Eleições em Cuba
02:53 @ 19/11/2006
Eleições em
Cuba Keilla Mara de Freitas A manchete do principal jornal de
Cuba, o Granma, de terça-feira, 22 de outubro falava dos resultados das
edições diretas para os delegados da assembléia municipal de poder popular:
votaram 95,34% dos eleitores registrados. Keilla Mara de Freitas é militante do PCdoB, bolsista em
Cuba, no terceiro ano de medicina, na ELAM - Escola Latino Americana de
Medicina, é dirigente estudantil em Cuba. Colunista quinzenal do
Vermelho (inicialmente) escreverá às quartas-feiras. fonte http://www.vermelho.org.br/diario/2002/1106/keilla_1106.asp
Eram 32.585 candidatos
indicados pelo povo, por voto livre, direto e secreto, que saíram diretamente
dos Comitês de Defesa da revolução (CDRs). Ao todo foram eleitos 13.563
delegados às assembléias municipais do poder popular. Ponto importante: o
segundo turno é feito somente para pessoas que não puderam votar no primeiro
turno, ou seja, em Cuba não existe segundo turno como no Brasil, ganha-se por
maioria simples.
Conversando com os companheiros cubanos que estudam
comigo no hospital, é fácil ver como é difícil para os cubanos compreender a
situação eleitoral no Brasil.
Partido único, não existem propagandas
eleitorais, o voto é a partir dos 16 anos e é facultativo. Há pessoas que não
podem ir ao local de votação e querem votar. Nesses casos, elas recebem em sua
casa o companheiro da comissão eleitoral e um pioneiro (crianças do ensino
fundamental que possuem sua organização estudantil, com congresso e tudo — como
uma Ubes para os que ainda não estão na idade de entrar na Ubes). Cada urna é
guardada por um pioneiro.
As eleições em Cuba também se dão por níveis,
mas é bastante distante da forma que se dá no Brasil.
O que aconteceu por
esses dias foi a primeira fase desse processo.
Em cada CDR os moradores
indicam um candidato, os cidadãos votam para as pessoas que vão compor a
assembléia municipal de poder popular (seria como um vereador).
Para a
assembléia estadual de poder popular também são indicados pelas organizações de
massa e serão votados por todo o povo em fevereiro de 2003 (como os deputados
estaduais).
Em nível nacional, compõem o Parlamento os delegados e os
deputados, e todas as organizações de massa (Central de Trabalhadores
Cubanos-CTC, Federação Estudantil Universitária-FEU, Federação de Mulheres
Cubanas-FMC, Comitês de Defesa da Revolução-CDR). Há uma quantidade de cadeiras
as quais são indicadas depois de conversas nas respectivas bases. É por isso que
neste nível já não se faz votação novamente.
Para a Presidência da Republica, votam os delegados e deputados da
Assembléia Nacional de Poder Popular.
Assim é, grosso modo, a forma
política de organização da República de Cuba.
Resta-me somente uma
reflexão mais sobre este tema.
Quando ouvirmos falar sobre o sentido de
democracia e a respeito de sistemas políticos tão diferentes como o nosso em
relação ao cubano, com uma conotação destrutiva da imagem de Cuba, vale
tentarmos não julgar pelas nossas experiências. Sabemos que nenhum sistema é
perfeito, dado que são implantados pelo homem que tampouco é
perfeito.
O importante é sermos capazes de respeitar
a história de cada país, e somente a partir daí fazer uma avaliação de seu
desenvolvimento.
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