Deus e com ele irrompeu o reino de Deus (Mateus 12.28). Jesus entrou num mundo dominado pelo maligno (1 João 5.19) e estabeleceu seu reino. Ele veio para libertar os oprimidos do Diabo (Atos 10.38) e destruir as obras de Satanás (1 João 3.8). Veio ao terreno dominado pelo inimigo, adentrou seus domínios e abalou seu poder.

 

É aqui que surge a expressão "amarrar o valente" (Mateus 12.29 e Marcos 3.27). Jesus fez isso. Ele limitou o poder de Satanás. Mas atenção: em lugar algum a Bíblia diz que os crentes amarram Satanás. Isso foi obra de Jesus ao irromper na história com seu reino, abalando o poder do inimigo. Crentes não amarram Satanás. A Bíblia não traz um versículo sequer dizendo que com uma simples declaração conseguimos esta proeza. É muito simplismo e pretensão de algumas pessoas presumirem que suas palavras amarram Satanás.

 

Levanto algumas considerações para pensamos:

 

1) Por que o amarram em cada culto? Ou fica amarrado para sempre ou alguém o solta! Quem o solta depois que ele é amarrado?

 

2) Se ele está amarrado, quem está agindo? É impossível deixar de reconhecer que ele está solto, agindo neste mundo.

 

3) Jesus estava sendo literal? Devemos tomar a expressão como algo literal e dar-lhe um sentido universal, aplicável a todos os crentes, num sentido que Jesus não deu? Ou estava usando uma linguagem em figura para dizer que não tinha ligação alguma com Satanás, que eram adversários e que ele tinha vindo para destruir o Maligno? O próprio Jesus, que veio para amarrá-lo, foi tentado por ele (Mateus 4.1-10 e 16.23). Paulo nos adverte que é contra ele e seus asseclas que temos que lutar (Efésios 6.12). E nos aconselha a nos aparelharmos para a luta (Efésios 6.13-18). O quadro é de luta e não deste simplismo de deixar o inimigo amarrado com uma palavra.

 

4) Qual a base bíblica para esta afirmação? É isto que não consigo entender: como práticas que resvalam para doutrina são estabelecidas em nosso meio, apenas com tintura bíblica, mas sem embasamento? Afinal, Paulo nos aconselha a lutarmos contra ele, em vez de amarrá-lo. Tiago 4.8 e 1 Pedro 5.9 nos aconselham a resistirmos ao Diabo, em vez de amarrá-lo. Por que a Bíblia não deixa bem claro, se é possível isso, que o amarremos com uma frase de efeito?

 

5) Não será uma estratégia do próprio inimigo disseminar em nosso meio a idéia de sua fraqueza e que é fácil vencê-lo? Não será seu interesse que os cristãos pensem que uma frase feita o impeça de agir e assim nos descuidemos de nossa vigilância?

 

Que o Senhor vos abençoe!

 

 

 

 

 

Rev. Ashbell Simonton Rédua

asredua@yahoo.com.br

 

"E não vos conformeis com este século..." (Rm 12.2).

 

As palavras do apóstolo Paulo, mais que nunca, nos alertam para o cuidado que devemos ter quanto à influência deste mundo sobre a Igreja do Senhor. Essa influência, em nossos dias tem se evidenciado de maneira muito clara na destruição dos nossos fundamentos.

 

Todos os princípios absolutos de nosso mundo tem sido ameaçados. O que sempre foi tido como verdade, hoje é questionado. Gene Edward Veith Jr, em seu livro "Tempos Pós-Modernos", publicado por nossa Casa Editora Presbiteriana, explica bem essa ameaça de nosso século:

 

"Os grandes sistemas intelectuais do passado (tais como o platonismo, o Cristianismo, o marxismo, as ciências) sempre tiveram fundamentos específicos (ideais racionais; Deus; a economia; a observação empírica).  O pós-modernismo, por outro lado, é antifundamentos. Busca destruir todas esses fundamentos objetivos sem nada colocar no lugar deles."[1]

 

Essa ameaça contemporânea tem afetado fortemente a Igreja do Senhor no que diz respeito às suas bases doutrinárias. Nunca a Palavra de Deus e nossos símbolos de fé foram tão questionados dentro da Igreja. Nunca as bases de nossa fé foram tão atacadas como em nossos dias.

 

Sábias são as palavras do salmista inspirado quando questiona: "destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo?" (Sl 11.3). De fato, o que será de nossa histórica Igreja Presbiteriana do Brasil se destruídos forem os seus fundamentos? Se a Palavra de Deus for rejeitada e colocada de lado?

Com estas perguntas em nossas mentes, analisemos um dos movimentos que ameaçou a Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo nos seus primeiros séculos, a sua condenação e a defesa da mesma heresia por parte de Samuel Doctorian.

 

I. O Montanismo

O Montanismo foi um dos movimentos heréticos da história da Igreja Cristã, com surgimento por volta do ano 150 d.C.. Recentemente, a Comissão Permanente de Doutrina da IPB definiu este movimento da seguinte forma:

"O Montanismo foi um movimento apocalíptico cristão que surgiu no século II, liderado por Montano, um cristão da Frigia, que alegava ter recebido uma revelação direta do Espírito Santo de que ele, como representante do Espírito, lideraria a Igreja durante o último período dela aqui na terra."[2]

Montano cria na inspiração contínua e colocou-se como alguém por meio do qual o Espírito Santo falava, no mesmo nível que falara através de Paulo e dos outros apóstolos.

