Grupos

A vida acontece em grupos.

SAIU O JORNAL DO SINDIVÁRIOS-Campinas-FOSP/COB-AIT


Vejam novo informativo
A PLEBE - Campinas n° 08 http://br.geocities.com/fospcps/sindi_jornal.html

Saúde e anarcosindicalismo!

FOSP/COB-ACAT/AIT
SEM ESTADO, SEM PARTIDO E SEM PATRÃO!

--
Ligado a:
Federação Operária de São Paulo-FOSP,
fospcobait@yahoo.co.uk
Confederação Operária Brasileira-COB,
cobforgs@yahoo.com.br
Associação Continental Americana dos Trabalhadores-ACAT,
Associação Internacional dos Trabalhadores-AIT.

Sítios:
http://www.grupos.com.br/blog/sindicalista.2001/
http://fospcob.blogspot.com/
http://fosp.zip.net/index.html

"A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores."

JLP/SP-07: VITÓRIA DA CLASSE TRA BALHADORA

JORNADAS LIBERTÁRIAS DE PROTESTO DE SÃO PAULO 2007
@@ NOS 90 ANOS DA GREVE GERAL DE 1917 @@
AVANÇO DA UNIFICAÇÃO DO MOVIMENTO LIBERTÁRIO BRASILEIRO
É UMA VITÓRIA DA CLASSE TRABALHADORA

Reforçando a campanha da FOSP/COB-ACAT/AIT de recuperação
da Memória Operária, das grandes lutas - que levaram a conquista
dos direitos que os capitalistas tentam destruir com suas reformas
- as Jornadas Libertárias de Protesto de São Paulo, centradas
na discussão sobre a atualidade da GREVE GERAL DE 1917, marcam
o início de julho na cidade de São Paulo - em especial na região
de Santo Amaro.

Marcada por uma campanha de divulgação que se iniciará na grande
manifestação do 1º de Maio Operário e Libertário, chamado pelo
Movimento pela Reativação da COB-AIT com o apoio do MLB, em especial
do movimento punk. Essa divulgação manteve a Greve Geral de 17 como
um tema atual, abordado em dezenas de manifestações culturais e
proletárias, durante os meses de maio e junho. Assim, através de
milhares de cartazes, boletins, jornais e filipetas centenas de
milhares de pessoas souberam de um dos fatos mais importantes da
luta operária brasileira que tanto o Estado quanto a burguesia e
os partidos políticos se esforçam tanto para apagar da história -
ou descaracterizá-lo.

Essa intensa atividade encontra seu ápice entre os dias 6 e 9 de
julho, momento crucial da greve em 1917 - que culmina com o assassinato
do jovem operário de 22 anos José Martinez, militante anarcosindicalista
da FOSP/COB. Nesses mesmos dias, 90 anos depois, aqueles fatos foram
amplamente divulgados, discutidos e relembrados no centro de Santo Amaro,
na Casa de Cultura Manoel Mendonça, nas perclaras e emocionantes
discussões das Jornadas Libertárias de Protesto.

Na sexta- feira, dia 6 de julho, a partir das 19 hs foi exibido o filme
OS LIBERTÁRIOS seguido de intenso debate* sobre a atualidade da Greve
Geral. No sábado, 7 de julho, a partir das 10 hs tivemos a palestra sobre
A REVOLUÇÃO ESPANHOLA E A LUTA ANTIFASCISTA, seguido de intenso debate,
teve que ser interrompido as 13:30 hs (intervalo para o almoço) onde
foi deliberado um lanche coletivo, precedido de uma "vaquinha" para a
aquisição de pão, recheio e bebidas - não alcoólicas (tudo num clima de
muita fraternidade e espontaneidade, numa forma autogestinária e
assembleária. A partir das 14:30 recomeçam as atividades programadas com
as Palestras Militantes: INDIVIDUALISMO, AUTONOMIA E FEDERALISMO**;
A QUESTÃO DA MULHER; O MOVIMENTO PUNK; A CONTRA-CULTURA; A PEDAGOGIA
LIBERTÁRIA (uma das palestras - sobre Sindicalismo - foi cancelada,
para se aumentar o tempo das discussões, se entendendo que era o tema
geral de todas as discussões). A discussão se encerraria as 20 hs,
horário marcado para a 1ª confraternização formal das JLP/SP-07: o Sarau
SEMENTE DE FOGO, que se iniciando as 20 :30 hs - com histórias,
homenagens, poemas, grupo de dança e canções (inclusive com a apresentação
de uma banda) se encerraria por volta da meia-noite.

