Grupos

 

Rev. Ashbell Simonton Rédua

asredua@yahoo.com.br

 

 

Ultimamente tenho pregado em algumas igrejas em que o serviço de cânticos é realmente caótico. Há poucos meses atrás, preguei em uma igreja na qual o líder do louvor manipulava os cânticos e os instrumentos de uma forma bastante habilidosa, de forma a levar a Igreja a uma experiência extática. Durante o cântico, alguns membros ficavam levantando de seus assentos e gritando "Aleluia", "Oh, Senhor" e "Louvado seja o Senhor". Ao final do momento de cânticos, que durou 45 minutos, o líder do louvor e aqueles que mais estivera gritando estavam suados e exaustos. Pouco tempo depois que comecei a pregar, eles estavam dormindo.

 

Depois do culto, o pastor, pediu-me desculpas pela balburdia de ruídos do período de cânticos. Ele me explicou que alguns membros vinham à igreja para experimentar um excitamento "espiritual" durante o serviço de cânticos. Se fossem destituídos de tal experiência, não viriam à igreja. Sorrindo, o pastor acrescentou: "Eu os deixo liberar sua emoções reprimidas durante o serviço de cânticos, de maneira que possam estar calmos e relaxados durante o meu sermão." Muito provavelmente a estimulação física do serviço de cânticos os levava a cair em um sono "espiritual" durante o culto divino.

 

O desafio que muitos pastores enfrentam hoje é o de revitalizar a experiência de adoração de suas Igrejas, sem encorajar a balburdia de ruídos. É um desafio árduo, porque na maioria das Igrejas há duas orientações principais.

 

(1º) Há alguns membros que se opõe categoricamente a qualquer música contemporânea, algumas das quais podem contribuir positivamente para a experiência de adoração. Eles querem se restringir ao velho hinário.

 

(2º) Existem aqueles que crêem que o hinário está obsoleto. Querem cantar canções modernas, com um ritmo acentuado, que os faz sentir como se estivessem dançando.

 

Durante os últimos anos tem havido uma gradual alteração, de adorar a Deus através da proclamação da Sua Palavra para adorar a Deus através de sentimentos e experiências pessoais. Esta mudança de um estilo de adoração intelectual de adoração emocional reflete a evolução histórica da compreenção de Deus. No decorrer da história cristã houve uma alteração gradual da compreensão transcendental de "Deus além de nós", que prevaleceu durante o período medieval, para a concepção de imanente de "Deus por nós", que foi enfatizada durante a Reforma no século XVI, e para a percepção de "Deus em nós", popularizada do século XVII até os nossos dias.

 

A evolução histórica da adoração durante o curso da história cristã, passando de intelectual para emocional, ensina-nos a importância de mantermos uma compreensão correta de Deus e Sua revelação. Na Escritura, Deus revelou a Si próprio como sendo tanto transcendente quanto imanente, além de nós e dentro de nós. Estas duas dimensões da auto-revelação de Deus devem ser mantidas em seu equilíbrio apropriado, de forma a assegurar uma experiência religiosa e uma música na igreja que sejam saudáveis.

 

A forma como adoramos a Deus é o reflexo da nossa compreensão de Deus. O estilo de adoração carismática, emocional, reflete a alteração do conceito "Deus além de nós" para "Deus em nós". O resultado desta alteração é que Deus é rebaixado ao nível humano, de modo que as pessoas possam interagir mais prontamente com Ele.

 

A mudança para uma adoração emocional a Deus se deve em parte à influência carismática. O Movimento Pentecostal enfatizando a obra e os dons do Espírito Santo, e especialmente o profetizar em revelação espontânea e o falar em línguas, mudou-se o enfoque do conhecimento de Deus através de Sua Palavra, para o conhecimento de Deus através da experiência. Isto, por sua vez, mudou o enfoque do pensamento para o sentimento, de forma que, para muitos cristãos, sua experiência tornou-se a medida da verdade, tanto quanto a certeza da Palavra da Verdade.... A busca atual por uma experiência de adoração carismática, especialmente através da música, pode ser traçada até as primeiras músicas Pentecostais do século XIX, as quais, normalmente, ocupavam dois terços do culto de adoração. "O cantar intenso era, geralmente, acompanhado pelo dedilhado das guitarras, a batida rítmica de pandeiros e tambores, e o ressoar dos metais conforme os novos convertidos traziam seus instrumentos dos grupos de dança recém-abandonados para a casa de adoração. Coros repetitivos com melodias de origem secular, juntamente com coreografia, tudo isto era utilizado para produzir um excitamento emocional em lugar da compreensão intelectual das verdades bíblicas.

 

Em Daniel 3, por duas vezes, há uma longa lista dos diferentes instrumentos musicais usados para produzir "todo tipo de música" (Daniel 3:7,10). Esta música eclética foi tocada para induzir as pessoas à adoração da imagem de ouro. Poderia ser que, assim como na Babilônia antiga, Satanás esteja hoje usando "todo tipo de música" para levar o mundo a uma falsa adoração no tempo do fim, da "besta e de sua imagem" (Apocalipse 14:9)? Poderia ser que um golpe de mestre Satânico escreveria canções gospel que contivessem elementos de todos os gostos de música: música folclórica, jazz, rock, discoteca, country-western, rap, calypso, etc? Poderia ser que muitos cristãos cheguem a amar a estes tipos de canções gospel, porque elas se parecem em muito com a música da Babilônia?

 

Esta não seria a primeira vez na Bíblia que a música aparece conectada à falsa adoração. No pé do Monte Sinai a música e a dança estiveram envolvidas na adoração do bezerro de ouro (Êxodo 32:19). Na planície de Moabe, próximo à Terra Prometida, os israelitas foram "atraídos pela música e dança" para uma terrível apostasia (Números 25:1-2) Eles foram induzidos pela música a participarem na adoração pagã - algo que eles poderiam ter resistido sob outras circunstâncias.