 

Na sua visão, o "mais elevado estágio da revelação"[3] havia sido atingido nele. O fim do mundo estava próximo e o Espírito o havia escolhido, juntamente com duas profetisas, Maximila e Prisca, para falar à humanidade sobre os últimos julgamentos de Deus sobre o mundo. Montano cria que era o último profeta escolhido por Deus para revelar seus eternos planos.

 

Tertuliano, o mais famoso adepto do Montanismo, em sua obra De Anima (Sobre a Alma), deu o seu relato sobre o movimento. Falando sobre uma das profetisas, ele disse o que segue: "Nós temos entre nós uma irmã que tem sido agraciada com muitos dons de revelação, os quais ela vivencia no Espírito, por meio de visões extáticas, na Igreja, no meio dos ritos sagrados do Dia do Senhor. Ela conversa com anjos e, às vezes, até com o Senhor. Ela vê e ouve comunicações misteriosas. Ela consegue discernir o coração de alguns homens e recebe instruções para a cura sempre que precisa. Seja lendo as Escrituras, cantando salmos, pregando ou oferecendo orações  em todos estes serviços religiosos, oportunidades são oferecidas a ela para que tenha visões".

 

Além das visões e conversas com anjos, uma das profecias do movimento era a de que, após a morte de uma de suas profetisas, Maximila, viria o fim, com tumultos e guerras por toda a parte. A história provou a falsidade desta profecia.

 

II. A Posição da Igreja

A Igreja Cristã reagiu fortemente contra o Montanismo. O fanatismo e as reivindicações de possuir revelações superiores às do Novo Testamento fizeram do Montanismo uma ameaça à Palavra de Deus.

 

Na medida em que os profetas do movimento consideravam suas revelações como sendo últimas, a revelação bíblica, dada por Deus através dos profetas e apóstolos, ficava rejeitada a um segundo plano.

Diante desta ameaça à Palavra de Deus, a posição da Igreja foi condenatória. Em 381, o Concílio de Constantinopla, condenou o movimento como herético.

 

III. Samuel Doctorian

            Samuel Doctorian é um pastor de origem armênia, nascido em Beirute. Obteve sua graduação em Teologia no Hurlet Nazarene College, na Escócia e foi ordenado em 1951.

 

Desde 1952, Samuel Doctorian tem rodado o mundo pregando avivamento em igrejas evangélicas, católicas e ortodoxas.

 

Seguindo a mesma linha milenarista e apocalíptica de Montano, Samuel Doctorian declara conversar com anjos e ter revelações quanto ao grande julgamento que Deus exercerá sobre o mundo nos últimos dias. Seguem abaixo suas "profecias":

"Profecia do Dr. Samuel Doctorian, Diretor da Bíblia Lands Mission (sic) acerca dos tempos, intitulada "Os Cincos Anjos dos Continentes", em 16 de agosto de 1998, na Ilha de Patmos. Esta mensagem foi transcrita por Ruthanne Galok, a partir de uma fita cassete recebida em Singapura, em 30 de agosto de 1998. A fita foi trazida por Wee Tiong Howe, um cristão que acabara de voltar da ilha de Patmos. onde estivera em oração com um pequeno grupo de singapureanos. Ali, Samuel Doctorian relatou-lhes a experiência.

 

Rev.Ashbell Simonton Rédua

asredua@yahoo.com.br

 

Abaixo transcrevemos alguns trechos dos ensinos de Samuel Doctorian e, em seguida, a posição da IPB a respeito de tais idéias:

 

1. Meio pelo qual Deus revela sua vontade

Samuel Doctorian: "PRIMEIRA CARTA DE SAMUEL DE PATMOS. PATMOS, Grécia, João o Apóstolo do Senhor, o Apóstolo do Amor. Dois mil anos atrás, ele estava no exílio, nesta ilha de Patmos. Pela graça de Deus e pela condução do Santo Espírito, aqui estou eu em Patmos após dois mil anos, tendo uma maravilhosa experiência com o Senhor. Eu estou só e capacitado pelo Espírito a escrever esta carta de Patmos a todos os meus preciosos irmãos e irmãs em Cristo, a todos aqueles na comunhão da Bible Land Mission, a todos que estão orando por nós e pelo ministério que o Senhor nos deu."

 

Igreja Presbiteriana do Brasil: "Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência de tal modo manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inexcusáveis, contudo não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e da sua vontade necessário para a salvação; por isso foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar à sua Igreja aquela sua vontade; e depois, para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e, do mundo, foi igualmente servido fazê-Ia escrever toda. Isto torna indispensável a Escritura Sagrada, tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo. Referências - Sal. 19: 1-4; Rom. 1: 32, e 2: 1, e 1: 19-20, e 2: 14-15; I Cor.1:21, e 2: 13-14; Heb. 1: 1-2; Luc. 1: 3-4; Rom. 15: 4; Mat. 4: 4, 7, 10; Isa. 8: 20; I Tim. 3: 15; II Pedro 1: 19."

