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Autoras: Magda Suzana da Silva Ferreira e Laura dos Santos Lunardi

Este artigo discorre sobre as atribuições do serviço social, contextualizando-as à luz das transformações na dinâmica dos serviços de saúde propostas pela Reforma Sanitária brasileira. Descreve as características de um processo de assistência voltado à integralidade do usuário, enumerando ainda as diversas atividades destinadas a implementar tal prática, realizadas pelas profissionais da área atuantes no Hospital São Lucas, da Pontifícia Universidade Católica, no Rio Grande do Sul (PUCRS).

    Palavras-chave: Serviço Social. Assistência. Cidadania. Emancipação. Intervenção.

A doença normalmente causa rupturas na organização familiar. Nos casos graves, que requerem hospitalização, observa-se ser este um momento difícil tanto para o paciente quanto para seus familiares. A enfermidade altera a realidade, provocando impacto no cotidiano da família e obrigando-a, entre outras coisas, a adaptar-se às regras institucionais.

    O trabalho com pessoas hospitalizadas e seus familiares torna visível a vulnerabilidade que acomete todos os que passam por essa situação, mostrando a importância da luta pela humanização do atendimento. Isso fica ainda mais evidenciado quando se considera que, além estarem vivendo um momento de fragilidade e ansiedade devido à enfermidade, muitas pessoas têm seu sofrimento agravado por desconhecerem seus direitos de cidadania.

    Segundo Iamamoto pode-se verificar ser de suma importância para os assistentes sociais, em qualquer âmbito de atuação, captar as novas mediações e requalificar o fazer profissional, atribuindo-lhe particularidades e descobrindo alternativas de ação. A autora afirma que um dos maiores desafios atualmente enfrentados pelo assistente social é o de desenvolver sua capacidade de decifrar a realidade para construir propostas de trabalho criativas, capazes de preservar e efetivar direitos, a partir da demanda emergente no cotidiano 1. Enfim, ser um profissional propositivo e não apenas meramente executivo. Os atributos profissionais do assistente social conferem-lhe competência para propor novas formas de tratar os problemas, negociar seus projetos com as instituições, defender o seu campo de trabalho, qualificações e funções profissionais.

    Seguindo a proposição acima, o Serviço Social busca transformar o contexto da atividade laboral. Para tanto, intervém junto ao usuário no sentido de fortalecer sua autonomia e informar-lhe sobre seus direitos como cidadão, especialmente no que tange aos aspectos relacionados à saúde. O trabalho desses profissionais está voltado à promoção da emancipação do usuário, para que possa ser agente no processo de mudança de sua própria realidade, transformando-se em partícipe ativo no controle social. Cabe ainda ao assistente social estimular a participação do usuário nas comissões de saúde, entre outras ações, capacitando o indivíduo a ser sujeito no processo de transformação da sociedade, partindo da conscientização social, ou seja, uma mudança global e não mais individual.

    A relação Estado e sociedade vem se modificando progressivamente na realidade brasileira; no caso da saúde, em termos de acesso a direitos sociais, há importantes diferenças, antes e após a Constituição Federal de 1988 2. O direito à assistência estava vinculado à contribuição à Previdência Social, excluindo o acesso de todos os não inseridos no mercado formal de trabalho. Isso, naturalmente, fragilizava ainda mais as classes populares, já vulneráveis por sua condição econômica e social.

    Na passagem da década de 1970 para a seguinte, foi possível demarcar o estabelecimento de novas relações entre o Estado e a sociedade. As desigualdades no acesso à saúde, a desorganização da Rede, a centralização do processo decisório e a baixa resolubilidade e produtividade dos recursos existentes, somados à conjuntura de crise econômica, colocaram em cena novos atores sociais que passaram a pressionar o Estado por políticas sociais mais eqüânimes.

    No tocante à saúde, as mudanças introduzidas pela Constituição de 1988 são o resultado da força organizada do Movimento Sanitário, que emergiu nos anos 1970 por iniciativa de um grupo de intelectuais, médicos e lideranças políticas do setor saúde, provenientes, em sua maioria, do Partido Comunista Brasileiro. Esse movimento deu origem à Reforma Sanitária brasileira, que alterou o panorama da política social de saúde, hoje configurada como a área que mais sofreu transformações significativas 3.