 

Aqueles que raciocinam de que não há nada de errado com a adoração carismática na igreja, podem estar se condicionando a aceitarem a falsa adoração promovida por Babilônia. Satanás tem suas próprias canções para promover a falsa adoração no tempo do fim. Será que, pela adoção da música da Babilônia, alguns perderão a chance de cantar o Novo Cântico de Moisés e do Cordeiro? Que esta pergunta possa ressoar em nossa consciência e nos desafiar a adorar a Deus de acordo com as Suas determinações.

 

Que o Senhor tenha misericórida de nós e nos abençoe!

 

BATISMO...ESPÍRITO SANTO

08:57 @ 30/04/2008

Rev. Ashbell Simonton Rédua

asredua@yahoo.com.br

 

 

Há não somente entre os crentes simples da minha denominação, mas também entre pastores e até em alguns de nossos abalizados mestres, um receio perigoso a respeito da doutrina do Espírito Santo, principalmente em alguns dos seus aspectos de maior relevo, de maior importância.

 

Estudando o tema relacionado do Batismo (...+) o Espírito Santo, chequei a uma conclusão:

 

1º) Que existe muita confusão no seio da Igreja sobre o assunto; gerado pela falta de conhecimento;

 

2º)  Há uma tendência ao Pentecostalismo quando se fala sobre o assunto;

 

3º) Há uma das três formas aparecidas nas Igrejas, como se fosse uma só, tais como: Batismo no Espírito Santo; Batismo do Espírito Santo e Batismo com o Espírito Santo.

 

Quando se fala, por exemplo, em Batismo no Espírito Santo, muitos de nossos irmãos tremem, agitam-se, perturbam-se, pela simples razão de que os pentecostistas vivem a falar neste aspecto da doutrina bíblica. Ora, nós não devemos temer nada do que se acha na Bíblia. Entregar aos pentecostistas, simplesmente pelo medo, o importante assunto da Bíblia, como seja o Batismo no Espírito Santo, parece-me incongruente e muito prejudicial.

 

É necessário que nossos professores desenvolva estes três aspectos, para que possamos entender a Doutrina de forma coerente e dinâmica, como apresenta as Escrituras. Não podemos de forma alguma unir estas três expressões, para não corrermos em erro Hermenêutico, conhecido como Inferência Bíblica.

 

 Ser batizado no Espírito significa experimentar a plenitude do Espírito, (cf. 1.5; 2.4). Este batismo teria lugar somente a partir do dia de Pentecostes. Quanto aos que foram cheios do Espírito Santo antes do dia de Pentecostes (e.g. Lc 1.15,67), Lucas não emprega a expressão “batizados no Espírito Santo”. Este evento só ocorreria depois da ascensão de Cristo (1.2-5; Lc 24.49-51, Jo 16.7-14). O batismo no Espírito é para todos que professam sua fé em Cristo; que nasceram de novo, e, assim, receberam o Espírito Santo para neles habitar.

 

Ser Batizado com o Espírito Santo significa ser convertido. Não se exclui, obviamente, a exortação bíblica de que devemos buscar constantemente a plenitude do Espírito, ou seja o enchimento com o Espírito, que é a submissão progressiva à direção do Espírito. O pentecostalismo clássico defende a doutrina do batismo com o Espírito Santo como uma segunda, subseqüente e definitiva experiência. Quer dizer que a primeira experiência é a conversão, não suficiente, por isso exige-se uma segunda experiência, qual seja a experiência do batismo com o Espírito Santo. Essa experiência, afirmam, deve ser buscada intensamente através de oração, vigílias, jejuns e clamores. A evidência clássica de que alguém foi batizado seria então uma experiência de profunda comoção emocional, seguida do falar em línguas estranhas ininteligíveis (glossolalia).

 

Batismo do Espírito Santo significa mas uma ação do Espírito Santo de infusão e profusão. Essa infusão só tem como objetivo aflorar (despertar) os dons do Espírito Santo colocados em nós no Batismo com o Espírito Santo. Ignorar os dons espirituais é desconhecê-los. Desconhecê-los no sentido de não exercitá-los, ou mesmo no sentido de não ter qualquer informação sobre sua origem, intensidade e utilidade. Ignorar pode também significar falta de discernimento espiritual.

Concluindo afirmo que atribuir ao Espírito Santo coisas e fenômenos da própria mente emocionada ou desequilibrada não é bíblico. Atribuir ao Espírito Santo coisas que não edificam e nem promovem a paz, no caso "os fenômenos" das religiões de mistério, é falta de discernimento espiritual, o qual é necessário para não confundirmos nem sermos confundidos. Precisamos de discernimento para buscar com zelo os melhores dons. Precisamos de discernimento para não confundir barulho com louvor, entusiasmo com consagração constante, emocionalismo com o verdadeiro quebrantamento espiritual; precisamos de critério para, não confundir manifestações externas, não raro mecânicas e estereotipadas, com comunicação íntima, com fé firme, fé inabalável; precisamos ser pessoas lúcidas, pessoas sempre abundantes em fruto e na obra do Senhor. Não se pode dar crédito a todo e qualquer espírito. Nem toda a manifestação é realmente espiritual. Nem todo o que diz estar falando pelo Espírito, o está de fato. Por isso vos faço compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus afirma: anátema Jesus. E por outro lado, ninguém pode dizer: Senhor Jesus, senão pelo Espírito Santo (2 Co 12.3).

                Que Deus vós abençoe!

