CRÔNICA SOBRE O IV HUMANITUDE
00:04 @ 01/12/2007
CRÔNICA SOBRE O IV HUMANITUDE
(Como foi o HUMANTITUDE de 2007)
Reunindo um público variado e rotativo (jovens e idosos, trabalhadores e desempregados, negros, brancos e asiáticos, sem-teto, punks, rockers, artesãos, sambistas, capoeiristas, poetas e professores, etc.) por mais de 6 horas, na região do centro cultural e comercial de Santo Amaro, realizou-se, pelo 4º ano consecutivo, o HUMANITUDE – Uma Homenagem a Zumbi do Palmares feita pelos seres humanos com atitude. Um ato da humanidade toda, simbolicamente, com o apoio e assistência de mais de 1000 pessoas.
Com os problemas que surgiram, nos dias que antecederam (com a sabotagem da pPrefeitura, que ficara de ceder a aparelhagemde som e na oite de quinta-feira 22/11 falou que não seria possível(!)) e no início do evento, que levaram a seu atraso de início das 13 hs, na Casa de Cultura de Santo Amaro/Av. João Dias, para as 14 hs - já na Casa Amarela/Pç. Floriano Peixoto, ao som de Raul Seixas – alguém poderia duvidar do brilho da homenagem a Zumbi. Mas não foi o que se viu: se iniciando, formalmente, com a apresentação de Capoeira pelos alunos do Mestre Tigrão, para um público de umas 100 pessoas – e com a participação de pessoas do público na roda improvisada – já se percebia que a festa seria quente.
Ao apresentar o grupo do mestre Tigrão um representante do Coletivo Usyna dos seres Humanos-Humanitudes abriu o evento, explicando ao público as motivações do mesmo e convidando todos a participar. Ele falou que “Se inicia agora o HUMANITUDE, uma homenagem a Zumbi dos Palmares, um ser humano com atitude que lutou pela liberdade e contra a escravidão, um exemplo para todos nós e nós, em nome da Humanidade lhe fazemos essa homenagem para lembrar a todos que todos somos iguais, independente da cor da pele, da situação financeira ou social, de diferenças religiosas, de opção sexual, etc – SOMOS TODOS IGUAIS SENDO DIFERENTES! (...) Durante o evento o microfone permanecerá aberto a quem queira expressar sua homenagem, ou realizar algum protesto, e também para poetas e organizações.”
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Logo após a apresentação do mestre Tigrão se apresentou o Grupo de Dança das “Crianças do EDUCAFRO”, momento de muita alegria e descontração com os aplausos do público auxiliando o ritmo. Enquanto as apresentações ocorriam eram distribuídos diferentes impressos aos participantes e passantes. (os jornais A PLEBE da FOSP/CB-AIT e o jornal do MAP, bem como manifestos do Comitê de Luta Contra a Carestia – pedindo melhoria nos transportes, em especial a abertura do Metrô aos domingos e feriados
Também declamaram poetas ligados a ASSESA, com poesias de cunho social e de protesto político.
A essa altura o público já era de mais de 200 pessoas e o locutor apresentou o grande Vitor Hugo, violão e convidados. Com uma apresentação impecável, como sempre, Vitor mesclou várias nuances da MPB, da bossa-nova ao rock tupinikim, passando pelo suingue de Tim Maia. Ao encerrar sua apresentação – por volta ds 16:30 hs, sob sol intenso e muito aplaudido, agradeceu ao público e aos organizadores. O locutor chamou os próximos inscritos para fazer uso da palavra, falaram representantes do pacto Anti-fascista da Zona Sul – que falou sobre o ataque da mídia contra o movimento punk e reafirmou a luta antifascista, denunciando as atividades dos carecas na região” (no início do evento, por volta das 14:30 hs, dois skinheads passaram acintosamente, buscando identificar participante da manifestação anti-fascista, identificados logo sumiram - e do Comitê de Solidariedade – que falou contra a ocupação do Haiti, do iraque, do Afeganistão e da Chechênia-, também falaram mais poetas da ASSESA, do Semente de Fogo, da Coperifa, etc.. Em seguida se apresentou o TON SILVA, voz e violão, apresentando músicas próprias e ligadas ao rock-rural, mantendo uma empatia com o público.