    A mudança trazida pela Constituição e pela Lei 8.080, a chamada 'Lei Orgânica da Saúde', que definiu a forma de operacionalização do Sistema Único de Saúde (SUS), colocou em destaque os diversos profissionais que até então permaneciam em posição secundária. Nessa conjuntura o assistente social passou a ter um papel mediador no contexto hospitalar, intervindo sobre as tensões, os conflitos, a violência, entre os grupos excluídos, a sociabilidade local e a sociedade instituída, sem, contudo, tomar posição por nenhum dos pólos de conflito que fazem esforços, cada um, para trazer o Serviço Social para seu lado. O Serviço Social faz, neste sentido, a interligação entre os sistemas-recursos e de poder com os sistemas-utilização, tendo como a inclusão social dos excluídos pela sociedade desigual, facilitando a comunicação entre sistemas, principalmente em caso de dificuldade e de ausência de relações entre os dois sistemas 4

Se saúde e doença são percebidas como aspectos contrários, como pólos opostos do estado físico e psíquico, essa bipolaridade também está presente no corpo de quem vivencia esses fenômenos: posto que a doença, para ser entendida, é preciso que a saúde se vá e o conhecimento [da doença] se torne possível 5. Como salienta Ribeiro, em citação à Ariés, a sensação de estar privado da saúde, o temor e a fragilidade que tal sensação desperta podem desencadear um processo de submissão total do doente ao hospital, evidenciando uma tentativa de suprimir o mal que o acometeu: o hospital não é apenas o lugar onde as pessoas se tratam e curam; é também onde se morre e onde, paradoxalmente, a morte é negada 5. O mesmo autor, dessa feita citando Boltanski, afirma, em contraponto a essa assertiva, que os profissionais de saúde trabalham no sentido de transformar essa realidade de submissão, por meio de abordagens voltadas à emancipação das pessoas doentes, entendendo, também, que a doença do doente é do seu organismo total e não a doença anatômica 5.

    Existem ainda vários outros fatores inerentes à hospitalização que contribuem para o recrudescimento de agruras existenciais e de problemas emocionais graves, que atuam de forma deletéria ao desenvolvimento da pessoa doente e hospitalizada. Dentre esses se destacam o desmame agressivo; o transtorno da vida familiar; a interrupção ou retardo da escolaridade, ritmo de vida e desenvolvimento; as carências afetivas e agressões psicológicas e físicas; despesas elevadas e, ainda, o risco de variadas iatrogenias, entre as quais a mais significativa se refere às infecções hospitalares 6. Em relação a todos esses problemas, a atuação do assistente social objetiva minimizar o sofrimento inerente ao processo de doença e hospitalização do doente, incentivando sua família a ser elemento ativo no processo, condição importante para o êxito do tratamento. A ação desses profissionais objetiva, também, a promoção da saúde mental integral do paciente, valorizando influxos satisfatórios entre o mesmo e sua família. A atuação do Serviço Social visa atender, apoiar, facilitar a compreensão, dar suporte ao tratamento, auxiliar a entender os sentimentos, prestar esclarecimento sobre a doença e fortalecer o grupo familiar.

    Nesse sentido, faz-se necessário ressaltar que a presença da família é fundamental, constitui o referencial do doente, significando afeto e proteção. O elo que os une contribui para manter ou restaurar o equilíbrio do paciente, pois normalmente advém das pessoas que lhe transmitem segurança emocional. O contato com as mesmas ajuda a manter os aspectos sadios de sua existência e seus vínculos com sua realidade anterior, auxiliando sua adaptação no hospital. A afetuosidade da relação família/paciente gera um sentimento de apoio.

 A atuação do serviço social no Hospital São Lucas

    A partir do reconhecimento da necessidade de intervir na realidade social como forma de atuação no processo de saúde/doença, em 1977 foi criado o Serviço Social no Hospital São Lucas, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Esse serviço, posteriormente, passou a constituir um campo de estágio da Faculdade de Serviço Social daquela universidade, dispensando atendimento sistemático às unidades de internação e aos ambulatórios, bem como realizando intervenções junto à comunidade.

    Em seu início, o Serviço Social contava com duas assistentes sociais, que tinham como objetivos específicos o diagnóstico social e educativo, implementado para subsidiar as intervenções no cotidiano dos pacientes e seus familiares, por meio de um trabalho psicossocial e do encaminhamento de pacientes aos recursos da comunidade 7.