 

Rev. Ashbell Simonton Rédua

asredua@yahoo.com.br

 

 

           

            A Palavra de Deus insiste conosco quanto à necessidade que temos de orar,  já que a oração foi instituída e é ensinada por Deus por nossa causa, para o nosso bem, não por alguma carência no ser de Deus. Aliás, os preceitos de Deus não visam simplesmente satisfazê-Lo, mas, sim, propor caminhos para o homem, os quais ele, seguindo, será feliz e Deus será glorificado. Deus é glorificado através da obediência do Seu povo e somente assim  o homem pode encontrar o sentido da vida e da eternidade. “Deus só é corretamente servido quando Sua Lei for obedecida.”

 

            No Novo Testamento, Jesus Cristo enfatizou a necessidade dos seus discípulos orarem, sendo Ele mesmo um modelo de oração para todos nós. Todavia, deve ser ressaltado que Jesus não exercitava a oração apenas para ser um exemplo para nós, antes “a oração foi, em algum sentido misterioso, uma parte necessária de Sua vida ministerial.”

 

            No texto de Mateus 6.5-15, Jesus combate algumas práticas erradas de oração e apresenta princípios que devem nortear a oração cristã. Como a Bíblia – a Palavra de Deus – é o nosso manual de oração, precisamos aprender com ela como devemos orar, através dos ensinamentos de Cristo. A Oração do Senhor se constitui num modelo de oração para toda a Igreja em todos os tempos; através de seu estudo, podemos, mediante a iluminação do Espírito Santo, aprender uma série de princípios e orientações que devem nos guiar na escola da oração. Estudaremos a Oração Dominical, sob a perspectiva de três temas principais.  Devemos considerar também que Deus deseja que oremos com intensidade e integridade, não permitindo que as distrações de nossa mente nos afastem deste propósito santo.

 

            Na Oração do Senhor – “que é a oração representativa de todas” –,  encontramos um “roteiro”, no qual o Senhor Jesus “nos propôs tudo quanto dEle é lícito buscar, tudo quanto conduz ao nosso benefício, tudo quanto é necessário suplicar”. Acontece que, na prática, este privilégio só pode ser exercitado após termos aprendido, de forma vivencial, que tudo que é-nos necessário está em Deus.

 

1) Dirigida ao Pai (Mt 6.6,9): A Palavra de Deus nos ensina que a nossa oração deve ser dirigida ao Pai. Em nossas orações devemos aprender logo de início que estamos falando com o nosso Pai; o nosso Deus é Pai, de quem podemos nos aproximar com confiante amor, certos de que Ele está atento ao nosso clamor. "O Pai está sempre à disposição de seus filhos e nunca está preocupado demais que não possa ouvir o que eles têm a dizer. Esta é a base da oração cristã."

 

            2) Sincera (Mt 6.5-6): Os judeus tinham as suas horas certas de oração. Muitos cumpriam estes horários com coração sincero; contudo, outros se dirigiam à Sinagoga ou ao Templo, procurando estar justamente nestes horários nas praças, ou ruas de grande movimento, onde passavam pessoas em todas as direções, a fim de que quando desse a hora de oração, eles pudessem parar onde estavam e começassem a recitar as suas preces em voz alta, como se não tivesse dado tempo de chegar à Sinagoga. Vendiam a imagem de grande piedade e consagração, sendo respeitados por todos aqueles que não conseguiam interpretar corretamente as suas motivações.

            Jesus faz referência a estes homens que queriam ser considerados como consagrados e santos, mas que na realidade eram “hipócritas” (ator, intérprete), que gostavam de ser vistos, admirados e reverenciados. A palavra usada por Jesus em Mt 6.5 para “praça” é [Plate/ia  (“plateia”) = “estrada larga”, “rua”, “caminho”  (Vd. Lc 14.21; At 5.15).

 

            Jesus não estava condenando a oração pública, nem a oração individual feita em lugar público. Jesus recriminava, as orações privadas (mais íntimas), feitas em lugares públicos, as quais tinham motivações não dignas, pois objetivavam ter uma platéia para que pudesse ouvi-las e aplaudir aqueles “consagrados homens”. Portanto, a questão aqui não é propriamente o lugar, mas sim a sinceridade do coração do suplicante.

 

3) Objetiva (Mt 6.6-8): Jesus também nos ensina a não usarmos em nossas orações de ”vãs repetições” A expressão usada por Cristo, significando “falar sem sentido”, “balbuciar”, “repetir palavras ou sons inarticulados”, “falar sem pensar”,  “falar futilmente”, “gaguejar”, “dizer sempre a mesma coisa”, “tagarelar”, “uma repetição supérflua e exagerada”, “repetir uma fórmula muitas vezes”, etc.

 

A referência de Jesus é direta e intencional aos gentios: “E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios...” (Mt 6.7). Os pagãos criam que as repetições contribuíam para pressionar os seus deuses a conceder-lhes favores. Ao que parece, era esta crença que estimulou os profetas de baal a permanecerem durante horas orando ao seu deus sem serem respondidos (Vd. 1 Rs 18). Do mesmo modo, os efésios indignados com a pregação cristã, gritaram por quase duas horas: “Grande é a Diana dos efésios!” (At 19.34). De modo semelhante procedem os católicos romanos com suas repetições do “Pai Nosso” e “ave-maria”.

 

4) Reverente (Mt 6.9):  No verso 9, Jesus apresenta um forte contraste com a prática condenada, como que dizendo: “Vós, porém, como meus discípulos deveis orar assim....”. Jesus, ensina os seus discípulos a iniciar a oração com a meditação da glória de Deus. Aparentemente simples, na prática, nos parece uma dura e disciplinadora lição. Procuramos Deus nos limites de nossas forças, confessando de forma contundente a nossa limitação; no entanto, Jesus Cristo nos desafia a esquecer as nossas questões, os nossos problemas, e a conduzir os nossos olhos para a glória de Deus... “Antes de começarmos a pensar em nós mesmos e em nossas próprias necessidades, antes de nossa preocupação com o próximo, devemos começar nossas orações por esse grande interesse acerca do Senhor Deus, de Sua honra, de Sua glória”.

