Grupos

Caros amigos,

estou mudando o blog Contra os Reis e as Religiões para:

http://semsenhores.wordpress.com

e o blog O Reino de Deus, pelo menos por enquanto, será uma categoria deste blog:

http://semsenhores.wordpress.com/category/o-reino-de-deus

Um abraço fraterno

Walter

Mulher pelada... e castigada

13:11 @ 12/12/2007

Introdução

Os cristãos citam a pornografia como indicativo da depravação da nossa sociedade. Mas, nisso, eles, em primeiro lugar, demonstram mais sua própria ojeriza ao sexo produzida por uma programação mental contraditória, arbitrária e degradante do que uma suposta profusão de luxúria, como se a sexualidade em si, e não o seu exercício degenerado ou imprudente, fosse problemática. E, em segundo lugar, tentam provar uma coisa usando uma prova em contrário. Afinal, se na pornografia as mulheres são desinibidas e o sexo parece bom (ainda que essa aparência seja artificial), isso nos prova, como se já não soubéssemos, que homens e mulheres, já conhecidos ou não, se encontrarem em uma ocasião da vida normal e terem uma bela transa para todos os parceiros não é cotidiano.

Há cristãos com dúvidas como se é possível uma amizade pura (que eu poria entre aspas) entre homem e mulher1 ou se é pecado ir ao motel com o cônjuge2. Enquanto qualquer naturalidade do cristão em relação ao sexo é hipocrisia, seja perante os não-reacionários, seja perante si mesmo, a anatematização que o cristão faz ao sexo é sincera, guardada a falta de coerência dele consigo mesmo (observemos que ainda hoje se usa o termo "pureza" como antônimo de sexualidade).

Vou mostrar alguns casos de mulheres que pagaram pelo crime da nudez.

1 EXISTE amizade puríssima entre homem e mulher? Disponível em <http://forum.arcauniversal.com.br/viewtopic.php?t=556>. Acesso em 12 de dezembro de 2007.

2 NORONHA, José Adelson de. Ir ao motel com o marido é pecado? Verbo Eterno, 20 de agosto de 2007. Disponível em <http://verboeterno.wordpress.com/2007/08/20/ir-ao-motel-com-o-marido-e-pecado>. Acesso em 12 de dezembro de 2007.

Priscila Cabral, comissária de bordo. Brasil, 2001

TAM demite aeromoça que tirou foto pelada para pagar escola

FABIANA FUTEMA

da Folha Online

Um ano após ser demitida pela TAM, a comissária de bordo Priscila Cabral juntou forças para contar sua história ao público. A comissária foi demitida depois que seus colegas de trabalho descobriram que antes de entrar na TAM ela havia tirado fotos sem roupa e sido capa de uma revista erótica.

"Enfrentei um período de depressão e só agora resolvi contar minha história. Aceitei calada esse período mas resolvi limpar meu nome."

Priscila disse que só aceitou tirar as fotos porque estava com as mensalidades do curso preparatório para comissários em atraso e dessa forma não poderia prestar o exame de admissão do DAC (Departamento de Aviação Civil).

"Não fiz as fotos para me promover. Era uma questão de necessidade. Precisava pagar o curso ou desistir do sonho de ser comissária."

Com o cachê de R$ 650 recebido em 1999, Priscila pagou as mensalidades atrasadas, passou nos exames e pouco tempo depois foi contratada pela TAM. Segundo ela, seu trabalho começou a se destacar logo que entrou na companhia aérea.

"Recebi vários elogios e comecei a fazer uma série de trabalhos relacionados à prevenção de acidentes em aeronaves."

Para Priscila, sua demissão foi motivada justamente pelo sucesso de sua carreira. "Seu eu não estivesse sendo tão reconhecida, o caso teria passado despercebido."

A assessoria da TAM informou que Priscila foi demitida porque houve uma solicitação do grupo de trabalho do qual ela fazia parte. Segundo a assessoria, o grupo se sentiu "moralmente ofendido" pelas fotos que saíram na revista.

Mas Priscila nega que isso tenha ocorrido. "Minhas colegas têm medo de serem demitidas. Mas me disseram que foi a chefia que pediu a minha cabeça."

Priscila não foi a primeira comissária da TAM a tirar a roupa para uma revista erótica. Outra funcionária da empresa já posou para a Playboy. A diferença é que nesse caso a comissária já era funcionária da TAM. Mesmo assim, não houve punição para a funcionária.

A TAM informou que existem regras de conduta a serem seguidas pelo pessoal de atendimento direto ao público. As regras regulam desde o decote das blusas e cumprimento das saias até o penteado e cor das unhas e maquiagem das comissárias.

A presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Graziella Baggio, disse que não sabia nem o que dizer sobre o caso de Priscila. "É a primeira vez que escuto uma história dessa. Não posso opinar se é certo ou errado."

Priscila disse que depois da demissão, encontrou barreiras para encontrar emprego em outras companhias aéreas. "Quando descobriam o motivo da minha demissão, ninguém queria me empregar. Ainda existe muito preconceito."

Apesar de todo o constrangimento, Priscila não pretende processar a companhia aérea.

"Ainda quero voltar para a aviação e uma ação dessas não facilitaria minha vida. Tudo que quero mostrar é que, em nenhum momento, fugi das normas de conduta da companhia aérea."

Desde novembro, Priscila trabalha como professora numa escola preparatória para comissários.

FUTEMA, Fabiana. TAM demite aeromoça que tirou foto pelada para pagar escola. Folha Online, 18 de fevereiro de 2002. Disponível em <http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u41885.shtml>. Acesso em 12 de dezembro de 2007.

Fabíola Rodrigues, funcionária pública. Brasília, 2004

Strip-tease causa embaraço em ministério

Um strip-tease provocou embaraço no Ministério da Agricultura. Uma funcionária da pasta tirou fotos em poses eróticas como num ensaio sensual.

De acordo com o jornal O Globo, o ensaio acabou distribuído por e-mail. As fotos de Fabíola Rodrigues Santos da Silva, de 18 anos, foram tiradas em um dos gabinetes do Ministério da Agricultura.

O ministro Roberto Rodrigues mandou abrir uma sindicância para investigar de quem é a responsabilidade pelo ensaio. A sala 940-A, em que foram feitas as fotos, fica no 9º andar, em cima do gabinete do ministro.

No local, trabalham dois assessores diretos do segundo homem-forte do ministério, o secretário-executivo José Amauri Dimarzio. Fabíola até a semana passada trabalhava na seção de protocolo, contratada por uma empresa que presta serviços administrativos ao ministério.

Na quinta-feira, ela foi afastada e, ontem, decidiu pedir demissão. Ainda não há previsão de quando a investigação será concluída. Funcionários que trabalham no andar deverão ser chamados para prestar depoimento.

Fabíola entrou no ministério em novembro de 2003 como estagiária. Ela trabalhou na seção de controle de pragas até meados de 2003, quando foi transferida para o protocolo. Em janeiro, foi contratada como auxiliar pela empreiteira Federal Service, mas não mudou de função. Recebia R$ 480.

TERRA. Strip-tease causa embaraço em ministério. Terra, 22 de junho de 2004. Disponível em <http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI329600-EI1194,00.html>. Acesso em 11 de dezembro de 2007

F. F., estudante universitária. Marília (SP), 2006

Foto de sexo causa tumulto em faculdade

PM teve de escoltar aluna cujas imagens saíram no Orkut

Chico Siqueira

ESPECIAL PARA O ESTADO

ARAÇATUBA

A universitária F.F., de 24 anos, estudante de Direito na Fundação de Ensino Eurípedes Soares da Rocha, em Marília, interior de São Paulo, teve de ser retirada com a proteção da polícia de dentro da sala de aula depois que fotos íntimas dela foram colocadas na internet.

Nas imagens, que foram enviadas por e-mail e ficaram disponíveis no site de relacionamentos Orkut e em blogs, F., filha de um conhecido advogado da região, aparece fazendo sexo com dois homens. As fotos, afixadas até na cantina da escola, foram colocadas na rede com endereços eletrônicos e telefones da moça e do namorado.

Em menos de 24 horas, mais de 10 mil mensagens contra os dois foram registradas no Orkut. Depois da divulgação, a universitária, familiares, amigos e seu namorado (que não aparece nas fotos) passaram a ser alvo de ofensas por telefone, e-mail e até pessoalmente.

Na noite de quarta-feira, ao entrar na escola, F. passou a ser ameaçada por colegas de vários cursos, que formaram grupos do lado de fora da sala de aula. Com ofensas e gritaria, criaram tumulto no pátio da escola.

Um dos professores trancou a estudante na sala para evitar que ela fosse agredida e chamou a Polícia Militar. Os policiais chegaram em cinco carros e foram obrigados a usar gás pimenta para desfazer o tumulto, que chegou a suspender as aulas da faculdade. A garota teve de ser retirada e conduzida pelos PMs até um veículo para que pudesse deixar o local.

SILÊNCIO

Ontem, ninguém quis falar sobre o assunto na faculdade, mas uma funcionária do setor de marketing, que se identificou como Ana, disse que a fundação não deverá tomar nenhuma atitude "porque se trata de um caso particular". Até o início da noite, o Estado não tinha recebido nenhuma nota oficial, o que havia sido prometido pela instituição de ensino.

A família da moça conseguiu retirar as fotos da web no sábado e tem pistas de quem as divulgou. Um amigo da jovem disse que o pai dela vai processar os responsáveis pela divulgação das imagens por calúnia, difamação, violação de privacidade, constrangimento ilegal e ameaça.

SIQUEIRA, Chico. Foto de sexo causa tumulto em faculdade. O Estado de S. Paulo, 18 de abril de 2006. Disponível em <http://txt.estado.com.br/editorias/2006/04/18/cid94535.xml>. Acesso em 11 de dezembro de 2007.

Foto de sexo na Web é montagem, diz universitária

A estudante universitária F.F., 24 anos, afirmou ontem, em depoimento à Polícia Civil de Pompéia, no interior paulista, que as fotos divulgadas na Internet, nas quais aparece fazendo sexo com dois rapazes, são montagem.

A divulgação das imagens na universidade onde a jovem estuda, em Marília (SP), causou cenas de constrangimento e humilhação para a estudante entre colegas, e ela teve de deixar o local escoltada por policiais, na semana passada.

O delegado Válter Bettio, que tomou o depoimento, disse que já há um suspeito de ter divulgado as fotos. Segundo ele, a jovem afirmou que conhecia os rapazes que aparecem nas imagens, mas negou que tivesse mantido relações sexuais com eles. Ele declarou também que ela pretende voltar às aulas na universidade.

TERRA. Foto de sexo na Web é montagem, diz universitária. Terra, 21 de abril de 2006. Disponível em <http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI972295-EI306,00.html>. Acesso em 11 de dezembro de 2007.

Tericka Dye, professora. Paducah (Kentucky, EUA), 2006

Professora é suspensa de escola por participar de filme pornô

Tericka Dye, uma professora de Ciências e treinadora da equipe de voleibol da Reidland High School, no município de Paducah, nos Estados Unidos, foi suspensa da escola por ter participado de um filme pornográfico há cerca de 10 anos.

Os administradores do colégio, que descobriram o filme na última semana, afirmaram que a professora, que lecionava no local há dois anos, não precisa mais retornar para dar aulas.

Estudantes e pais participaram de uma reunião com a presença de Tericka Dye onde foram informados do caso. Alguns alunos deram apoio à professora.

ASSOCIATED PRESS. Professora é suspensa de escola por participar de filme pornô. Terra, 4 de maio de 2006. Disponível em <http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI990636-EI294,00.html>. Acesso em 10 de dezembro de 2007.

Chen Dan, apresentadora de TV. China, 2006

Pelada, não

Chen Dan, festejada apresentadora do "Canal da Mulher", programa feminino exibido pela TV de Changsha, capital de Hunan, foi demitida do posto por ter posado nua (sem nada aparecendo, diga-se de passagem) num anúncio sobre saúde da mulher para um hospital local. "Garotas inteligentes se amam acima de tudo" era o mote do anúncio exibido não apenas na TV mas nas ruas da cidade em out-doors e cartazes. Nele Chen aparece cobrindo os seiso com a mão em versão sozinha ou acompanhada de modelos.

Acontece que os produtores do programa não gostaram do papo-cabeça e demitiram a garota dizendo que a mulher pelada prejudicava a imagem da emissora.

Chen (ao lado) ainda tentou se desculpar dizendo, em uma carta aberta, que suas intenções eram as melhores e que a nudez era para chamar a atenção do público para um tema importante como a saúde da mulher. Não convenceu.

Mas o episódio causou enorme furor no supreendente território da internet chinesa, com ruidosos bate-bocas sobre a nudez ser apropriada ou não para chamar a atenção para grandes causas ou se é um recurso rasteiro e gratuito. Ano passado, o país teve a mesma discussão quando atrizes usaram fotos nuas tampando os seios para uma campanha sobre câncer de mama.

Num país onde as pessoas vão de pijama ao supermercado fazer compra e onde tirar meleca e escarrar ruidosamente em público não são vistos como ultrapassagem de limites, não deixa de ser curioso tode esse auê em torno da nudez.

Imagino o poder revolucionário de uma transmissão dos desfiles das escolas de samba cariocas aqui na China...

SCOFIELD JR., Gilberto. Pelada, não. No Oriente, 28 de junho de 2006. Disponível em <http://oglobo.globo.com/blogs/gilberto/post.asp?cod_Post=11663&a=25>. Acesso em 11 de dezembro de 2007.

Michelle Manhart, oficial da Força Aérea Americana. Estados Unidos, 2007

Militar americana é rebaixada por posar nua

Uma oficial da Força Aérea Americana foi rebaixada de posição por posar nua para revista Playboy na edição de fevereiro. Michelle Manhart passou de sargento a soldado sênior da Guarda Nacional Aérea, posição que ocupava anteriormente.

"Eu estou desapontada com a corporação. Eles foram muito longe", disse ela. Manhart informou que entregou um pedido de afastamento à Guarda Nacional, segundo a Sky News.

A militar de 30 anos, mãe de duas crianças, aparece em seis páginas da Playboy. Ela foi fotografada usando uniforme militar e segurando armas, com o título "amor durão". Nas páginas seguintes, ela aparece parcialmente vestida usando placas de identificação militar enquanto trabalha. Em seguida, ela está completamente nua.