 

Observe que Samuel Doctorian vai para Patmos, a mesma ilha onde João recebeu a revelação sobre as últimas coisas, o Apocalipse e, da mesma forma que João, tem "revelações" e as escreve aos crentes de nossos dias. Como se tantas semelhanças fossem poucas, ele denomina suas cartas da mesma forma que as cartas inspiradas "PRIMEIRA CARTA DE SAMUEL DE PATMOS". Assim como Montano, Doctorian crê que sua revelação é um substituto à revelação registrada na Bíblia.

 

2. Apego aos anjos, desprezo à Palavra

Samuel Doctorian:  "Enquanto meditava durante o período de um mês naquele lugar solitário, pensei: Gostaria de saber se o Senhor algum dia enviará o décimo anjo. Eu já vira anjos nove vezes anteriormente."

 

O anjo respondeu: "Esta é a sua mensagem. Você é o instrumento, o canal. Que privilégio Deus ter escolhido você para entregar esta mensagem às nações".

 

"TERCEIRA CARTA DE SAMUEL DE PATMOS. Nos últimos vinte e cinco anos de meu ministério por Cristo eu tive o mais maravilhoso privilégio e bênção de experimentar nove visitas de anjos. Eu vejo anjos. Eu falo com eles. Eles falam comigo. Tem sido algo tremendo em minha vida pensar que Deus ordenaria a mim ver seres angelicais, estes maravilhosos espíritos ministradores. A Deus seja a glória. Eu sempre quis descobrir se anjos têm asas. Tanta gente me pergunta "Quando você viu anjos, você viu asas?" Minha resposta era "Eu estava tão chocado, trêmulo, e com medo quando eu vi anjos, que eu não tive coragem e ousadia para perguntar se eles tinham asas". Mas eu estou decidido a, na próxima vez, na minha décima experiência, se Deus quiser que isso aconteça e que eu veja o anjo, a perguntar a ele "Você tem asas?. Eu adoraria vê-las. Muitos tem perguntado por elas!"

 

Igreja Presbiteriana do Brasil:  "Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema." (Gl 1.8,9)

 

"E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça; e o fim deles será conforme as suas obras." (2Co 11.14,15)

 

Ao revelar sua busca por mensagens de anjos e incentivar o povo de Deus ao mesmo, Doctorian mostra o pouco valor que dá a mensagem contida nas Escrituras Sagradas.

 

3. Cessação do Registro Bíblico

 

Samuel Doctorian:  "Em Maio de 1998, eu fui conduzido pelo Santo Espírito a ir à Ilha de Patmos. Esta foi uma oportunidade para oração, jejum, estudo bíblico, e um tempo para examinar meu coração. Eu tive 125 maravilhosos dias lá, sozinho. Em 20 de Junho, daquele ano, eu tive uma grande visita de cinco anjos... Eles me deram mensagens que agora estão em todo o mundo, na internet, em revistas, panfletos e livros, propagando a importante mensagem daqueles cinco anjos poderosos"

Igreja Presbiteriana do Brasil:  "A Escritura ensina e a Igreja crê que, como instrumento para predizer as várias etapas do plano divino de redenção, a profecia cumpriu sua finalidade através dos antigos profetas e dos apóstolos, os quais registraram de forma inspirada e infalível as etapas ainda futuras da História da Redenção, como a Segunda Vinda de Cristo, a ressurreição dos mortos e o juízo final. Assim, como veículo de revelação divina, ela cessou com os apóstolos e profetas, os quais lançaram os fundamentos da Igreja de Cristo."

 

Para Samuel Doctorian, o canon sagrado ainda está aberto, isto é, Deus continua mandando mensagens ao seu povo, talvez para completar o que ficou faltando.

 

 

Rev. Ashbell Simonton Rédua

asredua@yahoo.com.br

 

Certo dia ouvi um colega de ministério dizer: “somos agora executivos eclesiásticos”, fiquei imaginando como seria um executivo eclesiástico circulando com agendas eletrônicas, telefones celulares, secretárias, auxiliares e assistentes, para atender a um volume cada vez maior de reuniões, entrevistas, conferências, aconselhamentos.

 

Já existe alguns serviços disponíveis para os profissionais da religião: terceirização do boletim da Igreja (incluindo as pastorais), serviço de marketing, assessores em visitação, aconselhamento, isto, sem expressar a profissionalização do Ministério, já existe pastores especialistas em evangelismo, acesso-ramento familiar, juventude, crianças e adolescente, administradores, e, até pregadores. Afinal ter uma agenda repleta de compromissos é sinal de competência. Para alguém ser competente, precisa estar com a agenda dos próximos meses com-pletamente cheia. Este sim é um bom profissional.

 

Nesta busca por reconhecimento profissional não temos mais tempo para construirmos amizades verdadeiras e profundas, nem tempo para caminharmos com nossos amigos no caminho do discipulado. Não temos tempo para ouvir as histórias dos velhos, os dramas dos mais novos e as crises da alma humana.

 

Dispomos apenas de poucos minutos!

 

Vivemos hoje um processo de profissionalização do sacerdócio, o qual vem deixando de ser uma vocação para tornar-se numa profissão, e isto faz uma diferença tremenda nos resultados.

 

Ao ser direcionado por resultados enfrentaremos algumas crises:

 

1º) A crise gerada pelos resultados mensuráveis.