 

            Jesus quer nos educar de tal forma, que tenhamos em tudo, a começar pela oração. Ele nos mostra que por mais sérios e graves que sejam os nossos problemas e preocupações, Deus deve ter a primazia. “Somente quando se dá a Deus seu lugar próprio tudo o mais passa a ocupar o lugar que lhe corresponde”. Nesta oração, encontramos uma demonstração prática do ensino de Jesus: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas cousas vos serão acrescentadas” (Mt 6.33).

 

É impossível louvar a Deus sem que sejamos tomados de um reverente temor diante da Sua grandeza. “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; revelam prudência todos os que a praticam. O seu louvor permanece para sempre” (Sl 111.10).

 

5) Submissa (Mt 6.10): A oração não é uma tentativa de mudar a vontade de Deus, mas sim a manifestação sincera do nosso desejo de submeter-Lhe os nossos projetos, aspirações, sonhos e necessidades... “A oração, quando é autêntica, sempre é um intento de submeter nossos desejos à vontade de Deus. Esta submissão não é algo simplesmente aprendido pela razão, embora mesmo racionalmente temos argumentos para assim proceder, pelo fato de sabermos que Deus é sábio, bondoso e onisciente. “Somente o Espírito pode capacitar-nos a subordinar todos os nossos desejos à glória divina”. A submissão a Deus é um aprendizado da fé, através de nossa comunhão com Ele.

 

6) Confessante (Mt 6.12):  Ao orarmos reconhecendo a glória de Deus; a honra que devemos tributar à Sua pessoa, somos conduzidos naturalmente a olharmos para nós mesmos; e neste ato, temos uma nítida visão do nosso pecado. Esta foi a experiência de Isaías diante da majestosa visão de Deus (Vd. Is 6.1-5). “A visão do Rei divino humilhou Isaías até ao pó, porque o levou a ver sua própria insignificância”. “Nada há de melhor, para desenvolver esse santo temor, do que o reconhecimento da soberana majestade de Deus”.

    

A contemplação da majestade de Deus e o reconhecimento do nosso pecado nos levam a confessá-lo a Deus, rogando-Lhe perdão. E o fato é que todos nós somos pecadores.Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós” (1 Jo 1.9). O perdão de Deus é o princípio fundamental para o nosso relacionamento com Ele. Sem o Seu perdão, como poderemos orar? Por isso, precisamos iniciar com o perdão; todos nós carecemos da consciência do perdão de Deus.

 

            Na Oração do “Pai Nosso”, a palavra empregada para “dívida” refere-se a uma dívida pendente que precisa ser paga e ao mesmo tempo assinala que não dispomos de recursos para fazê-lo. Calvino comenta o emprego do termo “dívida” para se referir aos nossos pecados, dizendo:

           

“Aos pecados, porém, Cristo designa de dívidas, porque lhes devemos a pena, nem poderíamos de qualquer modo satisfazê-la, a menos que fôssemos desobrigados por esta remissão, que é um perdão de Sua gratuita misericórdia, quando Ele próprio generosamente expunge estas dívidas, nenhum pagamento de nós recebendo; pelo contrário, de Sua própria misericórdia a Si satisfazendo em Cristo, Que a Si Mesmo Se entregou, uma vez em compensação (Rm 3.24).”

 

7) Suplicante (Mt 6.10-13): Uma das coisas que mais fazemos, quando oramos, é pedir, rogar, suplicar algo a Deus. De fato, orar é abrir o nosso coração a Jesus, expondo-Lhe nossas carências, angustias, temores, frustrações, projetos... Sabemos, contudo, que orar não é apenas pedir mas, também, interceder, agradecer, louvar, confessar, adorar. Todavia, a súplica é-nos ensinada na Palavra de Deus e, aqui, na oração do “Pai Nosso”, além de adoração e confissão, encontramos também súplica.

   

 Na súplica devemos ter sempre patente em nossos corações as promessas de Deus: Tudo quanto Deus prometeu deve ser o alvo de nossas petições; nem mais nem menos.

   

 No exercício da oração somos educados a moderar os nossos desejos, visto que os colocamos diante do Deus Santo. O sentido é o seguinte: Temos uma relação filial de confiança com o nosso Deus, expomo-Lhe  a consciência de nossas carências. Todavia, como bem sabemos, nos dirigimos ao Senhor da glória, a Quem fica bem o reverente temor e adoração. Deste modo, somos estimulados a santificar os nossos desejos, rogando a Deus que eduque a nossa mente, as nossas emoções e a nossa vontade; somente assim, poderemos orar: “seja feita a Tua vontade”.

Amém.

 

EVANGELISMO FAMILIAR

09:12 @ 30/04/2008

 

COMO GANHAR UM CÔNJUGE QUE NÃO CRÊ NO SENHOR

 

 

- Ser uma fonte de estímulo emocional e espiritual para o cônjuge que não crê, lutando para não julgar seu comportamento, mas oferecendo-lhe regularmente elogios e palavras de ânimo.

- Dar um exemplo sincero de fé e da graça de Deus, vivendo com honestidade sua crença evangélica diante de seu cônjuge...Reconhecendo suas debilidades e faltas, e sua necessidade de melhora.

 - Compartilhar com seu cônjuge sobre o perdão e contínuo reavivamento que encontra em Cristo.  Tudo o que têm aprendido na sua relação com Cristo faça melhor sua experiência matrimonial.

- Fazer esforços extras para identificar e enfatizar as coisas que você e seu cônjuge tem em comum.  Buscar os pontos em que concordam.

- Participar alegremente em todos os aspectos possíveis da vida de seu cônjuge sem comprometer seus princípios.

- Descobrir juntos novas atividades e amizades para substituir aquelas que foram deixadas atrás por causa de sua fé, dando-se conta que a força do vínculo de amor que os une é o mais importante para ganhar seu(ua) amado(a) para Cristo.