Quandos as fotos ficaram conhecidas, em janeiro, ela foi afastada de suas atividades até o final de investigação. Manhart entrou para a Força Aérea em 1994 e serviu no Kwait em 2002.

TERRA. Militar americana é rebaixada por posar nua. Terra, 15 de fevereiro de 2007. Disponível em <http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI1413319-EI8141,00.html>. Acesso em 11 de dezembro de 2007.

Thaísa Viana, estudante secundarista. Ipatinga (MG), 2007

Fotos da Cicarelli de Ipatinga (Thaísa Viana), flagrada na micareta

A ação inconseqüente de uma estudante de Ipatinga, no Vale do Aço, Minas Gerais, gerou polêmica na internet esta semana. Desde a última terça-feira, uma comunidade criada no site de relacionamentos Orkut, com fotos dela mantendo relações sexuais com um garoto, alimenta a fofoca na cidade e na rede mundial de computadores. O fato ocorreu na Micareta realizada na cidade de Ipatinga na noite de sexta-feira para sábado. Na comunidade criada com o nome dela, como se fosse da própria estudante, estão três fotos. Em uma das fotos, os dois aparecem unidos e ela de calça baixa, sendo observada por curiosos.

Segundo informações de moradores, a família teria levado a jovem para Belo Horizonte devido ao constrangimento. A "Cicarelli de Ipatinga" seria aluna de um colégio tradicional da cidade.

FOTOS da Cicarelli de Ipatinga (Thaísa Viana), flagrada na micareta. Os Populares. Disponível em <http://ospopulares.com/fotos-da-cicarelli-de-ipatinga-thaisa-viana-flagrada-na-micareta>. Acesso em 11 de dezembro de 2007.

"Imagina como ficou a mae da garota ao ver as fotos? Houve até uma amiga que não parava de enviar mensagem no celular da menina só para enxer o saco." (CICARELLI de Ipatinga (Thaise Viana), flagrada tirando sarro no meio da micareta. Trankera Blog, 31 de agosto de 2007. Disponível em <http://www.trankera.org/blog/2007/08/31/cicarelli-de-ipatinga-thaise-viana-flagrada-tirando-sarro-no-meio-da-micareta>. Acesso em 11 de dezembro de 2007)

Outros casos

A bandeirinha Ana Paula Oliveira, segundo o presidente da Comissão Nacional de Arbitragem, Sérgio Corrêa, não sofre discriminação por ter posado para a Playboy (julho de 2007). O próprio presidente da Federação Paulista de Futebol mencionou escalá-la em jogos da segunda divisão para testar a reação do público3. O afastamento dela da primeira divisão ocorreu cerca de um mês antes de ela aceitar a proposta da Playboy4. Mesmo na época, o presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Edson Rezende, disse, em entrevista ao canal SporTV: "Acho que profissionalmente isso não vem a acrescentar nada. Uma pessoa pública deve evitar alguns comportamentos. Mas é um direito que ela tem. É um bom dinheiro"5.

O caso do flagrante de um casal fazendo sexo em um elevador de um edifício residencial pela câmera do mesmo, sendo ela (Ana Cláudia) estudante da Universidade Federal de Viçosa, foi mais próximo de mim. Eu sou graduando de Engenharia Civil na UFV e acompanhei um pouco do mexerico sobre o assunto (um pouco, já que não sou dado a mexericos e não me relaciono muito com quem é). Quanto a este caso, escreverei em breve outro texto separado.

3 COSTA, Fabrício. Bandeirinha terá que passar por um teste de "reação do público" antes voltar à Série A. Citado em: Ana Paula não é discriminada, diz Corrêa (Presidente da Arbitragem CBF). Disponível em <http://anapaulaoliveira.com.br>. Acesso em 12 de dezembro de 2007.

4 FOLHA ONLINE. Entenda a saga da bandeirinha Ana Paula de Oliveira. Folha Online, 07 de julho de 2007. Disponível em <http://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u310169.shtml>. Acesso em 12 de dezembro de 2007.

5 FOLHA ONLINE. Chefe da arbitragem da CBF diz reprovar decisão de bandeirinha de posar nua. Folha Online, 27 de junho de 2007. Disponível em <http://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u307623.shtml>. Acesso em 12 de dezembro de 2007.

Conclusão

Eu procurei demonstrar em "Sociedade licenciosa ou puritana hipócrita?" como nossa sociedade é, na prática e especialmente na teoria, cristã e repressora do sexo, apesar do quanto os cristãos querem mostrar que sempre estiveram à frente do seu tempo e do quanto os puritanos afirmam que o sexo tem se tornado livre a ponto de ser banalizado (na verdade, a banalização do sexo é exatamente o contrário, a perversão de algo que não é nem livre nem tido como normal).

Algum cristão já foi demitido ou humilhado por participar da campanha "Quem ama espera"? Alguém já teve medo de sair com aquela camiseta que diz "Castidade: Deus quer, você consegue"? Não é crime comercializar um objeto obsceno (art. 234 do Código Penal), enquanto escarnecer de alguém por sua crença religiosa também é crime (art. 208)? No entanto, são os cristãos os perseguidos, pelos homens e pelos demônios.

Enquanto o mundo da pornografia é fantasia, o mundo da religião repressora é real, e não pertence apenas ao passado histórico.

Walter Nunes Braz Júnior

http://www.grupos.com.br/group/semsenhores - semsenhores@grupos.com.br

Este texto também está em http://www.grupos.com.br/blog/oreinodedeus/permalink/19120.html

Onde existe o sagrado, fechado para perguntas, impenetrável para o raciocínio lógico, suplantador do senso comum, punidor da discordância, da dúvida, do senso comum, da não conformidade, ele é o respaldo da atrocidade, a lógica do absurdo, a resposta estúpida para a pergunta inteligente, o premiador e o punidor que explica o acaso, a arbitrariedade que vence o bom senso, o medo que vence o bem viver. O casamento é sagrado. No caso cristão, o casamento foi instituído por Deus (Gn 2. 24), que pune os que não o valorizam como sagrado (Hb 13. 4).

O casamento convencional, não apenas o cristão, não objetiva a felicidade ou a satisfação sexual dos cônjuges. Para as mulheres, a instituição é opressiva. Dentro dela, quase sempre lhes são negados não só o prazer sexual como a dignidade e a vida própria. Fora dela, lhes são reservadas muitas vezes a discriminação e, em vários lugares, dificuldades sérias de sobrevivência. Para os homens, o casamento é o recurso para terem filhos sabidamente seus e a única forma aceita pela sociedade para conseguirem sexo. O casamento convencional também é um troféu. O "bom casamento" para uma mulher e para um pai geralmente é com um marido ou genro com boa situação social ou, pelo menos, boa situação financeira; para um homem, é com uma mulher atraente, estilo santa-na-rua-prostituta-na-cama ou, em lugares mais repressores, habilidosa nas "coisas de mulher" e com aversão ao sexo. Diz a Bíblia que "a mulher virtuosa é a coroa do seu marido" (Pv 12. 4). Quando alguém demonstra ciúme do seu cônjuge, demonstra que o seu interesse é possuí-lo, não fazê-lo feliz. A pessoa ciumenta tem o seu cônjuge como tem o seu carro.

Por quê o adultério é considerado tão mau? Muitas mulheres, mesmo em locais mentalmente desenvolvidos, abominam o sexo, deixando o prazer para os homens. Assim, a mulher traída pode aceitar o adultério ou pode se indignar por não ser tratada como uma "mulher pra casar". alguém já disse que para o homem o preço do sexo é o casamento. Se é assim, o marido traído viu alguém usufruir sem pagar da mercadoria que ele pagou para ser só sua. Em ambos os casos, o adultério é mau porque o casamento é sagrado. Também se aceita que alguém reprima o contato do cônjuge com o sexo oposto, com extremos de cárcere privado e assassinato movido por ciúmes, porque o casamento é sagrado.

E que tal um casamento em que cada um permite ao cônjuge o sexo com outra pessoa? Bizarro? Apenas se o casamento convencional, pertencente ao sagrado de que discordar é proibido, for o normal. E se o outro achar alguém emlhor de cama? E se o outro fizer comparações? Incomoda a muitas pessoas casadas que seus cônjuges descubram que há vida além do circuito casa-trabalho-igreja e sexo bom fora do leito conjugal. Isso mostra que o casamento é baseado na possessividade e no egoísmo. Não raro, essas pessoas deixam a desejar em termos de forma física e desempenho sexual. E se o casamento acabar? A sustentação de quase todos os casamentos é a vida sexual, e a sustentação da vida sexual desses casamentos é a repressão à vida sexual fora deles. Quando o casamento não tem qualquer atrativo além do sexo, ele não se acaba pelo sexo extraconjugal, pelas amizades de um cônjuge com gente do sexo oposto ou qualquer fator externo, mas por si mesmo. Quando o casamento tem algo mais, não há por que temer que o sexo extraconjugal o comprometa. E o sexo dentro do casamento? Não tem por que acabar ou piorar. Nem sempre os dois acabam cansados demais para "mais uma".

Seria uma visão estranha assistir o cônjuge transando com outra pessoa? A estranheza seria porque aprendemos que sexo é só no casamento. Como explicar aos filhos? O padrão do casamento convencional não está tão enraizado nas mentes deles quanto nas de muitos adultos. Com quem abrir o casamento? Com amigos cujas mentes tenham boa aceitação à idéia. E então, que tal um casamento aberto?

Walter N. Braz Jr.

Entrevista com o jornaleiro que decidiu parar de comercializar as revistas Veja, Época e Primeira Leitura

Trinta e três anos, jornaleiro há nove. Proprietário da banca que fica num movimentado ponto de Porto Alegre, Fábio Marinho tomou uma decisão: não vai mais vender a revista Veja. "Não é mais possível ficarmos esperando que os outros venham fazer algo por nós (...). Todos somos, de alguma forma, responsáveis pelo mundo em que vivemos". Fábio está se formando em História e comunicou sua decisão em carta enviada ao jornalista Hamilton Octávio de Souza e publicada na revista Caros Amigos de julho (leia a íntegra aqui). Sua esperança é, como conta nessa entrevista, contribuir para que outros jornaleiros "também tenham uma tomada de consciência e percebam a importância de seu trabalho na sociedade e tomem iniciativas, por pequenas que sejam, que contribuam para pormos um fim a este avanço dos liberais, ou neoliberais, se preferir, que só tem trazido sacrifícios para a grande maioria da população". Seu endereço eletrônico é: marinho147@hotmail.com. E seu endereço físico, pra quem quiser fazer uma visita, é o número 100 da Rua Dom Diogo de Souza, Cristo Redentor.

Entrevista concedida a Marcelo Salles - salles@fazendomedia.com

Há quanto tempo você trabalha como jornaleiro?
Tenho 33 anos, sou jornaleiro há nove anos, sempre como proprietário e no mesmo ponto de venda.

Qual o perfil dos seus clientes?
O perfil de meus clientes é variado devido ao fato de minha banca ficar próximo a um terminal de ônibus que atravessa a cidade de norte a sul e na frente de uma instituição de ensino particular. Então, atendo desde o desempregado sem perspectiva até ao empresário de sucesso; atendo pessoas de todas as classes econômicas.

Por que a decisão de parar de comercializar a revista Veja?
A gota d'água que me fez parar com a Veja foi uma "reportagem" sobre o presidente venezuelano Hugo Chávez, onde ele era retratado como um tiranete, um ser exótico, só que tudo era escrito num tom muito ofensivo, sem o menor respeito por um presidente de Estado, de uma nação soberana, eleito pelo voto popular. Aí eu pensei: a Veja foi longe demais. E tomei a decisão de não vendê-la novamente. Mas era uma decisão que vinha sendo amadurecida desde a época do "escândalo" do jornalista [Larry Rother], aquele que chamou o Lula de bêbado, quando a Veja fez uma série de reportagens tentando afirmar a mesma coisa. Olha, não sou lulista, mas a Veja foi desrespeitosa naquele momento, e comecei a pensar em não vendê-la. Essa decisão foi levada a termo a partir da tomada de consciência de que não é mais possível ficarmos esperando que os "outros" - ou o Lula, ou o "salvador" - venham fazer algo por nós, e de que todos nós, de alguma forma, somos responsáveis pelo mundo em que vivemos. Então, na minha opinião, é chegada a hora de fazermos algo para modificar a realidade que nos cerca; o que eu posso fazer é isto, então fiz.

Sua decisão se estende a alguma outra publicação ou é restrita à revista Veja?
A revista Época recebe um tratamento semelhante, embora há menos tempo, a partir da crise do "mensalão" (um ano, não é?). Também não sou petista, mas é fato que a revista forçou a barra, se calou durante os anos FHC e agora resolve praticar jornalismo investigativo? Dá licença! A revista Primeira Leitura [que fechou as portas em junho] também recebia tratamento semelhante, nem preciso dizer por quê, né?

Isso não pode prejudicar o seu trabalho, visto que a Veja é uma das publicações mais vendidas e que, portanto, gera grande retorno à banca?
Sobre perder vendas, bem, entre ganhar dinheiro com a Veja ou perder algumas vendas e contribuir para que os meus clientes descubram a Caros Amigos, a CartaCapital, a Reportagem, fico com esta segunda opção, sem falar no componente ético que em mim é muito forte.

Você não corre risco de sofrer algum tipo de boicote pelo mercado editorial como um todo, ou pela editora Abril em especial?
Realmente não dá mais para agüentar a Veja. Olha, não temo boicote, mas estou surpreso com a repercussão. Recebi vários e-mails de pessoas me cumprimentando e elogiando minha atitude. Vamos ver como a [editora] Abril vai reagir. Se me boicotarem, espero contar com sua ajuda para denunciarmos mais uma da Abril.

O que você gosta de ler, entre livros, jornais, revistas e sítios na internet?
Estou me formando em História e, portanto, gosto de tudo que esteja relacionado à política, teoria e educação. Afora isto, gosto dos grandes escritores nacionais como Machado de Assis, Guimarães Rosa, João Cabral de Mello Neto, Érico Veríssimo, Mário Quintana. Enfim, ler é meu vício. Revistas eu não leio muito por ter pego o vício de ler um livro inteiro de um autor e tentar entender suas teses. As poucas revistas que leio são Caros Amigos, CartaCapital e Reportagem e só. Jornal aqui no sul não tem um que preste, pelo menos que eu conheça. Infelizmente não consegui leitores para o Brasil de Fato e a distribuidora cortou meu reparte, de modo que evito ler jornais. De internet eu não gosto muito não, só utilizo para correspondência e downloads.