O domingo começa cedo para os sindicalistas revolucionários, que já desde
as 9 hs chegavam à Casa Negra (Espaço Julio Guerra) vindos desde Sorocaba,
Guarulhos, Itaquequecetuba, Campinas, Osasco, Franca (além de outras
cidades do interior, da baixada e de vários pontos de São Paulo) no
vitorioso V Congresso Operário Paulista, mais de 25 participantes - além
da delegação do Secretariado da Seção da AIT no Brasil. As atividades na
Casa de Cultura Manoel Mendonça, se reiniciam a partir das 14 hs, com
exibição de filme, palestra e debate sobre o Movimento Punk e a Luta
Antifascista, a cargo do MAP-SP e da União do Movimento Punk (UMP). A
partir das 18 hs, encerrados os debates do V Congresso Operário Paulista e
das discussões sobre o movimento punk todos se unem na GIG de Protesto
Lúdico, FESTA JULHINA A SÃO BAKUNIN, ponto culminante da confraternização,
não só entre os participantes das JLP/SP-07, mas também com populares que
se achegaram para acompanhar a estranha, porém fraterna festa, onde bandas
da periferia FORÇA INGOVERNÁVEL, 100 VERBA, RESISTENCIA, FAMÍLIA ITAOCA,
REVOLTA POPULAR, mostrando a união do punk com o hiphop de combate, coroou
o sentimento geral de união fraterna do Movimento Libertário Brasileiro,
pronto a continuar a luta dos lutadores da grande Greve Geral de 1917.

De toda a programação a única coisa que ficou comprometida foi a
realização de um Ato de Desagravo a José Iguenez Martinez, mártir da Greve
Geral de 1917. Esse ato, que se daria a beira de seu túmulo, com a
instalação de uma placa comemorativa da continuidade de sua luta, se viu
comprometido pelo fato de que seu túmulo não foi localizado no Cemitério
do Araça - onde havia sido enterrado na época e se encontrava seu túmulo,
de acordo com bibliografia consultada. A Coordenação da FOSP/COB-AIT se
comprometeu a pesquisar seu destino e manter a proposta para uma nova data
a ser divulgada.

O balanço geral é amplamente positivo, não apenas pela ação de propaganda
prévia que levou a informação da Greve de 17 para milhares que não tinham
a menor idéia desses fatos, mas pela profundidade das discussões e seus
resultados práticos, para um público circulante de cerca de 500 pessoas -
com o pico de 250 a 300 pessoas nas atividades de domingo. Outro dado
importante é a composição do público, muitos jovens (dezenas entre 15 e 25
anos), dezenas de populares e simpatizantes (em geral da região de Santo
Amaro, negros e brancos, homens e mulheres, empregados, subempregados e
desempregados) e, inclusive, algumas pessoas que estão rompendo com os
partidos políticos da esquerda autoritária - que deram eco e testemunho
pessoal as denúncias que fazíamos quanto as crescentes práticas fascistas
da esquerda bolchevique. Outro dado importante foi o calor das discussões
e do espírito de luta dos participantes, que até o último dia, durante a
GIG - já a noite - tentavam puxar uma manifestação de rua para o dia 9.

VIVA A FOSP/COB-ACAT/AIT!
VIVA O MLB!
VIVA AS JLP/SP-07!

* A Comissão Organizadora das JLP/SP-07 informou que a palestrante
convidada, profa. Christina Lopreatto da UFUberlândia-MG, informou que não
poderia estar presente por compromissos profissionais e se dispôs a
participar em uma data próxima - a ser divulgada.

** Da mesma forma a Comissão Organizadora das JLP/SP-07 informou que o
palestrante convidado, prof. Edson Passetti do NUSOL e da PUC-SP, não pode
comparecer e se dispôs a participar de atividade em uma data próxima - a
ser divulgada.

Imagens das JLP/SP-2007

03:12 @ 05/08/2007

Imagens das JLP/SP-07

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Imagens das JLP/SP-07

03:17 @ 05/08/2007

Edgard, já na década de 60, ainda em atividade intectual intensa.