- Ao fazer amizades na igreja, convide homens para que sejam amigos de seu esposo, ou mulheres para que sejam amigas de sua esposa.

- Convidar seu cônjuge para participar nas atividades da Igreja, tais como: sociais, seminários de saúde, eventos familiares, retiros, acampamentos ou programas de manutenção.

- Animar seu cônjuge a participar em alguns aspectos da igreja ajudando com suas habilidades e experiência.

 

Que Deus vos abençoe!

 

Rev. Ashbell Simonton Rédua

asredua@yahoo.com.br

 

A principal palavra utilizada é nabi, que vem da raiz verbal naba, e significa “anunciador”, “declarador”, “porta-voz”, “denunciador”. A idéia essencial da palavra é a de “porta-voz” autorizado ou oficial. Outras palavras também importantes para profetas são roeh e hozeh, que significam “aquele que vê”, “vidente”.

Leia o texto de I Crônicas 29:29, e veja um exemplo do uso destas três formas.

 

Mas o que é um profeta? Para o Antigo Testamento, era o instrumento pelo qual Deus falava diretamente.”

A principal palavra é prophetes, que possui a seguinte composição: pro (antes, em favor de) + phemi (falar). É aquele que fala por outrem, intérprete.

 

“Apesar da idéia de predição do futuro fazer parte inerente do ofício profético, incluindo acontecimentos nacionais, comunais e individuais, o ofício profético envolvia as atividades de exortação, ensino, pastoreio, e liderança espiritual em geral.”

 

Sobre o dom espiritual de profecia, observe algumas considerações. A profecia pode acontecer na vida de alguém através da pregação da Palavra de Deus (I Co 14:24,25), ou ainda por intermédio de uma exortação consoladora (At 15:32).

 

Em Romanos 12:6 e I Coríntios 12:10, vemos a menção a este dom. Em Efésios 2:20 lemos que os profetas fazem parte do fundamento pelo qual a igreja está construída. No entanto, a profecia ainda permanece válida como dom espiritual? Alguns teólogos carismáticos entendem que sim. Que a igreja ainda exerce a profecia hoje, quando recebem revelações diretas da parte de Deus, seja em sonhos ou manifestação claramente distinguível. Já os teólogos tradicionais dividem-se em duas principais posições. Uns entendem que a profecia ainda é exercida, mas não da forma carismática. Através da pregação expositiva da Bíblia. Outros teólogos ensinam que este dom já se esgotou por completo, pois não consideram a pregação como um ato profético (I Co 13:8-10; Jd 3).

 

“Portanto, o pregador cristão não é um profeta. Ele não recebe qualquer revelação original; sua tarefa é expor a revelação que já foi definitivamente dada. E muito embora pregue no poder do Espírito Santo, ele não é ‘inspirado’ pelo Espírito no sentido em que os profetas o foram. (...) a profecia é mencionada como dom espiritual (Rm 12:6; I Co 12:10,29; Ef 4:11), mas este dom não é mais concedido a pessoas na igreja. Agora que a Palavra de Deus escrita está à disposição de todos nós, a Palavra de Deus não vem mais aos homens hoje. Ela já veio para todos os homens; agora os homens é que precisam ir até ela.”

 

        Que Deus vós abençoe!

 

Rev. Ashbell Simonton Rédua

asredua@yahoo.com.br

 

 

Tenho ouvido e lido muito a frase "Está amarrado em nome de Jesus!". E me pergunto: "De onde saiu esta idéia?".

 

Tal idéia deve vir de Mateus 12.29 e Marcos 3.27. Os dois textos tratam do mesmo evento. Lucas 11.17-23 também narra o episódio, mas omite a declaração de Mateus e Marcos: "amarrar o valente". Convenhamos: a base é muito precária para estabelecer uma doutrina e uma prática tão revolucionárias.

 

Jesus havia feito uma série de curas, conforme Marcos. A que mais impressiona Mateus é a do endemoninhado cego e mudo. Era o cúmulo da desgraça: não ver e não falar, além de ter demônios. Jesus o curou. Sem ter o que dizer, os fariseus o acusaram de agir por Belzebu, divindade cananéia, cujo nome significa "Baal, o príncipe". Esta definição do nome Belzebu fica bem clara em Marcos 3.22. Para os fariseus, Jesus não estava agindo nem mesmo por um demônio conhecido, mas por divindades estrangeiras.

 

A resposta de Jesus, como sempre, é admirável. Se ele estivesse mancomunado com Satanás ou Belzebu (uma "divindade" pagã, para ele, é demoníaca) seria um caso de guerra civil. Satanás estaria contra Satanás. Seria uma casa dividida e uma casa dividida não subsiste. Mas ele veio pelo Espírito de Deus e com ele irrompeu o reino de Deus (Mateus 12.28). Jesus entrou num mundo dominado pelo maligno (1 João 5.19) e estabeleceu seu reino. Ele veio para libertar os oprimidos do Diabo (Atos 10.38) e destruir as obras de Satanás (1 João 3.8). Veio ao terreno dominado pelo inimigo, adentrou seus domínios e abalou seu poder.

 

É aqui que surge a expressão "amarrar o valente" (Mateus 12.29 e Marcos 3.27). Jesus fez isso. Ele limitou o poder de Satanás. Mas atenção: em lugar algum a Bíblia diz que os crentes amarram Satanás. Isso foi obra de Jesus ao irromper na história com seu reino, abalando o poder do inimigo. Crentes não amarram Satanás. A Bíblia não traz um versículo sequer dizendo que com uma simples declaração conseguimos esta proeza. É muito simplismo e pretensão de algumas pessoas presumirem que suas palavras amarram Satanás.