 

Trata-se da tendência de ter como motivação principal os resultados decorrentes das ações do ministério. Muitos líderes encontram-se frustrados porque os resultados que esperam nem sempre aparecem com rapidez e  objetividade que gostariam. O profissionalismo nos induz a avaliar o ministério por resultados mensuráveis.

 

2º) A crise gerada pela autosuficiência

 

Líderes profissionais encontram-se constantemente diante do perigo de criarem pequenos reinos para eles mesmos. O profissional necessita ser reconhecido, admirado, aclamado. Precisa sentir-se e preservar-se superior aos outros para mantê-los cativos e dependentes. Geralmente o líder profissional é cercado de admiradores e não de discípulos, de dependentes emocionais e não de amigos. O poder impede que as pontes de amizade e comunhão sejam estabelecidas.

 

3º) A crise gerada pelo individualismo.

 

O profissional reconhece que as mudanças precisam acontecer, empenha-se em converter as pessoas mas é tentado a pensar que ele próprio não precisa de conversão. Ao invez de reconhecer que é parte da comunidade que serve, veste a fantasia de "messias", intocável, sempre correto e justo. A profissionalização do ministério torna-nos desumanos, mais preocupados conosco e nosso sucesso do que com a vida e seus afetos.

 

4ª) A crise gerada pela falta de opção: É possível que alguém decida ser um pastor,  por não ter condições financeiras de custear um curso em uma universidade , percebe que poderia fazer um curso de nível superior pago pelo Presbitério e ainda recebendo ajuda de sua Igreja.

 

Como vencer essas crises?

 

1º) Nossos pastores precisam, em meio a tantas pressões da sociedade em que vivemos, reencontrar a essência de sua vocação pastoral.

 

Ao realçar esta dimensão trinitária da vocação os textos abaixo mostram a ligação que existe entre a vocação, a vida e consequentemente a espiritualidade. A vocação passa a ser entendida como relacionamento pessoal com Deus vivido no interior de uma comunidade bem concreta. Deus chama para um encontro com Ele, a partir das solicitações de um povo que sofre (Êx 3,1-10; Jr 11,4-10). A vocação é, pois, uma “sedução”(Jr 20,7), uma “conquista do coração” (Os 2,16) por parte de Deus, para uma vida de intimidade, de comunhão com Ele. É um convite para ficar com Ele, para participar da sua vida (cf. 1 Ts 4,17; Jo 17,24; 1 Pd 5,1).

 

2º) As igrejas locais precisam se libertar das demandas das metodologias e da ditadura do “ser espetacular” para redescobrirem sua natureza singela como comunidade de discípulos em missão no mundo.

 

A participação na missão e na vida da Igreja e, portanto, na evangelização do mundo. Chamados a ser povo, a comungar, a participar na vida e na missão da Igreja. Estes são elementos que não podem de forma alguma ser esquecidos hoje, neste mundo da pós-modernidade, marcado por uma grande tendência ao individualismo. Precisamos insistir com muita ênfase sobre isto em nosso trabalho vocacional.

 

3º) Uma vez consolidado o reencontro do pastor com sua vocação bíblica e da igreja local com sua vocação histórica, precisamos dar ainda mais um passo: humanizar essa relação.

 

Esta visão da vocação como chamado à comunhão e participação nos leva a descobrir, como elemento essencial do chamamento, a vida de fraternidade, de solidarieidade. Isto quer dizer que faz parte da essência da vocação pastoral, o desejo, a vontade, o compromisso de “reproduzir” na Igreja e no mundo o tipo de relacionamento que existe no seio da Trindade. A participação na comunhão trinitária exige a união verdadeira entre nós. Não pode ser sincero um relacionamento de comunhão com Deus quando ele não se repercute também no relacionamento com os irmãos e irmãs. Nossa vocação é um chamado para amar a Deus, mas não ama a Deus quem não ama o seu próximo (1 Jo 4,20). Consequentemente não é autêntica aquela vocação que não se abre à solidariedade, a humanizar nossas relações eclesiásticas. A Trindade permanece como modelo da comunhão que deve brotar da vivência da nossa vocação. Esta vida de comunhão, por sua vez, dá autenticidade a nossa vocação. Ela é o sinal mais claro de que estamos realmente vivendo numa intensa comunhão com Deus.

 

4º) Por um lado, os pastores precisam ter uma visão mais realista de suas Igrejas.

 

Como diz Eugene Peterson, “a igreja é uma comunidade de pecadores, pastoreada pelo maior deles”. Muitas de nossas frustrações, como pastores, decorrem do fato de que esperamos da igreja mais do que o próprio Deus espera dela. A igreja, por sua própria mensagem de graça, atrai para si pessoas tremendamente complicadas e não-resolvidas, assim como eu e você. É a esse grupo complicado que Jesus envia seus pastores quando diz: “Pastoreie meus cordeiros”.

 

As Igrejas locais também precisam reconhecer que seus pastores são pessoas, com virtudes e limitações. Numa relação humana, não existe como relacionar apenas com as virtudes de alguém. A pessoa é uma totalidade e, paradoxalmente, possui certas virtudes porque algumas limitações também estão presentes em sua vida. Assim, em alguns momentos aquelas se sobressairão, enquanto em outros estas virão à tona. Mas, numa igreja em que existem o compromisso com o amor e a busca pela maturidade, sempre deve existir a possibilidade de se tratar o outro — inclusive o pastor —, em suas limitações, com acolhimento, apoio e encorajamento.