Pelo que você observa entre seus clientes, há uma insatisfação com as publicações da grande imprensa? Você acredita haver espaço entre os leitores para publicações com linhas editoriais que destoam da mídia hegemônica?
Pois é, já está tão difícil vender as revistas alternativas... não sei se há espaço para novas publicações. Se você já esteve em alguma edição do Fórum Social Mundial, deve ter percebido que a indignação é maior do que a gente pensa, mas daí a sustentar uma nova revista eu já não sei, minha percepção de jornaleiro é que não, mas estou vendo a situação de um ponto de observação muito restrito que é minha banca.

Por favor, esteja à vontade para acrescentar qualquer outra informação que julgue relevante.
Olha, escrevi aquela carta para o Hamilton Octávio de Souza na esperança de vê-la publicada e que outros jornaleiros como eu fizessem algo parecido. A minha categoria é muito desunida e o sindicato (pelo menos aqui em Porto Alegre) trabalha para mantê-la desunida. Assim, espero que outros também tenham uma tomada de consciência e percebam a importância de seu trabalho na sociedade e tomem iniciativas, por pequenas que sejam, que contribuam para pormos um fim a este avanço dos liberais, ou neoliberais, se preferir, que só tem trazido sacrifícios para a grande maioria da população.

SALLES, Marcelo. É chegada a hora de modificar a realidade. Fazendo Media. Disponível em <http://www.fazendomedia.com/diaadia/nota100806.htm>. Acesso em 16 de novembro de 2007.

Meus comentários

"apenas um trabalhador usufruindo do direito de ser SINCERO consigo próprio, decidindo nao fazer parte daquilo que realmente lhe fere, porque vai contra o que ele é e acredita" (Sapotyra, em comentário ao texto em "Fazendo Media")

Como exemplo de o que é a revista Veja hoje, vejamos a matéria "Os santos do capitalismo". A introdução: "A doação do investidor Warren Buffett à fundação de Bill Gates é o maior exemplo de como o capitalismo americano consegue não só gerar riquezas astronômicas como também devolvê-las de forma solidária e produtiva à sociedade". Um trecho da reportagem: "As ações filantrópicas de Gates e de Buffett jogam mais uma pá de cal sobre a balela marxista segundo a qual o objetivo do capitalismo é a concentração de renda e a exclusão do proletariado. (...) O capitalismo não precisa de pobres como imaginava Marx, uma mente de terceira categoria que conseguiu enorme legião de seguidores no século passado por sua pregação de natureza religiosa". A matéria está disponível em http://www.adur-rj.org.br/5com/pop-up/santos_do_capitalismo.htm.

Sobre Bill Gates, há uma piada nos Estados Unidos de que ele ganha mais dinheiro em aplicações enquanto está no banheiro do que doa para obras filantrópicas.

Há 134 comentários ao texto em Fazendo Media. A maioria elogia o jornaleiro, pelo menos em termos. Dos que o criticam (sem supresa, alguns não informam seus nomes), os erros básicos são os seguintes:

  1. Esquerda é posição política; direita não.

  2. Comunismo é ideologia; capitalismo não.

  3. "Democracia é quando eu mando, ditadura é quando você manda" (Millor Fernandes, citado em consciencia.net).

  4. Se você é um jornalista ou dono de jornal que tem uma visão crítica claramente manifesta sobre os fatos que apresenta, você tem uma tendência ideológica, e o que você disser deve ser visto com "cuidado" por causa desta tendência, não importa quão sério o seu trabalho. Mas se você é um jornalista ou dono de jornal que tem uma visão conservadora ou retrógrada dissimulada, você vai ser dado como um profissional sério, não importa se apresentando preconceitos ideológicos, coletivos ou pessoais de alguma forma que os faça parecerem fatos.

  5. Deixemos que cada pessoa decida que revista vai ler, que jornal vai ler, que canais de televisão vai assistir, com quem vai fazer sexo (se a outra pessoa quiser também, claro) e que religião vai seguir. Mostremos todas as opções. Só que a Veja é "indispensável", nenhum jornaleiro da cidade tem A Nova Democracia, a Record não pega na cidade, adultério é crime (não é mais, felizmente) e candomblé é do Demônio.

Há quem diga que tal ação é uma gota no oceano, e ao final não afetará a Editora Abril minimamente. Isso é verdade. Mas se nenhum dos cristãos da época da Inquisição denunciasse as "bruxas" e "hereges", ainda que fossem seus próprios pais ou filhos, e nenhum deles fosse participante das suas execuções, iria o próprio Deus queimá-los?

Walter Nunes Braz Júnior - w42739@yahoo.com.br / semsenhores@grupos.com.br

Um caso de sexo... e polícia

Confusão armada

Mulher e quatro homens são detidos por suposta orgia em D-20

Quatro homens e uma mulher de 23 anos foram detidos na manhã de ontem por um policial militar do 18º Batalhão de Contagem, na Grande BH, sob suspeita de promover orgia sexual no interior de uma caminhonete D-20, numa rua sem saída no Bairro Chácaras Califórnia.

Por volta das 7h20, em ronda de rotina, o cabo José Carlos Pitangui teve sua atenção despertada para um veículo, de cor preta e com vidros fumê, placa CAI-0204, por estar com o porta-malas aberto. Ao se aproximar, segundo a ocorrência policial, encontrou um homem do lado de fora do carro, com as calças arriadas até os joelhos, e outros três, dentro do veículo, com uma mulher.

Todos os envolvidos foram encaminhados à 6º Seccional de Contagem e poderão repsonder pelo artigo 233 do Código Penal: atentado violento ao pudor. Na delegacia, os quatro, que trabalham em um circo montado em Contagem, alegaram que foram surpreendidos pelo PM, de arma em punho, e, ao questionarem o motivo da abordagem, foram alertados para não se mexerem. Em seguida, o cabo requisitou reforço policial.

Inicialmente, o delegado de plantão, Aci Alves dos Santos, entendeu que a ocorrência não havia caracterizado ato obsceno, pois teria sido praticado dentro de um veículo com os vidros escuros, em uma rua sem saída e deserta.

CONFUSÃO armada: Mulher e quatro homens são detidos por suposta orgia em D-20. Aqui, Belo Horizonte, 28 de outubro de 2007, pág. 3.

Orgia na caminhonete

O que era para ser uma diversão entre um grupo de quatro homens e uma mulher acabou se tornando caso de polícia, na manhã de ontem, em Contagem, na região metropolitana da capital. Os cinco foram detidos acusados de praticar ato obsceno em plena via pública. A orgia foi descoberta pelo cabo José Carlos Pitangui, do 18º Batalhão da PM, durante um patrulhamento de rotina pelas ruas do bairro Chácaras Califórnia, que fica bem próximo do centro de Contagem.

O policial conta que ao avistar uma caminhonete modelo D-20 achou estranha a atitude de um homem que estava quase sem roupa, do lado de fora do veículo. Ao se aproximar, ele viu que dentro da caminhonete outros três homens e uma mulher praticavam sexo explícito. "Eu estava patrulhando o bairro quando vi a picape de porta aberta e um dos rapazes do lado de fora, seminu. Quando me aproximei vi aquela cena ridícula", comentou o policial.

De acordo com o cabo Pitangui, os quatro rapazes disseram que trabalham em um circo instalado na cidade - um deles se apresenta no "Globo da Morte" - e a mulher os teria conhecido ao assistir aos espetáculos da trupe. "Eles alegaram que estavam apenas se divertindo e um dos rapazes disse que a mulher não era garota de programa e faz isso porque gosta mesmo".

Os cinco detidos, segundo o policial, são maiores de idade e vão responder processo pela prática de ato obsceno em via pública. Pelo Código Penal, ato é considerado crime de menor potencial ofensivo e por isso os suspeitos devem ser condenados a pagamento de pena alternativa.

ORGIA na caminhonete. Super Notícia, Belo Horizonte, 28 de outubro de 2007, pág. 3.

Um país imerso na lascívia: onde fica?

O mais preocupante é perceber que a TV dos Marinhos procede como se nada tivesse a ver com a grave incidência de gravidez na adolescência, num país onde boa parte das jovens até 17 anos de idade são mães de até três ou quatro filhos. (ACCIOLY, Márcio. Banalização de Horrores. Alerta Total. Disponível em <http://alertatotal.blogspot.com/2006/07/banalizao-de-horrores.html>. Acesso em 03 de novembro de 2007. O autor se refere à novela "Páginas da Vida")

Três ou quatro filhos de sexo no primeiro encontro ou de namorado e ex-namorados?

"A nova novela das oito nada fica a dever a filmes pornográficos." (idem)

Sem comentários!

As emissoras de televisão acreditam passar informações aos adolescentes quando, na verdade, apenas mostram o sexo como um ato sem resultado algum e que, portanto, não deve ser pensado com responsabilidade. (HAAG, Andreza e OLIVEIRA, Samantha A. R. Gravidez na adolescência. Disponível em <http://slidespowerpoint.googlepages.com/Gravidez.ppt>. Acesso em 07 de novembro de 2007)

Você pode se lembrar de uma novela em que uma jovem namora sem engravidar?

"Um exemplo desta banalização do sexo e até mesmo da gravidez na adolescência está nos programas exibidos aos domingos, onde apresentadoras expõem sua gravidez como algo público e incentivam adolescentes a engravidar, passando um sentimento de naturalidade excessiva." (idem)

Saudades do tempo em que os pais escondiam a gravidez dos próprios filhos? Quem quiser achar um incentivo pra uma adolescente engravidar, pode ler a Bíblia. Para dar apenas dois exemplos:

"Eis que os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão." (Sl 127. 3)

"Dá-lhes, ó Senhor; mas que lhes darás? Dá-lhes uma madre que aborte e seios secos." (Os 9. 14)

Para citar um de um sem número de estudos bíblicos e sermões sobre sexo (ou contra ele), reproduzo este texto da Revista Refrigério:

O poder de satanás no sexo

Satanás usa todos os processos do "inferno" para incentivar o sexo. E é por isso que vemos o sensualismo no traje das mulheres, muitas vezes indecorosos e que excitam os homens; vemos o sensualismo nas revistas, jornais e cartazes; o sensualismo no falar; sensualismo no pensar, sensualismo em tudo!

O que Satanás, porém, esconde, são os resultados desse caminho de rebelião, de libidinosidade, de adultério, que é terminantemente condenado por Deus em toda a sua palavra!

Satanás engana com sua peçonha infernal, e por isso se multiplica o número de suas vítimas cada dia. Os jornais notificam suicídios, os assassinatos consequentes da impureza!

Os manicómios estão repletos dessas vitimas, milhares estão com o seu sistema nervoso abaladíssimo como fruto do pecado sexual; o meretrício se torna cada dia mais infernal com o contigente que recebe de uma sociedade adúltera e perversa; casais separados, divorciados, vidas infelizes e infelicitando a outros, filhos atirados em orfanatos, internatos, sem o carinho dos pais, sem o respeito dos pais, crescendo revoltados e cheios de complexos, perdidos quase sempre para uma vida útil e boa. E tudo isso porquê?

Por causa da caverna da impureza!

A Bíblia condena em todas as sua páginas, o pecado da impureza. O Senhor Jesus (Mateus 12:39) verberou: "Uma geração má e adultera e pecadora..."pede um sinal" e repetiu isso em Mat.16:4. Em Marcos 8.38 o divino Mestre exprobrou: "Porque se alguém nesta geração adúltera e pecadora..."; o verbo "adulterar" se acha muitas vezes nos Evangelhos (Mat.54:27, 28:19:18e Marcos 10:19); de igual modo o verbo "adulterar" se acha muitas vezes (Mat.5:32;12:30 e Marcos 8:38)e também em João 8:3,4).

Jesus condenou o "adultério" mão só no acto consumado, mas no "olhar" cobiçoso; nessas condições, o adultério já se consumou no coração.

O que a sociedade corrupta tolera em imundícies, meretrício (Alegando até necessidades), amancebais (com desculpas e razões), divórcios, que muitas vezes não passam de meretrícia legalizado, a Bíblia condena veementemente.

Vejamos : (I Cor. 6:9,10) "Acaso não sabeis que os injustos, não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis; nem fornicários, nem idólatras , nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbedos, nem maldizentes, nem ladrões herdarão o reino de Deus".

Em Apocalipse 21:8 Deus declara: "Mas quanto aos medrosos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fornicários, e aos feiticeiros, e aos idólatras... sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre, que é a segunda morte" (Apoc.21:28).

Qual é a sua escolha ?

SANTIAGO, Horácio. O poder de satanás no sexo. Refrigério, Aveiro (Portugal), nº 88, maio-junho de 2002. Disponível em <http://www.refrigerio.net/images/stories/pdf/refrigerio88.pdf>. Acesso em 06 de novembro de 2007.

O Código Penal brasileiro: lei de um país liberal?

Art. 215. Ter conjunção carnal com mulher honesta, mediante fraude:

Pena - reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos.

Parágrafo único. Se o crime é praticado contra mulher virgem, menor de 18 (dezoito) e maior de 14 (catorze) anos:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos.

Art. 216. Induzir mulher honesta, mediante fraude, a praticar ou permitir que com ela se pratique ato libidinoso diverso da conjunção carnal:

Pena - reclusão de 1 (um) a 2 (dois) anos.

Parágrafo único. Se a ofendida é menor de 18 (dezoito) e maior de 14 (catorze) anos:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos.

Art. 217. Seduzir mulher virgem, menor de 18 (dezoito) anos e maior de 14 (catorze), e ter com ela conjunção carnal, aproveitando-se de sua inexperiência ou justificável confiança:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos.

Art. 218. Corromper ou facilitar a corrupção de pessoa maior de 14 (catorze) e menor de 18 (dezoito) anos, com ela praticando ato de libidinagem, ou induzindo-a a praticá-lo ou presenciá-lo:

Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos.

Art. 227. Induzir alguém a satisfazer a lascívia de outrem:

Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos.

§ 1º Se a vítima é maior de 14 (catorze) e menor de 18 (dezoito) anos, ou se o agente é seu ascendente, descendente, marido, irmão, tutor ou curador ou pessoa a que esteja confiada para fins de educação, de tratamento ou de guarda:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.