"Quando se fazem algumas referências a atuação de Edgard Leuenroth, quer
como militante proletário e anarquista, não pode deixar-se de mencionar a
greve geral que aconteceu em São Paulo no ano de 1917, quando paralizou
inteiramente todo o comércio e a indústria desta Capital. Assim também,
quando se faz menção daquela greve geral, o nome de Edgard Leuenroth aparece
estritamente ligado àqueles acontecimentos. O motivo dêsse estrito ligamento
assenta em que êle foi considerado o único responsável por aquela greve que
chegou a causar pânico ao patronato e ao próprio Estado. Em resposta a uma
dessas referências Edgard enviou ao jornal Estado de São Paulo a seguinte
carta":
"Citado nominalmente em Notas e Informações de 2 do corrente, com referência
à minha participação na greve geral de 1917, sinto-me na obrigação de vir a
público, a fim de contribuir com alguns esclarecimentos, para que o episódio
citado seja registrado em tôda a inteireza de verdade histórica.
Torna-se necessário, por isso, ser permitido pronunciar-me, embora
sumariamente, sôbre a origem e o desenrolar dêsse acontecimento de
excepcional relevo na história da vida coletiva de São Paulo.
Diga-me, antes de tudo, que a greve geral de 1917 não pode, de maneira
alguma, ser equiparada sob qualquer aspecto que seja examinada, com outros
movimentos que posteriormente se verificaram como sendo manifestações do
operariado.
Isso não, absolutamente não! A greve geral de 1917 foi um movimento
espontâneo do proletariado sem a interferência, direta ou indireta, de quem
quer que seja. Foi uma manifestação explosiva, consequentemente de um longo
periodo da vida tormentosa que então levava a classe trabalhadora.
A carestia do indispensável à subsistência do povo trabalhador tinha como
aliada a insuficiência dos ganhos; a possibilidade normal de legítimas
reivindicações de indispensáveis melhorias de situação esbarrava com a
sistemática reação policial; as organizações dos trabalhadores eram
constantemente assaltadas e impedidas de funcionar; os postos policiais
superlotavam-se de operários, cujas residências eram invadidas e devassadas;
qualquer tentativa de reunião de trabalhadores provocava a intervenção
brutal da Policia. A reação imperava nas mais odiosas modalidades. O
ambiente proletário era de incertezas, de sobressaltos, de angústias. A
situação tornava-se insustentável.
A notícia da morte de um operário, assassinado nas imediações de uma fábrica
de tecidos do Brás, divulgou-se como um desafio à dignidade do proletariado.
Caracterizou-se como um violento impacto emocional sacudindo todas as
energias. O enterro dessa vitima da reação foi uma das mais impressionantes
demonstrações populares até então verificadas em São Paulo. Partindo o
feretro da Rua Castano Pinto, no Brás, estendeu-se o cortejo, como um oceano
humano, por toda a avenida Rangel Pestana até a então Ladeira do Carmo em
caminho da Cidade, sob um silencio impressionante, que assumiu o aspecto de
uma advertencia. Foram percorridas as principais ruas do centro. Debalde a
Policia cercava os encontros de ruas. A multidão ia rompendo todos os
cordões, prosseguindo sua impetuosa marca até o cemitério. À beira da
sepultura revezaram os oradores, em indignadas manifestações de repulsa à
reação.
No regresso do cemitério, uma parte da multidão reuniu-se em comicio na
Praça da Sé; a outra parte desceu para o Brás, até à rua Caetano Pinto,
onde, em frente à casa da familia do operario assassinado, foi realizado
outro comicio. Sem que se possa precisar detalhes, verificou-se uma agitação
entre a multidão estacionada nas imediações da avenida Rangel Pestana. Havia
sido assaltada uma carrocinha de pão. Essa ocorrencia teve o efeito da
chispa lançada ao rastilho de polvora. Parece ter servido ela de exemplo e
estimulo para que a mesma ação fosse praticada em muitas partes da cidade.
Feito que aconteceu com rapidez fulminante, como se um veiculo de
comunicação de excepcional capacidade pusesse em contato todo o elemento
popular paulistano. As fábricas e oficinas esvaziavam-se, enquanto as ruas
se povoavam de multidões, movimentando-se agitadas em todos os sentidos. Foi
quando mais se intensificou a repetição do episódio do assalto do carrinho
de pão, sendo atingidos mercearias, depositos de mantimentos, armazéns, etc.
Paralizava-se a vida laboriosa de São Paulo que não pode parar, para dar
lugar a uma convulsão popular sem precedentes na vida paulistana.
A Policia entrou em ação. Começaram os choques com as multidões. Dos
encontros resultaram vitimas de ambos os lados.
Os operários não se podiam reunir para tomar resoluções. Cada corporação
lançava os seus memoriais de reivindicações, quase todas coincidentes, na
maioria delas. Mas uma ação de conjunto, coordenada para a determinação do
objetivo comum, não se tornava exequivel no momento, devido à