 

A Igreja precisa de pastores vocacionais e tenha plena convicção desse chamado. Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos.

 

Soli Deo Gloria

http://www.nexteditorial.com.br/comunhao/materia.asp?idmateria=17389

O preço da mentira: a mentira que você conta pode destruir vidas

Autor: Elisa Rangel

Desde crianças aprendemos que mentir é errado. Mas, por ironia, os mesmos adultos que ensinam essa verdade mentem sem medida. É a pura verdade: todos mentem, em algum momento da vida.

Eis alguns exemplos: “se for para mim, diga que eu não estou”; “se o vizinho chegar, eu estou dormindo”; “desculpa, não tenho nenhum trocado para dar”; “o trabalho da escola está pronto, só falta imprimir”; “não tive tempo para resolver isso”. Essas afirmações podem não parecer pecado, mas são e, aos olhos de Deus, comparáveis a qualquer outro pecado, como o roubo, a falsidade, o assassinato e o adultério.

A mentira é algo tão arraigado nas pessoas que há um dia “reservado” para esse pecado. No dia 1º de abril o mundo “celebra” o Dia da Mentira - conta-se que a comemoração surgiu na França. Desde o começo do século XVI, o ano novo era festejado no dia 25 de março, data que marcava a chegada da primavera. As festas duravam uma semana e terminavam no dia 1º de abril. Mas, em 1564, o rei Carlos IX  determinou que o réveillon fosse comemorado no dia 1º de janeiro. Alguns franceses resistiram à mudança e continuaram a seguir o calendário antigo. Eles passaram a ser ridicularizados e algumas pessoas lhes enviavam presentes esquisitos e convites para festas que não existiam.

Fora as brincadeiras, normalmente arruma-se desculpas para mentir. Maridos e mulheres mentem para encobrir traições ou possíveis temas de conflito entre eles; filhos mentem para não serem advertidos, funcionários mentem para manter o emprego. Em um dia, são tantas as possibilidades de mentir, que é preciso avaliar se não se está vivendo uma vida de mentira - justamente porque uma mentira, normalmente, leva a outra.

Um levantamento realizado por pesquisadores norte-americanos concluiu que 81% das pessoas que buscam relacionamentos em sites de namoros virtuais mentem sobre suas características. Um estudo feito na Europa analisou o comportamento de usuários de celular em cinco países. A pesquisa descobriu que com a popularização do aparelho a quantidade de pessoas mentirosas aumentou. Cerca de 60% dos entrevistados reconheceram que começaram a mentir mais depois de poder usar o “torpedo” em suas conversas.

Outra pesquisa, também feita na Europa, mostra que quatro de cada cinco pessoas admitem que mentem pelo menos uma vez por dia, e o meio preferido para dizer as mentiras é a tecnologia, como telefones, mensagens de texto e e-mails. O local de trabalho é onde ocorre a maior parte das mentiras - 67%. Cerca de 40% dos entrevistados disseram que mentem para o parceiro e para a família.

Mentira original

A Bíblia afirma que o diabo é o pai da mentira (Jo 8:44) e os filhos de Deus não devem se sujeitar a esse comportamento. A falsidade e a mentira são muito prejudiciais ao relacionamento da família e também entre os discípulos de Cristo. Geram a desconfiança, o receio, a incredulidade, a suspeita. Destróem o ambiente de fé, de amor, de compreensão e confiança, e estimulam o ciúme.

A mentira pode tomar muitas formas e Deus rejeita todas, como por exemplo o falso testemunho, o engano, a hipocrisia, o fingimento, a calúnia, a desonestidade e a fraude.

O pastor Isack Samora, da Igreja Assembléia de Deus em Vitória, relata que a mentira existe desde a criação do homem. “Adão mentiu para Deus para encobrir o seu pecado, originado em uma relação conjugal. O Senhor perguntou: ‘Por que fizeste isto?’. E Adão respondeu: ‘Foi a mulher que tu me deste’. Devia ter dito: ‘A serpente me enganou e eu caí em pecado’. A mentira é uma fuga. Adão quis se eximir de sua culpa e fugiu da presença do Criador. O apóstolo Paulo diz que um abismo chama outro abismo, e assim acontece com a mentira”, declarou o pastor.

Já o reverendo Ashbell Simonton Rédua, da Igreja Presbiteriana do Brasil em Niterói (RJ), avalia que, geralmente, as pessoas mentem para se beneficiar e que se a mentira trouxer “vantagens”, ela será mantida em alta escala. “O comportamento mentiroso pode afastar ou adiar momentaneamente as conseqüências desagradáveis, como por exemplo, o marido infiel que mente para a esposa dizendo que não cometeu traição. Mas as pessoas também mentem por motivos relacionados a dinheiro e vida social. Pode ainda ser uma fuga ou medo de fracassar. Elas mentem para se proteger, para evitar discussões, confusões e brigas, ou até para se sentirem importantes nos grupos de que fazem parte”, declarou.

A mentira é um pecado tão terrível que às vezes pode virar uma herança de família. As crianças vêem os pais mentindo e acreditam que a mentira é a resposta para resolver alguns problemas. Se o telefone toca e o pai não quer atender, pede ao filho que diga que não está. O filho obedece, mas essa ação vai gerar um conflito interno nele, que acabará por concluir que mentir é o melhor remédio.