    A partir do conhecimento e experiência dessas profissionais, foi definida a missão do Serviço Social na instituição: o compromisso em prestar atendimento social aos pacientes e familiares, identificando as mais diferentes expressões da questão social, que se revelam fatores impeditivos para o alcance de melhores condições de saúde. A identificação dos diferentes aspectos das questões sociais em dada realidade permite ao assistente social entender como se estabelecem as relações sociais, o que se torna a matéria-prima objeto de seu trabalho. Cabe ao assistente social ser um profissional competente, capaz de criticar e trabalhar as questões que permeiam sua realidade, respaldado em uma postura ética, buscando decifrar as relações sociais e preservar os direitos dos pacientes como cidadãos, responsabilizando-se, inclusive, por seu bem-estar social.

    No Hospital São Lucas a abordagem do Serviço Social é reconhecida pela equipe de saúde por identificar as diversas vulnerabilidades do paciente e sua família, viabilizando sua inserção junto aos órgãos públicos e às políticas sociais. A intervenção do Serviço Social ocorre pela procura espontânea do paciente ou sua família, ou por solicitação dos demais profissionais da equipe de saúde. Como parte de suas atribuições, esses profissionais intervêm na realidade social, propondo estratégias para uma internação menos traumática, de acordo com as demandas apresentadas, buscando também instrumentalizar o paciente e sua família sobre os direitos sociais e cidadania, visando promover melhores condições de vida. Dentre suas atividades, destacam-se:

  • Realizar estudo, diagnóstico e tratamento das dificuldades apresentadas pelos pacientes e familiares, na área social, e que possam estar interferindo no tratamento ou alta hospitalar;
  • Intervir na problemática social de pacientes sem retaguarda familiar;
  • Avaliar e acompanhar famílias de crianças, adolescentes, adultos e idosos, vítimas de negligência, maus tratos, abuso sexual e abandono, conforme determinam o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Estatuto do Idoso;
  • Agilizar a alta hospitalar de pacientes crônicos;
  • Realizar estudo de caso com equipe multidisciplinar e encaminhar laudos técnicos aos órgãos competentes, quando necessário;
  • Coordenar e participar, junto com a equipe multidisciplinar, de grupos de apoio tais como grupo de puérperas do alojamento conjunto, grupo de pais de pacientes da uti neonatal, grupo de familiares de pacientes da oncologia, orientando e informando de acordo com as necessidades dos participantes;
  • Supervisionar alunas da Faculdade de Serviço Social da PUCRS com a realização semanal de seminários e reuniões com as supervisoras pedagógicas;
  • Realizar visita domiciliar.

    A visita domiciliar é importante instrumental no trabalho do Serviço Social. Segundo Kern: A postura profissional durante a visita pode transparecer as várias faces da identidade do mesmo. A visita, sem dúvida, constitui-se na expressão da linguagem de aproximação ou de controle, de poder ou de submissão, de fortalecimento ou de estigmatização. Que o elemento 'surpresa' seja substituído pelo reconhecimento de que o espaço é privativo da família ou dos sujeitos envolvidos. Na face da aproximação, observar elementos que venham a contribuir no acompanhamento qualificado em processo, no diálogo, abordar assuntos e/ou temáticas que permitam que os visitados possam se expressar na linguagem do seu meio 8.

    Além desse rol de atividades, o Serviço Social realiza estudo semanal dos casos que dão entrada no Núcleo de Proteção da Criança e do Adolescente da Comissão dos Direitos da Criança e Adolescente e Cuidados Hospitalares, na Comissão dos Direitos do Paciente Adulto e na Comissão dos Direitos do Paciente Idoso, todos coordenados por profissionais da área. Também participam de rounds para discussão de casos clínicos e de reuniões quinzenais da Comissão de Humanização, que coordena programa com o mesmo nome - iniciado em 2000 por incentivo do Ministério da Saúde. Desde então, o Serviço Social vem participando de reuniões e encontros na secretaria e na coordenadoria de saúde, realizando palestras para divulgar o Programa de Humanização em hospitais de Porto Alegre, na grande Porto Alegre e no interior do estado. Deve-se ressaltar que o Programa de Humanização é de fundamental importância para uma instituição hospitalar, tanto no que diz respeito a garantir a qualidade de vida do funcionário, que passa a produzir de melhor forma, trazendo, assim, benefícios para o usuário, quanto para a qualidade de vida dos próprios usuários, pacientes internos que usufruem os serviços oferecidos.