Enquanto o FAMÍLIA ITAOCA se preparava para desempenhar, já mais de 17 hs, tomaram a palavra o Comitê Nacional de Solidariedade ao MCC/RO e o comitê de Solidariedade da FOSP/COB-AIT, ambos insistindo na solidariedade ao Movimento Camponês Corumbiara, de Rondônia, me especial ao Cícero – já preso – e ao claudemir – com ordem de prisão emitida -, ambos coordenadores do MCC e criminalizados pela Massacre de santa elina em 1995, quando a PM e jagunços contratados pelos grileiros mataram mais de 40 camponeses e a justiça responsabilizou o movimento pelas mortes.
A apresentação da Família Itaoca/HipHop, foi muito forte, marcada por suas letras simples e diretas, com grande aceitação pelo público que dançou e cantou junto com eles os seus refrões. A essa altura com um público de mais de 500 pessoas, o tempo começa a fechar, nuvens cinzentas vão cobrindo o sol. Isso não desanima o pessoal e o protesto continua. Após a apresentação da Família Itaoca, muito aplaudida pelo público que chegou a pedir bis, falaram: um vendedor ambulante da região, foi lida uma declaração de Nelson Mandela por um membro da diretoria da ASSESA e o Comitê de Luta Contra a Carestia/Capão.
Logo depois se apresentaria o grupo de Black Music, o PRETO SOUL, que manteve o pique da manifestação tocando músicas próprias e versões de Tim Maia, Ed Motta, etc.
Era o ponto alto do evento, reunindo mais de 600 pessoas. Infelizmente nesse momento começou a chover!
Realizado ao ar livre, num pequeno palco – sem cobertura – a chuva era o ponto fraco da manifestação. Todo na maior correria, primeiro se tentou cobrir os aparelhos eletrônicos com plásticos. Mas foi necessário, pela intensificação da chuva, desligar e retirar tudo o mais rápido possível e tudo foi remontado no interior da Casa Amarela. Mas tudo isso levou a perda de tempo (tudo só se reiniciou cerca de 30 minutos depois), de público (maior parte se dispersou na chuva, permanecendo no interior da Casa cerca de
A essa altura, já mais de 19 hs, se apresentou a banda AMALGAMAS, com seu som competente e eclético, fundindo várias categorias musicais em seu rock original, apresentou somente músicas próprias. Após sua apresentação tivemos a falação do MAP, esclarecendo os ataques que a mídia vem fazendo contra os punks e o movimento punk, sendo bastante aplaudidos pelo público. Em seguida o locutor apresentou a banda REVOLTA POPULAR.
A Casa Amarela quase veio abaixo! O REVOLTA atiçou o público que passou a pogar e a gritar os refrões com a banda. Do lado de fora as pessoas paravam para ver o que estava acontecendo. Como a chuva havia parado, a essa altura já eram mais de 20 hs, algumas dezenas de pessoas acompanhavam o evento do lado de fora da casa Amarela, enquanto lá dentro o publico assistia e dançava. Por volta das 20:30 hs, no ponto culminante, uma cantora negra se incorpora a banda e começa a cantar O CANTO DAS TRES RAÇAS, ao som do atabaque, na segunda passagem da música a banda toda entra em forma de punk rock e repete a mesma canção, acompanhada pelo público que dança e canta junto.
Com a entrada as pressas na Casa e a chuva, começaram a surgir problemas com a aparelhagem: um dos canais, e depois toda a mesa de som, caiu; antes do encerramento do evento – e por isso mesmo – um dos amplificadores que restava estourou. Com isso se considerou encerrada a manifestação após a a apresentação do Revolta Popular, por volta de 21 hs, com a presença de cerca de 200 pessoas, sem que algumas organizações tivessem podido fazer usoda palavra (como a própria FOSP/COB-AIT, o GRML, etc) e pelo menos uma das bandas (THE UNIKS) não pode tocar. Ficou o gosto de quero mais, para o HUMANITUDES 2008.
Muito após o final do evento, lá pelas 22:30 hs, ainda havia dezenas de pessoas (punks, sem-teto e trabalhadores empregados) se confraternizando e trocando idéias na praça. E a expectativa geral: quando tem mais?
E lá vamos nós de novo!
Coletivo Humanitudes.
São Paulo, 29/11/2007