“Devemos entender que a noção de mentira na criança é uma tendência natural, cuja espontaneidade faz parte do seu pensamento egocêntrico.  Como a criança não consegue fazer a dissociação entre um ato e seu resultado, passa a analisar uma situação objetivamente com as suas tendências realistas, focando mais no elemento exterior, real, palpável, do que na intenção do adulto. Assim, para o adulto, dizer que não está para não atender o telefone pode parecer pouco importante ou nem mesmo uma transgressão da moralidade, mas a criança vai entender que o ensinamento do pai para que ela própria não minta é mascarado pela penumbra de uma falsa verdade, que é uma verdadeira mentira”, explicou o reverendo Ashbell.

A pastora Sandra Mara Oliveira, da Congregação Netivyah, em Vitória, alerta que esse pecado na infância pode gerar sérios problemas na fase adulta. “Os padrões morais da sociedade, que deveriam ser fundamentados na verdade, são destruídos sorrateiramente, provocando a ruína. Por quê? A Bíblia diz em Romanos 1:25: ‘Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador’”, afirmou.

Em Provérbios 22:6 está escrito: “Instrui o menino no caminho em que deve andar e até quando envelhecer não se desviará dele”. Se os pais não se apresentam como exemplo, como vão poder instruir?

“Eu acredito que um pai que faz o filho mentir está pecando duas vezes: pela mentira, e por ter induzido uma pessoa ao erro. O apóstolo Paulo alertou ‘se eu faço o que não quero, já não faço eu, mas o pecado que habita e mim’(Rm 7:20). A criança não nasce mentirosa, mas se desenvolve, através da vida, no seio de sua família e de sua coletividade. Acaba mentindo. A Bíblia nos diz isso em Romanos 3:4 – ‘Antes seja Deus verdadeiro e todo homem mentiroso’”, declarou o pastor Isack.

As conseqüências são reais

As conseqüências trazidas pelo mentir podem extrapolar o âmbito moral e se tornarem concretas, como na desestruturação de uma família, na falta de confiança, na perda de valores, etc. São várias as histórias contadas na Bíblia de pessoas que se envolveram em mentiras e sofreram duras conseqüências. É o caso de Sansão (Jz 16), que, brincando, mentiu três vezes para Dalila sobre a sua força. Depois, foi traído, preso, teve os olhos furados e acabou morrendo. Caim mentiu para Deus, tentando negar sua culpa (Gn 4:9). Arão apontou o dedo para o povo, e fingiu que o bezerro de ouro tinha aparecido praticamente sozinho (Ex 32:21-24).

Saul alegou que tinha obedecido à Palavra de Deus. Depois, quando reconheceu seu erro, preocupou-se em manter sua posição de honra perante o povo, em vez de mostrar um espírito quebrantado (I Sm 15:13,24,30). Por três vezes Pedro mentiu, dizendo que não conhecia Jesus (Mateus 26:69-75). Ananias e Safira mentiram quando deram apenas parte do dinheiro em sua oferta, e acabaram caindo mortos aos pés do apóstolo Pedro (At 5:1-10). Judas sentiu remorso e confessou sua traição, mas fugiu da presença de Jesus e se suicidou (Mt 27:3-5).

Até o rei Davi mentiu quando tomou Bate-Seba, a mulher de Urias, o heteu, para si. Sabendo que ela tinha ficado grávida, mandou Urias descansar das batalhas e ir para casa ficar com a esposa. Achou que assim seria possível esconder seu pecado, mas Urias não foi, e se recusou a descansar enquanto os colegas estavam na guerra. Frustrado, Davi avançou com as mentiras e partiu para matar Urias, colocando-o na linha de frente da tropa para ser morto pelos inimigos.

Mais tarde, advertido por Deus, Davi pediu perdão. Foi perdoado, mas sofreu conseqüências graves. Ele foi humilhado quando um dos seus próprios filhos tomou algumas de suas mulheres. E, assim como afirmou que o ladrão do cordeirinho devia pagar quatro vezes, ele mesmo pagou quatro vezes: tirou a vida de Urias, e pagou com a vida de quatro de seus filhos. O filho de Bate-Seba nasceu e morreu logo depois (II Sm 12:15-25). Mais tarde, Amnom foi morto pela espada de Absalão (II Sm 13:23-36). Joabe matou Absalão (II Sm 18:9-18). Depois da morte de Davi, Salomão mandou que Adonias fosse morto (I Rs 2:13-25).

Deus pode perdoar o assassino, mas a vítima não será ressuscitada. Deus pode perdoar o ladrão, mas a loja vai continuar saqueada. Deus pode perdoar um mentiroso, mas a família pode ser destruída por causa disso. Através da fé e do arrependimento, Deus lava os pecados e purifica os crentes. Dessa forma, torna-lhes possível escapar das conseqüências eternas do pecado, mas, às vezes, o mentiroso continua sofrendo as conseqüências terrenas dos erros.

Quem sentiu na pele as falhas praticadas no passado foi o pastor Celso Godoy, da Missão do Romão, em Vitória. Envolvido na criminalidade quando jovem, ele diz que teve que mentir várias vezes para encobrir seus crimes. Depois do coração quebrantado e convertido, Deus podia tê-lo livrado das medidas da Justiça, mas não o poupou. O resultado foi a prisão.