    A aproximação com os familiares, que integra o processo de trabalho do Serviço Social e é enfatizada pelo Programa de Humanização, possibilita que os mesmos resgatem seus cotidianos diante da necessária reorganização de suas vidas, pois são pessoas que possuem limitações próprias, que justificam suas dificuldades e que necessitam de respostas para suas inquietações. O processo de naturalização das relações familiares como puras e ingênuas, calcadas em sentimentos enaltecidos como o amor materno, paterno e filial, deve ser revisto, entendendo-se que a família não deve ser pensada como uma instituição capaz de propiciar somente momentos felizes. Ao contrário, deve ser percebida como um espaço dialético e contraditório, no qual se vivencia momentos de felicidade ou infelicidade, com limitações e sofrimentos. A teia de relações familiares não é ingênua e despida de conflitos. Portanto, trabalhar com famílias faz emergir traços relacionais já cristalizados, muitas vezes responsáveis por sérios agravos à saúde.

    Entendemos que o assistente social é um profissional que está a serviço da população; que promove articulações e mediações nas relações entre o doente hospitalizado, sua família e instituição, para facilitar o convívio e promover a cura. Em decorrência da complexidade e magnitude de seu trabalho, esse profissional não pode ser visto como simples repassador à rede. É, antes, um elemento valioso na dinâmica das equipes de saúde.

 

   

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Iamamoto MV. Renovação e conservadorismo no serviço social: ensaios críticos. 4.ed. São Paulo: Cortez, 1997.
2. Brasil. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, 1988.
3. Simionato I. Caminhos e descaminhos da política de saúde no Brasil. Revista Inscrita 1997;1.
4. Faleiros V. Serviço social: questões presentes para o futuro. Revista Temporalis 2001;3:33.
5. Ribeiro HP. O hospital: história e crise. São Paulo: Cortez, 1993.
6. Angerami VA. E a psicologia entrou no hospital. São Paulo: Pioneira 1987.
7. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Histórico do Hospital São Lucas. Revista dos Hospitais 1998.
8. Kern F. A visita domiciliar a linguagem de relações [documento eletrônico]. 2000 [acessado em 2000]. p.3. Disponível em: URL: www.uel.br/esquina.

 

Fonte: http://www.portalmedico.org.br/revista/bio14v1/simposios/simposio04.htm

 

CONTATO

Magda Suzana da Silva Ferreira -magdassocial@hotmail.com

 

 

Referência: MARTINELLI, Maria Lúcia (org.) Pesquisa qualitativa: um instigante desafio. São Paulo:  Veras Editora, 1999. (Série Núcleo de Pesquisa; 1).

RESUMO

Esta publicação é resultado do Seminário sobre metodologia qualitativa de pesquisa realizado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas (NEPI), sobre a Identidade da PUC/SP em 1994.

A principal preocupação da organizadora era com as práticas sociais, seu alcance e legitimidade. Práticas aqui entendida no âmbito das relações sociais, como campo significativo de trabalho.

Diante destas informações, a autora nos apresenta uma indagação: O que essas práticas sociais articulam? Para isso é necessário o rodeio metodológico, uma aproximação do objeto como construção singular de mediações.  Práticas essas que tem dimensões políticas e culturais. Martinelli considera que é valioso trazer para o campo das práticas sociais a questão da pesquisa.

ü  Para a elaboração de uma pesquisa cientifica o profissional de serviço apresenta 04 Competências primordiais: a) capacidade operacional; b) consistência argumentativa; c) fundamentação teórica; e d) construção do saber.

ü  Quanto ao uso da abordagem qualitativa: na investigação, a autora partiu da compreensão de que a pesquisa só é possível reinventada. Ou seja, a trajetória do Serviço Social deu-se na pesquisa clássica, especificamente de cunho quantitativo. Graças a tradição das ciências sociais. Contudo o uso da pesquisa em Serviço Social lamentavelmente tem sido muito inferior àquilo que deveria ser em face da complexidade da questão social.

ü  Importância da Pesquisa Qualitativa Consiste em: a) dimensionamento dos problemas com os quais trabalhamos; b) traz grandes retratos da realidade e c) busca de índice, mediana, descrições, coleta de informações.