impossibilidade realização de assembléias sindicais.
Foi então que se constituiu o Comitê de Defesa Proletaria, resultante de uma
reunião clandestina de militantes de várias categorias sindicais. Sua função
não seria de órgão diretor para expedir palavras de ordem. Sua missão seria
de um nucleo de relações e coordenador das reivindicações dos trabalhadores
em agitação e privados de seus sindicatos e de seu organismo federativo. De
conformidade com essa característica, seu primeiro trabalho foi reunir em um
único memorial as reivindicações comuns a todas as categorias profissionais,
constantes de boletins por elas divulgados, e que, anteriormente, tinham
sido objeto de exame nas organizações operárias, antes de seu fechamento.
Constavam dessas reivindicações generalizadas, entre outras, a jornada de 8
horas, aumento dos salários, redução dos alugueis, normalização do trabalho
das mulheres e dos menores, melhoramento dos locais de trabalho. Encabeçavam
essas reivindicações as exigências do respeito ao direito de organização e
de reunião, e a libertação imediata de todos os operários encarcerados. As
reivindicações, especificas de cada profissão seriam acrescentadas pelas
mesmas. Embora a vigilância policial fôsse exercida com o maximo rigor, esse
memorial do Comitê da Defesa Proletaria teve a maxima divulgação entre os
proletarios em luta.
A situação ia se tornando cada vez mais grave com os choques entre a Policia
e os trabalhadores. O Comitê de Defesa Proletária, somente vencendo toda a
sorte de dificuldades conseguia realizar apressadas reuniões em pontos
diversos da cidade, às vezes sob a impressão congrangedora do ruido de
tiroteios nas imediações. Tornava-se indispensavel um encontro dos
trabalhadores, para ser tomada uma resolução decisiva. Surgiu, então, a
sugestão de um comicio geral. Como e onde? E como vencer os cercos da
Policia? Mas a situação, que se desenrolava com a mesma gravidade, exigia a
sua realização. O perigo a que os trabalhadores se iriam expor estava sendo
transformado em sangrenta realidade nos ataques da Policia em todos os
bairros da cidade, deles resultando também vitimas da reação, inumeros
operarios, cujo único crime era reclamarem o direito à sobrevivencia.
E o comicio foi realizado. O Brás, bairro onde tivera inicio o movimento,
foi o ponto da cidade mais indicado, tendo como local o vasto recinto do
antigo Hipodromo da Mooca. Foi indescritivel o espetaculo que então a
população de São Paulo assistiu, preocupara com a gravidade da situação. De
todos os pontos da cidade, como verdadeiros caudais humanos, caminhavam as
multidões em busca do local que, durante muito tempo, havia servido de
passarela para a ostentação de dispendiosas vaidades, justamente neste
recanto da cidade de céu habitualmente toldado pela fumaça das fábricas,
naquele instante, vazias dos trabalhadores que ali se reuniam para reclamar
o seu indiscutivel direito a um mais alto teor de vida. Não cabe aqui a
descrição de como se desenrolou aquele comicio, considerado como uma das
maiores manifestações que a história do proletariado brasileiro registra.
Basta dizer que a imensa multidão decidiu que o movimento somente cessaria
quando as suas reivindicações, sintetizadas no memorial do Comitê de Defesa
Proletária, fôssem atendidas.
O término do comicio teve o mesmo aspecto de que se revestiu o seu início. A
multidão se desdobrava em numerosas colunas que se punham em marcha, de
regresso aos bairros. Os militantes mais visados retiravam-se no meio de
grupos espontaneamente formados. Soube-se mais tarde que, em pontos
distantes do local do comicio, haviam-se realizado varias prisões.
A esta altura dos acontecimentos chegou ao conhecimento do Comitê de Defesa
Proletaria a iniciativa surgida no meio jornalistico de ser realizado um
encontro de uma comissão de jornalistas e o referido comitê de Defesa
Proletária. O convite foi feito por intermédio do diretor do jornal “O
Combate”, Nereu Rangel Pestana. O encontro foi marcado. Os membros do comitê
compareceram à reunião com a segurança de não serem presos, em virtude do
compromisso assumido pelo presidente do Estado com os jornalistas. O local
escolhido foi a redação de “O Estado de S. Paulo”, então situado na praça
Antonio Prado. A comissão de jornalistas era composta de representantes de
jornais diários da Capital e o Comitê de Defesa Proletária, pelos seguintes
elementos: Antonio Candeias Duarte, comerciário; Francisco Cianci,
litógrafo; Rodolfo Felipe, serrador; Gigi Damiani, pintor, diretor do jornal
libertário “La Bataglia”; Teodoro Municeli, diretor do jornal socialista
“Avanti”, e Edgard Leuenroth, jornalista, diretor do jornal anarquista “A
Plebe e secretario do comitê.
Na primeira reunião foi examinado o memorial das reivindicações dos
trabalhadores, apresentado pelo Comitê de Defesa Proletaria, que a comissão