“No crime, a mentira é parte integrante do dia-a-dia. Não se vive na verdade numa vida falsa como a do crime. O homem sem Deus faz da mentira uma prática habitual, e sofri os efeitos disso. Depois de minha conversão, há 20 anos, fiz da Verdade minha bandeira. Abdiquei da mentira e assumi minhas culpas, com todas as suas conseqüências. Fui preso, e cheguei a ser libertado por engano. Sabia que se me mantivesse escondido por um determinado tempo, seria beneficiado com a prescrição da pena. Porém, mesmo assim, preferi me apresentar espontaneamente, assumindo minhas responsabilidades. Isso me custou alguns meses a mais na prisão, mas a bênção de Deus foi maior, pois mais tarde fui beneficiado por um indulto presidencial, conseguido devido a meu comportamento e postura, e obtive a extinção da pena”, relatou o pastor.

 

ENTREVISTA NA ÍNTEGRA

ELISA RANGEL: Por que as pessoas mentem? Principais motivos?

 

REV. SIMONTON: Excluindo a questão religiosa do pecado, geralmente as pessoas mentem para se beneficiar, tal comportamento pode ser aprendido. Se a mentira lhe trouxer “vantagens” ela será mantida em alta escala. É importante considerar que o comportamento mentiroso pode afastar ou adiar momentaneamente as consequências desagradáveis, como por exemplo o marido infiel que insiste em falar para esposa que não cometeu traição.

Motivos gerais estão relacionados com dinheiro e vida social. Com o reconhecimento dos outros, a imagem que as outras pessoas têm de você. Também podemos afirmar que para muitos a mentira é uma fuga ou medo de fracassar, por isso mentem para protegerem a si mesmas, para evitar discussões, confusões e brigas ou mesmo para se sentirem importantes no grupo que fazem parte. O status é outro motivo, a pessoa mente para se sentir no mesmo nível dos amigos. Como por exemplo: ficar trancada em casa e dizer que viajou para a Região dos Lagos, para a Praia. Outro motivo que podemos elencar é a insegurança de assumir alguma situação que poderá trazer baixa estima, ou ficar em situação desvantajosa.

 

ELISA RANGEL: É como defesa? Para não magoar outras pessoas?

 

REV. SIMONTON: A mentira não pode ser o fundamento ou a diretriz de defesa.  A mentira nunca pode ser considerada uma virtude.  Se eu uso a mentira com o presuposto de não magoar, como defesa então ela passa a ser uma virtude e assim inverte eticamento a moral, deixa-a de cabeça para baixo. Entendo que a verdade é sempre o melhor caminho. A mentira tem pernas curtas, com o tempo a pessoa pode descobrir, e perder a confiança na outra pessoa, então a verdade sempre por mais que seja difícil, magoa menos do que a mentira.

 

ELISA RANGEL:  As crianças são ensinadas de que às vezes o adulto tem que mentir.  Aprende-se a mentir na infância ou isso é inerente ao ser humano?

 

REV. SIMONTON: As crianças aprendem a mentir pela vivência mentirosa dos adultos. Como por exemplo: o telefone toca e você não quer ser incomodado, o filho atende e diz: pai é p’ra você, então o pai retruca: diga que não estou! Com certeza o filho obedece o pai, mais internamente gera um conflito interno em si e acaba concluindo que mentir é o melhor remédio.  Devemos entender que a noção de mentira na criança é uma tendência natural, cuja espontaneidade faz parte do seu pensamento egocêntrico.  Como a criança não consegue fazer a dissociação de um ato e do seu resultado,  passa analisar uma situação objetivamente com as suas tendências realistas, insistindo mais no elemento exterior, real, palpável do que a intenção do adulto. Assim para o adulto dizer que não esta quando toca o telefone pode soar em poucas consequencias e nem ser eticamente uma transgressão da moralidade, mas para a criança que olha a realidade palpável vai entender que os ensinamentos partindo do pai para que seja verdadeiro é mascarado pela penumbra de uma falsa verdade que é uma verdadeira mentira.

 

 ELISA RANGEL:  Mentira tem tamanho?

 

REV. SIMONTON:  Creio que sim, o tamanho da mentira é levado em conta com as suas consequências. Ela é analisável, mensurável, Não importa o tamanho da mentira e nem os motivos que levaram a pessoa a mentir tudo vai depender da mentira contada. Contudo religiosamente a mentira não tem tamanho em relação ao pecado, uma mentirinha ou mesmo uma mentirona tem o mesmo efeito pecaminoso. Mentira será sempre mentira não importa as suas consequências nem o seu tamanho ou seu alcance. Se mentiras tem pernas curtas então há de se concluir que tem tamanho. Entende isto.

 

ELISA RANGEL:  Existe mentira perdoável? Aquelas que falamos no serviço ou para não prejudicar o casamento?

 

REV. SIMONTON: Temos certeza que mentira é pecado, a Bíblia relata Deus considerou um delito grave a mentira contra o Espírito Santo, pronunciadas por Ananias e Safira e em consequência da mentira eles morreram. Portanto a mentira sendo pecado tem de ser confessado e haver arrependimento. Contudo temos momentos que é difícil não mentir, mesmo que seja uma mentira pequana, inconsequênte, boba é pecado. A é indicação de ignorância bem como um característico de uma vida sem Deus. Em 1 João 2.21 está escrito: "...mentira alguma jamais procede da verdade." E I Tm 4:1-2 afirma: "Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência"

 

ELISA RANGEL:  Mas como se livrar daquela mentira que o chefe manda falar, por exemplo?