Objetivo Principal: trazer à tona o que os participantes pensam a respeito do que está sendo pesquisado. Com a presença do que pensam ou qual a percepção dos sujeitos.

Especialidades:

a) Contato direito com o sujeito da pesquisa;

b) Utilização de técnicas que superem os questionários, os formulários, apostando nas entrevistas, narrativa oral, nos depoimentos orais, nas histórias de vida;

c) Trabalhar com os fatos de forma a poder aprofundar a análise, prioriza não os fatos épicos, mas aqueles que estão mais próximos do sujeito e que repercutem na sua vida;

d) Conecta o sujeito a sua estrutura

Pressupostos que fundamental o uso de Metodologias Qualitativas, estão baseadas no reconhecimento:

1. Da singularidade do sujeito;

2. Da importância  de se conhecer a experiência  social do sujeito;

3. De que conhecer o modo de vida do sujeito, pressupõe o conhecimento da sua experiência social.

Principio ou técnica das triangulações: é o uso combinado de técnicas - observação participante, visita domiciliar, recurso da imagem, como fotografias.

·         Ponto de saturação: momento em que conseguimos identificar que chegamos ao conjunto das informações que podíamos obter em relação ao tema. São eles:

·         Os instrumentos são diferenciados na pesquisa qualitativa, porém por demais importantes;

·         As pesquisa qualitativas buscam conhecer trajetórias de vida, experiências sociais dos sujeitos, o que exige uma grande disponibilidade do pesquisador e um real interesse em vivenciar a experiência da pesquisa;

·         O lugar da emoção na pesquisa, pesquisador e pesquisado são sujeitos políticos , saturados de história Plenos de possibilidade;

·         Toda pesquisa é plena de internacionalidade, busca objetivos explicitamente definidos;

·          A pesquisa qualitativa tem seu sentido social, portanto deve retornar ao sujeito;

·          A pesquisa qualitativa tem caráter inovador, como pesquisa que se insere na busca de significados atribuídos pelos sujeitos às suas experiências sociais;

·          A pesquisa qualitativa tem dimensão política, como construção coletiva, parte da realidade dos sujeitos e a a eles retorna critica e criativa;

·         A pesquisa qualitativa como exercício político, não se coloca como algo excludente, é uma pesquisa que se realiza pela via da complementaridade, não da exclusão;

·         A relação entre pesquisa quantitativa e qualitativa não é de oposição, mas de complementaridade e da articulação;

 

 

 

 

O que é o Serviço Social na Àrea de Saúde.

A especificidade do assistente social na saúde

O que é o Serviço Social na Área de Saúde.

O Assistente Social, como profissional de Saúde, tem como competências intervir junto aos fenômenos sócio-culturais e econômicos, que reduzem a eficácia dos programas de prestação de serviços no setor, que seja ao nível de promoção, proteção e ou recuperação da saúde.


A pratica profissional dos Assistentes Sociais vem se desenvolvendo e a cada dia tem se tornada uma pratica necessária para a promoção e atenção à saúde. Sua intervenção tem se ampliando e se consolidado diante da concepção de que o processo saúde-doença é determinado socialmente e reforçado pelo conceito de saúde.


A atenção à saúde não esta centrada apenas sob o enfoque medico, mas nas diferentes intervenções cujas praticas enfocam a prevenção. A especialização da pratica profissional no trabalho coletivo na saúde evidencia-se, em sua atuação, que não se dá na doença de forma especifica, mas no conjunto de variáveis que a determinam. É no confronto entre o direito do usuário e as normas institucionais que o profissional intervém para assegurar o cumprimento deste direito que é expressão mínima de outros grandes embates que o profissional enfrenta no Setor de Saúde.
Sendo assim, o Assistente Social na área de Saúde exerce as seguintes funções:

Ø Administração do Serviço Social: Coordenar, chefiar e supervisionar as atividades do Serviço Social.

Ø Assessoramento: A Assistente Social pode prestar assessoria técnica na elaboração de planos, programas e projetos junto à direção, às chefias, equipes multiprofissionais, instituições e população usuária. O assessoramento é pouco utilizado pelo Serviço Social

Ø Intervenção Social: É uma função ampla, articula-se com as demais funções. É a ação propriamente dita, especifica do Serviço Social. Vai garantir a ação do mesmo dentro dos objetivos propostos pelos profissionais, permitindo o atendimento da população usuária, quer a nível individual, grupas ou comunitária, em consonância com as suas atribuições especificas.