§ 2º Se o crime é cometido com emprego de violência, grave ameaça ou fraude:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) anos, além da pena correspondente à violência.

§ 3º Se o crime é cometido com o fim de lucro, aplica-se também multa:

Art. 229. Manter, por conta própria ou de terceiro, casa de prostituição ou lugar destinado a encontros para fim libidinoso, haja, ou não, intuito de lucro ou mediação direta do proprietário ou gerente:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.

Art. 231. Promover ou facilitar a entrada, no território nacional, de mulher que nele venha a exercer a prostituição, ou a saída de mulher que vá exercê-la no estrangeiro:

Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa.

§ 1º Se ocorre qualquer das hipóteses do § 1º do art. 227:

Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos.

Uma observação: o favorecimento da prostituição e o tirar proveito da prostituição alheia são tratados em outros artigos (228 e 230, respectivamente).

Art. 233. Praticar ato obsceno em lugar público, ou aberto ou exposto ao público:

Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa.

Art. 234. Fazer, importar, exportar, adquirir ou ter sob sua guarda, para fim de comércio, de distribuição ou de exposição pública, escrito, desenho, pintura, estampa ou qualquer objeto obsceno:

Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, ou multa.

Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem:

I - vende, distribui ou expõe à venda ou ao público qualquer dos objetos referidos neste artigo;

II - realiza, em lugar público ou acessível ao público, representação teatral, ou exibição cinematográfica de caráter obsceno, ou qualquer outro espetáculo, que tenha o mesmo caráter;

III - realiza, em lugar público ou acessível ao público, ou pelo rádio, audição ou recitação de caráter obsceno

Obs.: a lei é de 1940, anterior à primeira transmissão de televisão (1948) e à expansão do videocassete no Brasil (década de 1980). Apenas por isso ela não fala em filmes e programas de televisão.

Art. 240. Cometer adultério:

Pena - detenção, de 15 (quinze) dias a 6 (seis) meses.

§ 1º Incorre na mesma pena o có-reu.

§ 2º A ação penal somente pode ser intentada pelo cônjuge ofendido, e dentro de 1 (um) mês após o conhecimento do fato.

§ 3º A ação penal não pode ser intentada:

I - pelo cônjuge desquitado;

II - pelo cônjuge que consentiu no adultério ou o perdoou, expressa ou tacitamente.

§ 4º O juiz pode deixar de aplicar a pena:

I - se havia cessado a vida em comum dos cônjuges;

II - se o querelante havia praticado qualquer dos atos previstos no art. 317 do Código Civil.

Nota: o artigo 317, revogado pela Lei n.° 6.515, de 1977, é o seguinte:

"A ação de desquite só se pode fundar em algum dos seguintes motivos:

"I. Adultério.

"II. Tentativa de morte.

"III. Sevicia, ou injuria grave.

"IV. Abandono voluntário do lar conjugal, durante dois anos contínuos."

O Código Penal, Decreto-lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940, texto original e alterações, pode ser lido em http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/Decreto-Lei/Del2848.htm.

O antigo Código Civil brasileiro: lei de um país liberal?

Art. 218. É também anulável o casamento, se houver por parte de um dos nubentes, ao consentir, erro essencial quanto à pessoa do outro.

Art. 219. Considera-se erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge:

(...) IV - o defloramento da mulher, ignorado pelo marido.

Nota: Código Penal:

Art. 236. Contrair casamento, induzindo em erro essencial o outro contraente, ou ocultando-lhe impedimento que não seja casamento anterior:

Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos.

Parágrafo único. A ação penal depende de queixa do contraente enganado e não pode ser intentada senão depois de transitar em julgado a sentença que, por motivo de erro ou impedimento, anule o casamento.

Art. 231. São deveres de ambos os cônjuges:

I - fidelidade recíproca (...)

Nota: no atual Código Civil (lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002), este é o item I do artigo 1566.

Art. 233. O marido é o chefe da sociedade conjugal, função que exerce com a colaboração da mulher, no interesse comum do casal e dos filhos (...)

Art. 240. A mulher, com o casamento, assume a condição de companheira, consorte e colaboradora do marido nos encargos de família, cumprindo-lhe velar pela direção material e moral desta.

Isso lembra alguma coisa?

O Código Civil, Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916, texto original e alterações, pode ser lido em http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/leis/L3071.htm. O atual, Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002, pode ser lido em http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/leis/2002/L10406.htm.

Conclusão

Foi a Lei nº 11.106, de 28 de março de 2005 (disponível em http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11106.htm) que mudou o termo "mulher honesta" para "mulher" nos artigos 215 e 216 do Código Penal, também mudou o termo "marido" para "cônjuge ou companheiro" no § 1º do artigo 227, revogou os artigos 217 e 240, e deu a seguinte redação para o artigo 231:

Art. 231. Promover, intermediar ou facilitar a entrada, no território nacional, de pessoa que venha exercer a prostituição ou a saída de pessoa para exercê-la no estrangeiro:

Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa.

§ 1º - Se ocorre qualquer das hipóteses do § 1º do art. 227: Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos, e multa.

§ 2º Se há emprego de violência, grave ameaça ou fraude, a pena é de reclusão, de 5 (cinco) a 12 (doze) anos, e multa, além da pena correspondente à violência.

Art. 231-A. Promover, intermediar ou facilitar, no território nacional, o recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou o acolhimento da pessoa que venha exercer a prostituição:

Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa.

Parágrafo único. Aplica-se ao crime de que trata este artigo o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 231 deste Decreto-Lei.

A população brasileira é 73,60% católica e 15,41% de outros ramos do Cristianismo. Estarão os outros 11%, suponhamos de ateus libertinos, sustentando sozinhos os programas escandalosos, a indústria pornográfica? Estariam eles lutando por um país submerso na luxúria?

Seriam as filhas deles as adolescentes grávidas? Quanto à gravidez na adolescência, indico o texto "Mães adolescentes", do blog A Vez das Mulheres. Para não reproduzir o texto na íntegra, vou dar uma "palhinha":

"A menina que engravidou com 15 anos é a mesma que não pode ver nada de sexo antes dos 18. E aí, a culpa é dela que não se reprimiu suficiente ou da sociedade que tem nojo de falar de sexo?"

Meus caros cristãos zelosos, minhas caras mulheres recatadas, se não sabiam dessas leis que mencionei, me respondam: um país onde em 2001 alguém poderia pegar até 6 meses de detenção por adultério; até 2 anos de detenção por perder a virgindade antes do casamento e não contar o marido, a mesma pena que para o incêndio culposo (art. 250 § 2º CP); até 4 anos de reclusão por seduzir uma adolescente virgem, a mesma pena que para maus tratos com lesão corporal grave (art. 136 § 1º CP); pode ser considerado liberal?

Tal como o mundo cristão da Idade Moderna, mesmo com uma Igreja mais poderosa que os próprios estados, estava tomado de bruxas e adoradores do Diabo, o mundo cristão de hoje está tomado de ameaças aos valores do Evangelho. Então, as ovelhas são chamadas à guerra contra si próprias (a sua "natureza humana"), contra seus irmãos vacilantes e contra o exterior do seu grupo religioso.

Walter Nunes Braz Júnior / O Reino de Deus - oreinodedeus@grupos.com.br

========

BRAZ JÚNIOR, Walter Nunes. Sociedade licenciosa ou puritana hipócrita? Disponível em <http://www.grupos.com.br/blog/oreinodedeus/permalink/18370.html>. Acesso em 07 de novembro de 2007.

1. A formação da quadrilha

Banqueiros, especuladores, jogadores da bolsa de valores e parasitas afins, após auferir uma quantidade obscena de recursos se decidem a defender seus interesses e ampliar sua lucratividade. Para isso, organizam-se.

A eles pouco importa se o regime é liberal, autoritário, social-democrata ou mesmo alegadamente "socialista". A única coisa que lhes importa é manter e ampliar sua lucratividade às custas do trabalho alheio.

No caso brasileiro, após o fiasco monumental da ditadura militar – fiasco mais financeiro que outra coisa qualquer; o militar tem forte tendência ao nacionalismo e a pensar no próprio povo, apesar de todas as desgraças que causaram, o que de fato os levou a serem apeados do poder foi o fato de não estarem facilitando as coisas para os especuladores...

A partir daquele momento, chegou-se, com a conivência dos intelectuais venais de hábito, à conclusão que o encaminhamento mais adequado à política brasileira, do ponto de vista dos bancos, seria a via eleitoral que, evidentemente, nada tem a ver com democracia embora a propaganda afirme hipnoticamente o contrário.

Assim, aquela escória supracitada passou a patrocinar as campanhas eleitorais de seus potenciais aliados – muitos deles banqueiros ou proprietários de meios de comunicação para a massa.

Eleitos, deputados e senadores votam leis em defesa da elite financeira que os conduziu ao poder, leis contrárias em tudo e por tudo aos interesses do povo trabalhador do Brasil – sempre, claro, tomando o cuidado de sempre afirmar o contrário diante dos meios de comunicação que os entrevistam ou sempre que aparecem ou discursam em público.

O presidente da república não passa de um marionete, um palhaço que faz relações públicas afirmando em público o contrário do que foi decidido privadamente. É um mero marionete a defender os interesses dos bancos e jogadores enquanto discursa para a plebe mantendo-a sob controle com mentiras tão bem elaboradas que deixariam Joseph Goebels vermelho de vergonha e com ganas de voltar ao maternal...

Aqui está uma expressão que virou moda, muito desagradável mas cabe perfeitamente neste contexto: "nuncaantesnestepaíz" um dirigente obteve tamanha popularidade governando para os banqueiros, contra o povo do Brasil e obteve tamanho sucesso em fazer acreditar justamente no oposto. Aqueles que foram deixados em situação de penúria PRECISAMENTE pelo tipo de governo que exerceu no primeiro mandato, agora abrem mão de lutar por emprego, salário e dignidade. Consolam-se com a bolsa-esmola que o governo concede aos desesperados com a aquiescência dos bancos...

2. Organizando o crime

Frequentemente encontravam-se brechas na legislação brasileira que permitiam a um raro juiz humanista interpreta-la a favor do oprimido, contra o opressor. Tornou-se crucial não apenas modificar a legislação para evitar este tipo de ocorrência, como ainda controlar o judiciário para que aprenda de uma vez por todas a favor de quem devem julgar.

Obedecendo caninamente aos ditames dos banqueiros e jogadores, de toda esta escória que comanda o crime organizado enfim, os menores detalhes na legislação trabalhista que beneficiavam, mesmo remotamente, o trabalhador, sofreram "reformas". A própria expressão "reforma" que outrora significava uma mudança gradual do capitalismo em direção a uma sociedade mais justa – delírio dos social-democratas – sofreu uma flutuação e hoje, quando se fala em "reforma" todos sabem que mais desgraças cairão sobre os trabalhadores.

A maior parte destas "reformas" que suprimem direitos trabalhistas e permitem aos banqueiros e jogadores avançarem cada vez mais sobre os geradores da riqueza desta Nação é engendrada pela facção que ocupa o Planalto, assinada pelo marionete dos banqueiros que ocupa a cadeira presidencial e lançada aos parlamentares venais que, a um bom preço, vendem suas consciências e assumem como suas estas iniciativas antipáticas.

É ainda o marionete dos banqueiros que ocupa o Planalto aquele que nomeia os juízes apontados como "confiáveis" pela escória que realmente domina a Nação.

Assim, tanto as leis quanto a sua interpretação está completamente sob controle dos bancos e seus representantes, ou seja, mais lucros para os biliardários e mais perdas para os geradores da riqueza, aqueles que trabalham e estão banidos da insignificante proteção legal com que contavam.

Dizia meu falecido pai que quem paga diz como o assalariado deve proceder. O aparelho judiciário brasileiro conta com uma fonte independente de arrecadação de impostos? O legislativo a tem? Em que poder se concentra a arrecadação de impostos e portanto é o único a ter recursos? O Executivo. O Executivo paga o Judiciário e o Legislativo que, claro, segue suas ordens que, aliás, vêm das instâncias econômicas superiores, aquelas que verdadeiramente governam estepaíz.

Assim organizado em torno de um único poder, o crime atinge o paroxismo da sofisticação, ficando os outros relegados ao papel de coadjuvantes. Podem discursar – é até útil à ilusão de democracia que haja discursos contrários ao poder verdadeiramente dominante, contra as medidas do governo. Com a condição óbvia de, ao fim e ao cabo, votar a favor, absolver e manter intocada a estrutura criada pelos líderes do crime organizado.

3. Diferentes formas de crime

O crime organizado domina o Brasil, elabora leis e controla os juízes.

A facção criminosa conhecida como "Banco Central" constitui-se na Instância Maior da República, aquela que efetivamente representa os interesses econômicos maiores que nos dominam.

Aquela facção concentra toda a arrecadação de impostos e controla todas as finanças pátrias mas, como os traficantes nas favelas, concedem migalhas aos miseráveis para que lhes dêem suporte. Controlando os miseráveis através de esmolas e um sofisticado programa de propaganda para que fiquem apáticos e deixem de lutar por seus legítimos direitos à vida e ao trabalho honrado. Uma facção criminosa no poder corrompe toda a nação...

À facção do BACEN cabe manter elevadas as taxas de juros e a lucratividade das empresas que representa. Cabe ainda evitar o crescimento do país, pois isto traria um fator de desestabilização que não estão dispostos a computar. Qualquer crescimento do Brasil acima do preconizado pela facção seria potencialmente perigosa à lucratividade astronômica da facção dos banqueiros e parasitas afins.

À facção do Planalto cabe discursar, "fazer relações públicas" na direção oposta à prática econômica adotada pela facção do BACEN, sempre tomando a precaução de apresentá-la, senão como "a única alternativa possível", aquela que trará benefícios ao trabalhador brasileiro no longo prazo.

Esta é a mesma versão, elaborada pela mesma pessoa, de "deixar crescer o bolo para depois dividi-lo". Era o discurso do Ministro do Planejamento do General Geisel e hoje presidente do BNDE, Antônio Delfim Netto.

4. A distância entre o discurso e a prática

Em 1789 os brasileiros se revoltaram gravemente contra a cobrança de extorsivos 20% em impostos que iam integralmente para a Coroa Portuguesa, em nada beneficiando o povo desta nascente Nação. Vem desta época a expressão que ninguém suportava mais pagar "os quintos dos infernos".