 

 

 

REV. SIMONTON: Esta é uma situação bem frequente na vida de todos nós. Quem não mentiu a pedido de outra pessoa, quer seja o chefe ou não, isto porque a mentira pode ser encontrada em qualquer lugar onde existam conflitos de interesse e seja vantajoso. O empregado mente com medo de perder o emprego ou uma promoção e o empregador ou chefe manipula este artifício para o seu próprio interesse também.  Creio que temos de ter uma postura como servos de Deus, falar a verdade e assumir as consequências. O medo de perder o emprego é um fator determinante para que as pessoas venham a ser usadas para mentir.  Há o outro lado da questão: uma pessoa que mente para agradar o chefe, perderá a confiança dele e nunca alcançará o sucesso mericido.

 

ELISA RANGEL:  A omissão da informação também não pode ser prejudicial?

 

REV. SIMONTON: A omissão de informação pode ser chamada de mentira caridosa, ou seja, aquela que usa-se em situações delicadas, imprevistas, não revelando, de nossa parte, uma verdade, porque imaginamos que nosso próximo está despreparado para uma angustiante realidade. Assim entendemos que omissão é silenciar quando os fatos vão de  encontro aos seus interesses pessoais. Ela é sempre prejudical para alguém, talvez não para quem se calou porém não para aquele que não conheceu a verdade. Alguem disse que “nem toda verdade é para ser dita”. Já imaginou que uma bela manhã você ao levantar tomasse a decisão de, fossem quais fossem as circunstâncias, dizer na cara dos colegas, dos amigos, dos vizinhos, dos superiores hierárquicos, dos subordinados, dos amantes, fosse de quem fosse, o que verdadeiramente pensam deles.  A omissão de informação equipara-se a uma espada de dois gumes que tanto pode prejudicar como não.

 

ELISA RANGEL:  Quais as conseqüências? Físicas e espirituais.

 

REV. SIMONTON: A mentira  viola o respeito que se deve ao próximo, desmerecendo a sua confiança,  perturba a ordem social, pondo em perigo a concórdia mútua entre os homens e degrada moralmente o mentiroso, que desvia a sua palavra do seu fim natural, que é a expressão da verdade. As grandes consequências estão registradas em Ap 21:8 – “Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos feiticeiros, e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre, o que é a segunda morte”, e,  Ap 22:15 diz: “Ficaram de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira”.

 

ELISA RANGEL:  O que a Bíblia diz sobre a mentira? Exemplos e conseqüências.

 

REV. SIMONTON: É da natureza do crente não desejar pecar, ainda que a velha natureza, vencida progressivamente, reclame seus espaço junto à alma do crente. A tensão entre as duas naturezas polariza uma angústia normal na vida daqueles que agora temem a Deus. Mas, há momentos, por decisão voluntária, de desejar experimentar do fruto da árvore do bem e do mal, para ampliar horizontes.

Alguns exemplos:

Eva: Gn 3:2,3 - Eva falou para a serpente que Deus disse para ela não comer, nem tocar no fruto. Quando na verdade Deus disse pra eles não comerem Gn 2;17. Eva acrescentou algo que Deus não falou.

Sansão: Jz 16:7,11,13 - Três vezes Sansão brincando, mentiu para Dalila . Sansão mentiu para Dalila, o que começou com uma brincadeira, uma mentirinha boba, terminou em uma tragédia com consequências não somente para Sansão como para toda nação de Israel. Sansão experimentou ter seus  olhos furados. Ele ficou cego, perdeu a visão de Deus, tanto física como espiritual.

Abraão mentiu sobre a sua esposa, Davi mentiu quando matou Uzias, Absalão mentiu quando rebelou contra Davi. As consequências foram terríveis trazendo derrotas e mortes.

A Bíblia diz em Provérbios 20:17. “Suave é ao homem o pão da mentira; mas depois a sua boca se enche de pedrinhas”.

Provérbios 16:13 “Lábios justos são o prazer dos reis; e eles amam aquele que fala coisas retas”

Provérbios 28:23 “O que repreende a um homem achará depois mais favor do que aquele que lisonjeia com a língua”

Provérbios 20:7 “O justo anda na sua integridade; bem-aventurados serão os seus filhos depois dele.”

Provérbios 12:13-14 “Pela transgressão dos lábios se enlaça o mau; mas o justo escapa da angústia. Do fruto das suas palavras o homem se farta de bem; e das obras das suas mãos se lhe retribui” .

Provérbios 25:18 “Malho, e espada, e flecha aguda é o homem que levanta falso testemunho contra o seu próximo”.

Há dois textos intrigantes e que ficara a cargo do leitor entender:

1º) Raabe, que era prostituta, mentiu para proteger os espias que Josué enviou a Jericó (Josué 2), porém em nenhum momento Deus a puniu por isso, ela inclusive é elogiada por sua fé em Deus (Hb 11:31) e ela é uma ancestral de Jesus Cristo;

2º) A questão das parteiras de Faraó que foram grandemente abençoadas por Deus na mentira. (Ex. 1:15-21);

Soli Deo Gloria