 

Levanto algumas considerações para pensamos:

 

1) Por que o amarram em cada culto? Ou fica amarrado para sempre ou alguém o solta! Quem o solta depois que ele é amarrado?

 

2) Se ele está amarrado, quem está agindo? É impossível deixar de reconhecer que ele está solto, agindo neste mundo.

 

3) Jesus estava sendo literal? Devemos tomar a expressão como algo literal e dar-lhe um sentido universal, aplicável a todos os crentes, num sentido que Jesus não deu? Ou estava usando uma linguagem em figura para dizer que não tinha ligação alguma com Satanás, que eram adversários e que ele tinha vindo para destruir o Maligno? O próprio Jesus, que veio para amarrá-lo, foi tentado por ele (Mateus 4.1-10 e 16.23). Paulo nos adverte que é contra ele e seus asseclas que temos que lutar (Efésios 6.12). E nos aconselha a nos aparelharmos para a luta (Efésios 6.13-18). O quadro é de luta e não deste simplismo de deixar o inimigo amarrado com uma palavra.

 

4) Qual a base bíblica para esta afirmação? É isto que não consigo entender: como práticas que resvalam para doutrina são estabelecidas em nosso meio, apenas com tintura bíblica, mas sem embasamento? Afinal, Paulo nos aconselha a lutarmos contra ele, em vez de amarrá-lo. Tiago 4.8 e 1 Pedro 5.9 nos aconselham a resistirmos ao Diabo, em vez de amarrá-lo. Por que a Bíblia não deixa bem claro, se é possível isso, que o amarremos com uma frase de efeito?

 

5) Não será uma estratégia do próprio inimigo disseminar em nosso meio a idéia de sua fraqueza e que é fácil vencê-lo? Não será seu interesse que os cristãos pensem que uma frase feita o impeça de agir e assim nos descuidemos de nossa vigilância?

 

Que o Senhor vos abençoe!

 

 

 

 

 

Rev. Ashbell Simonton Rédua

asredua@yahoo.com.br

 

"E não vos conformeis com este século..." (Rm 12.2).

 

As palavras do apóstolo Paulo, mais que nunca, nos alertam para o cuidado que devemos ter quanto à influência deste mundo sobre a Igreja do Senhor. Essa influência, em nossos dias tem se evidenciado de maneira muito clara na destruição dos nossos fundamentos.

 

Todos os princípios absolutos de nosso mundo tem sido ameaçados. O que sempre foi tido como verdade, hoje é questionado. Gene Edward Veith Jr, em seu livro "Tempos Pós-Modernos", publicado por nossa Casa Editora Presbiteriana, explica bem essa ameaça de nosso século:

 

"Os grandes sistemas intelectuais do passado (tais como o platonismo, o Cristianismo, o marxismo, as ciências) sempre tiveram fundamentos específicos (ideais racionais; Deus; a economia; a observação empírica).  O pós-modernismo, por outro lado, é antifundamentos. Busca destruir todas esses fundamentos objetivos sem nada colocar no lugar deles."[1]

 

Essa ameaça contemporânea tem afetado fortemente a Igreja do Senhor no que diz respeito às suas bases doutrinárias. Nunca a Palavra de Deus e nossos símbolos de fé foram tão questionados dentro da Igreja. Nunca as bases de nossa fé foram tão atacadas como em nossos dias.

 

Sábias são as palavras do salmista inspirado quando questiona: "destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo?" (Sl 11.3). De fato, o que será de nossa histórica Igreja Presbiteriana do Brasil se destruídos forem os seus fundamentos? Se a Palavra de Deus for rejeitada e colocada de lado?

Com estas perguntas em nossas mentes, analisemos um dos movimentos que ameaçou a Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo nos seus primeiros séculos, a sua condenação e a defesa da mesma heresia por parte de Samuel Doctorian.

 

I. O Montanismo

O Montanismo foi um dos movimentos heréticos da história da Igreja Cristã, com surgimento por volta do ano 150 d.C.. Recentemente, a Comissão Permanente de Doutrina da IPB definiu este movimento da seguinte forma:

"O Montanismo foi um movimento apocalíptico cristão que surgiu no século II, liderado por Montano, um cristão da Frigia, que alegava ter recebido uma revelação direta do Espírito Santo de que ele, como representante do Espírito, lideraria a Igreja durante o último período dela aqui na terra."[2]

Montano cria na inspiração contínua e colocou-se como alguém por meio do qual o Espírito Santo falava, no mesmo nível que falara através de Paulo e dos outros apóstolos.

 

Na sua visão, o "mais elevado estágio da revelação"[3] havia sido atingido nele. O fim do mundo estava próximo e o Espírito o havia escolhido, juntamente com duas profetisas, Maximila e Prisca, para falar à humanidade sobre os últimos julgamentos de Deus sobre o mundo. Montano cria que era o último profeta escolhido por Deus para revelar seus eternos planos.

 

Tertuliano, o mais famoso adepto do Montanismo, em sua obra De Anima (Sobre a Alma), deu o seu relato sobre o movimento. Falando sobre uma das profetisas, ele disse o que segue: "Nós temos entre nós uma irmã que tem sido agraciada com muitos dons de revelação, os quais ela vivencia no Espírito, por meio de visões extáticas, na Igreja, no meio dos ritos sagrados do Dia do Senhor. Ela conversa com anjos e, às vezes, até com o Senhor. Ela vê e ouve comunicações misteriosas. Ela consegue discernir o coração de alguns homens e recebe instruções para a cura sempre que precisa. Seja lendo as Escrituras, cantando salmos, pregando ou oferecendo orações  em todos estes serviços religiosos, oportunidades são oferecidas a ela para que tenha visões".

 

Além das visões e conversas com anjos, uma das profecias do movimento era a de que, após a morte de uma de suas profetisas, Maximila, viria o fim, com tumultos e guerras por toda a parte. A história provou a falsidade desta profecia.