O mundo muda, a propaganda se torna cada vez mais sofisticada e hoje, embora paguemos mais de 40% (mais de dois "quintos dos infernos") de tudo quanto produzimos em impostos que em nada beneficiam os brasileiros não há revolta. Há concordância, conformismo e a revolta, rara, quando ocorre, destina-se precisamente a quem denuncia o mal, não quem o pratica! De vez em quando eu mesmo sou vítima desse tipo de "revolta"...

Mas... E a enorme quantidade de impostos que pagamos, para onde vai, afinal?

A facção do BACEN controla a distribuição destas finanças que remete, majoritariamente, à ciranda financeira, aos verdadeiros donos do poder.

Não é casual que todo o presidente do BACEN seja escolhido entre e pelos representantes dos bancos e do grande capital especulativo. Ontem era o estafeta do George Soros, Armínio Fraga. Hoje é o gângster Henrique Meirelles, funcionário de carreira do Bank of Boston. Este mesmo, se chegar a ser substituído o será por outro representante dos mesmos interesses. A pantomima de se propalar que o marionete que ocupa o Planalto ser aquele quem "escolhe" ou "nomeia" o presidente do BACEN é mera propaganda; não ultrapassa o nível do discurso.

A quantia é pavorosamente enorme, são 40% de toda a produção nacional. Sobra alguma quantia, que o BACEN autoriza o governo a distribuir da seguinte maneira:

1) Para a propaganda governamental propalar estar fazendo precisamente o oposto do que pratica e simplificar o desvio de recursos brasileiros a contas bancárias privadas em bancos estrangeiros, como ficou claro no episódio envolvendo Luiz Gushiken, Marcos Valério, Delúbio Soares e Duda Mendonça.

2) Recursos a fundo perdido em "cartões de crédito corporativos". Quando foi revelado ao público que a Primeira Dama, D. Mariza Letícia, gastava mais de R$ 2.000,00 (cerca de 14 bolsas-esmola destas pagas por mês ao lumpemproletariado) POR DIA isto se tornou "Assunto de Segurança Nacional" e ninguém mais pode ficar sabendo o que a facção do Planalto faz com um rio de dinheiro.

3) Recursos para subornar diretamente parlamentares através de mensalão ou seja lá que nome passem a dar a esta prática, ainda muito comum. Esta prática, contudo, é meramente coadjuvante da forma principal de suborno a parlamentares através de nomeações a cargos públicos regiamente remunerados, como se diz no governo Lula, "por dentro e por fora", negociações de ministérios "de porteira fechada", etc. O único cargo não negociável, pois não pertence à facção do Planalto, mas à dos banqueiros é o de presidente (ou "ministro-presidente"...) do BACEN.

Não se conhecem dados acerca das sobras de todos estes recursos expendidos desta maneira excêntrica, somente se sabem que não se destinam – seja por proibição taxativa da facção do BACEN, seja por incompetência pura e simples – à melhoria das condições existenciais de nossa gente.

Nada é investido em escolas ou hospitais públicos, que se encontram em estado de calamidade. É uma política claramente pensada e elaborada: ao invés de aprimorar as escolas, desvia-se o recurso que lhes deveria ser destinado a uma coisa obscena chamada "PROUNI": o governo paga uma fortuna para que entidades privadas de ensino de baixíssimo nível reservem vagas nos piores cursos a alguns miseráveis, estendendo a distribuição de renda da quadrilha dos bancos e políticos, também aos donos de escolas. Os hospitais públicos são abandonados para obrigar a todos os que podem a se submeter aos extorsivos planos de saúde privada ampliando a gangue também a estes.

O mais incrível ainda é a situação dos policiais civis e militares em geral, com salários congelados há mais de 15 anos – houve uma intensa propaganda de um "aumento" de 1% que jamais aconteceu, só isso. Como defensores principais do status quo implementado pelos bancos e toda a escória similar que nos governa de fato, resulta inacreditável a situação em que se encontram. Quando saem fardados – o que vem se tornando cada vez mais raro, uma vez o crime, a exemplo do que vem de cima, se espalhar por toda a sociedade – utilizam vestes rotas e seu armamento é visivelmente obsoleto. A redução do horário de trabalho dos militares em 50% para compensar as perdas salariais sucessivas leva-os à economia informal e não é raro vermos colegas de fardas com problemas diante da lei. A mesma que os jogou nesta situação, aliás...

5. O crime desorganizado

Quando faltam recursos para a educação do jovem, quando lhes são tiradas quaisquer perspectivas de uma vida digna e honrada, estimula-se o crime desorganizado. Já vivemos tempos em que ansiávamos para a futura geração uma vida melhor que a nossa. Hoje, a única certeza que podemos dar a nossos filhos é que jamais terão o mesmo padrão de vida que temos. Os de classe média caem cada vez mais de padrão existencial e os pobres são arremessados nas mãos dos criminosos desorganizados.

Faço esta pequenina diferenciação pois os traficantes, seqüestradores e similares não têm a Lei ou o Parlamento a seu lado – são levados à mesma condição de egoísmo e desilusão que perpassa todo o mundo capitalista – ao contrário do crime organizado dos bancos, do Planalto, do BACEN, do Parlamento e do Judiciário. O exemplo vem de cima e eles tentam desesperadamente segui-lo, mas jamais disporão dos mesmos recursos que os verdadeiros donos do poder jogam ao ralo da corrupção e compra de legisladores, economistas e juristas no cotidiano.

Os recursos que deveriam destinar-se à educação são desviados da maneira acima descrita; a isto se adiciona mais uma das atribuições da facção do BACEN: a manutenção de elevados níveis de desemprego. Isto protege os poderosos de greves, avilta salários e amplia seus lucros. O fato de o ser humano ser a maior vítima de toda esta situação sequer é considerado relevante pelos donos do poder. Aqui encontramos nova discrepância entre a realidade e o discurso. Fala-se em menos de 15% de desempregados no país. Todo o discurso oficial se encaminha nesta direção. Contudo, as pesquisas em que se baseiam o discurso oficial, não levam em conta pessoas que estão desempregadas há mais de 1 mês, pessoas que procuram emprego pela primeira vez, pessoas que recentemente demitidas, por um lado e, por outro, computam aqueles que conseguem sobreviver trabalhando na chamada "economia informal", ou seja, que não pagam impostos e acabam sendo penalizadas por isso.

Pesquisas sérias que levassem tais dados em consideração concluiriam que temos um "exército industrial de reserva" superior a 30% da mão-de-obra ativa. 30% de desemprego é sinônimo de desespero.

Meninos mal formados – inclusive por insuficiência alimentar na primeira infância – sem acesso à educação formal são vítimas óbvias do crime desorganizado que busca imitar o maior e mais grave, o exemplo que vem de cima.

Hoje a rebeldia juvenil sequer se manifesta politicamente. Por um lado há a propaganda hipnótica a desinformar que "os trabalhadores estão no poder"; por outro os sindicatos se transformaram em míseros apêndices do governo que, mal e porcamente organizam festas laudatórias ao marionete dos banqueiros em cerimônias vazias de conteúdo. Naturalmente, todos os sindicatos e mesmo os partidos políticos que já estiveram à esquerda seguem se dizendo "defensores dos trabalhadores" – se por "trabalhadores" compreendermos donos de bancos e jogadores da bolsa de valores...

Cabe, novamente, enfatizar: aos donos do poder, pouco importa o discurso, desde que sua lucratividade esteja garantida.

Neste sentido, vale a regra oposta àquela subseqüente ao mar de lama do primeiro mandato de Lula da Silva. Se naquele momento tudo de ilícito era permitido fazer e nada era permitido divulgar; no caso do controle bancário a regra é oposta: tudo se pode dizer ou escrever, desde que nada se faça a respeito. Até mesmo autoridades políticas governamentais, seja no Parlamento ou mesmo dentro da facção do Planalto podem dizer o que bem entenderem acerca do encaminhamento político. A proibição definitiva é uma só: não se pode mudar a política econômica ditada pelo crime organizado.

6. Facções criminosas invertendo equações

A partir da lógica exposta, a facção criminosa do BACEN impede o crescimento econômico do Brasil e pratica uma forma extraordinariamente excêntrica de "redistribuição de renda": dos trabalhadores para os parasitas.

À facção do Planalto, coadjuvada pela do Congresso Nacional, cabe dizer precisamente o oposto da realidade – e tanto, e com tanta ênfase e repetição que a esmagadora maioria acredita mais na propaganda que na deterioração de sua vida real.

"Estamos crescendo e distribuindo rendas como nuncaantesnestepaíz". Quando o marionete dos banqueiros se dirige a platéias de trabalhadores e desempregados convence, persuade. Já não lhes importa lutar por honra, dignidade, trabalho honesto ou salário justo. Basta-lhes saber que há "um deles no poder fazendo o melhor que pode". Seu limite de consciência possível não lhes permite perceber que esta ilusão não confere com os fatos e, desde que haja a esmola miserável para o número crescente de desempregados e desesperados, a que se aliam intelectuais e economistas venais, tudo vai bem no melhor dos mundos...

Em síntese: o que o governo chama de "crime organizado", com vozes estridentes a repeti-lo hipnoticamente em programas e propagandas sensacionalistas refere-se a jovens desesperados cometendo atrocidades terríveis por aí afora seguindo pequenos tiranetes que tentam em vão imitar os grandes criminosos...

Estes pobres coitados têm todas as instâncias institucionais CONTRA eles. O verdadeiro crime organizado reúne-se em salas confortáveis e decide que limitações lhes devem ser impostas e em que crimes devem ser enquadrados. Não são tão “organizados” quanto querem nos fazer crer...

O verdadeiro crime organizado no Brasil de hoje é este praticado pelos Bancos e seus representantes, no Planalto, no Congresso e no Judiciário.

Enquanto o crime organizado estiver no poder não haverá esperança para a nossa e, pior ainda, as futuras gerações.

Lázaro Curvêlo Chaves - 28/01/2007

CHAVES, Lázaro Curvêlo. Brasil controlado pelo crime organizado. Disponível em <http://www.culturabrasil.org/brasilcontroladoporcriminosos.htm>. Acesso em 21 de outubro de 2007.

Meus comentários

Este blog não comete o erro quase universal neste país de dividir a população entre pró-Lula e pró-PSDB, e nem foi meu objetivo apenas reproduzir um texto anti-Lula, no sentido desta polarização, quando reproduzi esse texto. Como dizia o PSTU, "fora todos". Não é propriamente com Lula que me preocupo. É com a realidade que esse texto retrata, e que não está sendo debatida na televisão.

Mais 10 dias e o texto teria alcançado o caso João Hélio. É uma coincidência providencial, para falar de forma generosa, que esse caso tenha ocorrido nos primeiros 40 dias do segundo mandato de Lula, e que ele tenha despertado a população, novamente para falar de forma generosa, para a questão da segurança pública. O povo pede paz para a violência nos bairros de classes média e alta, mas não pede os 3 milhões de empregos que faltam apenas em seis regiões metropolitanas (São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Brasília e Porto Alegre), não comenta o segundo pior crescimento econômico da América (maior apenas que o do Haiti), nem discute (ou mesmo sabe) sobre o lucro de R$ 14,9 bilhões de reais (quase R$ 16,00 por mês para cada brasileiro economicamente ativo, cuja renda média é R$ 587,00) dos seis maiores bancos no primeiro semestre deste ano.

Walter Nunes Braz Júnior - semsenhores@grupos.com.br

Religiosos moderados

17:05 @ 27/09/2007

Qualquer religião é um pacote produzido pela sua elite. Não há qualquer coisa sobre qualquer deus que não venha, na melhor das hipóteses, de crentes sinceros. Não há qualquer material fora do sistema religioso que o adepto de uma religião possa usar para convencer um de outra. Por exemplo, não se sabe de uma aparição de Nossa Senhora a um hindu. Isso é uma prova de que nenhum deus existe, mas essa é uma outra discussão.

Professada uma religião, é uma questão de coerência aceitar o pacote completo. Se a mesma fonte que diz que, por exemplo, Javé é o único deus verdadeiro diz também que ele criou uma igreja e inspirou a Bíblia Sagrada, estas declarações devem, a princípio, ser tão aceitas quanto a primeira.

Mesmo assim, surgem os religiosos moderados! Eles reconhecem que a sua religião perdeu a pureza original por intervenção humana. Reconhecem que os seus livros sagrados podem ter erros, introduzidos por boa fé, má fé ou descuido. Reconhecem os erros de fiéis e mesmo da liderança religiosa. Estão abertos ao diálogo com outras fés. Reconhecem que os decretos de seus deuses não precisam ser levados tão a sério.

Os moderados parecem que têm um deus feito sob encomenda.

Catar no livro sagrado o que é palavra divina e o que é palavra de homens, julgar quais mandamentos (todos claros e categóricos) devem ser obedecidos ou não no século XXI ou usar o famoso contexto bíblico para explicar passagens constrangedoras é não entender o que é seguir a religião que se professa. É algo como o duplipensar [1] ou o negrobranco [2] do romance "1984", de George Orwell.

Noam Chomsky já disse que "A forma ardilosa de manter as pessoas passivas e obedientes é limitar estritamente o espectro da opinião aceitável, mas estimular muito intensamente o debate dentro daquele espectro... Isto dá às pessoas a sensação de que o livre pensamento está pujante, e ao mesmo tempo os pressupostos do sistema são reforçados através desses limites impostos à amplitude do debate". Isso também se aplica à religião. A Bíblia menciona, entre outros erros científicos, uma Terra em forma de disco e um céu sólido (Is 40. 22). Também, entre outros problemas, prega a intolerância religiosa mesmo no Novo Testamento (I Co 16. 22, II Jo 10). No entanto, coisas assim não são observadas ou mesmo conhecidas por muitos cristãos. Algo dessa ordem de grandeza pode ser dito de cada outra religião. Assim, as alas moderadas, as tradicionais, as fundamentalistas e as relapsas fazem debates periféricos e estúpidos, como se os pontos nucleares da religião estivessem solidamente estabelecidos, indivíduos de alas diferentes se hostilizam entre si, e todas pautam suas vidas por seus livros sagrados, freqüentam os trabalhos religiosos, dão ofertas, educam seus filhos nos padrões divinos e todos os requisitos para um bom fiel. E cada fiel ainda se sente bem de poder escolher entre um ramo mais tradicional ou mais "moderno".