de jornalistas estava encarregada de levar ao governo do Estado. A segunda
reunião teve o seu inicio retardado, em virtude da prisão de dois dos
membros do comitê de Defesa Proletaria ao sairem da redação, após a primeira
reunião. Os entendimentos seriam rompidos se esses dois elementos não fossem
imediatamente postos em liberdade. Essa resolução foi transmitida ao
presidente do Estado. A exigencia foi atendida, os elementos levados à
redação, e a reunião pôde ser realizada com breve duração, pois o governo
ainda não havia entregue a sua resolução.
A resolução da concessão das reivindicações dos trabalhadores foi dada por
intermédio da Comissão de Jornalistas, com a informação de que já estavam
sendo libertados os operários presos durante o movimento.
Foram realizados comicios dos trabalhadores em vários bairros para a decisão
da retomada do trabalho, que se iniciou no dia imediato.
São Paulo reiniciava suas atividades laboriosas. A cidade retomava o seu
aspecto costumeiro, restando, entretanto, a triste lembrança das vitimas que
haviam deixado lares enlutados.
Muito tempo ainda não havia decorrido, quando se verificou a minha prisão.
Iniciou-se então minha peregrinação pelos postos policiais, com o fim de
serem burlados os “habeas corpus” requeridos quando fui transferido para a
Cadeia Publica, hoje Casa de Detenção. Após seis meses, fui levado ao
Tribunal do Juri, para ser julgado pela estupida acusação de ter sido o
autor psiquico-intelectual da greve geral de julho de 1917. Fui absolvido
por unanimidade de votos, após dois adiamentos, com o intuito de impedir de
ter também como defensor, ao lado do dr. Marry Junior, o grande criminalista
dr. Evaristo de Morais.
Passado algum tempo, divulgou-se a notícia de deportação de alguns
militantes proletários para outros Estados.
Poderia ser mais detalhado, se isso fosse aqui cabivel, e se a renitente
crise de saude, que me detém em casa, não me impedisse de utilizar o
documentário de que disponho.
Isto o farei tão breve seja possivel, se conseguir avançar mais um pouquinho
alem do marco octogenario da vereda de minha vida...
Agora, julgo não ser descabido ocupar mais algumas linhas a propósito da
referencia sobre um meu encontro com o dr. Julio de Mesquita Filho, em
Campinas. Foi em abril de 1958, por ocasião da Exposição Retrospectiva do I
Centenário da Imprensa de Campinas. A organização do Certame foi confiada a
mim, na parte relativa à imprensa geral do Brasil, e ao senhor José da Costa
Mendes, a de Campinas. O dr. Julio de Mesquita Filho lá esteve para realizar
uma Conferência.
Foi quando se verificou a referida palestra com o dr. Mesquita sobre
episodios do movimento proletario. Prende-se um deles à greve geral de 1917,
e que serve como mais uma demonstração da mentalidade reacionária então
imperante. Quando nos reuniamos na redação do “Estado”, usavamos para nossos
apontamentos o mesmo papel destinado ao uso dos redatores e encabeçado com o
nome do jornal. A policia serviu-se disso para lançar a calunia de que o
jornal tinha ligações com a greve. Essa infamia foi denunciada com veemencia
pelo sr. Nereu Rangel Pestana, no jornal “O Combate”.
Um outro episodio, relembrado na minha palestra com o dr. Mesquita,
verificou-se em 1919, ano excepcionalmente agitado do movimento proletario
paulistano. Publicava-se, então, em edição diária, o jornal libertário “A
Plebe”, cujo aparecimento, sob minha direção, coincidiu com o inicio da
greve de 1917.
Certa noite, quando nos encontramos à lufa-lufa da preparação do jornal,
recebemos informação de que a sede do jornal seria invadida pela policia.
Efetivamente, a redação foi cercada por policiais, que ali permaneceram toda
a noite. Alguém, que estivera com a autoridade responsavel diligencia,
transmitiu-nos a estranha informação de que a policia somente invadiria a
redação às 6 horas da manhã, isso em respeito a uma determinação legal. Era
justificavel nossa estranheza, pois, naquele então, os assaltos a sede
sindicais e a domicilio de operarios, na calada da noite, estavam na ordem
do dia.
Mas há de registrar um outro aspecto desse episodio verificado naquela
memorial noitada de jornalismo proletario. Foi quando, esperando a entrada,
a qualquer momento, dos policiais invasores, alguém entrou apressado e, com
um todo de admiração, informou: o dr. Julinho está aí. De fato, ante a
admiração da autoridade, a improvisada redação do jornal proletaria recebia
a visita de um diretor de um dos maiores jornais do Brasil. O dr. Julio de
Mesquita Filho explicou que lá comparecia por ter sido informado do que
estava acontecendo. A todos cumprimentou, e, somente após demorada palestra,
deixava aquela velha casa do tempo de antanho, situada na rua das Flores,
desaparecida com a abertura da Praça Clovis.
E, às 6 horas da manhã, a policia invadia a sede da redação do histórico
jornal proletário".