 

II. A Posição da Igreja

A Igreja Cristã reagiu fortemente contra o Montanismo. O fanatismo e as reivindicações de possuir revelações superiores às do Novo Testamento fizeram do Montanismo uma ameaça à Palavra de Deus.

 

Na medida em que os profetas do movimento consideravam suas revelações como sendo últimas, a revelação bíblica, dada por Deus através dos profetas e apóstolos, ficava rejeitada a um segundo plano.

Diante desta ameaça à Palavra de Deus, a posição da Igreja foi condenatória. Em 381, o Concílio de Constantinopla, condenou o movimento como herético.

 

III. Samuel Doctorian

            Samuel Doctorian é um pastor de origem armênia, nascido em Beirute. Obteve sua graduação em Teologia no Hurlet Nazarene College, na Escócia e foi ordenado em 1951.

 

Desde 1952, Samuel Doctorian tem rodado o mundo pregando avivamento em igrejas evangélicas, católicas e ortodoxas.

 

Seguindo a mesma linha milenarista e apocalíptica de Montano, Samuel Doctorian declara conversar com anjos e ter revelações quanto ao grande julgamento que Deus exercerá sobre o mundo nos últimos dias. Seguem abaixo suas "profecias":

"Profecia do Dr. Samuel Doctorian, Diretor da Bíblia Lands Mission (sic) acerca dos tempos, intitulada "Os Cincos Anjos dos Continentes", em 16 de agosto de 1998, na Ilha de Patmos. Esta mensagem foi transcrita por Ruthanne Galok, a partir de uma fita cassete recebida em Singapura, em 30 de agosto de 1998. A fita foi trazida por Wee Tiong Howe, um cristão que acabara de voltar da ilha de Patmos. onde estivera em oração com um pequeno grupo de singapureanos. Ali, Samuel Doctorian relatou-lhes a experiência.

 

Rev.Ashbell Simonton Rédua

asredua@yahoo.com.br

 

Abaixo transcrevemos alguns trechos dos ensinos de Samuel Doctorian e, em seguida, a posição da IPB a respeito de tais idéias:

 

1. Meio pelo qual Deus revela sua vontade

Samuel Doctorian: "PRIMEIRA CARTA DE SAMUEL DE PATMOS. PATMOS, Grécia, João o Apóstolo do Senhor, o Apóstolo do Amor. Dois mil anos atrás, ele estava no exílio, nesta ilha de Patmos. Pela graça de Deus e pela condução do Santo Espírito, aqui estou eu em Patmos após dois mil anos, tendo uma maravilhosa experiência com o Senhor. Eu estou só e capacitado pelo Espírito a escrever esta carta de Patmos a todos os meus preciosos irmãos e irmãs em Cristo, a todos aqueles na comunhão da Bible Land Mission, a todos que estão orando por nós e pelo ministério que o Senhor nos deu."

 

Igreja Presbiteriana do Brasil: "Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência de tal modo manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inexcusáveis, contudo não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e da sua vontade necessário para a salvação; por isso foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar à sua Igreja aquela sua vontade; e depois, para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e, do mundo, foi igualmente servido fazê-Ia escrever toda. Isto torna indispensável a Escritura Sagrada, tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo. Referências - Sal. 19: 1-4; Rom. 1: 32, e 2: 1, e 1: 19-20, e 2: 14-15; I Cor.1:21, e 2: 13-14; Heb. 1: 1-2; Luc. 1: 3-4; Rom. 15: 4; Mat. 4: 4, 7, 10; Isa. 8: 20; I Tim. 3: 15; II Pedro 1: 19."

 

Observe que Samuel Doctorian vai para Patmos, a mesma ilha onde João recebeu a revelação sobre as últimas coisas, o Apocalipse e, da mesma forma que João, tem "revelações" e as escreve aos crentes de nossos dias. Como se tantas semelhanças fossem poucas, ele denomina suas cartas da mesma forma que as cartas inspiradas "PRIMEIRA CARTA DE SAMUEL DE PATMOS". Assim como Montano, Doctorian crê que sua revelação é um substituto à revelação registrada na Bíblia.

 

2. Apego aos anjos, desprezo à Palavra

Samuel Doctorian:  "Enquanto meditava durante o período de um mês naquele lugar solitário, pensei: Gostaria de saber se o Senhor algum dia enviará o décimo anjo. Eu já vira anjos nove vezes anteriormente."

 

O anjo respondeu: "Esta é a sua mensagem. Você é o instrumento, o canal. Que privilégio Deus ter escolhido você para entregar esta mensagem às nações".

 

"TERCEIRA CARTA DE SAMUEL DE PATMOS. Nos últimos vinte e cinco anos de meu ministério por Cristo eu tive o mais maravilhoso privilégio e bênção de experimentar nove visitas de anjos. Eu vejo anjos. Eu falo com eles. Eles falam comigo. Tem sido algo tremendo em minha vida pensar que Deus ordenaria a mim ver seres angelicais, estes maravilhosos espíritos ministradores. A Deus seja a glória. Eu sempre quis descobrir se anjos têm asas. Tanta gente me pergunta "Quando você viu anjos, você viu asas?" Minha resposta era "Eu estava tão chocado, trêmulo, e com medo quando eu vi anjos, que eu não tive coragem e ousadia para perguntar se eles tinham asas". Mas eu estou decidido a, na próxima vez, na minha décima experiência, se Deus quiser que isso aconteça e que eu veja o anjo, a perguntar a ele "Você tem asas?. Eu adoraria vê-las. Muitos tem perguntado por elas!"

 

Igreja Presbiteriana do Brasil:  "Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema." (Gl 1.8,9)

 

"E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça; e o fim deles será conforme as suas obras." (2Co 11.14,15)

 

Ao revelar sua busca por mensagens de anjos e incentivar o povo de Deus ao mesmo, Doctorian mostra o pouco valor que dá a mensagem contida nas Escrituras Sagradas.