Walter Nunes Braz Júnior

[1] "Duplipensar quer dizer a capacidade de guardar simultaneamente na cabeça duas crenças contraditórias, e aceitá-las ambas."

[2] "Aplicada a um adversário, caracteriza o hábito de afirmar impudentemente que o negro é branco, em contradição aos fatos evidentes. Aplicada a um membro do Partido, significa leal disposição de dizer que o preto é branco quando o Partido o exige. Significa, também, a capacidade de acreditar que o preto é branco, e mais ainda, de saber que o preto é branco, e de acreditar que jamais se imaginou o contrário."

Quem criou o Universo?

21:03 @ 06/09/2007

Quem criou o sem número de planetas, dos quais raríssimos não são quentes ou frios demais para qualquer ser vivo sobreviver? Quem criou uma multidão de sistemas solares em quase todos os quais ninguém tomará conhecimento de o que quer que aconteça?

Quem inspirou os livros sagrados, que envergonharão a humanidade quando esta aprender a viver em igualdade, respeito e sensatez? Quem são esses deuses que acharam menos importante nos dizer como prevenir e curar doenças que ordenar às mulheres a submissão aos homens? Quem inspirou esses livros que sempre foram a voz do reacionarismo e da ignorância dos seus tempos?

Quem criou as religiões, que mesmo sendo plágios umas das outras, se dizem verdades especiais e exclusivas? Quem criou religiões que só conseguem lidar com a dúvida e a discordância com retaliações, desde a simples discriminação até o etnocídio, em vez de evidências lógicas e fatuais que o verdadeiro deus não seria incapaz de mostrar?

Quem criou a Terra, onde catástrofes naturais não fazem distinção de credo? Quem criou a Terra e permite que nela se produza alimento com fartura mas alguns passem fome? Quem adornou o mundo com praias, bosques, colinas e outros belos lugares e não dá a muitos o prazer de desfrutá-los?

Onde está o Justo Juiz, também o Criador, que não se preocupa em punir o mal ainda neste mundo? Quem criou as recompensas e as penas eternas, mas em outro mundo que ninguém vê, para retribuir o bem ou o mal feitos neste mundo? Quem é o Juiz que faz mandantes de assassinatos morrerem em paz e justos morrerem de doenças banais depois de uma vida de privações?

Quem nos criou com sexualidade e quer que a reprimamos, só praticando-a dentro do casamento? Quem nos criou com inteligência e nos exige a credulidade? Quem nos criou podendo sentir prazer, mas ordena uma vida de sofrimento para alcançar um estado especial de bem-estar depois da morte? Quem nos deu um padrão absurdo que nos leva à hipocrisia, à vergonha, à guerra santa, ao ódio sectário, ao isolamento?

Mas mesmo sem tudo isso, diga-me, ó religioso, por que foi exatamente o seu deus, não qualquer outro, que criou o Universo.

Walter N. Braz Jr.

Mentiras verdadeiras

11:14 @ 24/08/2007

Atualizado em 26/08/07

O cidadão mediano acredita em algumas coisas não por elas serem verdade, mas porque é levado a acreditar que são. Uma forma pela qual isso se dá é pela repetição dessas idéias associada ao silenciamento da idéia contrária. Quem têm boas fontes de informação e já as comparou com as publicações e os jornais de maior publicidade sabe do que estou falando. Outra forma é pela repetição associada ao desestímulo da analise crítica, que pode ser pela depreciação dessa análise ou por intimidação. Há não poucas pessoas com uma cultura de ignorância e preguiça mental.

Vou citar alguns exemplos dessas mentiras popularmente aceitas. Ao final, talvez você mesmo(a) possa acrescentar outros.

Aquecimento global. A temperatura média da Terra hoje é 1 ºC menor que na Revolução Industrial. A maioria dos especialistas não acredita no aquecimento global. Leia "A fraude do aquecimento global", na página Alerta em Rede.

Princípios cristãos. Os camponeses do Império Romano já tinham um bom padrão de conduta antes de serem obrigados a adotar o Cristianismo. O amor aos inimigos, a castidade e outros princípios adotados pelos cristãos já eram adotados antes da era cristã e são até hoje em várias outras religiões.

Falta de mão-de-obra qualificada. Uma campanha barata para fazer o trabalhador trabalhar melhor pelo mesmo salário, ao mesmo tempo em que ele será responsabilizado pela sua eventual má sorte. Se o mercado não tem disponível mão-de-obra qualificada, como pode ser exigente?

A Bíblia é divina e perfeita. Veja erros científicos em "A Falsa inerrância científica bíblica", partes 1 e 2, na página de Marcus Valério. Veja erros proféticos em "As profecias que falharam", na página O Encosto. Além disso, a Bíblia é machista, é escravista, defende governos absolutos e outros problemas.

Jesus Cristo histórico. Nenhum documento autêntico dos séculos I e II menciona Jesus Cristo (a não ser, é claro, os evangelhos). Na verdade, Jesus Cristo é puramente crido nos países de maioria cristã. Leia "Jesus - o incômodo silêncio da história" e "Jesus Cristo nunca existiu", por exemplo.

Já dizia o governo nazista que uma mentira dita mil vezes se torna verdade.

Walter Nunes Braz Júnior

Sua casa é segura?

20:07 @ 27/07/2007

Você já assistiu o filme "Inimigo do Estado"? Foi exibido no Supercine em maio. Caso não tenha assistido, o resumo é o seguinte: um advogado, interpretado por Will Smith, é perseguido pelo governo por ter uma fita de vídeo mostrando o assassinato de um congressista, que era contrário a um projeto que atentava contra a privacidade do cidadão comum. Ele é rastreado em tempo real através de imagens de satélite e câmeras de vigilância, além de ter vasculhados usos de cartão de crédito e telefonemas. Tudo com as clássicas cenas de perseguições, fugas e outras de filmes do gênero. Ele não é procurado por um crime.

Como chegar a um regime totalitário sem que a população perceba? Mostrando o Estado como o grande herói a zelar pela sociedade. Mas contra que perigo? Uma ameaça grande controlada, ou uma pequena exagerada, ou um grupo apresentado como perigoso. Alguns casos emocionantes, bem explorados, podem ajudar a chamar a atenção do público. A luta contra o perigo fabricado é um espetáculo, mas durante ela se toma providências contra a reação de um pobre desrespeitado no serviço público, pobres em bairros abastados, textos colados em postes e outras coisas indesejadas.

Como se diz, temos um caos na segurança. Não deixamos de ver casas com algum "acessório" sobre o muro (cacos de vidro, arame farpado ou cerca elétrica). As notícias policiais são uma parte significativa de qualquer noticiário. Movimentos pedem o fim da violência. Mesmo bairros com policiamento satisfatório têm casos sérios de violência. Senhas e números de acesso a banco via internet e cartões bancários e de crédito podem ser apropriados por bandidos. Vírus de computador surgem aos milhares diariamente. Até a polícia é vítima da violência.

Então, a perda de privacidade é apresentada como benéfica para a população. Vemos nos noticiários casos de criminosos capturados com a ajuda de câmeras de vigilância (observamos, mesmo pelas reportagens, que as câmeras foram úteis não para prevenir crimes, inclusive homicídios, mas para prender seus autores). Vemos também quebras de sigilo telefônico mostrando esquemas de desvio de dinheiro público. Vemos também câmeras escondidas registrando esquemas de fraudes e comércios ilegais. Para cada medida de vigilância ou restrição é apresentada uma série de benefícios. E vai se descobrir que a lei para os "três pês" (preto, pobre e puta) é branda, que faltam policiais, que faltam presídios.

Ao mesmo tempo em que os cidadãos se ligam ao Estado, se desassociam uns dos outros, salvo nas campanhas organizadas pelo Estado e pela classe alta. Quem organiza assembléias ou manifestações populares sabe como é difícil, mesmo quando o assunto interessa a muitas pessoas. Os cidadãos dificilmente estão fora de suas casas quando não para trabalho, estudo, trabalhos religiosos ou ir ao comércio. Para o cidadão aterrorizado, cada pessoa trajada fora do padrão é um marginal, cada vizinho é um invejoso, cada colega de trabalho é um concorrente.

Quem acredita que cidadãos de bem não precisam temer a falta de privacidade não sabe sobre ditaduras. Essas pessoas também não se fazem muitas perguntas sobre suas religiões, não acreditam em uma sociedade radicalmente diferente, conversam majoritariamente sobre amenidades. Em qualquer governo mais severo, o "cidadão de bem" é, em última análise, o cidadão alienado e submisso. Falta a este "cidadão de bem" uma pergunta simples: por que tanta questão de um trabalho muito mais cansativo que frutífero de vasculhar informações pessoais de pessoas de quem não há razões aparentes para desconfiar?

Então, caminhamos para um cenário em que os principais bairros e logradouros de cada cidade serão vigiados por câmeras; filtros para internet bloquearão páginas contrárias ao governo ou aos preceitos da religião majoritária; cada pessoa será escrutinada por empresas, empregadores e policiais a partir de um banco de dados com cada deslocamento por ônibus, dado médico e outras informações; trabalhadores serão vigiados como presidiários nos seus ambientes de trabalho; preceitos e regras de condutas religiosos podem ser bases de leis, e podemos ter crimes como fornicação ou blasfêmia; pessoas poderão ser presas por escrever textos de crítica política, social ou religiosa. Mas, por enquanto, o perigo vem dos pequenos criminosos, desde as quadrilhas do crime organizado até os que levam um sabonete escondido no comércio. E também de grupos vilanizados, como sem-terra, manifestantes e mesmo camelôs. E, por enquanto, poucos pensam em abuso policial, absurdos judiciários, censura e outros assuntos graves.

Walter Nunes Braz Junior

Para os que não sabem (que não são poucos, inclusive entre as mulheres), o Dia Internacional da Mulher é uma data celebrada desde 1910. Em 8 de março de 1857, 130 operárias de uma fábrica em Nova Iorque entraram em greve pela redução da jornada de trabalho de 16 para 10 horas por dia, foram trancadas na fábrica e o prédio foi queimado.

Quantos, em séculos passados, temiam uma revolução feminista ao menor direito dado às mulheres? Mas e daí que as mulheres desse início do século XXI escolham quando e com quem vão se casar, sejam alfabetizadas, possam se candidatar à presidência e, algumas, usem minissaia e tenham piercings? Que mulheres vemos? Mulheres que continuam aceitando a lavagem cerebral de que têm de ser mães, ser exclusivas de um único homem, ter um corpo dito perfeito e não parecer nem de longe uma "safada". Mulheres que, com honrosas e gratificantes exceções, têm o nariz empinado quando não têm baixa auto-estima; usam roupas minúsculas quando não acham que não devem expor os joelhos; são competitivas quando não são servis; são frustradas com o casamento quando não são frustradas por não terem se casado; são intelectualóides quando não são alienadas. Quantas mulheres se importam com as homenagens ao Dia Internacional da Mulher retratarem não uma mulher, mas um estereótipo feminino?

Agrada a muitas mulheres ver os homens se rendendo ao arrastão femista. Parece que a cada cargo de chefia conquistado por uma mulher, a cada formatura de uma mulher em um curso de maioria masculina, a cada mulher que se impõe em um ambiente de trabalho, o homem é como um invasor de uma propriedade expulso pelo proprietário. Da confusão entre femismo e feminismo vem a confusão entre anti-femismo e machismo. Um texto interessante sobre isso é "Qual a diferença entre feminista e femista", do blog A Vez das Mulheres (http://www.grupos.com.br/blog/a-vez-das-mulheres/permalink/14863.html).

Dia 15 de julho é o Dia Internacional do Homem. Quantos sabem? Porque o comércio não se prepara para esse dia como se prepara para o 8 de março? Será aquela confusão entre feminismo e femismo, querendo que os homens tratem as mulheres não como iguais em valor, mas como um misto de vítima e superior?

Homem também tem valor. Vários são bons pais, filhos e esposos. Vários são bons profissionais, dedicados não só ao trabalho como ao público-alvo. Vários são amigos, amáveis, divertidos, inteligentes. Vários homens têm qualidades mal conhecidas, especialmente pelas mulheres, para muitas das quais eles são os carregadores de peso, os pagadores de contas, os que observam seus decotes como se devessem ter desviado os olhos, os adversários do mercado de trabalho, as escadas profissionais. Eu mesmo gosto de ser homem porque serei mais um homem a não ser machista, intratável, ciumento e reprodutor de um mundo ruim em vários aspectos (apenas não sou partidário do amor platônico e do que chamam de respeito, porque não tenho coisa alguma contra o sexo).

Ao longo da História, vários lutaram, alguns com mais sucesso, por um mundo melhor. Certamente foi o caso daquelas operárias. Se você é homem, já pensou em um mundo sem machismo ou femismo, e sem o preconceito, a repressão sexual e a competição regulando a relação entre homens e mulheres? Feliz Dia Internacional do Homem.