TRAÇOS biográficos de um homem extraordinário. Dealbar [jornal], São Paulo,
17 dez. 1968, ano 2, n. 17.

JLPSP - 07 de 20070050.jpg 

18º TRIBUTO A RAUL ROCK SEIXAS

(1945-1989-2006)

“POR QUE É QUE O POSTO ANDA COMPRANDO TANTA CANA SE O ESTOQUE DO BOTECO JÁ ESTÁ PRÁTERMINAR

18ª PASSEATA-HOMENAGEM A RAUL SEIXAS

à  Este ano é Terça-Feira!

21 de AGOSTO

16 hs – CONCENTRAÇÃO em frente ao Teatro Municipal/Praça Ramos de Azevedo

18 hs – Saída da PASSEATA

19 hs – TRIBUTO c/ som na Praça da Sé

22 hs - Encerramento

 

Numa passeata no centro do Rio de Janeiro em 7 de junho de 1973, um cantor desconhecido saiu com seu violão pelas ruas entoando uma canção-lamento para os pedestres, era o milagre brasileiro em plena ditadura Médici. Dizia que devia estar contente e satisfeito, mas não estava! A música brasileira começava a conhecer aquele que viria a se tornar um de seus maiores poetas, filósofos e mártir: Raul Seixas, o Castro Alves do século XX. Num tempo em que a mínima aglomeração de pessoas era vista como ato de subversão, a performance de Raul Seixas com a sua ‘Ouro de Tolo’ desbancando a classe média foi parar no Jornal Nacional daquela noite, os versos: "Eu devia estar contente porque tenho um emprego, sou o dito cidadão respeitável e ganho 4 mil cruzeiros por mês...".

Com 10 anos de estrada nas costas surgia o pai do rock tupinikin: o rock brazuka passava a ter postura de movimento e contestação. Com algum atraso, por causa da linha dura imposta pelo AI-5, o brasileiro experimentava as mudanças que no resto do mundo atingiram com o festival de Woodstock, em 1969.  E Raul foi o porta-voz do inconformismo, num momento em que muitos ícones da MPB estavam no exílio.