 

3. Cessação do Registro Bíblico

 

Samuel Doctorian:  "Em Maio de 1998, eu fui conduzido pelo Santo Espírito a ir à Ilha de Patmos. Esta foi uma oportunidade para oração, jejum, estudo bíblico, e um tempo para examinar meu coração. Eu tive 125 maravilhosos dias lá, sozinho. Em 20 de Junho, daquele ano, eu tive uma grande visita de cinco anjos... Eles me deram mensagens que agora estão em todo o mundo, na internet, em revistas, panfletos e livros, propagando a importante mensagem daqueles cinco anjos poderosos"

Igreja Presbiteriana do Brasil:  "A Escritura ensina e a Igreja crê que, como instrumento para predizer as várias etapas do plano divino de redenção, a profecia cumpriu sua finalidade através dos antigos profetas e dos apóstolos, os quais registraram de forma inspirada e infalível as etapas ainda futuras da História da Redenção, como a Segunda Vinda de Cristo, a ressurreição dos mortos e o juízo final. Assim, como veículo de revelação divina, ela cessou com os apóstolos e profetas, os quais lançaram os fundamentos da Igreja de Cristo."

 

Para Samuel Doctorian, o canon sagrado ainda está aberto, isto é, Deus continua mandando mensagens ao seu povo, talvez para completar o que ficou faltando.

 

 

Rev. Ashbell Simonton Rédua

asredua@yahoo.com.br

 

Certo dia ouvi um colega de ministério dizer: “somos agora executivos eclesiásticos”, fiquei imaginando como seria um executivo eclesiástico circulando com agendas eletrônicas, telefones celulares, secretárias, auxiliares e assistentes, para atender a um volume cada vez maior de reuniões, entrevistas, conferências, aconselhamentos.

 

Já existe alguns serviços disponíveis para os profissionais da religião: terceirização do boletim da Igreja (incluindo as pastorais), serviço de marketing, assessores em visitação, aconselhamento, isto, sem expressar a profissionalização do Ministério, já existe pastores especialistas em evangelismo, acesso-ramento familiar, juventude, crianças e adolescente, administradores, e, até pregadores. Afinal ter uma agenda repleta de compromissos é sinal de competência. Para alguém ser competente, precisa estar com a agenda dos próximos meses com-pletamente cheia. Este sim é um bom profissional.

 

Nesta busca por reconhecimento profissional não temos mais tempo para construirmos amizades verdadeiras e profundas, nem tempo para caminharmos com nossos amigos no caminho do discipulado. Não temos tempo para ouvir as histórias dos velhos, os dramas dos mais novos e as crises da alma humana.

 

Dispomos apenas de poucos minutos!

 

Vivemos hoje um processo de profissionalização do sacerdócio, o qual vem deixando de ser uma vocação para tornar-se numa profissão, e isto faz uma diferença tremenda nos resultados.

 

Ao ser direcionado por resultados enfrentaremos algumas crises:

 

1º) A crise gerada pelos resultados mensuráveis.

 

Trata-se da tendência de ter como motivação principal os resultados decorrentes das ações do ministério. Muitos líderes encontram-se frustrados porque os resultados que esperam nem sempre aparecem com rapidez e  objetividade que gostariam. O profissionalismo nos induz a avaliar o ministério por resultados mensuráveis.

 

2º) A crise gerada pela autosuficiência

 

Líderes profissionais encontram-se constantemente diante do perigo de criarem pequenos reinos para eles mesmos. O profissional necessita ser reconhecido, admirado, aclamado. Precisa sentir-se e preservar-se superior aos outros para mantê-los cativos e dependentes. Geralmente o líder profissional é cercado de admiradores e não de discípulos, de dependentes emocionais e não de amigos. O poder impede que as pontes de amizade e comunhão sejam estabelecidas.

 

3º) A crise gerada pelo individualismo.

 

O profissional reconhece que as mudanças precisam acontecer, empenha-se em converter as pessoas mas é tentado a pensar que ele próprio não precisa de conversão. Ao invez de reconhecer que é parte da comunidade que serve, veste a fantasia de "messias", intocável, sempre correto e justo. A profissionalização do ministério torna-nos desumanos, mais preocupados conosco e nosso sucesso do que com a vida e seus afetos.

 

4ª) A crise gerada pela falta de opção: É possível que alguém decida ser um pastor,  por não ter condições financeiras de custear um curso em uma universidade , percebe que poderia fazer um curso de nível superior pago pelo Presbitério e ainda recebendo ajuda de sua Igreja.

 

Como vencer essas crises?

 

1º) Nossos pastores precisam, em meio a tantas pressões da sociedade em que vivemos, reencontrar a essência de sua vocação pastoral.

 

Ao realçar esta dimensão trinitária da vocação os textos abaixo mostram a ligação que existe entre a vocação, a vida e consequentemente a espiritualidade. A vocação passa a ser entendida como relacionamento pessoal com Deus vivido no interior de uma comunidade bem concreta. Deus chama para um encontro com Ele, a partir das solicitações de um povo que sofre (Êx 3,1-10; Jr 11,4-10). A vocação é, pois, uma “sedução”(Jr 20,7), uma “conquista do coração” (Os 2,16) por parte de Deus, para uma vida de intimidade, de comunhão com Ele. É um convite para ficar com Ele, para participar da sua vida (cf. 1 Ts 4,17; Jo 17,24; 1 Pd 5,1).

 

2º) As igrejas locais precisam se libertar das demandas das metodologias e da ditadura do “ser espetacular” para redescobrirem sua natureza singela como comunidade de discípulos em missão no mundo.

 

A participação na missão e na vida da Igreja e, portanto, na evangel