Walter Nunes Braz Junior

A Bíblia e a liberdade

20:07 @ 14/06/2007

A favor da censura

"Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás." (Gênesis 2: 17)

Outros textos: Gênesis 3: 22 a 24; Êxodo 19: 12 e 13; Deuteronômio 5: 24 a 28, 13; Jó 38: 1 a 42: 6; Salmo 131; Isaías 45: 9 e 10; Malaquias 2: 17; Mateus 12: 31 e 32; Marcos 3: 28 e 29; Lucas 6: 37; Romanos 14: 10 a 13; Gálatas 1: 8 e 9; Tiago 4: 11 e 12, 5: 9

Contra o direito de ir e vir

"E marcarás limites ao povo em redor, dizendo: Guardai-vos, não subais ao monte, nem toqueis o seu termo; todo aquele que tocar o monte, certamente morrerá. Nenhuma mão tocará nele; porque certamente será apedrejado ou asseteado; quer seja animal, quer seja homem, não viverá; soando a buzina longamente, então subirão ao monte." (Êxodo 19: 12 a 13)

Outros textos: Deuteronômio 23: 1 a 6; 2 João 10 e 11

Contra a liberdade religiosa

"Portanto guardareis o sábado, porque santo é para vós; aquele que o profanar certamente morrerá; porque qualquer que nele fizer alguma obra, aquela alma será eliminada do meio do seu povo." (Êxodo 31: 14)

Outros textos: Êxodo 20: 4 a 6, 22: 18, 20 e 28, 23: 13, 32: 1 a 29, 34: 13 a 17; Levítico 20: 6 e 27, 26: 14 a 38; Deuteronômio 5: 8 a 10, 6: 14 e 15, 7: 5, 25 e 26, 11: 26 a 28, 12: 1 a 3, 13, 28: 15 a 68, 29: 22 a 28, 31: 16 a 18; Malaquias 3: 8 a 12; Mateus 5: 29 e 30, 10: 28, 12: 31 e 32; Marcos 3: 28 e 29; 9: 43 a 48, 16: 16; João 3: 18; Gálatas 3: 10; 1 Timóteo 5: 4, 9 e 10, 14 e 15

Contra a liberdade artística

"Guardai, pois, com diligência as vossas almas, pois nenhuma figura vistes no dia em que o Senhor, em Horebe, falou convosco do meio do fogo; para que não vos corrompais, e vos façais alguma imagem esculpida na forma de qualquer figura, semelhança de homem ou mulher; figura de algum animal que haja na terra; figura de alguma ave alada que vôa pelos céus; figura de algum animal que se arrasta sobre a terra; figura de algum peixe que esteja nas águas debaixo da terra" (Deuteronômio 4: 15 a 18)

Outros textos: Êxodo 20: 4; Deuteronômio 5: 8, 7:5, 25 e 26, 12: 1 a 3

Contra o sexo

"Também o homem que adulterar com a mulher de outro, havendo adulterado com a mulher do seu próximo, certamente morrerá o adúltero e a adúltera." (Levítico 20: 10)

Outros textos: Êxodo 20: 14, 22: 16 e 17; Levítico 18: 20, 19: 20; Números 5: 12 a 27, 25: 1 a 9 e 31: 15 a 18; Deuteronômio 22: 13 a 30; Provérbios 2: 16 a 19, 5, 6: 23 a 35, 7: 6 a 27; Malaquias 2: 11 a 16; Mateus 19: 9 a 12, 22: 24; Marcos 10: 11 a 12, 12: 19; Lucas 20: 28; João 8: 3 a 5; 1 Coríntios 6: 13 a 18, 7: 2 a 5 e 39; Gálatas 5: 19 a 21; 1 Tessalonicenses 4: 3 a 5; Hebreus 13: 4

A favor da escravidão

"Vós, servos, sujeitai-vos com todo o temor aos senhores, não somente aos bons e humanos, mas também aos maus." (1 Pedro 2: 18)

Outros textos: Êxodo 21: 1 a 11 e 20 a 21; Deuteronômio 15: 12 a 18; Salmo 24: 1 e 2; Mateus 16: 24; Lucas 1: 30 a 31, 9: 23; Romanos 6: 22; 1 Coríntios 6: 19 e 20, 7: 4 e 39; 2 Coríntios 5: 15; Efésios 6: 5 a 8; Colossenses 3: 22 a 25

Bom texto: "Não entregarás a seu senhor o servo que, tendo fugido dele, se acolher a ti; contigo ficará, no meio de ti, no lugar que escolher em alguma das tuas portas, onde lhe agradar; não o oprimirás." (Deuteronômio 23: 15 a 16)

A favor da opressão dos pais sobre os filhos

"Quando alguém tiver um filho contumaz e rebelde, que não obedecer à voz de seu pai e à voz de sua mãe, e, castigando-o eles, lhes não der ouvidos, então seu pai e sua mãe pegarão nele, e o levarão aos anciãos da sua cidade, e à porta do seu lugar; e dirão aos anciãos da cidade: Este nosso filho é rebelde e contumaz, não dá ouvidos à nossa voz; é um comilão e um beberrão. Então todos os homens da sua cidade o apedrejarão, até que morra; e tirarás o mal do meio de ti, e todo o Israel ouvirá e temerá." (Deuteronômio 21: 18 a 21)

Outros textos: Êxodo 21: 17, 22: 16 e 17, 34: 15 e 16; Levítico 20: 9; Provérbios 30: 17; Colossenses 3: 20

A favor do abuso de poder

"Nem ainda no teu pensamento amaldiçoes ao rei, nem tampouco no mais interior da tua recâmara amaldiçoes ao rico; porque as aves dos céus levariam a voz, e os que têm asas dariam notícia do assunto." (Eclesiastes 10: 20)

Outros textos: Êxodo 22: 28; Josué 1: 18; Salmo 45: 5; Eclesiastes 10: 4; Mateus 15: 4; Marcos 7: 10; Romanos 13: 1 a 7; Efésios 5: 22 a 6: 9; Colossenses 3: 18 a 4: 1; 1 Pedro 2: 13 e 14

A favor da exploração

"As tuas primícias, e os teus licores não retardarás; o primogênito de teus filhos me darás." (Êxodo 22: 29)

Outros textos: Êxodo 23: 19; Levítico 23: 10; Deuteronômio 14: 22 e 23, 26: 1 a 15; Salmo 24: 1 e 2, 50: 9 e 12; Ageu 2: 8; Malaquias 3: 8 a 12; Atos 5: 1 a 11

Bons textos: "Quando entrares na vinha do teu próximo, comerás uvas conforme ao teu desejo até te fartares, porém não as porás no teu cesto. Quando entrares na seara do teu próximo, com a tua mão arrancarás as espigas; porém não porás a foice na seara do teu próximo." (Deuteronômio 23: 24 e 25)

"Quando no teu campo colheres a tua colheita, e esqueceres um molho no campo, não tornarás a tomá-lo; para o estrangeiro, para o órfão, e para a viúva será; para que o Senhor teu Deus te abençoe em toda a obra das tuas mãos, quando sacudires a tua oliveira, não voltarás para colher o fruto dos ramos; para o estrangeiro, para o órfão, e para a viúva será. Quando vindimares a tua vinha, não voltarás para a rebuscá-la; para o estrangeiro, para o órfão, e para a viúva será. " (Deuteronômio 24: 19 a 21)

Contra a liberdade de associação

"Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras." (2 João 10 a 11)

Outros textos: Êxodo 23: 31 a 33, 34: 11 a 16; Levítico 21: 7, 13 e 14, 22: 12; Múmeros 25: 1 a 9 e 31: 15 a 18; Deuteronômio 7: 1 a 4; 13: 6 a 10; Malaquias 2: 11 a 16; Mateus 19: 3 a 9; Marcos 10: 2 a 12; 1 Coríntios 7: 39; 2 Tessalonicenses 3: 14

Bom texto: "Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais" (1 Coríntios 5: 11)

Contra a liberdade de expressão

"E não murmureis, como também alguns deles murmuraram, e pereceram pelo destruidor." (1 Coríntios 10: 10)

Outros textos: Levítico 24: 10 a 16; Números 11: 18 a 20 e 33, 12, 14: 1 a 24, 16, 21: 4 a 9; Deuteronômio 1: 21 a 39, 6: 16; Mateus 7: 1 a 5; 12: 31 e 32; Marcos 3: 28 e 29; Lucas 1: 18 a 20, 6: 37; Romanos 14: 10 a 13; 1 Timóteo 5: 1 e 2; Tiago 4: 11 e 12, 5: 9

Contra o lazer

"Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre." (1 João 2: 15 a 17)

Outros textos: Êxodo 23: 14 a 19, 32: 6 e 19 a 29; Levítico 23: 4 a 8; Números 25: 1 a 9 e 31: 15 a 18; Deuteronômio 16: 1 a 17; Isaías 22: 12 a 14; 1 Coríntios 10: 7; 1 Timóteo 5: 6

Contra a liberdade e a dignidade da mulher

"Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor; porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo. De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos." (Efésios 5: 22 a 24)

Outros textos: Gênesis 3: 16; Êxodo 21: 17, 22: 16 e 17; Deuteronômio 21: 10 a 14, 25: 5 a 12; Mateus 22: 24; Marcos 12: 19; Lucas 20: 28; 1 Coríntios 7: 39, 14: 34; Colossenses 3: 18; 1 Timóteo 2: 9 a 15; Tito 2: 3 a 5; 1 Pedro 3: 1 a 6

==============

Do meu blog Paraíso Concreto

Beijos

Imaculada

Consciência ambiental? Responsabilidade sócio-ambiental? Ecologicamente correto? Crianças e adolescentes estão acostumados com termos como esses, mas, senhores de 60 anos ou mais, por favor se lembrem há quanto tempo vocês os ouvem.

Antes de prosseguir, esqueça a onda gigante no sudeste da Ásia, o ciclone em Santa Catarina, o aquecimento global e coisas do gênero (se isso lhe soa como ignorar uma crise ambiental de proporções apocalípticas, já começamos mal). E cuidados com aproveitamento de matérias-primas e resíduos, saneamento, recursos naturais e pontos afins são salutares e não estão em discussão.

Pra começar: como uma crise como a que nos anunciam vai da insignificância à catástrofe em duas ou três gerações? Óxidos de enxofre e nitrogênio, emitidos por indústrias e veículos automotores, levam à chuva ácida. E não é raro vizinhos de uma indústria reclamarem da fumaça, que pode lhes causar inclusive problemas de saúde crônicos. Então, se a poluição é a causa dos problemas ambientais, como ela chegou ao ponto de derreter geleiras antes que qualquer prefeitura de cidade média achasse por bem fazer algo a respeito?

Uma solução internacional para a poluição é a fixação de uma cota de gás carbônico que cada país terá direito de emitir. Mas se um país não usar toda a sua cota, esse excedente pode ser vendido a um país que não consiga cumprir a sua. Bem, sabemos quem são um e outro. E por isso a idéia é perversa: é transformar a paralisia econômica, mesmo que desenvolvimento não signifique destruição do meio ambiente, em "bom negócio" para os países subdesenvolvidos, enquanto os desenvolvidos, que deviam ser mais exigidos, devem mudar pouco seu estilo de vida. Esse é o problema não só do crédito de carbono como de todos os MDL (Mecanismos de Desenvolvimento Limpo).

A existência e o uso de armamento escalar (que produz mudanças climáticas) é, no mínimo, imaginável. Leia "Uma Visão Tenebrosa da Tecnologia de Controle do Clima - O Armamento HAARP" (http://www.espada.eti.br/n1207.asp) ou "HAARP - High Frequency Active Auroral Research Program" (http://www.fenomeno.matrix.com.br/fenomeno_ufologia_1_haarp.htm).

O desmembramento da Amazônia e do Pantanal pode ser concretizado. O Aqüífero Guarani pode ter a mesma sorte. Fossem eles nos Estados Unidos ou na Espanha, falar em internacionalização seria "campanha comunista". Poderemos não ter uma planta medicinal que não seja patenteada. Poderão ser poucos os vegetais disponíveis no mercado cujas sementes possam produzir frutos com sementes igualmente férteis (já se informou sobre sementes suicidas?). Mas quem pensará em geopolítica, fascismo, interesses econômicos e lavagem cerebral com o mundo perto do fim por culpa do homem?

Walter Nunes Braz Junior

Divinópolis, 07 de maio de 2007

O debate medular ou: por um movimento estudantil intelectualmente digno
por Luís Guilherme Fernandes Pereira em 29 de abril de 2007

Resumo: Há, basicamente, dois tipos de militantes estudantis: os ignorantes e os desonestos.

© 2007 MidiaSemMascara.org

Das razões deste escrito

Estive hoje, data da escrita deste documento, no Conselho de Representantes de Unidades (CRU), espécie de “senado” do movimento estudantil da Unicamp, sobrepujado em autoridade somente pela assembléia geral e pelos congressos anuais, e que congrega representantes eleitos de forma direta e representantes escolhidos pelos Centros Acadêmicos.

A pauta consistia da discussão a respeito dos “decretos do Serra” (são conhecidos dessa forma os decretos de 51.460 de 01/01/2007, 51.461 de 01/01/2007, 51.471, de 02/01/2007 e 51.636, de 09/03/2007 e 51.660, de 14/03/2007), cuja síntese (enviesada) pode ser lida em http://www.adunicamp.org.br/Síntese%20Decretos%20Serra.pdf. É consenso no movimento estudantil que esses decretos precarizam a Universidade Pública, tiram-lhe a autonomia e fazem parte de um projeto privatista das Universidades (obviamente tramado pela burguesia).

Ao comparecer ao CRU - com dois amigos de quem discordo politicamente, mas dou testemunho de sua inteligência e honestidade - o que ouvi foi uma repetição, com palavras distintas, desses pontos. Às vezes uma pessoa que não estava sob os efeitos da Cannabis falava com uma dicção um pouco melhor mas o conteúdo não mudava. Fiz uma fala, de alguns segundos, que reproduzo da melhor forma que lembro: “O debate aqui não passou da medula. Ninguém pensou nos pontos e só repete discursos prontos. As falas chegam à medula e vem a reação imediata. Ninguém pensou no que é Universidade, no que a sociedade tem a ver com a Universidade, qual é o sentido do Estado, o que o Estado tem a ver com a Universidade. Ninguém pensou a respeito da dicotomia colocada por Bourdieu de sociedade e mercado. Retiro-me”. Alguns, ironicamente, pediram para eu fazer uma fala maior para “iluminá-los”. Disse que escreveria um texto. Embora ache que ninguém acreditou nisso, cá está o texto. Vou explicar a minha fala e tratar de algumas outras coisas que vejo no movimento estudantil e que me incomodam, com o intuito de ajudá-los a trilhar o caminho da honestidade intelectual.

Antes de tudo, um pequeno comentário. Um pouco antes do rebuliço citado, chamei meus dois amigos a saírem da sala do DCE para fazermos um “debate qualificado” lá fora. Para quem não sabe, “debate qualificado” é como os comunistas se referem a qualquer debate em que eles consigam moldar a linguagem e ser a opinião hegemônica, já que assim ele está livre das amarras da “alienação”. Poderia fazer uma seção inteira com o glossário de termos comuno-socialistas, tais como “bandeiras históricas”, “unidade do movimento”, “educação superadora”, e os já citados “alienação” e “debate qualificado”. Só o último é necessário, e mesmo assim nem é tanto. Retomo a seguir.