Assim participou de um Ato em defesa da Anistia, o ‘PANIS ET CIRCENSES’, no Teatro Municipal em 72. Em 74 lança GITA e proclama a Sociedade Alternativa, que lhe valeria a prisão, tortura e exílio nos EUA – onde conheceria John Lennon e discutiriam as suas propostas revolucionárias, o “Novo Aehon” e “Nutopia”.  Volta ao Brasil, depois de receber o disco de ouro por GITA e continua a difundir suas idéias sobre a Sociedade Alternativa em NOVO AEHON (75), HÁ 10.000 ANOS ATRÁS (77), O DIA EM QUE A TERRA PAROU (78), MATA VIRGEM (79), POR QUEM OS SINOS DOBRAM (80) e ABRE-TE SÉSAMO (81). A partir daí passa por diversos problemas de saúde que terminam por abreviar sua profícua vida. Ainda assim se mantém ativo, mesmo marginalizado pela mídia – mas sempre com um público fiel, ganha novo disco de ouro com COWBOY FORA DA LEI, aderindo à campanha pelo voto nulo publicamente, uma música que "O Raul tinha esse refrão na cabeça desde 1973, tanto que originalmente ela se chamava Cowboy 73. Com o passar dos anos, ele mudou para Cowboy Fora da Lei" – como testemunha se amigo pessoal Sylvio Passos. No dia 21 de agosto de 1989 seu corpo é encontrado em seu apartamento na rua Frei Caneca, em São Paulo.  A grande comoção que tomou conta do país testemunhou a sua influência que se manteve perene mesmo 17 anos após sua morte física, atestando que “os homens passam, mas as músicas ficam...”

Em São Paulo os fãs arrebataram seu, corpo se recusando a entregá-lo se não houvesse um ritual semelhante ao feito com o Tancredo Neves. Assim após horas de confrontação - entre os fãs-acastelados no Palácio de Convenções do Anhembi – e a tropa de choque da PM o caixão saiu enrolado em uma bandeira brasileira, levado por um carro do corpo de bombeiros e seguido pela passeata dos fãs que lá permaneceram durante a madrugada: mais de 10.000 pessoas, segundo a PM na época. Em Salvador uma multidão com mais de 30.000 novamente arrebatou o caixão das mãos dos próprios familiares para conduzi-lo coletivamente ao túmulo cantando suas músicas sem parar.

Desde então, sempre na data de sua morte – 21 de agosto – são realizados em todo o país centenas de tributos lembrando Raul e trazendo para o século XXI suas idéias e canções. De todos o que mais se destaca é a PASSEATA-HOMENAGEM A RAUL SEIXAS, ora em sua 18ª (décima-oitava) edição. Com a participação de raulseixistas de outras cidades e até de outras regiões do país, marcado por uma concentração durante a tarde em frente ao Teatro Municipal, na praça Ramos de Azevedo, com a saída da passeata as 18:00 hs em direção a praça da Sé, onde o Tributo prossegue, oficialmente até as 22 hs, mas durante toda a madrugada para milhares de pessoas, cerca de 10.000 nas últimas edições, já no século XXI. Este ano também estamos esperando o lançamento de um filme, em escala comercial, um Documentário sobre a vida do Maluco Beleza – num cinema perto de sua casa – além de DVDs com imagens de arquivo da TV Cultura e da TV Bandeirantes, trazendo uma noval uz sobre o trabalho de Raul para uma grande parcela, que não conhece sua obra, atestar sua atualidade. Não atoa o lema da PASSEATA-HOMENAGEM de 2007 é justamente “POR QUE É QUE O POSTO ANDA COMPRANDO TANTA CANA SE O ESTOQUE DO BOTECO JÁ ESTÁ PRÁTERMINAR” – música de Raul em 1979.

Reunidos e confraternizando em clima de completa paz e harmonia, cantando as canções de Raul coletivamente e discutindo suas propostas e legado, durante mais de 6 horas, demonstramos a presença e vitalidade de Raul Seixas e da Sociedade Alternativa, viva dentro de nós. E é com essa mensagem de otimismo e de revolução do cotidiano que estaremos novamente nas ruas nesse ano de 2.006.

 

                                                                São Paulo, 19 de julho de 2.007.