Ø Pesquisa Social: Busca promover o levantamento de dados relacionados com os aspectos sociais, verificar a eficácia da ação profissional, identificar e conhecer a realidade social. Essa função é pouco utilizada
Através desta função o Assistente Social pode propor novas medidas de intervenção.

Ø Ensino Supervisão: O profissional precisa estar sempre atualizando-se, capacitando-se, não podendo ficar estagnado na instituição. O Assistente Social precisa proporcionar aos estudantes de Serviço Social condições de aprendizagem de acordo com as possibilidades da unidade, tendo em vista as exigências curriculares e as disposições institucionais, participar de treinamentos com profissionais de outras áreas.

Ø Ação Comunitária: Propiciar a participação em vários níveis da comunidade a serem trabalhadas de modo a fornecer o desencadeamento do processo de desenvolvimento da comunidade

Ø Assistencial: Prestação de serviços concretos visando a solução de problemas imediatos, apresentados pela população usuária dentro dos recursos e créditos institucionais e/ou através de encaminhamentos a recursos da própria instituição. Não dá a idéia de tratamento

Ø Educação Social: Função importante, porém esquecida. Busca o engajamento do usuário no seu processo saúde-doença, com o objetivo de reforçar ou substituir hábitos. Pode ser a nível individual ou grupal.

Segundo o Ministério da Saúde, função é atribuição ou conjunto de atribuições conferidas a cada categoria profissional ou proposta individualmente a determinadas atividades.
Algumas das atribuições do serviço social na área de Saúde:

Ø Discutir com os usuários e /ou responsáveis situações problemas


Ø Acompanhamento social do tratamento da saúde


Ø Estimular o usuário a participar do seu tratamento de saúde


Ø Discutir com os demais membros da equipe de saúde sobre a

problemática do paciente, interpretendo a situação social do mesmo.


Ø Informar e discutir com os usuários acerca dos direitos sociais, mobilizando-o ao exercício da cidadania.


Ø Elaborar relatórios sociais e pareceres sobre matérias especificas do Serviço Socia.l


Ø Participar de reuniões técnicas da equipe interdisciplinar.


Ø Discutir com os familiares sobre a necessidade de apoio na recuperação e prevenção da saúde do paciente.

Os problemas emocionais decorrentes do impacto da internação, afastamento de seus familiares, e conseqüentemente prognostico, e mais uma série de atores no internamento que contribuem para angustiar o paciente.


Sendo assim, vemos a necessidade da atuação do Serviço Social no âmbito Hospitalar, junto à relação paciente internado e sua família, no sentido de amenizar as tensões causadas pela doença e todo o processo de hospitalização.


Em cada acompanhamento feito pelo Assistente Social, é usada uma técnica adequada para tal caso: Análise sócio-econômica familiar  através de questionário,  reunião de grupo, entre outras, onde o profissional colhe dados e informações necessárias para um melhor atendimento e /ou percepção das necessidades a serem trabalhadas com o paciente e seus familiares, ao nível de orientação sobre as formas de aceitação e como conviver com uma nova realidade em função de seu diagnostico e a forma como encarar e conviver com tal patologia, a fim de que tenha uma boa recuperação e um acompanhamento ambulatorial para tal caso.


Para que essa diretriz possa ser atingida é necessário que o Assistente Social acompanhe a evolução do paciente, realizando consulta social para dar encaminhamento às situações detectadas, esperando contar com o apoio da equipe multidisciplinar.


Em contato com os familiares, o profissional de Serviço Social toma conhecimento das suas inquietações e receios em relação à saúde do paciente.


Os familiares trazem para o profissional suas dores, queixas e decepções e este por sua vez tem que adquirir subsídios para, a partir daí, mediar a relação paciente e família, a fim de evitar a rejeição familiar.


Como já visto anteriormente, o Assistente Social no hospital, trabalha na inter-relação com os pacientes internados e sua família.

FONTE: ERICA BATISTA , FORMANDO-SE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, CURSANDO DUAS PÓS-GRADUAÇÕES: DOCÊNCIA DO ENSINO SUPERIOR E ADMINISTRAÇÃO EM SAÚDE
e-mail: ericazipba@yahoo.com.br