No nosso debate qualificado, entre outras coisas, citei que achava um absurdo a burrice deles de não fazer “debates” com as duas (ou mais) opiniões a respeito do assunto e sim uma voz única, já que mesmo que o intuito deles fosse doutrinar, eles só poderiam fortalecer as opiniões a seu favor expondo a opinião contrária. Nesse momento chegou um dos diretores do DCE, por quem tenho um especial apreço, e falei: “Meu comunista favorito, você não acha que só dá para formar uma opinião se forem expostos os dois lados?”, no que ele concordou inteiramente e ainda reiterou citando o Princípio de Identidade. Em seguida perguntei: “Por que, então, não se fez nenhum debate com alguém favorável aos 'decretos do Serra'?”, no que não obtive resposta.

Entre as hipóteses citadas pelos meus amigos para esse comportamento aparentemente desprovido de inteligência, lembro-me das seguintes: “vai que alguém muda de idéia” e “quantos desses estão realmente interessados em formar uma opinião sólida? Dos 35 que lá estão, acho que 33 não estão”.

Dos pontos que elenquei:

Discursos prontos

Não é surpresa para ninguém (e é muito triste que não seja) que os debates estudantis (e muitas vezes os docentes) acerca de questões políticas só repetem alguns discursos prontos. Esses discursos são encontrados nas “reuniões de formação” dos partidos ou grupos políticos e em artigos de jornal de pensadores sociais tidos em boa conta pelos militantes estudantis.

Qualquer coisa que fuja disso, choca-os. Eles conhecem os seus discursos, os discursos do grupo político oponente, e brigam para ver quem consegue mais falas, para fazer valer o ditado “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. Se alguém chega com algo diferente, inesperado, é clara a sua impotência ante a situação.

Já vi, por exemplo, propostas de algum raro estudante que usa o cérebro que contemplavam os dois lados da contenda. E o que acontecia? A proposta era negada por ambos os grupos, porque eles não sabiam como agir. Não estavam preparados para pensar, desligavam o cérebro e reagiam com a medula. É irônico o suficiente que eles só concordassem em discordar do que ambos concordavam.

Também era notório o embasbacamento temporário a que eu os submetia falando qualquer coisa que fugisse do molde do debate. Eles demoravam algum tempo para dar partida no cérebro, e o cérebro respondia para que eles usassem o trator e discordassem logo, porque ele não queria trabalhar. Afinal, cérebro de comunista não foi feito para ser explorado. Ai de quem tentar extorquir-lhe a mais valia!

O que é Universidade?

Eu não sei o que é Universidade além da minha vivência nesses últimos 6 anos. Também não sei a que ela serve nem a que ela deveria servir, exceto umas apostas que fiz, junto com alguns amigos, em duas teses a Congressos de Estudantes da Unicamp (essas teses estão publicadas no meu blog: Uma noite e meia e Angiosperma Dicotiledônea Cariófila - Abaixo a Média 7).

Já pensei no assunto, contudo, e tenho algumas opiniões temporárias que eu não valorizo mais do que isso: opiniões. Tendo em conta o que é Universidade, a que ela serve e a que ela deveria servir, eu me posiciono a respeito dos pontos e penso a respeito de projetos possíveis para a Universidade.

Só duas coisas eu tenho certeza a respeito da Universidade e são as únicas que aqui exporei. Minhas opiniões não interessam. Essas duas coisas são: ela deve servir à ampliação do conhecimento e buscar a verdade. Ampliação do conhecimento de quem? Não sei. Que tipo de conhecimento? Não sei. Verdade a respeito de que temas? Não sei. Tenho cá minhas opiniões, mas repito: não cabe expô-las aqui.

No movimento estudantil, todo mundo (quando digo “todo mundo”, refiro-me a uma generalização razoável para que, em uma pesquisa estatística, a proporção da amostra que tenha aquela característica seja de 100%. Se você não se encaixa, não se sinta ofendido, mas antes encorajado a lutar para aumentar a proporção da sua característica e não ser desconsiderado) diz que a Universidade deve servir à classe trabalhadora e produzir um conhecimento social que contribua para a “transformação da sociedade” (mais um termo do duplipensar comunista, que significa simplesmente a implantação do socialismo (na verdade ele significa muito mais e mereceria um capítulo à parte. Fica para outra iniciativa). Se eu pedir para alguém explicar o que isso significa, talvez eles não consigam cumprir.

Sociedade e Universidade

Nisso tudo, como a sociedade se relaciona com a Universidade? O que é autonomia para a Universidade, é seguir o caminho do conhecimento? É obedecer os anseios da sociedade? E esses anseios, são refletidos no governo? Onde a autonomia se encaixa nisso tudo? Eu, que evito usar a medula (tenho reações lentas, de fato), não consigo responder nada disso. Sem isso, não dá para discutir autonomia, rumos, e quais são os direitos que o governo tem sobre a Universidade.

Estado

A conceituação de Estado também se faz necessária. É totalmente diferente um Estado mínimo liberal, um Estado “pequeno” conservador, um Estado de bem-estar social, um Estado grande (por exemplo, populista) e uma ditadura do proletariado nos moldes leninistas. Ao escolhermos o comportamento que desejamos do Estado é que podemos começar a falar de ingerência do governo na Universidade. Em quais dessas formas de Estado a autonomia pode ser defendida? Talvez em quase todos, mas com certeza não na “ditadura do proletariado”, já que o proletariado tem que patrulhar a Universidade (um aparelho ideológico, para Althusser) para evitar o renascimento dos ideais “burgueses”. Então, o que aquele bando de leninistas está falando de autonomia?

Sociedade e Mercado

O sociólogo Pierre Bourdieu dizia que, na sociedade capitalista, o conceito de sociedade se confunde com o conceito de mercado. Isso foi usado (de maneira correta) por um professor contra a “Universidade Nova”. Mas essa análise é mais ou menos “neutra”, no sentido que pode ser usada para tanto detratar o capitalismo, como para defendê-lo. E, se ele estiver correto, na sociedade capitalista a Universidade que corresponde aos anseios da sociedade é aquela que corresponde aos anseios do mercado. Não se pode defender a efetivação dos anseios da sociedade na Universidade ao mesmo tempo que se critica o seu caráter “mercadológico”. Isso é muito importante. É uma questão de honestidade, já que os “anseios sociais” que o militante defende nada mais são que os anseios dele.

Para se defender uma Universidade que não siga o mercado, é necessário que: ou se negue (intelectualmente, por favor, não com uma birra!) a tese de Bourdieu, ou não se coloquem os “anseios da sociedade” como guia para a Universidade e sim, um projeto de iluminados ou outra coisa que o valha, por exemplo, a tese conservadora: “a Universidade deve ser autônoma para suas pesquisas, e dane-se o resto”. Não deixa de ser irônico ver socialistas defendendo uma causa conservadora. O que eles não podem é defender isso e os anseios sociais ao mesmo tempo.

Da ignorância e da desonestidade

Há, basicamente, dois tipos de militantes estudantis: os ignorantes e os desonestos. Explico, com um passeio pelo pouco que conheço do marxismo e de sua evolução intelectual.

Karl Marx postulou de uma maneira quase determinística o fim do capitalismo e o advento do socialismo, preparação para o comunismo. O desenvolvimento capitalista levaria à saturação do sistema e sua queda. O crepúsculo seria acompanhado da revolução socialista, que derrubaria o governo capitalista e imputaria a ditadura do proletariado.

Aos países que não tivessem atingido um desenvolvimento capitalista suficiente, caberiam duas opções para que alcançassem o estágio necessário para a revolução: serem destruídos ou atingir, sozinhos, esse desenvolvimento num prazo maior.

Marx também advertiu que o capitalismo tinha suas defesas, entre elas o “aparelho de Estado”, que mais tarde viria a ser chamado de “aparelho repressivo de Estado”, em contraposição à definição, de Althusser, dos “aparelhos ideológicos de Estado”. O “aparelho de Estado” consistia na polícia a serviço do governo burguês. Com Althusser, as sedes de formação social entraram na turma dos aparelhos, mas como aparelhos ideológicos: a escola, a Igreja, a família que, para ele, incutiam a ideologia burguesa na cabeça dos alienados coitadinhos.

Lênin, ao colocar na prática as idéias marxistas, descobriu duas coisas: a revolução poderia ser feita antes do desenvolvimento capitalista que seria feito pela própria ditadura do proletariado; o “esquerdismo” não era benéfico ao projeto socialista, porque desviava o foco da revolução, através de demandas imediatistas ao Estado burguês. O próprio Lênin combateu o esquerdismo enquanto promovia o desenvolvimento capitalista na Rússia soviética, até ser sucedido por Stálin.(José Genoíno disse, em entrevista à Folha de São Paulo no dia 07/02/2005, que o governo Lula seguia a linha leninista de prover o desenvolvimento capitalista para criar as condições para a instauração do socialismo).

Contudo, os estudos posteriores de diversos autores do “Marxismo Ocidental”, principalmente Gramsci, Lukács e Horkheimer mostraram que o esquerdismo poderia ser útil ao movimento revolucionário, já que as suas demandas e manifestações serviam para degradar o Estado burguês ou as bases em que estava assentado. Dessa forma, os comunistas deveriam apoiar as causas esquerdistas e todas as causas “anti-ocidentais”, ou ainda “anti-logocêntricas”, pois isso serviria para transformar a opinião pública. Usando o Althusser, a idéia deles era tomar os aparelhos ideológicos de Estado para si e usá-los no molde da mentalidade da população.

Isso é o básico do básico do marxismo. Eu li três capítulos d’O Capital, um do “Ideologia e Aparelhos Ideológicos de Estado” (de Althusser), algumas palavras espalhadas de Lênin, e apuds de Gramsci e da Escola de Frankfurt e isso é tudo que eu sei.

Existem três “gradações” de militantes marxistas: os primeiros sabem só o marxismo de Marx. Não avançaram até Lênin. Sabem teoria mas não sabem estratégia. Em seguida, há os que estudaram Lênin e conhecem estratégia marxista. Os que estão no DCE (ou pelo menos os seus capos) estão, majoritariamente, neste grupo. O terceiro grupo, aqueles que conhecem ou Gramsci ou a Escola de Frankfurt são uma minoria, principalmente alunos do IFCH e da Economia que se metem muito pouco com o movimento estudantil e, claro, os grandes ideólogos dos partidos de esquerda que formam sua baixa militância (seus idiotas úteis) nas Universidades.

Quando vejo os debates no movimento estudantil, vejo esquerdismos perdidos. Se os “esquerdistas” estão no primeiro grupo eles são ignorantes, já que não sabem que o “esquerdismo é a doença infantil do comunismo”. Se estão no terceiro, são estrategistas que usam o esquerdismo para degradar o Estado burguês e, portanto, insinceros, já que dão a impressão de acreditarem naquelas causas. Eu ainda não consigo enxergar uma causa para militantes do segunda gradação defenderem causas esquerdistas, mas que o fazem, isso vejo com os meus olhos. Talvez recebam ordens de seus partidos, a única hipótese que fá-los parecerem com um mínimo de inteligência: não pensam, mas respeitam as ordens de quem pensa.

Pelo fim da maldade no mundo! Pela democratização do amor e da amizade!

O título desta seção conclusiva é formado por duas propostas submetidas a Congressos de Estudantes da Unicamp, o que mostra o nível a que os debates caíram. A título de nota, a primeira foi rejeitada, a segunda foi aprovada com algumas alterações. As duas são bizarrices tremendas: a primeira é o desejo gnóstico-revolucionário, a segunda quer dar direitos constitucionais a respeito do amor a todos. Já pensou?

Da atuação dos partidos no movimento estudantil

Eu não preciso falar da torpeza que é a atuação dos partidos no movimento estudantil. Eles formam seus quadros, pagam cursinho e falam em qual Universidade eles devem entrar. Por exemplo, neste ano três membros do PSOL entraram em Ciências Sociais, vindos de outros cursos da Unicamp. Uma garota, do mesmo partido, entrou em Letras, vinda de outra Universidade. Essa prática também é bastante difundida no PCdoB, e não duvido que aconteça o mesmo no PT, no PSB, no PDT e no PSDB.

Nada é tão maléfico ao movimento estudantil como isso. Se você pega um movimento com pessoas inexperientes que discutem o que não sabem, mas que são honestas, é possível construir uma militância ética. Quando o compromisso das pessoas não é com os estudantes mas sim com um partido ou com uma ideologia, não há nada que os estudantes possam fazer senão lamentar, ou, se tiverem força, juntar-se e peitar esses aproveitadores.

Também não preciso falar outra coisa: o que esperar da atuação desses partidos no governo da população, se na briga por um espaço bem menor, os “fóruns do movimento estudantil”, a coisa é tão vil? Que moral têm esses militantes para falar de ética?

Oração

O ensino superior espera ser populado por pessoas inteligentes, por pessoas aptas a ingressar em estudos superiores; o nome mesmo diz. Se não é isso que os militantes querem, a gente discute depois.

A Unicamp é conhecida nacionalmente, quiçá mundialmente por seus méritos na pesquisa acadêmica. Suas vagas são disputadas por alunos de todo o país, que buscam o brilhantismo em seus pares, para terem garantia de um nível de estudo adequado à sua prévia preparação.

Quando você pensa em um movimento político em uma Universidade de tal porte, você esperaria encontrar pessoas inteligentes, estudando a fundo os problemas que debatem, conhecendo o problema em toda sua amplitude, conversando com especialistas das mais diversas orientações e posicionamentos sobre o assunto.

E quando a situação que você encontra é, não apenas diversa, mas oposta a essa, com militantes repetindo discursos de partidos de meia tigela, submetendo-se a Zés Manés em vez de tomarem as rédeas do debate - fazendo jus à formação que deveriam ter -, com estudantes dos últimos anos de humanas não sabendo o básico do marxismo ou fingindo que não sabem, a desolação não tem tamanho.

O que falei nesta tarde não foi com raiva, não foi para expressar superioridade. Foi algo sincero e repleto de tristeza. Não quero nem imaginar o que acontece nas outras Universidades, pretensamente piores do que a Unicamp. A Verdade liberta, mas nem sempre é agradável.

Tudo que podia fazer quanto a isso foi feito. Escrevi estas linhas. Não quero mudar o posicionamento político de ninguém, só quero honestidade e estudo. Mas sei que só um milagre pode mudar tão deteriorada situação. Rezemos.

 

retirado de:http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=5759&language=pt em 03/05/2007