Você aceitaria um casamento aberto?
09:42 @ 27/11/2007
Onde existe o sagrado, fechado para perguntas, impenetrável para o raciocínio lógico, suplantador do senso comum, punidor da discordância, da dúvida, do senso comum, da não conformidade, ele é o respaldo da atrocidade, a lógica do absurdo, a resposta estúpida para a pergunta inteligente, o premiador e o punidor que explica o acaso, a arbitrariedade que vence o bom senso, o medo que vence o bem viver. O casamento é sagrado. No caso cristão, o casamento foi instituído por Deus (Gn 2. 24), que pune os que não o valorizam como sagrado (Hb 13. 4).
O casamento convencional, não apenas o cristão, não objetiva a felicidade ou a satisfação sexual dos cônjuges. Para as mulheres, a instituição é opressiva. Dentro dela, quase sempre lhes são negados não só o prazer sexual como a dignidade e a vida própria. Fora dela, lhes são reservadas muitas vezes a discriminação e, em vários lugares, dificuldades sérias de sobrevivência. Para os homens, o casamento é o recurso para terem filhos sabidamente seus e a única forma aceita pela sociedade para conseguirem sexo. O casamento convencional também é um troféu. O "bom casamento" para uma mulher e para um pai geralmente é com um marido ou genro com boa situação social ou, pelo menos, boa situação financeira; para um homem, é com uma mulher atraente, estilo santa-na-rua-prostituta-na-cama ou, em lugares mais repressores, habilidosa nas "coisas de mulher" e com aversão ao sexo. Diz a Bíblia que "a mulher virtuosa é a coroa do seu marido" (Pv 12. 4). Quando alguém demonstra ciúme do seu cônjuge, demonstra que o seu interesse é possuí-lo, não fazê-lo feliz. A pessoa ciumenta tem o seu cônjuge como tem o seu carro.
Por quê o adultério é considerado tão mau? Muitas mulheres, mesmo em locais mentalmente desenvolvidos, abominam o sexo, deixando o prazer para os homens. Assim, a mulher traída pode aceitar o adultério ou pode se indignar por não ser tratada como uma "mulher pra casar". alguém já disse que para o homem o preço do sexo é o casamento. Se é assim, o marido traído viu alguém usufruir sem pagar da mercadoria que ele pagou para ser só sua. Em ambos os casos, o adultério é mau porque o casamento é sagrado. Também se aceita que alguém reprima o contato do cônjuge com o sexo oposto, com extremos de cárcere privado e assassinato movido por ciúmes, porque o casamento é sagrado.
E que tal um casamento em que cada um permite ao cônjuge o sexo com outra pessoa? Bizarro? Apenas se o casamento convencional, pertencente ao sagrado de que discordar é proibido, for o normal. E se o outro achar alguém emlhor de cama? E se o outro fizer comparações? Incomoda a muitas pessoas casadas que seus cônjuges descubram que há vida além do circuito casa-trabalho-igreja e sexo bom fora do leito conjugal. Isso mostra que o casamento é baseado na possessividade e no egoísmo. Não raro, essas pessoas deixam a desejar em termos de forma física e desempenho sexual. E se o casamento acabar? A sustentação de quase todos os casamentos é a vida sexual, e a sustentação da vida sexual desses casamentos é a repressão à vida sexual fora deles. Quando o casamento não tem qualquer atrativo além do sexo, ele não se acaba pelo sexo extraconjugal, pelas amizades de um cônjuge com gente do sexo oposto ou qualquer fator externo, mas por si mesmo. Quando o casamento tem algo mais, não há por que temer que o sexo extraconjugal o comprometa. E o sexo dentro do casamento? Não tem por que acabar ou piorar. Nem sempre os dois acabam cansados demais para "mais uma".
Seria uma visão estranha assistir o cônjuge transando com outra pessoa? A estranheza seria porque aprendemos que sexo é só no casamento. Como explicar aos filhos? O padrão do casamento convencional não está tão enraizado nas mentes deles quanto nas de muitos adultos. Com quem abrir o casamento? Com amigos cujas mentes tenham boa aceitação à idéia. E então, que tal um casamento aberto?
Walter N. Braz Jr.
Comentários
(00:36 @ 03/05/2008) Anônimo disse:
Dentre outros fatos, o casamento aberto é uma efeciente forma de transformar a doentia possessão em extremo prazer.
(16:10 @ 18/09/2008) eu mesmo disse:
aceitar? eu gosto, o problema não é ser aberto, mas ser vulgar. eu adoraria ver minha mulher, com outro homem, bem melhor q descobrir que ela tem outro.